As aventuras dos Martson's
14 A historia de Odara o deus dos elfos
Notas iniciais
La dentro era escuro e gelado, estávamos em um tipo de sala de interrogatórios, não tomaram nossas armas nem se apresentaram, sinceramente eu não sabia se havia uma só pessoa ali ou varias, ou se eram realmente pessoas. A sala era escura, tão escura que eu mau podia ver minha própria mão se a colocasse em frente a meu rosto. Kimberlyn estava sentada numa cadeira a minha esquerda e Altamir a minha direita, uma luz branca iluminou nossos rostos de modo que doía a vista. E a mesma voz que nós havia convidado a entrar perguntou:
—quem mandou vocês?
— José – respondi – José Laranjeira
Um silencio infernal prosseguiu e depois de uns 2 minutos perguntaram denovo, dessa vez era outra voz, uma voz mansa e fina.
— e vocês querem oque aqui?
— ascendam às luzes logo – disse Kimberlyn
Outra serie de silencio prosseguiu.
— meu nome é Kelvis Martson – falei- essa é minha irmã Kimberlyn Martson, e meu amigo Altamir Patientem
— eu sou Grandhir – respondeu a primeira voz — e esse é Erivan
Depois disso as luzes da sala se ascenderam e finalmente podemos vê-los. No começo minha visão embaçou um pouco e eu esfreguei os olhos, logo avistei duas figuras no outro lado da sala. A primeira era alta, bem alta e peluda, usava um macacão, e seus pés eram peludos e grandes, quando olhei para seu rosto não pude conter o susto, ele definitivamente não era humano, ou nada que eu já tivesse visto, seu rosto era uma mistura de porco com asno e sei la mais oque. Serio ele tinha nariz de porco e orelhas de asno, com sobrancelhas peludas e grossas, seus olhos eram bem redondos e grandes num tom de mel, e seus dentes eram como dentes de javali. Eu suspeitava está olhando algo antigo, tão antigo que foi criado antes mesmo de dividirem as formas de cada animal. O segundo ser era um elfo, menor que Altamir, com cabelo curto e repicado, tinha os olhos brincalhões e parecia ser bem jovem, ele usava roupas parecidas com as de Altamir.
Nós três ficamos la parados olhando para o primeiro ser que deveria ser o Grandhir, era muito estranho, eu não lembro de ter lido nada a respeito daquela espécie no livro, parecia ser algo quase que desconhecido, mas José conhecia ele, não entendo.
— então você é Grandhir – falei
— sim – respondeu o bicho feio
— você conhece José Laranjeira? – perguntou Kimberlyn
Ele olhou para ela com um tom de tristeza no rosto.
— sim – respondeu ele denovo- fomos grandes amigos até que...
—leia isso – falei entregando a carta para Grandhir
Ele leu, e olhou para o elfo Erivan, depois para a gente.
—você leu o livro – disse ele para mim
— sim – respondi
—onde está o livro agora? – perguntou-me
— está seguro – respondi- por que você não está no livro?
— eu sou um Cadeijon – disse ele – costumava estar
Nesse momento eu tinha tantas perguntas que mau sabia por onde começar.
— que seja feita a vontade de José – disse Grandhir com alegria
— como assim? – perguntou Kimberlyn
— ele quer que eu os treine – respondeu ele – então os treinarei
— tipo agora? – perguntei
—já estão sendo treinados – disse ele – agora me acompanhe
Depois disso ele abriu uma porta e seguiu por um corredor, fomos seguindo ele junto com o pequeno elfo Erivan, chegamos há uma espécie de quintal, com um chão de areia, e algumas galinhas que andavam para la e para cá, o mau cheiro era forte, e o sol quente. O quintal era bem grande, tinha uma arvore, e uma área com flores, onde varias fadas conversavam e riam, também havia algumas armas numa espécie de mini arsenal, espadas,machados,arcos,facas e até escudos verdes, deviam ser todas armas mágicas.
— o primeiro que precisam aprender é a historia- disse Grandhir – seguida de treinamento psicológico
— como? – perguntou Kimberlyn
— há muitos anos atrás os elfos e goblins vivem em guerra – disse Grandhir – Avarat sempre esteve presente, mas somente agora está se metendo nos conflitos
— Avarat é um velho idiota- falei
— não me interrompa – disse ele
— continuando,quando José criou o livro ele não imaginava o poder que o mesmo teria, o livro não é só oque você leu, aquilo é só o básico
— como assim? – perguntei
— entenda garoto- disse ele – acha mesmo que Avarat vai folhear pagina por pagina e ler silaba por silaba?
