8h da manhã de uma Segunda-feira no Palácio Real do reino Élfico de Finwëon

O

sol já começava a atravessar as janelas do quarto real, riscando o chão de dourado. As cortinas dançavam com a brisa da manhã, e o canto dos passarinhos preenchia o ar. No meio dos lençóis embolados, a princesa ainda roncava — toda desleixada, completamente alheia ao novo dia.

A porta rangeu. Passos ecoaram, firmes e decididos.

Era Marnie, a governanta do palácio — responsável por manter a ordem, a limpeza e, acima de tudo, por tentar fazer a princesa acordar antes do meio-dia. Em outras palavras, sua “babá” pessoal.

— Vamos, princesa! Acorde! — disse Marnie, abrindo as janelas de uma vez. — Vossa alteza e sua majestade têm um encontro muito importante hoje, e não podem se atrasar!

As criadas já se moviam depressa: uma preparava o banho, outra ajeitava o vestido escolhido, enquanto Marnie inspirava fundo o ar puro que entrava pela janela.

O momento de paz durou pouco — o ronco da princesa ecoou de novo.

— Princesa! Levanta! — gritou Marnie, puxando os lençóis de uma vez.

O resultado foi imediato: um baque, um resmungo e uma Jade sonolenta caída no chão.

— Marnie! Qual é... Deixa eu dormir só mais um pouquinho... — resmungou ela, com o cabelo parecendo um ninho.

— Nada disso! Hoje é um grande dia! Visitantes reais chegarão, e até a Rainha do Destino, da Árvore da Magia, virá! — exclamou Marnie, radiante. — Não é maravilhoso?

— Você sempre diz isso todos os anos — respondeu Jade, bocejando. — E todo ano, nenhum dos grandes heróis aparece. Eles têm um pacto, lembra? Os quatro não podem se reunir sem que o mundo esteja acabando.

— Sim, sim, mas desta vez a maga virá! — insistiu Marnie, com brilho nos olhos. — Dizem que ela trará um representante! Imagina só, alguém que vive na Árvore da Magia!

— Não há ninguém lá, Marnie. Só ela mesma. — Jade se espreguiçou. — Por isso mesmo, sem pressa.

— “Sem pressa, Marnie...”, “Não tem por que ficar agitada, Marnie...” — A elfa resmungava, imitando a voz preguiçosa da princesa enquanto arrumava os travesseiros com raiva teatral.

Do outro lado da cama, Jade observava com um sorrisinho debochado enquanto sentava-se novamente na cama que acabará de ser derrubada, deitando-se preguiçosamente com um sútil bocejo.

— Oras, já está dando neurose a essas horas?

— Neurose? Isso é o resultado da sua teimosia, alteza! — Marnie respondeu, arqueando uma sobrancelha e avançando com um brilho perigoso nos olhos. — Agora, saia já dessa cama!

Antes que Jade pudesse reagir, Marnie agarrou-a pelos pés e puxou com força. Um grito ecoou, seguido de um ploft! quando a princesa caiu direto dentro da banheira de madeira que as criadas haviam colocado ao lado com uma precisão quase cirúrgica.

— MARNIIIIE! — Jade berrou, mas não teve tempo nem de respirar antes que um balde de água gelada fosse despejado sobre sua cabeça pelas criadas, assim que sua camisola era retirada com um passe de mágica.

A princesa chiou como um gato molhado, tentando escapar, mas as criadas — já acostumadas à cena — seguravam-na entre risadinhas.

— Que água fria! Isso devia ser ilegal! Um atentado contra a minha vida tão frágil! — protestou Jade, tremendo.

Atrás das empregadas, Marnie cruzou os braços, exibindo um sorriso vitorioso, mexendo as orelhas de elfa de meia idade convencida.

— Isso é o que você ganha por fazer corpo mole, minha pequena flor de travesseiro. Um banho gelado pra acordar e arrepiar até a alma! Hoho!

Ela se virou com elegância exagerada, o quadril farto balançando como o de uma rainha após uma vitória.

— Agora, vou preparar o café da manhã de vossa alteza. Quando terminar, siga direto para o salão de jantar.

— Faz panquecas! — gritou Jade, ainda encharcada com os cabelos caindo entre os olhos, sendo necessário ela os afastar com as pontas dos dedos enquanto derramavam sabão em sua cabeça.

