As Pedras do Destino-Parte I-O Continente Marcado
2 Chega a Comissão
Notas iniciais
A cidade era um alvoroço só, crianças, homens e mulheres empurravam uns aos outros na tentativa de ver a chegada dos cavaleiros reais que naquele momento cruzavam a estrada numa formação 1-2-3-2-1, eles eram nove, seis homens e três mulheres com cerca de 25 a 30 anos , cada um vestido de forma diferente e todos montados em altos garanhões brancos , o da frente que era provavelmente o líder se mostrava um homem alto de cerca de um metro e noventa, cabelos loiros, maxilar forte e olhar rígido que abria caminho pela estrada com uma reluzente armadura azul-prateada, cota de malha vermelha como sangue e uma espada no lado esquerdo da cintura de bainha também vermelha além de possuir no antebraço direito uma manopla que diferentemente do resto da armadura era de um branco cor de marfim com grossas faixa vermelhas e riscos azuis tendo também na parte externa o indistinguível símbolo do Guerreiro, um losango vazado de bordas azuis dentro de um quadrado de bordas vermelhas, logo atrás dele vinham uma mulher e um o homem este rindo de forma estrondosa de alguma piada contada pela moça, ambos usavam armaduras, a do homem que possuía cabelos negros e media aproximadamente o mesmo tamanho que o guerreiro porem muito mais corpulento era de um vermelho vivo, com a alva cota de malha brilhando na luz do sol e o machado de lamina dupla a tiracolo, também tendo sua insígnia de Bárbaro dois quadrados de borda vermelha um dentro do outro estampados num ombral do lado direito da mesma cor que a cota de malha, a mulher que por outro lado levava um arco na sela do cavalo, uma espada longa na cintura e uma aljava repleta de flechas atada as costas devia ter um metro e setenta além de cabelos loiros e sorriso cativante usava uma armadura dourada com cota de malha vermelha tal como a do guerreiro além de uma manopla similar ao do mesmo com a diferença de se encontrar no lado esquerdo do corpo e possuir riscos dourados em vez de azuis além do símbolo dos Invocadores encontrado nas costas da mão, um quadrado com bordas vermelhas dentro de um circulo de bordas amarelas, atrás dos dois vinham outros três viajantes que ao contrario dos primeiros nenhum usava armadura, eram uma mulher e dois homens que se encontravam um de cada lado da jovem absorvidos numa conversa sem ao menos perceber que haviam chegado em Luande, a mulher que possuía cabelos escuros como azeviche e olhos tal os de Brihan usava uma blusa verde escuro na qual o símbolo dos Curandeiros um losango azul dentro de um circulo amarelo se mostrava na altura do seio esquerdo enquanto varias faixas brancas se encontravam enroladas da cintura até o plexo solar, também trajava calças de cetim da mesma cor da camisa e botas brancas tal as faixas, o homem do seu lado esquerdo que possuía cabelos acinzentados e parecia ter quase dois metros de altura usava uma inconfundível capa branca de mago que possuía mangas compridas e tecido descendo até a altura dos pés sendo da cintura para cima totalmente fechada porem havendo um corte em forme de ‘V’ da cintura para baixo para que fosse possível andar mais livremente e também poder cavalgar, no tórax mais precisamente na altura do plexo solar o símbolo dos magos brancos, dois círculos de borda amarela um dentro do outro se mostravam; do outro lado da curandeira em total contraste com a mago se encontrava um homem de cabelos e olhos castanhos que trajava botas de couro, calça e camisa azul escura unidos por um cinto prateado além de um colete branco com –algo que Brihan percebeu logo após dos três passarem adiante- dois losangos azuis um dentro do outro que representavam o emblema dos Estrategistas nas costas, vindo em seguida se encontravam dois cavaleiros que para a surpresa de Brihan eram gêmeos idênticos, ambos de cabelos negros como piche e olhos verde esmeralda, e ambos acenado para os cidadãos em volta além de vez ou outra darem piscadelas para as belas jovens da vila, tinham um metro e oitenta e apesar de serem idênticos usavam trajes perceptivelmente diferentes, o da direita que jogava uma moeda de prata para o povo naquele momento trajava uma armadura branca com traços vermelhos em forma de ‘V’ e cota de malha dourada além de possuir no braço direito uma manopla branca com grossas