As aventuras dos Martson's
16 A terceira Casa
Notas iniciais
Estávamos todos sentados na sala, no sofá grande estavam: eu, Alex, Altamir e Erivan. No outro sofá Kimberlyn e alicia, Albertos estava sentado no ombro de Alicia ouvindo firmemente. E Grandhir estava sentado no chão no meio de todos nós.
— Avarat quer o livro a qualquer custo, e se ele tiver o livro não será bom para ninguém – disse Grandhir
—já sabemos – disse Kimberlyn
— devíamos destruir-lo – sugeriu Erivan
— NÃO – falei – não é oque José queria
— temos que optar pelo que nós queremos, e não pelo que José quer – disse Kimberlyn
Todos olharam para ela apreensivos.
— também é oque eu quero – falei – guardar o livro
— eu também acho que devemos guardá-lo – concordou Albertos
— e quanto a Avarat? – disse Alex – ele não deve estar pra brincadeira
— Avarat é só um velhinho magrelo – falei
— “um velhinho magrelo” que quase quebrou suas costelas Kelvis – disse Alex
— um velhinho magrelo que vira um ogro – falei
— vamos manter a seriedade por favor – disse Grandhir
— deveríamos por fogo na casa – disse Erivan – assim Avarat pensaria que todos morreram e o livro queimou
— sua idéia está fora de cogitação – respondeu Kimberlyn
— não é uma idéia tão ruim assim – disse Grandhir
— é uma idéia horrível – gritou Albertos, ele estava por um triz pra virar diabrete
— mas já tentamos queimar o livro – disse Alex – e não funcionou
— ele é protegido por magia – disse Grandhir – uma magia semelhante há que protege essa casa
— então destruir o livro não é uma opção – falei
— bem – disse Grandhir – só quem colocou a magia sabe como retira-la
— no caso seria José – disse Alex
— sim – respondeu Grandhir
— não estamos aqui para isso – falei – José quer que criemos um abrigo na terceira casa, e não que destruamos o livro
— o garoto está certo – disse Albertos
— mas nem sabemos como está a terceira casa – falou Grandhir – já se passaram uns 50 anos desde que alguém esteve la
Ninguém falou nada
— não sabemos oque podemos encontrar – disse Grandhir por fim
Todos começaram a se olhar, com exceção de Alicia, que não estava nem ai, mas eu não a culpo.
— eu vou la – falei
— onde? – perguntou Kimberlyn
— na casa – falei – eu entro la e provo que está tudo ok
— você tem certeza disso garoto? – perguntou Grandhir
— tenho – o assegurei
— Kelvis não é uma boa idéia – disse Alex ao meu lado
— eu prefiro fazer isso a destruir o livro – falei
Ninguém se opôs em nada.
— já são quase 18 horas Kelvis – falou Kimberlyn – você vai ter que ser rápido
— é claro que eu vou ser rápido – respondi – só vou entrar, olhar tudo e voltar
— quando eu disse que “não sabemos oque tem la” significa que pode ter qualquer coisa – disse Grandhir
— qualquer coisa não pode ser tão ruim assim – falei
— você está mesmo certo disso? – perguntou Kimberlyn
— já falei que estou –
—então está certo — disse Grandhir – vamos deixar você na entrada da casa
—eu também vou – disse Altamir
Serio oque eu acho legal em Altamir é que ele fica sempre calado e resolve agir no final.
— ótimo – disse Grandhir – entã...
— eu também quero ir – falou Alex interrompendo Grandhir
— Alex? – disse Kimberlyn
— um trio – disse Grandhir – alguém mais quer ir?
Ninguém disse nada, por um segundo achei que Albertos fosse querer vir, mas não parecia uma idéia muito boa.
— vem com a gente Erivan – chamou Altamir
—simplesmente não – respondeu Erivan
— vamos logo – disse Grandhir – o tempo é curto
— tipo agora? –perguntou Alex
Grandhir ficou de pé.
— porque deixar pra depois o que você pode fazer agora – disse Grandhir
Erivan se levantou em seguida.
