Notas iniciais
Faz um tempão, não é? Foi mal aí, foi um capítulo extremamente difícil de escrever. Extenso e importante. Ele originalmente é o maior capítulo que já fiz, com 10.000 palavras, mas como tudo nele é importante, decidi cortar ao meio para não deixar ninguém muito cansado. Isso significa que o capítulo 54 está pronto. Obrigada Clarissa Houston e KarolMartell pelas lindérrimas e maravilhosas recomendações! Vou agradecer por MP logo! Quanto aos comentários, eu juro de verdade que vou tentar responder todos até segunda feira!

O céu já havia mudado de cor, adquirindo tons cada vez mais escuros de azul, até chegar ao ponto de assemelhar-se ao preto. Espalhados por tamanha imensidão obscura estavam pequenos pontos emitindo um brilho esbranquiçado, como se diamantes houvessem sido cravejados sem um padrão definido. Eram como pequenas embarcações navegando pela calmaria de um mar de aguas negras, tendo missão de transportar o mais belo brilho para tal noite.

Um espetáculo natural belíssimo, sem duvida alguma, mas que seria facilmente ofuscado naquela noite por um ponto luminoso, austero, singelo, localizado na terra por entre belos jardins prateados. Era uma mansão, mas não apenas isso. Era o local de uma enorme festa, e ela em si brilhava. Brilhava pela decoração e por conta da música. Por conta dos vestidos e ternos. Por conta da expressão altiva presente no rosto dos convidados. Mas, acima de tudo, brilhava por conta de seus proprietários.

O Sr. Greengrass, que de início achara que seria apenas um mero coadjuvante em sua própria festa, estava se divertindo mais do que esperara. Estava sentando com suas largas costas apoiadas de uma forma belamente displicente nas costas de uma cadeira e bebericava um copo largo repleto de alguma bebida alcoólica. Ele não realmente se importava qual. Conversava com alguns amigos com quem frequentou Hogwarts quando ainda era jovem, mas seu olhar estava preso em sua mulher e em seu vestido. Um sorriso nunca deixava seu rosto.

A Sra. Greengrass poderia se considerar uma mulher feliz naquela noite. Estava tudo dentro de seus conformes. Todos que importavam estavam ali ou estavam chegando, e pareciam estar aproveitando. Perfeito. A música clássica, tocada ao vivo por alguns dos melhores músicos bruxos, se espalhava pelo salão sem nunca parecer alta ou baixa demais, embalando os poucos casais que já estavam no centro do salão. Perfeito. As mesas, espalhadas pelo local de forma para que não atrapalhassem os movimentos de ninguém, eram cobertas pelo mais belo tecido. Perfeito. A combinação de cores que escolhera não ofuscava ou se sobrepunha sobre a roupa de nenhum dos convidados, assim como ela planejara, e ainda sim tinha o toque sombrio que precisava ter. Perfeito. As janelas e portas da parte de trás da mansão estavam abertas, dando a visão e o acesso ao jardim dos fundos, onde a iluminação fazia seu trabalho majestosamente, deixando tudo ainda mais bonito. Perfeito.

Seu vestido era num belo tom de rosa escurecido e sóbrio, o corpete apertado mostrava que ainda mantinha a mesma forma de quando era nova, e isso a agradara muito, principalmente quando vira os olhos do marido a seguindo no início da festa. Ela não se vestira apenas para ele, é claro, mas estava feliz por ele estar gostando. E, quando aquele baile acabasse, poderiam agir como um casal apaixonado em seu quarto. Mas não ali. Ali as aparências deveriam ser mantidas.

Mas o que a estava deixando feliz não era apenas a perfeição com que tudo fora arrumado, mas sim a simples visão do que estava acontecendo ali, no meio do salão. Aquilo não prendia apenas o olhar da anfitriã e matriarca dos Greengrass, e sim de cada convidado que estava presente. Era uma visão arrebatadora. O vestido, o terno, os cabelos loiros em contraste com os fios escuros. Os belos rostos sorrindo levemente um para o outro, as mãos dele presas em sua fina cintura, as mãos dela em seus fortes ombros. Olhos frios em outros olhos frios. Uma bela combinação. Draco Malfoy e Daphne Greengrass. Dançando, como um casal que todos achavam que formariam. Ela estava satisfeita, e ele, aliviado. As aparências haviam sido mantidas e ele era mais uma vez o melhor partido de todo baile, assim como Daphne. Dançaria com várias, mas sempre voltaria para o braço da morena para roubar a atenção de todos de novo.