faixas também douradas e riscas vermelhas sem esquecer do símbolo de sua classe, um circulo amarelo dentro de um quadrado vermelho do lado interno do antebraço representando os Paladinos, por outro lado seu irmão, que no momento tocava na mão dos habitantes da região, usava sapatilhas negras de couro fosco, faixas escuras cobrindo do tornozelo ao joelho, calças pretas de material rente ao corpo além de camisa e gibão de couro negro acompanhado por uma capa que se parecia muito com a do mago com a diferença de ser totalmente aberta, presa assim por um broche em formato do símbolo dos Espiões um quadrado de bordas vermelhas dentro de um losango de bordas azuis e diferentemente do resto da roupa que possuía a simples cor preta, a capa era...bem, na verdade a impressão que Brihan tinha era que as cores da capa mudavam vagamente de acordo com o local no qual o espião passava, parecia uma espécie de capa cameleão que devia ser com certeza muito útil, olhando mais para atrás Brihan avistou o ultimo, ou melhor a ultima integrante do grupo e ela estava, para a surpresa de todos dormindo em plena cavalgada, possuía cabelos ruivos e corpo magro e esguio além de uma clara pele, suas vestimentas de longe eram as mais estranhas, pois pareciam ficar mudando de forma e cor aleatoriamente, e não bastando isso o símbolo da sua classe um circulo amarelo dentro de um losango azul mostrando se alguém ainda não tivesse percebido ser ela uma Ilusionista, o povo olhava aquela cena parecendo se divertir e regularmente também apontavam para a moça que já ia se perdia de vista em direção ao castelo do ancião que na verdade não era bem um castelo e sim um forte, no qual o ancião, chefe da vila e homem mais velho morava e aonde também ficavam os nove recém chegados que na verdade eram parte dos Representantes, um de cada uma das classes e que apesar de todo o ano chegarem a Luande eram diferentes pessoas todas as vezes, alguns habitantes começavam a sair enquanto outros em grande parte os mais jovens seguiam os recém chegados com a esperança de um autografo, e haviam tantos como Brihan que continuavam olhando como se os nove ainda estivessem no mesmo lugar, como qualquer garoto Brihan apesar de não demonstrar sempre teve o sonho ser um dos escolhidos, desde que chegara em Len sete anos atrás ia as ruas ver os Representantes que todo o ano passavam pelas por lá, mas mesmo tendo um desejo enorme de se tornar um nobre sabia que era quase impossível, poucas pessoas tinham essa sorte e a maioria dessas vinha de família também nobre facilitando em parte a recepção de uma das nove marcas, mas obviamente oque mais contava era um grande talento para a classe que seria designado e –mesmo a maioria dos sábios dizendo que não- a sorte, tanto que haviam casos de estrangeiros como ele que receberam uma marca especial, mas esses casos eram raros e muito espaçados sendo que o ultimo havia ocorrido no ano passado, sendo assim Brihan sabia estar fadado a ser um Camponês bem não importa o que eu receba vou sair dessa vila depois de ser marcado não importa como ou para onde pensou o jovem que já estava cansado de Luande, cansado das pessoas que o olhavam com nojo, cansado das crianças saírem correndo e os garotos mais velhos o espancarem, cansado de ter que roubar para viver e mais que tudo cansado da lembrança de ter sido naquele local que ficou órfão, queria sair e encontrar algum lugar no qual não fosse desprezado e pudesse comer com o dinheiro fruto do seu trabalho e se por um acaso recebesse uma Marca Nobre melhor ainda, respirou fundo e meio caminhando meio mancando decidiu voltar para o beco, sua barriga roncava ele sabia que ainda haviam alguns pães e uma torta e meia mas precisava buscar algo a mais e já que era cedo e a maioria das pessoas –incluindo Lancel e seus amigos- estariam trabalhando Brihan decidiu ir para o bosque procurar algumas frutas fáceis, deu meia volta e começou a caminhada, chegando no bosque pulou no rio, a água estava fria como gelo más fazia cerca de uma semana que o garoto não tomava banho, pegou alguns cascalhos no fundo do rio e começou a se esfregar, depois de vinte minutos já de banho tomado e meio seco pelo sol Brihan foi procurar pelas frutas e quando já entrava no bosque reparou em um comprido galho de salgueiro, pegou-o e foi a procura de algo.
