As Treze Relíquias.
13 Capítulo 13 - O Conto da Criação.
Notas iniciais
Perceberam a minha demora? DESCULPEM! Sofri muito com esse capítulo, semanas pesadas... Mas não vai acontecer de novo! Agradeço a todos meus leitores pelo carinho e compreensão1
Perceberam que esse cap super importante caiu no cap 13 da fic que chama "Treze Relíquias"? Viram como eu super programei? MENTIRA! Coincidência total.
Espero que gostem desse capítulo, vai apresentar todos os deuses, todos os estados, explicar muita coisa e deixar muito mais dúvidas haha, mas serão explicadas depois. Percebam que a história é meio contada sem muitos detalhes, mas é porque, como o próprio Hawe fala, os detalhes fazem parte de outras passagem. O Conto é assim, rápido.
Capítulo dedicado à linda Tathyane Santana, porque HOJE É NIVER DELA! Parabéns linda, espero que goste!
Espero que gostem! Deu trabalho...
Beijo!
Boa leitura!
Beijos!
Foi quando Hawe começou a falar, que eu percebi as razões daquele homem ser um sacristão. Ele parecia feito para aquilo, do seu tom de voz envolvente até o brilho misterioso no olhar, as falas apaixonadas, o vocabulário rico. Era perceptível que o homem recitara o Conto da Criação muitas vezes, pois disse tudo com clareza, sem pestanejar, de uma forma tão fiel que chegava a assustar. Ouvir de sua boca aquela história, foi o mesmo de vivê-la, e pela primeira vez na minha vida, depois de ouvir o longo e maçante Conto da Criação em vários cultos, eu consegui entende-lo e não me distrair em momento algum. Hawe definitivamente tinha um dom, muito especial, e eu podia ver que ele amava falar da nossa religião.
Apenas ouvi, encarando aqueles olhos azuis fascinantes, que pareciam dar todo um toque especial às falas do sacristão. Fui praticamente carregado pelas palavras de Hawe, para fora da estalagem e para fora da minha realidade. Ele falava como se estivesse contando aquela passagem apenas para mim, e não houvesse mais ninguém na mesa conosco. Até mesmo consegui me esquecer de Lucci do meu lado. E eu estava atento a cada detalhe. Eu precisava entender a história. Precisava saber mais sobre os deuses.
=—=
Antes do mundo, Blaine, havia um Nada. Uma ausência total de qualquer existência, algo que para nós mortais, é inconceptível a compreensão, ou sequer imaginar. Um vazio absoluto, nem luz, nem sombras, nem terra, nem ar, nem água, ou mesmo fogo. Consegue imaginar algo assim? Não, é impossível, porque não há o que se imaginar, literalmente, nada. Isso há muito, muito tempo.
Só começou a existir alguma coisa, quando surgiu Verne, o Supremo, junto com todos os outros deuses Supremos que deram origens às outras religiões, aos quais não nos cabe cultuar ou se aprofundar, pois nenhum além de Verne participou da criação de Jeera. Todos surgiram juntos, nascidos e gerados daquele Nada, ninguém sabe como, ninguém sabe o porque. E juntos, os deuses Supremos criaram todo o mundo, com a união de seus poderes, por motivos que não conhecemos. Na realidade, não ainda o mundo, mas um prelúdio do que viria a ser o mundo. Algo sem forma, sem essência, a matéria prima que daria origem ao que nós conhecemos hoje em dia como nosso lar. E dessa matéria-base, uma mistura de todas as coisas existentes atualmente, cada deus Supremo exigiu sua parte, para poder moldar e comandar absoluto naquela parte do “mundo” primitivo. Assim, cada grande deus existente iniciou a criação de seu reino. E a Verne, foi concedido o pedaço de matéria que viria a ser Jeera.
