As Sete Jóias de Uaset

28 Capítulo 28: Reencontro parte II


Casa de Câncer

- O jantar estava ótimo. — disse Nefertari tirando as pulseiras, colocando-as na mesinha da sala.

Estranhou que MM não fez comentário.

- O que foi Giovanni? — virou-se para ele.

Mask estava encostado numa pilastra de braços cruzados. Fitava-a intensamente com um forte desejo. Os mesmos olhos, pensou a portadora, os mesmos daquele dia. Ele a olhava como se quisesse devorá-la, como se enxergasse por debaixo do vestido e a visse completamente nua. O canceriano abandonando sua posição, caminhou até ela, segurou seus braços de forma firme, mas sem machucar e a arrastou até uma pilastra. Ao invés de sentir medo, Tari sentiu-se bem.

- Esperei tempo demais por isso.

Disse, antes de beijá-la com volúpia. Sentindo o desejo aumentado e sem qualquer cerimônia, MM levantou o vestido dela e a penetrou ali mesmo. Ficou algum tempo dentro dela saindo lentamente. Tari estava bambinha. A carregando nos braços a levou para a cama.

- Vamos terminar o que começamos naquele dia. — disse no ouvido dela.

Ela apenas assentiu, desde aquele dia ansiava por isso.

Casa de Gêmeos

Saga deixou o corpo cair de forma pesada na cama, passando a fitar o teto.

Kanon que chegara logo após passou no quarto do irmão para da-lo boa noite, bateu na porta três vezes, mas não houve resposta.

- Saga você está morto? — brincou abrindo a porta.

- O que foi?

- Estou esgoelando aqui na porta e não me responde.

- Não escutei.

Kanon o olhou e pelo jeito dele sabia no que estava pensando.

- Ishitar vai encontrar uma maneira de vir para cá.

- Tomara.

- Pena que o meu golpe só manda para o triangulo das bermudas.

Saga o olhou.

- Vi você tentando todas as noites abrir uma fenda com o outra dimensão.

- Não estava dormindo?

- Não.

- Desculpe por acordá-lo.

- Tudo bem. Ela virá Saga. Boa noite.

- Boa noite.

Saga fitou o céu estrelado.

- Eu sei...

Casa de Áries

Mu dava mais uma olhada nas armaduras que consertaria amanha. Na sala Kiki há muito dormia no colo de Ank. A TV estava ligada, mas a portadora não prestava atenção. Seus pensamentos estavam em Mu ou para ser mais exata no que aconteceria de agora em diante. Sabia que vivendo na mesma casa, automaticamente, tinha obrigações com ele, como sua mãe lhe dizia, mas estava temerosa. Não tinha a menor idéia de como se fazia, nem como tinha que agir. Tentou lembrar das historias de Isi, mas nem mesmo assim o medo se afastou. Estava receosa de fazer algo errado e não agrada-lo. Cortando seus pensamentos Mu aproximou.

- Kiki a cada dia está mais folgado.

- Criança. — disse sem encará-lo.

- Vou colocá-lo na cama.

- Tá.

- O quarto está pronto.

- Sim... — estremeceu, achando que ele falara com segundas intenções, mas disse por que o tinha arrumado. — já vou. — saiu.

Ank parou na porta, o quarto dele era lindo e em tons claros. Temendo que ele aparecesse, trocou de roupa rápido e deitou.

- Ele dorme como uma pedra. — disse entrando.

- Sim. — encolheu.

Mu a olhou estranhando seu jeito de olhar e seus gestos.

- Alguma coisa errada Ank?

- Não nada. Boa noite hedj. — sorriu.

- Boa noite.

Ela virou de lado. O ariano tirou a camisa e apagou a luz. Deitando, a abraçou num gesto carinhoso, sentiu Ank encolher todinha. Estranhou, mas não disse nada. Continuou abraçado a ela até que dormiu.

Os dias foram passando e os dourados nem precisavam dizer, treinavam a todo vapor. Com Mu era diferente. Estava preocupado com o comportamento de Ank, durante dia ela era muito carinhosa, mas quando chegava a noite qualquer toque dele a fazia tremer.

