As Sete Jóias de Uaset
27 Capítulo 27: Reencontro parte I
O santuário estava mergulhado numa paz profunda. Ao voltarem foram recebidos por Shion e os bronze. Assumindo suas casas, voltaram a suas rotinas de treinos.
No inicio estavam animados, pensavam constantemente nas suas portadoras e na chance de poder voltar a vê-las, porem o tempo foi passando e nenhuma possibilidade surgia. Os dias tornaram-se rotineiros e as discussões também.
- Cala boca! — gritou MM.
- Por que não me enfrenta? — Kanon o desafiou.
- Ora seu...
O canceriano partiu para cima dele, Aiolos e Dohko ainda tentaram separa-los, mas desistiram. Os outros limitaram a assistir.
- Brigando de novo... — murmurou Deba. — até isso está perdendo a graça. Me acorde quando eles terminarem.
- Estou com saudades de conversar com a Tite. — disse Dite fitando o céu.
Kamus que estava perto não esboçou reação alguma.
- Uaset era um lugar aconchegante. — disse Dohko.
- Como será que estão todos? — indagou Aioria.
- Devem está bem. — disse Saga. — devem está bem. — saiu.
Logo Kamus, Mu, Shaka, Miro e Shura saíram de perto.
- Vejam o que falam. — disse Deba de olhos fechados. — não fiquem tocando nesse assunto perto deles.
Depois dos dois anos encontramos os dourados assim:
Mu, quando chegou, contou tudo o que aconteceu a Kiki que ouvia fascinado e comuma enorme vontade de conhecer a garota que conquistara o mestre. O ariano nutria forte esperança de voltar a vê-la. Todos os dias de manha e à tardinha sentava na porta de sua casa admirando a paisagem. Pensava nos vários lugares que mostraria a ela. Dava pequenos sorrisos ao se lembrar de sua expressão doce e ingênua. Porem os dias foram transformando-se em semanas, em meses e em anos. Nunca deixara de amar Ank, mas já imaginava que era um amor apenas para ser recordado. Ela era uma guerreira e como tal deveria permanecer ao lado de Osíris.
Saga assim que pisou no santuário, voltara a sua atitude responsável e zeladora pelas coisas do santuário. Pensava constantemente em Ishitar e preocupava muito com seu possível estado. Vendo que tinha raízes egípcias passou a ler sobre o assunto. Todas as noites, escondido do irmão lançava seu golpe \'outra dimensão\' na tentativa de abrir uma fenda para Uaset, nunca conseguiu passando a desistir e aceitar que seguiria a vida sem Ishitar.
A primeira coisa que Giovanni fez ao chegar foi arrancar as cabeças das paredes, pintou as paredes de branco dando outro aspecto a quarta casa. Apenas seu quarto continuou preto, pois ainda precisava a acostumar a atmosfera branca. Mesmo com as permissões de Atena, não saiu mais para a noitada limitando apenas a beber com Shura, Miro e Kanon. Os dias foram passando e com eles a esperança de rever Tari. Revoltado pintou novamente de negro as paredes e recolocou todas as cabeças. Saia sempre que podia, encontraria uma substituta para ela, contudo nunca conseguiu. Amava-a demais e nenhuma mulher chegava a seus pés. Constatou que não arranjaria ninguém pelo menos pelo tempo em que ainda amasse a portadora. Julgava isso impossível de acontecer.
Shaka chegando em casa, foi meditar, mas não conseguiu. Isi sempre vinha em sua mente. Assim como os outros nutria esperança que ela aparecesse, entretanto... mergulhou mais nas meditações, era raro sua aparição fora dos treinos, as vezes passava dias sem vê-lo. Os outros ainda tentavam conversar com ele, mas Shaka sempre dizia está ocupado.
No inicio Miro era empolgação, tinha fortes esperanças que Hatshe fosse aparecer logo. Assim como MM saia apenas para beber. Ficaram surpresos por ele não olhar para nenhuma amazona ou qualquer rabo de saia que fosse. Inacreditavelmente manteve-se fiel, contudo... as esperanças foram esvaindo, já tinha certeza que Hatshe não passava de apenas um sonho bom. Tentou se relacionar, mas Hatshe sempre via na mente. Podia ter outras mulheres, mas não a que queria.