Verne carregava consigo um poder incomensurável. E foi com esse poder que ele moldou o que deu o nome de Jeera, colocando partes do seu poder na matéria-prima do mundo, e criando então mais uma coisa, que nossa limitada capacidade mortal não pode compreender: um esboço da Jeera de hoje, onde água, terra, céu e energia se misturavam, numa única coisa, sem distinção, sem formas próprias, uma matéria mista. Mas essa Jeera antiga era vasta, e pura desordem, e Verne então decidiu que precisaria de alguém para ajuda-lo a governar e construir seu reino. Assim, foram criados os Quatro Primeiros, que você deve saber quais são.
O deus Supremo arrancou um fio de seu cabelo, que carregava toda a sua essência divina, e o partiu o quatro pedaços iguais:
Sobre o primeiro pedaço de cabelo, soprou. De seu cabelo e sopro de vida, surgiu uma divindade, de corpo esguio e pele clara, olhos azuis celestiais, cabelos pretos como a noite, mas com alguns fios prateados como as estrelas, e outros dourados como o sol. E no mesmo momento que o ser surgiu, os céus tomaram forma própria, e se separaram do resto das forças que ainda se confundiam, unidas umas às outras. Este primeiro recebeu de Verne o nome de Tormé, e ganhou o posto de deus dos Céus.
Em seguida, Verne derrubou uma gota de sua saliva sobre a segunda parte do fio. E então surgiu a primeira deusa, do sexo feminino, com os cabelos azuis como as águas de um rio, os olhos verdes como as águas do mar, e um corpo de indescritível beleza misteriosa, como as profundidades do oceano. Junto com o nascimento da deusa, toda umidade se separou da terra e energia que ainda se envolviam, e se tornou uma coisa separada. A deusa recebeu assim o nome de Gotsha, e se tornou deusa das águas.
Ao terceiro pedaço do fio de cabelo, o Supremo deu um grito longo, até que a vida começasse a surgir naquele pedaço. E assim nasceu a segunda deusa mulher, de cabelos vermelhos como as chamas, a pele bronzeada, os olhos alaranjados que brilhavam com a vida do fogo, e também dona de grande beleza voraz. Nesse momento, a energia que se embrenhava com a terra se tornou fogo, e se separou. A terceira entidade criada por Verne foi Neréia, e ela se tornou deusa das chamas.
Verne, ao ver que a última coisa que restara daquela mistura de energia e matéria fora a terra, colocou o resto do fio nela, criando o último dos Quatro Primeiros deuses. Era um deus homem, de cabelos cor de terra, pele bronzeada, olhos castanhos como poeira, e um corpo forte e musculoso. Seu nome foi escolhido como Hestor, e ele tinha o domínio sobre todo o solo. Esses, Blaine, junto com Verne, foram os primeiros cinco deuses de nossa fé, e foram eles que deram início à construção de todo o reino.
O deus supremo, admirado com suas quatro criações divinas, personificações das quatro forças primordiais que estavam presentes naquela matéria-prima suprema, ordenou então que os quatro ajudassem a ele a melhorar e governar aquela Jeera primitiva. E assim, sob as ordens de Verne, Tormé, Gotsha, Neréia e Hestor começaram a dar à Jeera a aparência que ela haveria de ter pelo resto de sua história.
Foi um trabalho simultâneo dos Quatro Primeiros. Hestor começou moldando toda a forma da terra, cada montanha, depressão, colina e planície do nosso relevo, criando areia, terra vermelha, rochas e mármore. Portava um talento e um dom admirável para a construção, e por isso o chamamos de O Construtor. Juntamente com Gotsha, criou os rios e lagos, escavando os leitos sinuosos em sua terra, enquanto a deusa das águas os enchia, fazendo amor com o deus da terra e automaticamente dando a luz a uma nascente. A deusa também criou seu próprio reino, o oceano, que naquela época ainda não era salgado, e fazendo amor com Tormé, criou as chuvas. Tormé, dos Céus, teceu todo o manto do céu de Jeera, criando o dia, a noite, as nuvens, e enfeitando tudo com estrelas. Junto com Neréia, em relação corporal, concebeu o Sol, e em seguida criou o clima, se tornando assim deus das estações do ano também.
