As Garotas De Hogwarts

54 O sabor da liberdade


Notas iniciais
Olá! Como prometido, a segunda parte do capítulo 53 que se tornou o capítulo 54. Como vocês podem perceber, eu não menti quando disse que teria sido um capítulo gigante se fosse postado tudo junto. Mas existem duas razões principais de eu ter separado esse capítulo gigante em duas partes: A primeira foi que eu queria focar na chegada da Astoria no baile. A segunda é que nesse capítulo existe uma cena de sexo que deve realmente ser o centro do capítulo, coisa que não aconteceria se eu decidisse colocar o 53 e o 54 juntos. Obrigada Chelsea e VitoriaBelar pelas lindas recomendações!!! Amei de verdade! Gostaria de dizer que estou perto de terminar de responder cada comentário. É isso, até as notas finais.

O tempo insistia em correr quando as coisas estavam boas para a loira. Logo já se fazia algumas horas desde que desceu a escada, mas os olhares continuavam sobre ela. Astoria conversou com algumas pessoas, dançou com outras e trocou muitos olhares com a irmã, que ficava cada vez mais tentada a desaparecer do baile. Ela era, definitivamente, um par muito requisitado, porém, não estava aproveitando tanto quanto esperava. Apenas quando Blaise interrompeu sua dança com algum garoto que ela nem ao menos lembrava o nome, ela se permitiu sorrir enquanto ele brincava de sussurrar provocações bobas em seus ouvidos.

–Posso interromper? –A expressão facial da loira quase desmoronou, não queria ser levada a mais uma série danças com pretendentes esnobes, mas ela então reconheceu a voz. Ela também reconheceu a mão que deu pequenos tapas no ombro de Blaise para que ele se afastasse. O moreno sorriu para loira, fazendo uma reverência exagerada e se virando, procurando outro par para dançar.

–Achei que nunca fosse me tirar para dançar, Viktor. –Sorriu divertida para ele. Krum devolveu o sorriso, repousando a mão larga na fina cintura dela, começando a conduzi-la de acordo com a música.

–Eu achei que não fosse conseguir. Tive que atravessar um mar de concorrentes para poder chegar perto de você. –Comentou, observando o sorriso dela admirado. –Acho que você não tem a noção de como está magnífica hoje.

Astoria soltou um risinho sem graça e acariciou levemente o ombro esquerdo dele.

–Você não precisa me elogiar Krum. Achei que já tínhamos passado da fase de falar essas coisas. –Revirou os olhos, e foi a vez dele de rir. Ele levou os dedos a maçã do rosto dela, acariciando de leve.

–Não existe essa fase quando um dos lados é realmente merecedor de todos os elogios do mundo, então não posso evitar dizer que nunca a vi tão bonita. –Astoria já estava prestes a agradecer ao belo elogio, mas Krum não parou de falar. -Bem, talvez na Torre de Astronomia enquanto estava com o uniforme aberto...

–Viktor, as pessoas podem escutar! –Interrompeu-o com um leve tapa, mas gargalhou alto, chamando ainda mais a atenção para ela. Daphne revirou os olhos de longe. Viktor Krum não dançara com ela naquela noite.

–Deixe que nos escutem, amor. Tem pessoas aqui que precisam saber que você tem dono. –Brincou, apertando a cintura dela.

–Como se você conseguisse me domar. –Desafiou desdenhosa, entrando na brincadeira. Sim, os dois eram romanticamente envolvidos, mas a aproximação que os levara a virarem um casal não oficial também trouxera aos poucos uma amizade. Afinal, não era nada sério, e a prova disso é que ele também estava envolvido com Hermione.

–Eu tento. Estou perto de conseguir alguma coisa? –Indagou.

–Talvez um tapa na cara. –Rebateu arranhando de leve as costas dele. Os dois ficaram em silêncio um instante, apenas trocando olhares. E então Astoria percebeu que não tinha falado nada sobre a aparência dele naquela noite. -Bem, devo dizer que você também está muito bonito hoje.

E era verdade. Ele sempre seria um dos homens mais bonitos que ela já vira. O jeito de homem, o físico forte, o sorriso arrebatador combinados com um caro terno preto e um jeito de agir que atraia todas as garotas. Ele era um dos pares mais cobiçados daquela noite, e estava com ela.

