Eram duas da manhã quando Vanessa acordou com os berros da avó, vindos diretamente da cozinha da casa.

– Nessa, acorda! Nessa! – Gritava a velha, com sua voz estridente rompendo o véu do silêncio que jazia pelos cômodos escuros. Do seu quartinho nos fundos, Vanessa podia ouvir o avô resmungando no corredor com a esposa, implorando-a para não fazer alarde. Obediente, a garota pôs-se para fora da cama e vestiu as primeiras peças de roupa que encontrou pela frente, pondo nos pés as pantufas fofas e saindo do quarto pequeno sem nem mesmo preocupar-se em pentear os cabelos dourados que lhe caíam pelos ombros. Quando cruzou o vão da porta, deparou se com o avô escorado à parede do corredor, com um olhar de extrema preocupação no rosto.

– Vô? O senhor tá bem? – Vanessa adiantou-se para o velho, pondo a mão em seu ombro e olhando diretamente em seus olhos. Seu Evaldo era alto, esguio, muito magro e tão enrugado quanto um idoso pode ser. Apesar da idade, tinha vastos cabelos grisalhos no topo da cabeça e olhos azuis vivazes, de uma perspicácia notável. Mas sua saúde não era a mesma desde que sofrera um infarto quatro anos antes. A vó devia saber que não pode preocupar o vô assim.

– Tô sim minha neta, tô sim... – A voz do velho saía fraca, atropelada por lufadas de ar. – É a tua vó...

– Nessa! Vem já pra cá me ajudar a acender umas velas! – A voz de dona Leocádia chamou, e a origem dos gritos indicava que ela havia se recolhido à dispensa da casa. Vanessa deu uma última olhada no avô e seguiu para o cômodo aonde a avó fora apenas quando ele lhe deu um breve aceno de cabeça, como se dissesse que ficaria bem sozinho.

A casa em que Vanessa vivia com os avós era pequena, feita de madeira, possuindo um piso só. Ficava pertinho da avenida Antares, que era a principal via de Laranjeiras. Em razão disto, Vanessa já tinha se acostumado a acordar no meio da noite em virtude dos baderneiros que passeavam pela cidade nas madrugadas e do som dos carros que percorriam a Antares. Sua avó, no entanto, tinha um sono de pedra, e era difícil para Vanessa pensar em uma justificativa boa o bastante para ela levantar-se da cama no meio da madrugada e gritar pela casa toda. Quando chegou à dispensa, deparou-se com a avó parada diante da pequena imagem de Nossa Senhora que ela tinha em uma capelinha pendurada na parede. Dona Leocádia era uma senhora corpulenta, ainda que atarracada, e sua posição diante da santa quase escondia as incontáveis velas brancas que a velha ia acendendo com a ajuda de um fósforo. Bocejando, Vanessa adiantou-se na direção da avó, e, quando esta notou a presença da neta no recinto, simplesmente estendeu a caixa de fósforos a ela e deu um espaço para que a garota se pusesse diante da capela e ajudasse na tarefa.

– Não esquece nenhuma, Nessa, nenhuma! – A velha falava naturalmente em um tom muito elevado, mas, naquela noite em especial, ela literalmente falava gritando. Tinha um sotaque alemão carregado, o que, em dados momentos, configurava um jeito engraçado ao falar dela. – A Nossa Senhora precisa ver toda essa luz, Nessa, só assim ela livra a gente disso!

– Disso o que, vó? – Vanessa vivia com os avós desde que os pais morreram em um acidente, quando ela tinha nove anos. Poucos dias depois, sua avó deparara-se com um gato preto rondando a horta que ela cultivava nos fundos da casa, o que a velha considerou como um mau agouro. Bastou isso para que dona Leocádia se pusesse a acender velas para a santa. A princípio Vanessa achara que a avó estava senil, mas logo acostumara-se ao hábito que ela tinha de acender velas para a mãe de Jesus sempre que acontecia alguma coisa que ela considerasse agourenta.