Essa foi a primeira fase de Jeera. Um reino de água, terra, céu, e fogo por todos os lados, pois Neréia era incontrolável e dançava por toda a terra, e na verdade, não havia nada que exigisse o controle dela, pois seu fogo não causava mal a ninguém, já que não havia ninguém. Verne se sentiu satisfeito com aquele reino, mas ainda assim sentia a falta de algo, que seu coração não conseguia compreender. Mesmo assim, por centenas de anos, Jeera foi apenas isso, um lugar vazio, habitado apenas pelos cinco deuses existentes. E as divisões de espaço começaram a existir.
Hestor continuou suas construções, mas se alojou na região leste do reino, trabalhando ali no solo de forma mais atenciosa. Já no Oeste, Tormé repousava enquanto desenhava as estrelas do céu, e por isso elas são incontáveis, pois ele nunca parou de cria-las. Gotsha, como o esperado, acabou tomando para si todo o litoral, ficando próxima de seu mar doce. Neréia se apegou a uma bela montanha no sul, e finalmente parou de dançar pelo reino, ateando fogo na terra, e tomou aquela região, transformando o local em uma montanha de fogo. E Verne, como Supremo, acabou no centro do reino, de onde observava sua grande obra. Era uma divisão territorial sem acordos, mas que agradava aos deuses, e que dera início a divisão de nossos Treze Estados.
Porém, Blaine, após anos, começaram a surgir os outros deuses, afinal, você sabe, cultuamos a Treze, e não cinco. Pois aconteceu que, após anos de aperfeiçoamento de seu reino, Verne sentiu o desejo de desposar alguém. Tinha visto seus Quatro Primeiros se relacionarem entre si, concebendo criações maravilhosas, e sentiu a vontade de também participar disso, mas como o deus da ordem, não podia simplesmente se deitar com qualquer uma. Assim, caminhou pelo reino antigo até encontrar uma área onde Hestor construíra grandes montanhas de mármore de diversas cores, que sofriam com o desgaste pelo clima de Tormé, e produziam uma areia colorida, linda de se olhar. Encantado pela beleza daquele lugar, o deus Supremo então mordeu a ponta de um dedo, e derrubou sobre aquela areia colorida seu sangue, criando uma argila divina.
Daquela argila colorida, ele moldou uma mulher, e quando terminou, deu à escultura um beijo. Com o beijo, a vida se apoderou daquela argila, e a escultura se tornou Orfélia, uma deusa bela. Seus cabelos e olhos sugaram todas as cores das areias daquele belo deserto, e então a localidade se tornou o conhecido Deserto Branco, cujas areias são tão brancas quanto a neve, desprovidas de cor. Assim, Orfélia, dos cabelos e olhos multicoloridos, pele branca como aquela areia, e beleza divina, surgiu, e foi tomada por Verne como esposa, no primeiro casamento entre divindades. Orfélia se tornaria deusa da visão, dos milagres, e outras coisas.
Orfélia era poderosa, pois continha o próprio sangue de Verne em si. E essa é a diferença que nós sacristãos aprendemos na Fiel Marca: os deuses criados do cabelo de Verne, por terem apenas as forças que vieram daquele único fio, quando se relacionavam, davam luz a forças da natureza, como as nascentes de Gotsha e o Sol, pois sua semente e ventre não eram tão fortes. Mas Orfélia, por ter o próprio sangue de Verne, quando se relacionou com o nosso deus Supremo na consumação de seu casamento, engravidou, e não deu a luz automaticamente como Gotsha ou Neréia fizeram. Engravidou, e após treze meses, deu a luz a dois deuses, os gêmeos que nós conhecemos.