–Está me elogiando só pra conseguir algo comigo? Não sou desse tipo. – Sua voz era claramente brincalhona, e ele fingiu estar ofendido.

–É claro que não, não preciso disso, então cale a boca e aceite o elogio. O seu lado também é merecedor deles.

–Então eu lhe agradeço Astoria. Pelo elogio, pela dança, por estar tão bonita e por eu ser o único cara do salão que já viu o que está por baixo do vestido. –Piscou para ela, se afastando levemente, olhando ao redor. –Agora me dê licença antes que eu seja comido vivo pelos seus pretendentes.

Antes de Astoria ser requisitada para outra dança ela pode ver o olhar de todas as mulheres seguindo o belo homem e então se voltaram para Astoria. Ah, ela adorava a sensação de estar se tornando o boato que estaria na boca de todos na manhã seguinte.

Ela sorriu ao reparar na irmã. Pela primeira vez em horas o olhar de Daphne não estava preso nela, o mesmo tinha sido direcionado para Pansy, que agora dançava com Viktor Krum. Eram bonitos juntos, mas não pareciam se dar muito bem pela cara de contrariada que a outra loira tinha no rosto.

A loira agradeceu quando conseguiu voltar aos braços de Blaise após várias cansativas danças das quais ela não gostara. Quando estava no meio de uma brincadeira que visava determinar qual dos dois seria o dominante se eles embarcassem num relacionamente, ela notou Pansy perto de um dos cantos do salão, indicando para que ela a seguisse para cima. Astoria deu uma desculpa para o moreno e subiu primeiro, esperando no corredor a chegada da outra. Quando ouviu o barulho dos saltos, soube que ela estava perto.

–Conseguiu fazer a troca? –A mais nova Greengrass perguntou, olhando de soslaio para a garota que soltava e ajeitava o vestido, já que o levantou para poder subir a escada.

–Não, você não distraiu o bonitão por tempo suficiente. –Pansy falou um tanto irritada. Astoria revirou os olhos.

–Foram três músicas inteiras. E eu praticamente coloquei o medalhão na sua mão. –A garota rebateu.

–Assim que você se afastou o garoto dos olhos lindos se aproximou e Bellatrix pediu-o de volta sem que eu pudesse fazer a troca. Belo plano, Astoria. Da próxima vez eu fico com a parte de distrair a ala masculina. Se tivesse feito seu trabalho direito, teria levado ele pro quarto e ele não iria atrapalhar.

–Plano?

A voz, para a infelicidade das duas garotas, não vinha delas. Era uma voz masculina, forte e fria que ambas já ouviram muitas vezes. A voz de Draco Malfoy.

Pansy torceu as mãos, sorrindo sem graça para ele, olhando para os lados rapidamente. Então, seu rosto se iluminou com a ideia que chegara a sua mente. Sorriu maleficamente, esperando que Astoria não a decepcionasse.

–Vou deixar vocês dois a sós. –Disse, já tomando o caminho para o local de onde a música vinha. Astoria fuzilou suas costas com os olhos, amaldiçoando a outra loira.

Draco fixou seus olhos na garota, esperando que ela respondesse. Ela manteve a postura inocente por alguns instantes, mas então a removeu completamente com um suspiro, assumindo uma Astoria que Draco tinha visto poucas vezes. A garota se apoiou na parede, olhando para ele sem expressão, enquanto o jeito que seu corpo se movia o intimidava.

–Olá Draco. –Ela falou depois dos minutos que ela passou o encarando. –Acho melhor conversarmos no meu quarto.

O loiro assentiu. Em algum de seus sonhos ele esteve presente no quarto da garota, e nos mesmos fazia coisas com ela que ele não deveria ficar lembrando naquela hora. Ele estava com raiva dela, e ela dele. Nada ria acontecer.

Ao entrar no quarto, ele certamente se surpreendeu. A cama enorme estava bem arrumada, em cima dela estavam estendidas roupas um tanto intimas, e outras estavam devidamente dobradas em cima de uma mala. As roupas sobre o cobertor não eram exatamente do tipo que ele esperava encontrar num armário de uma garotada idade dela. Rendas de diversas cores. Preto, vermelho, verde, prata... E as imagens do presente que ela ganhara há meses vieram em sua mente. Era uma lingerie exatamente igual aquelas que estavam sobre a cama.

