Notas iniciais
–Nossa que silencio. Disse o homem que havia levantado do trono e agora se encontrava em frente a fonte,a visão de Brihan não era uma das melhores mas ele percebera que a voz provinha de um dos gêmeos sendo uma tarefa quase impossível de distinguir qual era qual se eles não fossem de classes diferentes usando assim roupas nada parecidas entre si coisa que parecia a Brihan ser um alivio para seus outros companheiros; O que falava no momento usava a roupa negra e a inconfundível capa dos espiões.Olá pessoal, prometo que vou tentar ser o mais rápido possível, bem, como todos sabem -espero eu- hoje é o tão esperado Dia da Marca, aquele dia que todo garoto fica na expectativa de ver um losango de bordas azuis dentro de um quadrado de bordas vermelhas brotar no antebraço direito e todas as jovens sentirem dois losangos de bordas azuis um dentro do outro queimarem na parte de trás do pescoço,bem... pelo menos era isso que meu irmão queria e eu nunca acreditei na historia da mamãe sobre ele ser um garoto, apesar de sermos gêmeos idênticos...
–Só para constar ele está falando do nosso outro trigêmeo o Austin.Gritou o Paladino num trono que ficava na ponta esquerda quando todos os olhos haviam se voltado em sua direção.
–...a é esqueci de mencionar esse detalhe,mas isso não importa, o que importa é que estão todos aqui, quer dizer a maioria deve estar pelo menos, sempre tem um deficiente mental que acha que o ritual começa meio dia, entretanto como de costume A Marca começara as seis, sendo requisitada a presença de todo o cidadão que possua catorze anos completos até as seis horas do dia dois de julho, ou seja hoje! E não, quem faz catorze as sete horas ou em qualquer dia dessa semana não pode ser marcado no dia de hoje, foi mal garoto vai ter que esperar até o ano que vem.A mão levantada de um jovem se abaixou.E qualquer um que não possua a idade e tente receber a marca só vai ganhar uma tremenda dor de barriga além de não poder recebe-la no outro ano e nem é por maldade ou coisa do tipo, é que o elixir da revelação só pode ser tomado uma vez na vida.
–O que acontece se alguém toma duas vezes?Perguntou um garoto que estava na fila.
–Você se muda de casa.Respondeu o espião de forma paciente.
–Como assim?Que casa?Questionou uma garota no começo da fila feminina.
–Ah, uma bem simples, um cômodo retangular de dois metros quadrados, situado a sete palmos em baixo da terra.Respondeu o Paladino.Não é uma oferta muito tentadora não é Mark?
–Realmente não é. Respondeu o espião enquanto ambas as filas ficavam com cerca de uma dezena de jovens a menos.Bem agora que só temos as pessoas que participarão acho uma boa ideia começar, já são é... que horas são Fab?
–Seis e dezessete.Respondeu depois de olhar para o céu o Estrategista que se encontrava no quarto trono da direita para a esquerda.
–Ok então só se passou um quarto de hora acho que devemos come... nossa como eu sou retardado...
–Eu já tinha te avisado disso faz tempo.Falou de forma retumbante o Bárbaro que se mostrava na ponta direita.
–Ah cala a boca vai Brod, e como eu estava prestes a dizer antes desse metido a engraçadinho me atrapalhar, eu quase ia me esquecendo de mencionar que nesse dois de julho A Marca pode ser um pouco diferente já que estamos no tão esperado Ano do Renascimento. murmurios ecoavam por toda a praça, todos obviamente sabiam sobre o que Mark falava, mas não importa quanto as pessoas saibam de determinado assunto sempre que ele for importante e dito por alguém em cima de um palco murmúrios vão rolar.Am-ahm tudo muito legal tudo muito bonito mas temos que continuar, bem todos sabem que já se fazem quatorze anos desde a morte de nosso tão antigo e amado rei, cento e doze anos de vida, mais que saúde ele tinha eim?E eu penso que ninguém aqui a não ser o Ancião e um padeiro chamado Lon -se não me engano- eram vivos na época do outro Ano do Renascimento e vou dizer para vocês não é nada diferente de um Dia da Marca normal a não ser pelo fato de no dia de hoje em algum lugar de Len -podendo ser até mesmo aqui- a marca branca surgira, a marca do rei que pode ser facilmente reconhecida por ter um formato igual o dessa praça, um circulo, um quadrado e um losango se sobrepondo na cor branca que aparece bem no meio da testa, não é muito estiloso mas com uma pequena ajuda de algum ilusionista seria possível mover, como se algum idiota não quisesse a coroa por não achar o símbolo do rei atraente, bem...acho que já dei todos os recados não é?...Fab?