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Eram poucas as frutas de fácil alcance, pois a maioria das arvores frutíferas não eram de uso publico e a época de colheita demoraria anda dois terços de um ano para chegar, entretanto no final da tarde Brihan havia conseguido uma considerável quantidade de alimento composta essencialmente de raízes silvestres, plantas rasteiras e frutos das arvores como maçãs, peras, jabuticabas e pinhas nas quais bolotas poderiam ser feitas para futuras emergências alimentícias, não que Brihan pensasse em passar por algo assim já que em pouco tempo sairia de Luande para encontrar em algum outro lugar trabalho no qual recebesse dinheiro não precisando mais passar fome ou recorrer ao furto, um pensamento que vinha a sua cabeça tão frequentemente que poderia chegar a irritar alguém se tais palavras fossem ditas em vez de pensadas, seu olho esquerdo ainda estava inchado e um dos músculos externos de sua perna direita doía como se tivesse prensado ela numa bigorna de ferreiro, mas apesar disso o resto do seu corpo parecia quase que livre das marcas da surra sofrida, era um tanto confuso mas diferentemente das outras coisas que o causavam dor de cabeça aquilo era algo bom, estranho mas muito útil pois ao contrario das outras pessoas seus cortes cicatrizavam e os inchaços passavam numa velocidade extraordinária –não que fosse do seu gosto é claro conseguir testar essa habilidade- coisa que percebera ocorrera pouco tempo depois de ter embarcado nas terras que no determinado momento vivia, pois mesmo sendo extremamente novo na época que morara nas terras do Leste possuía claras lembranças de estar doente a quase todo o momento e ser conhecido como ‘O enfermo filho dos Lauren’ que por acaso era o sobrenome de Brihan e apesar de ter orgulho de possuir um não costumava pensar muito já que a imagem de seus pais invadia a sua mente quase todas as vezes que pensava em algo referente ao passado ou mesmo profundamente em si mesmo, estava cansado e pensava seriamente em tirar um cochilo quando chegasse no seu esconderijo para talvez mais tarde voltar para o bosque e treinar um pouco com o arco, pegou a sacola de couro na qual as frutas e raízes se encontravam e partiu em direção ao beco, seus pés que viviam descalços cobriam vagarosamente o caminho entre o bosque e seu lar enquanto apressadas pessoas iam de um lado para o outro na cidade, cena esta comum na exata época do ano pois apesar de todo o mesmo dia dois de junho o Dia da Marca ocorrer em Luande não eram só as pessoas de lá que participavam e sim todas as cidades que entegravam o lado leste do reino sendo a que Brihan morava era uma espécie de líder na qual a maioria dos eventos ocorriam – mesmo não tendo um castelo como a de Ofer ou portos imponentes que chegassem aos pés de Crisan- os passos de Brihan se extinguiram, havia chegado no muro escuro que abriu de forma displicente e se jogou para dentro poucos segundos depois chegando aonde dormia, abriu o saco que carregava, tirou uma maçã e mordendo-a saltou no monte de palha tentando achar uma forma confortável para que pudesse descançar, mas estava tão cansado que poucos minutos haviam se passado e sua pesada respiração já soava pelo escuro recinto.
