As Garotas De Hogwarts
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Notas iniciais
1500 comentários, que lindo *-----*
Astoria, obrigada pela recomendação! Mesmo!!!
Eu demorei porque, como vocês sabem, eu viajei durante duas semanas e eu deveria estar em aula neste período, então quando eu voltei eu tive que correr atrás. Mas com as ferias chegando, acho (só acho mesmo) que voltarei ao meu antigo sistema de 3 vezes na semana. Ou talvez 2, porque ta no final e se postar muito rápido vai perder a graça. Mas eu ainda posso apagar a fanfic se não tiver comentários.
Irei responder os comentários logo!!
Sem destino.
Assim eles se encontravam.
Então, deixaram os pés os guiarem para onde fosse.
Os passos eram lentos e constantes e o silêncio era a companhia deles. Ás vezes, um suspiro profundo se fazia presente. Às vezes, o som de alguém estalando os dedos. Mas nunca o som de vozes. Nunca. Era como se a fala estivesse banida da aura pesada que envolvia aqueles cinco.
O perigo estava se tornando cada vez mais real, e à medida que isso acontecia, eles iam enxergando como tudo poderia muda um piscar de olhos. Num momento estarem cercados por aqueles que eles amam e no outro, rodeados de sangue e lembranças dolorosas.
Imersos em pensamentos, mal perceberam que haviam parado de andar. Estavam de volta ao local que estiveram mais cedo, o corredor semi-aberto que dava para a área externa. Este agora estava vazio, provavelmente por conta de uma rápida e passageira chuva, que afastou os alunos dali, e quando a mesma parou ninguém se atreveu a voltar. Estavam ali, sozinhos.
Sem se importar realmente, Hermione andou até a grama e se sentou sobre ela, molhando o short que usava. Os amigos a seguiram, e logo formavam uma roda. O silêncio reinou o local por vários minutos, e logo uma fina chuva caia do céu.
Não importava, nada importava.
Por sorte, tão rápida como chegou, ela foi embora, deixando-os apenas levemente molhados. E lá eles ficaram, com olhares fixos no verde vivo da grama e mentes voando perto das nuvens, até que alguém teve coragem de falar.
–Irá anoitecer em algumas horas, e não devemos nos dar o luxo de adiar ainda mais essa busca das horcruxes. –Hermione comentou com a voz calma. –Luna, se não se importa, pode compartilhar o que descobriu conosco, por favor? –Perguntou, porém a loira continuou lá, pensando, enquanto mordia um dos cantos da boca.
–Luna! –Elliot a chamou e a garota o olhou com seus olhos um tanto mais arregalados que o comum.
–Chamou? –Disse polidamente, sorrindo.
–Sim... Você pode nos falar o que descobriu?
–Posso... –A loira olhou levemente para cima, como se buscasse no fundo de sua mente. Com o passar dos segundos ela voltou a mastigar o interior da boca. Quando os segundos se transformaram em minutos, Astoria a interrompeu.
–E então? –Falou a olhando curiosa.
–É Luna. Você pode nos dizer ou não? –Hermione completou. Luna abaixou o olhar e soltou o ar, decepcionada.
–Poderia. Se eu me lembrasse. –Luna estava visivelmente frustrada e logo os que estavam em volta dela ficaram também. Não era algo que deveria ser esquecido.
–Luna, por Merlin! Como você esquece uma coisa dessas? –Hermione perguntou alterada, passando a mão nos cabelos.
–Eu não sei! –Seu tom de voz era desesperado. Ela sabia que não devia ter esquecido. –Estão acontecendo coisas demais, eu estou confusa.
–Você acha que consegue se lembrar? –Gina tentou acalma-la. Sorrindo, a ruiva se levantou e andou até a amiga, sentando-se ao lado dela.
–Acho que sim. –Murmurou ainda fitando o chão. Astoria bufou e se levantou, batendo repetidamente nos pontos de suas roupas que encostaram o chão para tirar a sujeira.
–Eu que não vou ficar para ver isso. Me chamem quando ela lembrar. –A loira falou terminando de ajeitar as roupas e começando a ajeitar o cabelo.
–Como iremos te achar? –Elliot perguntou a olhando curioso, então Asty murchou lembrando-se que acha-la seria complicado. Gina torceu os lábios, percebendo a crescente decepção da loira.
–Eu dou meu jeito. Vai la. –A ruiva falou e Astoria abriu um largo sorriso.
–Até mais ver pessoal. –Seu tom de voz era animado e assim que terminou de falar saiu quase saltitando pelo corredor. Os amigos a acompanharam com o olhar até o momento que ela sumiu quando virou em outro corredor. Os segundos se passaram e eles continuaram olhando para lá, calados.
–Ela é estranha. –Luna acabou com o silêncio de forma repentina. Três cabeças se viraram para olhá-la, incrédulos, porém a loira já estava distraída com um bichinho que andava pela grama. Os três desviaram o olhar dela e se entreolharam, caindo na gargalhada. Era divertido ver o melhor exemplo vivo de estranheza falando que outra pessoa era estranha.
