As Treze Relíquias.
10 Capítulo 10 - Enquanto isso...
Notas iniciais
Obrigada a todos os reviews e elogios mega especiais! Agradeço de coração à todos!
Além disso gente bonita, criei um twitter para os personagens da fic, e um para mim haha. Bastante gente tá seguindo lá, e tá sendo bem divertido! O Blaine, o Bart e os outros estão postando bastante! Quem quiser falar com eles, aí vai:
https://twitter.com/henapeople
E o meu perfil é @HenaCarter!
No mais, esse cap é curtinho, mas mega importante! Tipo, muda tudo a partir de agora, e a fic fica mais... ampla.
Espero que gostem! É o retorno de alguém bem especial...
Beijos!
Capítulo 10 – Enquanto isso...
Hirmo Goés deu um passo para trás e ergueu a mão, fazendo-me parar meu golpe no ar, levemente resignado por parar o combate bem na hora que estava tomando a liderança.
O homem corpulento e grisalho, com suas vestes de batalha cinzentas, abaixou a espada longa de treino.
— Ótimo Lortan, já chega. — Respondeu com dificuldade, ofegando e expondo seu visível cansaço. Eu podia entender. Era o homem com mais experiência em batalha e combate que se podia achar em Jeera, genial no manuseio de quase qualquer tipo de armamento, com habilidades formadas na Entidade, e muito capaz, sendo que poucos poderiam durar mais de alguns minutos em batalha com ele. No Cálice, apenas eu, Blaine e Lucian conseguíamos lutar de igual pra igual com o homem, e isso após muitos e mais anos de treino. Mas Goés já era um homem de certa idade, e com um ferimento de guerra que o atormentava com dores no ombro direito. Por mais habilidoso que fosse, sua condição física já não era a mesma de seu tempo de Hirmo recém formado, e a cada ano Radás cobrava uma parte da sua disposição.
Abaixei minha espada de treino também, uma espada forjada nas exatas formas da minha lâmina “Dançarina”, porém sem o fio mortal, o que fazia dela mais um pedaço de aço inútil.
— Obrigado, Mestre Goés. — Agradeci pelo treino, enxugando o suor da minha testa com a manga da minha veste. Ainda me sentia sedento de combate, movimento, treino. Ainda não estava bom o bastante para enfrentar as criaturas que me atormentavam durante a noite, desde aquela noite em que sequestraram Blaine. Mas precisava estar. Precisava, ou sair do Cálice seria apenas mais um erro histórico que cobraria uma vida.
— Você está tão bom quanto qualquer cavaleiro heroico. Há muito pouco que eu posso te ensinar a partir de agora. — O Hirmo respondeu. — Agora, é melhor que descanse, sua partida em breve certamente precisará de disposição. — Ele se curvou perante mim, e se retirou do campo de treinos. Decidi caminhar um pouco pelo jardim, ignorando seu conselho.
Não saberia descrever bem os meus primeiros dias após o sequestro de Blaine. Sabia que a cidade estava em alvoroço total devido ao acontecido, e buscas já se iniciam nas proximidades. Vila das Tortas e Jarro Cheio foram visitadas e viradas do avesso no primeiro dia após o sequestro, sem sucesso. Depois, cada mata próxima e a Estrada Fértil, mas ainda sem nenhum sucesso. Não consegui sair da cama em nenhum dos dois dias, sem rever todo o terror que presenciara após o confuso e amedrontador beijo que recebera daquele bandido ruivo. Era assustador, e por mais que meus pais, Grã-Hirmo Elias, e quase todo o castelo viesse me perguntar o que acontecera, quem levara meu irmão, como aquilo acontecera, eu não conseguia abrir minha boca. “Não venha atrás de nós” dissera o bandido, e essa era a única coisa que eu conseguia dizer, e estava sendo ignorada por todos. As buscas no terceiro dia partiram junto com meus temores, e foi o dia que consegui me levantar, contar aos Hirmos, ao meu pai, e ao chefe da guarda o que acontecera, e ficar sabendo de tudo que perdera desde o ataque. Dois guardas haviam sido mortos no dia da invasão. Um mensageiro fora enviado para todas as cidades para avisar sobre o sequestro. Os Hirmos estudavam meus sintomas sem sucesso, e quando descrevi o que aconteceu, aquilo só confundiu mais os homens. Chegaram à conclusão de que eu havia sido drogado por alguma substância alucinógena que estava nos lábios do homem.
