As Garotas De Hogwarts

43 Um adeus definitivo


Notas iniciais
Luma o que você está fazendo aqui? Já voltou?

Não, não voltei.

E não estou sendo boazinha, vocês vão ver no final do capítulo. Na verdade, acho que estou sendo até um pouco má.

MandySweetDreams e Leitora nem tão anonima, obrigada pelas lindas recomendações!!

Não consegui responder todos os comentários, mas acho que devo conseguir logo.

A mente dela gritava.


Elas estavam de volta.



O lugar era o mesmo. As mesmas mobílias de estampas e cores diferentes. As mesmas paredes de madeira. A mesma lareira um tanto encardida. Estava tudo ali, esperando pela volta delas.



E lá estava ela, sentada mais uma vez no centro do sofá confortável. Luna Lovegood estava olhando de perto a transição por qual sua vida passou. Ali era o limite entre o seu mundo e o mundo onde ela estava. O limite que por vezes salvou a vida dela.



Elas estavam de volta.



Logo, Luna não estava mais sozinha. Hermione focou os olhos nos da amiga, e sorrindo, soube que partilhavam alguns pensamentos, todos sobre aquela casa. O abrigo delas. Era como se mais uma vez pudessem fugir de todos. Mas desta vez estar aqui trazia também um sentimento ruim, porém elas teriam que esquece-lo pelo menos por uma noite.



A morena sentou-se ao lado da amiga, olhando para a lareira, a espera de quem seria o próximo. E, talvez por causa na pouca confiança depositada nela, foi Pansy que apareceu ali. Enquanto ajeitava as vestes, mesmo que não tenham amassado, examinava todo o cômodo. Não tentou disfarçar o desprezo, muito menos a cara de nojo.



Antes que Hermione pudesse falar algo, Astoria apareceu, e logo depois dela, Gina. A ruiva sentou-se ao lado de Hermione e a loira, sem falar nada, passou andando e entrou em um dos quartos.



Elliot perdeu um pouco do equilíbrio quando parou em pé na sala. Recuperou-o antes que alguém o fizesse cair no chão. Alguém como os gêmeos Weasley, que chegaram logo após ele. O loiro os observou pelo canto do olhou, mas logo examinou o local. Ele não planejara não ficar com o pai depois da reunião, mas ele simplesmente não poderia não estar ali.



Rapidamente, todos perderam o interesse em olhar para a lareira. Já estavam todos ali. E agora?



Um silêncio incomodo se instalou na sala. Cada um deles esperava que outro começasse uma conversa, ou sugerisse algo. E foi Pansy, com um suspiro cansado, que se rendeu.



–Desculpem perguntar, mas isso é o que vocês chamam de casa? –Ela perguntou, fazendo as quatro a encararem.



–Sim. –Gina disse firme, a ameaçando com o olhar. –Porque?



–Nada. Ela é... Maravilhosa. –Sua voz irônica foi combinada com um sorriso maldoso. Luna sorriu para ela, não entendendo que ela queria dizer exatamente o contrário. Ou pelo menos estava fingindo muito bem.



–Obrigada. É a casa da minha avó. –Luna explicou. Pansy abriu a boca para falar algo, mas foi interrompida antes que começasse. –Sim, ela está morta. –Disse sem paciência. –Porque todos perguntam isso?



–Eu não perguntei.



–Mas você ia perguntar. –Gina defendeu Luna, sorrindo da mesma forma maldosa de Pansy.



–Todos perguntam. –Luna suspirou e se levantou. –Cuidado com os chizpurfles. Não digam que eu não avisei depois.



Hermione e Gina não seguraram o riso ao perceberem que quem não conhecia Luna, achava realmente que ela estava delirando. E realmente parecia que ela estava. Felizmente, elas sabiam que aqueles bichinhos existiam.



–Não riam. –Avisou Astoria, entrando na sala com uma pilha de roupas na mão, já vestida de forma diferente. –Eles realmente existem.



Calmamente, a loira entregou uma roupa para cada amiga. Entregou até uma roupa de Alan para Elliot vestir, pois os garotos tinham deixado algumas peças naquela casa. A última peça da pilha, que parecia ser um vestido, ela estendeu para Pansy com um sorriso.



A loira aceitou relutante, sorrindo também.



Os minutos seguintes foram tomados pelas trocas de roupa. Não havia nada muito elaborado, bonito ou chamativo. Eram roupas simples que elas deixavam na casa para o caso de alguma emergência, pois, se necessitassem fugir, ali seria a primeira escolha para exílio.



Os gêmeos sorriram um para o outro assim que começaram a se divertir naquela noite. Eles, sentados agora onde Luna antes estava, observavam as garotas voltarem de um dos quartos já trocadas, fazendo elogios exagerados e assovios altos.



As meninas, tentando evitar a timidez, entraram na brincadeira, ficando em pé para que os ruivos pudessem analisá-las. Era uma ótima brincadeira para os homens ali presentes e, com certeza, se os demais soubessem, iriam invejá-los.



–Você está ótima Hermione... –Fred começou, levantando-se sob o olhar da morena e se aproximando, rondando-a. -Mas ficaria melhor sem nada.



