Notas iniciais
Bem este é o primeiro capitulo, não tem muitos personagens ou falas mas é o melhor que pude fazer e mesmo os livros mais famosos não colocam tudo nas 12 primeiras paginas...

Ele ofegava, seus pulmões doíam, uma dor que podia ser comparada a facas penetrando em suas costelas de forma continua e dolorosa, enquanto seus descalços pés corriam pelas ruas de Luande, o calor era insuportável e sua pela que já fora alva sofria com a temperatura mortífera proporcionada pelo sol que já se mostrava no meio de um céu emoldurado por espaçadas nuvens, carregava alguns pães nos braços enquanto ia em direção à cidade, seu corpo pedia por uma pausa porem, mesmo sendo insuportável não podia parar.

–Não adianta se correr Biba nós vamos te achar. Disse uma voz zombeteira que Brihan sabia pertencer a Lancel um garoto alto de 16 anos que possuía cabelos cor de palha e olhos castanhos. Mas não se preocupe não vamos te machucar.

–É serio Lan? Perguntou Daevis num tom confuso, Daevis um dos cachorros de bolso de Lancel era um ano mais novo que o alto rapaz, más mesmo assim era mais velho e forte –em contra partida parecia não ter nada além de cabelo no crânio- que Brihan que possuía apenas catorze e apesar de seus um metro e setenta era magro, quase esquelético além de um saco de pancadas comum para a maioria dos outros garotos, apesar de no fundo não ser esse o motivo da retaliação.

–Claro que não! Você achou mesmo que eu ia perder uma oportunidade dessas? Não é todo dia que se conseguem alvos fáceis assim, e ainda é de graça!

Ele corria e corria, bolhas estourando enquanto pisava no chão de terra batida, falta pouco ele repetia a si mesmo enquanto passava pela feira no centro da vila, e a um observador externo era impossível não notar o olhar de repulsa dos habitantes em relação ao garoto, sendo que nem ao menos um tentou impedir a inconfundível perseguição de Lancel por Brihan. Não obstante um deles até indicou a direção do jovem quando os dois perseguidores o perderam de vista, estou quase lá pensou o garoto enquanto virava uma esquina dando de cara com um beco aparentemente sem saída. Aparentemente, pois Brihan havia descoberto uma espécie de passagem secreta enquanto fugia de uma surra, naquele dia ele pensou ter conseguido despistar os perseguidores, mas havia na verdade -para o que poderia ser mais tarde o deleite dos que o caçavam- chegado naquele beco que terminava em uma alta parede de pedra escura na qual tentou escalar, porem quando colocava suas mãos numa das pedras do lado esquerdo ela se moveu, girando em torno do seu próprio eixo e revelando assim um túnel de um raio de mais ou menos um metro no qual sem hesitar Brihan se lançou e após se esgueirar por cerca de dois minutos se deparou com algo que se tornaria para ele uma coisa que não havia tido por sete anos. Um lar.

Brihan se encontrava novamente no recinto que ultimamente entrava com enorme acilidade, sentou-se no chão e foi em direção a uma jarra de madeira repleta de água que derramou em um solitário copo jogado no chão, encheu o copo e em apenas dois sedentos goles drenou toda a água que se encontrava, deixando em meio a pressa por matar sua sede filetes de água escorrerem na imunda face.

–Outro dia feliz. Disse o jovem para si mesmo enquanto se deitava no amontoado de palha em que dormia. Acordar, trocar de roupa, ir para o riacho, roubar algumas maças e pães no caminho além de quase levar uma flechada e como de costume ser perseguido, o que mais alguém pode querer? Acho que estou falando sozinho de novo, tenho que parar com isso.

Levantou-se, deu uma mordida em um dos poucos pães que havia conseguido salvar e foi em direção à extremidade direita ao fundo do recinto onde uma caixinha de madeira ficava escondida em baixo de uma pedra que ocultava os poucos bens que Brihan possuía, na verdade eram apenas dois, um deles a caixa, na qual se encontravam várias ferramentas usadas para esculpir, o garoto abriu a caixa e com cuidado retirou as ferramentas que precisava, logo após fechou-a devolvendo ao esconderijo junto a um colar que fora de sua mãe antes da mesma falecer, era de pelo de cavalo transado com uma ametista de profundo lilás ao centro, o garoto se sentou e começou a trabalhar.