Os dois preparavam para dormir, Ank deitou no canto e Mu foi para abraçá-la como fazia todas as noites. Ela encolheu. Mu não se achava no direito de ler a mente dela, entretanto sabia que ela não contaria nada. Não tendo opção o fez.

- \"Ank..?\" pensou surpreso ao constatar o que era. — Ank.

Ela não respondeu.

- Ank eu sei que não está dormindo.

Ela virou, mas não o olhou.

- O que está acontecendo?

- Nada hedj...

- Como nada. Você está estranha. Me fala.

- É que...

- Fala.

- Estamos morando na mesma casa.

- Sim.

- E é natural que queira... fazer coisas que os casais fazem...

- E? — não deixou de sorrir.

- Tenho medo, mas não quero que fique chateado comigo então...

Mu a acariciou.

- Ank olhe para mim.

Ela o olhou, o mesmo olhar ingênuo daquele dia.

- Não quero que se sinta na obrigação de fazer algo comigo se não quiser.

- Mas você é...

- Não sou nada. Eu não mando em você. Não vou te forçar a nada.

- Mas... não vai gostar mais de mim...

- Isso nunca vai acontecer. Não se sinta obrigada. Só faremos quando você quiser.

- Então não se importa? — sorriu.

- Claro que não. — beijou-lhe a testa. — só quando você quiser.

- Tá.

- Vem vamos dormir. Amanha teremos um dia cheio.

- Sim.

Desta vez ela aconchegou nos braços dele sem problema. Mu afaga seus cabelos até que notou que ela dormira.

- \" Meu tesouro.\"

Na manha seguinte assim que Mu saiu para o treino, Ank foi correndo até a sexta casa.

- Bom dia Ank! – exclamou todo sorridente.

- Bom dia Shaka. — ficou surpresa pela empolgação do comprimento. — a Isi já acordou?

- Está na cozinha. Fique a vontade. — disse saindo.

Ank o olhou sem entender. Em Uaset, Shaka sempre ficara de olhos fechados, era sério, de poucas palavras e raro vê-lo sorrir, mas ultimamente andava de olhos abertos, sorrisos e sorrisos e uma animação jamais vista. Mal sabia que a razão estava na cozinha tomando café.

- Oi Isi.

- Bom dia Ank. Já tomou café?

- Já.

- Toma de novo. Senta.

- Shaka está com uma cara tão alegre.

- O humor dele melhorou. — sorriu lembrando da noite anterior. — e o Mu como está?

- Bem, já foi treinar. Ah Isi...

- Diga.

- É que... preciso de sua ajuda.

- O que foi?

- Bom..- não sabia por onde começar. — você e o Shaka... já...

- Já o que?

- Você sabe, foi a portadora de Hathor.

- Ah... já sim e?

- É que...

- Fala logo Ank!

- Eu ainda não tive coragem de fazer nada com o Mu. — disse rápido.

A fitou processando a informação.

- Nada?

- Não...

- Nada mesmo?

- Não.

- Por quê?

- Não tive coragem. — abaixou o rosto o maximo que podia. — eu tenho vergonha, não sei como se faz e tenho medo.

- Hum... — imaginou que fosse isso. Delas todas Ank era a mais santa. — é... ate a Tari já.

- A Nefertari? — indagou surpresa. — até ela?

- Sim. Bem vejamos. — ela levantou. — vamos analisar os fatos. O que você sente quando está perto dele?

- Me sinto muito bem. Eu gosto muito dele.

- Não é disso que estou falando. Quero saber como seu corpo reage?

- Meu cor-po?

- É Ankhesenamon.

- Bom... eu fico nervosa, minhas mãos suam, sinto um frio na barriga e toda vez que ele me toca fico quente.

- Hum... – deu um sorriso, era isso que queria ouvir. – quente onde?

- O corpo todo.

- Entre as pernas. – foi direta.

- É...