Quando eles conseguiram parar com a crise de risos, se concentraram em fazer a loira lembrar de sua conversa. Tentaram de tudo. Desde coisas que pareciam que iram funcionar até as coisas mais estranhas. Primeiro tentaram fazer uma retrospectiva do dia de Luna, porém, sem sucesso, começaram a lhe falar palavras que eles achavam que a ajudaria a lembrar. Obtiveram tanto sucesso quanto na anterior.
Já estavam a quase meia hora tentando sem sucesso. Nada funcionava. Então, decidiram fazer uma encenação, onde Luna interpretava ela mesma e Hermione a fantasma. O problema era que cada vez que a morena abria a boca para falar algo Luna começava a rir.
–Você não parece com ela! –A loira reclamou enquanto ria, escondendo o rosto entre as mãos em concha.
–Claro, eu não estou morta. –Hermione replicou irritada, soltando o ar dos pulmões tentando achar à paciência que ela não tinha. Ela olhou para Gina e Elliot, que riam baixinho do “show” que presenciavam. –Querem tentar? Por que eu já cansei.
–Ah Mione, você esta fazendo uma ótima interpretação, não quis ofendê-la. –Luna falou séria. –É que você não é cinza, entende? Fantasmas são cinzas. E transparentes.
–Então um de nós vai ter que morrer para te fazer lembrar? –Disse ironicamente enquanto passava as mãos nos cabelos curtos, tentando arranjar uma outra forma de encontrar a horcrux.
–Temo que seja necessário. –Gina e Elliot caíram novamente na gargalhada e a morena revirou os olhos.
–Qual dos dois se candidata para morrer? –Hermione perguntou se levantando e ajeitando a roupa, rindo quando Gina e Elliot negaram freneticamente com a cabeça.
–Por que a gente e não você? –O garoto perguntou e Hermione riu.
–Porque a gente precisa achar a horcrux, e talvez Luna não lembre. Então enquanto vocês ficam aí tentando faze-la lembrar, eu vou tentar dar o meu jeito. Volto logo. –Explicou já se afastando, torcendo para que ela estivesse realmente certa.
–Vai fazer o que? –Gina falou.
–Ter uma conversinha com uma pessoa. –Hermione disse simplesmente, seguindo pelo caminho contrário do que Astoria tinha percorrido antes. Indo cada vez mais longe na área externa do castelo, até desaparecer da vista de seus amigos.
Logo a morena andava acompanhada apenas pela chuva que voltara a cair. Ela estava imersa em pensamentos, se perguntando se o que ela pensara realmente fazia parte da realidade. Só havia um jeito de comprovar, e ela estava indo em direção a ele. E se fosse verdade... Bem, ela ficaria irritada.
Andou sem parar até chegar onde queria, então, parou há poucos metros de seu destino. Sorriu para si mesma e acabou com a distância, batendo algumas vezes na porta da cabana de Hagrid. Antes da porta ser aberta, ela identificou o som dos latidos de Canino, que já havia a identificado.
–Sai Canino! Sai! Me obedeça! –Hagrid disse abrindo a porta, sem olhar para quem estava do outro lado dela, discutindo com seu cão. Ao ouvir o suave riso da garota ele a olhou. –Hermione! Vamos, entre! Está chovendo e você esta encharcada. –A morena riu da dramatização do gigante, ela não estava encharcada. Aquela chuva não era o suficiente nem para encharcar um pequeno gato, mas mesmo assim entrou apressada.
–Como vai Hagrid? –Perguntou depois de se sentar num dos bancos de madeira.
–Eu vou bem. Ocupado cuidando dos dragões e visitando Dumbledore sempre que eu posso. E a senhorita? –Hagrid sorriu para a garota, sentando-se ao lado dela. Hermione fechou os olhos quando o a madeira do banco rangeu contra o peso do homem.
–Sinceramente, eu poderia estar melhor.
–Quem não poderia? Principalmente em tempos como este. –Disse rindo. –Eu estaria muito melhor se não tivessem atacado Hogsmeade essa sema... –Ele parou abruptamente e Hermione levantou uma das sobrancelhas. –Eu não te falei isso, combinado? Sempre termino falando demais. A última coisa que Hogwarts precisa é de que alunos saibam disso. Alunos em pânico nunca é algo bom.
–Relaxe Hagrid, não irei contar a ninguém. –A morena falou rindo e ele se acalmou. Acanhada, ela batucou os dedos na mesa, tomando coragem para falar. Ela só esperava que desse certo. –Então... E Harry e Rony? Eu sempre vinha aqui com eles. Eles ainda vêm?
–Sim, me visitaram hoje mais cedo e depois foram pra a biblioteca pesquisar sobre... Ah, eles estão bem. –Falou apressado e Hermione estreitou os olhos.