O trabalho era minucioso e demorado porem Brihan estava quase no fim do que havia demorado duas semanas para ser feito, era um ótimo marceneiro e conseguia produzir delicadas peças de madeira como um verdadeiro artesão, oficio que havia sido o de seu pai antes desse vir a óbito algo ocorrido pouco depois de Brihan perder sua mãe aos sete anos, e desde então o jovem vagou sozinho pelas ruas até encontrar o túnel quatro anos atrás. ‘Realmente isso não é normal’ pensavam a maioria das pessoas quando viam Brihan pelas ruas -na maior parte do tempo fugindo de alguém- pois aquele era o mesmo garoto enfermo que havia chegado com o pai sete anos atrás vindo num navio de refugiados do leste aonde uma praga havia se alastrado, e era deste modo que a maioria das pessoas viam Brihan, uma praga, um estrangeiro, alguém que não pertencia aquele povo e por isso o garoto pensava em sair daquela vila, quem sabe pudesse conseguir um emprego numa marcenaria aonde seu trabalho seria bem visto e a descendência não contasse, mas ainda havia algo que ele precisava esperar antes de partir.

–Até que em fim, acabei! Gritou Brihan para ninguém. Oque eu disse para mim mesmo? Nada de falar sozinho, e o que estou fazendo? Falando sozinho, mas pensando bem se eu ficar em silencio talvez eu fique louco e definitivamente eu não quero dar esse gostinho para as pessoas daqui, bem agora é só ver se funciona. Os olhos claros do garoto brilhavam enquanto olhava para oque tinha acabado de fazer, era um arco, um dos usados pelos povos do leste terra de onde Brihan vinha, uma arma totalmente diferente dos pedaços de madeira usados pelos povos de Len que eram simplesmente varas de um metro e oitenta com as extremidades menos grosas que o meio e talhos em cada ponta aonde cordas de cânhamo eram postas, não o arco de Brihan era diferente, pois não era feito de uma simples vara e sim de vários tipos de madeira aonde uma mais rígida de cerca de meio metro era colocada no centro e vários outros tipos com diferentes flexibilidades se anexavam em formas similares a laminas nas extremidades fazendo com que o arco se mostrasse curvado mesmo quando desarmado, porem arcos assim tinham que ser feitos tomando em conta o tamanho e força do usuário se tornando para outros algo mais complicado de se manejar, arcos compostos não só possuíam um aproveitamento de força e estabilidade maior como também necessitavam menos força de quem o empunhasse algo proveitoso para Brihan que não possuía muita carne nos ossos.

–Talvez, quem sabe, eu teste no Lancel e nos macaquinhos treinados dele. Falava Brihan consigo enquanto fazia força para colocar uma das cordas de cânhamo que havia surrupiado na feira uma semana atrás. Mas vai ser desperdício de boas flechas tenho certeza e bem...também tem aquilo da vila querer fazer caça ao Brihan se eu por acaso matar alguém, a não ser se eu de algum modo me acertar porque se eu me matar com o arco, algo provavelmente improvável tendo em mente que eu sei para que lado a flecha aponta, eles talvez façam a festa do sol mais cedo, aí pronto até que em fim encaixou.

Ele pegou uma das flechas que havia entalhado a três dias e já com o arco na mão esquerda encaixou a haste na corda e puxou, seus olhos se arregalaram, a força necessária para rescetar um arco mesmo um composto era mais do que Brihan imaginava, seus poucos músculos do braço direito doíam enquanto seu braço esquerdo parecia incapaz de segurar o arco e mantê-lo numa só posição ao mesmo tempo, tentou puxar um pouco mais porem seus esforços pareciam ineficazes fazendo pouco mais que deixar as penas das flechas a dez centímetros de seus olhos algo que numa guerra ou mesmo tiro ao alvo faria a flecha voar muito menos que o esperado, seus dedos doíam e seus olhos lacrimejavam não aguentava mais, soltou a flecha.

Crack! Estilhaços de madeira voavam pelo esconderijo de Brihan, a flecha que ele havia soltado não havia tido muito espaço para voar já que o recinto possuía pouco mais de cinco metros por cinco um tamanho considerável para um quarto, mas “um pouco” pequeno para um campo de tiro ao alvo.

–Acho que seria melhor treinar em um lugar um pouco mais aberto....Pensou Brian pegando o que havia sobrado da flecha. Uma semana e estou livre daqui.