- Escuta, hoje nós vamos naquelas lojas verticais, vi na TV uma mulher usando umas roupas debaixo muito lindas. Vamos comprar uma para você e vai usá-la hoje. Aí fará o seguinte: — Isi disse no ouvido dela.

- Tem certeza?

- Sou a portadora de Hathor. – disse séria.

- Então ta.

Na parte da tarde como combinado, os dourados e suas portadoras foram ao shopping. Nem precisa dizer as reações delas ao verem a cidade e o local. Andavam pelos corredores maravilhadas.

- Isso é enorme. – Ank olhava para o teto.

- E muito lindo. – completou Hatshe.

- É uma construção suntuosa. – disse Tari.

Elas seguiam na frente, enquanto os dourados atrás. Vestidas com suas roupas egípcias chamavam a atenção principalmente dos homens.

- Eu mato aquele cara. – disse Miro sendo segurado por Aiolos.

- Você não era assim? – disse Afrodite.

- Não mexia com mulher dos outros.

- Ah não... – ironizou o taurino. – nunca fez isso.

Shaka não tirava os olhos de Isi, num dado momento um homem passou assobiando para ela. Os outros dourados mais a frente, pararam ao sentir um cosmo elevando.

- É o Shaka, não é? – Kanon nem quis olhar para trás, prevendo que o shopping ia abaixo.

- É. – Miro encolheu. – que Atena nos ajude.

Os outros viraram. Ele estava com os olhos abertos, o rosto contrariado.

- Calma Shaka. – disse Saga. – esse tipo de sentimentos não te pertence. – brincou.

- É. – a expressão suavizou. – mas depois de conhecê-la...

- Meninas olhem! — gritou Ank para as demais apontando para o final de um corredor.

- Ao escândalo Ank. — disse Akya.

- É uma exposição do Egito. — disse toda empolgada.

- Exposição? Podemos ir? — Tari virou para Giovanni.

- Vai.

As seis separaram de seus dourados correndo pelo corredor a fora. Na entrada ficaram encantadas com a estatua em tamanho natural de Anúbis. Entraram observando cada detalhe, fazendo comentários. Os sete as observavam.

- Mesmo que não falem elas sentem falta de Uaset. — disse Shura.

- Sim.

Saga tinha o pensamento em Ishitar.

- Nefertite olhe, o busto da princesa. — disse Isi.

As seis correram para lá.

- Nossa ela era linda!

- Boa tarde senhoritas. Eu sou a guia da exposição, qualquer duvida podem perguntar a mim. Meu nome é Helena.

- Oi, eu sou Ankhesenamon. Elas são Akya, Isitnefert, Nefertari, Hatshepsut e Nefertite.

- Seus nomes... todos de princesas egípcias e Akya de princesa Núbia. São irmãs?

- Não.

- Coincidência todas terem nomes assim.

- É... — sorriu Ank.

- Gostam mesmo do Egito, até suas roupas...

- É por que são nossos ancestrais. — disse Akya.

- Vocês são do Cairo?

- Não Uaset.

- Nossa até sabem o nome de Thebas em egípcio antigo.

- Sabemos de muitas coisas. — completou Hatshe.

Isi que não estava, há muito tempo, ao lado delas, parou diante de um busto.

- Gostou do busto? — perguntou a guia.

- Sim, ele...

- Ainda não conseguimos identifica-lo, está numa linguagem estranha.

- É a Ishitar.

Ao escutarem o nome, as portadoras e Saga aproximaram de Isi.

- O que foi Isi?

- Veja Hatshe.

Ficaram surpresas ao fitar o busto.

- Mas...

- É o rosto da Ishitar.

O busto estava em cerâmica vermelha, não estava pintando e apesar dos anos estava bem conservado. Era nítido a semelhança do rosto com o de Ishitar.

- Achamos- o perto das ruínas de uma cidade chamada Mênfis ou Mennofer, mas não conseguimos identificar.

- O que tem a Ishitar? — Saga aproximou, ao ver o busto o olhou perplexo. — Ishitar...

A guia os fitava sem entender, essas pessoas eram estranhas.

- Será que consegue ler Hatshe?

