As Sete Majestosas
11 O Bisbilhoteiro
Os caliponianos possuem uma vaga noção de quando houve início de vida inteligente no planeta. Eles chamam esse acontecimento de Ruptura Zero. Desde lá, determinaram a existência de mais quatro rupturas. Cada uma dessas rupturas significa uma quantia aleatória de anos que se separavam por pontos cruciais de mudança na história, seja evolutiva ou política.
Resumindo bem a grossa modo, a Ruptura Zero se deu quando Jar criou as Três Dimensões Primordiais: Calipo, o mundo do qual gerou vida e onde os mortais seriam avaliados de acordo com suas ações para prosseguirem ao próximo plano. O Paraíso, destinado aos justos e guardado pelos Santos. E o Abismo, reservado aos maldosos e vigiados por horrendas criaturas chamadas de Monscap.
Após, veio a Primeira Ruptura, quando Jar elegeu 14 reinos em 14 países em Calipo. Já a Segunda Ruptura ocorreu quando os humanos guerreavam sem propósito e, Jar em sua sabedoria, revelou um tipo de inimigo no qual os reinos teriam que se unir para derrotar, os Monscap, que foram trazidos à Dimensão Mortal apenas para este objetivo. Entretanto, os monstros eram poderosos demais, sendo assim, Jar criou as Sete Majestosas e presenteou sete reis que julgou os mais dignos entre os quatorze, para que pudessem enfim eliminar a ameaça. Então, fez deles os Sete Campeões dos Céus, tornando-os imortais perante armas comuns. Em seguida, a Terceira Ruptura, quando mais uma vez houve discórdia entre os reinos e entre os Sete Majestosos, que por causa das fantásticas espadas que possuíam, transformaram os conflitos em danos ainda mais prejudiciais para si mesmos. Jar, mais uma vez decepcionado com as escolhas humanas, tentou uma nova maneira de uni-los, criando um tipo de Monscap Superior, seu nome, Ghalaggar. Porém, um dos Sete Majestosos se virou contra seus companheiros e se uniu a Ghalaggar, o que resultou em sua expulsão dos Campeões dos Céus, tornando-se para sempre o Cavaleiro Caído, O Traidor. Há pouca coisa disso documentado nas Antigas Escrituras, mas até aqui é de comum acordo entre os eruditos e Primores Santos de que estes fatos realmente aconteceram na linha do tempo de Calipo. A partir da Quarta Ruptura, as Novas Escrituras se tornam mais claras e numerosas, embora não se saiba como novos Monscap nasceram ou o que houve com o Cavaleiro Caído, apenas que Ghalaggar lhe tomou a Majestosa, e que um por um derrotou os outros Campeões, roubando também suas poderosas espadas e mergulhando o mundo em caos e terror. Até surgir Fryer, o Eleito, que eliminou Ghalaggar e todo seu exército, e posteriormente criou Os Códigos Absolutos de Guerra.
Por fim, nos encontramos ainda na Quarta Ruptura, porém quase duzentos anos desde da vitória de Fryer.