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Já era noite quando Brihan saia pela passagem da pedra; com o arco em uma das mãos e as flechas numa aljava de couro o garroto ia em direção ao bosque que ficava a cerca de meio quilometro do beco, como a maioria de seus outros bens a aljava também era roubada e apesar do que muitos pensavam, ele odiava roubar, algo bem atípico de um conhecido ladrão, mas o jovem não tinha outra escolha, era roubar ou morrer de fome e a segunda opção não era muito agradável, certa vez havia tentado trocar uma das peças de madeira feita por ele, era uma espécie de caixa de moedas com cinco buracos para as cinco moedas reais que ficavam em diferentes compartimentos quando colocadas, além de possuir um sistema de segurança que só podia ser travado e destravado movendo uma placa de madeira que se encontrava dentro de um fundo falso da caixa, este aberto puxando uma espécie de moldura que o cobria, Brian havia gastado três dias de trabalho duro naquilo mas por alguns segundos havia se sentido quase que recompensado quando ao levar sua arte a um dos mais ricos comerciantes numa feira na terça, os olhos do homem brilharam, o vendedor havia perceptivelmente gostado da peça, algo que se podia notar em seu olhar porem ao se virar para o garoto ele disse que o jovem havia roubado de alguém e ia ficar com a caixa até achar o dono, cinco anos haviam se passado desde então e o vendedor ainda usava a mesma caixa de moedas, com certeza o pobre homem não deveria ter achado o dono daquela peça que o garoto havia obviamente roubado.

A lua que se mostrava na ultima semana crescente já havia desaparecido quando Brihan chegou ao bosque que era indiscutivelmente um dos locais mais belos de Luande e sem duvida o preferido de Brihan , as altas gramíneas que encobriam todo o bosque eram de um verde vivo que se mostravam uma das refeições preferidas dos cavalos selvagens e outros animais que rondavam a região enquanto inúmeras arvores enchiam aquele espaço de terra, eram olmos, freixos, carvalhos, amoreiras, teixos, pereiras, macieiras e eucaliptos além de parreiras de amoras silvestres e uvas verdes que emolduravam os altos morros protetores do bosque, sendo aquele local o estoque de matéria prima de Brihan além de sua fonte de alimentação principal que infelizmente era mais restrita já que a maioria das arvores frutíferas eram de propriedade privada, bem...continuava sendo sua fonte de alimentação de qualquer modo.

O dia raiava quando Brihan voltava para seu esconderijo com um saco meio cheio de frutas e um coelho morto na mão direita, havia treinado a noite inteira, seus dedos sangravam e o antebraço esquerdo ardia ambos por causa da corda do arco, mas mesmo tendo puxado e atirado por horas a fio parecia ter ocorrido pouco progresso na visão do jovem, aquilo era difícil, realmente muito difícil e em pensar que os arqueiros eram considerados fracos e covardes, pensava Brihan, ele não sabia quanto a covardes mas com certeza não eram fracos os homens das arpas mortais pois quando a corda era puxada o garoto tinha a impressão de que estava tirando do chão uma criança de mais ou menos uns dez anos com os dois dedos que puxava, mas mesmo tendo parecido ser pouco progresso na realidade o quase raquítico garoto tinha feito um trabalho e tanto para um primeiro dia, pelo menos conseguia não tremer enquanto atirava e as penas da flecha ficavam a meras duas polegadas ou menos de seus olhos azuis.

–Uahn. Bocejou Brihan que se encontrava agora a não mais que dez metros do beco aonde o muro de pedras escuras ficava e deste modo a sua passagem para o esconderijo também. Caramba eu preciso realmente dormir, bem pelo menos eu consegui algumas peras além do coelho que conseguiu levar uma flechada minha, realmente era um bicho bem lerdo, eu bem que podia ter trazido ele vivo para fazer companhia mas ele parece suculento demais para virar um bichinho de estimação.

Brihan havia chegado a parede, empurrou a pedra e jogou o coelho e as peras no buraco se lançando para dentro do pequeno túnel logo após, e depois de cerca de um minuto e meio havia chegado ao esconderijo, se sentou num canto e pensou em fazer um fogo para assar o coelho mas estava tão cansado, so ia dar um breve cochilo e depois iria assar o animal, se jogou no monte de palha que servia como cama e dormiu como se estivesse deitado em uma cama de penas de ganso.