Seus olhos se abriram juntamente com a boca que soltava um alto bocejo preenchendo o esconderijo de Brihan com graves ecos, se levantou, sua perna direita, percebeu ele doía bem menos do que quando fora pegar as frutas, olhou para seu lado esquerdo aonde a maioria dos bens preciosos ficavam, seus olhos vagaram por toda a extremidade até encontrar o que queria e calmamente foi em direção ao arco e a aljava que infelizmente possuía um numero deplorável de flechas tenho que talhar algumas pensou o jovem talvez amanhã mesmo com aquele tronco de freixo a noite ou melhor a madrugada estava quente, mais até que o dia já varrido no oeste, Brihan caminhou e depois de pouco tempo já se encontrava novamente no bosque no qual passou outra longa madrugada treinando pegar a flecha, colocar na corda, puxar e soltar pensava ele de forma metódica mirando em diferentes alvos de variadas alturas e distâncias, seus dedos doiam, mas era uma dor prazerosa, aquela dor que da frutos, que tem resultados não uma dor-Lancel que apenas machuca e humilha, sua habilidade melhorava e a cada hora que passava os alvos pretendidos por Brihan se situavam mais próximos a onde a flecha havia acertado, seu tórax doía e os fechados ombros pareciam se esticar um milímetro ou dois, podia ser tudo invenção do garoto mas ele se sentia como se tivesse melhorado em um nível sobrenatural, na realidade suas expectativas se encontravam um pouco acima do que na verdade ocorria entretanto seus tiros pareciam de alguém que treinava a pelo menos um més inteiro, a lua havia sumido mas o garoto continuava mesmo assim até que uma hora seu corpo não aguentou mais, caiu no chão, tinha um sorriso nos lábios talvez mais algumas dessas cessões e eu consiga até receber a marca de um paladino, pensou Brihan de forma sonhadora e o melhor disso tudo nem seria virar nobre ou receber um salario de seis Labrons por ano e sim ver a cara daquelas três camponesas valentonas se uma marca brilhar em mim sem ser no braço direito... seria hilario. Ele se levantou e devagar, suando por todo o corpo voltou pelas agora vazias ruas de Luande, virou a esquerda e continuou por cerca de cinco minutos até achar o beco chegando lá o garoto abriu a passagem e com arco em mãos e aljava nas costas se lançou para dentro, feichou a pedra, se esgueirou por cerca de um minuto e havia voltado novamente ao seu já de dias-contados-lar, caiu na palha e dormiu como pedra.
Os dois dias que precediam o segundo dia do mês de julho se passaram e apesar de Brihan não aguentar mais ficar em Luande aquelas manhãs e noites foram assustadoramente rápidas, talvez fosse a apreensão ou quem sabe o simples fato de o jovem estar descobrindo a paixão pelo arco no qual gastava horas e mais horas na fria madrugada que precediam o raiar do sol no bosque treinando avidamente, seus dedos não mais sangravam apesar de a dor ser ainda sim pautável e seu braço esquerdo já se acostumara com as quentes lambidas que a corda de cânhamo proporcionava sendo até prazeroso o manejo, ele começava a treinar em alvos mais difíceis, alvos em movimento que poderiam até ser usados como alimento se pegos, mas a maioria dos animais eram rápidos e diferentemente do coelho que o jovem pegara no seu primeiro dia, não iam em direção as fleches que o garoto havia um dia depois de seu segundo treino produzido com tanto cuidado, cortando pedaços da madeira do freixo e esculpindo as, fazendo até mesmo –por falta de aço- as pontas, mas necessitando obviamente de penas que normalmente achava nos rios ou quando tinha sorte derrubando patos ou gansos que ficavam perto das arvores para se proteger do frio, aqueles dias pareciam irreais já que Brihan não havia tido nem ao menos um vislumbre de Lancel ou suas companheirinhas que deviam estar se matando de trabalhar