Draco não havia planejado fazer aquilo. Não mesmo. Ele planejara acompanhar a mais nova Greengrass pelo baile durante toda noite, recusando todo e qualquer convite para dançar com qualquer outra “dama da sociedade”. Ele seria dela, como prometera. Consertaria finalmente seus erros e talvez até decidisse que ela era a garota que ele queria. Eles poderiam funcionar. Mas, infelizmente, não ali. Não em tempos como aquele. Não com todos olhando. Todos sabiam de quem Astoria era amiga. Todos sabiam que ela não era confiável. Todos sabiam que ela não era a mais bonita. Ninguém poderia ser mais bonita que Daphne naquela noite. Até mesmo Draco achava isso, e os pais da garota também. E, naquele momento, ele assumiu sua velha face. Voltou a ser o Draco Malfoy. Aquele que era capaz de humilhar as garotas com quem se envolvera. O Draco cego.

Ele a abandonara no pior momento que poderia escolher, e ela ao menos sabia da decisão dele.

Bastaram apenas algumas palavras de sua acompanhante e ele fora convencido de mudar de ideia. Umas ameaças, umas promessas e pronto, Draco estava de volta ao lugar que Daphne queria. Ele não estava pronto para arriscar-se por alguém, ou arriscar sua família. Sua mãe.

Daphne estava realmente bonita naquela noite. O vestido, feito especialmente pra ela, ajustava-se perfeitamente em seu belo corpo. Era preto, sem mangas, apertado. O corpete era levemente transparente. Ia apertado até seus quadris, onde se abria em uma grande saia com uma fenda no centro, dando espaço para outra em um tom de dourado escuro. Ela estava magnífica, com certeza. E estava feliz. Se Draco não houvesse desistido da ideia louca de acompanhar Astoria, ela sabia que não seria o centro das atenções, pois as fofocas iriam ofusca-la. Com Draco ao seu lado, nem o vestido mais lindo do mundo iria tirar a atenção deles. Astoria não conseguiria ofuscar os dois. Mas esse não era o único motivo para sua felicidade. Sua irmã já deveria estar se sentindo humilhada nesse momento, e, por mais que os outros não tomassem conhecimento disso, Daphne sabia. E ela sabia que Astoria sabia. A infelicidade de sua irmã era sua felicidade.

Quando a música estava quase no fim, a atenção de todos mudou de foco. A porta principal foi aberta e por ela passaram talvez os mais ilustres convidados, parando logo após de entrarem, observando o salão. Bellatrix Lestrange, que normalmente era a representante dele em eventos daquele porte, estava como sempre usando preto. Um não tão belo vestido, combinado com seus cabelos negros e bagunçados e um olhar vidrado, repleto da loucura de quem viveu enclausurada por anos. Mesmo assim, ainda chamava atenção. Era bonita de um jeito estranho, sua loucura lhe dava um ar selvagem e seus olhos, aqueles perturbadores olhos, eram o que passava medo e uma inesperada sensualidade para todos que a olhassem. Desde que ela não falasse, poderia ser considerada uma bela mulher. E, em seu colo aparente pelo vestido, estava repousado um belo medalhão.

Severus Snape estava ao lado esquerdo dela em seus normais trajes negros, com seus cabelos lisos pendendo em ambos os lados de seu rosto. Usava a mesma postura que costumava a mostrar em Hogwarts, mas parecia ligeiramente mais confortável naquele ambiente. Rodolfo Lestrange estava do lado oposto e apresentava a mesma loucura de sua mulher estampado não só nos olhos, mas também nos gestos, mas não a beleza. Ele era um tanto repugnante.

Eram convidados esperados, a quase realeza da sonserina, os que tinham contato direto com Lord Voldemort. Mas havia mais alguém, e talvez esse alguém fosse o que estava chamando tanta atenção. Era um rapaz, talvez próximo de completar 20 anos. Dono de um nome conhecido, mas de um rosto pouco visto. Sua pele era branca, sem imperfeições. Cabelos negros e olhos cinza que brilhavam, transformando-os em prata liquida. Tinha a postura segura, um físico forte e uma beleza arrebatadora.

Ninguém sabia quem ele era, mas sabiam que deveria ser alguém importante. Logo, ele era o mais comentado de todo o baile. Os murmúrios preenchiam cada canto do salão, até que alguém espalhou a resposta. Não fora difícil liga-lo ao nome que estivera na boca de tantos por várias semanas. Ele tinha alguma ligação próxima com Lord Voldemort, não sabiam se era familiar ou apenas uma aliança, mas era claro que eles eram próximos. E essa informação o fazia ainda mais especial. Logo, ele era o único par que as garotas do baile queriam. Não mais Draco.