– Do fim dos tempos! – Dona Leocádia terminou de acender sua metade das velas e voltou-se apressada para a saída da dispensa, e o som que seus chinelos faziam ao ser arrastados pelo assoalho disse à Vanessa que a avó dirigira-se para a cozinha. A jovem ouviu o som da água da torneira correndo, seguido do de um pesado objeto metálico sendo posto sobre o fogão. Antes que Vanessa pudesse concluir o que acontecia, sua avó voltara, apenas para lhe roubar a caixa de fósforos das mãos. – Vou pôr esquentar uma água na chaleira para fazer um mate. Quando tu terminar com as velas, senta na cozinha comigo. Vou chamar teu vô. Ninguém nessa família vai ficar sozinho agora.

Dona Leocádia sumiu no corredor logo em seguida, gritando pelo marido. Ao terminar de acender as velas, Vanessa dirigiu-se, arrastando os pés, até a cozinha, aonde o tom alaranjado das chamas do fogão tingiam as paredes brancas encardidas da casa. A princípio ela indagou-se por que a avó usara os fósforos para acender o fogão elétrico, mas logo se deu conta de que nem mesmo a costumeira luz do corredor entre a cozinha e a sala estava ligada. A luz acabou? Seria por isso que sua avó estaria pregando o apocalipse? Talvez esteja pra chover... Dona Leocádia vivia prevendo tormentas fortíssimas que nunca chegavam, e Vanessa também havia se acostumado a ver a vó queimando ramos bentos para espantar o temporal.

Enquanto a avó não retornava à cozinha com seu Evaldo, Vanessa aproveitou e correu até a sala, que estava escura como o breu e fedia à mobília velha. Depois de quase tropeçar no carpete felpudo cor de creme que jazia no chão, a garota afastou as longas cortinas amarelo-ovo e vislumbrou a cidade lá fora, banhada pela luz do luar. Quando ergueu os olhos para o céu, buscando as nuvens de tempestade que a avó provavelmente avistara, a garota quase caiu para trás. Eu só posso estar sonhando. Esfregando os olhos para se certificar de que acordara direito, Vanessa encarou novamente o azul escuro raso que o céu tinha naquela noite de lua cheia, e seu coração acelerou de uma forma incontrolável quando ela viu os dez pontos de luz pulsante paralisados no céu, arranjados como uma gigantesca letra V com um dos braços mais longo que o outro. Meu Deus do céu, o que é isso? Não podiam ser estrelas, uma vez que ela jamais vira aquilo antes. Tampouco quaisquer outros corpos celestes. Não era possível que fossem satélites, ou balões meteorológicos. Não podiam ser aviões ou helicópteros, uma vez que o brilho que emanavam era completamente diferente. A luz que vinha daqueles pontos não piscava, não parecia artificial. Ela era quase... Quase natural. Era como se os pontos fossem de luz, e não como se eles tivessem luz. Que porcaria é essa, meu Deus? Vanessa não era uma pessoa que se assustava com grande facilidade, mas, vendo aquela estranha formação de pontos de luz no céu da sua cidade, ela pôde facilmente compreender porque a avó estava tão aflita.

– Nessa! Nessa, cadê você menina? Nessa! – A voz da avó ecoou pela sala, indicando que a velha já estava na cozinha. Contrariando o próprio desejo de permanecer ali e continuar a observar os objetos, Vanessa voltou correndo para a cozinha, quase perdendo as pantufas no caminho. Encontrou o avô sentado à mesa, com um terço em mãos, e a garota teve a legítima impressão e que fora a esposa que empurrara o objeto nas mãos dele. Dona Leocádia estava em pé junto à pia, arrumando a erva na tradicional cuia do mate. Só mesmo ela para fazer isso numa hora como essa. – A Nossa Senhora vai ajudar a iluminar a gente. Ah, ela vai. Senta, Nessa, vamos rezar.