A gargalhada foi geral. Riam tanto das palavras do ruivo quanto da reação de Hermione. Por mais que ela tivesse achado graça, ela não iria deixá-lo em paz sem alguma punição. Ela atingia seu ombro com tapas, não tão forte quando deu em Harry e Rony, mas não se preocupou em não machuca-lo. Ele com certeza aguentaria.



–Se eu não conhecesse sua mãe eu iria dizer que ela o educou errado, mas acho que o problema vem de você. –Ralhou com ele entre risos, parando de atingi-lo e o observando passar a mão sobre o ombro.



–Você não pode culpar um homem por tentar. –Deu de ombros, sorrindo de forma maliciosa para Hermione, que escancarou a boca em indignação.



–E você não pode culpar uma mulher por revidar de forma agressiva. –Disse zangada, cruzando os braços sobre a barriga e o olhando em desafio.



–Não te culpo. Pode continuar batendo se quiser, é quase um carinho. –A indignação de Hermione aumentou.



–Ah você não disse isso... –Sibilou.



–Ele disse isso. –Luna confirmou e foi completamente ignorada.



–Fred, irmão, acho melhor você ir embora. –George disse com um sorriso satisfeito na boca e o irmão o olhou.



–Se você não me ajudar aqui eu nunca mais te escondo de um Lupin e uma Tonks raivosos. –Fred ameaçou e fez o irmão revirar os olhos.



–Não precisa se incomodar George. Eu sei exatamente como o fazer pagar. –Abriu um sorriso enorme enquanto falava. –Luna, que tal você cozinhar algo para ele? –Piscou para amiga.



–Ela cozinha? –O ruivo perguntou, agora olhando para Luna.



–Porque você não vê por si mesmo? –Disse calmamente, andando para a porta que abria para a cozinha. Gina se apressou, andando ao lado dela.



–Você se lembra que ela cozinha extremamente bem, não é? –Perguntou lentamente, como se achasse que Hermione estava com algum problema. A morena riu disfarçadamente.



–É claro. –Afirmou dando de ombros, sorrindo para a cara da ruiva. –Mas ele não sabe disso. –Piscou para ela, esperando sua reação. Gina balançou a cabeça lentamente, analisando a situação, depois abriu um enorme sorriso.



–Tortura psicológica. –Comentou, puxando os lábios para dentro da boca, afinando os lábios, depois os soltou e abriu um outro grande sorriso. –Você é má.



Hermione apenas sorriu e adentrou a cozinha.



Os minutos seguintes foram tensos para Fred. Ele observava com um ar desesperado os passos de Luna por aquele espaço. Ela abria diversas gavetas e armários, provavelmente procurando algo que ainda não havia estrago.



Ao final de alguns minutos ela já tinha uma pilha der ingredientes dispostos em frente ao ruivo, que tentava entender o que ela faria com isso e mandava olhares pedindo clemência que Luna ao menos notava. Cantarolando uma música que não se lembrava onde havia escutado, ela abriu alguns pacotes, totalmente alheia a tudo.



Não era humanamente impossível deduzir o que ela iria fazer, mas ela estava claramente lidando com o que tinha. Não tinha leite, nem manteiga.


Ela não demorou a terminar, afinal não teve muito a fazer. Fez uma massa improvisada que logo ficou pronta, como pequenos biscoitos doces quadrados e calda de chocolate temperada com todos os temperos que pode achar. E pimenta.



Gina, Hermione e Astoria seguraram o riso. Conheciam bem aquela receita, por mais que essa desta vez não fora seguida à risca.



Luna pegou um prato e arrumou alguns quadradinhos de massa e despejou um pouco do chocolate em cima, e então um pouco mais de pimenta. Colocou-o em frente a Fred, que já estava sentado e o olhou sem emoção.



–É para comer? –Perguntou olhando apreensivo para o prato. Ele realmente temia por sua vida.



–É pra responder? –A loira revidou, o olhando séria. Ela simplesmente não entendia porque todos ficavam apreensivos em provar sua comida. Não era como se ela fosse envenenar ninguém... Mas ela poderia se quisesse.



Luna sorriu com o pensamento.



–Que Merlin me ajude. –O ruivo sussurrou, pegando rapidamente um dos biscoitos. Ele primeiro levou ao nariz, aspirando lentamente o cheiro daquilo e então deu de ombros. Não tinha um cheio ruim. Encarando Hermione profundamente, colocou aquilo na boca.



E então ficou calado. Abismado.



–O que achou Fred? –Luna perguntou. Ela estava com um sorriso completamente satisfeito nos lábios. O ruivo não respondeu. George o olhava assustado.



–Acho que a comida acabou com as cordas vocais dele. –Pansy comentou enojada, pegando um biscoito entre os dedos e o examinando. Levantou o olhar quando percebeu que era encarada por todas as garotas. –Eu não posso ser sincera? Vocês são malucas de colocar a Di-Lua para cozinhar.



–Luna... –Fred começou quando achou a sua voz depois da surpresa. A loira a encarou.



–Sim? –Disse de forma prolongada.



–Quer se casar comigo? –Pansy o olhou assustada, assim como George e Elliot. As garotas soltaram leves risadas, já tinham visto aquela cena antes.



–Não. –O tom de voz dela era sério e firme, o que fez a sala se encher ainda mais de risadas. -Porque todo mundo diz que quer casar comigo depois que prova minha comida? –Disse indignada, colocando as mãos na cintura. –Uma relação não pode se basear na comida que eu faço. –Continuou, estendendo a mão para pegar um biscoito. –Eu sou mais do que uma... –Parou de falar quando colocou a comida na boca. –Isso está muito bom. –Disse de boca cheia.