O rapaz notara tamanha atenção que estava recebendo, mas não parecia ligar, como se já estivesse acostumado. E, na verdade, ele estava. Apenas seguiu a mulher e os dois homens, sentando-se na mesma mesa que eles. E ali ficou, observando as pessoas passarem, e junto com elas, o tempo.

Algumas músicas tocaram antes de Draco finalmente desistir de dançar. Já se fazia quase quarenta minutos que aquele homem chegara e a atenção ainda não havia voltado para ele. Daphne também não parecia muito satisfeita. O loiro acompanhou a morena até a mesa onde Pansy, em seu vestido verde escuro, e Blaise, em seu belo terno, estavam sentados. Podia sentir os olhos de Zabini o perfurando. Podia sentir o respeito que o moreno tinha por ele ir sumindo. O loiro realmente não se importava. O fato de Blaise ter se declarado para Luna e ter mantido sua posição não significava que ele deveria fazer o mesmo. Aquilo que havia dito tinha sido um ato impensado, uma coragem momentânea, quando esquecera sobre o mundo em que vivia e enxergara apenas ela.

O que Draco não estava entendendo era o porquê de Pansy também estar o encarando como se ele a houvesse traído. Nunca prometera nada a ela além de uma ou duas noites de sexo, não tinha com garota a mesma relação que tinha com Daphne. Não fora difícil alcançar Pansy, foi preciso apenas estalar os dedos. Com a morena havia sido um tanto complicado. Mas nada havia sido mais difícil que conseguir a irmã mais nova da mesma.

Mas Draco estava errado. Não tinha sido difícil com Astoria. Não havia como usar o passado naquele pensamento, mas na mente dele ele tinha certeza que possuía a loira. Porém, ele não a tinha conseguido. E Pansy não o encarava daquela forma por estar achando que ele devia alguma coisa a ela. Nem de perto. E o estomago da garota virou quando ela percebeu o sorriso que o casal mais popular do baile trocou quando ela pediu licença e se levantou. Achavam que ela estava fugindo deles por Daphne não ter mantido o trato de dividirem o loiro ou por Draco não ligar para ela. Não, ela saiu para subir as escadas, tendo um único lugar em mente. O quarto de Astoria.

Ao mesmo tempo Zabini se levantou, ajeitando charmosamente seu paletó e indicando com a cabeça o local onde as bebidas mais simples estavam sendo servidas. Ele não queria nenhum dos drinks cheios de coisas que estavam sendo servidos pelo salão, e queria conversar a sós com o loiro. Draco o seguiu sem muita vontade.

–Qual é o seu problema? –O moreno perguntou assim que estavam afastados. Draco revirou os olhos.

–Meu problema no momento é você. –Disse apenas, servindo-se da primeira bebida que encontrou. Blaise estreitou os olhos, rindo do loiro.

–Você vai mesmo escolher Daphne? –Perguntou enquanto pegava uma bebida para ele também.

–Não é uma escolha. –Draco deu de ombros.

–Você é um babaca. –Falou sorrindo, levando o copo à boca.

–Só porque você quer se misturar não quer dizer que eu quero o mesmo.

Blaise se sentiu um tanto ofendido.

–Se não quer se misturar então escolha a Astoria. –Deu a alternativa, esperando que Draco pensasse com cuidado antes de dispensar a loira daquela forma.

–Não é tão simples, você não entende.

–Você sabia que Viktor Krum está na festa? –Provocou, esperando que o garoto mordesse a isca. Precisava impedir que o amigo cometesse um erro.

–Sim. E?

–Nada. Só quero ver sua cara quando ela estiver com ele.

–Ele não vai estar com ela pelo mesmo motivo que eu. Ninguém vai estar com ela. Ela não é mais bem-vinda aqui. –Draco explicou, acabando de beber sua bebida e se afastando a passos largos para algum outro ponto do salão.

Blaise não se mexeu, apenas o observou indo embora, imaginando vários futuros infelizes para o amigo. Ele merecia. Iria cometer o erro que poderia ter sido evitado. Agora era tarde demais.

O moreno deu de ombros e saiu pela porta que dava acesso ao jardim. A única companhia que ele queria agora era da lua, pois ela o lembrava de alguém muito especial.

Sim, Blaise Zabini estava virando um romântico.

Pansy Parkinson não demorou muito para encontrar a porta do quarto de Astoria. Era a última do extenso corredor do segundo andar, exatamente no extremo oposto ao de Daphne. Parecia que a inimizade das irmãs não era algo recente.

