As Sete Despedidas

9 Capítulo nove: O Lago


Notas iniciais
Olá pessoas. Esta estória já está quase concluída. Eu gosto de escrevê-la, para falar a verdade, sem contar que Tom e Luna são um dos casais que eu mais gosto de imaginar. Pois bem, boa leitura.

Uma garota com um pássaro que achou na neve

E então voou para o ninho e é assim que ela sabe

Que Deus fez os olhos delas para chorarem ao nascer

E então deixou o chão para rodar pelo mundo

Pov: Luna Lovegood

A os raios de sol atravessaram a janela logo de manhã e bateram contra o meu rosto, forçando-me a acordar. Na noite anterior, estivera tão cansada que simplesmente joguei-me na cama que Tom me indicara sem sequer me preocupar em fechar as cortinas, ou trocar de roupa, ou desfazer as malas. Esfreguei os olhos e em seguida olhei ao redor. O relógio que repousava sobre o criado-mudo havia parado quando marcava quatro horas, porém, o grande e elegante relógio fixado na parede ainda funcionava, anunciando sete horas. Tom certamente ainda estaria dormindo.

Levantei-me e percorri o quarto, tentando encontrar minha bolsa, que, não sei como, havia ido parar embaixo da cama. Tirei de dentro algumas roupas, meu shampoo, uma toalha e saí, tentando encontrar o banheiro. Percorri um corredor extenso, onde todas as portas se encontravam fechadas. A primeira porta que abri dava para um quarto amplo – tal como o qual eu fora acomodada – com alguns móveis empoeirados, mas organizado de uma forma impecável. A segunda porta era uma biblioteca: Três estantes consideravelmente grandes estavam completamente preenchidas com livros de todos os tipos. Fiquei tentada a entrar e olhar todos um a um, mas não o fiz. Talvez mais tarde pedisse a Tom se poderia me acompanhar. Na terceira, havia outro quarto não muito diferente do primeiro, então não me prendi muito à ela e rumei para a próxima. Abri, então, a quarta porta. As cortinas fechadas deixavam o ambiente totalmente escuro, exceto por uma réstia de luz que escapava da abertura por onde eu observava o que havia ali. O volume nas cobertas indicava que ele dormia ali. Pousei minhas coisas do lado de fora e adentrei, em passos silenciosos, caminhei até a cama.

Ele deitava de costas para a porta, coberto quase que por inteiro. Ajoelhei-me enfrente à ele, apoiando os cotovelos sobre o colchão. Meus dedos percorreram sua face pálida, acariciando-a com cuidado para não acordá-lo. Dormindo, ele era tão bonito quanto acordado, exceto que, naquele momento, sua expressão estava completamente relaxada. Era uma pena tirá-lo dali, despertá-lo dos seus sonhos, então decidi por me retirar. Porém, antes que pudesse me afastar, senti algo envolver meu pulso.

– Ah, bom dia, Tom – disse eu. – Não queria acordar você, desculpe.

– Eu não estava dormindo – disse ele. – Acho que bebi energético demais. Mas o que faz aqui? – Inquiriu ele, sentando-se.

– Onde fica o banheiro?

– Na porta da frente – disse ele. – Você vai tomar banho agora? – Perguntou, como se lesse os meus pensamentos.

– Sim.

– Não tome. Quero te levar à um lugar primeiro.

– Tudo bem.

Onde anteriormente um belo sol raiava, agora nuvens carregadas de chuva haviam se instalado, dando um aspecto melancólico a tudo ao redor. Tom me dissera que sempre foi assim por ali: O sol nunca durava muito tempo. Depois de um rápido café da manhã, ele havia me chamado para dar uma volta pela propriedade, e eu fui, é claro.

– Ninguém mais mora aqui? – Inquiri.

– Não – disse ele. – Depois que o jardineiro e meu tio foram... Bem... Foram presos, ninguém mais veio para cá. Eu vim apenas duas vezes, incluindo esta.

– Nossa – murmurei.

– Às vezes acho que te assusto quando começo a falar sobre mim – ele tirou o casaco e deixou-o cair sobre o gramado. – Mas você não costuma comentar muito sobre você. – Agora ele estava parado atrás de mim. Senti suas mãos pousarem sobre o moletom que eu trajava, e, em seguida, sua voz disse, bem próxima ao meu ouvido. – Posso?

– Para quê? – Inquiri um tanto receosa, virando-me para ele.

– Calma – ele riu. – Lembra que eu te disse que queria te levar a um lugar antes que tomasse banho? Pois bem – apontou para um lago não muito grande, nem muito pequeno, bem à nossa frente, o qual eu não havia percebido até então.

– Ah – murmurei, e, sem aguardar uma resposta concreta, ele puxou a barra do meu casaco. Ergui os braços para ajuda-lo, e então ele o tirou, deixando-me apenas com uma blusa branca, que havia posto por baixo para proteger-me do frio que fazia naquela manhã. Seus olhos fitavam os meus, de um jeito tentador. Nunca me sentira assim antes. Era estranho. – Não está frio? – Inquiri, enquanto ele puxava-me para dentro da água, depois de já ter jogado os tênis junto ao casaco.

– Não – disse ele.

– Mas de manhã normalmente está frio.

– Não está – ele ria, ignorando as minhas manifestações, até que, enfim, conseguiu levar-me para dentro do lago. Um arrepio percorreu meu corpo. A água não estava realmente gelada, estava até agradável. – Viu? Não está tão ruim assim.