Eu ainda tinha pesadelos com o que vira, um terror maior que a própria morte, uma escuridão mórbida e cruel, algo de deixar Radás orgulhoso de si mesmo.
Todo o Cálice parecia em luto. Mamãe o carregava mais do que qualquer um, e eu ouvira criadas dizendo que devia ser por já ter perdido uma irmã sequestrada dois anos atrás. O Senhor meu pai não bebia nem dava mais nenhuma festa, pouco saindo do Salão do Governador, onde se reunia para planejar mais buscas. Todos os criados pareciam mais abatidos, e os Hirmos mais sérios, tentando supor as razões do sequestro de meu irmão. O silêncio do castelo me incomodava tanto quanto a perda de Blaine, e eu só conseguia pensar em treinar, pois descobrira ser a única coisa que me aliviava a cabeça. Foi no quinto dia que iniciaram as buscas nas outras estradas que não fossem as férteis, e eu sabia que meu pai havia reduzido os homens dos grupos pois não confiava em quase ninguém de nossa guarda.
E foi naquela noite, a anterior a esta manhã, que eu lhe impusera meu desejo de liderar uma busca.
Também não saberia descrever como aquela vontade apareceu em mim. Uma parte era minha honra como futuro Governador do Docestado. Em outra, um desejo de acabar com aquele luto no Cálice. Outra ainda, o desejo de me vingar daqueles malditos sequestradores.
Mas a maior e esmagadora parte, era porque eu amava meu irmão, e não suportava esperar parado enquanto ele podia estar sofrendo todo tipo de barbaridade nas mãos dos sequestradores. E o amava não apenas com o amor de Orfélia, a deusa da família. O amava com o amor carnal de Lux, e percebera aquilo em sua falta. Por mais errado que aquilo soasse, eu não conseguia negar aquilo, não mais do que negara nos últimos anos de minha vida. E aquilo não me atormentava também, pois percebi que sempre caminhou comigo durante minha vida. Eu o queria de volta assim que possível, queria salvá-lo. Sabia que poderia controlar aquele sentimento sujo diante do olhar divino, e viver uma vida limpa de pecados, mas ainda assim, precisava dele ali no Cálice.
Demorei mais de duas horas e muitos jarros de vinho para convencer meu pai de ceder à minha vontade. Minha mãe se opunha também, mas acabou cedendo. Lorde Malbec chorou, amaldiçoou os deuses, e mostrou seu lado fragilizado pela perda naquelas duas horas. Mamãe permaneceu séria, e seca como o deserto de onde viera, mas não ousou contradizer meu pai quando ele me pediu que vingasse os Becklan e trouxesse Blaine de volta ao nosso castelo assim que possível. Ela apenas derramou uma lágrima quando beijou minha testa e pediu que tomasse cuidado, em nome dos deuses. Forte como sempre, Lady Dia.
Não queria muitos homens para o grupo de busca. Apenas cinco escolhidos por mim, armados e com cavalos. Homens de confiança e valor, meus conhecidos e alguns até meus amigos de infância, de idade próxima à minha, treinados para serem prósperos defensores dos Becklan e em quem eu confiava com todas as forças. Eu mesmo os convoquei, batendo em seus aposentos e pedindo que me ajudassem. Todos aceitaram, tanto pelo respeito que tinham por mim, quanto — e ainda mais — pelo carinho que tinham pelo meu irmão, que tinha o amor do povo. Fiquei satisfeito ao tê-los comigo naquela busca.