–Pesquisar sobre o que? Talvez eu possa ajudá-los. –Seu tom de voz era sereno, o que não condizia com seu interior, que fervia de raiva por dizer tais palavras. Dumbledore ficaria devendo essa para ela.
–Pesquisar? Eu falei pesquisar? Devo ter me enganado. –Disse nervoso e a garota respirou fundo.
–Hagrid, o que está escondendo de mim? –Seu tom de voz era calmo e ela se inclinou para ele.
–Nada.
–Hagrid... –Tentou falar, mas o meio-gigante a interrompeu, levantando-se.
–Certas coisas você não deve saber Hermione, é para o seu bem. Se eles não te contaram é porque pensam o mesmo. Não procure se envolver, eles podem cuidar disso sozinhos, eles te devem essa. É perigoso demais. –Falou de uma vez, fazendo Hermione recuar. Aquela foi a confirmação que ela precisava. Ela travou o maxilar, controlando a raiva que não deveria ser direcionada aquele homem.
–Obrigada Hagrid, foi muito útil. Já estou envolvida nisso até o pescoço, e agora vejo que não sou a única. –Agradeceu, levantando-se também e abraçando-o. Surpreso, ele deu “pequenos” tapas nas costas da morena.
–Hermione... –Ele estava confuso, não havia entendido e agora estava com medo de ter dito mais do que podia.
–Biblioteca? –Hermione perguntou, sorrindo sapeca. Com um suspiro cansado, Hagrid respondeu:
–Biblioteca.
–Obrigada e adeus Hagrid. –Ela disse o soltando. Dirigiu-se a porta e a abriu, sentindo o vento frio do final da tarde encontrar seu rosto. Com um suspiro, deu alguns passos para a área externa da cabana e fechou a porta atrás de si. –Filhos da puta. –Murmurou quando começou a andar em direção ao interior do castelo. –Desculpe Molly e Lily.
Com o maxilar travado e as mãos fechadas em punho ela andou o mais rápido que pode, passando um momento por Elliot, Gina e Luna. Os dois estavam tão imersos no que estavam fazendo que não repararam Hermione, e nem a morena reparou o que eles estavam tentando para fazer a loira se lembrar da conversa. Sem parar, entrou no castelo e seguiu pelo caminho conhecido da biblioteca.
Sua mente consistia em um misto de xingamentos pesados e maneiras de assassinar alguém. Ela não conseguia acreditar. Quando, mais cedo, ela chegou a essa conclusão, ela já preferia não acreditar. Não pensava que os dois seriam tão inconsequentes desta forma. E agora que ela sabia que era verdade...
Entrou na biblioteca de forma abrupta, recebendo um olhar de reprovação da bibliotecária, o qual era ignorou. Seus olhos percorreram o perímetro da sala, tentando imaginar onde os dois imprestáveis estavam. Não precisou procurar muito quando detectou os cabelos vermelhos de Ronald no canto do local, Harry estava logo ao seu lado.
Andou até eles com passos firmes, parando logo atrás dos dois. Com uma delicadeza que ela teve que buscar no fundo de si, ela cutucou as costas dos dois, que se viraram surpresos, fechando os livros rapidamente ao constatarem quem era.
–Hermione? –Rony perguntou com os olhos arregalados. Hermione segurou o impulso de revirar os olhos. O ruivo realmente não sabia disfarçar. –Por que está toda molhada? –Quando ouviu isso Hermione olhou para baixo, examinando suas roupas. Ela estava realmente encharcada. Levou as mãos aos cabelos e sentiu os fios úmidos e teve que segurar o impulso de ficar envergonhada por aparecer assim na frente dos dois. Esteve tão centrada que não percebeu que chovera no seu caminho de volta ao castelo.
–Chuva. –Falou simplesmente e sorriu de lado ao perceber os olhos dos seus antigos amigos sobre o corpo dela. Talvez estar toda molhada não fosse tão ruim assim. –Posso falar com vocês um momento?
–Claro Mione. –Harry respondeu e a morena reprimiu um rosnado pelo uso de seu apelido.
–Lá fora.
Ela andou na frente e os dois a seguiram, observando, principalmente Rony, suas curvas completamente expostas por conta do tecido colado enquanto ela se movia, e estavam se recriminando por isso. Quando colocaram os pés do lado de fora da biblioteca, foram surpreendidos.
Por agressões.
Harry foi atingido na maça do rosto pela mão da morena, e massageava o local, a olhando assustado. Rony levou a pior, uma joelhada nas partes baixas, e agora estava caído no chão, com os joelhos encostando o peito, gemendo de dor.
–D-desculpe Hermione. P-prometo que não irei mais olhar para sua bunda, eu não achei que você estava vendo. –Rony disse, intercalando palavras e gemidos de dor. Hermione ficou boquiaberta, totalmente incrédula.
–Você o que? –Perguntou com a voz alterada.
–É, desculpe. –Harry murmurou, ainda massageando o rosto. –Agora eu sei como deve ter doido na Lilá. –Resmungou. Hermione ficou ainda mais surpresa.