Compondo o quarto ex-pervertido, Shura, fazia planos para quando Akya aparecesse. Pediria permissão a Atena para levá-la até a Espanha, numa viagem por um mês. A casa sempre estava arrumada para quando ela voltasse. Todos os dias pedia a Dite algumas rosas para enfeitar sua residência. Como os outros, os sonhos foram dando lugar ao desanimo, passava-se dias e a mesmas rosas continuavam no jarro. A casa antes arrumada voltara a ser como antigamente. Numa noite saíram os quatro, MM, Miro, Kanon e ele, para arrumarem novas companhias, mas tudo o que conseguiu foi se embebedar e chorar as magoas com os outros, que diga de passagem fizeram o mesmo, restando a Kanon ouvi-los pacientemente.
Kamus de volta olhou sua casa: vazia, fria, solitária. Tinha acostumado com o jeito alegre de Tite e aquele silencio outrora preferido tornara-se torturante. Mesmo não demonstrando tinha esperança que ela encheria aquela casa com sua alegria... os dias foram passando tornando-se sombrios. Admitiu que ela não voltaria mais e que restava-lhe apenas a solidão, sua fiel companheira durante anos.
Atena por dias permaneceu calada preferindo a solidão. Sempre ficava assim quando reencontrava Osíris, mas já estava acostumada, afinal não era a primeira vez e nem seria a ultima.
E assim passaram-se três anos.
Mais um dia no santuário de Atena. Tiveram os treinos da manha com um intervalo de duas horas. Dite, Kamus, Shura, Aiolos, Miro, Dohko, Shaka e Aioria caminhando para o coliseu para o treino da tarde, entraram na quarta casa. A principio não notaram, mas como um bom observador Afrodite notou algo de diferente.
- Pessoal...
- O que?
- O MM não tinha voltado a decoração antiga? Hoje de manha não estava assim.
Olharam para as paredes, estavam sem as cabeças e pintadas de branco.
- Ué... — murmurou o leão. — será que ele surtou?
- Você que vai surtar se não calar a boca. — disse aproximando.
- Por que fez isso? — Dohko apontou para as paredes.
- Ah... essas cabeças estavam me incomodando. — disse.
- E o que mais? — indagou Dite percebendo mais uma intenção no ato.
- Mais o que?
- Máscara...
- Tá bom, tirei e pintei porque...
- Acha que a Nefertari ainda pode aparecer.
- É... — disse sem jeito.
- Elas não vão voltar. — Kamus recomeçou a caminhada. — nunca mais.
- Não diga isso, nunca se sabe. — disse Aldebaran aparecendo, na companhia de Mu, Saga e Kanon.
- Essa invasão na minha casa.
- Kiki disse que Atena esta nos chamando. — disse Kanon colocando a mão na parede.
- TIRE A MÃO IMUNDA DA MINHA PAREDE! ACABEI DE PINTÁ-LA!
- É só uma parede. — tirou a mão.
- SE ELA TIVER UMA MARQUINHA SEQUER EU TE MATO!
- Continua branca Mask. — disse Aiolos. — vamos ver o que Atena quer.
Subiram.
MM estava impaciente, ainda havia várias paredes para serem pintadas e aquela reunião com Atena só o atrasaria.
- Atena que não vem logo.
- Calma Giovanni. — disse Dite. — Giovanni... é estranho te chamar assim.
- Não amola.
- Desculpem a demora. — disse a deusa entrando. — chamei-os aqui para dar uma noticia.
- Qual Atena? — indagou Shaka.
- Serão mestres de novas seis amazonas.
- O que?! — exclamaram os treze ao mesmo tempo.
- Mas Atena... — iniciou Saga. — não seria melhor que fossem treinadas por Marin e Shina?
- Também concordo. — disse o escorpião.
- Serão treinadas por Shura, Kamus, Miro, Shaka, Mu e Giovanni. — disse séria. — ponto final. Alem do mais vocês já se conhecem vai ser mais fácil.