Draco engoliu em seco não só pela visão, pela imaginação ou pelo desejo, mas também pela naturalidade daquele cenário. Um quarto comum, com roupas sobre a cama. Uma visão que ele iria adorar ver sempre que chegasse em casa. Aquilo parecia um lar, mesmo que ela não vivesse ali. Algo que ele nunca tivera.

–Desculpe a bagunça, eu estava arrumando antes de descer. –Deu de ombros, agarrando algumas peças e as jogando sobre a mala. Draco acompanhou as peças com os olhos e trancou o maxilar. Era demais para ele.

–Você vai embora? –Ele perguntou, frio como sempre, mas ela podia sentir que aquela frieza estava escondendo tudo o que ele não queria deixar transparecer. Astoria sabia que ele estava praticamente morto de desejo.

–Você já devia saber que, mesmo que você decidisse realmente me acompanhar neste baile, o final da noite seria o mesmo. Eu terminaria tudo o que tenho com você e iria embora. Agradeço por não ter mantido sua promessa, fez da minha noite inesquecível.

Aquilo o surpreendeu. Esperara vê-la intimidada, e não intimidante. E ela estava tão linda naquela noite que chegava a machuca-lo por dentro. Fora um erro sim ter feito aquilo com ela, mas fora um erro que talvez acabasse sendo bom. Talvez esse erro o salvasse de uma rejeição.

–Por quê? –Queria que a voz saísse forte e poderosa, mas o que ouviu foi apenas um sussurro.

–Porque eu sou má. Porque eu quero. Porque eu sou perigosa demais para você, Draquinho. –Sibilou, abrindo um belo sorriso. Sim, aquilo que a atacara a noite toda ainda estava lá, ganhando cada vez mais força. Draco podia ver. O calor que saia dela o atingia ali, há alguns metros de distância.

–O que aconteceu com você, Astoria? –Ele falou, e ela pode ouvir a pena na voz dele. Draco não sentia pena de ninguém, não deveria sentir dela também.

–Infelizmente, Draco, você aconteceu. A culpa é sua. No final, talvez eu venhaa ter que dar um fim em você. Estamos em lados opostos e só você pode mudar isso, mas eu sei que não vai. Eu te conheço muito bem. Você não fez sua escolha, mas eu fiz a minha. –Ela deu uma pausa, o olhando no fundo dos olhos, antes de continuar.

–Eu.

Astoria deu um passo na direção dele.

–Não.

Outro.

–Quero.

Mais outro. E, então, estava encostada nele.

–Você.

Quando terminou de falar, esmagou sua boca na dele.

Por reação, as mãos dele agarram a cintura dela, cravando os dedos em seu corpo. Draco aspirou o cheiro dela suavemente, tentando entender o que ela estava fazendo e ganhar um pouco de lucidez, mas ela não deixou, se apertando a ele de tal forma que o fez perder o equilíbrio e caindo sobre o colchão com ela por cima. Ele estava exatamente onde ela queria.

Ela se curvou sobre ele, comandando o beijo violento e sedento que trocavam. As mãos dele já tinham encontrado um caminho por baixo da saia do vestido, sentindo pela primeira vez a textura da pele das pernas dela. Era macia, parecia que nunca havia sido tocada por ninguém, e ela tinha uma pequena cicatriz na perna direita, ou pelo menos era o que ele achava, já que não conseguia ter a visão do que tocava. Ele não reclamaria de passar a vida inteira a acariciando ali.

Em poucos segundos assim, a pele de Draco já começava a brilhar pelo calor que estava sentindo, e este aumentava a cada vez que Astoria corria as unhas pelo peito de Draco, o arranhando. Para ele, isso era bom demais para ser verdade.

–O que você está fazendo? –Perguntou. Ele achava que falar poderia estragar o rumo que aquilo estava tomando, mas não resistira. Ele precisava saber.

