As aventuras dos Martson's
15 Problemas familiares
Notas iniciais
Os goblins não tiveram nem a simples idéia de nos procurar fora da casa. Do terreno podíamos ouvir eles revirando e quebrando as coisas, eles eram muitos e revistariam tudo rápido, era apenas questão de tempo até eles pularem o muro e nós encontrarem.
— perdemos uma ótima carona com o grifo, só para salvar aqueles papeis velhos- disse Kimberlyn com raiva
— aqueles pergaminhos valem mais que você – disse o elfo Erivan
— calem- se os dois – gritou Grandhir tentando fazer a voz soar baixa, o que não deu certo
—ambos se calaram, mas todos nós sabíamos que os goblins haviam ouvido Grandhir
— precisamos correr – disse Kimberlyn
Altamir andou até a cerca de arame farpado que dividia o terreno da rua, pegou seu machado dourado e partiu os arames como se fossem feitos de manteigas.
— isso foi desnecessário – disse Kimberlyn
Então todos corremos para a rua, Grandhir mesmo grande e pesado era mais rápido que todos nós, suas pisadas estremeciam o chão sob nossos pés. Os goblins ainda não haviam chegado, estávamos na rua que ficava de fundo com a avenida, era uma ruazinha estreita com chão de paralelepípedos.
— precisamos chegar cedo em casa – falou Kimberlyn para mim
— Grandhir não vai caber em uma coisa daquelas que nós viemos – disse Altamir
— podemos ir pelo bosque – sugeriu Erivan
— não mesmo – respondeu Kimberlyn
— é uma idéia boa – falou Altamir
— não chegaríamos a tempo – falei – e mamãe chega daqui a uma hora e meia
— então os humanos vão de carro e nós pela floresta – disse Grandhir com serenidade
—podemos pegar outra van – ofereci
— RAPIDO ainda podemos alcançar eles – gritou um goblin menos burro de dentro da casa de Grandhir, enquanto os pequenos tentavam escalar o muro
— boa sorte – disse Erivan para a gente
E então os três seres mágicos correram até o fim da rua e desceram um barranco adentrando a floresta sem olharem para trás, olhei para a casa de Grandhir e os goblins já saltavam do muro para o terreno.
— corre – falei para Kimberlyn que não pensou duas vezes e começou a correr, eu segui em disparada atrás dela
Corremos pela parte de cima da rua toda, não era muito extensa mas era uma pequena ladeira, cansava a subida, mas subimos e continuamos correndo, viramos a esquina para outra mini-rua que dava direto na avenida, eu não sabia nem que avenida era só fiz correr para la. A avenida era larga e extensa, carros buzinavam de uma ponta a outra, era a avenida do “gogó gelado” eu não entendo porque esse nome tão esquisito, mas enfim, os goblins pareciam ter ficado para trás, nós adentramos no meio das pessoas que andavam nas calçadas para nós disfarçar. Fomos andando até o final da feira, e ficamos por la a espera de uma van, eu não sabia se Kimberlyn tinha dinheiro, ou se pretendia destruir outra van, mas era melhor que ficar numa cidade que você mau conhece, e está infestada de monstros.
— Kelvis olha – falou Kimberlyn para mim apontando para um ponto na feira
Eu segui o dedo indicador dela, que apontava para uma barraca onde vendia bijuterias, não vi nada de anormal, olhei um pouco mais adiante e então entendi, alguns goblins vinham andando em fileira, as pessoas não pareciam notar-los, eles definitivamente estavam nós procurando.
— vamos rápido – chamei ela enquanto corria por uma calçada, Kimberlyn me seguiu, eu definitivamente não sabia para onde estava indo, só queria sair dali
Corremos por mais uma rua e viramos outra esquina , tinha um movimento maior de carros, eu parei para descansar, numa espécie de estacionamento, me encostei num carro e fui retomando o fôlego.
— Kelvis sai daí devagar – disse Kimberlyn sem se mexer rápido
— oque foi? – perguntei – eu to só relaxando
Olhei ao meu redor, e percebi que estava encostado numa ambulância, e estava em frente ao hospital da cidade, sai rápido de trás da ambulância e uma voz familiar chamou.
— Kelvis? –
— merda – falei pra mim mesmo
Era a voz de mamãe, e não parecia feliz
— não sou eu – falei tentando esconder o rosto
Ela saiu do hospital como um jato, ela usava uma jaleco de medico, caminhou até mim e puxou minha orelha com força.