Ficaram intrigados.
- Entrem meninas.
As reações foram as mais adversas. Mu, Shura e Miro deram um enorme sorriso, MM ficou de boca aberta, Kamus com seu jeito frio apenas esboçou um leve sorriso, Shaka ficou surpreso e Saga pensou que fosse uma brincadeira.
- Oi rapazes! — disse uma moça de cabelos longos lisos e olhos verdes adornados por uma franja.
- Não mudaram nada. — disse a outra também de olhos verdes, mas cabelos cacheados que desciam até a cintura.
- O que estão fazendo aqui? — indagou MM ainda pasmo.
- Viemos morar aqui. — respondeu de forma fria a jovem de cabelos anelados.
- Sério? — Shaka estava com os olhos arregalados.
- Sim. — a jovem de cabelos longos cacheados aproximou do virginiano e o beijou.
- Kamus! — a moça dos cabelos lisos deu um pulo segurando o pescoço dele. — senti sua falta.
Ele não disse nada, julgaram que o salto da moça fora um ato extravagante que o deixou irritado mas...
- Senti sua falta Tite. — segurando-a nos braços ele a beijou.
Ank aproximou, como sempre vazia passou a mão pelas pintinhas do ariano. Mu a fitou, sentiu saudades daquele olhar ingênuo.
- Oi hedj.
- Oi.
Hatshe parou na frente de Miro.
- Me comportei bem. — disse.
- Miro...
- Sério.
Hatshe o olhou e o beijou.
- Senti saudades. — disse no ouvido dele.
Nefertari caminhou até MM.
- Oi Giovanni.
- Oi.. É bom ver você santinha.
Ela sorriu. MM a beijou com volúpia. Akya aproximou de Shura.
- Oi.
- Oi Shura. — ela o abraçou.
Saga sorria por ver seus amigos felizes, mas para ele faltava alguém.
- Cadê a Ishitar?
As portadoras abaixaram o rosto.
- O que aconteceu? — indagou.
- Como vieram para cá? — MM perguntou.
- Assim como vocês de tempos em tempos nascem portadoras e nessa era não seria diferente. Esse ciclo dura em torno de cinqüenta anos. — disse Tari nos braços de MM. — depois que vocês foram embora e com Seth destruído só nos restava esperar esse ciclo para passarmos as jóias para a nova geração.
- Acontece. — iniciou Akya. — que isso ciclo foi quebrado e há dois meses, sete crianças nasceram com o símbolo dos deuses, sendo assim as novas portadoras. Diante disso Osíris permitiu que passássemos nos cargos a elas, sem a ameaça de Seth não haveria problema.
- Ficamos felizes porque poderíamos vir para cá, mas... — Ank olhou para Mú. — a única pessoa que podia abrir o portão era Ishitar e a única pessoa que podia fechá-lo também.
- Não tínhamos escolha, ou seis passavam ou ninguém passava. — disse Isi.
- Ishitar abriu o portão para nós, mas não podia passar. — disse Tite.
- Graças a ela estamos aqui. — completou Hatshe.
- Entendo... — Saga abaixou a cabeça. — ela está bem?
- Sim. — disse Isi.
- Que bom... acho que não tenho mais nada para fazer aqui. Com licença Atena. — reverenciou.
O geminiano já ia saindo.
- Saga. — chamou Ank.
- Sim.
- Conhece Ishitar, sabe que ela vai arranjar um jeito de vir para cá.
- É eu sei...
- Ela ama você Saga. — disse Akya. — tenha certeza disso.
- Sim.
- Podem ir agora, a noite jantam aqui para conversamos.
O grupo dispersou.
As ex portadoras olhavam maravilhadas para os templos que jaziam abaixo. Nefertite ao entrar na décima primeira casa estremeceu de frio.
- Vai se acostumando Tite, é essa geladeira o ano inteiro. — brincou Miro.
O aquariano lançou lhe um olhar fatal.
- É melhor irmos. — disse Mu, prevendo o desfecho.
Kamus esperou irem embora para falar.