–Você estava olhando para a bunda da Hermione? –Rony falou tentando esconder o ciúme da voz, ao mesmo tempo em que Hermione tentou esconder o sorriso.
–Não... –Harry tentou se explicar.
–Calados! Vai doer mais se eu repetir os golpes, ouviram? –Ameaçou, já determinada a esquecer do assunto. –Vou fingir que eu não escutei o que disseram sobre o fato de estarem olhando a minha bunda, esse assunto fica para mais tarde. Não vim aqui para isso. –Respirou fundo, soltando o ar lentamente.
–Então para que toda essa violência? –Harry perguntou, se encostando na parede, parecendo completamente a vontade.
–Por que vocês merecem. –Falou simplesmente.
–O que fizemos desta vez? Sinceramente, achava que o alvo era a minha namorada. –O ruivo disse, ainda estirado no chão. Aquela era uma dor que ele não estava acostumado a sentir.
–O alvo é ela quando ela me deixa irritada, coisa que desta vez vocês que fizeram. –Explicou.
–Eu não me lembro de ter feito nad... –O moreno tentou falar, mas foi interrompido por mais um tapa. Harry a olhou zangado, passando a mão na bochecha mais uma vez. –Isso dói.
–Isso é pelo o que você fez para a Gina. –Hermione esclareceu, esfregando uma mão na outra. Talvez tivesse colocado força demais...
–Então é isso, depois de meses você vem agredir a gente pelo que fizemos, acho que esta meio atrasada, não? –Harry a alfinetou, irritado. Os olhos da morena brilharam de raiva.
–Eu estava falando do quadribol, mas como você me lembrou daquele dia horroroso... –Sua perna deferiu um novo chute em Rony, que revirou os olhos pela dor.
–Obrigada Harry. –Ron gemeu as palavras baixinho, enquanto se revirava de dor.
–Hermione, pode parar de bater na gente e nos dizer o que aconteceu. Não me obrigue a te impedir. –O moreno ameaçou e Hermione riu com ironia por segundos, para logo voltar a ficar séria.
–Encosta um dedo na minha pele e eu não vou responder por mim Potter. Você pode ser maior que eu, mas se eu resolver pegar minha varinha sabe que não haverá chance.
–Infelizmente eu sei. Pode, por favor, nos dizer o que veio fazer aqui? –Ele olhava profundamente para a garota, que respondia a altura. Ainda era possível sentir a amizade entre os dois, coberta por camadas e camadas de amargura e ódio colocados por ela. Ele se perguntava se um dia tudo voltaria a ser como antes, se ela iria perdoá-lo.
–Já que pediu com educação... –Cantarolou beirando o divertimento. –Harry Potter e Ronald Weasley, acreditem quando eu digo que já pensei muita coisa sobre vocês nesse período de tempo do dia que nos conhecemos até hoje. Antigamente legais, leais, amigáveis. Recentemente idiotas desnecessários, ogros e muitos adjetivos ruins, mas eu nunca pensei que fossem burros. Mas vocês são. –Hermione observou os dois trocarem um olhar.
–Primeiro bate na gente depois nos ofende? –Harry perguntou com uma das sobrancelhas arqueadas.
–Calado. –Ordenou. –Como pôde passar pela mente de vocês, nem que por um mísero segundo, que eu não iria descobrir?
–Como assim? Não sabemos do que esta falando. –Rony falou, realmente confuso.
–É Mione, você está bem? –O uso de seu apelido e a preocupação desnecessária de Harry quase fez hermione pular sobre ele, mas se contentou em revirar os olhos.
–Não, eu não estou bem. E a causa disso são vocês. –Respondeu irritada. –Eu me lembro perfeitamente de ter perguntado a vocês se sabiam da existência de algum objeto em especial aqui em Hogwarts, e vocês disseram que não.
–Sim, exatamente. E qual o problema?
–O problema é... –A morena ia explicar, mas achou melhor falar tudo de uma vez. Tempo era algo precioso. –Há quanto tempo sabem sobre as horcruxes e por que não me contaram quando perguntei? –Com satisfação ela observou os dois se entreolhando, sem reação.
–Você não deveria saber disso. –Harry falou após alguns minutos.
–Não mesmo. –O ruivo concordou com o amigo.
–Nós temos falar com Dumbledore, se puder nos acompanhar ele vai explicar... Não é nada do que está pensando. –Hermione bufou em resposta, sorrindo com a tentativa deles de distraí-la.
–Harry, nem que você quisesse poderia dizer o que eu estou pensando. –A morena falou um tanto esnobe. O moreno sabia que isso era verdade. –O que aconteceu com “nós precisamos de você, Hermione”? É isso, acham que funcionam sem mim? –Perguntou voltando à pose de indignação.
–Hermione, não se envolva... –Harry a advertiu, mas foi novamente interrompido por uma Hermione realmente zangada.
–Eu achava que vocês me conheciam o suficiente para saber que eu já estou muito envolvida nisso. Mais envolvida que vocês, inclusive.