O parto foi durante a noite. E assim que puxaram o primeiro filho do ventre de Orfélia, as estrelas se apagaram, e a noite foi tomada de trevas. Sim, trevas e noite são coisas diferentes, nós mortais que não conseguimos diferenciá-las. Pois bem, assim, o primeiro filho que foi puxado foi Radás, da Morte. Um deus de cabelos e olhos negros, pele clara, e de uma beleza terrível, assustadora. Naquele momento, ainda não havia nada vivo em Jeera, então Radás apenas tinha o posto de deus das trevas, do medo, e da dor. Mesmo assim, seu poder de morte já estava presente nele, e quando puxaram a outra criança de dentro de Orfélia, os deuses lamentaram, pois a criança parecia morta, mas não estava. Tinha a pele de um tom cinzento como a de um cadáver, os cabelos esverdeados num tom de musgo, e era magro como um desnutrido. Esse segundo era Abereth, que chamamos de Semi-Morto porque o poder de morte de Radás arrancou-lhe parte da vitalidade, mas seu poder divino continuou presente, de forma misteriosa, e por isso ele é deus dos mistérios.
Agora, eram oito deuses, mas os mais recentes ainda não tinham domínios. Afinal, como eu já te disse, Jeera era terra, água, céu e fogo, e esses já eram domínios dos quatro primeiros deuses, e toda Jeera era o domínio de Verne. Assim, Orfélia, Radás e Abereth existiam, mas eram divindades sem poderes definidos ainda, com a exceção de Radás que já mostrava poderes de trevas e exibira seu poder de morte com o próprio irmão, sem intenção. O reino continuava a seguir em aperfeiçoamento, e assim se passaram mais diversos anos.
Só surgiu um novo deus, quando Hestor construiu a Montanha dos Encantos, atual capital do Cinturão. Um dia, quando o Construtor observava tudo que havia moldado pelo reino, da montanha de fogo que agora pertencia a Neréia até as montanhas de mármore colorido do agora conhecido como Deserto Branco, o deus se desafiou a criar a mais bela e maior montanha que já construíra. Porém, era deus da terra, e o máximo que conseguia produzir em beleza era o mármore. Então, quando construiu a gigantesca montanha, ela ainda não se comparava à beleza das Montanhas Coloridas do Deserto Branco, e por mais que o deus se esforçasse, não conseguia aumentar mais a beleza da construção. Assim, após passar mais de um ano tentando aperfeiçoar a montanha, acabou por tomar uma atitude: imitando a Verne, fez um corte em sua pele, e derrubou sobre a montanha seu sangue, esperando dar nova aparência à montanha. Mas como seu sangue tinha muito mais essência divina do que seu sêmen gerador de forças da natureza, da montanha surgiu um deus.
Esse era Wilton, nascido do desejo mais sincero de Hestor de construir algo belo. E ele era um deus belo, alto, esbelto, cabelos escuros e olhos brilhantes que nunca mantinham uma mesma cor, dançavam, de preto a azul, passando pelo verde, dourado, e castanho. Assim que surgiu, encantou os olhos de Hestor, e o deus da terra se apaixonou. E foi paixão recíproca, pois Wilton também se encantou pelo deus da terra, e ali mesmo, no topo da montanha dos encantos, ele se entregou a Hestor. E então, durante a relação, Hestor dividiu com Wilton seus poderes, fazendo com que assim Wilton se tornasse deus das Rochas e Pedras Preciosas, e assim governasse o domínio do solo em união com Hestor, criando novas forças no solo.
Pois bem, Wilton, que agora podia produzir as pedras belas que Hestor não conseguia, enfeitou assim a Montanha dos Encantos com todo o tipo de pedra preciosa, para o deleite de seu criador. E em agradecimento, Hestor construiu para seu amado um anel de montanhas que cercavam aquele local, e deram origem ao atual estado do Cinturão.