–Os lugares das marcas. Disse o Estrategista
–A claro bem como eu já disse a marca do rei aparece na testa, a do Camponês como a maioria deve saber é no braço, direito para os homens e esquerdo para as mulheres, a do Bárbaro, Guerreiro, Paladino e Invocador seguem as mesmas regras de lados que o Camponês com a diferença de que se encontram respectivamente no ombro, parte externa do antebraço, parte interna do antebraço e costas da mão, o do mago fica no plexo solar a do curandeiro no lado esquerdo do peito. A do estrategista atrás do pescoço na altura da cervical. A do espião primeiramente não aparece em nenhum lugar a não ser que a pessoa marcada toque na língua coisa que dói pra caramba e a marca do Ilusionista é claro que pode aparecer em qualquer lugar sem ser nesses que eu já falei, ufa acho que todas as explicações foram dadas então já po...
–Você esqueceu de falar que é preciso tirar um pouco do sangue o por no elixir para que ele faça efeito.A voz era de um garoto que havia gritado do meio da multidão, todos olharam para o jovem que assustado parecia se encolher, normalmente quando alguém interrompia um nobre em alguma declaração oficial a pena era uma dúzia de chibatadas, porem ao invés de mandar açoitar o garoto o espião apenas riu.
–Claro, como eu pude esquecer algo tão importante, o garoto disse e eu não vou repetir porque o tempo voa, pode subir a primeira donzela.
E com esta ordem A Marca começou. A garota que fora chamada pelo espião começava a subir as escadas porem era impossível não notar seu receio que não era para menos, seria a primeira a receber a marca coisa que trazia precaução até no mais centrado dos jovens quem dirá no inaugurador do elixir, pois mesmo os filhos de famílias de incontáveis gerações nobres podiam estar fadados a se tornarem camponeses já que ninguém poderia saber ao certo que símbolo brilharia em sua pele ‘no dia M’ e se filhos de nobres ficam com um triangulo no braço quem dirá eu, um órfão e estrangeiro pensou Brihan olhando para o chão, estava tão perto mas mesmo assim tão longe queria que tudo acabasse e ao mesmo tempo nunca começasse, seu estomago estava embrulhado, não possuía tanto medo de ganhar a marca do Camponês mas mesmo nunca tendo pensado tão afundo, tudo que ele queria era que algum desenho colorido brilhasse em sua pele quando sua vez chegasse.
–Brihan olhe. Disse Vivian tocando com uma mão no ombro do garoto que repentinamente se arrepiou enquanto a outra apontava para o palco.
A garota que estava subindo já se encontrava no palco tremendo enquanto tentava tirar um pouco de seu sangue para derramar num cálice repleto do elixir proveniente da fonte, era baixa cerca de um metro e cinquenta e cinco, com cabelos que pareciam oscilar entre um vermelho cor de ferrugem e um dourado escuro, olhos que mesmo Brihan não conseguindo ver direito lembravam grandes pedras de âmbar e uma pele clara que depois de cerca de um minuto derramava sangue suscetivelmente no elixir fazendo assim a cor mudar de transparente para um negro cor de piche.
–Ola.Disse o espião se abaixando em direção a jovem com um sorriso no rosto, o palco possuía uma magia amplificadora cercando-o desta forma era possível ouvir tudo que se falava lá.
–Oi.Respondeu ela que olhava para sues pés parecendo acha-los naquele momento a coisa mais interessante do mundo.
–Qual é seu nome gracinha?
–É...eu m-me chamo é....O rosto da garota que já se encontrava meio rosado pareceu quase que explodir em chamas quando Mark perguntou seu nome, e se Brihan não estivesse prestando atenção na conversa poderia ter jurado que ela havia usado um tomate gigante como capacete enquanto conversava com o espião.Sarah, me chamo Sarah.
