Notas iniciais
Essa é minha primeira fic com lemon, então por favor, digam o que gostaram, o que não gostaram, o que está bom e não está, etc. Quero mesmo melhorar, e o melhor é que eu evolua direto no começo, certo?
A história começa exatamente no mesmo ponto em que o anime termina, ou seja, tem spoilers -Q

A vingança estava feita, Shion pensou, passando os dedos pelos lábios dormentes, que agora ardiam por dentro. Estavam entreabertos e não queriam deixar de estar, sorvendo algum pouco ar gelado pro interior da boca quente e salivante.

Lembrava-se claramente das palavras de Nezumi quando deixaram o Distrito Oeste.

"Sem mais beijos de despedida, certo?"

Ele suspirou. Maldito hipócrita.

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Na verdade, Nezumi era tudo, menos hipócrita. Naquele momento, ele estava sentado em sua toca, olhando para o alto.

Olhava para o teto, mas o que ele via era Shion.

Que tosco. O quão arrependido teria que se sentir até que o martírio de ser ele mesmo o abandonasse? Quantas vezes sua mente lhe repetiria, com um tapa ardente na cara, que ele era culpado pela própria situação? Por que ele não conseguiria nunca deixar de se arrepender por ter quase matado o que amava em seu amado?

Quantas mais perguntas retóricas, irrespondíveis e caladas atravessariam sua mente, arrastando consigo uma flecha que cortava seu coração?

Seus olhos ainda mostravam para si a cena, que se gravava em seu cérebro e agora se reproduzia em sua retina.

Sangue, lágrimas e Shion. Um caleidoscópio que mesclava as três coisas dominava sua mente, reproduzindo aquela memória do dia em que Shion quase morrera, apesar do coração bater e de seu corpo respirar. Ainda não acreditava que tinha feito o albino matar uma pessoa.

Outra pessoa.

Um sádico, mas uma pessoa.

Um assassino, mas uma pessoa.

Um traidor, mas uma pessoa.

Um habitante da No.6.... Mas uma pessoa.

No que Nazumi o transformara? Nele próprio? Em outro desesperançado lutador? Em outra pessoa? Em um assassino? Em um...

Humano como todos os outros? Egoísta, mesquinho, amargurado?

Como poderia não ir embora depois disso? Como poderia ficar, se transformaria Shion em outro humano desprezível se o fizesse...?

Nezumi era um lutador. Que agora lutava contra si mesmo.

Poderia algo soar mais adequado para um artista?

Cantor seu palco, ator sem fama. Poeta sem papel. Não havia uma frase que melhor se adequasse a ele, com aquela luta incansável contra os próprios instintos, com aqueles olhos nublados em cinza que escondiam o quanto ele se importava com as pessoas.

Um barulho baixo o arrancou subitamente de seus devaneios. De repente, voltou a ver o teto, e piscou algumas vezes para se reacostumar com a escuridão que predominava na toca. Então, olhou para baixo.

Um minúsculo rato preto o encarava com olhos brilhantes.

O sorriso de Nezumi abriu caminho em seu rosto.

– Hamlet — ele disse, guardando-o em seus dedos.

O rato olhou em seus olhos, e começou a lhe contar.

Nezumi sorriu novamente, dessa vez com os olhos. Acariciou a cabeça robótica do rato com os dedos.

– Que bom que Shion está bem — murmurou.

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Algumas engrenagens. Um pouco de óleo. Fios e fiozinhos.

Shion sorriu ao observar sua invenção. Como era bom voltar a seus trabalhos científicos! Ainda mais agora, que tinha tudo o que precisava.

O que ele não notou, foi que, por trás da porta, alguém sorriu também.

Mas esse sorriso, estava carregado de sadismo.

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Nezumi ainda estava no quarto, e de novo, sorria, dessa vez para Cravat. Segundo o rato marrom, os ex-habitantes da No.6 agora estavam tentando reformar o Distrito oeste, desta vez garantindo que seria um lugar que funcionaria, em que todos viveriam felizes, sem o governo de antes. E construíam essa cidade com ajuda dos moradores do Distrito Oeste, entre eles Inukashi.

Quem diria. Shion conseguira, de fato, quebrar o muro entre eles.

E, novamente, quem diria. Nezumi não se importava de ter estado errado.

Seu objetivo com a No.6 estava cumprido. Destruíra a cidade, mostrara a verdade. Por algum tempo, se sentira vazio com isso, como se milhares de estradas se estendessem em seu caminho, mas nenhuma levasse a qualquer lugar, apenas caminhadas sem sentido pela terra macilenta e pedras duras.

Mas tudo bem. Porque agora ele tinha um novo, e consideravelmente mais importante, objetivo agora.

Proteger Shion.

Foi por isso que seu corpo se levantou em um pulo e seu sorriso faleceu nos lábios quando viu Hamlet surgir correndo, os olhos brilhando e piscando vermelhos.

Não era para ele ter voltado a essa hora.

Além disso, aquele era o sinal de que Shion estava em perigo.

Nezumi não teve paciência pra esperá-lo. Correu até o rato e o pegou, quase derrubando-o duas vezes eu tentar aproximá-lo de seu rosto. Mas enfim conseguiu, e então ouviu atentamente a ele. E, ao final, só teve uma coisa pra dizer:

– O QUE?!!!!! — ele gritou e, sem esperar qualquer um que pudesse respondê-lo, saiu correndo dali, o canivete em punho.

Notas finais
Posto o próximo capítulo em 2 dias... Mas só se eu receber pelo menos 5 reviews ^^