–Isso não é possível. –Pansy murmurou, mordendo levemente o biscoito que ainda estava na mão. A expressão de surpresa tomou seu rosto e ela tentou esconder, mas não foi bem sucedida.



–Vocês todas cozinham assim? –Elliot perguntou após aprovar o gosto, e agora já estava no segundo biscoito.



–Sim. –Hermione disse simplesmente, sorrindo para ele.



–Menos a Gina. –Luna comentou, sorrindo para a amiga ruiva.



–É verdade. Ela cozinha bem, mas é meio desastrada. –A morena concordou com a amiga, levando um olhar fuzilante de Gina.



–Mas faz outras coisas que é uma beleza. –Astoria comentou, e então tapou a boca quando viu a besteira que falou. Os gêmeos agora olhavam Gina procurando explicações.



–Sempre você, não é Astoria? –A ruiva sibilou.



–Desculpe, força do hábito. –Se explicou sem graça.



Não foi fácil despistar os irmãos, mas Gina conseguiu com algum esforço. Luna derreteu mais chocolate, colocando numa vasilha. Agora eles comiam aquilo em colheradas enquanto conversavam. Hermione, que antes sumira por uns minutos, trouxera uma garrafa de vinho, já que eles tinham que comemorar.



Os gêmeos não queriam que a ruiva bebesse, mas Hermione e Astoria conseguiram convence-los. Elas não ficavam bêbedas facilmente, e se divertiam vendo Elliot e os dois ruivos ficarem um tanto mais alegres. Já Pansy estava acostumada com bebidas.



Minutos, talvez quase uma hora, se passaram em meio a conversar e brincadeiras. Eles estavam se dando relativamente bem, mesmo com as brincadeiras dos gêmeos e das constantes alfinetadas de Pansy. Elliot não estava falando muito, talvez por não estar muito confortável.



Porém, no meio de toda a brincadeira surgiu um assunto sério. O clima passou de ameno para tenso e todos faziam o possível para prestar plena atenção a tudo. Atenção que adolescentes normais nunca dariam, eles pareciam adultos naquele momento. E, na verdade, a maioria deles já havia deixado a adolescência para trás de forma precoce.



–Então essa é a próxima horcrux? –Astoria perguntou após ouvir o pequeno discurso de Pansy sobre o que sabia. Agora elas podiam ter quase certeza que a garota estava ali para ajudar. E mesmo que não ajudasse, não iria atrapalhar.



–Isso. Tenho quase certeza. –Afirmou, segurando o olhar de sua colega de casa. Hermione suspirou, levando a colher ao pote para pegar mais um pouco de chocolate.



–Como é que a gente vai pegar? –Gina disse, analisando a situação. Não seria possível.



–É impossível. –Hermione adicionou, lambendo a colher. Pode sentir os olhos de Fred e Elliot sobre ela.



–Não, não é. –Pansy começou, se inclinando sobre a mesa. –O medalhão esta sempre com Bellatrix, então precisamos chegar a ela e pega-lo. –Explicou, dando de ombros.



–Você esta falando como se fosse fácil. Nós vamos simplesmente chegar naquela doida e pedir o colar? –Hermione falou exaltada. -Vamos admitir, é impossível. Podemos deixar para destruir quando estivermos cara a cara com ela, numa luta ou algo assim.



–Você não pode pega-lo. Gina e Luna também não. Astoria é suspeita demais por andar com vocês. Mas eu não. –Pansy tentou mais uma vez, sorrindo para a morena.



–E o que você ganha com isso? –Gina alfinetou.



–Vocês novamente com essa pergunta... Eu já expliquei. Quero ajudar, e vou prejudicar Daphne de alguma forma fazendo isso.



–E como você iria se aproximar o suficiente de Bellatrix para pegar o medalhão? –A ruiva perguntou, fazendo a loira sorrir.



–Não sei se vocês sabem, mas eu e Astoria recebemos convites para um baile que acontecera daqui a alguns dias. Aniversário de casamento dos Greengrass. Vai ser uma grande festa e estará entupida de comensais. Bellatrix estará lá. –A loira começou, sorrindo para a expressão das garotas. –Eu vou pegar o medalhão, tenho minhas maneiras de fazê-lo. Todos irão suspeitar de Astoria, então acho que ela devera sair do colégio e ir para um local seguro. Na verdade, acho que todas vocês devem sair de lá. E com todos suspeitando de Astoria, eu levarei o medalhão para Dumbledore decidir o que fazer. Só preciso de um voto de confiança e estou pedindo a vocês que aceitem essa ajuda.



As quatro meninas suspiraram, trocando olhares. Será que elas tinham outra opção? Não, não tinham. Era seguro? Nem um pouco.



–Tudo bem então. Eu vou fazer o possível para te ajudar no dia. –Astoria pronunciou finalmente.



–Obrigada.



O silêncio se tornou tenso, todos estavam na companhia de seus pensamentos. E ficariam assim se não fossem interrompidos. Fred e George não gostavam de climas como aquele que estava se formando.