–Anote os nomes ai Al.Disse Mark jogando um rolo de pele de cordeiro em forma de pergaminho para o mago que além de parar o objeto com o poder da mente no meio do caminho abriu-o e com uma pena que se mostrava dentro do rolo começou a escrever sem ao menos mexer os braços que continuavam cruzados no peito, franzindo o cenho levemente. Bem, você sabe o que fazer. Continuou Mark agora se dirigindo a Sarah com um aceno em direção ao frasco de coloração negra que a jovem segurava tolamente na mão direita.
–Ah sim.Falou a garota e depois de uma profunda respiração que ecoou por toda a praça, ela colocou o cálice nos lábios e em dois longos goles havia esvaziado todo o liquido escuro.
Por cerca de cinco segundos nada aconteceu até que...
–Aaaaaaaaaaiiiiiiiii. A garota que a um segundo atrás se encontrava parada estava caída no chão gritando enquanto segurava seu abdômen firmemente tentando fazer a dor passar.
O som fora tão alto e tão inesperado que quase todas as pessoas que estavam na fila ou na multidão deram um passo involuntário para trás, a garota ainda se encontrava no chão mas a dor que ela acabara de sentir parecia ter ido tão rápido quanto chegara e cerca de cinco segundos depois já se encontrava tão bem quanto antes de tomar o elixir, mas com uma pequena diferença,ela estava marcada.
–Bem pelo o que vejo a garota é da sua equipe Al. Disse o espião, os olhos mago se arregalaram e seu lábio se abriu num pequeno sorriso, pois aquela garota que havia acabado de cair de dor no chão possuía dois círculos de bordas amarelas um dentro do outro estampados no seu plexo solar, era uma maga.
–Pois é, uma maga.Disse Al num tom sonhador enquanto chamava a garota para se sentar perto de seu trono.Uma abertura e tanto eim? E não se esqueça da aposta viu Jenny.Terminou o mago olhando para a curandeira que também parecia admirada.
Brihan não sabia o porque de tanta alegria por parte do mago, afinal de contas era só mais uma nobre que recebera a Marca da magia, o que poderia ser de tão especial, mas o que o jovem não sabia era que os magos eram tão raros no reino que só haviam cerca de sete deles por ano estudando em Austram.
–Um dos garotos agora e depois outra garota, dessa forma consecutivamente até a fila virar fumaça, só não cai na fonte não moleque de acordo com o AL demoram-se nove anos para preparar essa coisa,...isso, isso mesmo coloca o sangue no vidrinho. A propósito qual é o seu nome?...
As horas se passaram e como de costume a grande massa de jovens que ocupava a fila se dispersou com tristes olhares na face e escuros triângulos nos braços, entretanto naquele ano em especial houve um grande aumento no numero de recém-nobres, garotos e garotas que após exibirem suas marcas coloridas ao publico- em grande parte a seus pais ou algum pretendente- se acomodavam em algum canto do grande palco normalmente próximos aos representantes de suas classes enquanto esperavam o fim da cerimônia, para que, como de costume pudessem ir à ceia que fora preparada para os que haviam tirado a sorte grande. Era algo tedioso ver todos recebendo a marca, em grande parte por ser o mesmo símbolo triangular na maioria das vezes e em outra por que era realmente muita gente, era tanta gente que quando a fila havia sido diminuída pela metade cerca de meia centena de jovens já ocupavam o palco, numero este que dificilmente era atingido no fim dos rituais, porem dentre os cinquenta houveram dois garotos que se destacaram, um deles que parecia ter o cabelo mais escuro que a mistura de elixir com sangue mal havia terminado de tomar o liquido e a marca de invocador já brilhava nas costas da sua mão direita, parecia vir de uma família de nobres pois logo após ter a pele marcada havia despejado o conteúdo de uma bolsa cheia de prata para a multidão, quando o espião perguntou o porquê ele simplesmente respondeu que havia jurado que se recebesse a marca jogaria todas as suas economias para o povo, as pessoas em volta diziam que ele vinha de uma família excêntrica, coisa que para Brihan era uma forma menos ofensiva de dizer louca, o segundo garoto pelo contrario não havia recebido a marca de forma tão rápida mas quando ela aparentemente queimou em seu corpo o jovem caiu no chão e ficou deitado lá por cerca de três minutos, quando o espião perguntou a ele aonde havia doido ele murmurou algo como ‘lá em baixo’, não havia sido obrigado a mostrar pois todos sabiam que ele não podia ser outra coisa se não um ilusionista, alem dos dois também teve um terceiro jovem quase no final quando cerca de apenas trinta pessoas estavam a frente de Brihan, era um jovem de estatura mediana, olhos castanhos cor de terra e pele extremamente pálida que ao invés de cortar sua pele havia calmamente tirado um pedaço de sua unha e jogado no cálice repleto do elixir causando assim vários olhares de curiosidade por parte dos espectadores na praça, porem meio segundo após o elixir do garoto ter se tornado de um negro profundo o estrategista que se encontrava entre a curandeira e a ilusionista gritou dizendo que daria um Labron para cada pessoa na praça se o garoto não se tornasse um estrategista, cerca de sete segundos depois dois losangos um dentro do outro queimaram na cervical do garoto, a multidão pareceu um pouco desapontada com o fato.