"Bem-vindos ao nosso capítulo dedicado ao Eleito nessa edição de Era Uma Vez em Calipo." Leu o jovem príncipe Lief com olhos sonolentos. Ele e sua Guardiã estavam sozinhos na biblioteca, parcialmente iluminados pela luz das velas de um único candelabro sobre a mesa. Quase todos no castelo haviam ido dormir, mas o garoto continuava com seus estudos antes de se deitar, algo que se tornou rotina ultimamente. "Assim como todos nossos capítulos anteriores, os acontecimentos a seguir são baseados nas Novas Escrituras, mas colocados de forma que possa ser de melhor compreensão do leitor. Não houve nenhuma criação fora do que foi documentado pelos Primores Santos da atual Ruptura. Então, começamos do início. Fryer era um homem comum. Ele nasceu camponês de uma família simples em um vilarejo chamado Vão de Pedra, ao norte de Termelis, nome anterior do país que hoje conhecemos como Fryereen graças aos seus heroicos feitos." Lief suspirou e folheou algumas páginas, avançando no texto. Lyanna permanecia imóvel em sua armadura, sempre vigilante. "Quando Ghalaggar, o Senhor dos Vis, finalmente adquiriu todas as Majestosas e eliminou os Campeões dos Céus, ele ergueu uma fortaleza na Trílicia para preparar seu exército de Monscap para marchar e tomar cada país e reino que se opusesse ao seu domínio sombrio. Nesta mesma época, Fryer já se destacava como um grande e carismático guerreiro, sendo ele a convencer os poucos reis que não dobraram os joelhos a realizar a Aliança de Todos os Homens. Fryer foi condecorado o primeiro Cavaleiro Primor de Calipo, e liderou uma gigantesca armada mundial contra as terras de Ghalaggar. O Senhor dos Vis nunca imaginou que meros mortais tentassem uma invasão em sua fortaleza depois que conquistara as sete Majestosas. Uma batalha de dimensões gigantescas ocorreu em todo o território da Trílicia, com heróis nascendo e tombando a cada avanço das linhas da humanidade numa última e desesperada tentativa de salvar Calipo daquele terrível inimigo."Uma vez mais o garoto virou as páginas de forma impaciente, encontrando o ponto que queria e tornando a ler, a voz num sussurro. "Fryer enfrentou Ghalaggar num duelo épico, onde não sabemos todos os detalhes de como ele conseguira sobreviver a sete Majestosas, uma vez que o mesmo nunca revelou sua estratégia e não tivemos testemunhas oculares do confronto. Pelo menos, não que exista nas Novas Escrituras. Algumas lendas e teorias ganharam forma desde então, mas por respeito a Jar, e até mesmo a Fryer, que se auto titulou o Eleito do Rei dos Deuses, não vamos mencionar nessa edição." Lief praguejou com irritação e continuou. "Por ser o escolhido de Jar, reconhecemos que somente Fryer era capaz de tal feito heroico. Derrotar as sete armas mais poderosas do mundo e o Senhor dos Vis, algo que nem mesmo os Sete Campeões dos Céus conseguiram (na verdade, seis, uma vez que o Traidor já havia sido descartado). Ao sair da fortaleza inimiga com as sete Majestosas e a cabeça decapitada de Ghalaggar, o Eleito pôs fim ao seu exército de Monscap facilmente, finalizando a Guerra das Guerras, com a humanidade saindo vitoriosa. Os reis, sem exceção e por vontade própria, dobraram os joelhos para Fryer, que se recusou a governar soberano um mundo tão vasto, mas que ordenou que futuros conflitos fossem amenizados, pois acreditava que aqueles demônios eram frutos do ódio das guerras incessantes em Calipo, e que a união, como aquela Aliança de Todos os Homens era a solução para a paz. Obviamente, Fryer não era ingênuo a ponto de acreditar que não haveria mais discórdias entre os países, sendo assim ele escreveu o que hoje conhecemos como Os Códigos Absolutos de Guerra, numa tentativa de adicionar honra em guerrear sempre por pelo menos um motivo digno que não seja apenas a vontade de matar um ao outro. Referente as Majestosas, o Eleito humildemente, de cinco delas, deu uma para cada aliado mais vanglorioso naquela jornada, e permaneceu com duas. Estas duas são as únicas das quais não se tem informações sobre seus poderes mágicos, uma vez que as Escrituras Antigas foram destruídas por Ghalaggar, se não seve crer apenas nas palavras dos homens. Acredita-se que Fryer as levou para o túmulo quando partiu no ano de 356 da atual Ruptura, duzentos anos atrás. Embora o local que descansa o corpo do Eleito também seja desconhecido." Incrédulo, o jovem bufou e fechou o livro num estrondo.
— Não sei por que ainda releio esse livro idiota. Todas as informações importantes ele não fornece — disse irritado, mexendo nos cabelos num tique nervoso. — Sente-se, Guardiã.
Aquele pedido era novidade, e Lyanna o encarou com sobrancelhas franzidas embaixo do elmo que escondia a metade superior da face. Não se mexeu.
— Mi Príncipe? — perguntou indecisa.
— Vamos, sente-se — insistiu ele, indicando a cadeira vaga na mesa. — E a partir de agora chega de se direcionar a mim com esse tratamento bobo da nobreza. Eu também não quero ficar te chamando de Guardiã.