–Então... Eu estava me perguntando se vocês queriam saber o que fizemos com Harry e Ronald nas férias. –George falou, chamando a atenção de todos, em especial da morena e da ruiva.



–Somos todos ouvidos. –Hermione disse abrindo um enorme sorriso.



E então o clima tenso foi embora completamente. Todos gargalhavam do que os gêmeos falavam. Eles explicaram detalhadamente como pregaram várias peças nos dois garotos. Algo como esconder todas as roupas de Rony e o óculos de Harry. E também falaram de algumas coisas que fizeram quando Cho e Lilá foram visita-los.



–É sério. Molho de tomate fica ótimo nos cabelos da Chang. Combina com o tom de pele dela. –George disse de forma séria, como se entendesse do assunto. Depois, riu junto com os outros. –Mas não foi melhor do que a Lilá com o rosto roxo.



–Muito obrigada, de verdade. –Hermione disse entre os risos. –Pode explicar direito como deixaram o rosto da Lilá roxo, por favor? –Pediu, quase implorando com os olhos.



–Não foi de propósito. –Fred começou.



–Não mesmo, foi um acidente. –George terminou, fingindo estar sério.



–Estávamos trabalhando num novo produto para a nossa loja. Uma pequena bomba. Você diz o nome de algo e ela explode perto disso, jogando tinta que desaparece em poucos minutos. –O ruivo de vermelho explicou, recebendo olhares atentos.



–Só que a gente errou na tinta. Ela só saiu com muito esforço. –O outro falou.



–Se foi um acidente, vocês não falaram o nome dela. –Hermione comentou.



–Não falamos. –Confirmaram juntos.



–Falaram o que então? –Elliot perguntou curioso.



–Vaca.



Nem mesmo Pansy conseguiu segurar as gargalhadas. Eles já estavam na terceira garrafa de vinho, se é que aquilo era vinho, Hermione não prestara atenção quando pegou-a na despensa. Todos estavam bem animadinhos por causa disso, e uma vez que começaram a rir não pararam mais.



Enquanto eles riam sem saber direito o motivo, Luna sumiu para dentro da casa. Ninguém notou sua saída e nem a sua volta, mas puderam perceber que alguém havia colocado música alta que agora preenchia a cozinha.



Era uma música trouxa, ninguém sabia o nome. E ninguém gostava. Mesmo assim, eles se mexiam ao som dela. Mexer, porque aquilo não era dançar.



Era uma cena muito engraçada.



Pansy, deixando sua natureza dominar, começou a dançar de uma forma não muito comportada, passando as mãos no cabelo e no corpo. Luna se mexia de um jeito único e estranho, mexendo as mãos e a cabeça, logo puxou Hermione para dançar com ela, que tentou acompanha-la.



Astoria estava ao lado de George, e os dois conversavam baixinho, se mexendo calmamente, mesmo a música sendo agitada. Fred encarava Hermione e Luna gargalhando sozinho. Elliot tentou ficar sentado quieto, mas logo Hermione o puxou para dançar junto com ela, dizendo para Luna ensinar seus passos para Fred.



E Gina... Bem, ela tentava negar sua natureza que era bem parecida com a de Pansy. Por Merlin, ela estava com os irmãos, não poderia simplesmente rebolar.



–Você está vendo o que eu estou vendo? –Hermione perguntou após parar ao lado de Gina, perto da geladeira. Ela estava cansada de se mover, e Elliot agora também era ensinado por Luna.



Aquilo era ainda mais engraçado.



–Luna torturando Elliot e Fred ou Astoria se agarrando com George? –Gina perguntou simplesmente, levando o copo aos lábios.



–Estava falando do novo casal. –Esclareceu rindo.



–Estou vendo, mas não deixa de ser estranho.



–Você se incomoda com isso? –Perguntou preocupada.



–Não, nem um pouco. George é grandinho, não vai sofrer nem nada se Astoria se cansar dele. E tenho certeza que ela só esta se divertindo. –Disse simplesmente. –Me impressiona o fato de você não estar com o Fred agora.



–Eu bem que queria, mas não vou fazer isso na frente de Elliot.



Gina não comentou nada, então a morena deu a conversa como finalizada e se afastou, indo imitar os movimentos de Luna.



As horas rapidamente se passaram, e antes que pudessem perceber já estava de madrugada. Eles se divertiam, conversando e dançando. Fred jogava elogios para Hermione que respondia em mesma moeda, mas não passaram disso. Em algum momento, George sumiu com Astoria para outro cômodo. Ela poderia até não está sóbria, mas conhecia muito bem os seus limites, então não passaram de algumas brincadeiras.



De algum jeito, alguém derramou um garrafa inteira de bebida no chão, molhando tudo. E desta forma, a festa acabou. Mesmo cambaleantes e tontos, eles se juntaram para limpar o chão e lavar a louça, até mesmo Astoria e George ajudaram. Ninguém notou as roupas amassadas deles, e se notou, ninguém falou.



E então dormiram. Estavam cansados. Exaustos. Acabados. Mortos... Mortos não.



Eram quase onze horas da manhã quando Hermione acordou. Não havia bebido o bastante para ficar com uma ressaca forte. Calmamente, ela acordou todos, rindo do jeito que eles dormiram. Luna estava com Elliot, abraçada. Astoria parecia ter desmaiado no colo de George e Fred e Gina eram uma confusão de cabelos ruivos. Elliot e Pansy eram os únicos que haviam dormido de uma forma normal.



