As Long As You Love Me
3 Regina's Decision
Notas iniciais
Mais tarde, no jantar...
O silêncio reinava. Ninguém ousava falar uma palavra. Até que Regina se levantou irritada, após dar um tapa em cima da mesa.
— ISSO NÃO É JUSTO! — gritou
— REGINA! — Henry a repreendeu
— Há jovens até demais pra lutar pelo reino! — argumentou
— Para mim é uma honra proteger minha família e meu reino! — Henry respondeu, calmamente
— O SENHOR VAI MORRER PELA HONRA ENTÃO? — jogou, irritada
— ELE VAI MORRER CUMPRINDO O DEVER DELE — Cora resolveu falar, e cortou a filha quando ia soltando um "mas" — ELE CONHECE O LUGAR DELE. ESTÁ NA HORA DE VOCÊ CONHECER O SEU! — gritou
Ela não conseguiu segurar as lágrimas que teimavam escorrer pelo seu rosto e correu até um pequeno lago que havia ali por perto. Sentou-se em uma pedra, e nem se importou com a tempestade que caia sobre si. Só queria chorar... porque todos a repreendiam? Porque não a escutavam pelo menos uma vez? Agora não era só um vestido, um baile ou a hora do chá. Era a vida de Henry que estava em jogo. As horas passaram... e ela continuava pensando... olhou para o céu, e em seguida pro seu reflexo que se formava diante da água. Como ela poderia impedir que seu pai não fosse pra guerra? Era apenas uma mulher... se fosse um homem, tudo talvez seria mais fácil. Continuou a observar seu reflexo, e se perguntou: Quem é essa mulher? Aquela que não é capaz de fazer nada certo? Talvez agora fosse a chance de fazer algo certo... e se... não... agora era a honra da família e sua vida que ficariam em risco. Mas, e se o pai dela se for e ela souber que poderia ter feito alguma coisa e não fez nada? Porque não? Sua vida era um inferno mesmo... morrer num campo de batalha não lhe faria diferença. Continuou a observar sua imagem no lago e ouvir o barulho de chuva, lembrando-se das palavras de Daniel. Sim, ela talvez fosse capaz. Não pensaria mais, estava decidido. Ela iria pra guerra. Juntou toda a coragem que havia dentro de si, e se levantou indo até a casa. Entrou sem fazer barulho, e deixando sua corrente no criado-mudo do pai, a trocou pela convocação, e foi até a sala onde o mesmo guardava suas armaduras de batalha. Sacou a espada e respirando fundo, com uma mão segurou o cabelo, e com a outra colocou força sobre a espada, fazendo com que suas longas madeixas escuras caíssem. Voltou-se para o armário e pegou a armadura que lá havia, a vestindo. Juntou algumas coisas, e foi até os estábulos. Montou em seu cavalo, e olhando uma última vez para sua casa, saiu em direção ao acampamento real.
Mais tarde, Henry e Cora acordaram e ao perceberem o que a filha tinha feito, se surpreenderam. Henry temia pela vida da filha, enquanto Cora a repreendia mentalmente por tamanha atitude e pensava num jeito de trazê-la de volta.
Na manhã seguinte, próximo ao acampamento, Regina treinava sua postura.
— Com licença, onde posso me alistar? — engrossava a voz — Ahhh, sua espada é boa. Eu também tenho. É uma coisa bem masculina, olha... — tentou puxar a espada da cintura, mas a mesma acabou caindo no chão. Ela suspirou e disse á si mesma — bom, já deve ter melhorado bastante! — tentou colocar a espada de volta, mas a mesma acabou caindo de novo — Não melhorou nada... — abaixou a cabeça — só um milagre vai me colocar no exército! — olhou para o acampamento
— EU ESCUTEI ALGUÉM PEDIR UM MILAGRE? EU QUERO GRITOS! — uma voz grossa soou, fazendo Regina se assustar
— QUEM É VOCÊ? APAREÇA! — gritou de volta, olhando para todos os lados
— Ô, JOVEM REGINA. PREPARE-SE, POIS AGORA MUITO HÁ EM JOGO! — a voz continuou a soar
— Eu te conheço? — ela abaixou o tom de voz, ao perceber que a pessoa sabia seu nome
— SE ME CONHECE? — soltou uma risada — SOU UM SER SUPREMO, QUE TUDO SABE, TUDO VÊ, ESTÁ EM TODA PARTE. O TODO PODEROSO, O TEMIVEL — ela pode ouvir passos — O INDES — tropeçou e caiu diante dela
— Daniel?! — exclamou, surpresa ao ver que se tratava do amigo.
— Hãn... Oi! — falou, enquanto tentava se levantar
— O que você tá fazendo aqui? — perguntou
— Ora, o mesmo que todos os outros. Vim para a batalha, não achei bom meu pai vir! — limpava sua armadura
Regina deu um chute nele.
— Isso é por me assustar!
— Desculpe, é que... eu vi você tão tensa e não resisti a uma brincadeira! — explicou
— Muito sem graça!
— Mas, o que você tá fazendo aqui? Ficou maluca? Se te pegam, a sentença é morte!
— Vim para proteger meu pai. Você sabe a situação dele... mal consegue andar pela casa. Nem andar a cavalo ele anda mais. E depois, se for em uma batalha, eu não ligo de acabar morta. O que eu tenho não é vida mesmo — deu de ombros
— Corajosa... bom, mas se vai fazer isso temos que fazer direito. Eu vou te ajudar! — sorriu — vamos, no caminho eu vou te explicando tudo! — a guiou até o acampamento
— AS REGRAS SÃO SIMPLES — um homem gritava em um canto — ROUBAR DE OUTRO SOLDADO: MORTE. TIRANIZAR, TRAZER MULHERES, BRINCADEIRAS OU PIADAS DE MAL GOSTO: CASTIGO E DETENÇÃO. TRAZER QUALQUER COISA RELACIONADA Á MAGIA: MORTE. FUGA: MORTE. PERDER TREINAMENTOS, FUGIR DE BATALHAS OU DESOBEDECER ALGUM MEMBRO DA REALEZA: CASTIGO E DETENÇÃO.
Regina se assustou. Ia ser mais difícil do que pensava. Respirou fundo e continuou a ouvir as instruções de Daniel.
— Olha, eu vou ali pegar as etiquetas para as barracas e já volto. Enquanto isso, tente se misturar e cuidado! — sugeriu — qualquer dúvida de como agir, olhe para algum deles e tente fazer igual.
Regina assentiu e tentou fazer o que o amigo disse. Chegou perto de um grupo de homens e parou ao ver que dois deles quase se matavam a base de socos.
— Eu acho que não vou conseguir! — disse á si mesma, ainda olhando um deles vencendo a briga e saindo batendo em coisas. Ficou minutos em dúvida se ia falar com eles ou saia dali, até que o homem a notou e falou:
— TÁ OLHANDO O QUE? — a encarou, se aproximando — TÁ AFIM DE LEVAR UMAS PANCADAS TAMBÉM?
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