— Panquecas são para quem acorda na hora! — retrucou Marnie, já na porta, dando uma risada maligna e fechando-a.

— MARNIEEEE! — o berro da princesa ecoou pelo corredor junto com um grito de agonia assim que o sabão entrou em contato com seus olhos, acompanhado das gargalhadas das criadas. — ÁGUA! ME JOGUEM MAIS ÁGUA!

— Como quiser princesa! Hihi!

[...]

Marnie descia pelos corredores quando deu de cara com Caramelo, o cachorro trazido do mundo humano pelo rei Jason. Com a pelagem cor de mel e olhos castanhos que brilhavam como caramelo derretido, ele parecia mais faminto do que um príncipe em jejum.

— Oh, Caramelo! Muito bom dia, pobrezinho… pelo visto você está morrendo de fome. Desculpe a demora, mas sua alteza, a princesa, mais uma vez me deu trabalho — disse Marnie, e o cachorro a seguiu abanando o rabo.

Ao abrirem a porta da cozinha, o caos era total: criadas correndo de um lado para o outro, panelas chiando, pratos tilintando e cheiro de pão queimado no ar.

— Senhora Marnie! Que bom que chegou! — exclamou uma das elfas, segurando uma tigela de ovos frescos. — Separei os ovos para a omelete da princesa, mas… não encontrei esse tal de “bacon” da receita! O livro sumiu, e eu não faço ideia de quem o tenha pego!

Marnie franziu a testa, prestes a soltar um sermão, quando outra elfa surgiu do nada, erguendo triunfante um livro humano enorme. A elfa dos ovos quase caiu pra trás com o susto.

— O livro está aqui! — anunciou a jovem, abrindo as páginas com olhos arregalados. — Esse é o tal de “bacon”? — apontou para a ilustração de tiras vermelhas e oleosas, fazendo uma careta. — Que esquisitão! Do que é feito isso?

Caramelo latiu e começou a pular em volta dela, empolgado só de ouvir o nome proibido.

— Au! Au! AU!

Marnie suspirou fundo, já prevendo o desastre. Pegou os ovos de uma, o livro da outra e falou com firmeza:

— Menina, me dê logo isso! — disse, tomando o livro das mãos dela. — E deixe de brincar! Sua tarefa agora é simples: leve Caramelo para o pátio e dê a ele ração e leite. Entendido?

— Mas já? Aqui estava tão divertido… — respondeu a elfa, fazendo bico, enquanto carregava Caramelo como se fosse um bebê mimado. O cachorro, claro, abanava o rabo, feliz da vida com sua refeição garantida.

Marnie soltou um suspiro dramático, sacudindo a cabeça enquanto via as duas elfas voltarem às suas funções, uma derrubando um pano, a outra tropeçando numa colher quase derrubando Caramelo.

— Humanos e elfos… gêmeas estabanadas, livros e cachorros… neste palácio, tudo é uma confusão! — bufou. — E quem foi que pegou o meu avental agora?!

Todas as elfas congelaram — e, ao mesmo tempo, apontaram para direções completamente opostas.

Marnie passou a mão no rosto e murmurou, exausta:

— Eu mereço...

E logo o avental caiu encima de sua cabeça.

[...]

Caramelo trotava atrás de sua tutora, abanando o rabo e farejando tudo o que via pela frente, até que— paf! — o focinho dele acertou os calcanhares da elfa.

— Ai! Caramelo, cuidado com esses freios caninos! — resmungou ela, agachando-se com um sorriso.

A elfa colocou a bacia no chão e misturou a ração com leite com a delicadeza de quem prepara uma poção secreta. Isso era mania antiga: desde que Caramelo chegara filhote, o Rei Jason havia decretado que os cachorros deviam comer assim, “como os bebês humanos”. O problema é que nenhum elfo sabia exatamente quando um cachorro deixava de ser bebê. Então, por via das dúvidas, Caramelo continuava recebendo seu banquete de filhote — e adorava cada segundo.

— Prontinho, meu príncipe peludo! — anunciou a tutora, soltando um risinho.

Caramelo, sem cerimônia, mergulhou o focinho na tigela, espirrando leite pra todo lado. A elfa levou um respingo na saia e gargalhou, alisando o pelo do cachorro. O vento brincava com a barra do vestido quando ela se espreguiçou, apreciando o momento — até ouvir um grito que quase fez o pobre cão engasgar:

— MASA! — A voz veio da janela. — Não esquece de pegar as cartas com o carteiro!