–Nossa, eu sempre pensei que era preciso um pouco de sangue. Disse Vivian que olhava para Brihan com uma expressão de perplexidade na face.
–Eu acho que pode ser qualquer parte do corpo. Respondeu o garoto que se lembrava do sonho que tivera quando os mortos haviam colocado seus ossos em vez do sangue no liquido incolor. Mas com sangue parece mais nobre e também tem aquilo de que provavelmente todo mundo...
–Vai querer imitar o pobre do rapaz, é não vai ser muito legal querer tirar outra coisa em vez de sangue agora que o garoto jogou um pedaço da unha. Completou Vivian.
–Realmente não vai. Disse Brihan enquanto apreciava a beleza da garota com seus claros olhos ela é perfeita, ninguém havia completado uma frase minha antes pensava o jovem num olhar que parecia sem duvida estúpido na verdade eu não falo com ninguém a uns sete anos então seria meio complicado alguém terminar o que eu digo.
O sol brilhava no meio do céu enquanto o corpo de Brihan que tremera cerca de seis horas atrás agora suava como nunca, menos de uma dúzia de garotos se encontravam entre Brihan e a fonte, ao contrario do pensamento compartilhado pelos dois novos amigos quase todos os jovens que seguiram o estrategista decidiram usar de sua ideia coisa que causava pequenos risos do representante de vestes azuis e seu mais novo pupilo, porem Brihan pode reparar que a maioria dos outros representantes ostentavam largos sorrisos na face principalmente o mago que possuía agora cinco jovens sentados aos pés de seu trono um numero que superava a soma dos dois anos anteriores.
–Ah até que em fim está acabando, acho que se eu ficasse mais meia hora aqui meus pés iriam criar raízes. Exclamou o espião quando o garoto na frente de Brihan havia tomado seu elixir. Bem, linda é a sua vez.Terminou ele se dirigindo a Vivian que era a ultima da fila das garotas.
–Ah sim estou indo. Disse a garota que naquele momento já começava a subir as escadas que levavam ao palco e desta forma a fonte. Tomara que não de triângulo, odeio triângulos.
–Boa sorte Vivian. Falou Brihan que agora era o ultimo restante na fila.
–Para você também. Respondeu ela que já se encontrava próxima à fonte. Tomara que nós dois consigamos as marcas nobres, seria legal estudar com você.
O coração de Brihan deu eu pequeno salto, era uma frase idiota, mas mesmo frases como essa continham um toque magico quando ditas por alguém especial, o garoto balançou sua cabeça como se estivesse tentando sair de um transe –coisa que não era muito improvável- e pôs-se a assistir a penúltima marca do dia, Vivian era linda e isso não podia ser objetado principalmente depois dos rápidos murmúrios de adolescentes no meio do palco e multidão que haviam pegado provavelmente o mesmo ponto que Brihan quando a bela jovem se apresentou para se submeter a marca.
–Como se chama minha querida? Repetiu o espião pela milésima vez a mesma pergunta naquele dia.
–Vivian. Respondeu ela que já havia enchido de elixir um cálice que havia aparecido magicamente na borda da fonte.