— oque você esta fazendo aqui? – gritou ela
Eu não respondi
— não acredito nisso – disse ela com desgosto
— mamãe nós... – Kimberlyn tentou explicar, mas se conteve
— Kim? – perguntou mamãe – eu pensei que você fosse mais responsável
Nós dois permanecemos calados.
— ninguém vai me explicar oque esta acontecendo não? – perguntou mamãe com raiva
— então está bem – disse ela – vou levar-los em casa, e no caminho teremos um bela conversa
Ela nós levou até o carro e nós colocou la dentro, depois trancou o carro e entrou no hospital.
— parabéns – disse Kimberlyn – você tinha que estragar tudo
— não foi culpa minha –me defendi
—claro que não – disse ela com sarcasmo
— mas e agora? – perguntei
— e agora vamos ficar de castigo pelo resto da vida – respondeu ela com raiva
— não é isso – falei – precisamos contar a ela
— contar que estamos no meio de uma guerra entre criaturas que há 3 dias atrás nem sabíamos que existia? – disse ela – bem convincente
Mamãe voltou, não tirou o jaleco e vinha com muita pressa, ela entrou no carro e colocou rapidamente a chave na inguinição.
— eu vou deixar-los em casa rápido – disse mamãe – e precisarei voltar ao hospital
— mas já são quase 18 horas – disse Kimberlyn
— eu vou ter que ficar a noite inteira –disse ela –uma paciente precisa de uma cirurgia complicada e arriscada
Ela ligou o carro e saiu do estacionamento, virou a avenida e entrou na estrada, por um segundo eu achei que ela tivesse se esquecido do castigo, mas eu estava enganado.
— agora – ela respirou fundo – podem me explicar um motivo plausível para vocês saírem de casa sozinhos e irem há uma cidade que nem conhecem num estado que só estão a três dias
— mãe –falei – mesmo que você não acredite em mim eu vou falar
— diga – falou ela
— em nossa casa há um quarto secreto – falei – e nesse quarto eu encontrei um livro, do antigo dono da casa
— continuei – respondeu ela
— e com a ajuda desse livro eu comecei a ver, goblins,gnomos,sereias e até ogros – falei – mas existe um dragão que toma forma humana que quer esse livro para fazer o mal a todos
Ela não respondeu nada
— você precisa acreditar em mim mãe – insisti
— então quer dizer que esse livro que você encontrou te ensina a ver sereias, goblins, duendes – disse ela
— sim – falei com entusiasmo
— e por causa desse livro está acontecendo toda essa confusão? – perguntou mamãe – por causa de fadas e gnomos, mas é claro
— eu sabia que não ia acreditar – falei
— oque acha disso Kim?- perguntou ela para Kimberlyn
— é verdade mãe — respondeu Kimberlyn
— Não, não é – falou mamãe num tom alto e com raiva — acham mesmo que eu sou tão burra, e não vejo oque estão querendo. Vocês odeiam a nova casa, e querem voltar pra São Paulo, pra vida que tinham la, mas eu quero que vocês escutem bem oque eu vou dizer: nós não vamos voltar
Eu e Kimberlyn permanecemos calados
—porque não temos dinheiro pra morar la, porque... – disse ela, e se interrompeu a si própria
— foi por isso que a tia Mariana foi embora – falei com toda sinceridade
Kimberlyn e mamãe me fitaram.
— quando alguém te diz alguma coisa que não quer ouvir é isso que você faz – falei para minha mãe – você para de ouvir e começa a berrar, vivia fazendo isso com a tia Mari...
— para – disse mamãe para mim
— eu via – falei
— é via oque queria ver – respondeu ela
Já estávamos quase chegando em casa, já passávamos pelas outras casas vizinhas, eu realmente não havia notado o quanto mamãe havia sido rápida.
— você não escutava ela, e por isso ela foi embora – falei
Mamãe não respondeu, em vez disso ela freou o carro com muita violência, o carro derrapou por alguns metros pelo chão de pedra do portão da nossa casa, sinceramente eu não sei como não furou o pneu.
— desce – disse minha mãe sem nem olhar pra mim
— oque? – perguntei
— eu mandei descer – respondeu ela elevando a voz
— com prazer – falei
Abri a porta do carro e desci me virei para ela que ainda não havia se virado para mim.
— eu não quero que acredite em mim – falei
E bati a porta do carro, ela não falou nada, e pelo outro lado do vidro eu podia ver que ela não havia virado para mim. Sai dali rápido e com raiva, eu nem esperei por Kimberlyn, nem me importava se havia goblins ali, eu só desci a pequena ladeira, e subi a varanda, eu já estava dentro das barreiras, mas me sentia como se não estivesse.