— na verdade não – respondi
—o livro não é a parte escrita – explicou ele – oque todos buscam é a essência do livro, o poder que irradia dele
— então as paginas não significam nada? – perguntei
— é claro que significam – respondeu Grandhir – há umas décadas um goblin roubou algumas paginas do livro, e em uma dessas paginas estava a explicação sobre os Cadeijon, e Avarat usou essas informações para destruir grande parte de minha espécie
— e se ele obtiver todas as paginas... – falei
— sim você já deve imaginar oque acontece depois – falou ele
— ouça com atenção – disse ele – você leu o livro, e agora parte dessa essência mágica está em você, e se Avarat souber disso...
— então ninguém mais deve ler – falei
— é o mais recomendável – respondeu Grandhir
— sem querer interromper o momento “mágico” de vocês – falou Kimberlyn – mas podemos ir logo com isso já são 15:30 e precisamos voltar antes das 17
— Erivan, olhe se os goblins já saíram do portão – disse Grandhir ao pequeno elfo que saiu apressado
—eu já volto – disse Grandhir e saiu
— isso é uma loucura – disse Kimberlyn
— com certeza – falei
— eu não quero treinar nada com um Cadeijon – disse Altamir
— nossa parece que existem preconceitos até no mundo mágico – falei
Altamir pareceu não entender.
Depois de uns 3 minutos Grandhir voltou com vários papeis umas espécies de pergaminhos, não era bem papel, mas era um material de seda muito parecido, que estava amarelado com o tempo e parecia que se rasgaria com um simples toque.
— estes são... – tentou dizer Grandhir
— os pergaminhos icônicos – interveio Altamir
— sim – respondeu ele
— eles não deveriam estar aqui –respondeu Altamir num tom de raiva- esses pergaminhos pertencem ao meu povo
— escute jovem elfo
— isso foi roubado – gritou Altamir com raiva
Altamir puxou seu machado e avançou sobre Grandhir, numa veracidade imensa, por um segundo achei que seria o fim de Grandhir, mas com um movimento rápido o Cadeijon se esquivou e atirou Altamir no chão, Altamir caiu na areia e a poeira subiu. Ele se levantou rápido e tentou acertar uma machadada em Grandhir, que não fez nenhum mínimo esforço para se defender. No momento em que o machado se aproximou do corpo de Grandhir, ele segurou o braço de Altamir e pulou para o lado, levando o machado com si e desarmando Altamir sem problemas.
— procurando algo? – disse Grandhir segurando o machado
Altamir avançou sobre ele com um chute, mas Grandhir girou o braço sobre a perna de Altamir fazendo o se desequilibrar no ar e cair novamente.
— poupe seus esforços para os goblins jovem elfo – disse Grandhir
— não vai ficar assim – disse Altamir
E com um movimento, uma espécie de rasteira Altamir derrubou Grandhir no chão e ai sim poeira voou, Grandhir fez uma coisa parecida e tentou derrubar Altamir, que pulou e caiu quase encima do Cadeijon, que se levantou rápido e encarou Altamir.
— parem – falei, mas não me deram atenção
Altamir pegou outro machado no arsenal, não era como o dele, o de Altamir que estava com Grandhir, tinha o cabo de madeira mesmo, era um pedaço de tronco, e a parte que corta era meio dourada com uma linha azul que seguia do cabo ao fim da lamina, e o que Altamir havia pego agora era um simples machado de ferro enferrujado e pequeno. Mas isso não parou ninguém, Altamir atacou Grandhir com o machado enferrujado numa força imensa, Grandhir usou o machado de Altamir para aparar o golpe e os machados se chocaram.
—PLAIM –
Eu fechei os olhos no momento e pude sentir fragmentos de ferro tocando levemente meu rosto, abri os olhos e não acreditei no que vi, o machado enferrujado havia se quebrado por inteiro, enquanto o dourado não havia tido um só arranhão.
