As Garotas De Hogwarts
56 Subindo nas vassouras
Notas iniciais
Os cabelos vermelhos um tanto desbotados da matriarca dos Weasley se misturavam com os loiros cachos perfeitos da bela sonserina. O tecido verde escuro do vestido armado da garota, agora amarrotado, se esparramava ao redor delas. Molly tinha os olhos arregalados escondidos por trás do amontoado de cabelo, e ela não sabia o que fazer ao certo. O resto da sala também parecia igualmente — ou até mais- surpreso.
O abraço não durou mais do que cinco segundos e Pansy logo soltou-se de Molly com um sorriso tímido, incomum para ela, e dois tapinhas carinhosos nas costas roliças da senhora ruiva. Não estava acostumada com abraços maternais, mas aquele tinha sido indiscutivelmente confortável. Ela estava começando a gostar de estar rodeada por pessoas boas, e se odiava por dentro por conta disso.
Molly seguiu para abraçar Astoria, acariciando levemente os cabelos desta. Murmurava vários "Bem-vinda", no tom mais baixo que conseguia, como se para confortá-las naquela situação difícil. Queria que elas se sentissem em casa, já que agora elas ficariam ali por muito tempo por conta da situação perigosa na qual estavam. A Toca era um local seguro, o único naquele momento.
–Sintam-se à vontade. -Disse com um sorriso doce, soltando Astoria. -Quero que todos tratem elas bem. -Disse séria, encontrando os olhos de seu filho mais novo. Ronald não estava mais boquiaberto, mas não parecia entender o que estava acontecendo. Bem, sua capacidade de compreensão não fora muito desenvolvida durante sua vida. -São minhas convidadas e a casa é minha. -Completou. Ronald deu de ombros. Sabia que não adiantava discutir. Não agora, não ali.
Harry e Rony ainda estavam de pé na entrada, no mesmo local em que pararam ao entrar e se deparar com surpresa de encontrar duas sonserinas de pé na sala de estar, uma delas aos beijos com seu irmão. E Havia aquele outro beijo. Para o ruivo, a situação era ainda pior, e ele tentava não pensar muito nisso para continuar. Tentava. Era difícil que as imagens não dominassem sua mente. Estavam tão frescas, tão recentes, tão sádicas. Era quase dolorosamente delicioso pensar nelas, e ele se descobria um masoquista. Queria se imaginar ali, no lugar do outro. O outro, seu próprio irmão. Mas ele não podia pensar nisso. Não mais. Por isso ele tentava com afinco esquecer o que vira.
Ronald Weasley havia perdido a esperança, coisa que ele nem sabia que tinha.
–Minhas queridas, vocês querem alguma coisa? Querem beber algo? -Molly indagou com seu jeito único de mãe em tempo integral. Pansy negou, balançando a cabeça. Abriu um pequeno sorriso de canto, como quem acabou de fazer uma travessura. Seus rosto se tornou quase infantil com o movimento.
–Eu só quero tirar esse vestido. -Falou, passando a mão sobre o tecido sedoso de cor infeliz até chegar na saia, escorregando a mão para o bolso. Seu sorriso aumentou ao alcançar o que queria. -E comemorar. -Rostos indagadores se viraram para ela. Pansy virou o rosto, sorrindo largamente para Astoria, que sorriu de volta. Elas realmente tinham conseguido. E estavam vivas...
...Sabe-se lá como elas estavam vivas, mas isso não importava. Sua adrenalina ainda estava alta o bastante para ela não perceber o quão perto da morte elas estiveram hoje, mas logo perceberiam que passaram várias horas de sua noite conversando, rindo e bebendo com a morte.
Por Merlin, elas até dançaram com a morte!
A loira puxou lentamente o que pegara e estendeu na frente de seu rosto. O medalhão reluzia, exibido, como a casa a qual pertencia, mostrando seu indiscutível poder para todos os olhos arregalados dos presentes.