A loira pensou em bater na porta, mas não queria chamar a atenção com barulho algum, então decidiu apenas abrir a porta e entrar. Havia adquirido algumas habilidades desde que começara a dedicar seu tempo a descobrir o que as quatro garotas de Hogwarts estavam fazendo.

Uma vez lá dentro, observou cuidadosamente cada aspecto do quarto. Não parecia nada com um quarto que Astoria teria. Ao menos, não era o Pansy imaginara encontrar. Não tinham bonecas, pelúcias ou nada que lembrasse um quarto de uma pequena menina. Era sério e bem organizado, a não ser por algumas roupas jogadas na cama.

Pansy andou, procurando enxergar o quarto por cada ângulo. Ela já tinha entrado no quarto de Daphne várias vezes, e parecia que o de Astoria seguia o mesmo padrão. Havia duas portas ali dentro. Uma, onde provavelmente a garota estava, era o banheiro e estava fechada. A outra era o closet, esta aberta, mostrando a Pansy algo que ela nunca imaginou ver.

Ela finalmente havia encontrado a resposta para aquelas quatro garotas estarem sempre tão bem vestidas. E, incrivelmente, Astoria era a responsável. A garota que fora humilhada por conta de sua aparência ridícula tinha, provavelmente, o melhor jeito de se vestir que Pansy já vira. Havia desconfiado que Ginevra Weasley fossa a garota por trás da mudança de visual. Talvez até Luna. Até mesmo Hermione. Mas nunca, nunca mesmo, Astoria.

–Surpresa?

Pansy se virou assustada, ainda boquiaberta, para a segunda porta que agora se encontrava aberta. Astoria estava apoiada na parede, enrolada numa toalha, o cabelo já completamente seco e preso num belíssimo penteado. Ela olhava para a intrusa e assistira com divertimento os minutos que Pansy ficou encarando seu closet.

–Atordoada. –Pansy admitiu, recuando até sentar-se na cama. Seu rosto estava livre de qualquer expressão. Completamente perplexa.

–Achei que já imaginasse que alguém estava por trás disso. Mudanças não acontecem de uma hora para outra. –Astoria deu de ombros, se aproximando se sua penteadeira para escolher as maquiagens que iria utilizar.

–Não achei que fosse você.

Astoria se sentou de frente para o espelho acoplado ao móvel, abrindo lentamente cada produto e começando a passa-los sobre a pele do rosto e do colo. Após breves minutos sentada, Pansy se levantou, andando até parar na frente ao reflexo da loira.

–É verdade? –Astoria quebrou o silêncio enquanto espelhava pó pela testa. A outra garota a olhou em interrogação. –Que Draco está com a minha irmã? –Explicou e o olhar de Pansy lhe passou pena.

Astoria respirou fundo, fechando os olhos para poder espalhar pó pelas pálpebras.

–Não precisa mais responder.

Seria mentira dizer que ela não esperava por isso. Ela se preparara durante a tarde inteira para aguentar aquilo de forma firme, e ficou feliz em notar que conseguiu. Seria uma cópia do que fizeram com ela há quase um ano atrás. A diferença é que agora os olhos estariam nela não por estarem com pena, ou por estarem rindo dela por nunca alcançar a irmã em nenhum aspecto. Não, desta vez seria diferente.

As duas garotas loiras ficaram assim. Astoria se maquiando sem pressa, e Pansy a observando, intrigada. Intrigada pelas técnicas que Astoria estava usando, mas também por sua face não demonstrar tristeza, mas sim uma estranha satisfação.

–Bellatrix já esta aqui. O medalhão falso está dentro do bolso do meu vestido... –Pansy começou para quebrar o silêncio, mas foi interrompida antes que terminasse a frase.

–Seu vestido tem um bolso? –Astoria a olhou risonha e Pansy revirou os olhos.

–Dois. E é a última moda.

–Está falando isso para a pessoa errada. –A mais nova gargalhou, arrancando de Pansy um sorrisinho. Talvez, só talvez, elas poderiam ser amigas.

–Tanto faz. Só digo que não será fácil. Há mais um par de olhos atentos em Bellatrix esta noite. Um par de belos olhos, com um dono mais belo ainda...

–Se você ficar prestando mais atenção nele do que em pegar o medalhão com certeza não será fácil. –Rebateu, sorrindo divertida. –Quem é ele, afinal?

–Ele, minha cara Astoria, é o homem mais lindo de todo esse baile. O homem com uma relação direta com Você-Sabe-Quem. Um homem que tirou a atenção de todos de Draco e Daphne. E o homem que está sentado ao lado de Bellatrix, atraindo todos os olhares para ela também. –Explicou dramaticamente, pegando o blush e um pincel, aplicando o pó rosado cuidadosamente no rosto da outra loira, que imediatamente ficou rígida. –Se acalme Greengrass, não vou fazer nada desta vez.

