As Pérolas Intocáveis de Évora - Livro I

11 Capítulo 10 - Baile de Outono - Parte II


Notas iniciais
♥ Capítulo dedicado à minha primeira leitora e comentarista, Diamond :D "A melhor hora para planejar um livro é enquanto lava-se a louça." [Agatha Christie] ♥

Liana sentiu um amargor ao ver aquela cena. A jovem loira estava praticamente beijando seu amado.

Então ele a viu.

— Liana! Digo... senhorita D’alboquerque — exclamou.

— De onde a conheces, Pedro? — perguntou Demétria, desconfiada.

Pedro? Então ela o chama pelo primeiro nome... devem ser bem conhecidos, pensou Liana.

— Sim, quero dizer, dançamos duas valsas há alguns instantes atrás — respondeu o rapaz olhando sem tirar os olhos da outra.

Liana nada falou. Não sabia o que pensar ou como conversar sem transparecer que estava com ciúmes. Demétria, por sua vez, não podia deixar de exercer seus dotes sarcásticos:

— É mesmo? Pensei que não soubessem dançar, já que vivem longe da civilização. Quero dizer, nunca imaginei que pessoas isoladas saberiam se comportar tão bem publicamente.

Pedro a olhou indignado e abriu a boca para repreendê-la, porém foi interrompido por Liana:

— Pois se enganou, senhorita. Conhecemos muito bem os hábitos sociais e sabemos exercê-los com propriedade mesmo não vivendo na cidade. O que me faz pensar que não perdemos nada morando no campo, já que nem todos aqui gozam da mesma educação, não acha?

Demétria abriu e fechou a boca várias vezes sem conseguir dizer palavra, enquanto Pedro tentava segurar o riso e Liana a encarava. Por fim, respondeu:

— De fato. Penso que minha mãe me procura. Com licença senhorita D’alboquerque. Pedro, me acompanha?

— Hã... desculpe Demétria, mas seria descortês de minha parte deixar uma convidada tão ilustre sozinha, não é? E você conhece bem o salão — respondeu deixando-a ainda mais indignada. Saiu batendo o pé.

— Vejo que não sou a única encantada por ti, neste salão, senhor Lamartine.

— Se falas de Demétria, certamente está equivocada. Somos apenas amigos de infância e o que ela sente por mim nada mais é do que carinho fraterno. Posso lhe garantir que tal sentimento é recíproco.

No fundo algo dizia que isso não era verdade, pelo menos por parte da moça, mas não quis levar o assunto adiante. Pedro a olhava com tanto carinho que não valia a pena perder tempo falando de possíveis rivais.

Ele lhe ofereceu o antebraço e disse:

— Gostaria de um passeio pela varanda, senhorita?

Sorriu e respondeu:

— Adoraria senhor.

~~*~~



— O que lhe consome, Demétria? — Elisa observou sua inquietude quando chegou atrapalhando sua conversa e de Celeste.

— Não é nada, apenas uma leve indisposição.

— Sei — compreendeu quando avistou Pedro passeando com Liana pelo salão.

— Bem, eu estava aqui compartilhando com Celeste a mesma paixão por cavalos, não é mesmo Celeste?

— Sim, um dos meus animais prediletos.

— Obviamente — interferiu Demétria —, já que não há muitas opções morando em uma fazenda, não é mesmo? Deve ser entediante não ter bons entretenimentos.

Celeste sentiu a alfinetada, mas preferiu não dizer nada. Elisa percebeu e interveio:

— Celeste...você me disse que na fazenda há um belo roseiral. Fale mais sobre isso, adoro rosas.

— Sim, é bem vasto e bem cuidado. A sua maior parte são de rosas brancas, pois eram as preferidas de mamãe. Mas não me dou tão bem com plantas como Didila e Cecília — disse alegremente.

— Didila?

— Dona Hilda — explicou. — É nossa governanta e amiga da família há anos. Cuida de nós desde que nascemos e nos educou depois que mamãe se foi.

— Oh, sei que já faz tempo... sinto muito — lamentou Elisa com sinceridade.

— Obrigada.

— Diga-me uma coisa, senhorita D’alboquerque — Demétria tomou a palavra —, como é ser educada por uma criada? Visto que pelas posses do Barão, me intriga saber por que ele as privou de certos privilégios essenciais a boa educação de uma dama, não é verdade? Como esperam arranjar bons casamentos sem os atributos necessários? — Mais uma vez usou de escárnio.