–Olha, você se afastou... –Rony tentou, mas este também não conseguiu.
–Eu me afastei Rony? Tem certeza que é isso? Ou eu fui afastada? –Perguntou indignada.
–Não importa, o que importa é que nós tivemos que nos virar sem você. Ou acha que Você-Sabe-Quem iria ficar esperando a gente voltar a se dar bem para prosseguir com o plano maligno dele?
–Harry, meu querido, não estou ligando para o fato de vocês se virarem sozinhos. Quero saber por que não me contaram quando eu perguntei. –Ela respondeu a ironia do moreno.
–Já falamos, a gente não queria te envolver.
–Ta, foda-se. Não venham fingir que se importam comigo, é só o que eu peço. –Os garotos puderam sentir a mágoa por trás das palavras da garota, e se culparam imensamente. De repente, souberam que eram mais do que merecedores das agressões da morena. –Vocês podem, por obsequio, me dizer o que sabem?
–Bem, Horcrux é... –Harry revirou os olhos ao ser interrompido novamente.
–Eu sei o que é.
–Então o que está perguntando? –O ruivo disse com a voz alterada.
–Onde está a horcrux aqui de Hogwarts? –A morena foi direto ao ponto, cansada de discutir.
–Tem uma aqui? –Rony perguntou para Harry.
–Ótimo, não sabem nem isso. Sim, tem uma aqui. –Disse irônica e Harry riu.
–Hermione, acho que está enganada. –Ela travou o maxilar quando Rony começou a rir junto com o amigo.
–Harry, não vem tentar amenizar a sua situação. Foram tentar trabalhar sozinhos e deixaram muita informação passar. Sabem algo sobre o invasor de Hogwarts?
–Sei que nunca mais ouvi nada sobre ele. Mione entenda algo, eu converso com Dumbledore quase que diariamente sobre todos esses assuntos. Não há nenhuma em Hogwarts. –Mal Harry sabia que Dumbledore também conversava com ela, e com certeza muito mais do que com o garoto, uma pena ela não poder esfregar isso na cara dele.
–Há sim. Harry Potter, pode calar a boca e me seguir? –Disse perdendo o resto da paciência que tinha.
–O que? Para que? –O moreno sabia que estava mexendo com o que não devia, mas estava aproveitando sua companhia o máximo que podia. Sentia falta dela. E Rony também. Mas para o ruivo, a ver molhada e irritada era uma coisa encantadora.
–Você sente Você-Sabe-Quem, não é? Se há um pedaço da alma dele aqui, você vai sentir.
–Não há nenhuma aqui! –Gritou.
–Entenda uma coisa Harry. Eu sei quem é o invasor. Eu sei qual é a horcrux. Estou longe de sua localização por uma lembrança. Sei sobre os sistemas de segurança que Hogwarts está investindo. E Dumbledore me deu a tarefa de ajudá-los, coisa que vocês estão dificultando bastante. –Explodiu, jogando tudo para cima dele, mesmo tomando cuidado para não falar demais, não sabia até que ponto era interessante que eles soubessem de tudo.
–O que? Por que ele faria isso? –Agora ele estava realmente confuso.
–Por que sabe que vocês sem mim não são nada. E eu não tive escolha. Nem Gina. Mas o que a gente não faz pelo diretor? –Explicou.
–Dificil de acreditar, ele teria me contado. E porque pediriam para a Gina? –Disse fazendo uma careta.
–É, porque para ela? –Ron perguntou. A irmã dele não poderia fazer nada, não é? Ela era apenas a Gina.
–Vocês tem mania de subestimar as pessoas. –Hermione falou balançando levemente a cabeça negativamente. -Vocês sabe sobre os Dragões? –Eles negaram. –E sobre o fato de Dumbledore ter quase morrido nas mãos de Igor Karkaroff? –Ao receber novamente um não, sorriu largamente para eles, e com satisfação ouviu o suspiro do ruivo. –Então vocês não sabem de nada. Venham. –Ela começou a andar, fazendo o caminho contrário ao que fez para vir a biblioteca. Não tinha ideia se eles estavam a seguindo ou não.
Mas eles estavam.
Do outro lado do castelo Astoria tinha os olhos presos na parede.
Não tinha para onde ir, nem o que fazer.
Então ela estava ali, parada num corredor qualquer.
Se ela sabia qual era o corredor? Não, não sabia. Tinha parado ali, e ali ficou. Era estranho não ter nada para fazer. Não ter nada para com que se preocupar. A loira realmente preferia a confusão de dias antes à calmaria de agora.
Ela sabia que a calmaria se estenderia até o ponto em que Luna se lembrasse da conversa que teve com a fantasma, coisa que ela preferiu não ficar assistindo, ao contrario das amigas e teria que se contentar com o fato de que não poderia fazer nada durante esse espaço de tempo. Era esperar ou esperar. Havia também a opção de bater em Luna, mas ela sabia que não funcionaria. Ficar sem fazer anda a deixava irritada.