Com um pouco de dificuldades por conta da armadura, Lyanna se sentou. Não entendia bem o que estava acontecendo, mas seguiu as ordens de seu protegido, uma vez que o mesmo tinha total poder para isso.
— E como devo me direcionar-te?
— Oras, apenas Lief parece bom.
— Mas a corte...
— Não ligo. Vou fazer que entendam que prefiro assim. Posso te chamar de Lyanna?
— Como quiser, Mi Prín... digo, jovem Lief.
O garoto sorriu satisfeito. Mas depois comprimiu os lábios como se tivesse outro incômodo naquela nova relação que se permitiu findar.
— Algum problema? — ela perguntou.
— Sim, ainda não me sinto a vontade. Acho que é este elmo. Parece idiota conversar com você usando esse troço com asas. A partir de hoje, se não estivermos em uma situação de risco, pode ficar sem.
— Não sei se devo, o Rei...
— O rei está aqui? Não mesmo. Nem o segundo homem ao comando, que seria o conselheiro. Eu sou o próximo na lista e que está bem diante de ti, o príncipe. O patriarcado real me dá esse direito sobre minha mãe e irmã. Tolice, mas estudei o suficiente para saber disso — disse com uma voz vitoriosa. Ele era mesmo alguém difícil de se dobrar.
Lyanna levou as mãos vestidas em manoplas para retirar o elmo e o colocar sobre a mesa. A brisa que vinha da janela aberta da biblioteca agora tocava seu rosto por inteiro, suas longas madeixas loiras esvoaçando levemente para o lado, realçando sua beleza natural e gentil. E, ainda, foi revelado seus olhos, que eram de um profundo verde, lembrando límpidas lagoas de turmalinas ao fundo.
O jovem príncipe percebeu o quanto aquela mulher era atraente, e ruborizou envergonhado, olhando para baixo.
— Droga, parece que assim ficou ainda mais complicado — murmurou para si mesmo.
— Jovem Lief?
— Bem, vamos logo ao assunto que quero tratar com você — falou de forma ríspida, ainda com vergonha de fazer contato visual. — Acho que notou meu anseio em saber mais sobre as Majestosas. Apesar da nova aliança com Enderghar, ainda tenho como objetivo encontrar a última que está perdida, ou pelo menos descobrir como o Eleito derrotou o Senhor dos Vis mesmo que este empunhasse todas elas.
— E no que posso acrescentar? — indagou ainda mais surpresa com o rumo da conversa.
— Não pense que não percebi sua reação hoje mais cedo quando mencionei os Filhos dos Mortos para o Lorde das Escrituras. Por favor, se sabe algo sobre eles, me conte!
Ela engoliu em seco. Mesmo trajando uma armadura completa e a espada Arisca na bainha, se sentia indefesa. Aquilo era um segredo que prometeu carregar para o túmulo, mas havia falhado em deixá-lo oculto na primeira oportunidade que teve. Amaldiçoou-se por isso. Deveria mentir para o príncipe? Não, ia contra os dogmas dos cavaleiros. Mesmo que no caso fosse mulher, seguia os mesmos juramentos.
— Eu não sei muito — confessou. — Mas eu vim de uma família que... bem, contavam histórias.
— Então de fato as histórias existem!
— Existir é diferente de ser verdade, jovem Lief.
— Mas eu vi seu desconforto com as falas do Lorde Laporte...
— Sim, e peço perdão. Deixei meus sentimentos me dominarem. Eu apenas não concordo com as opiniões do lorde para com esse povo. Eles não são pedintes nem bêbados. São... diferentes, sim, mas são boa gente e honrados pelas pessoas que amam. Seria preconceito pensar de outra maneira. Ainda que seja algo normal dentro de nosso monoteísmo — Lyanna se alarmou ao se dar conta que falara demais. — Devo morder minha língua! Desculpe, não quis transparecer qualquer tipo de blasfêmia a Jar.
— Não! Gosto de pessoas com opiniões próprias — o garoto já se sentia mais à vontade em olhar para a mulher. — E concordo com você!
— Obrigada, mas de qualquer modo este é mesmo um assunto perigoso para alguém de seu nível seguir, e nisso Lorde Laporte tem razão.