Brihan sonhou que havia chegado o Dia da Marca, mas quando chegou no local só havia ele na praça das escolhas, não haviam representantes nem moradores muito menos convocados, aquilo era estranho pois normalmente quando o segundo dia de julho chegava toda a cidade se reunia e o mais estranho ainda era que a praça parecia estar ficando cada vez menor e menor, más quando Brian olhou para baixo ele percebeu que na verdade era ele que estava ficando cada vez maior e maior e as pessoas que ele pensava terem sumido estavam lá em baixo, minúsculas se encolhendo de medo de Brihan que havia começado a andar em direção a fonte do destino que esmagou com um dos seus enormes pés, olhou novamente para o chão aonde as pessoinhas tremiam de medo do Gigante-Brihan as esmagar e o garoto percebeu que no meio da multidão se encontrava um Lancel tamanho PPP que Brihan pegou com uma das mãos e quando estava prestes a esmagar seu sonho mudou; Era inverno e ele tinha seis anos novamente, seus pais conversavam em sussurros inaudíveis algo que lembrava uma discussão enquanto um jovem Brihan brincava com cavaleiros de madeira no chão coberto de esteiras de sua antiga casa no Leste, a discussão parecia se agravar enquanto sua mãe tentava consolar seu marido que, sentado em uma cadeira cobria a face com suas duas grandes mãos, sua mãe parecia abalada e de certa forma contra cada palavra que produzia, levantando o rosto das mãos o pai de Brihan voltou a dialogar agora num tom diferente, um tom que lembrava o de um guerreiro que sabia estar perto da morte, a conversa continuou e depois do que pareceram cerca de dois minutos o pai de Brihan se levantou e o garoto que num instante atrás corria pela casa com um Pégaso de madeira nas mãos, o grande homem se levantou e deu um forte abraço na esposa que começava a chorar em seus braços, os dois se soltaram e numa voz de falsa calma a mãe de Brihan o chamou, o garoto que possui cabelos loiros como o de sua progenitora foi em direção a mulher que ao garoto chegar se ajoelhou e com mãos tremulas o abraçou dizendo que ele era a pessoa mais especial de sua vida, seu pequeno homem, seu reizinho e que não importava o que ocorresse era para ele saber que ela o amava mais que tudo e com um molhado beijo de despedida disse para jovem ir para a cama.

Ele acordou estava assustado o segundo sonho não havia sido um sonho em si, era na verdade um lembrança, uma lembrança que mesmo se trezentos anos se passassem ele não esqueceria, era a lembrança de um dia antes de sua mãe falecer.

Levantou-se e percebeu que suas roupas estavam molhadas de suor, um suor frio aquela noite –ou melhor dia- havia sido estranha pois além de ter sonhado virar um gigante em pleno Dia da Marca, uma lembrança antiga havia invadido sua mente inconsciente, ele piscou e se despreguiçou, pegou a jarra com água e jogou o resto do liquido no seu copo de madeira preciso buscar mais água a daqui acabou pensou Brihan fazendo uma nota mental para lembrar mais atarde quando fosse para o riacho, andou até o lado esquerdo do esconderijo aonde uma vela feita de sebo –também roubada- estava acesa ao lado de uma pequena pilha de toras que na verdade eram pouco mais que alguns galhos quebrados.

–Acho que já passou da hora, preciso fazer umas compras urgentes, porque além de não ter águe nem madeira, so tem um coelho e quatro....Brihan olhou para o lado e viu uma das ultimas peras que haviam sobrado da noite anterior, pegou com a mão esquerda e a abocanhou. Três peras.

Ele pulou no buraco e se esgueirou por cerca de um minuto pelo túnel, chegando no final levantou a pedra cerca de um centímetro, não havia ninguém, terminou de abrir e saiu para o beco. O céu ainda estava claro porem era possível saber que em duas horas ou menos a noite cairia, um meio sorriso apareceu nos lábios de Brihan ao pensar que só iria tirar um cochilo, ele andava em direção a feira que ocorria no centro da vila e para seu deleite percebeu que se encontrava o momento mais propicio para pegar coisas emprestadas sem pedir, ‘‘a chepa’’ era naquele horário que o comercio estava para fechar e por isso era quando os preços abaixavam de forma que a bagunça era tanta que alguns roubos passavam despercebidos, mas uma das coisas que não podiam ser deixadas de lado era que ele só possuía uma chance, pois se fosse visto por alguém logo gritos de ‘ladrão’ soariam e teria que correr como o cão.