— não seja infantil jovem elfo – disse Grandhir – esses pergaminhos não foram roubados, estão aqui para se manterem seguros durante a guerra
Grandhir devolveu o machado de Altamir que parecia envergonhado.
— porque és tão tolo? – perguntou Grandhir a Altamir
Altamir nada respondeu
—deixe o caminho do guerreiro jovem – disse Grandhir- você precisa tomar oque é seu por direito
— do que estão falando? – perguntou Kimberlyn
— vocês não sabem?- disse Grandhir
— não sabemos do que?- perguntei
Grandhir riu
— seu amigo Altamir é o ultimo herdeiro de uma linhagem de reis – falou Grandhir
— como? – perguntou Kimberlyn sem entender
— deixem-me contar a historia- disse Grandhir folheando os pergaminhos – é melhor sentarem
Nós sentamos a sombra da arvore, todos nós, depois de uns 4 minutos finalmente Grandhir achou o pergaminho que procurava e começou:
— no inicio era só trevas e sofrimento- explicou ele – o mundo estava mergulhado na era dos goblins, nesse tempo a maioria dos seres que conhece hoje eram escravos, e outros seres foram extintos nessa mesma época
— eis que em todo o caos surge um elfo chamado Odara –continuou ele – liderando um pequeno exercito de todos os seres mágicos que conseguiu reunir, Odara lutou ao lado de seus companheiros bravamente por seu povo
— uau – falei
— não interrompa – disse Kimberlyn
— e com seu pequeno exercito Odara conseguiu vencer as trevas, derrotando Figus numa batalha quase impossível, a partir daí Odara foi abençoado pelas estrelas, e visto como um deus por todas as outras criaturas- falou Grandhir – isso tudo aconteceu há 1300 anos no ano de 716. E com o passar do tempo Odara foi procriando e gerando descendentes ao longo dos anos que se passaram, e o ultimo descendente de Odara é o seu amigo
— isso quer dizer que Altamir em parte é rei – falei
— sim- disse Grandhir
— mas Altamir tem um irmão mais velho – lembrei
— Cofuzos não é meu irmão – disse Altamir com um leve tom de raiva na voz – ele é meu primo segundo
— porque você não lidera os elfos? – perguntou Kimberlyn
—eu não fui feito para ser rei – disse Altamir
— você é o ultimo de uma linhagem de heróis Altamir – disse Cofuzos – não entende que tem que arcar com seu trono
Altamir não respondeu
— também temos a profecia – informou Grandhir
— profecia? – perguntei
— que profecia? – perguntou Kimberlyn tão confusa quanto eu
Grandhir mexeu nos pergaminhos até encontrar um mais dourado que os outros, esse era menor e tinha uma parte rasgada
— a profecia dos cinco humanos – disse Grandhir – que fala sobre um elfo com cinco amigos humanos que derrotarão o novo Figus
— quem é Figus afinal? – perguntei
— não importa agora – disse Grandhir – mas o novo Figus de fato é Avarat, e o elfo é Altamir o ultimo herdeiro de Odara
— e você quer dizer que nós somos os humanos? – perguntou Kimberlyn
— talvez – disse Grandhir – mas vocês são apenas dois
— bem – falei – têm os nossos outros dois irmãos Alex e Alicia, que somam quatro
— vocês têm mais irmãos? – perguntou Grandhir
— sim – respondeu Kimberlyn
Grandhir ia dizer alguma coisa naquele momento, mas um som ensurdecedor o interrompeu, como se algo bem pesado se chocasse com uma parede, e depois disso o pequeno elfo que estava com Grandhir apareceu correndo vindo de dentro de casa, ele estava mais branco do que o comum dos elfos, e muito assustado.