Entrei na primeira sala e não havia ninguém, ouvi a voz de Albertos na cozinha e me dirigi até la. Na cozinha Albertos e Alex preparavam mini-bombas de extrato de tomate e sal, nenhum dos dois me viu, Alex amarrava as bolsinhas cheias de extrato de tomate e as colocava em cima da mesa, enquanto Albertos as enchia.
— AHR, puxa como somos organizados, somos muito organizados, ta tudo muito bom, ta ótimo – disse Albertos elogiando as mini-bombas
Alex me viu e falou:
— e ai, como foi na cidade?
— horrível – respondi – encontramos com a mamãe, ela nós trouxe até em casa
— e cadê Kimberlyn? – perguntou ele
— Kelvis, mas que droga foi aquela? – gritou Kimberlyn da sala
— ata – disse Alex
Kimberlyn entrou na cozinha como uma locomotiva desgovernada, ela de principio não viu a mesinha com as mini-bombas e se esbarrou derrubando varias sacolas com extrato de tomate, nenhuma explodiu, mas se espalharam pela cozinha inteira.
— Meninota, não olha por onde anda – gritou Albertos virando um diabrete – eu devia acertar isso na sua cara
Disse Albertos tentando erguer uma mini-bomba.
— calma calma – Alex o suavizou – toma um pouco de trigo
— Kelvis você tem idéia do quão é difícil para a mamãe? – perguntou ela
— gritar não parece ser tão difícil – respondi
— ela é a única médica nessa cidade patética – disse Kimberlyn – e está trabalhando como uma escrava, não precisa ouvir suas criticas sobre nada
— ela podia ao menos se esforçar em acreditar – respondi
—para ser honesta nem eu acredito direito – disse ela
— olhe a sua volta – falei – tem um gnomo prestes a te acertar com extrato de tomate, e há goblins nos espreitando a todo o momento
Ela ficou calada.
— você está carregando um arco, e com os bolsos cheios de sal – continuei – hoje cedo voamos num grifo, de que outras provas você precisa?
— e então, encontrarão o cara que estavam procurando? – falou Alex, cortando o clima de discussão
— “cara” não – disse Kimberlyn – aquela coisa
— Grandhir é um... – disse Albertos
— Cadeijon – respondi
— vocês o conheceram? – perguntou Albertos
— se conhecemos? Ele esta vindo pra cá — disse Kimberlyn
— e o elfo? – perguntou Alex
— Altamir? Ele vem junto com o Cadeijon – respondi
Olhei para o relógio, marcavam as 17:30. As 18:00 é a hora que a lua se levanta, e a hora em que segundo José, Avarat ira atacar.
— AHHHHHHHHHHIIIIIIIIIIIII – ouvimos um grito vindo do quintal
— é Alicia – disse Kimberlyn
Todos nós corremos para o quintal, com exceção de Albertos. Chegando la vimos que não havia perigo, Alicia gritava e apontava para Grandhir enquanto o olhava através da pedra da visão.
— bicho nojento – gritou Alicia
— isso é preconceito – disse Grandhir
Ele estava acompanhado de Altamir e Erivan, bem como eu esperava.
— ta tudo bem Alicia – disse Kimberlyn enquanto alisava os cabelos dela para conforta la – ele é nosso amigo
— vou subir na caixa d’água para você poder entrar – falei
— não é necessário meu jovem – disse Grandhir enquanto atravessava as barreiras sem nenhum problema – eu tenho permissão para entrar antes mesmo de você ter nascido
Alex olhou bem para Grandhir.
— uau – disse ele
— vamos entrar – logo disse Grandhir olhando para o bosque – as árvores tem ouvidos
— calma ai senhor cadejones – disse Kimberlyn
— Cadeijon – Grandhir a corrigiu
— tanto faz – disse ela – você não pode entrar, minha mãe ia ter um troço se te visse ai
— com licença – disse Grandhir e entrou sem a permissão de Kimberlyn, Erivan o seguiu e Altamir veio falar comigo e com Alex
— a coisa ta feia — disse ele pra nós
— sim cara – disse Alex –esse Grandhir é feio mesmo
— não é ele – disse Altamir – no caminho vimos vários goblins se reunindo na parte escura do bosque, dezenas talvez centenas
— Avarat estava la? – perguntei
— não – respondeu Altamir – mas tinham vários ogros, sapos, e até Troll’s
— isso ta ficando insano – disse Alex
— vamos entrar – falei –
— Grandhir tem muito a contar – disse Altamir
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