Era Mune, a irmã gêmea, com o avental sujo de farinha e uma colher de pau na mão, resultado de estar tentando fazer o café da princesa com Marnie.

— Pode deixar, Mune! — respondeu Masa, levantando a mão com um sorriso e o cabelo todo bagunçado. — Tô só terminando aqui com o Caramelo!

— E não te atrasa, criatura! Ou, Marnie vai fritar eu e você na manteiga, já basta a carranca de agora a pouco! — Mune retrucou antes de sumir de vista.

As duas eram como pão e manteiga — inseparáveis, mas completamente diferentes. Mune era a responsável, aprendiz de Marnie e futura governanta do castelo; Masa, por outro lado, era a “faz-tudo” oficial, o que na prática significava “faz tudo e se mete em tudo”.

— Tá certo, meu bom garoto, agora se comporta — disse ela, apontando o dedo para Caramelo, que a observava com o focinho coberto de espuma de leite. — E, pelo amor dos deuses, nada de morder o bumbum do Sr. Carteiro outra vez! Ele ainda tá usando a almofada pra sentar!

O cachorro latiu em protesto, abanando o rabo, como se dissesse “ele que se meteu no meu território!”.

— Sem desculpas! — riu Masa, batendo as mãos na saia antes de sair andando em direção ao portão. O sol brilhava entre as folhas das árvores e ela assobiava alegremente uma melodia desafinada que só Caramelo parecia entender.

Atrás dela, o pequeno cão espirrou um jato de leite do focinho, balançando as orelhas e correndo para alcançá-la, deixando um rastro de patinhas brancas no chão.

— Au! Au!

— Ai, Caramelo! Você está cuspindo leite outra vez! — Masa gargalhou, desviando por pouco de uma bolha que voou em sua direção. — Tão elegante quanto um príncipe, só que... um pouco mais babado!

Ela rodopiou no caminho de pedra, levantando a saia como se fosse uma dama em um baile imaginário. — Eu estou tão contente, o castelo está cheio de vida, e eu posso aproveitar cada segundo aqui fora! — abriu os braços dramática. — Dá pra acreditar que a Mune preferiu ser governanta a viver isso aqui?

Caramelo respondeu com um latido animado, correndo em círculos.

— Pois é! Ela é mesmo uma figura, toda séria e perfeitinha... — Masa suspirou teatralmente. — Mas combina com ela, né, Caramelo?

— Au, au! — latiu ele, empolgado, tropeçando nas próprias patas e quase indo de focinho no chão.

O portão dourado do castelo rangeu ao se abrir lentamente, reluzindo ao sol. Masa colocou uma das mãos na testa para bloquear a luz e avistou lá embaixo uma figura subindo a escadaria — o velho carteiro, ofegante, equilibrando um saco enorme de correspondências que parecia mais pesado do que ele mesmo.

— Olha só quem vem vindo, o herói das cartas! — brincou ela, apoiando as mãos na cintura.

Caramelo levantou as orelhas e, ao reconhecer o alvo, começou a abanar o rabo com aquela empolgação perigosa.

— Nem pense nisso, Caramelo. — Masa apontou o dedo, séria. — Sem morder o bumbum do carteiro dessa vez, entendido?

O cachorro piscou devagar... depois latiu e disparou escada abaixo.

— CARAMELO! — gritou Masa, correndo atrás dele, já imaginando o pobre homem voando cartas pro alto de novo.

[...]

Descendo as escadas, a princesa parecia finalmente ter despertado do modo “lesma real” — o banho milagrosamente a deixara viva outra vez. Os fios loiros agora estavam presos em duas tranças impecáveis que balançavam a cada passo, contrastando com sua pele morena e os olhos verdes cheios de vida.

No topo da escadaria, o grande quadro da família real dominava o salão: o rei Jason, a rainha Lena, uma versão bebê da princesa e — no canto — o cachorro real, Caramelo, com seu olhar de quem sabia todos os segredos do palácio.