–Belo nome, belo nome, minha mãe também se chamava assim. Comentou o espião num expressão triste, que se transformou em um largo sorriso no segundo seguinte. Você sabe o que fazer, tirar um pouco de sangue ou imitar o queridinho do Fab.
–Bem, eu iria tirar um pouco de sangue se o garoto não tivesse jogado um pedaço da unha, então acho que vou continuar com a mesma ideia.
–Ótimo e já que você está pronta para desenhar na pele, acho que uma faca seria mais útil que os dentes. Falou o espião enquanto entregava a arma cerimonial para a garota que sem hesitar tomou-a em suas mãos e num preciso golpe perfurou seu indicador da mão esquerda, colocando o cálice logo abaixo do dedo cortado para que o liquido rubro se derramasse no incolor tornando-os uma só escura mistura que a jovem pôs nos lábios drenando todo o conteúdo num piscar de olhos.
–Nossa que rapidez. Gritou o paladino que observava a cena sorrindo abertamente. Se todos fossem tão rápidos quanto à garota teríamos acabado com isso na metade do tempo.
–Verdade.Respondeu seu irmão que parecia contar os segundos com os dedos da mão direita, provavelmente marcando o tempo entre o esvaziamento do cálice e os gritos da jovem.
–Aaaaaaaaiii. Gritou Vivian que meio segundo depois do grito já se encontrava no chão, numa cena quase idêntica á da maga que abrira a cerimonia.
–Sete segundos. Exclamou o espião que se abaixava em direção a garota para tentar ajuda-la a levantar.
–Sai de perto. Gritou a jovem que se encontrava encolhida no chão empurrando com os pés o homem de trajes negros. Meu peito está doendo muito, muito mesmo, e eu estou no meio da na semana da lua, não encosta em mim!
–Me desculpe.... Disse o homem recuando dois passos para trás num tom de cachorro surrado.... Más pera ai. Retomou ele numa voz mais digna de seu nível. Eu que comando essa joça e eu acho melhor...
–Cala a boca Mark. Falou a curandeira que se encontrava no terceiro trono da direita. Você não deve saber mas uma marca no seio não é muito prazerosa.
–Ah eu... é... sim, desculpe Jenny .Respondeu ele no mesmo tom que usara com a jovem pouco tempo atrás. Então, bem... Vivian não é? Sim é...Em qual dos seios especificamente a marca ardeu?
–faz diferença?Retrucou a garota que começava a sair do chão com uma das mãos ainda apalpando a área do tórax.
–Sim. respondeu a curandeira antes que o espião pudesse abrir a boca.
–Foi o esquerdo. Respondeu relutantemente a jovem.
–Bem. Começou a curandeira que mostrava uma clara demonstração de satisfação na face. Então você faz parte do meu grupo.
–Oi? Perguntou Vivian numa voz que havia mudado de uma pronunciada irritação para a total incompreensão.
–Isso quer dizer que você é uma Curandeira. Respondeu a Invocatriz que se sentava entre o mago e o vago lugar do espião, este já recomposto.
A reação dela foi surpreendente, pois a mesma garota que havia escorraçado um dos representantes cerca de um minuto atrás agora corria em direção a fila oucupada unicamente por Brihan e sem se importar com os três últimos degraus entre o palco e o chão se jogou em direção ao garoto que estampava na face um olhar quase idêntico ao da mesma que cinco segundos atrás se encontrava no palco, mas totalmente diferente da que naquele momento rolava no chão com ele, abraçando-o e beijando sua face, as pessoas ao redor olhavam quase tão perplexas quanto ao ver a cena do invocador-distribuidor-de-moedas, e quando ela finalmente se levantou para subir novamente no palco Brihan não achava que o rosto da maga de olhos âmbar tivesse ficado tão vermelho –pelo menos não em comparação ao seu-.
–Vamos garanhão é sua vez. Gritava o espião que ria da expressão aturdida do garoto.
–Sim. Respondeu ele sem pensar, pelo menos não no que o outro dissera.