Eu ri, soltando meu pulso nas mãos dele e nadando para longe. Ele arqueou a sobrancelha quando virei-me para ele. Ri novamente, e em seguida, submergi, nadando ainda mais para longe. Não demorou muito para que ele me alcançasse, agarrado os meus braços, e puxando-me para perto de si. Tentei resistir, mas ele era mais forte que eu, e logo eu já envolvia o pescoço dele como um abraço, enquanto nadávamos para a superfície. Rimos, sem que eu o libertasse.

– Você é rápido – disse eu.

– Você que é lenta demais – ele riu.

Encaramo-nos novamente, e logo ele ficou sério. Num segundo, seus olhos não concentravam-se mais nos meus, mas sim, em algo um pouco abaixo. Desviei o olhar para o mesmo local, e percebi que o tecido branco e molhado deixava transparecer completamente o sutiã lilás que eu trajava por baixo da camiseta. De surpresa, seus lábios foram de encontro aos meus, e, um pouco espantada, correspondi. Aquele beijo fora diferente dos anteriores. Foi mais intenso, mas “profundo”. Senti algo invadir a minha boca sem aviso prévio, e, completamente desajeitada, tentei corresponder ao toque. Porém, quando uma das suas mãos apertou a minha cintura, já por baixo da blusa, afastei-me assustada.

– Acho que exagerei – disse ele. Seus lábios estavam mais vermelhos que o normal. – Desculpe.

– Não é isso... É que... Bem – não que eu estivesse envergonhada, ou qualquer coisa do tipo, mas eu não conseguia escolher as palavras que iria usar. – Eu nunca...

– Ah! – Disse ele. – Claro, me perdoe.

– Não tem que pedir perdão – sorri.

Tentando concertar o meu próprio erro, uni nossos lábios novamente, ele, porém, separou-se em alguns instantes.

– Aqui não – sussurrou próximo ao meu ouvido, fazendo-me arrepiar.

E então rumamos para a margem, brincando, como antes. Sentei-me sobre a grama, deixando apenas os meus pés dentro da água, enquanto ele pegava o casaco e, em seguida, sentava-se ao meu lado.

– Vai chover – murmurei.

– Então é melhor entrarmos.

Assenti. Ele estendeu a mão, ajudando-me a levantar, e, em seguida, percorremos todo o caminho de volta para dentro de casa.

– Pode usar o chuveiro se quiser – disse ele. – Tem mais de um banheiro na casa. Eu ainda tenho que pegar as minhas coisas.

– Obrigada – disse eu.

Adentrei, então, no cômodo e pousei minhas roupas sobre um pequeno balcão. Encarei meu reflexo no espelho por alguns segundos, alisando meu cabelo molhado, até o som de um trovão ecoar, fazendo-me dar um pulo. Era a desculpa que eu queria para sair correndo dali e jogar-me nos braços dele outra vez.

– Calma – disse ele, enquanto envolvia o meu corpo trêmulo. – É só um trovão.

Eu não costumava realmente ter medo de trovões quando era criança, e isso até surpreendia as poucas pessoas que conviviam comigo. Mas, depois de um tempo, eles começaram a me assustar. O abraço de Tom era reconfortante. Eu gostava de estar ali. Era como um abrigo que me protegia de todos os meu temores, e me mantinha segura. Ele acariciou meu rosto, e, num segundo, já estávamos trocando olhares novamente.

– Não quero ficar sozinha – sussurrei.

– Fique comigo.

Assenti. Ele tomou meus lábios quase que no mesmo instante, como se precisasse desesperadamente deles. Deixei que entrelaçasse uma de suas mãos com os meus cabelos, enquanto a outra envolvia minha cintura e puxava o meu corpo para ainda mais junto do seu. Quando nos separamos, ofegante, tentei encará-lo, mas ele não me deu muito tempo para fazê-lo, pois abaixou o rosto na altura do meu pescoço, e senti sua língua percorrer minha pele, e, em seguida, seus dentes pressionarem a minha clavícula. Apertei suas vestes e deixei que um som baixo escapasse, ainda que abafado.

Ele puxou meus cabelos para trás, fazendo-me erguer a cabeça, e, em seguida, passando os lábios por toda a região que agora estava disponível. Seus beijos foram desde o manúbrio até o queixo, até finalmente encontrarem minha boca outra vez. Suas mãos rumaram para a borda da própria camiseta, forçando-o a se afastar para retirá-la. Corei. Jamais vira um rapaz assim na minha frente, nem mesmo meu pai. Tom era perfeito, em todos os aspectos.

– Você é bonito – murmurei quando ele me sentou sobre a cômoda.

– Sh – sussurrou próximo ao meu ouvido.

Desta vez, foi a minha blusa a ser retirada. Eu me sentia estranha. Pensava no meu pai, e no que ele diria se soubesse de tudo aquilo, de que sua filha estava prestes a deixar a inocência de lado e entregar-se a um rapaz que jamais havia apresentado a alguém. Quis pedir que ele parasse, mas não o fiz. Já estava longe de mais para voltar atrás.

– Você está bem? – Inquiriu ele, tirando-me dos meus devaneios. Só então percebi que não trajava mais o sutiã, e senti meu rosto esquentar. Assenti. – Não faça nada que não queira.

– Não... Não é isso – murmurei. – Eu só tenho medo.

– Não tenha – ele acariciou meu rosto, como fizera anteriormente. – Você pode confiar em mim.

Suspirei e procurei sua mão. Ele ia entrelaçando seus dedos com os meus quando eu o impedi.

– Então – disse eu, levando a mão dele até um dos meus seios. –, põe suas mãos em mim.

Notas finais
Citações da música Boy With A Coin, por Iron and Wine (Essa música é ótima). Espero que tenham gostado. Até o próximo.