Ela não era exatamente uma garota religiosa. Não era ateia, tampouco. Frequentava a igreja meramente por obrigação, uma vez que sua avó era a melhor definição possível de uma velha carola. Ela gostaria de dizer a ela alguma coisa como “Eu não acredito que rezar vá nos ajudar muito agora”, mas achou que seria a pior ideia possível verbalizar um comentário como aquele. Vanessa não tinha a menor ideia do que podiam ser aquelas luzes sobre Laranjeiras, mas não estava disposta a deixar o pânico irracional tomar conta da sua mente. Deve ser algum fenômeno eletromagnético, sei lá, deve haver uma explicação razoável.

– Cadinha, cê não acha melhor a gente voltar pra cama... – Começou seu Evaldo, numa interminável maratona para tentar superar a dominância que a esposa tinha naquele relacionamento.

– Claro que não Evaldo, onde já se viu. A gente tem mais é que rezar. – Dona Leocádia, no entanto, não parou de arrumar a erva para pegar um terço. – Rezar para o Senhor deixar a gente entrar no Paraíso. Vai começar o Juízo, Evaldo, eu tô te dizendo! Nessa, eu já pedi pra tu sentar!

Vanessa voltou a atenção a avó quando ouviu seu nome e puxou uma cadeira, mas, antes de se sentar, lembrou-se subitamente de um detalhe importante. Diogo.

– Hã, vó eu... Já venho. – E voltou-se para o corredor que entrava nos fundos da cozinha, que terminava no seu quartinho e continha a porta do quarto dos avós. Quando passou pelo vão da porta, ouviu a vó chamando seu nome novamente, resmungando alguma coisa sobre como desaprovava o namorado da neta e sobre como ela ainda iria acabar com aquela família com um comportamento como aquele.

Chegando ao quarto, Vanessa pegou o celular ao lado do travesseiro e soltou um suspiro intenso ao constatar que pensara corretamente. Uma chamada não atendida. Diogo. O namorado era dois anos mais velho e ficava constantemente acordado pelas madrugadas para terminar trabalhos da faculdade. Vanessa supusera que ele também teria visto as luzes e provavelmente ligaria ou enviaria uma mensagem. Movendo os dedos rapidamente pelo teclado, Vanessa ligou de volta para o namorado e começou a andar de um lado para o outro pelo quarto, roendo as unhas enquanto esperava que ele atendesse.

– Vane! Eu tentei te ligar! – A voz calma que Diogo tinha fora substituída por um sussurro apressado, repleto de nervosismo. O que aconteceu pra deixar ele assim?

– Sim, eu vi... Minha vó me chamou e eu não consegui atender, desculpa. – Ela ocasionalmente lançava olhares na direção da porta do quarto, para certificar-se de que a avó ainda não viera para arrastá-la para a reza. – Escuta... Tu viu as luzes? Minha vó tá doida aqui em casa por causa disso!

– Vane, eu vi desde o começo. – Ele fez uma pausa e Vanessa pôde ouvir outros sussurros do outro lado da linha, constatando que as irmãs e a mãe de Diogo estavam provavelmente acordadas. – Elas não apareceram, Vane, elas estavam se movendo!

– ...Que?! – A ideia de que dez pontos de luz alaranjados tivessem simplesmente surgido no céu sobre Laranjeiras já era suficientemente aterrorizante, mas descobrir agora que elas na verdade estiveram se movendo era imensamente mais perturbador. O que é que está acontecendo aqui? – Di você... Você tem certeza?

– Claro que eu tenho, a Laiane tava acordada e viu comigo, ela tá tremendo Vane – A menção da irmã mais nova de Diogo despertou ainda mais a garota para a seriedade daquela situação insólita. – Minha mãe já tentou tudo pra acalmar ela, mas ela tá chorando sem parar desde que ouviu o silvo.

– Hã? Silvo?

– Vanessa! Volta pra cozinha! – Chamou a avó, parecendo mais preocupada do que antes.

– Deixa a menina, Cadinha, ela decerto tá preocupada com o namorado... – Seu Evaldo intercedia pela neta, e Vanessa sentiu-se silenciosamente grata por pelo menos o seu avô não estar contra ela naquela casa.