- Deixe me ver.

A portadora examinou os hieroglíficos na base do busto.

- Está em... essa linguagem é sith.

- Sith?!

- Sith? — indagou a guia. — aquele povo que foi separado de Thebas?

- Sim. Está muito apagado e falta letras... a única coisa que dá para ler é...

- O que?

- Nada. — Tari a puxou. — Hatshe pare de brincar que sabe egípcio. Está incomodando a moça. Já vamos.

Nefertari praticamente enxotou todos da exposição.

- O que deu em você santinha?

- Não perceberam nada?

Os doze balançaram a cabeça.

- Nossos nomes, o lugar de onde viemos, Hatshe saber uma língua que ninguém mais sabe. Lógico que ela ia desconfiar e nos encher de perguntas.

- Não tinha pensado nisso. — disse Hatshe.

- Não podemos nos expor.

- O que leu? — indagou Tite.

- Não tinha o nome da Ishitar, mas... estava escrito Khairi.

- Khairi?

- A mulher de Haru?!

- Ao que parece, não dá para ter certeza, mas a que tudo indica...

- Repararam que o busto apesar de sem cor, os olhos eram mais claros? — disse Mu.

- Olhos de sith.

- Ishitar é muito parecida com ela. — disse Saga. — só pode ser Khairi. Ela ia ficar surpresa ao ver o busto... se tivesse aqui... — o geminiano deu um suspiro se afastando deles.

- Saga... — murmurou Ank. — ele sente falta dela.

- A Ishitar está demorando.

- Ela vai vir, eu tenho certeza.

Foram para a praça de alimentação, em seguida...

- Shaka me da dinheiro?

- Para que? – estranhou o pedido da portadora.

- Preciso comprar algumas coisas.

- Estou acima disso, não preciso de dinheiro.

Ank aproximando do ariano fez o mesmo.

- Ank eu não tenho.

- Ah...

- Nem precisa olhar para mim. – disse MM a Tari.

- Toma. – Dohko entregou um cartão a Tite. – é cartão de credito. Pode comprar.

- Obrigado.

- Vamos logo. – as seis saíram em disparada sobre os olhares atônicos dos outros.

- Você tem cartão de credito? – indagou Shura.

- Tenho.

- Mas como? – foi a vez de Aioria. – nós não temos.

- Atena me deu um. – sorriu. – com limite é claro, imagina se ela me daria sem limites. Nunca!

- Por que ela te deu e não a nós? – Afrodite estava inconformado.

- Por que sou o mais responsável.

MM começou a rir.

- Qual a graça?

- Deu um cartão de credito para elas.

- E o que tem? Elas nem sabe o que é. Nem tem noção.

- Por isso mesmo. Não tem a mínima noção do que é caro do que é barato.

Dohko gelou.

- São mulheres. Vão gastar horrores, quanto mais que vão ver coisas diferentes.

- Se ferrou! – exclamou Kanon. – vai passar do limite.

- Meus Zeus, cadê elas?!

- Já era. – Miro sentou num banco. – só voltam a noite, pode sentar e esperar.

Isi seguia a frente do grupo, procurava a loja que vira na TV.

- É aqui.

- Nossa que coisas lindas. – disse Hatshe.

- Vamos às compras.

- Boa tarde em que posso ajudá-las? – disse a vendedora.

- Queremos essas roupas, para todas.

- Vou mostrar, me acompanhem.

Paraíso, ainda mais para elas que nunca tinham visto os conjuntos de calçinha e soutien. Hatshe comprou um conjunto de rendinha verde claro. Akya na cor amarela. Tite comprou um rosa. Tari na cor azul. Isi estava indecisa e Ank só olhava.

- Ah depois decido. – disse Hathor. – o motivo é para escolhermos algo para a Ank. Moça o que tem de sensual?

- Isso. – mostrou um conjunto com cinta liga com direito a luvinha na cores preto e vinho todo rendado.

- Isso é perfeito! – exclamou Isi.

- Mas Isi... eu não tenho coragem de usar... aquele é melhor. – apontou para um conjunto simples na cor bege.