— Perigoso é não se ter informações sobre itens tão poderosos. Meu irmão Oriel era um grande homem! Todos os amavam, seria um grande rei. Mas nem conhecia direito a Majestosa que tinha em mãos. Ele sabia que a lâmina cortava numa velocidade sobrenatural, porém existia um limite para isso? E a distância? Ele poderia cortar algo numa distância considerável? E se a espada batesse numa superfície mais dura que seu aço? Como seria esse choque para suas mãos e braços uma vez que a super velocidade multiplicaria inúmeras vezes a potência do contato?
Lyanna se pegou sorrindo.
— O que foi?
— Você é um menino esperto.
— Sou um menino sem respostas.
— Às vezes, o sábio é aquele que questiona.
O jovem príncipe sorriu.
— Obrigado. Você sabe de algumas dessas histórias que não estão nos livros?
— Infelizmente, não. Dediquei-me às espadas convencionais desde pequena, e não me interessei pelo resto.
— E sua família? Acha que podem nos ajudar?
— Minha família está em Deskareen, jovem Lief. Não há como.
— Bem, então voltamos a estaca zero — balbuciou com desânimo.
Apesar do clima descontraído e relaxante, os sentidos de Lyanna estavam sempre em alerta, por isso percebeu uma mudança repentina no fluxo do vento que invadia a biblioteca pela janela. Ela olhou para o céu noturno lá fora, o andar da torre em que estava ficava a sete metros do chão e dava ótima visão para as estrelas. De repente, um uivo estridente ecoou, e o que antes era o retrato vivo do luar emoldurado por cortinas, agora se tornara a silhueta de um homem envolto em sombras. A figura se agarrava no batente da vidraça, se empoleirando no parapeito. Em seguida, como um ágil felino, o invasor saltou para cima da mesa, seu pouso tão perfeito que nem fizera barulho ou derrubara o candelabro.
Porém, antes de realizar qualquer outra ação, a lâmina de Arisca já estava a centímetros de seu pescoço numa clara ameaça.
— Uau, você saca rápido a espada — disse o invasor misterioso, petrificado. — Mas o que me surpreendeu foi ter me percebido e agido.
Lyanna continuou a segurar a espada contra a garganta do homem, atenta a qualquer movimento brusco. Agora o fogo iluminava seu rosto de pele levemente corada, mostrando traços joviais e sarcásticos, sendo seu cabelo curto e penteado de lado o que chamava mais atenção por ser branco com pontas rubras, uma herança particular dos fryeerenes. Seus olhos também eram dignos de nota, um azul tão profundo que parecia que o sol voltara para o céu antes da hora. Além do doce e perigoso perfume de damasco com pimenta que exalava de seu corpo de porte atlético.
— Me dê um único bom motivo para não derramar seu sangue, invasor — pediu a Guardiã, gélida como a morte.
Entretanto, antes que o homem respondesse, Lief subiu na mesa e o abraçou com ternura.
— Volo! Você retornou! — exclamou o menino.
— Esse motivo está bom o suficiente? — questionou Volo com um sorriso carregado de malícia. — Olá, meu amigo, bom te ver também!
Lyanna recuou sem entender, mas ainda não guardara a espada.
— Quem é este?
— Não ouviu meu nome, bela dama?
— Pouco me importa seu nome. Quero saber sobre sua história. E como conseguiu passar pelos muros da fortaleza, os guardas e ainda escalou uma torre?!
— Pois é, obrigado — respondeu dando de ombros, saindo de cima da mesa junto do jovem príncipe.
— Este é Volo, o melhor amigo de meu irmão — disse Lief. — Ele conhece todos os atalhos e segredos dessa Fortaleza. O próprio Oriel lhe contou e o ajudou entrar em cada cômodo disfarçadamente. Bem, pelo menos na maioria deles.
— O que?! Mas isso é um risco enorme! — indicou a mulher. — Ele pode vender tais informações para os inimigos do reino! Ou ele próprio pode fazer algum atentado a Coroa!!