Novamente, nosso território estava divido. Neréia continuava em sua montanha de fogo, divertindo-se com a pedra derretida que fazia sair dela. Gotsha se mantinha no litoral, mas como Radás começara a se apossar do sul, se mantinha na costa leste e oeste, sem querer contato com aquele deus macabro. Hestor continuava no leste, e Wilton ficava próximo dele, mas gostava muito do Cinturão. Tormé se mantinha no oeste do reino, e Abereth estava encantado com um dos rios de Gotsha, o Intricado, no sul. Orfélia se mantinha com Verne, no centro, mas adorava visitar o deserto de onde viera, e admirar suas areias brancas.
Sei que é cansativo Blaine, mas por mais anos, o reino prosseguiu assim. Claro que pequenas coisas aconteceram, como o início das desavenças entre Neréia e Gotsha, o ciúme de Tormé da relação entre Wilton e Hestor, mas são outras passagens que não são necessárias aqui. O reino desenvolvia lentamente, as regiões ficando com características dos deuses que as frequentavam mais, e cada vez mais próximas do que nós conhecemos de Jeera. Ainda que Verne sentisse, em seu peito, falta de alguma coisa, mesmo tendo seu reino, seus filhos, e sua esposa.
Só quando Fúrio surgiu, que nossa história mudou novamente. Essa é uma das partes do Conto que os sacristãos mais estudam, pois Fúrio, o deus Dragão, não foi criado ou nascido em Jeera, mas nem por isso o cultuamos menos que aos outros. O que sabemos pelos documentos antigos, é que o deus dragão veio do outro lado do mar, trazendo seu povo dragão para Jeera por cima do oceano, mas não temos certeza da razão disto. É dito que os dragões se sentiram atraídos pelo fogo de Neréia, pois foi ali, no sul, próximos à montanha de fogo onde a deusa se instalava que eles pousaram, todo o povo dragão e seu deus, Fúrio. Essa foi a primeira vez que criaturas mortais pisaram nesta terra, porque apesar da lenda de que os dragões não morrem, eles morrem. Vivem por muitos mais anos que nós humanos, mas morrem.
A chegada não foi pacífica. Fúrio era um dragão gigantesco, com trinta metros de comprimento, escamas vermelhas como sangue, e dentes maiores do que humanos. Ele e seu povo eram dragões de fogo, e o deus-dragão era também senhor das feras, da fúria, e do calor da batalha, frisando aqui que o deus da batalha em si é outro, como você deve, ou deveria saber. Enfim, o deus selvagem, como dragão do fogo, logo entrou em batalha com Neréia pelos seus poderes, mas Verne apareceu, interessado nos invasores de seus domínios, e encerrou a disputa.
Esse foi o momento decisivo da nossa história Blaine, e espero que tenha gravado tudo que eu falei até agora, sim? Ótimo, então continue assim, pois essa parte é muito importante. Quando Verne chegou para enfrentar o deus invasor, viu aquelas criaturas ali, mortais, pisando em sua terra, e finalmente entendeu o que lhe fazia falta em Jeera. A vida Blaine. Vida! Para encher todos cantos de Jeera de beleza, alegria, seres, preces Blaine! Era isso que ele precisava, de criaturas para povoarem seu vasto domínio. O deus ficou tão satisfeito com aquilo, entender o que faltava, que decidiu poupar a vida dos seres, mas, com seu incomensurável poder, tirou-lhes o poder do fogo, assim como de Fúrio. Em compensação, os deu os poderes do gelo, para que assim pudessem continuar uma raça poderosa e mágica, como são os dragões, e após algumas batalhas, Fúrio aceitou se submeter ao poder do deus mais poderoso, e levou seus dragões, agora do gelo, para o extremo norte de Jeera. Lá, ele criou as Terras de Inverno, que até hoje são domínio dos dragões de gelo, e tomando conhecimento dos recentes planos de Verne, prometeu que manteria sua espécie longe dos outros locais do reino.