Reza a lenda (ou melhor, as fofocas das criadas) que Caramelo fora encontrado por Jason e seu antigo companheiro de aventuras, Cardia o garoto-fera, um pouco depois do confronto contra o Rei demônio Asmodeus. Dizem que o bichinho estava entre sacolas de lixo e os escombros das ruínas. E Cardia implorou pra ficarem com ele.

A maga Marylin quase teve um troço, assim que viu os dois com aquele pequeno filhote dentro da caixa de papelão.

— “Esse bicho pode ter pulgas místicas!” — teria gritado.

Mas assim que o filhote olhou pra eles com aqueles olhinhos de “me ame, ou morra de culpa”, ninguém resistiu. No fim, Jason e seus companheiros acabaram adotando o pequeno — e Caramelo os adotou de volta.

— Admirando a paisagem? — perguntou uma voz suave atrás dela.

A princesa virou-se e abriu um sorriso radiante.

— Mamãe! Bom dia! Eu estava só... Admirando o quadro. É tão lindo!

A rainha Lena sorriu, ajeitando os cabelos da filha com delicadeza.

— Sim, foi pintado quando você ainda era bebê. Seu pai vive dizendo que precisamos de um novo. Ele quer “atualizar o retrato da família real”, como se fosse um post novo no mural do castelo.

A princesa deu risada.

— Hahaha, típico do papai. Onde ele está?

— Conversando com a maga Marylin pelo cristal de comunicação. Parece que ela teve um imprevisto e não poderá comparecer hoje.

— O quê?! A Marnie vai desmaiar! Ela é fã número um da Rainha do Destino!

Lena riu baixinho, escondendo o divertimento atrás de um suspiro elegante.

— Sim, infelizmente, a presença dela é insubstituível na Árvore. Mas... ela enviará um representante.

A princesa piscou, curiosa:

— Eu achei que ninguém além dela vivia lá! Papai sempre diz que só seres de magia pura, ou aceitos pela Árvore como guardiões conseguem chegar até aquele lugar!

— Pois é. Parece que esse rapaz é uma exceção à regra.

— Um rapaz? — os olhos da princesa brilharam de curiosidade. — Então ele é jovem como eu?

— Sim. E é por isso que quero que seja um bom exemplo, entendido? Nada de gritar pelos corredores, subir nas estátuas do salão, ou tentar “melhorar” as decorações de Marnie.

A princesa fez um bico dramático.

— Ah, mamãe... foi um acidente!

Lena arqueou uma sobrancelha que dizia claramente “acidente, é?”.

— Claro que foi. Agora vá tomar seu café antes que esfrie. E, por favor, sem transformar o salão de jantar em uma trincheira de guerra de comida!

— Tá bem, tá bem! — respondeu Jade, bufando com um sorriso travesso nos lábios, dando um beijo no rosto da mãe e seguindo rumo à cozinha, enquanto a rainha manejava a cabeça com um riso suave seguindo para onde o rei estava.

[...]

Subindo as escadas com certa dificuldade, vinha o Sr. Carteiro, um homem de meia-idade — ou pelo menos parecia, pois no castelo ninguém se preocupava muito com idade de humanos e elfos, já que Marnie, com seus impressionantes 670 anos, ainda comandava tudo com energia de jovem. Talvez o Sr. Carteiro tivesse a mesma idade, ou talvez não; nesse castelo, todos os idosos pareciam ter superpoderes para continuar trabalhando enquanto o mundo girava. Alguns diziam que eles eram os que mais haviam testemunhado a maldade do mundo na época em que o rei dos demônios guerreava e destruía terras sem piedade.

— Senhor Carteiro! Cuidado! — gritou Masa, apontando para Caramelo, que, como sempre, ignorava regras e limites.

Num impulso, o cachorro saltou sobre a sacola de cartas do carteiro com todo o vigor que só o cão Caramelo poderia ter. O velho foi ao chão com um estrondo, espalhando cartas pelo ar como se fosse uma chuva de confete no festival do castelo.

— Oh! CARAMELO! — gritou o Sr. Carteiro, agora com uma voz que misturava choque, dor e indignação, enquanto o animal sorria triunfante com a bolsa de cartas na boca e corria escada acima.

— Desculpa, senhor Carteiro! — gritou Masa, já em movimento, tentando salvar o velho e as correspondências.

— Você sempre deixa ele fazer isso, Masa! Vá atrás dele imediatamente! — rugiu o carteiro, ainda deitado no chão, com cartas grudadas na roupa.