–Está na hora de ir, não é? –Pansy murmurou se espreguiçando.



–Acho que sim. –Fred respondeu, ajeitando os cabelos. –Vocês devem ir para a casa de Abe e ir para Hogwarts pela passagem secreta. Cuidado para não serem pegos. –Elliot assentiu, procurando a bolsa de pó de flú perto da lareira. Eles haviam dormido na sala, já que não era possível faze-lo na cozinha.



As quatro amigas se encararam. Não era preciso dizer nada. Elas sabiam o que as outras estavam pensando. Uma decisão compartilhada, mesmo tendo sido tomada em momentos diferentes. E era a hora de tornar tudo aquilo ainda mais real. Era a hora de admitir que aquilo não só as atingiria, mas também atingiria as pessoas que elas mais gostavam.



–Vocês podem ir, nós vamos mais tarde. Temos coisas a fazer aqui. –Astoria se pronunciou, falando o que todas queriam dizer. Os garotos as olharam curiosos e Pansy deu de ombros.



–Se vocês querem se tornar assunto no castelo, o problema não é meu. Eu preciso ir agora. –A loira falou. As quatro sabiam que ela estava certa. Elas seriam assunto novamente, mas teriam que aguentar.



–Não tem problema, de verdade. Vocês devem ir. –Hermione disse, apontando com a cabeça para a lareira. Pansy não hesitou e sumiu depois de dizer o lugar que queria ir. Os gêmeos aparataram e Elliot as olhou por algum tempo, tentando descobrir o que eu estava acontecendo. –Vá Elliot! Ficaremos bem, eu prometo. –Ele assentiu e sumiu também.

Calmamente, Gina se levantou. Com suas hábeis mãos, juntou as garrafas que esvaziaram na noite anterior e as levou para cozinha, jogando-as fora. Era hora de partir, mas não para Hogwarts. Não ainda.

Por mais que todas quisessem adiar o dever o máximo possível, não havia muito que fazer na casa. Astoria recolheu os uniformes, colocando na bolsa enfeitiçada de Hermione, no caminho, fechou a porta dos dois quartos. Luna se encarregou da cozinha. Não havia louça, já que ninguém quisera comer naquela manhã, e a do dia passado... Fora lavada.

Ao pensar no que fizeram, sorriu. Um sorriso triste, mas pelo menos era um. Com um ar de pesar, fechou a porta da cozinha, logo se juntando com as amigas na sala.

Dessa vez, elas não deixariam a casa pela lareira, porém, teriam que voltar para fazê-lo logo. Estavam perdendo aulas, e provável, ente todos já deveriam ter notado que elas sumiram. E isso não era bom.

Quando Luna fechou a porta atrás de si, elas sorriram uma para a outra. Juntas, andaram pelo caminho que levava a casa até uma rua sem movimento, porém essa dava para uma onde poderiam achar o que queriam.

A travessia pela rua calma não demorou ao menos dois minutos, pois nenhuma delas se sentia a vontade para andar em passos lentos. Isso provavelmente era fruto da adrenalina que estava em seus sangues.

Mesmo assim, elas diminuíram o ritmo quando entraram na rua que queriam. Era simples, com algumas lojas e restaurantes. Se a seguissem até o fim e virassem a direita, estariam perto do parque em que passaram horas de suas férias. Mas elas não o fariam. O que elas queriam estava bem ali, na calçada.

Uma cabine de metal vermelha e envidraçada.

Provavelmente a maioria dos bruxos não saberia o que aquilo era. Nem mesmo elas, se não houvessem sido ensinadas. Foi uma necessidade na época, pois nenhuma delas tinha um celular. Uma simples cabine telefônica londrina. Vazia.

Hermione sabia que ela seria a designada para entrar e telefonar. Provavelmente era a única que ainda se lembrava como fazer aquilo. Às vezes ser uma Sangue-Ruim trazia muitos benefícios.

Ela estendeu a mão direita para abria a porta e se colocou na frente do aparelho preto. Não ouviu o som da porta se fechando, então supôs que as amigas estivessem a segurando para poder escutar a conversa.

Mexeu levemente no casaco, procurando pelo pequeno pedaço de papel que a trouxera de vota a realidade na noite anterior. Ele estava amassado, sinal de ter sido segurado por muitas vezes, até não ter mais necessidade. Chegou ao ponto dela ter gravado aquele número.

Com o resto de coragem que tinha, apertou os frios botões várias vezes, levando o fone ao ouvido. Tentou se distrair com o som que a ligação emitia, para não se desesperar com a opção de ninguém atendê-la.

Esperou algum tempo, sentindo os olhos repletos de expectativa sobre ela. O som agora começa a irritá-la. Porque ninguém atendia?

Com um aperto forte no coração, distanciou o aparelho de seu rosto, olhando decepcionada para as três outras garotas. Balançou a cabeça, respirando fundo.

–Ele não atendeu. -Comentou, abaixando o olhar. Não sabia o que fazer agora.

–Quem sabe eles... -Astoria começou, porém foi interrompida por uma voz um tanto metalizada que vinha do aparelho nas mãos de Hermione.

–Alô?