Essa última decisão foi tomada, porque finalmente Verne decidiu que deveria haver vida em Jeera. Mas as criaturas que ele queria não eram os dragões, ele queria criar suas próprias formas de vida, pois assim elas lhe seriam mais gratas, e devotas. Porém, o Supremo não sabia como criar seus seres, então decidiu que deveria haver um novo deus, que criasse a vida, os serem vivos, e trouxesse beleza à terra. Dessa forma, convocou todos os deuses existentes, e explicou a todos seus planos, e todos os deuses sentiram alegria em criar vida em Jeera, inclusive Radás, pois percebera que só teria seu poder completo quando existisse vida, para que pudesse haver também morte.
Verne capturou a estrela mais brilhante de Tormé, e colocou entre os deuses. Escolheu a estrela porque queria que a vida fosse algo belo, algo iluminado. E então, cada um dos deuses foi até a estrela, e cochichou à ela seu desejo de vida, dando ao objeto brilhante parte de seu poder. Verne pediu que a vida fosse bela, e submissa. Gotsha pediu que suas águas fossem infestadas de criaturas vivas. Tormé pediu que seres vivos passassem por seu céu. Neréia queria que seu fogo ajudasse os vivos. Hestor e Wilton queriam que o solo também ajudasse. Abereth queria que nem toda a vida fosse linda, para que ela fosse valorizada. Orfélia pediu que pudesse cuidar daquela vida. Fúrio desejou que houvesse os sentimentos e instintos nas criaturas. E Radás, por último, desejou que a vida não fosse mais longa do que 150 anos, para que a morte estivesse sempre presente.
E quando eles acabaram, surgiu, a deusa mais querida do povo do seu estado Blaine. E querida por todos nós: Lux, a Bela, deusa da vida, da beleza, da loucura, das artes. Aquela que surgiu sabendo tudo o que a vida deveria ser. Era linda, olhos cor de rosa, e dizem que podia mudar as cores de seu cabelo conforme sua vontade, de negro a branco, passando por ruivo e amarelo. Era a deusa mais feliz de todas, alegre, festeira, sedutora. Dançou por todo o estado, correspondendo aos desejos dos deuses: criou lindas plantas, para que o solo também fosse vivo, criou os peixes, inundando as águas de vida, e os pássaros, para que a vida dançasse pelos céus. Criou criaturas vis também, como os escorpiões, insetos e aranhas venenosas, e essas se tornaram as queridas de Abereth, que não queria uma vida bela. A deusa encantou a todos. Brincava com todos os deuses, incluindo Verne, e sua beleza era impossível de não se admirar.
Finalmente quando a deusa estava para criar as últimas de suas criaturas, os homens, o reino já tinha, basicamente, a divisão de estados que temos atualmente. Porém, dois eventos mudaram a nossa história: o surgimento dos dois últimos deuses da Esfera dos Treze.
Aconteceu que, Lux se tornou de desejo de todos os deuses. E como deusa do amor que era, provocava a todos, e adorava os flertes que recebia, como a lua, que Tormé criou para ela, ou os rubis, que Wilton lhe ofereceu. Mas Lux tinha seu amor fixo em um único deus: Radás, aquele que trazia a morte. Ela ficara encantada com a beleza dele, e o deus das trevas retribuía o sentimento, e os dois acabaram casando-se, na união mais irônica da nossa Jeera. Sabe que essa é uma história longa e muita bonita, sobre como a vida e a morte são belas, e se completam, mas não vou entrar em detalhes novamente. Pois bem, Lux era uma deusa poderosa, e como deusa da vida, e da fertilidade, seu ventre assim o era. E quando Radás a tomou como esposa, ela engravidou, pois o sangue de Verne corria nas veias do deus das trevas, e eles tiveram um filho: Scalon, o Guerreiro de Aço, que surgiu e transformou toda a floresta sul do reino em árvores de aço, a afamada Floresta de Metal. Era um deus voraz, de cabelos prateados como o aço e olhos vermelhos, e viria a ser, além de deus das armas e do ferro, deus da guerra, afinal, a guerra é uma relação entre a vida e a morte no fim das contas.