Brihan andava pelo meio da feira enquanto procurava alvos fáceis, típicos gritos de vendedores com pressa ecoavam pela cidade era gritos como “É para acabar com tudo mesmo, nabo um Flivio cada! E levando seis só paga um Blont” e também “Tá acabando aqui , tá acabando melhor se apressar senhora, panela de ferro de primeira qualidade, só seis Blonts cada”e em meio a esses gritos que Brihan viu o que queria, era Lon um velho padeiro que na visão de Brihan devia ter uns 150 anos de emprego já que de acordo com alguns boatos até o ancião da vila lembrava do homem vendendo pães e tortas na juventude.

–Dois pães por um Flivio, cada torta dois Blonts. Repedia Lon de maneira fraca e resiquida toda a vez que alguém perguntava o preço

Olhou para os lados ninguém olhava para ele –como se ele esperasse que alguém o fizesse-, porem havia um pequeno problema o velho não andava sozinho, quase sempre se encontrava na companhia de seu bisneto que apesar de parecer um integrante dos Bárbaros possuía a inteligência de uma minhoca e havia uma coisa que ele sabia sobre o gigante-anão, ele não gostava de fogo, provavelmente por ter tido as costas queimadas e os pais mortos num incêndio coisa que Brian apesar de não querer reproduzir, poderia fazer algo com um isqueiro e pederneira que “coincidentemente” havia levado em seu bolsa da calça e agora tirava junto com um pedaço de madeira embebida em óleo que guardava no outro bolso, riscou a pederneira com um dos seus pequenos machados e colocou o pedaço de madeira embebida em contato com o fogo e sem dar tempo de a chama se alastrar em direção a sua mão atirou a madeira pegando fogo em no toldo de pano que cobria o espaço no qual Lon ficava, menos de três segundos haviam se passado desde o arremeço quando a lona começara a pegar fogo e foi mais ou menos o mesmo tempo que durou antes de Klaus o bisneto do padeiro sair correndo e gritando sons nem um pouco dignos de um homem daquele tamanho derrubando no meio da fuga varias barracas no seu caminho , pessoas vieram ajudar mais rápido que Brihan esperava mas isso não importava, ele era mais rápido do que eles esperavam e quando chegou no beco de forma calma sem ao menos ter sido visto carregava consigo duas tortas e quatro pães.

–Coelho assado para janta e torta de amoras silvestres de sobremesa. Falou consigo o garoto que naquele momento mostrava um sorriso nos lábios. O que mais eu poderia pedir? Mas no fundo ele sabia que faltava algo, alguém.

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A janta havia realmente sido boa, em grande parte por ser carne de coelho e em outra por tudo ser bom quando se está com fome, sendo assim a maioria das coisas que Brihan comia eram boas, se levantou, foi em direção ao amontoado de palha aonde dormia e limpou suas engorduradas mãos no local, iria novamente para o bosque porem não levaria seu arco e sim uma jarra de água e um pequeno e velho machado de lenhador que também havia um dia sido propriedade de seu pai, pegou o com a mão direita enquanto segurava a jarra firmemente na esquerda, passou pelo túnel se deparando ao final com o fresco ar noturno de Luande, respirou profundamente e começou a andar em direção ao seu deposito natural, haviam se passado cerca de dez minutos quando Brihan começou a caça-a-madeira, que apesar de parecer não era nem um pouco fácil, achar boa madeira podia demorar um longo tempo e apenas treinados olhos podiam ver as diferentes peças e ferramentas que cada um dos troncos proporcionaria numa primeira vista, Brihan possuía esses olhos, meia hora havia se passado até o garoto se dar por satisfeito, havia escolhido três arvores, um carvalho, um freixo e um ipê os quais havia marcado com o machado para na volta só ir cortando sem ter que leva-los até o começo do bosque e voltar para pagar os outros, começou com o ipê que apesar de ser muito grande possuía bons galhos, segurou o machado com as duas mãos e depois de três golpes o galho havia caído, pegou-o com a mão esquerda e foi arrastando o grosso pedaço de arvore que devia ter de raio cerca de um quarto de metro, o mesmo se repetiu com o carvalho mas o freixo ainda não possuía o seu tamanho total assim foi cortado totalmente, estava suando como louco mas pelo menos havia conseguido o que queria, coisa que certas vezes não tinha tanto êxito, porem eram raras essas vezes, pessoas de nome a zelar não costumavam vagar pelo bosque a noite que apesar de ser o lugar preferido dos casais apaixonados pelo meio do dia eram comuns historias de bruxos malignos fazerem seus covens na calada da noite, deste modo a maioria dos cidadãos se mantinha a uma considerável distancia, tanto por medo de serem vistos por conhecidos como por certos desconhecidos. O céu estava escuro como azeviche quando Brihan, com o machado preso ao galho que arrastava com a mão direita e a jarra de água que levava na esquerda ia em direção ao beco, chegando lá girou a pedra e com um enorme esforço colocou o tronco dentro do buraco, empurrou-o um pouco para que houvesse espaço suficiente para si mesmo e se jogou dentro da entrada com a garrava de agua junta ao corpo por uma das mãos enquanto empurrava o galho com a outra, quatro minutos se passaram até Brihan chegar no interior do esconderijo onde colocou a jarra numa mesa e a madeira no canto esquerdo do recinto, ele estava exausto mas mesmo assim saltou para dentro do túnel e foi em direção ao bosque para buscar o tronco de freixo e numa terceira viagem, já quase desmaiado o galho de ipê, chegando no esconderijo já terminada a sua empreitada saltou no amontoado de palha e dormiu, foi uma noite rápida, sem sonhos.

