As Guardiãs - A fada
1 Capitulo 1: Noite sombria
– Ponche? – Perguntou Olívia me entregando uma taça com liquido vermelho até a metade. Neguei coma cabeça.
A festa de Grace estava o máximo, mas eu não queria ficar de ressaca no dia seguinte. Eu conheço a maioria das pessoas desta festa, na verdade a maior parte do colégio está aqui. Grace não chega a ser minha melhor amiga, mas somos amigas o suficiente para ela me convidar para sua festa de dezesseis anos.
Eu e Olívia fomos para a parte da piscina. Grace sabia decorar muito bem. Havia pequenas luminárias penduradas e varias mesinhas de bambu com almofadas ao redor para sentarmos. Uma vela aromatizada enfeitava cada mesa. Sentei ao lado de Olívia.
– Onde está o… – Perguntou ela referindo-se ao meu namorado.
– Dançando. – Respondi sem a deixar terminar a frase.
Olhei para cima e me surpreendi. O tempo estava fechando e varias nuvens se juntavam. Parecia que ia chover. Ainda tinha uma ou duas estrelas iluminando o céu. A lua não aparecera. Notei um corvo preto na cerca de madeira que separava a casa de Grace da rua. O animal me encarava.
Mãos cobrem meus olhos e eu seguro-as tentando retira-las de lá. Sei quem é, mas é uma brincadeira nossa e sempre deixo James – melhor amigo meu e de Olivia; estamos sempre juntos no colégio. Léo parece não se importa com isso -, termina-la.
– Adivinha?! – diz a voz que conheço bem desde os cinco anos de idade.
– hum, deve ser… Spencer? – digo e depois dou risada. Spencer era o garoto nerd da minha sala. Excluía-se de todos.
– Não! Credo! Vamos lá, tente de novo! – diz ele ainda cobrindo meus olhos. As mãos estavam frias e os dedos longos fazendo cocegas em meus cílios.
– James? — Digo sorrindo assim que ele retira as mãos e senta-se entre mim e Olivia que ainda observa-nos.
Olhei para Jem assim que ele se sentou e me assustei. Seu cabelo estava mais bagunçado que o normal em baixo de seus olhos; um tom roxo claro contornava-os. Ele deveria estar cansado. Tinha a camiseta suja de vermelho e cheirava a ponche, o mesmo que Olivia bebia.
– Você está bêbado? – Perguntou Olivia notando o mesmo que eu na aparência de Jem. Ele altera o olhar entre mim e Liv, era como Olivia gostava de ser chamada, e franze a testa.
– Por que acham isso? Eu nem bebi nada. — Respondeu ele e depois que eu apontei para a mancha em sua camiseta, ele disse: — Ah, isso. Eu esbarrei em alguém bebendo na pista de dança. Nem vi quem era.
– Uhum, sei. – Falei dando um sorriso. – anda, diz, em quem você deu uns amassos? – Perguntei segurando o olhar dele com o meu. Olivia começou a rir e depois percebi que Jem ficou sem graça.
– Beatrice, o que a faz pensar que eu… ok! Eu digo. – Fala ele cedendo finalmente. – Amanda, baixinha, ruiva, do primeiro ano? – Diz ele fazendo gestos com as mãos. Quando percebo que nem eu nem Liv conhecem, ele abre a boca para falar mas, um vento forte começa. Frio, fazendo meus cachos loiros chicotearem em minhas costas e na cintura.
O ar estava começando a ficar frio. Envolvi os braços ao redor de mim e levantei. Olívia fez o mesmo e nós corremos para dentro. As pessoas observavam o clima e a mudança inesperada que estava estragando o resto da festa.
– Vou procurar o Léo! – Disse para Olívia quase gritando por causa das pessoas que comentavam sobre seus assuntos e da música eletrônica tocando. Ela assentiu e Jem também.
Procurei meu namorado por todo o salão de festa, mas não o encontrei. As pessoas dançavam agitadas e conforme eu atravessava a pista de dança, pedia licença. Um garoto me puxou para dançar mais eu recusei. Sai no jardim da casa de Grace. Que também estava enfeitado com bexigas, flores e luzes.
Choquei diante da cena que eu vira. Eu me recusava a acreditar no que estava em minha frente. Meu namorando e Grace se agarrando. Até o xale do vestido dela tinha caído no chão. Quando eles me viram se separaram na mesma hora. Encarei um de cada vez. Grace mordeu o lábio e sorriu. Léo me encarava também surpreso por me ver. Talvez, ele não me esperava aqui neste momento. Nem eu o esperava aqui e desse modo. Sai correndo portão a fora da casa.
– Beatrice! — Grita ele correndo atrás de mim. Meus saltos atrapalham então eu os tiro e continuo a correr com eles em uma mão só. Léo agarra meu braço me puxando para trás.
– Me solta! — Grito irritada. O chão da calçada está gelado sob meus pés e está ventando. As nuvens aumentam e ficam cada vez mais pesadas. – Léo, me solta!
– Me deixa explicar! Foi ela quem me beijou, não fui eu! — Falou ele ainda apertando meu braço. Reviro os olhos impaciente. Que clichê essa conversa.
– Eu sei o que eu vi. Eu percebi, você continuou o beijo. – Digo abaixando os olhos para as pedrinhas da calçada sem olhar para ele, tentando segurar as lagrimas. — Me solta ou eu grito! — Ameaço gritar e ele me solta. Coloco as mãos no quadril sem saber o que dizer ou o que fazer.
– Bea, por favor! – Pede ele com a expressão triste, mas também culpada.
– Nunca mais fale comigo. – Falo baixinho negando com a cabeça. – Fique longe de mim. – Léo faz menção de me tocar e eu recuo. — Não me toque! Apenas suma da minha vida entendeu?!
Volto a andar. Desta vez encaro o chão e tento compreender o que Grace tem que eu não tenho. O que eu fiz pra ela, para ela me fazer uma coisa dessas. Pensei que choraria, mas, as lagrima não escorram.
Olhei para o céu. Estava tão escuro e a lua continuava reclusa. As nuvens ameaçavam despencar em uma pancada só. O vento gélido fazia meu corpo se arrepiar inteiro. O clima estava sombrio e a noite também. O corvo preto que eu via desde pequena, me seguia para qualquer lugar que eu fosse. “Pelo menos, ele é fiel.” – Penso. A ave dá meia volto e vai embora. “Perfeito!” — Penso, desta vez irritada comigo mesma e com aquela ave idiota.
Eu estava com tanto ódio que nem percebi que eu estava sendo seguida. Mãos me agarraram. Uma me segurou contra seu corpo e a outra colocou um lenço em meu rosto. Tentei lutar e gritar. Me debati, mas, eram braços fortes demais. Percebi um segundo antes de sentir a escuridão tomar conta de mim, uma pena negra como a noite mais sombria, caindo na frente de meus olhos.
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