— Não se preocupe, pode guardar a espada, Volo sempre foi de confiança de meu irmão. E é meu também. Mas devo dizer que sua entrada foi um pouco desnecessária. Lyanna agora é minha Guardiã. Ela poderia tê-lo decapitado!
— Confiei que não o faria — explicou o rapaz. Ele vestia roupas leves, um casaco cheio de bolsos, e cintos duplos sobre a calça de remendos. — Sou apenas um plebeu, não tenho interesse em ser uma ameaça ao velho Ligtar. E sei que a bela dama agora é sua Guardiã. Tentei me aproximar várias vezes para te ver, meu amigo, mas essa sombra estava sempre em seu encalço. Você não dorme, não? É algum tipo de vampira? Se for, deixaria chupar meu pescoço.
Lief sorriu, mas Lyanna apenas suspirou, tentando demonstrar repulsa no olhar. Embora ele fosse um tanto charmoso.
— Você estava me testando ao invadir o local assim.
— Talvez, sim.
— E estava bisbilhotando.
— Admito que adoro fazer isso. Vai me prender? Me levar aos calabouços? Talvez me enforque na praça central.
Lyanna o ignorou e se direcionou ao jovem príncipe.
— Imagino que a corte não aprove seu contato com essa pessoa, Mi Príncipe, senão ele tentaria se aproximar normalmente sem precisar escalar uma torre.
— Brincadeira de criança — revelou Volo com pompa.
— A verdade é que já não gostavam quando ele era companhia de Oriel — explicou Lief, que parecia encantado com cada palavra do rapaz ao lado. — Mas deixe isso, Lyanna. E o que eu disse sobre se direcionar a mim daquele modo? Por favor, guarde a espada e se possível mantenha segredo desta reunião.
A Guardiã não se lembrava daquele rosto junto do finado príncipe, o que não era tão anormal, afinal mesmo que tivesse passado a maior parte dos seus anos em Finareia, não prestava atenção no que a realeza se envolvia. Por fim, embainhou a espada com desagrado.
— Como desejar, jovem Lief.
— Há quanto tempo está de volta? Você perdeu o funeral.
— Eu sei, meu amigo. E sinto muito por isso. Porém, acho que assim foi melhor. Prefiro lembrar de seu irmão em vida. A última memória que tenho daquele idiota é dele me dizendo que ia vencer uma guerra. Argh, devia ter ido com ele, mas... bem, nossos caminhos sempre foram diferentes. Estou de volta há quase duas semanas. A cidade até que não mudou muito, embora tenha novos moradores.
— E você deve ter adorado isso, não?
— Shhh...
O garoto riu como há muito não ria. Admirava de verdade aquele pomposo malandro, porque era uma pessoa real, não um boneco produzido para seguir uma etiqueta engessada da nobreza. E também lhe recordava em muito o irmão que se fora.
— Muito bem, e o que o trás aqui?
— Vim somente te ver, mas não pude deixar de ouvir sobre como deseja saber mais sobre os Filhos dos Mortos.
— Bisbilhoteiro — chamou Lyanna.
— Me prenda — provocou Volo baixo, depois voltou-se para Lief. — Acho que posso lhe ajudar a encontrá-los.
— Jura?!
— Sim, pelo menos conheço um lugar que um dos seus membros frequenta, lá ele pode sanar suas dúvidas.
— Perfeito! E onde seria?
— Não vou deixar o irmão de meu amigo ir sozinho até lá. Seria muita irresponsabilidade.
Lyanna bufou, indicando silenciosamente que aquilo já era irresponsável de qualquer jeito.
— Não estarei sozinho — disse Lief indicando a Guardiã.
— Perfeito — sorriu Volo, fazendo um breve cafuné nos cabelos de Lief antes de voltar a se pendurar no parapeito da janela. — Pois me encontrem os dois no portão norte no primeiro badalar do sino dos Primores Santos, ao nascer do sol.
— Acho uma péssima ideia — resmungou Lyanna, se alarmando.
— Faremos isso — confirmou o menino.
— Combinado. Vou-me agora — Volo deu as costas para a biblioteca e flexionou os joelhos como se fosse saltar, porém desistiu e virou o rosto, dando uma piscadela na direção de Lyanna. — Até que você é bonita sem o elmo.
Sorriu de canto e saltou.
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