Seus olhos se abriram, se espreguiçou e foi em direção à pequena mesinha do lado donde dormia, pegou um dos curtos machados usados para esculpir e cortou uma pequena fatia da torta de amoras silvestre que numa bocada só engoliu, tomou um pouco de água direto da jarra e deu uma mordida num dos pães restantes, entrou no túnel e depois de um minuto já estava do lado de fora do beco, o dia estava claro e de acordo com o sol que se mostrava no leste deviam ser cerca de dez da manhã.

–Pelo menos estou voltando a ser uma pessoa normal. Pensou Brihan que nos últimos tempos parecia ter adquirido hábitos noturnos. Quer dizer...acordo quase no mesmo horário das pessoas normais pelo menos.

Ele andava em direção a cidade, passo seguido de passo até que uma inconfundível voz chamou sua atenção.

–Olha quem é que esta ai Tony, é a Biba estrangeira. Disse um Lancel de sorriso malicioso nos lábios.

Brihan tentou correr mas antes que desse o segundo passo um corpo o parou era Daevis.

–Não é que é verdade Lan. Respondeu Tony, Tony era um garoto alto, quase tanto quanto Lancel, que possuía cabelos e olhos escuros como carvão e tinha quase a mesma idade de seu colega. E pela cara dele parece que está querendo uma surra.

Sempre essa mesma graça pensava Brihan que se encontrava agora cercado por três garotos, ele já sabia o que aconteceria com ele, mas não gostava nem um pouco de pensar no assunto.

–Verdade Tony, verdade parece que ele tá querendo uns murro bem na cara. Concordou Daevis com seu linguajar “impecável”.

–Bem, se o Biba parece querer tanto uma sura. Falou Lancel. Para que esperar

E sem um segundo aviso saltou de punhos cerrados para cima de Brihan, porem o garoto era rápido e prevendo um golpe no maxilar se abaixou fazendo com que o soco passasse por cima de sua cabeça e encontrando uma falha aonde o seu atacante havia estado correu para tentar uma fuga indolor, porem antes que pudesse dar um segundo passo, Tony que estivera do lado esquerdo de Lancel havia preparado outro soco este em forma de gancho que acertou em cheio o plexo solar de Brihan, a boca do garoto se abriu procurando pelo ar que com o golpe havia perdido, a dor era insuportável e logo após ter sido acertado ele já se encontrava no chão, numa débil tentativa pôs-se a levantar, mas mal saíra do chão e um chute de Lancel acertou suas costelas em cheio o fazendo voltar a onde estava já se encolhendo de dor, o jovem recebia socos e pontapés por todo o lado, um dos atacantes, Brihan não sabia qual pegou seu rosto, o garoto tentou se proteger, mas o outro era mais forte que ele e conseguiu assim tirar seus braços que protegiam a face, logo após um soco que parecia vir do nada veio na direção do seu nariz, no entanto mesmo entorpecido ele conseguiu virar sua face para o lado fazendo assim o golpe acertar na sua bochecha direita e cortar o lábio inferior em vez de quebrar seu nariz.