Gina e Hermione se entreolharam. Pansy cumprira o que disse que faria, mas elas ainda não estavam certas se poderiam confiar nela. Mas isso não importava, desde que elas vencessem no final. E, enquanto a arrogante sonserina estivesse ajudando, Hermione e Gina não teriam problema nenhum com ela.
As duas, então, sorriram.
Molly abriu um sorriso orgulhoso, juntamente com seus gêmeos. O grupo de apoio ao cicatriz, como Fred e George haviam batizado, estava no caminho certo. Isso tudo graças àquele grupo de garotas que invadiu uma reunião.
A reação do próprio cicatriz e de seu fiel escudeiro cabeça de cenoura não foi nada parecida com a do resto dos presentes. Eles se entreolharam, não entendendo a totalidade como sempre. Harry sabia que havia algum significado por trás daquilo e tentaria descobrir. Hermione havia dito que eles não sabiam de nada, e cada vez mais aquilo se provava verdade.
E Luna... É a Luna. Ela literalmente não estava nem aí.
Não, literalmente mesmo. A loira já havia se retirado, e levara o rádio trouxa com ela. Era possível ouvir uma música baixa tocando do lado de fora d'A Toca.
–Acho que alguém já levou a festa lá para fora. -Fred comentou, apertando de leve a cintura de Hermione, da qual não soltara desde o momento do impulsivo beijo.
–Está pensando no mesmo que eu? -George falou, trocando um olhar animado com o gêmeo. A conexão entre eles era incrível.
–Vassouras! -Falaram ao mesmo tempo, desaparecendo da sala em segundos. Astoria e Hermione nem se sobressaltaram, já estavam acostumadas com a aparatação repentina dos gêmeos. Molly negou levemente com a cabeça para a atitude dos gêmeos.
–Essa é uma ótima ideia, na verdade. -Molly comentou, voltando seu olhar para Harry e Rony. -Vocês vão emprestar suas vassouras para elas. -Ordenou, e a reação dos meninos fez as garotas rirem.
–Mas... -O ruivo começou a contestar, sendo interrompido. Ele odiava quando a mãe fazia isso.
–Mas nada. Agora. -Disse sem dar espaço para mais contestações. Astoria sorriu de lado para Hermione, e a morena soube na hora o que ela falaria. Nenhuma delas tinha esquecido, já que aqueles dias, lá no início de tudo, foram tão marcantes.
–Hermione, você vai subir na vassoura do Rony. -A loira falou cantando, fazendo Gina e Pansy rirem. Rony abriu um sorrisinho, o primeiro da noite.
–Finalmente, não é? -Riu descontraída, entrando na brincadeira. Isso fez o sorriso do ruivo aumentar e Hermione fixou o olhar no dele, sorrindo docemente para o garoto pela primeira vez em muito tempo.
–Ótimo! -Gina falou animada, chamando atenção da morena, que quebrou a troca de olhares. -Estou animada. Vamos subir, tenho que colocar um top para voar. -A garota olhou para baixo, mais precisamente para seus seios, e Harry a imitou, disfarçando logo em seguida. -Venham, Pansy e Astoria. –Chamou, se direcionando a escada.
–E esses shorts, Ginevra? –Rony comentou incisivo, não muito feliz com o tamanho da peça. Isso chamou o olhar de Harry pela quinquagésima vez naquele dia para as pernas da ruiva. Merlin, como ele amava aquelas pernas.
–Lindos, não é? –Se fez de desentendida, se recusando a olhar para o irmão, e deu uma voltinha, mostrando todos os ângulos para Harry. Ele iria sonhar com aquilo naquela noite.
Molly subiu na frente, desejando uma boa noite a todos os presentes. Gina esperou a mãe desaparecer no segundo andar e começou a subir, com Astoria colada as suas costas, com seu vestido vermelho fazendo cócegas nas pernas da ruiva.
–Vem Pansy, quem sabe você não sobe na do Ron também. –Disse maldosa. Hermione fingiu não escutar, já começando a subir também, mas pode ouvir o riso de seu antigo amigo e não tão antiga paixão.
–Ou na do Harry. –Completou a outra sonserina.