— Demétria! — Elisa a repreendeu, horrorizada.

— Depende a que se refere tais atributos, senhorita Castel — retrucou Celeste. — Se faz menção às aulas de canto, música ou à boa escrita, línguas estrangeiras, bordado, literatura, digo então que minhas irmãs e eu estamos qualificadas para o mercado casamenteiro. Além de possuirmos habilidades em pintura, desenho, botânica e equitação. E mais, a senhora Hilda não é uma mera criada, ela é uma preceptora recomendada nada menos do que pelo Conde Joaquim de Ávila Ferraz, meu avô. Tenho certeza de que a sua tutora foi tão preparada quanto a nossa.

Elisa abriu um enorme sorriso para a nova amiga ignorando a cara de insatisfação de Demétria.

— Eu adoraria trocar cartas com você, Celeste. Creio que nos daremos muito bem. O que me diz? — animou-se.

— Será ótimo, Elisa.

~~*~~

O Duque Gomes de Carvalhal conversava com o Barão a fim de colocar seu plano em prática: casar seu sobrinho e filho com moças D’alboquerque. Elas herdariam uma grande fortuna com a morte do pai. Este era o melhor atrativo para os homens de posição social e que queriam contrair casamentos com as irmãs. Entretanto, o Barão era um homem inflexível quando se tratava de suas filhas. Teria que lhe apontar as vantagens desse negócio para o convencer.

— Pelo que vejo, senhor Barão, amanhã suas filhas receberão visitas e flores de muitos cavalheiros — testou-o.

— Não penses que deixarei qualquer um frequentar a minha casa. Esse bando de caça-dotes não cortejarão minhas filhas.

— Ora homem, não generalize. Há nobres cavalheiros nesse bando. Veja o Marquês, homem de alto título. Temos também meu sobrinho, Raul, e até mesmo meu filho. São ótimos candidatos, não acha?

O velho Barão olhou-o com olhos entrecerrados.

— Diga logo, Luís Coutinho, não faça rodeios.

— Apenas quero alertá-lo de possíveis desgostos futuros — E apontou para o canto do salão onde três de suas filhas conversavam com os rapazes Lamartine. — Acredito que o senhor não queira unir laços com o inimigo.

— Eu sei tudo o que acontece ao meu redor, senhor Duque. As pretensões desta noite ficarão apenas nesta noite, ao menos aquelas que divergem com as minhas. Elas podem viver suas ilusões hoje, mas cairão na realidade amanhã — disse com um sorriso frio.

— O que queres dizer? — interessou-se o outro.

— Que em breve elas saberão o que o destino lhes prepara. Ninguém me desafia e sai impune, sobretudo elas. A propósito, gostei de seu sobrinho.

— Ele é um bom rapaz. Inteligente e tem ambição na vida, além de ótima influência, isso é o que importa. Quanto a Álvaro, o que posso dizer? Ele herdará o que é meu, isso é suficiente. Se quisermos comandar essa sociedade, temos que fazer boas alianças e mantê-las.

O Barão fez um gesto em concordância. Os vínculos poderosos eram o que regiam a sociedade e esse era o momento de estabelecer consórcios. O país estava passando por mudanças e isso definiria suas bases econômicas e sociais. Precisava defender seus interesses.

Esperaria até o dia seguinte quando as ofertas de casamento chegariam à sua porta. E pelos seus cálculos, fecharia pelo menos quatro acordos vantajosos.

~~*~~

— Você não faz nada direito, Álvaro! Eu disse pra você manter aquela caipira longe do Pedro — reclamou Demétria, nervosa.

— Shh! Podem nos ouvir. Além do mais, eu não podia ficar a noite toda com a moça, as pessoas começariam a cogitar coisas. Já basta o meu pai que está contribuindo bastante para isso.

— Ótimo... — os olhos dela brilharam como se ouvisse a melhor notícia do século. — Seu pai tem aspirações a seu respeito com a caipira? Bom saber, senhor Carvalhal — provocou-o.

— Não me chames assim, e sabes que tenho olhos somente para ti — disse ele pegando em sua mão, mas ela a retirou com rispidez.

— Não se atreva. Nunca me casarei contigo. Em breve estarei prometida a Pedro e serei a senhora Lamartine. Agora vá e faça sala ao Barão, tente mostrar a ele alguma habilidade e demonstre interesse pela caipira — ordenou.