Astoria pareceu relaxar, deixando Pansy ajuda-la com sua maquiagem. Não estava demorando sem um propósito, pois sabia que, quanto mais ela demorasse, mais atenção chamaria.

–Ao menos não serei eu a fazer a troca. –Astoria brincou.

–Eu estou com um pincel cheio de pó vermelho, não me provoque. –Devolveu.

As duas ficaram assim mais um tempo, até Astoria achar que estava bonita o suficiente. E ela estava, realmente, bonita. Mais que isso até. Ela estava no padrão “Sra. Greengrass”. Perfeita.

Ela seria a mais bonita do baile. Até Pansy fora obrigada a reconhecer isso.

–Qual vestido você comprou? –Perguntou quando a loira ainda de toalha sumiu para dentro do closet.

–Eu não comprei, eu fiz. –Gritou lá de dentro. Pansy sorriu, não acreditando no que ouvira. Era um baile importante demais para se arriscar daquela maneira.

E então Astoria o trouxe, deixando os olhos da garota o admirarem antes de pedir ajuda para coloca-lo no corpo. Mas Pansy não se moveu. Sinceramente, não achava que iria recuperar os movimentos tão cedo. Encontrava-se, mais uma vez, boquiaberta.

E, quando recuperou a voz, fez Astoria prometer que faria seu próximo vestido. A garota apenas riu, sentindo como era bom o gosto da vingança. Naquela noite, queria sentir mais que isso. Queria sentir o gosto, o cheiro, a textura e ainda admirar a vingança que teria. Uma obra de arte em cores escuras e profundas, que, aos poucos, pintava um sorriso aberto e malvado na boca de sua dona.

Seu corpo assumiu um estado parecido com o que atingira na noite anterior. O sangue fervia, espalhando pelo corpo dela apenas uma prova do que seria ganhar aquela batalha. E ela queria se fartar desse gosto. Só que desta vez, ao invés daquilo ser causado pela tristeza, havia sido causado por algo muito mais forte. Justamente o que tanto temeu iria acontecer, ela iria ao baile alterada. Na noite passada isso estava fora de cogitação, pois sua intenção era apenas uma. O medalhão. E talvez algumas horas de diversão com Draco.

Mas algo havia mudado nela da noite anterior para a do dia de hoje. Ela já não ligava para nada. Seu poder à mostra a deixaria exposta no meio de todas aquelas pessoas que podiam senti-lo, mas era exatamente isso que ela queria. Queria mostrar que se havia alguém perigosa ali, era ela. Não mais passar despercebida. Nunca mais.

Pansy estranhou quando, assim que fechou o corpete extremamente apertado do vestido, a temperatura do quarto aumentou. Com curiosidade, encostou a palma de sua mão direita nas omoplatas expostas de Astoria, retirando-a logo após, olhando para a mesma. Estava vermelha, como se houvesse passado a mão em uma chama.

–Astoria...

Pansy estava genuinamente preocupada. Não entendia o que estava acontecendo. Mas Astoria não se importava de deixar aquilo à mostra para a outra. Então ela se virou, dando a outra sonserina a visão de seu ser modificado, e Pansy calou a boca.

A loira mais velha teve exatamente a reação esperada. Primeiro, o susto. Depois, o encanto. Ao redor da garota havia uma aura, uma luz. Leve, quase imperceptível. Os olhos brilhavam, dando-a um ar de uma quase loucura. Como se fosse um animal selvagem preso, louco para sair. Não parecia uma garota de seus quinze anos. E não era mais uma, de qualquer forma.

A dama de vermelho sangue sorriu, repuxando os lábios também vermelhos de uma forma assustadoramente bonita, e indicou que Pansy saísse do quarto primeiro, e a garota obedeceu. Não havia como não obedecê-la.

Quando a loira retornou ao salão o rapaz dos cabelos negros mais comentados da festa ainda estava na mesma posição de antes. Sentado na mesma cadeira, agora observava a estranha cena de Bellatrix dançando com Rodolfo.

Ainda ouvia as pessoas falando dele. Não esperara menos, na verdade. Sabia que causava coisas assim nas pessoas. Principalmente ao ser jovem, aparentemente novo na cidade e na sociedade bruxa, mas, ainda sim, mais próximo do que qualquer um do homem que parecia liderar a elite bruxa. E era verdade, ele era sim muito próximo à Lord Voldemort. Mais próximo do que qualquer pessoa jamais foi.