para que a festa dos escolhidos tivesse suprimentos suficientes e os nove nobres pudessem ter refeições dignas do seu nível mas apesar de não ver três das pessoas que ele realmente não gostaria de ver ele percebia novos rostos todos os dias nas ruas da vila homens e mulheres de todas as formas e tamanhos que acompanhavam filhos e filhas no dia mais decisivo de suas vidas era naquele dia que garotos e garotas viravam homens e mulheres, camponeses ou nobres e também era naquele dia que todo o pai esperava ver uma marca azul, vermelha ou amarela no corpo de seus filhos para que depois pudessem desfrutar de meia dúzia de grandes e valiosas moedas verdes por ano, e um dos lados bons que as pessoas que chegavam não sabiam ser Brihan um estrangeiro deste modo não recebia os irritantes olhares de reprovação por ser apenas ele mesmo apesar de os olhares de alegria das famílias fazerem sua barriga revirar, ele não acharia ruim ter alguma com quem se confortar nos dias que precediam algo tão importante que não apenas traçaria sua pele e sim toda a sua vida mas que bobagem dizia a si mesmo todas as vezes que se pegava pensando em algo do gênero, estou parecendo até uma garotinha chorona, falta menos de uma semana para eu me tornar homem e ainda me pego sentindo dó da minha própria pele... e era simplesmente isso que Brihan fazia, treinava de noite e andava pelas ruas de Luanda de manhã conseguindo até vender algumas das peças de madeira que deixava pronto no decorrer do ano para que naqueles ocasiões pudesse vender aos visitantes que achavam magnificamente belos mas também magnificamente caros, entretanto em noventa por cento das vezes o jovem conseguia convencer os recém chegados que eram quase obrigados por seus filhos a comprar os detalhados cavaleiros de madeira ou belas dançarinas que giravam em torno da base quando se mexia uma manivela pagando uma quantia de cerca de oito Blonts de Bronze a um Prasin de Prata para Brihan que agradecia cordialmente e voltava para seu esconderijo guardar suas economias de cinco anos que deviam acumular cerca de cinco Ostrats de Ouro os quais usaria para se manter na outra vila quando se mudasse fazendo assim com que sua nova reputação não fosse manchada por roubos.
Cinco da tarde do primeiro dia de Junho, era véspera do Dia da Marca enquanto Brihan se encaminhava para a praça das escolhas na qual um grande palco já havia sido montado, mas não era para ver o que enfrentaria no dia seguinte que ele havia se encaminhado até o centro da vila e sim para pegar as vestes que usaria no dia seguinte, que na verdade não passava de uma grossa sunga de pano branco para os garotos e uma similar veste para as garotas que também acompanhava uma facha da mesma cor e material para cobrir os seios, tendo assim o intuito de deixar quase todas as partes em que as marcas poderiam aparecer expostas, a fila estava enorme e quando o garoto finalmente havia chegado para pegar sua veste o sol já se deitava no oeste.
–Olá. Disse a voz de uma mulher com um largo sorriso, ela era baixa e rechonchuda além de possuir um expressivo ar matriarcal. Dia especial amanhã não é?
–Sim. Respondeu timidamente Brihan que não estava acostumado a falarem de forma quase amorosa com ele.
–As roupa é para você não é? Brihan concordou com um aceno. Qual seria o seu nome querido?
–Brihan Eduard Lauren. Respondeu ele
–Ah, filho de nobres é?
–Na verdade, eles eram estrangeiros. Respondeu o garoto nervosamente enquanto pegava a sunga que a mulher entregava.
–Ah, eles eram? Não são mais? Enquistou a mulher com uma voz que havia mudado assustadoramente de uma hora para a outra.
–Eles morreram. Respondeu Brihan que já se preparava para partir.
–Meus pêsames. Falou a mulher com uma espécie de amarga e enojada voz que não parecia lamentar tanto.