Estava contando os segundos para que a amiga se lembrasse, para poder então ir à caça de uma agulha no palheiro... Ao menos era assim que ela esperava que fosse a busca. Difícil. Se fosse fácil já teia sido encontrado, não? Não importava, ela só queria algo para fazer.
Bufou, apoiando as costas na parede. Sua mente agora trabalhava para pesquisar qual foi a última vez que ela ficou assim, à deriva. E ela fracassou. Desde o final das aulas do ano passado, ela nunca mais tivera sossego. Os meses que sucederam aquele terrível dia que Draco a humilhou foram repletos de coisas para fazer. Primeiro, o processo de provar para si mesma que não era nada do que todos pensavam. Depois, provar para todos. Então começou toda a história do invasor de Hogwarts, que se estendeu até tudo que ela sabia nesse momento. E ainda tinha Draco e a tarefa divertida de deixa-lo correndo atrás dela.
Ela havia se desacostumado a não ter nada para fazer. E a ficar sozinha também.
Quase que inconscientemente, desejou que Draco estivesse ali para importuná-la. Ela gostava de conversar com ele, sempre trocando provocações e ironias. Porém, desde a última vez que se falaram ele não dava as caras.
Draco. Draco. Draco.
Ela se perguntava agora porque estava pensando nele. E era tarde demais para impedir o pensamento. Há segundos atrás sua mente era povoada pelos mais diversos assuntos, e agora eram apenas relacionados ao loiro. Ela odiava quando isso acontecia. Não era uma escolha apenas começava. E não parava.
Desta forma, Astoria mergulhou em pensamentos, fitando o chão do corredor vazio, e assim ficou por minutos. Ou horas. O relógio não funcionava direito para ela quando isso acontecia. Mais uma razão para odiar aquilo e odiar o garoto que comandava sua mente.
Outra coisa que ficava afetada quando isso acontecia era sua percepção. Tão afetada que não percebeu que alguém se aproximava. E esse alguém era o alvo de todos os seus pensamentos.
–Pensando em mim Greengrass? –A voz esnobe, desta vez mergulhada em um pouco de diversão, chegou aos ouvidos da loira, que estremeceu e se esforçou para esconder o efeito que aquele sonserino tinha sobre ela. Não era interessante para ela ele saber.
Com um sorriso, levantou os olhos, encontrando os dele. Frios como sempre foram.
–Talvez. –Falou manhosa, arrastando a voz. Para Draco ou aquele tom de voz parecia que ela estava acordando agora, ou parecia que ela estava ronronando, como um pequeno gato. Não soube identificar qual das formas seria mais sensual, mas iria aproveitar ver as duas. Sua mente formou imagens dela acordando ao lado dele, e ele se esforçou para afasta-las. Ele iria dormir com ela, mas não no sentido literal da palavra. Depois que acabasse com ela, ele iria embora. Nunca passara a noite com uma mulher na qual os dois dormissem juntos, ele sempre ia embora. Ele sempre irá embora.
–Eu posso ver nos seus olhos que estava pensando em mim. –Sorriu se lado, apoiando o lado do corpo e um do braços na parede, bem ao lado dela.
–Não sabia que além rico, bonito e sem nenhum defeito você ainda podia ler os olhos das pessoas. –Falou falsamente impressionada, colocando uma das mãos na bochecha. Lentamente, deixou a mão cair e sorriu levemente para um ponto qualquer do corredor. Draco Malfoy não morreria tão cedo, ela pensava. Foi uma grande coincidência, mas pelo menos agora tinha alguém para brigar.
–Sou um homem prendado. –Disse sem realmente brincar. Astoria riu.
–É claro que é. –Comentou ainda rindo, abaixando o olhar para o meio das pernas do loiro. Draco percebeu e sorriu largamente, impressionado com a desenvoltura dela. Mal sabia ele que a intenção era que ele percebesse. Asty levantou uma das sobrancelhas e riu pelo nariz. –Ou talvez não.
–Está tentando dizer o que eu acho que está tentando? –Perguntou surpreso e ela subiu o olhar para o dele, sorrindo de canto.
–O que você acha? –Provocou, rindo.
–Eu acho que cada vez que eu converso com você eu descubro alguma coisa nova. –Desta vez ele desviou o olhar para a parede oposta. –Não esperava tal coisa vinda de você. Você é... Nova. –Completou, rindo levemente.
–Vamos lá Draco! Você já me viu recebendo uma peça íntima de presente... –Começou a falar, mas o garoto a interrompeu.
–Então realmente era uma peça íntima? –Disse arqueando as sobrancelhas, incrédulo. Astoria bufou.
–É claro que era. Eu achava que você conseguisse identificar esse tipo de vestuário. E o fato de você querer me levar para cama... Sinceramente, esperaria isso de uma criança? –Perguntou um tanto enojada.