Álvaro se enfureceu, segurou-a pelo braço e disse bem de perto:

— Ainda engolirá suas palavras, Demétria, e virá correndo para mim. Pode escrever.

Ela se soltou do aperto e fuzilou-o com olhar:

— Nem que você fosse minha última esperança eu o aceitaria.

— Aonde vais?

— Aproveitar as oportunidades e pôr as coisas em seu devido lugar, já que você é um imprestável.

~~*~~

A noite já entrara bastante. O Barão chegou à borda do salão e olhou para Adelaide que conversava com uma das senhoras sentadas. Foi rapidamente ter com ele.

— Sim, meu pai.

— Prepare suas irmãs, estamos de partida.

—Sim, senhor — respondeu e saiu ao encontro das irmãs.

Cecília estava conversando com algumas damas de companhia e moças que ficavam sem par toda a noite. Ela também não dançara com ninguém. Celeste ainda estava em uma conversa muito animada com Elisa e mais algumas jovens. Adelaide avistou Emília e Joana em outro grupo e fez sinal para elas. Beatrice a viu e quase saiu correndo ao seu encontro.

— Graças a Deus vieste me resgatar, Adelaide, eu já não aguentava mais esse senhor Casagrande falando aos meus ouvidos — reclamou baixo e a irmã riu.

— Não se dê por salva ainda. Ele está vindo.

Beatrice fez uma careta.

— Perdoe-me a intromissão, senhoritas, mas creio que estão de partida. Posso acompanhá-las até vosso pai?

Adelaide olhou de esguelha para a irmã e não teve alternativa:

— Claro, senhor Casagrande. Devo ainda procurar minha outra irmã, de modo que poderá acompanhar Beatrice até papai.

Beatrice tentou manter um semblante aprazível, mas fez uma careta quase imperceptível. Não aos olhos da irmã que tentou segurar o riso.

Adelaide continuou sua procura por Liana, olhando por todos os lados do salão. “Onde está essa menina?” murmurou. Avistou Frederico e resolveu perguntar:

— Com licença, senhor. Procuro minha irmã Liana. Não a vejo em lugar algum — se afligiu, pois, não poderia demorar muito depois das ordens de seu pai. — Diga-me senhor Lamartine, o senhor conhece bastante esses salões, terá algum lugar que ela possa estar com seu irmão que eu não tenha procurado?

— Existem alguns lugares além do salão... — nesse momento se deu conta. — Senhorita, se me permite, posso encontrá-la e levá-la até vós.

— Desculpe, mas não poderei voltar sem minha irmã e papai não agradaria em vê-la acompanhada pelo senhor, sei que entende os motivos. Mas será muito pior se encontrassem ela com seu irmão. Então me diga onde eles poderão estar ou eu mesma me encarregarei disso sem sua ajuda — respondeu rispidamente.

— Como quiser, senhorita. Acompanhe-me, por favor — disse ele seriamente preocupado.

Ele bem sabia os lugares que se poderia levar uma mulher longe dos olhos de todos. Os jardins eram ótimos esconderijos, mas não queria acreditar que Pedro fosse imprudente a esse ponto.

Deu uma olhada na varanda, e nada deles. Ah céus! Isso seria uma tragédia.

— Senhorita D’alboquerque, peço-lhe que fique aqui enquanto vou aos jardins procurá-los — pigarreou —, não seria bom para a senhorita ser vista comigo... entrando nos jardins.

Na hora, Adelaide entendeu e levou a mão à boca apavorada.

— Oh meu Deus! Eles... não fariam isso... — sibilou. — meu pai pode matá-los.

— Acalme-se, eu trarei sua irmã de volta em segurança.

Olhou para os lados e avistou algumas pessoas na sacada, porém, absortos em suas conversas. Deu a volta pelo outro lado e se embrenhou nos jardins.

~~*~~

— Por que estamos indo aos jardins, Pedro? — Liana quis saber.

— Porque quero privacidade com você. Venha, não vamos demorar.

E levou-a para detrás de um arbusto espesso. Olhou-a e, diferente das outras vezes, beijou-a com fúria. Ela se assustou, mas aos poucos foi retribuindo. Pedro despertava nela sensações que não conhecia.

A mão dele apertou-lhe a cintura com mais força enquanto a outra estava depositada atrás de sua nuca. Era um beijo necessitado, ousado e que, por sinal, ela estava gostando muito.

