As Rosas Do Conde
3 Capítulo 3
Notas iniciais
“ Ave Maria cheia de graça...” rezava eu, pela terceira vez na capela do convento. Era a melhor coisa a se fazer; tentar redimir os pecados. Oh senhor, eu era uma pecadora, suja e medíocre, manchando o convento.
Mas a irmã Doroteia me disse uma vez: Amás ao próximo como a ti mesmo. E não era o que fazia? O amava? Sim, eu o amava demais, eu poderia dividir este amor para cada ser vivo, e ainda sobraria, com certeza eu poderia amar á todos.
Perdida em meus pensamentos, nem conseguira mais rezar. A Madre Maria Guta se aproximou de mim tão quieta, que até me surpreendi com sua presença.
– Madre! Que susto me deste. Porque passos tão silenciosos?
– Creio que estavas tão distraída com sua reza, que nem me notou, irmã Angelina.
– Sim, eu receio.
– O que rezas?
– Ave Maria.
– Promessa? – ela indagou. –
– Não.
– Então porque rezas a esta hora tão tardia?
Madre Maria Guta era bastante esperta, astuta e sensitiva. Se eu mentisse, ela saberia. E eu também não podia, nem deveria mais mentir, minha divida com Deus já estava bem grande.
– Para redimir os pecados. – tentei não olhar-la nos olhos.
– Para tanta concentração, presumo que o pecado há de ter sido grave.
– Nem tanto.
– Pois então, conte-me. – insistiu. – Ajudará a redimir-se.
– Não acho que seja necessário. – senti-me encurralada.
– Deus sabe toda a verdade, não há como mentir para ele.
Eu me levantei enfim.
– Pois é irmã, a senhora está certa, não se pode mentir para Deus. Me desculpe, mas a senhora não é Deus, então acredito que não deva saber de tudo. Com a sua licença. – eu me retirei, antes que ela pudesse contestar ou castigar-me severamente.
Eu me perguntava até quando duraria essa situação: Mentiras, pecados e amor, tudo pelo Conde, valeria mesmo à pena? Estava eu confusa, parada no jardim, não poderia mais manter isso, estava insustentável, a culpa me consumira.
Então eu houvera tomado minha decisão, escrevi-lhe um bilhete:
"Querido Conde Monffour,
Não consigo mais mentir e esconder, eu amo você e amarei para sempre, porém, não quero mais viver com esta culpa. Receio que conheceremos o termino. encontre-me no velho poço, como sempre.
Enviei ao Conde através de uma pobre criança de rua, em troca de centavos. Estava feito, abandonaria o amor.
Ass: Freira Angelina.
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