Lucian Croyd tinha minha idade, era um prodígio com a espada, tão bom quanto eu ou Blaine, e já servia na guarda do castelo desde os 15 anos. Ted Kassan era um jovem de 16 anos, que alterava suas horas de trabalho entre a cozinha, a guarda, e a forja do castelo, tendo um físico anormal para a idade, e maior do que eu, um verdadeiro “pau pra toda obra”. Poetro Hurnnyg era um dos chefes da guarda, mesmo tendo apenas 25 anos, e nativo da Ilha da Argila, com um físico que não negava o fato, pele escura e corpo esguio, mas musculoso. Eriko Fontarr era filho do chefe da guarda principal, tinha apenas 17 anos, e um corpo e face afeminados que faziam com que os homens do Cálice mexessem com ele; até o momento que ele sacava sua adaga, mais veloz que qualquer ladrão. E Devas Clastor era um rapaz da cozinha de apenas 15, mas com habilidades de um bisbilhoteiro maiores do que a de um infiltrado, sabendo de todo e qualquer detalhe da vida alheia, e conseguindo informações de forma inescrupulosamente discreta.
Mas o mais importante, todos tinham intelecto ágil, e Eriko Fontarr e Devas Clastor tinham habilidades individuais extremamente úteis, por mais que alguns questionassem minha escolha em coloca-los no grupo. Eram todos jovens que, no futuro, quando eu fosse governador, pretendia manter ao meu lado, pois sabia o perigo que podiam me oferecer.
Pensando em tudo isso e mais um pouco, eu caminhei entre as árvores do jardim. Diziam que o Jardim Principal do Cálice era o maior e mais belo de toda Jeera, mas havia uma discussão se isso era realidade, ou se os Jardins Altos da Cidade dos Milagres ou os Jardins de Lux em Recanto da Beleza não eram maiores. Mesmo assim, eu amava aquele local, e era um dos mais lindos que eu já vira, com suas gigantescas laranjeiras, suas macieiras carregadas, arbustos de morangos e framboesas, flores de todos os tipos e todos os locais, e as lagoas pequenas entre as árvores. Todo o ar tinha cheiro de vida ali, um cheiro cítrico, doce, de frutas e terra e flores e natureza. O cheiro do Docestado.
Partiria naquela noite, porque sentia que era o melhor, e queria ver o Jardim antes de partir. Achava que seria uma partida mais discreta, e tinha decidido que iria manter minha identidade em segredo durante a busca. Sentia que aquela busca devia ser feita de uma forma mais discreta, e não tão direta quanto a busca que os homens de meu pai faziam. Sentia muitas coisas misteriosas desde que acordei. Que aquela busca não seria fácil e nem rápida, e muito menos segura, era uma delas.
— Lortan. — Ouvi uma voz conhecida me cumprimentar, e quando ergui os olhos, vi uma figura empoleirada num galho de uma laranjeira. — Também decidiu dar uma olhada nos jardins antes de partir?
Era Lucian. Lucian era um dos poucos que eu tinha como amigo ali no Cálice, e um dos poucos que eu permitia me chamar de “Lortan” sem nenhum “Senhor” ou “Jovem Senhor”. No fim das contas, nos conhecíamos demais para este tipo de tratamento. Crescemos juntos, e éramos parceiros de treino, porque no fim das contas, eu não tinha tanta paciência para treinar com Blaine fazia algum tempo. Um rapaz bonito, alto, de corpo esguio, olhos azuis, e um cabelo preto e bem cortado que combinava com sua pele bronzeada. Brincávamos muito juntos quando criança, eu, ele e Blaine, e apenas nos separamos quando eu comecei a ficar sério em relação ao posto que herdaria, e deixei as brincadeiras. Ainda assim, ele e Blaine mantiveram uma amizade conhecida por todo o castelo, parceiros de copo e de conversa. Eu sabia que ele sofria pelo desaparecimento do meu irmão, mais do que a maioria das pessoas.
— Sim. — Confirmei, me aproximando da árvore. Muitos diziam que eu era um homem de poucas palavras e muitos pensamentos. O moreno encarou os céus, pensativo.
— Sempre me lembro do quanto brincávamos aqui. — Ele disse, de forma avoada. — As crianças amam o Jardim Principal sabia? Não há um dia sem aquelas pestes aqui. Geração após geração, elas são atraídas para cá como as abelhas. Costumávamos aprontar de tudo, lembra? Nadar nas lagoas. Jogar laranjas nas janelas do templo só para ver as fiéis pularem de susto. Esconder-nos nos montes de folhas para assustar as outras crianças. Brincar de Lorde Barriga e suas especiarias.