Gina fingiu não escutar, ignorando a garota completamente, mas seu maxilar retesou de raiva.
–A vassoura do Draco também é ótima. –Hermione acrescentou quando estava no final da escada, já segura de que ninguém na sala a escutaria. Era uma outra referência daquela antiga conversa, naquele que hoje se mostrava um ótimo Natal, mas que na época parecia um inferno.
–Ah, eu sei disso. –Astoria falou simplesmente e se virou para sorrir para a amiga. Hermione arregalou os olhos.
–É mesmo fantástica. –Pansy concordou, mas a morena não prestou atenção na sonserina.
–É o que?! –A morena aumentou o tom, surpresa. Gina prestava atenção, interessada.
Astoria se limitou a levantar uma sobrancelha e Hermione soube.
Elas precisavam conversar urgentemente.
Hermione e Giny foram as primeiras a descer, já que não precisavam tirar nenhum vestido nem maquiagem. Quando chegaram na sala, já não havia ninguém lá. Então, elas seguiram para a área externa, de onde podiam ouvir a música fraca.
Ao chegar lá, puderam ver o que Luna fizera enquanto ficou sumida. Não havia nada de muito impressionante na decoração, mas mesmo assim estava melhor do que elas fariam. Havia uma mesa com as comidas que a loira tinha feito mais cedo, umas cadeiras de diversos formatos espalhadas pelo chão de terra, umas velas acesas, uma mesa coberta e o rádio tocando. A noite bonita ajudava a estética, tornando-a ainda mais especial.
–Festa! –Gritou Luna, que já estava segurando um potinho cheio de doce. Se mexia ao som da música, de forma mais graciosa do que as pessoas normalmente esperavam. Quando ela queria dançar direito, ela o fazia. O problema era ela querer.
Gina se aproximou no ritmo da música, roubando uma batata da mesa e fazendo cara de prazer ao provar.
–Isso é muito bom. –Luna se limitou a sorrir. –O que tem de baixo da coberta?
Os dentes de Luna ficaram mais expostos quando ela abriu o sorriso, se aproximando dramaticamente da mesa e puxando a coberta, revelando uma mesa repleta de bebidas alcoólicas, tanto bruxas quanto trouxas. Com um jeito maroto, levou o dedo indicador aos lábios e pediu silêncio.
A ruiva e a morena simplesmente riram, não vendo o porquê de manter segredo, mas não contestaram. Começaram a dançar de verdade, as três juntas, quando uma música conhecida encheu a noite. Lembranças e mais lembranças de uma época boa inundaram a cabeça delas.
E então veio a vontade de chorar por aquilo que elas escolheram perder. Mas elas não o fizeram.
A dupla de ouro chegou um pouco depois, surpreendendo as garotas num momento de intimidade que eles achavam que nunca veriam. Hermione Granger, Ginevra Weasley e Luna Lovegood dançando. Eles não conseguiam desviar os olhos.
Quando a morena percebeu a presença dos garotos, se aproximou deles, ainda animada pela deliciosa música.
–Vocês as trouxeram! –Falou apontando para as vassouras. Esticou a mão para pegar a que Ronald trouxera, mas antes que ele a soltasse Harry a segurou. –O que foi? –Perguntou sobressaltada. Harry se limitou a levantar a sobrancelha.
Hermione suspirou, cansada, e esperou com toda a sua paciência Harry desistir de tentar fazê-la entender o que queria e começar a falar.
–O que está acontecendo? –O moreno indagou. Hermione riu da expressão dele, lembrado-se que um dia no passado, após uma pergunta dessa, ela lhe daria um relatório completo.
–Eu te falei que vocês não sabiam de nada, e, vai por mim, é melhor assim. –Respondeu, puxando a vassoura com mais força.
Harry a olhou por alguns segundos, depois, com um suspiro, largou a vassoura.
–Obrigada. –Disse a morena, agora para Rony. Subiu na ponta dos pés e beijou o canto da boca do garoto, o deixando desconcertado. Ela adorava fazer aquilo.