- Sei que está acostumada com o calor em Uaset, vou aumentar a temperatura um pouco. Vai ver que não ficará frio demais nem quente demais.
Só quando terminou de falar notou que falava para as paredes, Tite entrava no corredor.
- Isso será difícil. — suspirou e foi atrás dela.
Tite simplesmente sumira, Kamus foi para a varanda, era o único lugar que não tinha olhado.
- Por que não esperou?
- Que cidade linda! — exclamou sem olha-lo — essas construções são tão diferentes... tem muito verde.
- Em Uaset não tem tanta arvores assim. Essa cidade se chama Athenas.
- Igual Atena? — ela o olhou.
- Sim, colocaram esse nome em homenagem a ela.
Kamus a observava, de diferente só o cabelo que havia crescido.
- Vai me levar até lá?
- Vou.
- Quando?
- O mais rápido possível. Começou o interrogatório.
- Desculpe.
Ele caminhou até ela, Tite estremeceu ao ser tocada pelas mãos frias dele.
- Estava com saudade da sua tagalerice. Essa casa é meio silenciosa.
Ela sorriu.
- Vem vamos conhecer o restante.
Kamus mostrou tudo faltando apenas o quarto, Tite assim que o viu exclamou:
- É lindo! Tudo azul! — deu uma volta pelo quarto. — combina com seu cabelo.
- Sim.
- Mas está faltando algo.
- O que?
Nefertite tirou uma pequena caixa da mala que trouxe, ao abri-la Kamus viu uma rosa de gelo.
- A rosa. — estava surpreso. — pensei que tivesse jogado ela fora.
- Não... — ela colocou em cima de um móvel. — pronto, agora tudo está perfeito.
Akya entrou na casa de capricórnio, Shura vinha atrás envergonhado, a casa estava uma bagunça.
- Bem... eu não sabia que você viria hoje... desculpe a bagunça.
A ex portadora de Chu pegou uma toalha no chão.
- Por que fui me apaixonar por um bagunceiro. Por Ré.
- Prometo que deixarei a casa limpa.
- Quero conhecer o resto.
- Sim..
Shura mostrou a casa inteira, a cada cômodo, Akya via que teria muito trabalho.
- Você só perde para a Tite.
- Então Kamus terá muito trabalho. — disse sem graça.
- Não imagina o quanto.
- Coitado.
- Senti sua falta. — disse fitando a paisagem pela janela.
- O que?
- Senti sua falta. — ela foi até ele. — pensei em você nesses três anos todos os dias.
- E eu em você.
Na entrada Hatshe aguardava Miro deixa-la entrar.
- Só mais um minuto Hatshe.
Ele percorria todos os cômodos, tirando das paredes, do sofá, do chão, porsters e revistas de mulheres peladas. Se Hatshe as visse com certeza o mataria. Fora fiel durante esse três anos, mas ele não era de ferro, tinha que se distrair.
- Pode entrar.
Ela entrou. Hatshe olhava a decoração da casa e a achou bem interessante.
- Onde é meu quarto?
- Aqui, vem.
Miro abriu uma porta, tinha uma cama de casal e alguns movéis tudo decorado em vermelho.
- Uma cama de casal só para mim?
- Como assim só para você. Eu também durmo aqui.
- O que?! Vamos dormir juntos?
- Não era essa a idéia? — indagou. — afinal nós já...
Hatshe o olhou, não sabia se ele estava brincando ou era ingenuidade dele, preferiu a primeira opção.
- Vamos dormir juntos?
- E o que que tem? — a fitava sem entender.
- Deixa para lá. — Hatshe olhou para o chão, viu algo que chamou a atenção, abaixou e pegou.
- O que é isso?
- Nada! — Miro arrancou da mão dela uma revista. — não é nada! — atirou a revista pela janela.
- Miro...
- Bom, fique a vontade, você deve estar com fome, vou preparar algo para você, não demoro.
- Mas...
O escorpião fechou a porta e saiu correndo atrás da revista, se alguém a visse, era um homem morto.