- Vai ser um desse. Até vou comprar um para mim.

- Isitnefert, está abusando. – disse Akya. – já comprou muita coisa.

- Shaka é exigente e faço tudo para agradá-lo. Ela vai levar esse, e eu esse vermelho mais aqueles outros. – ela tinha comprado cinco e sem olhar o preço.

- Vai ser no dinheiro ou cartão.

- Nisso. – entrou.

- Só um momento.

Compraram, pagaram e voltaram felizes para seus dourados.

- Ué foram até rápidas. – disse Miro.

- E não gastaram muito. – MM estranhou Tari apenas com uma sacola.

- Não podíamos abusar. Obrigada Dohko. Tem esse papel também.

- De nada Isi. – sorriu, afinal eram poucas sacolas, uma para cada uma. – as ordens. – olhou o papel empalidecendo. – vocês gastaram isso?

- Por quê? Foi muito?

- Não, não.

- Deixa eu ver. – Dite pegou o papel. – nossa, nem eu.

- Quanto foi? – Deba pegou o papel. – minha nossa! 1490 euros! E o limite era de 1500! (n/a: 1 real equivale a +- 2,50 euros)

- Tudo isso?

- É muito? – indagou Tari preocupada.

- Não santinha. – MM olhou para Dohko sorrindo. – é pouco, não se preocupe Dohko tem muito dinheiro. Vamos embora.

Dohko precisou ser amparado, afinal o cartão era de Atena e quando o extrato chegasse constaria uma compra de 1450 euros em roupas intimas. Como iria explicar isso?

À noite jantaram no décimo terceiro templo, depois cada um seguiu para sua residência.

- Gostou do passeio Ank?

- Adorei! A cidade é linda.

- Vou tomar um banho e dormir. — espreguiçou. — não demoro. — deu-lhe um beijo na fronte.

Ank foi para o quarto, sentada na cama olhava o conjunto que Isi tinha comprado. Deu um longo suspiro.

- \"Isso não combina comigo... mas o Mu... ele tem sido tão gentil.\" — colocou-o na sacola e foi para a sala.

Assim que viu que o ariano tinha saído do banheiro correu para ele.

Mu arrumou a cama e deitou. Passaram alguns minutos e nada dela. Achou estranho essa demora e estava prestes a ir atrás, quando ela surgiu na porta usando uma camisola.

Ank ficou parada olhando para o ariano, em seguida caminhou até ele lentamente. A portadora subiu na cama e o beijou deixando-o intrigado.

- Ank?

Ela retirou a camisola revelando o conjunto, Mu a olhou surpreso.

- Gostou?

Balançou a cabeça afirmando. Ela sorriu e foi para beijá-lo novamente.

- Espere Ank.

- O que foi? Não gostou da roupa?

- Não é isso. É que... esta fazendo isso só para me agradar não é?

- É... — abaixou o rosto. — como descobriu?

- Você não consegue mentir. — sorriu.

- É que só queria te deixar feliz, assim como o Shaka está.

- Já te disse, não precisa se preocupar com isso, vai ser quando você quiser.

- Não vai ficar chateado?

- Não. Foi idéia da Isi.

- Foi. Então posso tirar? Estou com calor e isso me incomoda.

- Pode. — sorriu.

Num piscar de olhos a portadora tirou a cinta liga voltando com um baby dool rosa.

- Isso é muito melhor.

Mu não disse nada apenas a observava. Ank era linda com a cinta ou baby dool.

- Obrigada. — passou a mão pela pintinha dele.

Desta vez sem \"2ª intenções\" Ank o beijou. Mu a trouxe mais para si envolvendo sua cintura. Queria que as coisas acontecessem logo, mas respeitaria a decisão dela. Tudo que não queria era deixá-la triste.

O beijo foi ficando mais intenso, sem perceber seus atos, Mu a deitou na cama dando beijos no seu pescoço e colo. Ank não entendia, mas se sentia muito bem e não queria que ele parasse. O ariano voltou a beija-lhe a boca com mais volúpia o que foi correspondido.