— vamos, rápido – falou Grandhir
Altamir se levantou e eu fiz o mesmo.
Fomos todos andando em grupo, passamos pela varanda e vimos os pergaminhos espalhados no chão, próximos a Aestas que dormia tranquilamente, nenhum goblin estava a vista, oque parecia ser bom por enquanto. Saímos das barreiras e fomos pelo caminho de pedras até o portão, por enquanto estava tudo tranqüilo e favorável. Passamos pelo portão e caminhamos pela estrada, eu podia ver as luzes da cidade de Salgado ao longe, nenhum carro passava pela estrada, não havia nenhum sinal de vida humana, seria esquisito se você não estivesse acompanhado de dois elfos, um gnomo e uma versão mais estranha do Chewbacca de “Guerra nas estrelas”
Depois de alguns minutos de caminhada e zero dialogo enfim chegamos à terceira das 10 casas, o portão era enferrujado e tinha pontas afiadas na parte superior, estava trancado com um cadeado gigantesco. A casa em si era grande, parecida com a minha, mas com um toque mais sombrio. Ela tinha as janelas quase todas quebradas e muitas teias de aranha do tamanho de um cachorro. O telhado era antigo e tinha vários buracos, um deles inclusive daria para uma pessoa magra passar sem problema. Muito mato cercava a casa e subia pelas paredes.
— parece estar trancado – disse Albertos
Grandhir puxou a parte inferior do cadeado para baixo e o mesmo se abriu.
— nunca esteve trancado – disse ele
Grandhir empurrou o portão que se abriu lentamente com um rangido fino e alto.
— isso aqui me da calafrios – falou Kimberlyn
Passamos pelo portão e logo vi que no lado da casa tinha um pequeno lago, não era bem um lago, era um rio descia da floresta e ficava largo ao lado da casa.
—as meninas e o gnomo devem voltar daqui – falou Grandhir
— concordo – disse Kimberlyn e voltou para casa com Alicia e Albertos
—vamos – chamou Grandhir
E eu, ele, Altamir, Alex e Erivan caminhamos até a casa, havia muitos morcegos, mas era morcegos normais até onde eu sabia, chegamos finalmente até a varanda da casa, ela não tinha nada demais e tinha quase o mesmo tamanho da varanda da nossa casa. A porta de uma madeira mais negra que o normal, e era imensa, daria pra passar um carro ali sem problemas.
— deixa eu adivinhar – falei – também não está trancado
Tentei abrir a porta girando a maçaneta que era gigantesca, oque não funcionou.
— está trancada – falou Grandhir
— ok fim da linha pessoal vamos voltar – falou Erivan
— tem uma fechadura – observou Alex
— é simples – disse Altamir
Ele colocou a mão nos bolsos e buscou até encontrar um pequeno objeto que se parecia com um grampo de cabelo, só que um pouco maior, ele encaixou o objeto na fechadura e começou a girar para o lado esquerdo, depois de um tempinho a porta rangeu
— CLLERK-
E se abriu devagar.
Eu não conseguia ver Altamir como um rei, ele era só um elfo branquelo e magricela, ele não era como Cofuzos, mas mesmo assim ele sempre tinha uma surpresa esperando.
— uma chave de ladrões – falou Erivan indignado
—algum problema? – perguntou Altamir
— não, não – respondeu Erivan – muito típico
— oque você está insinuando? – perguntou Altamir elevando a voz
— parem antes mesmo de começar – falou Grandhir
Altamir fitava Erivan com um olhar de dar medo, sinceramente eu não sei oque poderia acontecer numa briga de elfos.
— a partir daqui é com vocês – disse Grandhir – eu e Erivan vamos voltar para a casa de José
— ok – falei – certo
Grandhir e Erivan deram de costas e saíram dali, sem nem mesmo desejar um “boa sorte” ou “tomem cuidado”. Eles apenas se foram sem olhar para trás.