Shaka encostado numa pilastra observava Isi, ela andava pela sala examinando a decoração que era tudo em tons pastel. Pensou que se ela não gostasse mudaria.
- Se não tiver gostado eu mudo.
- Mudaria por minha causa?
- Sim.
- Eu gostei.
- Mesmo?
- Sim, pensei que encontraria um templo... me surpreendeu.
- Que bom que gostou.
Ela aproximou dele.
- Onde é nosso quarto? — sorriu de maneira maliciosa.
- Segundo a direita. — respondeu prontamente.
Nefertari também examinava a casa, MM a fitava silencioso. Tudo estava pintado de branco, com movéis bem claros.
- Gostou?
- Sim, mas...
- Mas...
- Tem algo errado.
- O que?
- Não combina nada com você. Tudo branquinho...
- Para você ver... como são as coisas... – sorriu sem graça.
- Quero ver seu quarto.
- Para que? — ficou apavorado, era o único cômodo que estava nas cores originais, mas sem as cabeças. — depois vai conhecê-lo.
Tari nem lhe deu ouvidos, foi entrando corredor a dentro. Rapidamente MM parou numa porta impedindo a passagem.
- Giovanni.
- Esta um pouco bagunçado, santinha.
- Deixe-me ver.
- Mas... ta bom. — suspirou. — “ Seja o Zeus quiser.”
Nefertari o olhou surpresa, as paredes eram pretas e todo o resto em vermelho.
- Combina muito mais com você.
- Eu mudei porque achei que ia achar estranho.
- Preto não é uma das minhas cores prediletas, mas esse quarto é lindo.
- Sério?
- Vai deixá-lo assim, não é?
- Se prefere.
Saga caiu pesadamente no sofá.
- Saga.
- O que foi Kanon?
- Não desanime, tenho certeza que ela virá.
- Sim. Vou para meu quarto.
Ank ficou maravilhada pela primeira casa.
- Mu sua casa é linda!
- Gostou mesmo?
- Muito! Muito.
- Kiki.
O garoto apareceu na frente dele. Ank o fitou curiosa.
- Não vou treinar. Estou cansado. — disse com as mãos na cintura.
- Não o chamei para isso.
- Não vou ser pombo correio. Fale por cosmo.
- Temos visita Kiki. — o ariano apontou com olhar.
Ele virou deparando com uma moça de cabelos longos e olhos roxos, pela descrição...
- Você é a Ank!
- E você o Kiki!
Os dois deram um abraço.
- Mestre Mu falou muito de você.
- E ele de você. Seu cabelo parece fogo.
Mu os olhou sorridente, ficou feliz pelos dois derem certo.
Todos passaram o restante da tarde em seus templos, a noite como combinado reuniram-se no décimo templo.
Foi posta uma grande mesa na sala do trono.
- Contem o que aconteceu depois que saímos. — pediu Atena.
- Como Akhenaton disse Menefer e Uaset foram unidas. — disse Tari. — houve resistência por ambas as partes, temíamos até uma nova guerra, mas tudo se resolveu. Nesses últimos dois anos, não houve conflito algum. As duas cidades prosperaram tanto que hoje são ligadas.
- Como o Ton está se saindo como governante?
- Anda muito nervoso. — sorriu Tite. — o conhece melhor do que ninguém, está tão envolvido com novas obras, a organização que anda estressado.
- Ele sempre foi assim. — sorriu. — estressado.
- Conhece-o há muito tempo Atena? — perguntou Afrodite, desde que voltara de lá queria perguntar isso.
- Há alguns milênios. Foi numa festa que meu pai promoveu. Confraternizações de deuses. Um saco. — disse sem perceber. — ele também não gostava de tais festas aí ficamos conversando. — sorriu.
Atena calou-se, já havia falado muito. As pessoas que ainda tinham duvidas mataram a charada na hora. Era evidente que ela e Akhenaton sentiam algo. A deusa percebendo que eles chegaram a essa conclusão ficou corada.
- Bom... e a Asmara como ela? — perguntou querendo mudar de assunto.
- É o xodó do príncipe. — disse Akya. — eles não se desgrudam.
