As aventuras de Fisher
1 Tentativa absurdamente ruim de prólogo
Notas iniciais
O ritual tinha seus requisitos. Assim como tudo que entrega, ele retira e massacra, ele causa sofrimento e dor. O corredor é o maior testemunho, pois suas paredes ouvem coisas que humano algum ousa imaginar. Gritos por piedade? Choros e lamentações? Não, nada disso. Esse é o mistério: ele não ouve nada. O silêncio é tão mortífero quanto qualquer outra besta fera que por ali passasse. O silêncio é suficiente para causar insanidade aos deuses, abalar qualquer ideal dos Vitærums e criar pesadelos na mente de qualquer ser élfico. Mal eles sabem que o silêncio, um dia, será seu próprio algoz.
Os Albrungs não são boas pessoas, isso é, se forem pessoas. Passos lentos cortaram o corredor, marchando ao lado de duas chamas negras que seguiam sozinhas, e por cada fenda, cada minúscula brecha, uma nova presença demoníaca nascia. Um líquido negro escorreu pelas paredes e tomou forma ao tocar o chão: primeiro, uma mão que se apoiava, e em seguida um braço todo. Com um pouco de esforço, um corpo inteiro surgia e, ainda sem tomar consciência, já rumava ao lado do homem e das duas chamas negras. Pouco tempo foi necessário para que uma legião de homens encapuzados seguissem pelo corredor, sem cortar o silêncio.
Uma luz confirmou a entrada em uma nova sala, onde tochas queimavam nas paredes. O homem que liderava os outros apontou a mão e as chamas negras cobriram o lugar, fazendo com que toda a luz que ali existisse fosse extinguida.
Bom... Eu continuaria contando a história se o Fisher não tivesse comido parte do roteiro. Não adianta fazer essa cara, mocinho, eu sei que você comeu! O papel está rasgado, tem marcas de dente aqui e você desenhou um dinossauro no verso da folha.
─ Como é? ─ Viegrum se jogou contra a cadeira, emburrado ─ Agora que estava ficando interessante! Por que esse dinossauro tem que comer tudo que vê pela frente? Você não podia ter criado um personagem mais útil?
Epa, epa, não ouse contestar minha quase inexistente genialidade, senhor Viegrum. Tu sabes que é graças a ela que tu vieste ao mundo e que Vanguart foi criada.
─ Pensei que isso fosse obra do Vento da Existên...
─ Pare de falar bobagens para o narrador, Viegrum. ─ Anabete cortou-o, ágil como... Como algo ágil que corta. ─ Senhor narrador, poderia pular a parte que o Fisher comeu, por favor?
Certo, certo! Mas antes, que tal pararmos para um lanche? Afinal, é uma história longa, e comer é o que vocês mais irão desejar durante o processo. Eis que aqui, a história dessa criaturinha está pronta para ser imortalizada.
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