Acabei por soltar um pequeno riso com uma lembrança.
— Lembro bem dessa. Nunca vou esquecer o dia que demos um rato morto pra você cheirar. — Comentei sorrindo, e me encostando de lado na árvore. A brincadeira envolvia dar objetos variados para uma pessoa cheirar, e ele devia adivinhar o que era. Lucian riu também. — Bons tempos.
— Tempos diferentes, não melhores. — Ele saltou do galho alto, caindo de forma perfeita na minha frente, e se aproximando. Seus olhos eram azuis demais, mais do que o céu ou as lagoas à nossa volta. — Ainda é divertido jogar Lorde Barriga, mas dessa vez cheiramos as bucetas das meretrizes tentando adivinhar se elas estão limpas ou não, ao invés de simplesmente cheirarmos coisas aleatórias e adivinharmos o que é.
Lucian era o único que conseguia me fazer sorrir com uma piada de nível tão baixo. Ele se sentou ao pé da árvore, e eu acabei me sentando ao seu lado, sem saber o que dizer. Um silêncio cômodo se instalou entre nós, e ficamos apenas admirando o céu da tarde. Pensei se leva-lo comigo fora uma decisão correta. Eu não suportaria perder mais alguém tão próximo.
— Logo partiremos. — Ele deixou escapar, e eu soltei um suspiro de concordância, olhando-o de canto. Lucian ainda tinha os olhos no céu. — Você sabe o quanto eu quero salvar seu irmão.
— Sei. Por isso o chamei. — Respondi, curto, voltando meus olhos pro céu.
— Obrigado por isso. — Ele disse, e se virou para mim, agarrando meu pulso que estava apoiado no chão com firmeza, chamando minha atenção. Estávamos próximos. — Eu juro que vou fazer de tudo para encontrarmos ele logo.
— Sei que vai. — Falei. — Eu vou, e todos vão. — Encarei aqueles orbes, mais azuis que os de Gotsha, a deusa das águas. — Vamos trazê-lo de volta. Juro que vamos.
Ele se levantou em seguida, repentinamente, e me encarou.
— Então devemos ir nos preparar. O céu já está sangrando, e partimos ao anoitecer. — Lucian proclamou, e eu me levantei, ficando de frente para ele. Mais uma vez, ele se aproximou. Tínhamos a mesma altura, reparei. — Vamos encontra-lo Lortan. Ainda temos muitas laranjas para jogar nas janelas do templo, e muitas laranjeiras para escalar, e lagoas para nadar, e dias para vivermos. Juntos meu jovem senhor. Nós três, juntos, como sempre foi.
Ele me estendeu uma mão, e eu a apertei.
— Sim. — Assenti, sem palavras, e ele anuiu com a cabeça, com um brilho determinado nos olhos, e saiu, rapidamente sumindo entre as árvores.
Fiquei ali por mais alguns segundos, sem ação. Partiríamos tão logo.
E eu acabara de perceber que Lucian amava meu irmão. Assim como eu o amava.
O amor de Lux.
=—=
Um dos cavalos relinchou nas minhas costas, como se pedisse que eu me apressasse. Todos os outros homens estavam montados.
— Que os deuses estejam com você. — Minha mãe repetiu, beijando meu rosto de forma fraternal. — Volte em paz, meu filho.
— Voltarei com Blaine. — Prometi, colocando minha mão sobre seu ombro. Ela me encarou com olhos dourados por um longo instante, antes de anuir com a cabeça.
— Está sendo um irmão incrível, e tenho certeza de que se tornará um Governador melhor do que eu jamais fui. — Meu pai disse, se aproximando de mim para também se despedir. — Mande mensageiros em cada cidade que encontrar algum, e tome cuidado com as estradas. Seu disfarce não funcionará por muito tempo próximo de Bela Colheita. — Aconselhou. Eu sabia que, mesmo tendo feito minha barba — que cultivava desde os 15 anos — e cortado meus cabelos, alguns ainda me reconheceriam ali por perto, mas minhas buscas não se centrariam ali. — Haverão de cantar sobre o irmão que resgatou o irmão no futuro. —Terminou, de forma confiante, beijando minha testa. Confiança que eu recebia de bom grado, pois precisava.