E ele iria adorar vê-la sobre sua vassoura.
Hermione andou na direção de Gina, que já estava com a sua vassoura na mão e olhava pra ela sorrindo. Sabia que a ruiva tinha visto o que acabara de fazer.
–Corrida? –Perguntou. A ruiva fez que sim, subindo da vassoura. Hermione copiou seus movimentos e logo elas estavam no ar, na maior velocidade que elas poderiam alcançar, se afastando da'A Toca e adentrando a imensidão escura que era o céu.
–Você é tão má. –Gina gritou gargalhando, fazendo uma manobra.
Hermione apenas sorriu, sabendo que lá embaixo Rony se encontrava com um sorriso bobo na cara. E ela estava certa. Ele estava se imaginando no lugar de Fred, de Alan, de Krum... Por Merlin, não se imaginava apenas em momentos relacionados a sexo, por mais que esses momentos fossem a maioria. Ele adoraria ver o que ele poderia fazer com ele e, Merlin, o que ela poderia fazer com ele. Mas ele também se imaginava em cada conversa, cada brincadeira. Queria ela.
Por mais que morresse de raiva dela, ele estava completamente apaixonado. Pelo corpo, pela mente, pela nova e pela velha Hermione. Queria ela inteira.
E isso era uma merda.
Quando Hermione e Gina voltaram da corrida, lindamente cansadas, todos os participantes da festa estavam presentes. Vários já estavam com copos de bebida na mão, e alguns também comiam. Rony estava encostado na parede externa da casa, bebendo num copo baixo e olhando para o horizonte, ainda perdido em pensamentos que nunca se tornariam reais.
Ou ao menos isso era o que ele achava.
Herry se divertia observando Fred tentar os passos de dança de Luna, e estes se divertiam como se estivessem bêbados, mesmo sem uma gota de álcool no corpo. Fred e Astoria estavam trocando leves beijos perto da mesa com as comidas.
Quando Hermione se aproximou, ainda voando, com seus cabelos curtos bagunçados de forma selvagem. Isso chamou a atenção de Fred, que parou de dançar para encara-la enfeitiçado.
–Você fica linda daqui de baixo. –Elogiou quando encontrou palavras. Hermione sorriu e se inclinou para frente, se aproximando do chão perto dele.
A morena colocou os pés no chão e aterrissou, segurando a vassoura ao lado do corpo. Se aproximou do seu ruivo, um passo por vez. A cada passo, ficava mais perto, até estar encostada nele. Muito encostada.
–Obrigada. –Disse simplesmente e ele a presenteou com seu maior sorriso.
Ela se afastou, cortando o clima, e ele inspirou profundamente. Procurou uma distração daquele momento, daquela troca de tocas e olhares, daquela boca e daqueles olhos.
E ele encontrou.
–E aí, maninha? Está com o Cormac, né? –Fred Comentou, se aproximando da irmã e cobrindo-lhe os ombros com seu braço direito. Gina se virou para ele, curiosa. -Harry me contou. –Explicou, fazendo a ruiva fuzilar o moreno com o olhar. Harry se encolheu.
–Ah é? –Olhou Harry de cima a baixo, fazendo questão de o fazer ouvir. –Não estou com ninguém, ele que está comigo. -Disse presunçosa, e Fred riu.
Harry engoliu em seco. Ginny sorriu.
–Deixe-a em paz, Fred, e venha dançar comigo. –Chamou Hermione, quase miando, e ele o fez com muita alegria, deixou-se ser arrastado para perto do rádio e fez o corpo da morena seguir seus passos. Ele deveria estar louco, mas jurava ter sentido o corpo dela esquentar sob os dedos dele. Mas se estava, ficou feliz. O calor se espalhava da cintura dela para os dedos dele, dos seios dela para o peito dele. Se aquilo era maluquice, ele aceitaria com prazer.
Rony olhou a cena, jogando todo o conteúdo do copo na garganta, franzindo os olhos com a ardência.
Aquilo realmente era uma merda.
Merda, mil vezes merda.
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