– Que? Você não ouviu? – Diogo pareceu ainda mais assustado ao proferir aquelas palavras. Vanessa sentou-se na cama e sentiu as pernas tremerem. Um... Silvo? – Acho que faz uma meia-hora, sei lá. Começou como um barulho meio metálico, tipo interferência, saca? Daí começou um barulho muito agudo, que nem um apito, deve ter durado uns quinze segundos... Daí deu um estalo muito alto e a luz caiu. Depois apareceram as luzes.

Agora tudo fazia sentido. Diogo morava apenas uma rua acima, na própria avenida Antares, e, se ele ouviu um barulho estranho a uma e meia da manhã, certamente dona Leocádia também ouvira. Mas como foi que ela acordou com isso e eu não?

– Vane, eu tô muito preocupado. – A voz de Diogo adquiria um tom cada vez mais abafado, e a aflição da garota apenas crescia a cada novo relato do namorado. – Minha mãe ouviu uns barulhos esquisitos no telhado, a gente acha que tem alguma coisa lá... Vane, pode ser uma raposa, mas eu sei lá... Eu não sei o que pensar, ninguém sabe o que tá acontecendo. Eu liguei pro Carlinhos e ele disse que lá pros lados da casa dele não deu pra ouvir nada, mas ele me falou que acha que viu um vulto perto daquele beco escuro que tem do lado da casa do tio dele, sabe?

– Sei, sei... – Vanessa tentava conter o nervosismo, e ela praticamente já devorara todas as unhas da mão direita. A situação fugia do controle da racionalidade cada vez mais, e o medo que brotara dentro dela ao ver as luzes no céu só fazia aumentar a cada instante.

– A gente acendeu umas velas e tá tentando manter a calma, minha mãe tá há um tempão tentando ligar pro meu pai lá no serviço dele, mas ele não atende. Acho que todo mundo aqui na avenida tá acordado... Vane você... Droga, eu não quero soar desesperado... Você acha que, sei lá... O Benji pode saber de alguma coisa?

A menção do nome do melhor amigo de Vanessa despertou uma onda de medo mais intensa do que as anteriores, pois ela sabia muito bem ao que Diogo se referia quando o proferiu. Todo mundo no círculo de amigos deles sabia do conhecimento que Benji tinha de ufologia, sobre como ele insistia que OVNIs e essas coisas eram todas reais. O Di não pode estar falando sério. Ele não pode achar mesmo que... Mas que outra explicação poderia haver? Um fenômeno extraterrestre explicaria muito bem os acontecimentos daquela noite. Luzes estranhas no céu, um som sobrenatural, vultos... Mas isso não pode ser verdade, isso nem mesmo faz sentido! Por que um bando de seres de outro planeta se daria ao trabalho de viajar até a Terra? Só pra causar pânico?

– Di, olha...

– Vane, eu sei que tu não acredita nisso, mas eu sei lá... É alguma coisa séria, a gente tá morrendo de medo e... PORRA! – O grito de Di fez com que Vanessa levasse um susto forte o suficiente para dar um salto da cama e tropeçar na cadeira da escrivaninha, gerando um estrondo alto.

– Vanessa? Vanessa o que tá acontecendo? – Chamou a vó, e a garota sentiu que a velha logo estaria ali.

– Não foi nada vó, eu só... Tropecei! – Ela berrou em resposta, roendo as unhas da outra mão. – Di? Di, tudo bem? Diogo, o que houve?

Ela podia ouvir o som abafado das vozes da família do namorado, mas a prolongada falta de uma resposta só fazia aumentar a sua tensão a níveis humanamente insuportáveis.

– Porra, Vane, desculpa, porra... – Ela podia sentir o medo na voz dele. – É que deu de novo, um dos barulhos aqui em cima... Foi muito alto, minha mãe acha até que caiu uma telha no quintal...