- Se bem que ultimamente os dois não param de discutir. — Hatshe sorriu. — ela tem o gênio da Ishitar, aí já se viu. Asmara, Ishitar e Akhenaton, problemas.
- Quando junta dois contra um, é um tormento só.
- Que bom que a Asmara está fazendo companhia para ela. — disse Saga. — a Ishitar não andou aprontando?
- Não Saga. — disse Tari. — o sangue não manifestou.
Sorriu mais tranqüilo.
- Que história é essa de novas portadoras? — indagou Miro.
- Há cerca de dois meses — iniciou Isi. — quando voltávamos do templo de Ré, uma senhora veio nos procurar dizendo que sua filha recém nascida tinha uma marca. A levamos para os sacerdotes que constataram que o bebê era a nova portadora de Tefnut. Devido a isso foram enviados diversos sacerdotes pelas duas cidades atrás de crianças que poderiam ter o símbolo dos deuses.
- Foram encontradas sete crianças. — disse Ank. — Três menerinas e quatro uasetinas. Levadas ao templo ficou provado que elas eram as novas portadoras de Osíris.
- A principio ficamos receosas, pois fato como esse, jamais acontecera, o ciclo demorava por volta de 30 anos, e, no entanto menos desse prazo duas gerações de portadoras. Osíris convocou uma reunião.
--FLASHBACK--
Akhenaton estava sentado em seu trono, tendo a frente suas portadoras. O assunto em pauta: o surgimento de novas guerreiras.
- Não devíamos ponderar, Akhenaton? Não é normal duas gerações de portadoras.
- Também achei estranho Tari, mas...
- Mas...
- Talvez com a derrota de Seth, tenha desencadeado isso. Estamos em paz, talvez não haja necessidade de um ciclo tão longo.
- Pode ser.
- E o que faremos agora? — indagou Ishitar.
- Na idade apropriada elas receberam treinamento. Quando tiverem prontas receberam as jóias.
- E quem vai treiná-las?
- Seus mestres Akya.
- Sendo assim podemos ir para a Terra?
Olharam para Ank, tinham esquecido desse fato.
- A Ank tem razão. — disse Hatshe. — estamos em paz e agora há novas portadoras.
- Só temos um problema. — disse a Isis.
- Qual?
- Passarmos pelo portão. Ishitar pode abri-lo, mas quem vai fechá-lo? A nova portadora de Toth tem três meses de idade.
Nefertari estava certa, não teria como passar, pelo menos até a nova portadora ter idade suficiente.
- Vai levar alguns anos... — brincou Tite.
- Não vai. — disse Ishitar. — vou abrir o portão. Vocês passam e eu fecho.
- Mas e você? Não quer ver o Saga?
- É a única solução Ank. Preparem-se. — levantou. — vou abrir o portão daqui a pouco. — disse saindo.
- Não é justo. — Isi comentou assim que ela saiu. — ela tem que ir conosco.
- Mas não há como Isi. Ou passa as seis ou não passa ninguém.
- Se Ishitar disse que vai abri-lo para vocês, devem ir. — disse o príncipe. — ela não quer que fiquem aqui por causa dela.
Tempos depois Ishitar, Asmara, Akhenaton e as portadoras estavam diante do portão.
- Preparadas?
- Ishitar, nós não vamos deixá-la. — disse Tite.
- Não se preocupem comigo, eu dou um jeito de ir depois.
- Mas...
- Nada de mais Ank, vai voltar a ver seu hejd. Preciso tomar conta do Akhenaton.
- Mas...
- Ankh Ré, ta-netjeru.
O portão se abriu.
- Comportem-se.
- Ishitar. — Ank a abraçou chorando.
- Cuide-se Ank. — a abraçou.
- Obrigado Ishitar. — disse Akya.
- Diga a Saga que eu o amo.
- Direi.
Despediram em meio a choro e palavras de encorajamento. Minutos depois o portão foi fechado. Ishitar olhava-o.
- \"Minha mãe, meu pai, Saga e elas...- deu um meio sorriso. — estou acostumada a perder.\"
--FIM DO FLASHBACK--
- E graças a ela, estamos aqui. — disse Tite.