— Prefiro que cantem “Loucos de Doçura”. — Comentei com um sorriso. — Voltarei em breve, prometo.
Despedi-me então de Grã-Hirmo Elias e de outros que vieram assistir nossa partida, incluindo os familiares dos homens que iriam comigo. Por fim, subi no meu garanhão negro, o “Trevas” e acenei, enquanto começava a trotar pelos portões do castelo com meus companheiros.
Tomei a frente quando entramos na Rua Doce, com Lucian e Poetro, que montavam calados e encarando o caminho com olhares sérios e determinados. Um pouco atrás, podia ouvir a conversa animada dos mais jovens, animados por partir em sua primeira missão. Ted inclusive admitiu nunca ter saído de Bela Colheita, e estar até de pau duro com a situação. Esperava que aquela animação nos ajudasse a agilizar a busca.
— É uma noite de benção de Tormé. — Poetro comentou, com seu sotaque duro da Ilha da Argila. Sua pele morena como o barro contrastava com sua armadura prateada que brilhava ao luar. — Céu limpo e lua cheia. Uma ótima noite para se cantar “Luas de Loucura” em uma festa
— Melhor para nós. — Respondeu Lucian. — Pelo menos enxergaremos o caminho por algum tempo.
Pude ouvir enquanto os três jovens atrás de nós começavam a cantar “Luas de Loucura”, em resposta ao comentário de Poetro. Ted tinha uma voz grossa e animada, Devas tinha um bom timbre, enquanto Eriko tinha a voz feminina e afinada. De alguma forma, a voz dos garotos combinavam até bem. Era uma música que eu adorava, cantada em festas e comemorações, e que ecoava no Cálice nas noites de luar. Tinha uma letra simples, versos curtos, e estrofes tão curtas quanto eles. Normalmente era cantada por bêbados.
O céu brilha com as estrelas
De Tormé as companheiras
Dão um brilho celestial!
Trazem magia a este local
A lua até causa espanto!
De tão bela, traz o pranto!
Aos olhos das senhoritas
Essas jovens tão bonitas!
Meus deuses, olha que musa!
O homem com os olhos, usa e abusa!
Meus deuses, que cavalheiro!
A moça lança olhar certeiro!
Essa festa está tão bonita!
E a lua então se agita
Essa festa está tão boa!
A lua parece que até voa!
Pois nas Luas de Loucura
A festa é certa!
O homem a mulher procura!
E Lux corações acelera
Nesta noite, Radás se morde!
Coitado, falta de sorte!
Casou com a deusa nua
Que nessa noite só olha a lua!
Tormé brinca com a Lua
E Lux sempre a procura
Pois por ela se apaixonou!
E nesta noite Radás ficou
Sozinho!
Dali, a canção dos rapazes continuou, e eu acabei por acompanha-la em pensamento. A canção descrevia então as bebidas e comida da festa, a decoração, a cantoria animada, os bêbados chorões, as criadas gorduchas, os serviçais jovens e que sofriam com abusos. Mas sempre voltava no refrão “Pois nas luas de Loucura, a festa é certa!” e seguia com a zombeira contra Radás, que perdeu Lux para a lua de Tormé, o deus dos céus.
Acabei por agradecer aquela canção, que durou até sairmos da cidade. Foi agradável, pois afastou os meus temores e grande parte da minha ansiedade.
Mas depois do que eu vira quando aquele bandido me beijou, seis dias atrás, eu não estava em real disposição para zombar de Radás, nem mesmo em uma canção tão tola quanto “Luas de Loucura”.
E sem perceber, quando entramos na estrada eu estava orando por mim, pelos garotos e pelo meu irmãozinho.
Notas finais
Enfim, acho que próximo cap é o do Bartô! Ainda me resta uma dúvida, mas tem altas chances!
Um beijão!
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