–Estou me libertando de você Draco. –Astoria falou após descolar a boca da dele. Com um sorriso, deslizou lentamente o dedo indicador pelos botões de sua camisa social branca. –E te prendendo a mim. –Murmurou, acrescentando. Antes que ele pudesse raciocinar o significado daquelas palavras, ela desabotoou o primeiro botão. –Para sempre.

Seus dedos trabalharam rápido, passando para Draco uma experiência que ele não gostaria que ela tivesse, e que, para infelicidade dele, ela realmente tinha. Logo ela estava empurrando a camisa e o terno preto para longe do corpo do loiro, que fora obrigado a se sentar.

Ela tentou empurra-lo novamente em direção ao colchão, mas ele não aceitou. Manteve-se ereto, apertando-a contra seu peito nu com seus braços fortes livres do tecido. Aquela sensação era boa demais, e, se antes ele já poderia se considerar animado, agora ele estava em um estado crítico. E ela ainda estava completamente vestida. Como conseguira fazer aquilo com ele?

Por mais que Draco estivesse completamente enfeitiçado, por mais que ele quisesse aquilo mais que qualquer coisa, por mais que seu instinto dissesse que ele deveria continuar aquilo calado, ele não conseguiu. Alguma parte dele ficara processando as palavras da loira até que ele finalmente as entendeu. E, então, ele se afastou. A loira tentou se aproximar mais algumas vezes, mas ele a manteve longe a segurando pelo ombro. Aquela talvez fosse sua última chance com ela, e não queria estraga-la. Não queria liberta-la dele. E talvez aquele fosse a melhor ação que Draco Malfoy já fizera. Ele a recusaria daquela forma para mantê-la com ele.

–Você não vai se libertar de mim porra nenhuma. –Ele disse com raiva. Astoria abriu um sorriso divertido, olhando para a mão pálida em seu ombro.

–Você não sabe do que eu sou capaz, Draco. Eu treinei muito para chegar nesse momento. Você não vai dizer não. –Praticamente miou, mostrando a ele o estado que ela já estava. Calmamente, levou suas mãos para as costas, se livrando facilmente do corpete embutido no vestido que ela mesma criara. E, como aquele vestido era realmente fatal, ela não pudera usar nada por baixo e agora ela tinha seus seios completamente à mostra. Astoria agradeceu mentalmente à Gina por ter feito o corpo dela ficar tão mais bonito com a prática de esportes. Draco a olhava assustado, com os olhos claros escurecidos pela visão. Era melhor do que ele imaginara. Eram os mais bonitos que ele já vira. –Você não vai conseguir dizer não. –O sorriso maldoso de Astoria chamou sua atenção por um segundo, e, então, a loira conduziu a mão do rapaz pousada em seu ombro para o seio esquerdo.

A vida de Draco virou de ponta cabeça no instante que sentiu o quão quente a pele daquela região estava. Ela arfou quando ele mexeu levemente os dedos. Com o som, Draco levantou os olhos para encontrar os dela. Ela sorriu. Ele também.

E Draco soube que ali era o fim. O fim dele e o fim do que ele quase pode chamar de “deles”. Ele não conseguiria resistir. Pois, finalmente, algo fez realmente sentido na vida dele. Algo que seria dele apenas naquela noite.

O loiro passou uma das mãos pela cintura da garota, finalmente sentindo o que queria, e a puxou para si, colidindo os lábios com violência. Com agilidade, puxou a saia do vestido pela cabeça da garota, a jogando para o lado. Afastou-se para poder olhar o que tanto sonhara em ver. E, pela primeira vez, Draco gemeu apenas por uma visão. Afinal, seios nus, calcinha vermelha e salto alto não era uma visão qualquer. Não quando quem usava apenas aquilo era Astoria.

Draco a puxou de volta, afundando a cabeça no pescoço da garota, deixando mordidas e beijos por todo seu comprimento. Ele queria que ela ao menos ficasse marcada por algum tempo.

Astoria achou então que estava na hora de por em prática todo o conhecimento que adquirira naquele ano, e, principalmente, nas últimas férias. Todas as vezes que chegara muito perto de consumar o ato, apenas para treina-la para chegar aquele momento. Ela planejara tudo muito bem.