Conversaram mais um pouco e depois cada um recolheu-se a sua casa.
Kamus já tinha despachado há muito tempo, os demais cavaleiros. Aproveitando que Tite tinha ido trocar de roupa foi para a biblioteca ler. A casa estava num profundo silêncio, o aquariano concentrado na leitura.
- Kamus!
Tite abriu a porta de repente, assustando-o.
- Pensei que tinha saído. — disse entrando. — estava tudo tão silencioso.
- Estava lendo.
- O que está lendo? — pulou no colo dele, pegando o livro. — hum... que língua é essa?
- Francês. — respondeu pacientemente.
- Vai me ensinar?
- Vou.
- Quando?
Ele ia ralhar com ela quando a observou. A ex portadora usava uma espécie de camisola, porem em linho. Era curta batendo no meio das coxas, bem rente ao corpo e de alcinha.
- Quando Kamus?
O cavaleiro a olhou, seus olhos verdes brilhavam intensamente, os cabelos desciam desalinhados.
- Pensei que nunca mais veria seu rosto. — disse tocando-o.
Ela sorriu.
- Não vai morrer sozinho. — brincou. — aquilo que me disse há três anos era em francês?
- Sim.
- Como se pronuncia?
- Je t\'aime.
- Je t\'aime. — disse. — consegui. Até que não é muito difícil.
Kamus nem respondeu, a beijou, intensificando cada vez mais o beijo. Tite sentiu um arrepio ao contato da mão dele em suas costas. O aquariano a trouxe mais para si, mas mudando de idéia a carregou, levando-a para o quarto.
Delicadamente a deitou sobre a cama, iniciando um novo beijo. Ela segurando seus cabelos o trouxe mais para si. Kamus era um contraste, suas mãos eram frias e seu olhar glacial, mas quando a tocava era quente. Começou a explorar o corpo dela, fazendo-a soltar pequenos gemidos que o encorajavam ainda mais. Sentindo que era o momento entrou dentro dela, tornando-se um só.
Casa de Capricórnio
Akya dava uma arrumada no quarto, que estava uma bagunça. Shura tinha ido tomar um banho e voltava apenas de bermuda e a toalha sobre os ombros.
- Hoje está quente. — disse.
- Uaset faz mais calor. — disse, mas sem virar para ele.
- E como!
- Shura, você... — virou para ele, parando de falar. Ela o olhou de cima embaixo. O dorso ainda molhado, a correntinha de Chu pregada, os cabelos em total desalinho, a forma que ele havia parado e seus olhos que a fitavam surpresos. — \"ele é todo lindo.\" — pensou.
- O que foi?
- Na-da. — virou-se antes que ele notasse seu embaraço.
- Tá. — colocou a toalha sobre a cama, mas tirou rapidinho. — vou pendurar lá fora.
- Sim.
Assim que ele saiu, suspirou aliviada. Nunca demonstrou, mas toda vez que ele chegava perto dela, sentia um calorão, mal podia encostar que sentia o corpo todo quente. Trocou de roupa e deitou.
- Lá fora está tão fresco. — disse entrando.
- É o que parece.
- Importa-se de deixar a janela aberta?
- Não.
Foi para a janela sobre o olhar atento dela.
- Que vento fresco...
Tampou o rosto com a colcha, estava com medo de si mesma. Estavapensando como a Isi.
- O que foi Akya?
- Nada... boa noite.
- Boa... — estranhou, mas não disse nada.
Shura deitou ao lado dela e a abraçou.
- Boa noite. — beijou-lhe a bochecha.
Ficou calada. A luz do luar iluminava o quarto, parecia que Shura dormia a tempos, mas Akya continuava acordada. Ele estava bem próximo a ela, fazendo-a sentir o perfume que exalava dele. Mexendo devagar, livrou dos braços dele passando a encará-lo. Não agüentando ela roçou seus lábios nos dele, acariciou seu rosto e foi descendo ate o peito, não esperava o que aconteceu depois. Shura inverteu a posição ficando sobre ela.