Por conta disso, recebera convites e incentivos para dançar com várias moças, mas nenhuma o interessava. Nem mesmo a bonita primogênita dos anfitriões, que praticamente arrastara para o centro do salão. Se fosse escolha dele, e infelizmente não fora, não passaria nem um minuto dançando com ela. Uma música fora o suficiente para cansá-lo.

Enquanto a dança do casal a sua frente ficava cada vez mais estranha, ele decidiu que precisava de uma bebida se seu objetivo era aguentar a noite inteira sem vomitar.

Com um suspiro, ele começou a caminhar na direção da mesa de bebidas. Já podia sentir o gosto do álcool e o calor da bebida. Ah, como ele gostava disso.

Ele já havia quase chegado à mesa quando ouviu a onda de sussurros aumentar. Perguntou-se mentalmente se havia algo errado com sua roupa, se talvez a calça tivesse se rasgado e dado a todos a visão de suas pernas musculosas ou talvez até algo mais. Mas, pelo o que ele pode ouvir, não eram sussurros referidos a um homem, e sim a uma moça. E então sentiu. O calor forte o atingiu, o fazendo titubear.

Sabia que deveria continuar seu caminho, mas não resistiu em se virar. A curiosidade sempre seria um defeito, mas não naquele momento. Pois ali estava ela, a mulher mais espetacular de todo o baile.

Ela era linda. Os cabelos eram loiros bem claros, presos em um complicado e lindo penteado. Os olhos, azuis e profundos, que mesmo com a distância entre os dois ele conseguia enxerga-los.

Havia algo nela que o deixou hipnotizado. Não apenas ele, mas todos os homens do salão. Algo emanava dela, algo o atraia para ela. Como se ela o chamasse num ronronar muito baixo e sedutor, implorando para que ele chegasse mais perto. Mas ela estava lá, calada, apenas com um amplo sorriso no rosto.

Ela brilhava mais que a festa inteira e as estrelas juntas. E então ele soube.

Era ela.

Em toda sua magnifica juventude. Era ela.

Deixou para lá a ideia de pegar uma bebida e atravessou o salão sem pensar duas vezes.

Ela estava parada ali tempo suficiente para vários rapazes se aproximarem dela para enchê-la de elogios, menos o que ela queria. Ele precisava se aproximar. Ela gostava de toda aquela atenção, é claro, principalmente de duas pessoas em particular. Um claramente arrependido e outra queimando de raiva.

Pode sentir o momento que Draco decidiu andar em sua direção, assim como sentia seu olhar em seu vestido fatal, pensando no que estaria ali por baixo.

Astoria o olhou no exato segundo que o mesmo foi parado por uma mão espalmada em seu peito. Uma mão que ela conhecia muito bem, por sinal. Feminina, com as unhas devidamente pintadas. A dona delas caminhou em sua direção.

–Eu ganhei. –Daphne anunciou com um sorriso satisfeito.

Astoria continuou ali, com seu o sorriso e pose, sem nunca se afetar, e também não se dignou a responder.

Daphne, irritada com a reação da irmã, deu um passo a frente.

–Não me esqueci da nossa última conversinha. Eu te falei que Draco ia fazer exatamente isso.

Era difícil de admitir, mas ela realmente havia avisado que aquilo se repetiria. Que ela seria trocada outra vez. Por isso, escolheu continuar calada, apenas assentiu como se guardasse a informação no cérebro para considerar mais tarde e voltou seu olhar para Draco.

–Ah, e você devia ter aceitado a minha ajuda. Essa cor não fica bem em você. –Daphne falou, dando as costas para a irmã e já começando a se afastar.

–Astoria, eu... –Draco começou, mas parou quando o olhar de Astoria mudou de foco. E se tornou muito, muito mesmo, feliz.

Astoria sorriu para o rapaz que se aproximava. Finalmente. Logo se esquecera de que Draco estava ali. E soube no seu intimo que o loiro a olhava. Olhava para seu magnífico vestido vermelho, suas curvas, seu rosto. Sua beleza. Ansiando por sentir o calor que emanava dela mais uma vez.

–Será que a dama mais linda de todo o baile me concede esta dança? –O rapaz perguntou, estendendo a mão para ela.

–Eu nunca negaria.

Astoria a segurou e foi guiada para o centro do salão. Ele posicionou as mãos largas na cintura dela, apertando levemente, sentindo o calor irradiando do tecido. Sim, aquilo parecia certo. Ela pousou as mãos nos ombros largos dele, e o misterioso homem começou a conduzir uma bonita dança, em que ela correspondia aos seus movimentos sem esforço.