Brihan começou a andar mas enquanto saia percebeu que olhos o seguiam que legal sou odiado até por quem eu nunca vi pensou o garoto que ia em direção ao beco que já se mostrava visível depois de cerca de vinte minutos de caminhada desde a praça das escolhas, chegando no beco foi em direção a parede escura, girou a pedra, passou pelo túnel e entrou na sua residência, na qual só dormiria por mais uma noite, ele queria ir para o bosque treinar com o arco mas tinha plena consciência que teria que acordar cedo no outro dia, já que os rituais do Dia da Marca começavam as seis da manhã, sendo assim ele precisaria acordar cerca de uma hora e meia antes pois queria chegar cedo para que pudesse dessa forma sair o mais rápido possível de lá, mas mesmo sabendo de tudo isso não aguentou, pegou o arco e a aljava saltou no túnel, passou pela pedra e foi em direção ao bosque, no qual depois de um rápido banho na água do riacho treinou por cerca de cinco exaustivas porem prazerosas horas nas quais o garoto decidiu partir depois de ter conseguido derrubar um pato, pegou o animal e foi em direção ao seu esconderijo no qual depois de passar pelo túnel se deitou cansado como nunca, mas feliz na mesma linha falta pouco, muito pouco e com o pensamento do dia que viria ele caiu em sonhos no seu monte de palha.
Ele acordou e rápido como uma serpente das neves, saltou do seu monte de palha, tirou sua roupa e colocou a sunga de pano, estava com pressa pois tinha certeza de que não eram quatro e meia da manhã pois normalmente luz acinzentada não passaria pelas frestas do teto de pedra a esse horário, atravessou a extensão do túnel e abriu a pedra que ligava ao beco, estava um frio de trincar os dentes mas Brihan sabia que teria de continuar de sunga para a Marca, e de qualquer forma seria até melhor ir trajado do mesmo jeito até o local, p-p-pelo menos vou m-m-me acostumando pensava o jovem, a cidade estava praticamente vazia e apenas alguns retardatários como Brihan podiam ser vistos a distancia porem ao contrario do garoto eles não seriam marcados. Com medo de que perdesse o horário o menino que se tornaria um homem e cidadão leniano em pouco tempo pós se a correr, correr muito, mais ainda do que na vez que estava sendo perseguido por Lancel e Daevis uma semana atrás bem as situações mudaram um bocado pensou Brihan que na outra ocasião havia corrido para manter sua pele intacta coisa totalmente diferente da atual na qual ele voava em terra para ter sua pele marcada, seu corpo tremia, as costelas latejavam, sua respiração era ofegante e os músculos da coxa doíam enquanto a praça das escolhas parecia nunca chegar estou quase lá pensava consigo mesmo todas as vezes que desacelerava para buscar ar, tomando novamente em disparada depois de alguns metros de passos lentos, sete minutos haviam se passado –o que se equivalia a cerca de duas horas na cabeça de Brihan- quando ele havia parado de correr,não porque estava cansado coisa que realmente estava mas porque seria tão fácil correr no meio da multidão quanto tentar atear fogo no mar, Brihan nunca havia sido bom com números nem em especular valores por isso não podia dizer ao certo quantas pessoas haviam no local mas realmente não eram poucas. Três minutos, esse foi o tempo que o garoto demorou até passar pelo enorme numero de pessoas e chegar na praça das escolhas que como todo ano naquela época era uma visão magnífica, bem... seria uma tarefa um tanto difícil explicar cada detalhe da praça em poucas palavras entretanto alguns detalhes se mostravam evidentes demais para serem deixados de lado, em primeiro lugar o formato era totalmente diferente dos outros, pois em vez de um circulo comum ela era composta por linhas formando um quadrado entrecruzadas por