- Ank quer parar? — sussurrou no ouvido dela.

- Não... também quero...

Ele intensificou o beijo. Para não assusta-la, foi extremamente carinhoso e delicado. No determinado momento a penetrou bem suave para que não sentisse dor.

No dia seguinte...

Os primeiros raios de sol fizeram a portadora despertar. Percebeu que estava envolvida nos braços do ariano dando um sorriso. Virou para ele contemplando seu rosto sereno. Mu despertou logo após. Ficaram por um tempo se olhando.

- Bom dia hedj.

- Bom dia. Dormiu bem?

- Muito. — sorriu. — não pensei que fosse tão bom.

Ele sorriu.

- Se soubesse já tinha feito logo.

- Tudo há seu tempo. — acariciou o rosto dela.

E com isso completou seis meses que elas estavam no santuário. E as diferenças logo apareceram.

Kamus estava cansado de xingar Tite por causa da desorganização. A cada dia ele achava um livro, copo, etc em lugares diferentes. Tite por sua vez não agüentava o vento frio da casa.

- Meu livro... — suspirou ao vê-lo jogado atrás do armário. — Nefertite!

- O que?

- Por não o guardou?

- Esqueci. Bem que podia elevar a temperatura. Está muito frio.

- Está normal.

- Kamus.

- Vai guardar o livro.

Akya sofria nas mãos de Shura, ele era bagunceiro e não colocava nada no lugar.

- Shura!!

- Sim? — aproximou devagar.

- Eu acabei de limpar a sala e deixou esse copo na mesa.

- Ah é.. me desculpe. Prometo que não faço mais.

- Está me prometendo há seis meses...dai-me força Ré.

Crises de ciúme podia se ver todos os dias na casa de escorpião, tanto na parte de Miro quanto de Hatshe, principalmente ela que já quebrara cinco telefones devido as ligações femininas.

- Quem é a sirigaita?! — jogou uma almofada.

- Nunca vi. — desviou.

- Como não?! Ela disse que te conheceu semana passada!

- Mas eu nem saí! — desviou de outra. — calma Hat.

- Sem vergonha!

Já Shaka não conseguia mais meditar, desde que Isi descobriu o rádio, era musica o dia inteiro e na maior altura.

- Por Buda. — desfez a posição. A musica estava altíssima. — preciso dá uma basta.

Foi para a sala, Isi dançava.

- Isitnefert, estou querendo meditar.

- Você medita demais. — o puxou. — vem dançar.

- E você dança demais. — se soltou.

- Tem coisa melhor? Shaka está parecendo um velho ranzinza, precisa aproveitar melhor a vida. Alias vai ter uma festa na cidade, nós vamos.

- Não.

- Vamos.

Outro casal era MM e Tari. As paredes brancas o incomodava, as pretas do quarto a incomodava.

- Não pinto não!

- Preto é uma cor horrível! Não é cor de quarto.

- E branco, tudo tão clarinho... horrível também.

- Estamos num local sagrado.

- E por que tem que ser branco? O quarto vai ficar preto!

- Não vai!

Os únicos que viviam tranquilamente era Ank e Mu. Eles se davam muito bem.

Mais um dia, do telhado de casa, Saga contemplava o santuário. Havia completado 3 anos e meio sem noticias de Ishitar. Desde a volta das outras, a esperança de reencontrá-la voltara com intensidade. Sentia falta do seu temperamento explosivo e do seu humor instável.

Kanon procurava o irmão, Atena estava chamando e não fazia idéia de onde ele estava. Saiu para fora do seu templo e olhando para cima viu algo.

- O que é um pontinho azul no telhado? Hum...SAGA!! — berrou.

- O que foi?

- ATENA ESTÁ CHAMANDO!!

- Por que está gritando?

- A TOA!! Anda logo, todo mundo já subiu.

Estavam todos reunidos no salão, aguardando a deusa.

- O que será que houve? — indagou Shaka.

- Você se preocupa demais. — Isi o abraçou.