–Nos ouvimos sobre o incêndio da barraca do Lon. Disse Lancel chutando a perna de Brihan. E sabemos que foi você seu rato estrangeiro, .Continuou ele dando um murro no olho esquerdo do garoto. Mas eu acho que você entendeu o recado,... vamos rapazes.

Os dois outros que estavam tão entusiasmados como Lancel pararam ao ouvir seu chefe e após um ultimo chute de despedida de Daevis seguiram o alto valentão pelas ruas deixando para trás o seus saco de pancadas humano deitado no chão com cortes e machucados por todo o corpo. Fazia certo tempo que Brihan não levava uma surra dessas, pois além de ter saído pouco de manhã nos últimos tempos sabia que Lancel e seus amiguinhos eram Camponeses, sendo assim precisavam trabalhar quase que o dia inteiro na fazenda de Crong um antigo Bárbaro que possuía muitas terras em Luande, era um trabalho duro e também muito exaustivo, mas era a única opção para pessoas que não possuíam nenhum talento especial nem haviam recebido uma marca nobre, duas das coisas que faltavam nos seus algozes. Brihan se levantou e como obviamente não poderia continuar a andar pela cidade foi mancando de forma penosa para o beco caramba, tenho que tomar mais cuidado, mas de qualquer...ai...forma eu vou estar fora...ai...dessa vila em pouco tempo, só preciso esperar mais quatro dias e...ai...meio pensava consigo, seu corpo doía como nunca, era como se tivessem socado ele com um batedor de carnes tamanho gigante, e além de se seu lábio sangrar seu corpo estremecia toda a vez que pisava em falso, ah! Até que em fim che...ai...guei se apoiando na parede que ficava do lado esquerdo do escuro murro, Brihan empurrou com um tremendo esforço a pedra que guardava a passagem, na qual o ferido garoto precisou de um esforço maior ainda para entrar, seu corpo todo doía e só depois de mais de cinco minutos o ferido garoto chegou em seu esconderijo no qual com enorme cuidado se abaixou próximo ao chão e deitou no amontoado de palha mesmo estando sem sono, ficou deitado até que seus inchados olhos pesaram e então mais sonhos vieram.

Ele estava novamente na praça das escolhas, mas agora ela não se encontrava vazia, na verdade estava lotada, homens , mulheres, crianças e velhos, não havia espaço para um alfinete no meio da multidão, a cerimonia já havia começado e as pessoas que receberiam a marca já se encontravam enfileiradas, mas havia algo estranho pois todos aqueles que participariam do rito estavam ...bem, mortos! Aquilo era realmente muito estranho mas mesmo assim Brihan entrou na fila, e quando chegava a hora de tirar um pouco do sangue para misturar no elixir revelador elas simplesmente pegavam algum dos ossos do corpo e jogavam na poção, porem quando chegou a vez de Brian ele foi barrado “Você não pode garoto” disse o homem que comandava o ritual “Só podem participar quem já morreu ” Brian tentou argumentar que sempre que ele havia visto o Dia da Marca eram garotos de 14 anos que participavam e ele tinha 14 “Os dias mudaram garoto, o novo rei prefere que os mortos recebam as marcas, mas você pode ficar esperando até seu dia chegar”. O jovem estava confuso e disse que ela já estava morto quando mostrou que conseguia pegar sua costela de tão magro que era, o homem ponderou por um tempo e disse que tudo bem o garoto podia receber a marca, no entanto quando Brihan fez um movimento para tirar um pouco do seu sangue e colocou no elixir para tomar seus olhos abriram.

–Nossa que sonho estranho. Disse o garoto para si mesmo. Será que vai acontecer isso esse ano? Se for tenho certeza que o primeiro da fila vai ser o Lon, bem é melhor eu me... ai... quase esqueci que apanhei que nem um cão ontem.

Brihan de levantou, a dor havia passado um pouco, mas mesmo assim todo o seu corpo continuava dormente, seu lábio inferior estava inchado e um dos dentes do lado direito meio mole, além do seu olho esquerdo que além de enorme estava roxo como se uma abelha gigante o tivesse metido o ferrão no meio de sua cara, se levantou, ainda mancava levemente, entrou no túnel e abriu a pedra, o céu ainda estava numa tonalidade cinzenta característica do horário perto do amanhecer, ele ouviu um som, eram trombetas e aquele inconfundível som fez Brian produzir um leve sorriso.

A Comissão da Marca havia chegado; Falta pouco pensou ele.

Notas finais
Bem é isso ai... os capitulos saem a cada semana mais ou menos