a de um losango com por fim um circulo no meio, lembrando assim uma espécie de estrela de oito pontas na qual um gramado recobria as áreas triangulares em volta do centro, mas como o restante do local este não era um gramado comum, era um gramado de ostrilio que diferentemente dos outros não era verde e sim dourado na qual qualquer tipo de arvore plantada crescia em uma velocidade dez vezes maior que o comum alem de possuir o triplo do tamanho de uma arvore plantada em gramado comum, o centro por outro lado era recoberto por perfeitas pedras feitas de prata maciça que brilhavam a luz do dia, porem num raio de dez metros do centro aonde a elevada fonte destino se encontrava a visão era diferente, aquela área era feita de pedras negas como carvão com runas brancas gravadas em cada uma delas servindo assim de proteção contra qualquer um que quisesse chegar perto, era uma magia antiga que só se quebrava as seis horas da manhã de todo dia dois de julho, voltando a se fechar exatamente as três da tarde, uma medida protetiva usada para que ninguém tentasse provar o liquido antes ou depois do Dia da Marca, porem como todo ano a fonte não ficava sozinha no exato dois de julho, pois um alto palco feito de madeira clara com uma enorme escadaria ao centro e onze tronos em forma de meia lua cercavam aquele símbolo de mudanças. Era uma visão um tanto estranha, um palco com um enorme furo no meio no qual a alta fonte emergia mas tirando o fato de Brihan não ter a mínima ideia de como haviam colocado aquilo lá parecia muito imponente ah até que em fim cheguei pensava o garoto que se encontrava a menos de dez passos da fila que pela cara o jovem parecia ter sido o ultimo.
–Caramba, que fila enorme. Disse o garoto para ninguém em especial.Será que já começou?
–Não, mas você está beeeem atrasado, mas oque eu posso dizer, cheguei a uns dois minutos atrás.Disse uma voz do lado de Brihan o qual já tomava seu lugar na fila dos garotos.
–Nossa mas que sorte a minha,será que falta mu....Seu rosto se levantou e sua voz travou, era uma garota que falava com ele, uma garota linda.
–Acho que não.Respondeu ela olhando para cima de forma pensativa sem ter parecido notar o garoto que estava com a boca aberta como um idiota.Acho que devem começar em pouco tempo.
–Ahn.Respondeu Brihan ainda entorpecido pela beleza da moça.
–Nossa que grosseria minha, nem me apresentei, a propósito me chamo Vivian.
–Prazer Vivian. Disse ele estendendo seu braço e tocando nas delicadas mãos da jovem que possuía olhos cor de esmeralda, cabelos como ouro e o corpo esbelto de uma dançarina. Quer dizer, prazer Brihan, não,é... prazer me chamo Brihan e você é Vivian.
–É, eu sou Vivian e pelo que parece você é o Brihan.Disse a jovem com um sorriso no rosto.
–É... você vai ser marcada hoje não é?Nossa como eu sou um idiota, acabo de conhecer a garota e não consigo pronunciar algo decente, se ela está com as roupas da marca -que caem muito bem nela por sinal- e na fila da marca é claro que ela está para o Dia da Marca.
–Sim, tipo isso. Respondeu ela rindo do garoto que estava realmente atrapalhado.
–Você não é daqui é?Ae!Uma pergunta decente de alguém com cérebro humano pensou Brihan. Pelo menos tenho certeza de que nunca te vi na cidade.
–A não, eu sou de Crisan, meu pai e mercador lá, vive viajando e essas coisas, mas e você é de onde?
–Ah, eu...
–Nossa, desculpe a pergunta idiota, você deve estar achando que eu sou uma retardada mental, se você disse que nunca me viu na cidade é claro que você mora aqui, ah! Aqueles ali são meus pais.Vivian acenava para um alto homem de cabelos escuros e uma mulher que se parecia muito consigo e com certeza era sua mãe, os olhos verdes eram inconfundíveis.Os seus estão por aqui?
–Eles morreram...