A loira demorou quase duas músicas para perceber que todos os presentes no baile continuavam os olhando, pois estava presa no belo olhar do homem desconhecido a sua frente. Presa por muito tempo. Presa como nunca ficara antes.

–Estão todos nos olhando. –Ela comentou, sorrindo para ele. A garota podia sentir dois olhares de ódio os perfurando. Ah, a vingança era muito boa.

–Estão todos te olhando, Astoria.

Ela ia contesta-lo, mas parou quando ele mencionou seu nome. Não se lembrava de tê-lo visto antes, e ela provavelmente se recordaria dele se de fato o tivesse conhecido. Mas não era de todo estranho, uma vez que ela era filha dos anfitriões. Anfitriões esses, diga-se de passagem, que não poderiam estar mais chocados. Na mente da Sra. Greengrass aquele genro seria milhares de vezes melhores que Draco, mas achara que ele nunca prestaria atenção em sua filha mais nova. Já havia até separado alguns rapazes para apresentar a Astoria, mas aparentemente, ela se viraria sozinha.

Se viraria muito bem sozinha.

–Você me conhece, mas eu não te conheço. Quem é você, encantador cavalheiro? –A loira indagou divertida. O garoto de cabelos negros sorriu de lado para ela, a fazendo girar junto com uma parte mais suave da música. Ele já tinha a ouvido, e sabia que ela estava prestes a acabar.

–Eu sou seu futuro. –Ele piscou, a puxando novamente para o seus braços quando o último acorde da música soou. Ela ficou um tanto atordoada, e ele, com um sorriso malicioso, depositou um singelo beijo nas costas da mão dela. E, então, se afastou.

A garota loira foi obrigada a se afastar quando viu a mãe andando em sua direção com os olhos claros arregalados e a mão na boca, surpresa. Podia ver de relance o pai sorrindo com orgulho. Na verdade, podia sentir cada olhar sobre ela. E, com certeza, não eram poucos.

–Ele dançou três músicas com você. Inteiras. Não havia feito isso antes. Aceitara alguns convites, mas não havia feito nenhum, até você chegar. Nem mesmo com sua irmã. Você pegou a todos de surpresa. Até a mim, admito. Está tão linda. –Sra. Greengrass falou no ouvido da filha, soltando risadinhas. Astoria deixou o sorriso aumentar quando soube que sua irmã havia tentado e não havia conseguido. –Você tem que cumprimentar os convidados.

Astoria deixou-se ser puxada por todos os cantos do baile, sendo apresentada quase como a filha prodígio dos anfitriões, e podia sentir o olhar da irmã nela. O mesmo olhar sem carinho, raivoso e cheio de ódio. Mas sabia que Daphne não tentaria mais nada naquela noite. Provavelmente não tentaria mais nada nunca mais. Porque Astoria havia vencido. Deu a volta por cima de novo. Deixou todos aos seus pés de novo. Roubou a atenção que uma vez fora de sua irmã... De novo.

Ah, Daphne estava muito enganada quando afirmara que ganhara aquele jogo, e já reconhecia o seu erro. Seu olhar cheio de adjetivos ruins também carregava o peso da vergonha e da pior humilhação que poderia ser feita contra uma pessoa como ela. Tudo presente em seu olhar. Havia perdido.

E o pior de tudo era que havia perdido para Astoria...

...De novo.

Sra. Greengrass e a filha mantinham uma calma conversa enquanto caminhavam pelo salão até as mesmas se aproximarem da mesa onde Bellatrix, o marido e o professor Snape estavam. Nenhum sinal do belo rapaz sem nome. Pansy, que já estava perto deles, falava algo com a tão poderosa bruxa.

Bellatrix estava com uma postura orgulhosa e altiva quase forçada, e sua mão repousava sobre o medalhão repousado no colo magro. Claramente, ele era o assunto da conversa. Pansy tinha colocado o plano em ação, e talvez a presença de Astoria ali atrapalhasse tudo.

A loira hesitou ao se aproximar, mas, incrivelmente, o olhar de Bellatrix se iluminou levemente ao vê-la caminhar na direção da mesa. Ela tinha percebido a fraca luz que saía da garota. Astoria implorou ao seu corpo que voltasse para o estado normal, mas, aparentemente, o calor não a deixaria tão cedo. Desta forma, só restava encarar Bellatrix como a mulher que realmente era, sabendo que a bruxa mais velha tinha sentido no ar o poder. Ali elas seriam apenas duas grandes bruxas se confrontando com olhar, medindo quem seria a mais rápida em feitiços letais.