— oque foi isso Erivan? –perguntou Grandhir ao elfo
— são os goblins mestre – disse ele – eles estão com ogros e vão derrubar o portão
— fugite omnis, columnis cecidit domus – gritou Grandhir para as pequenas fadas que estavam entre as flores, e elas saíram voando afugentadas e com medo
— precisamos sair daqui rápido – disse Grandhir
— como? – perguntei
— as duas saídas estão tomadas de goblins e logo chegarão até aqui – disse Erivan com medo
— chame o grifo rápido Kelvis – falou Kimberlyn nervosa ao meu lado
—Salvum me fac Custus enim iustitae – falei na língua dos elfos
— os pergaminhos – disse Grandhir segurando os pergaminhos velhos – precisamos levar-los, eles não podem cair nas mãos de Avarat
— BIEEEEAAR — rugiu Aestas ao longe
— ali – gritou Erivan
Olhei para onde ele apontava e dois goblins do tipo menos burro chegaram no quintal, ambos usavam boné e tinham espadas de goblin, usavam tangas e deviam ser gêmeos ou sei la. Altamir puxou seu machado e olhou para mim, entendi oque ele queria dizer e puxei também a minha espada. Corremos em direção a eles que foram em direção a nós, o primeiro ergueu a espada e Altamir o chutou na caixa dos peitos, o goblin pareceu ficar sem ar e tombou para trás. O segundo avançou sobre mim e eu pisei no seu pé com força.. Sim eu pisei no pé dele, não sou nenhum Bruce Lee élfico, não sei lutar, mas continuando, eu pisei no pé dele e ele deu um gritinho de dor, nesse instante ataquei com a espada na lateral esquerda dele para acertar sua cabeça, mas ele foi rápido e pôs a sua espada e aparou meu golpe.
Empurrei minha espada contra dele com muita força, até prender-lo na parede, ele atacou e eu aparei seu golpe com minha espada e o empurrei denovo, olhei rapidamente para trás e vi Kimberlyn e Grandhir prendendo os pergaminhos nas costas de Aestas, olhei para o outro lado e vi Altamir chutando a cara do outro goblin e logo depois derrubando-o no chão. Enquanto segurava prendia a espada do meu inimigo na parede usando a minha espada, eu dei uma joelhada na barriga do goblin e ele bufou sem ar, não sabia oque fazer agora. Com um movimento improvisado eu acertei a axila esquerda do goblin fazendo um golpe bem profundo no goblin. Depois disso ele pulou encima de mim e me derrubou na areia, ataquei com a espada mirando suas pernas e acertei uma de suas canelas. A espada entrou e ele gritou de dor, soltei a espada e peguei uma pedra do tamanho de um tijolo, acertei a cara do goblin em piedade, ele caiu para trás zonzo, não sei se ele morreu, provavelmente não. Peguei a espada e me levantei rapidamente, olhei para Altamir e ele tinha a cabeça do goblin que ele enfrentou nas mãos, literalmente, Aestas havia partido para minha casa levando consigo os pergaminhos dos elfos, eu podia ouvir mais goblins vindo por dentro da casa procurando o quintal onde estávamos.
— vamos rápido – gritou Grandhir
Eu e Altamir nos viramos para ele e ele fazia o famoso “pé de ladrão” ou “pezinho” para nós ajudar a pular o muro do quintal, ele já estava ajudando o elfo Erivan, a subir no muro, logo depois ajudaria Kimberlyn.
— vem – disse Altamir ao meu lado e correu em direção ao muro
Altamir era realmente rápido e ágil, com um único pulo subiu no muro sem dificuldade, enquanto Grandhir ainda ajudava Kimberlyn a subir ele já estava la encima.
— vem Kelvis rápido – gritou Altamir la de cima estendendo a mão para mim
Eu segurei sua mão e ele tentou me puxar até em cima, fui escalando o muro com os pés enquanto Altamir me puxava. E em um segundo já estava no topo, olhei para baixo, a caída não era muito grande, no outro lado tinha um terreno baldio, cercado com arames farpados, deviam ser 3 metros de queda até o capim, não ia machucar ninguém ne, olhei para o lado e Kimberlyn já estava pronta para saltar, enquanto Erivan já esperava la embaixo, Grandhir já estava quase subindo por completo, olhei rápido para trás e os goblins burros e menos burros examinavam os companheiros, o que estava morto sem a cabeça, e o outro só machucado.
— pulem logo – gritou Erivan de la de baixo
Altamir pulou e logo em seguida Kimberlyn, Grandhir subiu por inteiro e depois disso eu pulei, a queda foi rápida e indolor, cai sobre muito mato que amorteceu a queda de todos nós, depois de mim Grandhir pulou sem problemas e logo já estávamos fora da casa infestada de goblins.
— e agora oque vamos fazer? – perguntou Kimberlyn
— simples – disse Grandhir- vamos seguir o plano de José, vamos para a chácara vizinha de vocês, a chácara numero três
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