A loira afundou suas unhas no ombro dele, e o observou revirar os olhos e gemer alto. E ela poderia jurar que Draco não era do tipo que demonstrava seu prazer com sons, então se sentia muito feliz em ele estar daquela forma por ela. E, se a noite terminasse bem, ele só conseguiria ficar daquela forma por ela. Para sempre.

Mais uma vez ela o empurrou para baixo, e dessa vez ele se deixou levar. Quando ele estava devidamente deitado, ela se debruçou sobre ele, arrastando o bico dos seios desde o ventre até o peitoral de Draco, o fazendo estremecer. Isso nunca acontecera com ele. Ele nunca estivera numa situação submissa. E ele estava gostando. Muito.

O loiro deslizou os dedos longos pela coluna da garota, chegando rapidamente a onde ele queria. Abriu um sorriso em meio ao beijo quando pode finalmente apertar seus dedos ao redor da pele coberta pela calcinha, passando alguns dedos por debaixo de sua roupa íntima e se deliciando com a sensação de poder sentir a bunda de Astoria em suas mãos.

Ela tirou a boca da dele de forma repentina, salpicando beijos pelo peito alvo e forte do garoto até chegar aonde queria. Com destreza, desabotoou o único botão da calça social, deslizando-a pelas pernas fortes do loiro. E, antes que o mesmo pudesse raciocinar, ela puxou sua cueca também. E ali estava Draco Malfoy, completamente nu, lindo e com os olhos escuros de prazer na cama dela.

Na. Cama. Dela.

E, finalmente, sua vingança estava completa.

O tempo que Astoria ficou parada, deliciando-se por finalmente se sentir plenamente vingada, Draco pode raciocinar e se lembrar de quem ele era. E um Malfoy não gostava nenhum pouco de estar em desvantagem, ou de estar sendo comandando.

O loiro a puxou pela perna, fazendo-a se desequilibrar e cair sobre ele com um pequeno grito. Assim ele pode trocar as posições ficando por cima e ainda observar os peitos de Astoria balançarem com o movimento repentino.

Ele lançou para ela um olhar predador antes de voltar a beija-la, e a única coisa que ela fez foi sorrir. E gemer. Ela gemeu muito quando ele levou à boca aos seus seios. Por mais que ela já tivesse sido acariciada daquela forma várias vezes, nada fora igual aquilo. E, para Draco, ele nunca havia sentido um gosto como aquele. Se tinha uma coisa que ele gostava era o poder, e, por Merlin, Astoria tinha gosto de poder.

Draco então soube algo que não teria mais volta. Ele havia se apaixonado por Astoria Greengrass. E ele notou que não era um sentimento novo, por mais que estivesse mais forte. Ele se apaixonara no momento em que ela pisara o pé em Hogwarts depois das férias. Talvez até antes.

Com aquilo em mente, Draco desceu ainda mais, espelhando beijos pelo corpo que ele desejava ter por baixo ou por cima dele todas as noites pelo resto de sua vida. A calcinha dela era frágil demais para tamanha confusão de emoções que Draco estava sentindo naquele momento, e ela foi rasgada com facilidade. E depois... Bem, depois ele fez algo que sabia fazer muito bem. Levar mulheres à loucura com a cabeça entre as pernas das mesmas.

Astoria não sabia se gemia ou se gargalhava pela ironia da situação. Ela gostaria de poder mostrar aquela cena a antiga Astoria que foi deixada na beira do lado com roupas feias e maquiagem ridícula, e as duas poderiam rir juntas. O “nunca” que Draco jogara na cara dela fora a maior mentira que já fora contada e agora ela sabia disso. E se deliciava mais com isso do que com a língua do loiro. E ele era muito bom no que fazia.

Mas mal ele sabia que ela era tão boa quanto ele, talvez até melhor, em fazer o oposto. Levar homens à loucura. Ela sabia muitas formas, jeitos e modos, e fez questão de mostrar todos a ele. A cada toque ela o marcava a fogo. Deixa preso em sua memória o que significava ter ela sobre ele. Com os lábios sobre ele, com a língua o envolvendo, com os dentes os provocando, com as unhas o arranhando. O destruindo pouco a pouco como ele nunca imaginara ser possível.