–Quando eu vi a peça de roupa preta eu fui te deixar sem graça. Eu não sabia que realmente era aquilo. Como você recebe um presente desses? De quem? E como você... Blaise! Ele te contou, não é? –Disse tão alterado quanto um Malfoy podia ficar sem perder o orgulho. Ele não podia acreditar. Era ela. Astoria.
–Acho que você já ouviu falar de um tal de Louis, não? E sim foi o Blaise... –Explicou, mas parou abruptamente, olhando zangada para o loiro. –Para que eu estou te dando explicação? Poupe-me Draco, você não é merecedor delas. –Depois da loira falar isso eles ficaram em silêncio, cada um encarando um local na parede.
–Sabe, tem vezes que você não parece tão nova como é. Na verdade, você não parece mais nova em nada. –Draco comentou, amenizando o tom de voz para um que Astoria nunca tinha ouvido. Ele tinha uma voz linda de qualquer forma, e ficava ainda mais assim.
–Deve ser porque você é só dois anos mais velho que eu. Esperava o que? Que eu ainda usasse fraldas? –Draco riu ao ouvi-la falar.
–É só... Estranho. Minhas expectativas para com você eram diferentes há alguns meses do que são agora. –Sua voz continuava no tom anterior, mesmo com a ironia da garota. A loira torceu para que ele parasse de falar assim, ou logo ela estaria completamente desarmada diante dele.
–Então você tinha expectativas... –Provocou.
–Você está se saindo melhor do que deveria para a irmã mais nova feia e estranha da garota que eu como. –Ao contrário do que Draco esperava, ela gargalhou alto.
–Sempre tão delicado... –Comentou no meio do riso. –Nem pra fazer elogio você presta Draco. –Depois que a voz dela se dispersou pelo corredor, eles ficaram em silencio. As vezes um abria a boca para falar, mas sempre desistia. Até que. Draco respirou fundo e fez algo que nem ele, nem ninguém esperava. Apenas saiu, e era tarde demais para colocar de volta.
–O que eu estou tentando dizer é... Me desculpe. –Dizer Astoria ficou surpresa era eufemismo. Ela ficou literalmente boquiaberta. Desde o início, quando passou por tudo aquilo para provar que era mais do que ela mesma pensava, ela não esperava um dia ouvir um pedido de desculpas saindo da boca do melhor exemplo de um sonserino depois de Voldemort. Era inacreditável. E era a coisa mais linda que já tinha visto em sua vida.
–Para tudo! É isso mesmo que eu ouvi? –Não resistiu a brincar, e ele a olhou com raiva.
–Não faça isso mais difícil do que já esta sendo. –Murmurou contrariado.
–Você não esta me pedindo desculpas porque, agora que viu que eu não sou tão criança assim, acha que vai me levar para cama, não é? –Perguntou desconfiada, e logo ficou assustada ao ouvir pela primeira vez um som como aquele saindo da boca do loiro. Uma gargalhada. Mais uma vez ficou tonta pela sua beleza.
–Não. –Disse descontraído.
–Me desculpe pelo que então? –Astoria observou com um olhar curioso Draco fechar os olhos e respirar fundo, como se isso doesse nele.
–Eu estava... Errado. Você não é ridícula Asty. –Disse depois de soltar o ar. Encantada, a loira o observou abrir os olhos, ainda frios como gelo, mas brilhando de uma forma diferente. Ela não queria se permitir a criar esperanças, mas seu coração não a obedeceu. Aquele não parecia o Draco Malfoy, mas de alguma forma era ele. Não havia uma grande mudança, ainda tinha seu ar egocêntrico e mandão. Ainda era frio. Astoria não sabia explicar, mas era como se aquele Draco estivesse ali o tempo todo, uma parte da personalidade dele que ele preferia esconder. –Pronto, falei. –Sorriu para ela, e desta vez o sorriso chegou aos olhos. Ele era lindo.
–Foi tão difícil assim? –Astoria falou com uma das sobrancelhas arqueadas.
–Mais do que imagina.
Ela estava prestes a dizer algo sarcástico quando ele se aproximou e imobilizou a boca da loira com a dele. Astoria estava determinada a permanecer rígida, mas ele não estava tornando esta tarefa algo fácil. Depositou pequenos beijos nos lábios cheios da garota, algo que ele não estava acostumado a fazer. Beijos doces não eram utilizados por Draco, mas pareceram se encaixar perfeitamente na situação. Quando sentiu que a guarda da loira havia baixado, ele apertou-a de encontro ao peito, descendo uma de suas mãos a cintura fina dela. Eles passaram a se beijar num frenesi quase apaixonado.
E então foram interrompidos.
–Asty, desculpe interromper. Luna... Você sabe. Venha comigo. –Gina pediu acanhada, observando os dois se separarem. A loira evitava olhar para ele, e Draco a olhava profundamente. A ruiva sorriu diante a cena, feliz pelo loiro não a olhar e não perceber seu corpo molhado. –Vamos. –Agarrou a mão da amiga e a puxou.