De forma desesperada e com um enorme sorriso no rosto, a morena imprensou com força o aparelho no ouvido, respirando aliviada. Não iria se culpar agora por ter reagido dessa forma, mas foi assim que ela percebeu que não seria tão fácil quanto ela pensava.

–Alan? -Sussurrou quando encontrou a voz, sorrindo para as amigas.

–Hermione? É você? -Sua voz era repleta de surpresa, e até um pouco de alívio.

–Sim. -Não queria dizer só isso, mas foi apenas isso o que conseguiu. Ela pode ouvi-lo falar com alguém ao lado dele.

–Como? -Disse. Seu tom de voz era incrédulo.

–Nos encontre no pub que eu explicarei. -Por mais que quisesse falar com ele, achava que seria mais sensato faze-lo pessoalmente, então não perdeu tempo e marcou um lugar.

–Estão todas aí?

–Todas. -Repetiu o que ele disse, arregalando os olhos para as amigas de brincadeira. Ela estava começando a ficar animada.

–Ótimo. Meia hora? -Disse rapidamente e riu da ansiedade dele mesmo.

–Meia hora. -Confirmou rindo junto com ele. Poderia imagina-lo com um sorriso sacana no rosto e passando as lindas mãos no cabelo.

–Marcado então.

–Até logo Alan. -Falou já distanciando o aparelho do ouvido.

–Hermione... -Ele chamou e, de forma abrupta, ela colidiu o telefone com a orelha.

–Sim? -Tentou disfarçar o riso enquanto mandava as amigas pararem de rir.

–Senti sua falta.

Hermione desligou rapidamente, respirando fundo.

–Eu também. -Sussurrou. Olhou para as amigas sorrindo levemente. -Em meia hora lá no pub. Acho que temos que ir antes, preciso de uma bebida. -Comentou, afastando as três para poder sair da cabine.

Juntas, elas andaram lentamente pelas ruas de Londres. De certa forma, não sabiam se queriam ou não chegar ao seus destino.

As roupas que elas usavam não eram o bastante para o clima, fazendo elas abraçarem o corpo e se encolherem. Não estava como em Hogwarts, onde um estranho frio havia prevalecido, mas não estava nada quente.

–A gente vai ter que falar sobre isso uma hora ou outra. -Astoria comentou, quebrando o silencio incomodo.

–Nós não temos que falar nada. -Gina contrapôs rude.

–Eu não quero falar. -Luna ressaltou, suspirando, enquanto olhava uma vitrine.

–Como saberemos então que tomamos a mesma decisão? -Disse exaltada, andando para frente das amigas e se virando para elas. Ela estava inquieta.

–Relaxe, nós tomamos. -Hermione deu de ombros tentando não olhar para a loira que estava em sua frente.

–Como pode ter certeza?

–Porque nós os amamos. Só por isso. -Era verdade. Talvez a maior verdade que já saíra da boca da morena. Não fora algo de repente, um sentimento a primeira vista. Foi construído durante os meses juntos, e, principalmente, nos meses separados. E por isso elas tinham medo... Muito medo do que poderia acontecer.

–Vocês tem certeza? -Astoria perguntou. Todas sabiam que ela não estava se referindo ao fato de ama-los.

Luna assentiu, brincando com o bolso do casaco leve que usava. Gina olhou-a com profundidade antes de repetir o que Luna fez. Astoria suspirou, como se segurasse algo dentro dela.

–E você Hermione?

–Nunca tive tanta certeza na minha vida. -Afirmou, andando rápido, logo passando as amigas. Elas simplesmente não precisavam ver suas lágrimas.

A meia hora passou como dez segundos. Quando se é desejado que algum momento não chegue, o tempo parece correr. Lá estavam elas, sentadas na mesa de sempre, trocando poucas palavras com Oliver, o garçom, e bebericando um liquido amarronzado, o mesmo que beberam da primeira vez que foram ali. Um pouco de masoquismo as vezes era bom para alma.

Elas souberam o exato segundo que os quatro garotos entraram no estabelecimento, tudo graças ao som levemente irritante que a porta emitia ao ser aberta. E sim, seus corações pararam.

Sim, eram realmente eles.

Já não se viam há alguns meses, e, quando se olharam, puderam notar o quanto o tempo havia mudado cada pessoa. Mudanças que elas nem notavam nelas mesmas.

Os meses fizeram bem a eles. Não pareciam mais garotos, e sim homens. Aqueles que fazem qualquer uma suspirar, inclusive elas. Poderiam jurar que nunca os viram tão bonitos. Em seu rosto, Alan tinha uma barba rente a pele. Como ele conseguia ficar ainda mais bonito?

Sem que elas se quer notassem, eles também as examinavam, notando como o tempo havia as mudado. Todas estavam mais velhas, isso era obvio. Nenhuma carregava as feições infantis, mesmo a mais nova com apenas quinze anos. Também não irradiavam mais alegria. Ainda eram muito bonitas, mas algo dentro delas havia morrido. Estava inteiro no ano passado, partido antes das férias, concertado um pouco durante a mesma, e agora havia sumido.

Elas não eram felizes, e eles podiam perceber isso.

Sem notarem, ficaram minutos assim, só trocando olhares analisadores que seriam intimidantes se eles não se conhecessem tão bem. Alguns garotos abriram um pequeno sorriso, não acreditando que elas estavam ali com eles.