E quando ela conseguiu o viciar nela, conseguiu prende-lo para sempre, ela soube que era hora de se libertar. Abrir caminho para novos amores e aventuras. Abrir caminho para os prazeres que antes escolheu negar. Ela iria perder a virgindade com Draco Malfoy, o homem que dissera que nunca se submeteria a uma relação com ela.

Seria um prêmio para ele, mas seria o maior troféu de todos para ela.

Draco não foi gentil, pois não imaginava que essa seria a primeira vez dela. Quando estava todo dentro dela, ele pode raciocinar que tivera que passar por uma barreira para estar ali. Pode ouvir também um gemido de dor, e o corpo rígido dela sob ele. Ele a olhou assustado, entendendo, mas mesmo assim sem entender. Como ela poderia ser virgem?

–Mas o que... –Ele começou, mas o sorriso dela o parou. Uma informação somou-se a outra na cabeça o loiro e ele soube que ela se guardara para ele, e que aquilo significava se libertar. E ele sabia que aquilo era uma vingança. Ele basicamente a inaugurara para outros poderem usar. E ela não tinha intenção nenhum em deixa-lo repetir aquele prazer. Draco não gostara nada daquilo.

Sem pensar duas vezes, voltou a se movimentar. Não se importava se ela estivesse gostando ou não. Se estivesse doendo ou não. Ele queria que doesse. Queria a machucar. Mas, para a infelicidade eterna dele, ela se acostumara rápido. Muito rápido. E ele soube que ela nascera para aquilo. Ela já era absurdamente boa de cama na primeira vez e continuaria melhorando, porém Draco não poderia acompanhar o progresso. E, na intenção de machuca-la, ele terminou se machucando por dentro.

O loiro pensou em ser egoísta, gozar e deixa-la lá, sem se satisfazer. Mas antes de poder colocar o plano em prática, ele a sentiu estremecer debaixo dele e a ouviu soltar um alto gemido. Ela atingira o clímax, mas não pediu para ele parar ou nada disso. Apenas continuou lá, gemendo no ouvido dele. E, minutos depois ele descobriu o porquê de ela não ter pedido para parar. Quando o próprio Draco não aguentou mais e descarregou dentro dela, ela chegou ao seu segundo orgasmo.

Dois orgasmos na primeira vez.

Draco quis morrer.

Astoria se afastou dele feliz, sentando na cama. Sentia-se livre e solta. Observou o corpo do loiro estirado na cama enquanto ele olhava para o teto, pensativo. Ele era realmente muito bonito.

A loira se abaixou para pegar o vestido, colocando-o sem roupa de baixo alguma. O prendeu junto ao corpo com facilidade, andando em direção à penteadeira para ajeitar os cabelos que foram soltos em algum momento do sexo e para cobrir a boca inchada com mais batom. Quando estava pronta, se virou para o loiro que a observava, encantado com o jeito selvagem que ela adquirira.

–Estou bonita? –Provocou. Ele continuou parado, olhando-a com certa amargura. Não planejava responder, mas não resistiu.

–Mais do que nunca. Sexo lhe cai bem.

–Que ótimo, pois eu não pretendo ficar sem. –Ela o observou fechar mais ainda a cara. –O que houve? Está se sentindo usado?

Draco não respondeu e Astoria não ligou. Pegou as roupas, que antes estavam sobre a cama, no chão e as jogou dentro de uma bolsa enfeitiçada, assim como todo o conteúdo da mala que trouxera de Hogwarts. Estava na hora de ir.

Ele a observou andar até a porta ainda sem se mover, esperando que ela saísse do quarto. Porém a loira largou a bolsa no chão e se virou, indo até a cama e subindo nela.

Seus lábios se juntaram aos dele no que seria o último beijo que eles compartilhariam. Foi calmo, doce e apaixonado. Ele passou as mãos nos cabelos dela e ela deixou-se explorar mais uma vez o peitoral forte do garoto, m as apenas numa carícia inocente. Uma única lágrima dela caiu, e se juntou com a única que Draco já deixara derramar. Imperceptível, quase seca, mas era uma lágrima. E Astoria sabia disso.

–Agora você sabe que nós teríamos sido ótimos, e eu sei que você nunca vai esquecer-se disso.