— Sim, senhor! Desculpe mesmo! CARAMELO, VOLTE AQUI! — berrou Masa, correndo atrás do cachorro pelo pátio do castelo, enquanto Caramelo saltava animado, espalhando cartas e latidos, como se fosse o rei da travessura.

Pelos corredores e varandas do castelo, os outros elfos espiavam a cena, balançando a cabeça e murmurando:

— Espero que a governanta não veja isso...

Mune estava terminando de ajudar Marnie na cozinha quando percebeu algumas elfas curiosas espiando pela janela. Seguindo o olhar delas, engoliu seco ao ver pilhas de cartas voando pelo pátio, arrastadas pelo cachorro travesso. A visão era caótica: papel espalhado, Caramelo correndo como um furacão, e o pobre Sr. Carteiro tentando recuperar a bolsa com gritos e tropeços.

Virando-se rapidamente para Marnie, que parecia imersa em sua própria rotina e ainda não havia notado o caos, então, Marnie disse:

— Bem, tudo pronto! Vamos, Mune.

— Claro, governanta Marnie! — respondeu, já ajustando as bandejas e correndo atrás da governanta.

Juntas, elas seguiram pelos corredores em direção à sala de jantar, onde a princesa aguardava ansiosa pelo café da manhã, alheia à bagunça que se desenrolava no pátio do castelo.

[...]

Jade estava sentada à mesa, ansiosa pelo café da manhã, quando Marnie e Mune entraram, equilibrando cuidadosamente as bandejas. Ao ver a omelete servida, os olhos da princesa brilharam, mas a decepção com a ausência de panquecas era visível.

— Parece delicioso… mas… poderiam ser panquecas… — resmungou Jade.

— Oras, princesa, você tem sorte que não é pão dormido! — respondeu Marnie, séria. — Nada de panquecas para quem chega atrasado!

— E quem inventou essa regra tão maldosa?

— Fui eu mesma. Assim consigo fazer você levantar cedo.

— E isso funciona, governanta? — perguntou Mune.

— Não. — responderam, em uníssono, Marnie e Jade.

O silêncio durou apenas alguns segundos antes do som ensurdecedor de latidos e gritos invadir a sala:

— COM LICENÇA! DESCULPA!

Marnie se virou para a confusão e, num instante, Caramelo saltou em cima dela, derrubando a governanta no chão. Mune gritou, Masa apareceu correndo atrás do cachorro, que agora pulava sobre a mesa, espalhando pratos e talheres. Jade gritou ao ser empurrada pela mesa, e Masa, sem perder a calma, conseguiu segurá-la antes que caíssem de vez.

— PEGUEI! — exclamou Masa, ofegante, orgulhosa da façanha.

Uma tosse seca chamou a atenção de todas. Jade ergueu os olhos e viu a Marnie levantando-se, com um guardanapo pendurado na cabeça, a expressão de fúria estampada.

— MASA! — gritou, incrédula.

— O quão encrencados estamos? — perguntou Masa para Caramelo, que apenas latiu, indiferente.

— Alguém anotou a placa? — Jade comentou, erguendo-se, enquanto Caramelo tentava lamber o ketchup do seu rosto.

— Pelo menos não foi tão ruim assim… — disse Mune, enquanto as cartas do caos anterior caíam como chuva sobre o chão.

Jade riu, olhando para a cara furiosa de Marnie, não deixando de alfinetar a sua governanta, extrapolando ainda mais sua paciência:

— Hahaha! Se tivesse me dado panquecas, nada disso teria acontecido!

— EU JÁ FALEI, NADA DE PANQUECAS! — gritou Marnie, finalmente cedendo ao caos, mas mantendo a autoridade.

DEPOIS DE UNS CASCUDOS BEM DADOS DE MARNIE...

As três garotas finalmente estavam em silêncio, Marnie de braços cruzados observava, enquanto Masa e Mune limpavam a sala com galos na cabeça, resultado de cascudos para aprenderem. Já a princesa? Comia pão dormido e bebia um copo de leite frio com os olhos levemente entristecidos, como retaliação a sua ironia.

— Quem é que está rindo agora, hein?

— VOCÊ É MÁ MARNIE!

— E TERMINEM LOGO ISSO! JÁ CANSEI DE SUAS TRAVESSURAS!