Foi então que Verne, ao ver que novos deuses começavam a surgir sem a sua vontade, como Scalon e Wilton, ordenou que não haveriam mais deuses, e com seu poder, arrancou a vitalidade e a capacidade de criação de todos os deuses e deusas, encerrando assim, a criação de mais divindades. E assim, deu por encerrado a criação do reino, dividiu Jeera em 12 partes, aquelas que já eram divisões existentes, entregou cada estado a um deus, e ordenou que Lux criasse no final, a raça que deveria dominar na terra: os homens. Assim, Jeera ficaria para os homens, que seriam eternamente fieis aos deuses, e os deuses acompanhariam o reino, cada um de sua morada celestial. Porém, Tormé interrompeu aquela ordem, implorando para que Verne aceitasse um último deus em Jeera, em troca de mais um pedaço de terra, e de um povo fiel e disposto a aderir uma nova religião.
Pode parecer confuso, eu sei, mas você deve imaginar do que estou falando, se conhece o mínimo sobre o Conto. Tormé havia, escondido dos outros deuses, tomado um amante para si. Outro deus, que já dominava uma pequena porção de terra próxima de Jeera, e ninguém sabe como surgiu. Estudamos muito esta passagem também, por ser o mesmo caso de Fúrio, o Dragão. Cornélius, o Alado, era um deus belo, de cabelos dourados e olhos azuis, pele clara e corpo esbelto. E, obviamente, que tinha asas. E graças a elas, passeava pelos domínios de Tormé, que acabou seduzido, e se envolveu com o deus, que reinava sobre um povo de homens semelhantes a eles: homens-alados, nossos afamados homens-pássaro.
A discussão foi grande. Mais uma história desnecessária. O importante foi que, após muita discussão, Verne aceitou Cornélius, e com seu poder, colocou as terras dos homens-pássaro para flutuarem no céu, acima de nossas cabeças. E agora sim, eram os treze estados de Jeera, cada um pertencente a um dos treze deuses existia, e Lux finalmente criou a humanidade, povoando os estados com nós, humanos, fiéis aos nossos deuses.
O Núcleo foi o estado que Verne assumiu como sua sede, na região central do reino. Era um estado pequeno e humilde, porque no fim das contas, toda a Jeera e todos os deuses dela lhe pertencem. Verne, o Supremo, é deus dos deuses, da criação, da ordem, do tempo, do espaço e de Jeera.
A Alaoste foi escolhida por Tormé como seu estado, onde o céu é mais azul, e a noite tem mais estrelas. A área do estado é vasta, fértil, e cheia de mistérios e lendas. Tormé, dos Céus, nasceu como deus do céu, tornou-se deus do clima, do sol e da lua, do amanhecer, das estações e deus dos pedidos, mas cedeu parte dos poderes do clima para seu amante, Cornélius.
Gotsha teve preferência pelo litoral do reino, e foi a única deusa que recebeu duas porções de terra distintas: o estado que conhecemos como As Planícies do Mar, que são divididas em duas longas planícies, no leste e oeste do reino. Gotsha, das Águas, nasceu como deusa da água, e após o surgimento da humanidade se tornou também a deusa que lava os pecados dos mortos antes que ele entrem no Reino Celestial, onde tudo é paz. Também se tornou a deusa da navegação.
Neréia não quis se afastar de sua montanha de fogo, à qual se apegara durante todas as eras que passou ali, derretendo a pedra que até hoje não esfriou. A região de seu estado ficou conhecida como Pontamar, e sua montanha se tornou o Ninho do Fogo, a capital. Neréia, do Fogo, nasceu e permaneceu como deusa do fogo e da energia, e quando a humanidade surgiu, se tornou deusa da perseverança e do espírito.
Hestor ficou com a Alaleste, o local onde mais brincara como o solo, criando um relevo extremamente diversificado. Um estado fértil, com um solo próprio para construção, belas lagoas e rios. Hestor, o Construtor, nasceu como deus da terra, e ganhou o posto de deus da construção e do trabalho, da humildade, e do físico, pois nossos corpos são nossas construções.