Sua mente estava envolta em um turbilhão de ideias, ideias que iam desde como uma pessoa podia ser tão perfeita quanto a diferença que uma descendência diferente podia acarretar, não se lembrava de ter sido beijado na face desde que perdera sua mãe entretanto não era isso que o fazia continuar parado ante a escada, eram coisas mais profundas, o simples pensamento que dez passos o separavam de duas vidas opostas e tudo isso se encontrava “nas mãos” de um simples liquido que poderia traçar diferentes linhas em sua vida, aquilo parecia um pouco injusto para falar a verdade porem não tanto quanto os meios usados em Ren que consistiam simplesmente na ideia que se a pessoa nascia de determinada forma morreria do mesmo jeito, filhos de reis se tornavam reis, filhos de plebeus continuavam a trabalhar duro como seus pais e os escravos prisioneiros de guerra bem esses normalmente não viviam muito para continuarem uma descendência, entretanto os métodos lenianos não pareciam mais corretos mesmo quando comparado com os de Ren, estrangeiros com mais de catorze não tinhão praticamente nenhuma chance na vida publica de Len, e mesmo aqueles nascidos nobres em suas terras natais não detinham um direito maior que o mais desprezível dos mendigos nascidos em solo leniano, referidos como os sem marca, pele limpa, simplesmente estrangeiros ou mesmo quase-humanos quando o objetivo escolhido se mostrava a ofensa os forasteiros de Oen ou Ren eram quase sempre excluídos, coisa que alguns poderiam perguntar como, se humanos são tão iguais e diferentes de si, bem só os povos de Len tinham o costume da marca então se alguém pedisse um emprego seria apenas questão de tempo antes que a pessoa percebesse que não havia qualquer símbolo em seu corpo, tirando essa pequena reflexão de Brihan referente a injustiça presente no mundo –algo simplesmente “atípico” de um adolescente- sua mente vagava por coisas mais banais como o desejo de uma marca colorida brilhar em sua pele –contradizendo totalmente a sua oposição pelo método de Len- pois agora que Vivian havia recebido a marca dos curandeiros tudo que ele mais desejava era que um símbolo colorido brilhasse em sua pele para que pudesse estudar em Austrat junto dela, porem em seu amago sabia que dificilmente teria chance de receber uma das nove marcas, não possuía nem de perto o físico de um bárbaro muito menos as características incorporadas num guerreiro, não era corajoso como um paladino tão pouco possuia o dom para a magia de um mago, em termos de cura sabia que sua pele possuía um fator elevado porem não sabia como ajudar um simples pássaro ferido, a sua conexão com a natureza e os animais se baseava na linha de esfomeado e comida , era um pouco inteligente não podia se negar isso mas passava longe da requisitada por um estrategista e podia até ser um espião pelo fato de possuir grande habilidade em fugir de perseguições entretanto a maioria dos espiões conseguia passar quase que despercebidos além de conseguir se manter concentrados na tarefa por horas a fio duas das coisas que pareciam ter sido simplesmente negadas a Brihan, e também havia a oportunidade de se tornar ilusionista coisa que o garoto descartou na hora, nunca fora bom na arte de convencer, nem mesmo Lob o comerciante doido da vila havia caído em sua lábia, mas mesmo assim a esperança continuava.
–Hey, garoto eu sei que você deve estar caidinho por ela mas também não precisa ficar parado desse jeito como se o Trivalente estivesse falando com você pessoalmente. Ou ele está? Disse o espião numa expressão que mostrava uma enorme pressa.
–Não senhor. Respondeu Brihan que notava os pesados olhares da multidão, ele devia ter ficado petrificado por um longo tempo.
–E se você não se incomodasse, quem sabe você poderia subir aqui e tomar o elixir é isso que a maioria das pessoas fazem quando pegam a fila que você está...
–Sim estou indo. Respondeu Brihan subindo as escadarias que levavam ao palco.
Bem chegou a hora pensou Brihan que esperara tanto tempo por esse momento porem diferentemente dos outros quando ele colocou seus pés no palco vaias e mais vaias soarem estas acompanhadas por pedras e frutas podres que em vez de acertarem o jovem ricochetearam numa espécie de campo de força que envolvia o palco.
–Nossa parece que a não ser pela sua namorada você não é muito popular aqui. Disse Mark quando Brihan se encontrava frente a ele e a fonte.