— então agora é com a gente – falou Alex
— isso vai ser demais – falei
—realmente – completou Altamir
— então alguém tem uma lanterna? – perguntou Alex
Oque é isso? – perguntou Altamir
— temos um problema – falei
Altamir puxou seu machado dourado.
— venham – chamou ele
E entrou na escuridão da casa, eu e Alex nos olhamos e logo entramos atrás dele. O cheiro era um tanto agradável, tipo um cheiro de hortelã sei la, meio estranho. Não estava muito escuro por que o machado de Altamir iluminava o bastante para vermos a nossa frente.
Estávamos numa espécie de sala, não era tão imensa e tinha alguns moveis, eu podia ver claramente um sofá, uma cômoda e um retrato, não conseguia enxergar bem o retrato, ainda estava escuro para ver isso.
— vou tentar fazer um mapa do interior da casa – disse Alex pegando o celular e entrando num aplicativo
— pegue sua espada Kelvis – disse Altamir
Eu não entendi bem por que, mas fiz oque ele disse, puxei minha espada e descobri que o verde brilhante da lamina dela iluminava tão bem quanto o machado de Altamir, eu podia refletir uma luz verde e iluminar quase toda a sala. Agora eu via claramente o retrato, eram três pessoas, ou melhor três seres, o primeiro era Grandhir, parecia mais jovem e sorria como louco, o segundo era José, ele mantinha o mesmo ar de gênio de sempre, e o terceiro eu não reconhecia, era um jovem de aparentemente uns 20 anos, com cabelos brancos desarrumados, e um olhar bobo no rosto, eu olhei bem para ele e logo depois abafei um grito, o jovem de cabelos brancos tinha os olhos dourados como lava, com a bola do olho negra como obsidiana, o jovem só podia ser Avarat.
Eu não estava entendendo, eles pareciam tão amigos, e Avarat estava jovem e alegre. Percebi logo que o retrato não era bem um retrato, e sim uma pintura, não fora tirado por uma câmera fotográfica, e sim pintado por um artista, agora eu me perguntava quantos anos aquela pintura tinha.
— anota ai Alex – falou Altamir – uma sala não muito espaçosa com 2 móveis
Alex mexeu no celular e digitou algumas coisas, e depois o colocou no bolso.
—pronto – disse ele
— vamos para o próximo cômodo – falei
Nós três caminhamos até o próximo cômodo, parecia ser uma cozinha, eu e Altamir começamos a clarear o lugar, tinha uma mesa de madeira partida ao meio e jogada no chão, um fogão a lenha em perfeito estado, mas não sei se isso ainda funciona. Não tinha nada de geladeira ou microondas, eu estava começando a questionar o tempo desde que uma pessoa havia morado nessa casa.
— uma cozinha com fogão a lenha e mesa de madeira – disse Altamir – anota ai Alex
Alex anotou com rapidez.
— vamos para o próximo – disse Altamir
Caminhamos e viramos a esquerda numa portinha, era obviamente um quarto, tinha uma cama antiga, um guarda-roupa não muito antigo, e uma janela fechada com uma persiana negra.
— que quarto magnífico – disse Altamir
— vou olhar debaixo da cama – falou Alex e foi se abaixando para olhar debaixo da cama
E eu fui até o guarda roupa, abri as portas e descobri algumas roupas, roupas de mulher, criança, homem, não eram roupas eventualmente normais, eram bem parecidas com as roupas de Altamir ou de Erivan, no chão do guarda-roupa haviam alguns pares de sapatos, não eram sapatos comuns, eram sapatinhos verdes de tamanho normal com a ponta muito pontuda e inclinada para cima, pareciam com os sapatos que Cofuzos usava.
—AHHHHH, SOCORRO –gritou Alex bem do meu lado
Um susto imenso corrompeu meu coração e eu dei um pulo para frente, virei para Alex e ele estava saindo debaixo da cama, ele saiu como um raio e quando puxou a mão uma coisa estava agarrada a ela, olhei bem e quase dei um grito, era uma cobra.
— COBRA, COBRA – gritava Alex
Altamir largou o machado no chão e correu para a escuridão como um jato.