O Deserto Branco foi a região escolhida por Orfélia, os grandes desertos de areias brancas, que mesmo recebendo as partículas coloridas da erosão dos montes de mármore colorido, nunca voltaram a ter cor. Orfélia, a Milagrosa nasceu como deusa sem domínio, mas se tornou uma das mais poderosas deusas: deusa da visão, do sangue, da medicina, do casamento, dos milagres, e da família.
Radás se manteve no sul do reino, e seu estado é o Vale Morto, um vale de onde ele retirou toda a vida e manteve-o negro como as trevas, sem nunca permitir que Lux, sua esposa, viesse até o local e restituísse a vida. Radás, da Morte, nasceu deus das trevas, do medo, da dor, e da morte, mas também se tornou deus da punição.
O irmão de Radás, Abereth, tomou para si as Terras Inundadas, onde fica o famoso rio pelo qual ele se apaixonou: o Intricado. As Terras Inundadas, como todos sabemos, é um lugar idêntico ao seu deus: meio vivo, e meio morto, já que tudo nos pântanos parece apodrecer, e tudo é pântano. Abereth, o Semi-Morto, nasceu como deus dos mistérios, e durante as eras do mundo passou a ser deus dos venenos, dos alquimistas, e do desconhecido.
O Cinturão, o presente de Hestor para Wilton, se tornou estado do deus das rochas. Uma região toda cercada por montanhas, e a maior produtora de pedras preciosas de Jeera. Wilton foi criado da Montanha dos Encantos, atual capital do Cinturão, como deus das rochas preciosas, e tornou-se também o deus da força.
Como já falei antes, Fúrio tomou para si e para os dragões as Terras de Inverno, onde o gelo dos dragões de gelo impera, e nenhum humano vive. Fúrio veio para Jeera como deus dos dragões, e se tornou aqui deus dos animais, dos instintos e da ira.
O Docestado, nem preciso comentar não é? Pertencente de Lux, a terra abençoada com fertilidade extrema. Lux, a Bela, nasceu como deusa da vida e da fertilidade, e se tornou uma deusa muito poderosa: deusa das festas, da loucura, do amor, das artes, do sexo e do prazer, além de também deusa das bebidas alcóolicas.
A Scalon, restou as Terras do Aço, onde ele nasceu e transformou as florestas de sua mãe em árvores de metal, você conhece a história. Scalon, o Guerreiro do Aço, nasceu como deus do aço, e com o surgimento da humanidade, abraçou para si o título de deus dos guerreiros, da batalha, e da guerra.
Ao último deus de nossa religião, foi designado seu próprio reino, a Terra Céu, o conjunto de montanhas que flutua de forma desconhecida acima de nós. Cornélius é deus dos homens-pássaro, e se tornou o deus da proteção e dos ventos também.
Esses Blaine, são os nossos treze deuses, de nossos treze estados, à quem nós cultuamos e louvamos, na esperança de que, após nossa morte, possamos ir viver com eles na terra celestial prometida. Verne é o Supremo, e nenhum dos outros é mais poderoso que o outro, devemos louvar a todos igualmente, mesmo que cada estado tenha seu deus padrinho, a quem os louvores são maiores. O conto da criação é esse, a base da nossa fé, o início de tudo. Essa é a história que deu início ao nosso mundo, e que os sacristãos ensinam desde o início da nossa existência: o conto de como Verne foi bom, e criou nossa terra, e até mesmo nós.
Espero que tenha entendido, filho, isso é essencial. Porque, agora, entramos na parte real, a parte que nos envolve. A Lenda dos Herdeiros. E para compreendê-la, é bom saber sobre nossos deuses. Selena, vai ajudar nessa parte, não?
Notas finais
Dúvidas sobre o conto, podem falar na review, ou se quiserem uma resposta mais instantânea, estou sempre respondendo vocês no ask.fm/HenaPeople
Grande abraço e uma ótima semana!
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