Oliver olhava tudo de fora, sorrindo para os casais que ele mesmo ajudou a formar quando levou bebidas que eles pediram para elas. Por mais que não as conhecessem muito bem, ele sabia bastante sobre elas. Se tornara observador quando começou a trabalhar ali.

Por isso, ele estanhou quando ele foi a primeira a reagir.

Luna se aproximou de Charlie, alheia a tudo o que acontecia ao seu redor. Ela quase cambaleava, e não tinha a mínima intenção de parar enquanto não chegasse nele. Ele estava ali. Seu amigo. Seu confidente. O que afirmava que gostaria de ficar perto dela qualquer fosse sua escolha, mas ela tinha certeza... Nunca seriam apenas amigos. Ela não conseguiria ficar perto dele se fossem só amigos.

E assim, antes de trocarem qualquer palavra, ela imprensou os lábios nos dele. Ele esperava uma reação diferente, mas não tão boa quanto aquela. Estava novamente sob a luz de sua própria lua.

Dessa vez, Gina não planejava brincar com os sentimentos de David, pois estaria brincando com os dela também, e mesmo que quisesse tentar, não conseguiria, pois antes que pudesse abria a boca, a mesma estava ocupada com os lábios mais macios que ela já tivera o prazer de tocar. Tão melhor que o Potter...

Sim, ainda havia o Cormac. Seu namorado. E mesmo com essa denominação, a ruiva não se sentia mal por estar beijando outro. Cormac poderia ser seu namorado, mas David era dela. Não precisavam de palavras para saberem que, em momentos em que estão juntos, não existe nada alem de leves lembranças de que tinham de outras pessoas que existiam em suas vidas.

Ela tinha Harry, uma lembrança ruim que sempre assombrava sua mente. Tinha Cormac, um grande amigo a quem tinha certeza que sempre poderia contar. E tinha David, o homem que a enlouquecia.

Amava os três, por mais que um ela odiasse na mesma proporção.

E os três a amavam. Um em segredo até dele mesmo.

Astoria se encontrava sorrindo abertamente para o rapaz de olhos verdes e cabelos escuros que tanto gostava. Um pouco de sua alegria fora recuperada, mesmo a loira sabendo que logo ficaria mais do que infeliz. Aquecia seu coração ver o lindo sorriso de Louis direcionado a ela.

Ele abriu os braços para ela, que sorriu ainda mais, correndo para ele e pulando em seu pescoço. Louis fechou os braços em torno da cintura dela, a levantando. Ela era pequena comparada a ele.

–Que saudade. -Astoria murmurou, apertando ainda mais ele.

–Eu também, mas você está me sufocando. -Grunhiu e ela o soltou rindo, pousando calmamente no chão. Ele sorriu para ela, passando as mãos nos fios loiros. -É a segunda vez que nos encontramos depois das ferias e você ainda não me devolveu seu sutiã. –Disse como se fosse algo simples. Astoria sorriu para ele, desacreditada.

–Você não cresce Louis? –Sussurrou perto do ouvido dele e ouviu seu riso, do qual sentiu tanta falta.

–Eu disse que era para você me devolver. -Disse sério, deslizando as mãos para cima e para baixo nas costas dela.

–Mas ele é meu.

–Ele não deve dar mais em você... Esquece. –Interrompeu a fala, fazendo ela se afastar e o olhar zangada.

–Você esta me chamando de gorda? –Perguntou exaltada e ele gargalhou, a irritando mais.

–Não, estou dizendo que... Ah... Seus peitos cresceram bastante. –Seu tom de voz era malicioso e ela abriu a boca incrédula. -Pensando bem, pode ficar com aquele. Eu quero um novo.

Antes que ela pudesse falar algo, ele a puxou com certa violência para um beijo. Se ela quisesse poderia impedi-lo, mas não queria. Passavam tão pouco tempo juntos que não poderiam desperdiça-lo com brigas.



Alan estava tão abismado com o que via que não conseguia se mover. Ela estava na frente dele. Ele poderia tocá-la novamente. Falar com ela novamente.


Hermione ao perceber que ele não iria se mexer, abriu um sorriso enorme e recebeu de volta um simples sorriso de canto. Ele passou as mãos no cabelo e finalmente deu um passo na direção da morena. Aquele foi o primeiro de muitos, até ele ter ela em seus braços novamente.


–Eu não posso acreditar que você está aqui. –Ele falou com os lábios contra o pescoço dela, deixando uma mordida ali. Ele ainda se lembrava que ali era um dos pontos fracos da garota.



–Nem eu. –Sussurrou com a respiração alterada. Se afastou um pouco, apenas para poder alcançar os lábios dele. Ela não conseguiria sem ajuda, pois ele era mais alto que ela. Ele a levantou com facilidade, capturando os lábios dela com os dele num beijo selvagem repleto de saudade e raiva por estarem a tanto tempo longe.



–Posso falar uma coisa? –Ele perguntou quando desviou os beijos para as maças do rosto dela.



–O que quiser. –Respondeu enfeitiçada pelos carinhos dela.



–Eu acho que eu te amo, Hermione. –Ela demorou em entender que ele falou. As palavras simplesmente não entravam na cabeça dela. A expressão dele desmoronou um pouquinho, mas ele manteve o sorriso.