– Eu vou ligar pro Benji. – Ela disse, resoluta. Apesar de achar tudo aquilo uma loucura sem fundamento, ela queria ouvir a voz do amigo e se certificar que ele estava bem. O que quer que esteja acontecendo nessa cidade, não é bom. – Di, eu... Eu tô indo praí.

– Quê?! Não Vane, não precisa, tua vó vai ficar preocupada!

– Eu quero ver o que tá acontecendo Di, vou ficar louca se eu ficar aqui em casa. Daqui a pouco eu bato aí! – Vanessa deu uma espiada na porta e sentiu um passageiro alívio ao constatar que a avó não havia decidido ir até o quarto dela. Provavelmente o vô convenceu ela que eu tô bem. Ela e Diogo se despediram, e, enquanto ela digitava furiosamente os números do celular de Benjamim, ela ficou pensando em que desculpa daria para a avó para justificar a saída que ela estava determinada a dar.

– Anda Benjamim, atende logo – Resmungava a garota enquanto o celular chamava. Vanessa dirigiu-se até a janela do quarto, agradecendo mentalmente por ela não ter grades, e começou a destrancá-la. Se eu sair pela porta ela vai tentar me impedir. Porém, quando ela abriu a janela e olhou para o lado de fora da casa, ela deve de engolir um grito que teria sido arrasador de quarteirões. O susto que ela levou foi tão grande que o celular quase escapou de sua mão. Antes que ela se desse por conta, havia automaticamente cravado o dedo no botão de cancelar a chamada, e agora apenas identificava as formas do vulto que estava parado junto à janela.

– Quê? Janice, cacete! Você quase me matou do coração! – Disse Vanessa enquanto recuperava o fôlego e guardava o celular na calça. Benji vai ter de esperar. Do outro lado da janela estava sua imprudente amiga que morava na casa ao lado. Tinha no rosto já normalmente pálido uma expressão de pavor genuíno, e os cabelos cor de fogo pareciam ter perdido o brilho.

– Ai meu Deus Vane, desculpa, mas você quase me mata também! – Janice falava com uma voz esganiçada que lembrava muito um ratinho acuado. – Eu já ia bater, tentei te ligar, mas não deu...

– Eu tava falando com o Di... Garota, o que você tá fazendo aqui?

Janice resmungou alguma coisa e parecia à beira de um ataque de nervos. Seus olhos estavam marejados ao extremo e ela gesticulava rapidamente enquanto tentava formar uma frase inteligível.

– Meu pai... Ele... Depois do barulho... Eu acordei... Ele foi pro centro... Vanessa... Eu tô com medo... As luzes!

– Calma, calma, calma Janice! Fica calma. – Ela instruía, tentando fazer com que a outra recuperasse o fôlego. Apesar de não entender metade das coisas que a amiga falava, Vanessa já podia supor tudo que havia acontecido. Não é de se esperar que alguém esteja dormindo nessa cidade. – Olha, eu tô indo pro centro, o Di me ligou e ele parecia muito preocupado. Vem comigo, vamos ver se a gente acha teu pai ou o resto da galera... Pode ser?

Janice enxugou as lágrimas e resmungou alguma coisa que podia soar tanto como “Obrigado!” quanto como um miado. Virando o rosto para dar uma última olhada no quarto, Vanessa tomou a sua decisão e desejou que fosse a coisa mais sensata a se fazer

- Vó! Eu vou ir ver o Di, tô no celular. Eu juro que eu já volto! – Ela berrou, e, antes que a avó pudesse responder, Vanessa apoiou-se na janela e pulou-a, colidindo com Janice quando chegou ao outro lado. Antes de sair, ela pôde ouvir o som das cadeiras da cozinha sendo arrastadas, mas ela buscou ignorar isso enquanto corria com a amiga na direção da rua, evitando olhar pra as luzes que brilhavam lá em cima, incandescentes, e rumando para o epicentro daquele furacão.

Notas finais
Como a história segue o foco desses dois lados dos acontecimentos na cidade, já era hora de apresentar o segundo ponto de vista, da Vanessa. Enjoy :)