–Ela não é mi-minha namorada. Murmurou Brihan que se sentia sua bochecha corar, entretanto ele e Vivian haviam parecido ser namorados coisa que fazia os lábios de Brihan se curvarem involuntariamente.
–Mas mesmo assim eles não parecem gostar muito de você, tem alguma ideia do por quê?
–É que eu...
“Quase humano”Gritou uma voz no meio da multidão, o sorriso de Brihan murchou bem agora metade da parte leste do reino sabe de onde eu sou pensou ele que olhava em direção ao espião esperando um olhar de repulsa, porem a expressão do representante de negro como a de Vivian o surpreendeu.
–QUEM DISSE ISSO? A voz dele mudara repentinamente como a de um animal raivoso quando ferido, seu irmão percebeu Brihan havia se levantado do trono com um olhar tão rubro quanto o de seu gêmeo. SE EU OUVIR MAIS ULGUMA VAIA OU VIR ALGUÉM JOGANDO QUALQUER COISA EM DIREÇÃO AO GAROTO, EU PROMETO QUE VOU PUNIR ESTA PESSOA DE FORMA TÃO SEVERA QUE TODOS, EU DIGO TODOS VÃO DESAPRENDER A PRONUNCIAR ESTE NOME.
E como em um passe de magica silencio caiu no meio da multidão, parecia estranho alguém se impor com tanta veemência diante a uma frase que já não era incomum aos ouvidos de Brihan.
–Bem garoto não ligue para eles, coisa que você já deve fazer. Disse o espião numa voz absurdamente mais calma e afetiva. Meus pais também eram estrangeiros e olhe só agora, eu sou um Representante e as pessoas que me xingavam são hoje camponeses, bem melhor irmos vai usar a faca cerimonial?
–Sim. Respondeu Brihan mais aliviado em saber que um estrangeiro podia chegar até o cargo de representante e ainda por cima dois irmãos terem conseguido esse feito.
Ele pegou a faca e rapidamente foi em direção a fonte na qual tomou em sua outra mão um cálice que aparecera magicamente, encheu-o do liquido transparente, que se o jovem não soubesse diria ser água, colocou o cálice agora cheio novamente na borda da fonte e segurando a faca firmemente com a mão direita fez um corte em seu antebraço esquerdo que no mesmo momento começou a derramar sangue no qual Brihan colocou o cálice repleto do elixir embaixo para que o corte não fosse a toa e estranhamente seu elixir pareceu se tornar dourado por uma fração de segundos antes que adquirisse a costumeira forma negra.
–Qual seu nome jovem? Perguntou o espião que olhava fixamente para o liquido esperando talvez que se tornasse dourado novamente.
–Brihan. Respondeu o garoto que já se preparava para enjerir o conteúdo do cálice.
–Já anota o nome dele ai Al, tenho certeza que o moleque vai ter uma marca colorida no corpo.
O estomago de Brihan se embrulhou, pelo jeito que as coisas iam ele praticamente tinha a obrigação de ganhar uma das nove marcas, não queria decepcionar o espião e muito menos Vivian mas sabia que não se encontrava em suas mãos decidir como sua marca iria se parecer, respirou fundo fechou os olhos e com as mãos tremendo e a boca seca ingeriu todo o liquido e apenas dois segundos depois...
–Aaai. Exclamou Brihan pois uma dor excruciante havia atingido seu antebraço direito no qual a marca do guerreiro brilhava.
–Bem, eu acho que isso serviu para ca....A voz do espião que parecia realmente satisfeita morreu em meio ao ar quando seus olhos se direcionaram novamente a marca que se encontrava no braço do garoto, bem se “encontrava” realmente pois cerca de três segundos depois de aparecer ela havia sumido. Ma-ma-mas como? Isso não acontece, eu pelo menos nunca vi acontecer, marcas não podem aparecer e desaparecer dessa forma, caramba garoto!
A ultima frase dada pelo espião tinha um inquestionável sentido, pois enquanto este se encontrava no meio da frase o confuso garoto havia simplesmente desmaiado, contudo ele apresentava uma nova marca visível que não sairia até o dia de sua morte uma marca que não era uma das possibilidades aceitadas por Brihan, não era uma das nove marcas escolhidas por ele, não era uma marca colorida e sim uma marca branca.
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