- Não estava dormindo? — indagou toda sem graça.
- Não...
- É que.. Shura...
Ele a beijou com ardor. Akya ainda tentou manter-se equilibrada, mas deixou se levar. Desde que o vira na sala do trono, sentiu um grande desejo e que agora seria saciado.
Casa de Escorpião
- Estou cansada. — disse Hatshe tirando as sandálias. — nada que uma boa noite de sono não resolva.
- Você vai dormir?
- Vou. — respondeu sem entender.
- Fiquei três anos na secura e você nem vai me recompensar?
- Secura? O que é isso?
- Nada. — disse pensando em algo. — Hat. — ajoelhou na frente dela, ficando na mesma altura.
- Sim?
- Senti muito a sua falta. — aproximou do pescoço dela dando-lhe beijinhos.
- Eu... também... — fechou os olhos.
- Pensei muito em você. — sussurrou no ouvido dela.
- Miro...
- Não acha que deveríamos recuperar o tempo perdido. — dava-lhe selinhos e beijos no pescoço e colo.
- Talvez... — já estava envolvida pelos toques dele.
- Então... — foi descendo até chegar ao ventre dela. — o que acha? — a olhou.
- Sim...
O escorpião deu um enorme sorriso para em seguida beija-la.
Casa de Virgem
- Ainda bem que foram só nós os cavaleiros. Quando Atena resolve convidar mais gente...
- Então Atena costuma dá festinhas. – Isi sorriu.
- Das quais não participo. Estou indo meditar.
- Não demore muito. Estou ansiosa. – disse com voz sensual bem próxima a ele.
- Ta. – disse saindo.
A portadora deu um sorriso. Calmamente foi até seu quarto e mexendo na sua mala tirou um vidrinho.
- Não vai resistir aos encantos de Hathor. É hoje que ele cai no pecado.
Shaka sentou entre as arvores. Tentou, tentou, mas não conseguiu parar de pensar em Isi.
- “Só agora me dei conta, o quanto senti falta dela. – pensou na maneira como ela o olhou hoje e se sentiu quente, principalmente em uma determinada área. – estou até parecendo o Miro.”
Desistiu. Pegou o rosário voltando para a casa. A portadora aproveitando a ausência dele tomou uma ducha rápida e passou o liquido do vidrinho em seu corpo: era um óleo afrodisíaco.
O virginiano passou direto para o banheiro precisava de uma ducha fria para acalmar os “ânimos”. Logo que terminou foi para o quarto.
- Já acabou de meditar?
- Já. – disse fechando a porta.
- Hum... – Isi levantando caminhou ate ele. Shaka mantinha os olhos fechados. – o que ficou fazendo esse tempo sem mim? – aproximou bem dele, colando seu corpo junto ao seu.
- Meditando... – Shaka sentiu um cheiro suave. – apenas meditando... e você?
- Nada em especial... – aproximou mais ainda, percebendo que certa parte dele reagia. – apenas pensando em coisas interessantes. – sussurrou no ouvido dele.
Shaka ainda tentava manter a serenidade, mas estava perdendo, ela estava perto demais.
- Isi...
- O que foi? – roçou seus lábios nos dele. Uma das mãos acariciava o tórax dele. – hein...
- É você... – os pensamentos estavam misturados. – esse seu perfume...
- Gostou dele... ? É especialmente para você.
- Gostei... – o virginiano já não pensava. – muito...
- Que bom. – ela intensificou as caricias.
Shaka a pegou pela cintura beijando-a com volúpia, há muito tempo queria aquilo e parecia que a vontade transbordava. Com ardência, luxuria a arrastou para a cama e com total desejo arrancou as roupas dela. Nem parecia o homem mais próximo de deus e sim um homem sedento por prazer. Isi sentia as mesmas coisas e da mesma maneira arrancou as roupas dele. Num misto de devassidade, Shaka a penetrou. Isi sentiu um enorme prazer. Ele ainda não estava satisfeito, queria mais, começando um ritmo acelerado. Depois de um tempo se amando deitaram exaustos um do lado do outro.
Fim da parte 1
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