— Já deveria estar aqui! — Cora andava em círculos pela sala

— Acalme-se, mulher. Ela não deve demorar! — Henry tentava acalma-la

— O Rei Midas já está impaciente. Uma rainha não se atrasa. Eu a proibi de ir cavalgar hoje, mas ela me desobedeceu. Eu não sei mais o que faço com ela, age como se fosse um moleque irresponsável! — esbravejava

— Não acha que está exagerando? Quero dizer, a princesa Abigail, filha dele, é só dois anos mais jovem que Regina. Não acha que Midas é muito velho para ela? — opinou, vendo a esposa o olhar furiosamente — deixa-a ser quem ela quer ser, mulher. Deixe-a escolher com quem casar... está obrigando ela a realizar o seu sonho, e não o dela... a ser você, e não ela... — aconselhou

— Nunca ouvi tanta besteira. Idade não diz nada, Henry. Estou tentando fazer dela uma rainha, ter a sua melhor chance, não se meta! — respondeu, secamente.

— A melhor chance dela ou a sua?

— Cale a boca, e vá distrair o Rei antes que ele se aborreça e vá embora! — mandou, e ele a obedeceu

Não demorou muito, e Regina abriu a porta da frente. Entrou correndo, e dando risada com Daniel ao seu lado.

— A cara que eles fizeram foi a melhor! — ela soltou mais uma gargalhada, antes de perceber a presença do Rei Midas, a filha, uma parte da corte real e sua mãe furiosa no fundo. Virou-se para Daniel e sussurrou — a gente se fala depois — ele assentiu e saiu, antes de sussurrar um "boa sorte" — Desculpem o atraso, majestades — se curvou. Cora rapidamente se aproximou de Regina, a segurando pelo braço

— O que aconteceu com seu vestido? De azul virou marrom. Está descabelada, e completamente suja. Por onde andou? — sussurrou á filha, cuja qual o vestido havia mais lama e sujeira que acabou mudando de cor. O cabelo que havia um penteado feito por fitas, estava armado, e a pele da morena estava coberta de poeira.

— É um prazer conhecê-la, Regina! — o Rei falou, mas quando foi beijar a mão dela acabou desistindo de tão suja que estava — essa é minha filha, Abigail! — apontou para a jovem loira com o leque na mão

Um enorme silêncio se formou na sala.

— Regina... — Cora olhou para a filha, a fuzilando com os olhos

— O que? — a olhou sem entender

— O chá, sua estúpida! — sussurrou

— Ah, é mesmo — se lembrou — majestades, permita-me lhes servir uma xícara de chá — se dirigiu até a cozinha, mas a mãe a puxou de volta

— Na mesinha! — a beliscou, e ela voltou-se até a mesinha e pegou a bandeja.

— Então, o que você costuma fazer, Regina? — ele perguntou

— Ah, eu gosto muito de cav... — a mãe a cortou

— Ela é muito caseira, adora ficar em casa lendo algum livro ou cconversando com amigas! — mentiu

— Sério? Pensei que estivesse cavalgando... — observou o estado da moça

— Estava caminhando... — Cora voltou a mentir

Regina ia caminhando até eles com a bandeija até que tropeçou e caiu, derrubando-a no vestido da princesa, que soltou um grito em seguida.

— OLHA O QUE VOCÊ ME FEZ, SUA DESASTRADA! — gritou

— Calma é só um vestido... olha eu posso limpar... — procurou um pano

— SÓ UM VESTIDO? SÓ UM VESTIDO? OUVIU ISSO PAPAI? — falou, estérica

Regina pegou um pano e correu até a princesa, tentando limpa-la, mas acabou piorando a situação, já que suas mãos estavam sujas, ouvindo mais um grito da princesa.

— JÁ CHEGA! VAMOS EMBORA DAQUI! — Midas se levantou e foi até a porta

— Majestade, por favor... — Cora tentou impedir, mas o viu escorregar na poça de lama que Regina formou no caminho. Ele se levantou furioso e foi até ela.

— VOCÊ É UMA DESGRAÇA! DE LONGE DIRIAM QUE É BOA NOIVA, MAS VOCÊ NUNCA SERÁ NADA ALÉM DE UMA CAMPONESA COBERTA DE LAMA, TÃO POUCO UMA RAINHA! — gritou, e foi embora seguido da filha

Não é preciso dizer o que ela foi obrigada a ouvir de Cora após ele ter ido embora. Ela fez questão de deixar claro o desgosto que ela era, e que ninguém nunca daria nada por ela.

Mais tarde, perto nos estábulos...

Olhe bem...

A perfeita esposa jamais vou ser

Ou perfeita filha...

— E ai, Rê? Como foi? — Daniel, que tirava a cela de um cavalo perguntou á amiga

— Uma tragédia... deu tudo errado... o Rei Midas foi embora furioso... — falou, com uma expressão triste

— Ah, mas você não queria se casar com ele, não é mesmo? Então, não tem motivo pra ficar triste! — ele tentou anima-la

— Mas não é nem por isso, Daniel. Eu derrubei o chá na fresca da filha dele, e quando fui tentar limpar acabei piorando mais ainda. Além do rei tropeçar pela sujeira que fiz na sala. Ele disse que sou fracassada, e vendo por esse lado, eu sou mesmo... nunca consigo fazer nada direito... minha mãe diz que sou um desgosto... nunca vou consseguir chegar perto de ser uma princesa, menos uma rainha — desabafou

Eu talvez,

tenha que me transformar

Vejo que, sendo só eu mesma

não vou poder ver a paz reinar

no meu lar

— Regina, não diga isso. Você não é uma fracassada. Muito pelo contrário. Você é especial justamente por isso, por ser quem é. Você é diferente, não tem frescuras que as garotas por ai tem.... não é fútil, ou fica conversando sobre maquiagens e vestidos... ou sobre como quer casar com um príncipe encantado e não dá chilique quando vê um inseto — ela sorriu — é divertida, inteligente, aventureira, sincera e tem um coração nobre. Tudo isso vale muito mais do que qualquer tesouro que uma rainha possa ter. Não se envergonhe por ser quem é, sinta orgulho. Tenho certeza que um dia, vai encontrar alguém que enxergue tudo o que você é e te amará por isso, e não pelo seu rostinho bonito! — aconselhou

Ela deixou uma lágrima rolar dos olhos, e abraçou o amigo.

— Obrigada, Daniel. De verdade. Obrigada por estar sempre ao meu lado, podemos não ter o mesmo sangue, mas você é o irmão que nunca tive. Te amo! — falou, com toda sinceridade

Quem é que está aqui

junto a mim, em meu ser

É a minha imagem

eu não sei dizer

— Não tem o que agradecer, amigos são pra essas coisas! — sorriu — acho melhor você ir... suponho que pegou um castigo gigante e sua mãe nem sonha que você tá aqui! — falou

— Acertou... au revoir! — falou, se afastando

— Hasta luego! — respondeu

Desde que Cora colocara Regina para aprender idiomas, ambos se despediam assim. Ela em francês e ele em espanhol.

Mais tarde, a trope do rei George veio até a região, e chamando á todos, falou de uma vez só:

— Trago uma proclamação do palácio real: O reino está em guerra com o reino do rei Leopold. E por ordem do rei George, um homem de cada familia deve servir no exército real! — falou, colocando todos em desespero. E um a um, foi chamando cada representante de uma família. A maioria cujo o pai estava velho e impossibilitado de servir, ia o filho mais velho. Mas, acabou chegando a vez dos Mills, e Henry acabou pegando a convocação, para desespero da filha.