Com essas palavras, Astoria deixou Draco para trás. Mais nenhuma lágrima foi derramada de ambas as partes. Ele socou inúmeras vezes o travesseiro e ela gargalhou sozinha pelo caminho até a biblioteca, onde ela esperaria por Pansy e ambas tomariam o caminho para A Toca, infelizmente sem o medalhão.

Mas, quando chegou à biblioteca, ela soube que não era Pansy quem a esperava. Aquela mesma presença forte que estivera na festa estava ali. Não era ameaçadora, mas com certeza não era insignificante. Nunca seria. Ela sentiu o mesmo que sentira quando desceu as escadas naquela noite.

E, com calma, ela o esperou sair de entre as prateleiras.

Quando ela viu os olhos cinza, ela soube que estava correta. Um lindo rapaz de cabelos pretos e olhos prata. Ele sorria para ela, andando charmosamente em sua direção. O mesmo homem com quem ela dançara estava ali, esperando por ela.

Esperando por ela numa biblioteca escura, onde ninguém poderia os ouvir. Ela não esboçou preocupação, mas talvez Bellatrix o tivesse mandado se livrar dela. Porém, por algum motivo, ela não sentia medo. Bom, talvez um pouco.

Mas não apenas aquilo. Aqueles olhos a faziam sentir outras coisas completamente diferentes.

–Olá Astoria.

A loira estremeceu ao ouvi-lo falar, e ficou claro que ele percebera quando seu sorriso aumentou.

–Olá homem misterioso. –Retrucou, apoiando-se numa das prateleiras sem nunca desviar os olhos dele. Quando eles ficaram cara a cara, trocaram amistosos sorrisos. Ele manteve os olhos entreabertos, como se soubesse que ela estava se sentindo ameaçada e se divertisse com isso.

–Você está com medo. –Afirmou.

–Se eu fosse normal, eu estaria. Mas, não, eu não estou. –Disse dando de ombros. O rapaz se aproximou ainda mais, e, mesmo com vontade de se afastar, ela não o fez.

–Não foi uma pergunta. –Ele parou bem perto dela, fazendo-a perceber que ele ficava muito bonito com cara de desconfiado. Ele ficaria muito bonito de qualquer forma. E, daquela distância, ela podia ver seus traços fortes e seus lábios cheios. Tentador.

–Foi uma afirmação errada. –Rebateu, ainda encarando os lábios do rapaz.

–Eu não erro.

–Prove. –Provocou, dando um sorriso de lado para ele, que cada vez se aproximava mais. Ela não queria dizer aquilo, mas o fato de ele não falar quem ele era abria precedentes para certos tipos de reações. Ele ser lindo também.

–Não deveria ter dito isso. –Ele avisou, sorrindo de lado. Nessa distancia, o calor, que deveria ter sido aplacado durante o sexo, que saia dela já o aquecia por inteiro.

–Mas eu disse.

O moreno respirou fundo, enfiando uma das mãos no bolso interno do terno.

–Então lá vai. Você está esquecendo algo. –Disse enquanto procurava por alguma coisa. Ele ficava ainda mais lindo com cara de “onde será que eu botei isso?”.

Astoria se repreendeu. Ela acabara de ter sua primeira vez e já estava daquela forma por outro homem. Então ela entendeu que aquilo significava estar livre, e desejou que ele não fosse tão próximo a Voldemort.

–Não estou.

–Tem certeza? –Indagou divertido.

Seu sorriso aumentou quando ele achou o que procurava. Ele o tirou do bolso e o colocou na frente do rosto dela. Brilhava levemente, como fizera com ela horas antes. Mas havia uma diferença, enquanto com ela apenas brilhou rapidamente, com ele o objeto permanecia brilhando. Ela sabia que era o verdadeiro. O medalhão.

–Mas o que... –Ele a parou com um singelo toque de lábios, mas o suficiente para balança-la por inteiro. Ele também ficou um tanto desconcertado, exatamente como ficara quando a olhara pela primeira vez naquela noite.