–Ah...me desculpe eu não tinha a intenção, me desculpe mesmo, meus pêsames...é bem...é.... Ela vestia aquele olhar de pena que a maioria das pessoas usavam quando descobriam que Brihan era órfão além de um embaraço Brihaniano.
–A minha mãe morreu quando eu tinha seis ainda em Ren e meu pai pouc.... Brihan percebeu que tinha falado demais, Ren era o continente do leste e a garota saberia que ele era um estrangeiro e provavelmente vestiria aquele segundo olhar típico de quando descobriam que ele era filho de estrangeiros, já havia se enforcado de qualquer forma e não precisava terminar a sentença.
–Ah....Disse a garota olhando para o chão envergonhada por sua falta de tato.Ren não é o continente do Leste?
–Sim.
–É verdade que lá a água é dourada?Perguntou Vivian olhando para o rosto do rapaz.
–Sim eu sou um est....O cérebro de Brihan havia travado, ele estava prestes a responder que era um estrangeiro mas a pergunta da garota parecia não bater, e quando ele olhou para ela ele percebeu que não era um olhar de repulsa que brotava na face da garota e sim de curiosidade num rosto que havia corado profundamente, que estranho pensou Brihan perplexo.É... não toda, só a de alguns rios nos vales secretos que vivem mudando de lugar, tem para vender mas é bem caro.
–Você já tomou essa água?Perguntou a jovem que voltava a sua cor normal, ela é linda pensava Brihan que admirava o corpo seminu de Vivian, sua pele era da mesma coloração dele um branco brilhante com os pelos dourados arrepiados de frio enquanto seus brilhantes cabelos loiros eram bagunçados vez ou outra pelo vento, era alta, com apenas uns cinco centímetros a menos que Brihan, de olhos verdes invejáveis as mais puras esmeraldas e o melhor de tudo parecia não ligar para a descendência do garoto, pelo ao contrario parecia curiosa.
–Uma vez, meu pai havia ganhado um frasco em troca de uma peça que ele fez para um comerciante que viajava no sul do reino.
–Tem gosto do que?Ela é realmente muito curiosa pensou Brihan que já sentia alivio a conversar com a garota, faziam uns bons catorze anos que não conversava com uma pessoa da sua idade e provavelmente o mesmo tempo que não via uma tão linda.
–Ahn...sei lá, não tem muito gosto sabe?Mas enche bastante, parece até que você comeu um lorv de grisos.
–O que são ‘grisos’?
–Não tem desses bichos aqui em Len?
–Não.Disse a moça sorrindo.Mas então o que são os ‘grisos’?
–Ah sim, eles se parecem com dragões pequenos de uns quatro metros, mas tem uma cabeça que lembra a de um morcego e em vez das patas possuem assas de cinco metros, eles andam normalmente em bandos, os ‘lorvs’ não costumam atacar humanos, a não ser que sejam intimidados.
–Você já comeu algum?Perguntou Vivian que cruzava os braços em volta da barriga para tentar se esquentar.
–Sim.Disse Brihan sorrindo de um lado ao outro do rosto, na verdade ele nunca tinha comido grisos.
–Serio?Ela parecia perplexa.
–Não, eles são venenosos, meu tio tentou uma vez e morreu oito dias depois, ele dizia que rejuvenescia, de qualquer forma ele dizia que minha mãe era uma vampira metamorfa e eu um anão disfarçado, então nós costumávamos a não acreditar muito no que ele falava.Vivian dava pequenos risinhos e o sorriso de Brihan se alargava, era uma sensação tão prazerosa fazer ela rir, ele se sentia como se fosse o cara mais inteligente e legal do continente.
–Meus avos eram de Oen. Disse a garota se recompondo, Oen era o continente a oeste de Len.
–Nossa que...
–Olhe. A garota o interrompeu apontando para o palco aonde um homem se levantava de seu trono e ia em direção a fonte na qual a magia de proteção havia sido quebrada, silencio caiu sobre a praça das escolhas.
A Marca iria começar.
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