Os lábios dele saíram de sua boca e foram passear em seu pescoço. A respiração dela estava mais acelerada e seus seios subiam e desciam com velocidade. Aquilo fez com que ele desejasse descer mais ainda seus beijos. E assim o fez.

— Você é tão linda! — dizia ele entre beijos em sua clavícula.

A mão que estava na cintura dela subiu até a base dos seios e, levemente, avançou rumo a um deles. Quando o alcançou, apertou de leve ouvindo dela um suspiro baixo.

Os murmúrios dela era como combustível àquele fogo que o consumia. Apertou-lhe a coxa, depois a nádega, enquanto a apertava contra ele, louco de desejo.

Ela não sabia o que fazer, estava totalmente entregue a ele, apenas segurava em seus ombros. Aquilo era loucura, eles sabiam, mas não podiam evitar. Estavam em êxtase.

— Pedro! — uma voz bradou forte, vinda do escuro.

— Fred — Pedro olhou assustado, afastando-se de Liana enquanto se virava, rapidamente, para se recompor.

— Liana! — Outra voz soou mais longe. Era sua irmã.

Oh Deus! Estava perdida, pensou.

Pedro pegou em sua mão enquanto os irmãos se aproximavam.

— Pedro, como pôde fazer uma coisa dessas? Você não tratou a senhorita D’alboquerque com o devido respeito! — esbravejou Frederico — Você só pode estar louco, irmão! — dizia enquanto pegando-o pela casaca.

Adelaide chegou e puxou a irmã para si com violência.

— Liana! O que estás fazendo com este senhor aqui?

— Senhorita, não pedi que me esperasse na sacada? — Fred brigou com Adelaide.

— Ora, senhor Lamartine, não me venha com falações, a desonrada aqui é minha irmã. E você, Liana, como pode deixar isso acontecer? Ele a prejudicou, sua reputação está manchada agora.

— Veja bem, senhorita... — Pedro tentou argumentar.

— Cale a boca!! — Os irmãos gritaram ao mesmo tempo.

— Adelaide, por favor, escute-me — pediu Liana. — Ele não me desonrou, eu também quis vir aqui.

— Você não tem ideia do que falas... somos mulheres, Liana, estará para sempre condenada, e papai nunca permitirá que se case com um Lamartine! — Gritou e o silêncio se estabeleceu diante de tal afirmação.

Nessa hora, outra pessoa se aproximou. Era Álvaro.

— O que se passa aqui? Há pessoas na sacada alarmadas com tal situação.

— O que estão falando? — indagou Frederico preocupado

— Acham que é uma briga.

Suspiraram aliviados, mas logo surgiram três figuras naquela escuridão. Eram o Barão, o Duque e Demétria.

— Adelaide! Liana! — Trovejou o pai e as duas se juntaram a ele rapidamente — O que as senhoritas estão fazendo aqui?

Adelaide não sabia como sair dessa sem prejudicar a irmã. Não queria, por mais que ela tivesse sido imprudente.

— Estou esperando. — Seus olhos eram como brasas vivas.

— Se me permite senhor... — começou Pedro dando um passo à frente.

— Não! Não permito! — protestou o Barão sem tirar os olhos das filhas.

O Duque interveio:

— Tenho certeza de que há uma boa explicação, não é mesmo, senhor Carvalhal?

Álvaro olhou assustado para o pai, como se quisesse dizer “não tenho nada a ver com isso”, mas sabia que havia caído numa armadilha quando olhou para Demétria e viu seu sorrisinho malicioso. Ela já tinha tramado algo e mesmo que seu pai não acreditasse nela, não perderia essa oportunidade. Viu-se sem saída.

— Senhor Barão D’alboquerque — disse Demétria com ar muito doce —, acredito que posso esclarecer o que aconteceu aqui, já que ninguém se dispõe a falar. O fato é que eu vi o jovem Carvalhal trazendo a senhorita D’alboquerque para os jardins. O que me pareceu meio a contragosto dela.

Nesta hora, começou uma série de protestos, ela continuou:

— Então eu chamei os senhores Lamartine e contei a eles o ocorrido, de modo que vieram ajudá-la. Aliás, é a honra de uma moça em jogo e não podíamos fazer alarde. Os cavalheiros em questão são da minha mais alta confiança e seriam discretos ao resolver tal situação e resgatando sua filha.