–Eu estou sempre certo. –Piscou para ela, enfiando uma das mãos nos bolsos da calça social e se afastando um pouco. –Até depois, Astoria. –Com a mão livre ele segurou levemente a dela, depositando um suave beijo no dorso, e então colocou o medalhão na palma dela. Mais uma vez ela sentiu o que estava dentro dela reconhecer o medalhão.

Agora já com as duas mãos no bolso, ele começou a se afastar mais e mais na direção da porta da biblioteca. Estava satisfeito por enquanto, uma dança, um beijo, muitos sorrisos e algumas provocações. Mas ele não pretendia fazer aquilo acabar ali, não mesmo.

–Não vai me dizer seu nome? –Ela perguntou alto, antes que ele sumisse de vez da vida dela.

–Não seria tão emocionante se eu dissesse. –Disse divertido, a fazendo grunhir.

–Por favor, me diga quem você é. –Implorou.

–Eu já disse. –Ela pode o ver piscando um olho. -Eu dou seu futuro.

E ele se foi, a deixando para trás sem entender o que estava acontecendo. Ele sabia de muitas coisas, isso era óbvio. Não teria feito aquilo apenas para ganhar um beijo dela, teria? Ele não ouvira falar que ela era inimiga? E porque ele, com a tal proximidade com Lord Voldemort, iria entregar de mão beijada, literalmente, o medalhão?

Frustrada, a loira ficou ali parada, em pé. Não saberia ao certo dizer por quanto tempo, mas não fora pouco. Não mudou a posição nem quando a porta foi aberta e a loira no vestido verde passou por ela. Ficara ali pensando, analisando e repensando tudo. E cada vez que tentava seguir uma linha de pensamento diferente as coisas pareciam ainda piores.

–Conseguiu despistar o Draco? –Perguntou ao se aproximar, ainda com o sorriso sacana nos lábios. Astoria deu de ombros, ainda de costas para Pansy. Observava o medalhão preso entre os dedos, tentando chegar a um porque.

–Não tive que falar nada a ele sobre o plano. –A loira no vestido vermelho pode ouvir a outra rir levemente.

–Ótimo. Agora, se não se importa, eu quero tirar esses saltos. –Falou, arrancando os mesmos e colocando sem pedir na bolsa de Astoria. A garota nem ao menos percebeu.

–Pansy, o medalhão falso está no seu bolso? –Perguntou intrigada. Pansy gargalhou de leve, um tanto presunçosa.

–Mas é claro que... –No momento que Pansy parou de falar Astoria soube que ela tinha percebido a falta do medalhão que ganhara de Dumbledore.

–Era o que eu imaginava. –A loira mais nova se virou, deixando o objeto entrar no campo de visão de Pansy, que continuou procurando repetidamente nos bolsos. Quando se deu conta que era o medalhão, encarou Astoria irritada.

–Como você conseguiu tira-lo daqui?

–Não tirei. –Abriu um sorriso de lado para a cara de espanto que Pansy fez.

Com calma, Astoria passou-o pela cabeça, deixando-o pousar levemente em seu colo. Mais uma vez, o medalhão soltou um pequeno rangido e se iluminou por uma fração de segundos. Pansy a olhou atordoada, já tinha visto aquilo antes.

Elas tinham o medalhão em mãos. Finalmente.

Notas finais
Astoria finalmente conseguiu sua vingança. Ela está livre agora. Acho que devem estar se perguntando: "Que merda foi aquela no meio do capítulo?" Bem, esse foi a melhor vingança que eu poderia criar. Várias pessoas já me perguntaram se Astoria era ou não virgem, e apenas uma chegou a me dizer que sabia que Astoria estava se guardando para o Draco. Mesmo se você for Dramione, vale apena tentar ler a cena, pois não é nada romântico. Eu senti pena do Draco em algumas partes, admito. Mas ele soube ser babaca, então se sintam livres para ter pena ou para odia-lo por ser tão insensível e sensível ao mesmo tempo. Eu mesma não sei o que sentir. Quanto ao misterioso, acho que plantei algumas duvidas na cabeça de vocês, não? Alguns me disseram que suspeitavam do próprio Voldemort. Mas e agora que ele entregou o medalhão de boa vontade? Pode ser também um personagem completamente novo também, só eu sei... Muahahaha Gostaram? Amaram? Odiaram? Beijocas