Notas iniciais
O último desejo da Inocente Regenerada

Cherry fumava um cigarro há duas quadras da mansão. Ele se perguntava sobre os planos de Carmelita, mas no fundo, sabia o que ela planejava. Ela era uma mulher vingativa e orgulhosa, do mesmo modo que queria a amante de seu amado morto, o queria também. A ideia o fez suspirar. O homem sentia-se encolerizado com o fato de que Carmelita amava o Conde, e não a ele.

Se Cherry tivesse outra amante, isso pouco faria diferença para ela. Ele não era digno de morrer atingido pelo amor doentio de Carmelita. Encostado no carro, ele fumou mais um cigarro. A rua estava silenciosa, vazia, escura. Mas de repente, passos ligeiros se fizeram. Uma silhueta encolhida cortava a ventania gelada. Depois de observar com cuidado, Cherry pode identificar de quem se tratava.

Era Marieta, a bela jovem, que havia sido colocada em seu caminho como um grande golpe de esperteza do destino. A noite era neblinosa, e ela não viu o motorista ali. Cherry abriu a porta do carro com cuidado e de modo silencioso, puxou de baixo do banco do motorista, uma arma.

Cherry quase podia sentir o espectro de Carmelita guiando suas mãos, mirando, querendo atirar. Ele fazia aquilo por ela, sempre por ela. Não havia nada no mundo que ele não faria por aquela mulher. Então, apertou o gatilho, porque era isso que Carmelita queria que ele fizesse. E a garota, jovem e bonita, despencou para frente com um tiro que atingiu-lhe pela culatra.

Marieta, sequer, teve consciência do que lhe atingira. Estava caminhando, depois, estava morrendo. Ela lamentou, quando tomou nota da dor, do sangue, da morte que se aproximava. Queria ter corrido, seu corpo ainda tentava, inutilmente, obedecer aos últimos comandos que o cérebro lhe dera, corra! Porém, era tarde para correr, e para todo o resto.

Ela pensou o quão estava sendo tola. Antes de seu trajeto ser interrompido, ela corria para a mansão de Monffour, porque queria deixa-lo. Marieta sabia que havia se tornado possessiva por aquele homem, e agora, queria larga-lo. Mais cedo, ela enviara uma carta para o convento, e também se arrependera disto. Nada mais podia ser feito. Suas últimas palavras não passaram de um sussurro.

– Devia ter-me casado com o Lorde Compton. — desejou de forma inútil.