- Não deve ser nada. — sorriu Tite com as mãos no bolso. — não é Kamus?

O aquariano não disse nada.

- Não é Kamus? — o cutucou.

- É. — respondeu frio.

- Desculpem a demora.

- Aconteceu alguma coisa Atena?

- Não. É que...

- Voltei. — disse Ishitar parando ao lado dela.

- Queria fazer surpresa. — a deusa sentou desapontada. — é igual ao irmão.

- Sou um pouco impaciente.

- Ishitar!! — as portadoras correram até ela.

Saga olhava incrédulo, aquela na sua frente era Ishitar?

- Oi meninas.

- Sentimos sua falta. — Hat a abraçou.

- Como estão todos?

- Bem Tite. Mandaram abraços.

- E a cidade? Estão todos bem mesmo?

- Sim Tari. Uaset e Menefer uniram-se, são uma cidade só.

- Que bom. — sorriu Isi.

- Ishitar?

Ela ergueu o rosto, fitando a frente.

- Oi Saga.

O geminiano nem se importou onde estava foi até ela e a beijou com volúpia.

- Senti sua falta. — disse no ouvido dele.

- E eu a sua. — a abraçou bem forte.

- Como passou pelo portão? — indagou Akya.

- Toth.

- Toth?!

- Osíris pediu a ele que abrisse o portão para mim.

- E como ele está? — indagou Atena.

- Bem. Mandou isso para você. — entregou-lhe uma carta.

- Obrigada.

- A Asmara?

- Não desgruda dele. Está tudo bem no palácio.

- Deve está cansada. — disse Atena. – Saga leve-a.

Dispersaram. De posse da carta, Atena dirigiu-se para uma varanda. Sentou num banco de mármore.

- \"Querida Atena, é com enorme saudade que lhe dirijo essas palavras... — a cada linha que lia derramava grossas lagrimas. — ... despeço-me com a certeza que nos reencontraremos em breve. Do seu sempre seu Osíris.\" Tenho certeza disso.

Sorriu apertando a carta contra o peito.

- Depois vai lá conhecer minha casa.

- Sim Ank.

- Bom, vou indo também. — disse Kanon. — vou ver os DVD\'s do Deba.

- Claro. — confirmou o taurino.

Saíram deixando — os a sós. A portadora deu uma volta pela sala sobre o olhar atento de Saga.

- Sua casa é muito linda.

- Vem conhecer o resto. — pegou na mão dela.

Mostrou todos os cômodos, faltando apenas o quarto dele. Ishitar assim que o viu o achou lindo. Era em tons azul e verdes claros.

- Combina com você. — aproximou dele.

- Que bom que gostou. — a abraçou.

- Pensei em você durante esse tempo. Às vezes achava que não fosse voltar a vê-lo.

- Estamos juntos agora. É o que importa. — acariciava o rosto dela.

Ela sorriu. Saga a beijou com ardência, Ishitar o trouxe para si. Sentira falta do toque dele, do beijo dele. O geminiano a conduziu ate a cama deitando sobre ela.

- Saga...

- Sim...

- Eu te amo.

Ele a olhou imediatamente, ela nunca falou isso.

- O que disse?

- Que te amo. — sorriu. – você é muito importante para mim.

Sorriu, não precisava ouvir mais nada.

E com isso passaram-se mais três anos.

Shion corria de um lado para outro desesperado. Antes, o mestre seguia a frente dos 88 cavaleiros, agora era babá de 16 crianças nas horas vagas.

- Menino desce daí! Ei você, não faça isso! Zeus, no que esse santuário se transformou... — suspirou. — parem! — gritou.

As 16 crianças pararam na hora. Olharam para Shion logo começando a chorar.

- Ai meu Zeus...

- O que foi Shion? Por que elas estão chorando?

- Tia Tena, o tio Shio gritou com agente.

- Eu não agüento Atena. — murmurou o grande mestre.

- Pode ir eu tomo conta delas. E vocês brinquem sem fazer bagunça.

O santuário transformou-se em outro depois do nascimento dos filhos de alguns dourados, todos com quase a mesma idade.