–Eu também te amo. –Respondeu, pulando nele para abraçá-lo. Ele riu mais de felicidade do que achando graça da reação dela. –Muito. –Sussurrou para ela mesma. Foi tão difícil segurar as lágrimas que ela não conseguiu.


–Ei, você está chorando? –Ele perguntou a afastando para poder olhá-la melhor. Ela apenas assentiu. –Porque?



–Eu não sei.



Mas ela sabia. Sabia direitinho.



Infelizmente, elas não poderiam adiar muito o que foram fazer ali. Depois de matarem um pouco a saudade, se sentaram numa mesa e eles pediram o que queriam beber.



Elas trocaram um olhar, decidindo quem iria falar. Os garotos perceberam a troca de olhares, ficando inquietos. Não parecia ser algo bom.



–Aconteceu alguma coisa? –Charlie perguntou mais para Luna do que para as outras. Ela olhou para Hermione, que assentiu.



–Preciso perguntar algo e quero que respondam com sinceridade. –Hermione começou após respirar fundo e eles apenas assentiram. –Vocês acreditam em magia? –Os quatro riram, trocando algumas piadas, mas logo ficaram sérios. Elas não estavam rindo.



–É sério isso? –David indagou levantando uma sobrancelha.



–É. –Gina confirmou. Os garotos riram novamente antes de responderem.



–Não. –Disseram juntos. Não entendiam o porquê daquilo.



–Porque a pergunta? –Alan perguntou focado em Hermione. Elas respiraram fundo se levantando.



–Precisamos falar algumas coisas a vocês, mas prefiro explicar sozinha a você Alan, assim como tenho certeza que elas também querem falar sozinhas com vocês. –Disse estendendo a mão para Alan, que a pegou relutante.



–O que está acontecendo?



–Muita coisa está acontecendo em baixo do seu nariz agora mesmo e você não tem nem ideia. –Isso o deixou mais curioso. –Trouxa. –Murmurou para ela mesma, sorrindo. Ela ia deixar o dinheiro que devia na mesa, mas Alan não deixou, pagando ele mesmo. Hermione sorriu para ele.



–Me explique. –Pediu a olhando profundamente.



–Eu vou, mas vamos sair daqui primeiro. –Ela o puxou para fora, observando as amigas fazerem o mesmo. Era melhor fazer o que deviam sozinhas, em um lugar vazio. Cada uma escolheu um sentido diferente.



E então puderam contar tudo.

Não há maior culpado da tristeza do que o tempo. Elas tinham certeza disso.

As horas que desejaram segurar, os minutos que desejaram apagar e os segundos que quiseram prolongar levavam a elas um sentimento de impotência. Levaria a qualquer um que parasse para pensar.

Talvez, se pudessem ter parado o tempo ainda na infância, não teriam conhecido nenhum mal. Ainda achariam que o pior que poderia acontecer era o seu brinquedo favorito quebrar, ou não ter o exato sabor de biscoito que gostavam para comer no lanche.

Ou talvez, se pudessem prolongar aqueles belos segundos onde foram felizes de verdade, onde esqueceram todas as preocupações e se perderam num abraço, numa manifestação de carinho. No momento onde se sentiram seguras. Esses não foram poucos, a maioria passada entre elas. Homens? Quem precisava deles?

Elas não, mas mesmo assim o tempo fez questão de colocar vários em suas vidas. Uns valeram a pena, outros não. O tempo levou alguns que deixaram marcas profundas nelas, e estava prestes a faze-lo novamente.

E quem sabe se elas pudessem apagar alguns poucos minutos que mudaram a vida delas? Apagariam mágoas, dores e decepções. Não há nada que o tempo não cure, mas não há ninguém que o tempo não fere.

Porque culpar o pobre destino quando o culpado é o tempo?

Se o mesmo fosse controlado, o destino também seria.

E por causa dele, tomaram aquela decisão.

Não foram sincronizadas, muito menos apressadas. Não derramaram uma única lágrima, quando na verdade queriam é ser abraçadas por aqueles em suas frente e chorar até os mesmos se cansarem e as levarem para casa. Queriam não ter que causar a dor nelas mesmas.

Não doeria neles. Não por muito tempo. Eles só precisavam esquecer para estarem seguros.

E, de certa forma, elas os fizeram esquecer.



“Tudo que eu queria agora
Era um beijo seu
Molhado como quase sempre estão os olhos meus
Deitar nos teus ombros e dormir em paz
Será que é pedir demais?

Cadê você amor?
Sozinha agora estou de novo

Tudo o que eu queria
Era o seu calor
Colar teu corpo junto ao meu
E detonar o cobertor
Contraditório sua pele quente me faz tremer

Cadê você amor?
Por que não vem me ver?

E aí me diz o que é que eu faço
Com essa falta que você me faz
A hora nesse quarto parece andar pra trás
Mas quando estou com você o tempo voa
Voa, o tempo voa”



Sentido Contrário – Isabella Taviani


Notas finais
Acho que eu não preciso dizer nada, não é? Podem me xingar se quiserem.

Só voltarei a postar no dia 21 de outubro, quando eu estiver com a história toda pronta. Postei esse para deixar vocês tristes, essa era a intenção. Se você não ficou, sinto muito.

Comentem se quiserem, se não quiserem, tudo bem.

Trollei um pouquinho com o título, né? Hahaha

Até outubro!