Me joguei próximo a Alex, e segurei a cobra, era grossa e gelada, muito escorregadia e viscosa. Que nojo, merda.
— ela ta apertando, Kelvis – falou Alex
Larguei a espada no chão e puxei a cobra, puxei com toda minha força ela pro lado e não parecia mudar nada.
— Alex, puxa o braço para la que eu puxo pra ca – falei
Ele assentiu e puxou, eu fiz o mesmo para o lado oposto, ela estava se soltando aos poucos de Alex
— enfia a espada nela –falou Alex –rápido
Que droga, cadê Altamir?
Me levantei e puxei a cobra pra cima, e ele se soltou de Alex, eu não enxergava sua cabeça, mas logo eu a avistei, a cabeça da cobra passou como um raio a alguns centímetros do meu rosto, eu pude por um segundo ver sua boca aberta e pronta para me abocanhar.
— merda – falei
Soltei a cobra no chão e peguei a espada, mirei a espada para ela, que se enrolou e estava pronta pra dar o bote.
— vamos sair daqui – falei pra Alex
Ele pegou o machado de Altamir do chão.
— vamos
Caminhamos para trás e corremos pela escuridão, corremos até chegarmos numa parede isolada próxima a uma janela, eu precisava recuperar o fôlego.
— anotou ai? – perguntei
— isso foi insano – disse Alex
Ele estendeu o braço e nós dois descobrimos uma mancha vermelha em sua pele branca, muito vermelha mesmo.
— ela apertou mesmo – falou Alex rindo
Eu comecei a rir também
— por pouco eu não perdi a cara – falei rindo também
Nós ficamos la recuperando o fôlego do susto que levamos por causa daquela cobra, eu não entendia muito de cobras, mas tenho quase certeza que era uma jibóia, Alex anotou tudo no mapa interno da casa no celular e já estávamos pronto para explorar mais.
—cadê o elfo?- perguntou Alex
— eu não sei – falei – ele abandonou o machado e correu, quando viu a cobra
— que estranho – falou Alex rindo
— vamos continuar – falei
Andamos mais um pouco, e logo encontramos uma escadaria velha e empoeirada, subimos ela e descobrimos mais dois quartos, eram quase idênticos ao outro, mas não, não haviam cobras la. Alex anotou e seguimos mais adiante, encontramos logo depois um espaço que servia como uma espécie de arsenal, havia vários machados de guerra, espadas, arcos, e etc. Alex anotou tudo e descemos de volta para a cozinha. Na cozinha tinha uma porta de madeira, mas era de tamanho normal e não gigantesca.
— agora é só enquadrar a parte exterior e podemos ir embora – disse Alex
—e Altamir? –perguntei
— ele já deve estar em nossa casa cara- falou Alex
Ele tinha razão, não entendo porque Altamir fugiu daquela forma, mas eu não o culpo.
— então vamos rápido – falei –
Alex se dirigiu até a porta e girou a maçaneta, a mesma rangeu e caiu no chão.
—mais que merda — falou ele
Empurrei um pouco a porta.
— essa madeira está infestada de cupins – falei – da pra ver na casca dela
— então derruba – falou Alex
Me preparei para um chute estrondoso, mirei bem no meio da porta, peguei distancia e chutei, meu pé atravessou a madeira como se ela fosse de papel, eu estava certo havia muitos cupins, e eu acabei ficando meio preso na porta.
—uma ajudinha aqui? – chamei
Ele deu vários pontapés na porta até criarmos um buraco imenso na mesma. Passamos pelo buraco sem dificuldades e logo estávamos no quintal.
O quintal era escuro e sereno, havia muitas arvores e muito mato, dali podíamos ver um pequeno lago, e uma área arenosa com alguns bonecos tipo espantalhos, parecia ser uma boa área de treino.
— anotei tudo – disse Alex – e criei um bom mapa com todas as medições
— vamos voltar pra casa então – falei – já estamos na hora em que a lua se levanta
Fale com o autor