Isitnefert e Shaka tiveram três filhos: Ramsés, o mais velho, contava com 3 anos, tinha os cabelos acastanhados e olhos azuis. Pitah, o do meio, tinha 2 anos o cabelo preto e olhos verdes. Hathor, mais nova, 1 ano, tinha os cabelos claros como o pai e anelados como a mãe tendo olhos azuis.

Kamus e Nefertite tinham dois. Com três e dois anos respectivamente. Ashanti tinha os cabelos azuis e olhos verdes. Henry cabelos negros e olhos verdes.

Shura e Akya também tinham dois. Maya, com dois anos, olhos roxos e cabelos negros anelados. E Isabel, com 1 ano, cabelos também negros anelados e olhos da mesma cor.

Miro e Hatshe apesar do fogo todo, tiveram apenas dois. Nikos e Pako. Tinham 1 e três anos, ambos com cabelos e olhos azuis.

Giovanni e Nefertari. Tiveram um casal. Giovanna, a caçula de dois anos cabelos e olhos azuis e Akhenaton, de um ano, semelhante à mãe.

Já Ankhesenamon e Mu tiveram três. Puxando o pai, todos tinham as pintinhas lemurianas. Ank, a mais nova com 1 ano, tinha o cabelo do pai e os olhos da mãe. Hórus, do meio, com 2 anos, tinha o cabelo preto e olhos verdes e Lya, a mais velha com 3 anos, havia herdado todos os traços do pai: cabelo lilás e olhos verdes.

Para completar Saga e Ishitar tiveram um casal, Huni e Akin. Huni, a mais velha com 2 anos, tinha o cabelo azul e olhos num profundo âmbar, já Akin, o caçula com 1 ano, puxara a mãe por completo.

Atena da porta contemplava-as brincar.

- Esse santuário se transformou numa creche.

Ficou estática, aquela voz...

- Oi Atena.

- Akhenaton?! — exclamou.

- Surpresa?

Com lagrimas nos olhos, o abraçou bem forte.

- Ton... Ton...

- Senti saudades.

- Eu também.

- Oi Atena.

A deusa olhou para a garota que estava atrás dele. Era alta, cabelos negros e olhos âmbar.

- Asmara?

- Sim. — a abraçou.

- Como você cresceu. Está linda.

- Obrigada.

- Como...?

- Toth transferiu temporariamente os poderes para Asmara. Ela é minha guerreira agora, encarregada de cuidar das outras.

- Posso abrir o portão do céu a qualquer hora.

- Estou tão feliz por vê-los.

- E eu surpreso pela creche. Quantos cavaleiros, quantas portadoras. Cadê os pais irresponsáveis?

- No Coliseu.

- Não tem nem como negar que aqueles três são filhos do Mu. — disse Asmara. — é só olhar para a testa. Posso ir até lá?

- Claro. Só descer as escadas a direita.

- Vou lá. — dava meia volta. — é melhor leva-los, o que vai acontecer aqui é impróprio para idade. Crianças, vamos ver seus papais?

Todas ficaram entusiasmadas.

- Até logo! — desapareceram por telecinese.

- Não pode.. — Atena iria protestar, mas era tarde.

- Deixa. — Ton a abraçou. — recebeu minha carta?

- Sim. — ela o olhou.

O deus acariciou o rosto dela, beijando-lhe com ardência.

- É uma visita rápida, mas serão muitas. Pelo que vejo todos estão felizes.

- Sim. Espero que chegue logo a nossa vez. — foram para a varanda de onde podiam contemplar todo santuário.

- Vai sim. — a envolveu. — quando nossa presença não for mais necessária, quando a paz não for ameaçada, quando ninguém mais quiser dominar o outro, aí sim poderemos ser felizes para sempre, minha deusa da guerra.

- Que assim seja.

FIM


Notas finais
Mais uma fic chegou ao fim. Com encerramento das aventuras dos dourados em Uaset. Agradeço a todos que leram, ainda mais a quem deixou review. Arigato Gozaimashita!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!