–Srta. Greengrass. –Snape cumprimentou seriamente, com a mesma voz monótona que sempre usava. A presença dele ali era o que mais assustava a Astoria original, escondida por trás de sua forma alterada. Ele sabia que ela era uma traidora. Porém, nem assim ela se intimidava.

–Professor. –Devolveu sorrindo.

–Astoria. –Bellatrix pronunciou lentamente com sua voz que era estridente mesmo com ela calma. Deu uma pequena risada após farejar o ar como um cão de caça. Astoria pode ver todos os suficientemente perto dela se encolherem com o som, mas ela continuou ali, parada, sem ao menos pestanejar.

–Um prazer revê-la, Sra. Lestrange. –Devolveu, mantendo o olhar preso ao dela. A mãe, então, decidiu se pronunciar.

–Então, sobre o que estavam conversando quando interrompemos?

Astoria pode ver Bellatrix e Snape trocarem um olhar.

–Estava mostrando para Pansy o objeto que me confiaram. –Passou a mão pelo medalhão, quase o acariciando. Ela era realmente apaixonada por ele.

–É muito bonito, com toda a certeza. Deve ser especial para o dono. –A mulher dos cabelos rebeldes estreitou os olhos quando ouviu Astoria falar.

Por um momento, a parte racional de Astoria gritou dentro dela dizendo que tudo estava perdido, que ela seria morta naquela hora, que não havia mais volta. Mas, ao invés disso, a mulher continuou a encara-la, e, depois de vários minutos, levou à mão ao fecho, retirando-o.

–Coloque-o. –Disse, estendendo o objeto para a loira.

Astoria o pegou, sentindo a textura, o peso e a temperatura daquele tão precioso objeto. Apertou-o levemente entre os dedos, sentindo algo dentro dela imediatamente reconhecer algo que estava dentro do medalhão.

Lentamente, o prendeu no pescoço, o ajeitando, ainda segurando a pedra com a mão. Podia sentir aquele estranho objeto a reconhecendo como “casa”, se aderindo a ela, como se implorasse a ela que não o separasse de novo de sua outra parte, parte esta que agora era de Astoria.

–Ficou bem em você. Combina com... O vestido. –A loira pode perceber que Bellatrix buscara palavras para mascarar o verdadeiro significado daquilo. E então, Astoria deixou que ele entrasse em contato com sua pele alva e exposta do início dos seios.

O medalhão soltou um leve rangido e se iluminou por um milésimo de segundo, mas o suficiente para quatro pessoas da mesa registrassem o momento. Bellatrix, que continuava a olhando com seus olhos loucos. Pansy, que tentava disfarçar os olhos arregalados. Snape, que a olhava com curiosidade. E a própria Astoria, que não sabia realmente o que sentir.

Desatarraxou o medalhão mais rápido que pode, não escolhendo tirá-lo pela cabeça para não estragar o penteado, e o depositou na mão que Bellatrix já mantinha estendida.

O sorriso que a mulher de vestido negro deu naquele momento jamais sairia dos pensamentos de Astoria. Era insano e revelador. Ela fechou a mão sobre o medalhão, como se sentisse o resto de poder dançar sobre ele, e então, com uma gargalhada estrondosa, o estendeu para Pansy.

–Tome cuidado, Parkinson. –Advertiu com um estranhíssimo ar de divertimento. –E quanto à você, Astoria, grandes coisas estão a sua espera. Escolha certo e poderá se tornar tão boa quanto eu.

A loira sentiu uma vontade imensa de vomitar, mas não o fez. Na verdade, pôs seu melhor sorriso no rosto, como se aquele fosse o maior dos elogios.

Ao contrário do que pensava a bruxa mais velha pensava, Astoria já era melhor que ela. Uma bruxa estupenda, com poder, beleza e alguns motivos para se manter boa, mas os mesmos iam sumindo, pouco a pouco... Talvez, um dia, quando eles não existissem mais, ela então seria uma cópia de Bellatrix...

...Mas pelo menos seria mais bonita.

Notas finais
Oh, olá novo personagem... O que acharam dele? Não é que não era invenção da Daphne e o Draco realmente pulou fora? Coitado... Não sei vocês, mas eu queria estar lá. De verdade. Tipo, muito mesmo. NA. SUA. CARA. DAPHNE. Astoria arrasando demais. Blaise apaixonado. Sr. Greengrass, ai se eu te pego. (Gosto dos mais velhos) Não sei se vão aprovar minha descrição da Bellatrix, mas eu tentei... Hahaha É isso... Gostaram? Amaram? Odiaram? Ah... O título é o tipo de vermelho que Astoria está usando. Assustei alguém? Trollei alguém? espero que sim. Beijos!