As Rosas Do Conde
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Eu estava a pentear meus longos cabelos loiros, enquanto pensava no último encontro com o meu amado, em que me entreguei de corpo e alma a ele. Eu provei da perfeição. Não foi vazio, como era com Affonso, meu marido. Senti-me feliz, e felicidade é um sentimento que poucas vezes me toca.
– Mulher!! – Affonso berrou chegando ao quarto.
– Estou aqui marido.
– Para que se enfeitar, Carmelita? – reparou-me acariciar o pó na face.
– Para lhe agradar, é claro, para que mais?
– Não sei, se soubesse, não lhe perguntaria.
– O que fazes em casa a esta hora, deveria estar na delegacia, não?
– Sim, mas o soldado Ferreira ficará de plantão está noite. – sentou-se na cama e tirou suas botas. – Lembra de Catrão, esposo da Duqueza Silvia?
– Claro que lembro, são pessoas adoráveis. – menti, eram pessoas detestáveis.
– Pois pronto, Catrão foi preso, está lá na cadeia. – o delegado falava com sua voz arrastada e sotaque do interior que veio.
– Preso? Mas, por qual motivo?
– Revoltado por que descobriu que era corno, a esposa traíra com o motorista da família, ele pegou um facão e foi atrás do desgraçado, acarretou ele na entrada da cidade e esfaqueou o homem.
– Nossa senhora, pobre homem, não acho necessário tanta brutalidade.
– Necessário? Hora, Catrão tinha de fazer algo para amenizar as rupturas de seu nome manchado.
– É, nisso estas certo. — estremeci.
– Mas Catrão foi muito burro, deveria ter dado um tiro do meio da fuça da Duqueza também.
– E por quê?
– Porque, a traíra foi ela, teria de pagar com sangue.
– A Duqueza já sofrerá o bastante com o amante morto e o marido preso.
– Você por a caso, está defendendo os traidores desgraçados?
– Não, mas vos sabes que vai contra a minha ética, violência.
Levantei-me da penteadeira, estava pronta para ir ao encontro do Conde, desta vez me arriscaria um pouco, iria com o motorista para a igreja e fugiria até a mansão durante a missa, voltaria na primeira badalada.
– Onde pensas que vais?
– Vou à igreja, terá uma grande missa hoje.
– Você não irá, hoje não serás santa, ficará aqui e irá pecar comigo.
Eu já tinha planos de pecar, mas não era com ele.
– Marido, é imprudente de minha parte não ir a essa missa.
– Pois dê seu jeito, diga ao padre que pegou a peste, mas você ficará.
Eu não podia mais insistir, principalmente com Affonso desconfiado com o caso da Duqueza e Catrão. Inferno, eu não queria deitar-me com Affonso, olha-lo já me embrulhava o estomago. Ele era tão repulsivo, e se tornará mais repulsivo, desde que eu conhecera o Conde.
– Vai ficar para como um dois de paus? Venha deitar-se mulher. — me dirigi até a cama com exido.
O delegado desabotoou o meu vestido com pressa. Ele cheirava a cadeia, e mesmo cheirando á rosas não me era atraente, já o conde podia cheirar a morte e me faria delirar.
Não provei felicidade aquela noite, mas eu sabia que haveria uma próxima, pois quem ama é paciente, ás vezes até demais.
Ass: Carmelita
Fale com o autor