Todos estavam boquiabertos com tal cogitação. O que Demétria estava falando era muito grave. Significava que o jovem Álvaro Carvalhal assumiria uma culpa que não era dele. Estavam chocados olhando para a relatora.

— Meu pai... — Liana tentou falar na mesma hora em que Pedro também tentou se explicar.

— Cale-se! — gritou para a filha ignorando o rapaz — És uma vergonha para mim, senhorita Liana. Como ousa desonrar o nome da família desta maneira? A sua falta de decoro irá trazer muitas consequências.

Ela chorava cabisbaixa enquanto sua irmã acariciava os cabelos.

— E você, senhorita Adelaide, não cumpriu com competência o seu papel de irmã mais velha. Pois, pelo que percebi esta noite, suas irmãs ficaram à mercê de companhias que não convém — e olhou para os irmãos Lamartine com fúria. — Como eu disse, vocês são minha ruína!

Adelaide apenas abaixou a cabeça envergonhada.

— Bem, senhor Barão — disse o Duque —, esteja certo de que amanhã todos esses infortúnios estarão resolvidos — E olhou para o filho. — Meu filho e eu estaremos em seu escritório logo pela manhã.

— Meu pai, tenho certeza de que a senhorita D’alboquerque pode confirmar que não foi desonrada por mim — defendeu-se desesperado.

— Você e a senhorita D’alboquerque não estão em condições de confirmar nada — disse entre dentes. — Amanhã estaremos na fazenda para discutirmos os preparativos do casamento.

— Não, papai, por favor! — suplicou Liana.

Havia várias tentativas de explicações e reclamações, mas já era tarde. Não havia como contestar a decisão.

Liana olhou para Pedro, totalmente desolada; sentia-se perdida e chorava muito. Aquele olhar transmitia uma despedida muda, enquanto vozes ecoavam ao redor. Provavelmente, mais algumas tentativas de defesa por parte de Álvaro. Mas ela sabia que seu destino se selava ali. Casar-se-ia com alguém que não amava e perderia Pedro para sempre. Olhou para Demétria que a encarava com um sorrisinho.

Então o Barão a pegou pelo braço e a levou. Pedro tentou chamá-la e correr atrás, mas foi impedido pelo irmão.

— Como pôde fazer isso, Demétria? Você mentiu — gritou Pedro.

— Eu te salvei de uma tragédia iminente, seu tolo! Ou você não sabe que o Barão te mataria antes de um possível acordo? — disparou ela. — Além do mais, já estava previsto o casamento de Álvaro com a senhorita D’alboquerque, apenas usei o artifício para amenizar a situação.

— Muito astuto de sua parte, senhorita Castel! — reconheceu o Duque. — Agora se me dão licença, pessoas me aguardam na festa. Acompanhe-me senhorita? Não é bom para a sua reputação ser vista em um jardim com dois cavalheiros solteiros.

— Obrigada, senhor Carvalhal. — E aceitou o braço estendido do Duque.

Álvaro lançou-lhe um olhar raivoso que ela simplesmente ignorou e saiu apressado à frente.

Sozinhos no jardim, Fred pôs a mão no ombro do irmão em sinal de consolo. Pedro estava arrasado. Em um surto, deu um soco nos arbustos à sua frente e feriu sua mão nos espinhos.

— Maldição!

— Chega Pedro. Agora não adianta mais. Está feito.

— Não posso perdê-la, Fred... tem que haver um jeito. Ela não vai se casar com o Carvalhal!

— E o que farás quanto a isso, hã? Nada disso teria acontecido se você não tivesse feito o que fez. Se bem que, segundo Demétria, o acordo já estava firmado.

— Demétria. Ela me paga, isso não vai ficar assim.

— Irmão, eu não sei quais as verdadeiras intenções dela, mas ela tem razão em uma coisa: o crápula do Barão nunca permitirá que nos casemos com suas filhas — suspirou lembrando-se de Emília. — E agora tudo ficou ainda mais complicado.

— Eu a amo... e a culpa é toda minha — afirmou desolado.

— Vamos para casa. Lá pensaremos melhor em tudo isso — bateu em suas costas, mostrando complacência com sua desgraça.

Ele mesmo estava desolado. E ciente de que o crápula poderia castigar suas filhas, casando-as com idiotas que, agora, apareceriam para cortejá-las.

Não sabia o que pensar, porquanto, não queria perder Emília também, mas, sua missão nesse momento seria vigiar o irmão para que não se metesse em mais encrencas.


Notas finais
Beijos *)