–Ainda não está perdoado Malfoy. –Astoria gritou para ele antes de sumir pelos outros corredores, deixando o loiro ali, imerso em pensamentos, com a boca vermelha e com um sorriso no rosto.
A loira foi arrastada pelos corredores até estar mentalmente bem para andar lado a lado coma a ruiva. Logo as duas estavam no corredor que dava acesso a área externa, observando Elliot e Luna, que arranjaram abrigo ali. Com feições curiosas Gina viu Hermione andando em sua direção, e ao lado dela estava o irmão e Harry.
Harry passou os olhos por Luna, logo indo para Elliot. Então, olhou mais além. Seu olhar encontrou o corpo encharcado de Gina, que por sua vez prestava atenção em Luna. Ela estava mais molhada que Hermione, e suas roupas se agarravam ao seu corpo e estavam ligeiramente transparentes. O moreno fixou seu olhar no colo da ruiva, então desceu um pouco mais, olhando para o sutiã preto que estava ligeiramente amostra. Ficou ali até encontrar algo ainda mais interessante para olhar, se é que isso era possível. Agora estava mirando as pernas dela, as mesmas que povoavam seus sonhos, com uma camada de água por cima, a fazendo quase brilhar. Ela estava tão linda que parecia não ser real, então o moreno entendeu o que Rony sentiu quando viu Hermione naquele estado. Sem se conter, arfou.
–Harry, está olhando para as pernas da minha irmã? –O ruivo perguntou, e eles já estavam numa distancia que Gina poderia escutar. O moreno abaixou a cabeça, envergonhado.
–Estava? –Gina perguntou com um sorriso sapeca nos lábios, mas não esperou a resposta. –Sim, com certeza estava. –Afirmou satisfeita. –Já falou para eles Mione?
–Falar o que? –Harry perguntou, levantando o olhar para ruiva e se arrependendo rapidamente. Não seria respeitoso ter uma ereção agora, e logo ele teria.
–Gina, eu ainda não me deci... –Hermione tentou, mas a amiga não deixou.
–Ela vai tentar a minha vaga. –Gina revirou os olhos quando Harry gargalhou.
–No quadribol? Hermione jogando quadribol? Impossível.
–É claro que é possível, eu mesma a treinei. –A ruiva falou travando o maxilar e Harry parou de rir.
–Então ta. Quero ver isso. Te direi quando os testes começarem. –O moreno intercalou as palavras com pequenos risinhos.
–Obrigada Gina. –Hermione falou ironicamente.
–De nada amiga. –Respondeu como se não notasse a ironia da morena, sorrindo largamente. Luna, que até então estava em silencio, se remexeu inquieta.
–Acho que estamos desviando do assunto aqui. Eu lembrei. –O tom sério da loira fez todos estranharem, menos Elliot, que estava alheio a conversa, resmungando.
–E eu fiquei sozinho com essa louca, no meio da chuva.
–Você me ama Elliot, pare com as reclamações. –Luna falou com ele, sorrindo levemente. O ruivo observava tudo, confuso.
–Só eu que não estou entendendo nada? –Rony perguntou.
–Não, acho que colocaram algo na comida do colégio que fez todos enlouquecerem. –O moreno disse sorrindo, examinando cada rosto.
–Não devia ter comido tanto no almoço. –Rony brincou e Harry ia tentar fazer um comentário sobre ele sempre comer muito, mas a voz de Harmione, mais alta que a deles, não o deixou prosseguir.
–Aqui estamos nós. Por um pedido de Dumbledore, estamos aqui para ajudar você, Harry, a ajudar o mundo. Não estamos fazendo isso por você, acredite. Temos razões maiores. –Hermione explicou mais uma vez, esperando que desta eles não a interrompessem.
–Ainda não entendo. –Harry murmurou.
–E nem precisa. Só precisa estar presente para podermos achar o objeto certo, pois nenhum de nós sente Você-Sabe-Quem, mas você sente. –A morena retrucou, sorrindo docemente, o que não combinava com o que ela falou. Sabia que não poderia dispensar Harry e Rony totalmente, mas preferia fazer a maior parte do trabalho com as amigas. Um dia, quem sabe, ela explicaria tudo para eles.
–Ah, entendi o que foi fazer. –Elliot comentou, se referindo ao fato dela ter saído correndo mais cedo.
–Na verdade, eu fui atrás deles para saber se minhas suspeitas estavam certas, e estavam...
–É, ai ela bateu na gente. –O ruivo disse.
–Cala a boca. Como eu estava dizendo... –Foi interrompida novamente.
–Espera, eu perdi isso? –Gina perguntou animada e incrédula, rindo, fazendo as vítimas da raiva da morena revirarem os olhos.
–Perdeu, foi hilário, mas pode parar de me interromper? Obrigada. –Hermione já estava perdendo a paciência. –Minha esperança era que, no caso de Luna não lembrar...
–Eu lembrei. –Luna comentou e Hermione grunhiu.
–Eu sei, que saco. Só eu falo. –Ordenou. –Se Luna não lembrasse, eles poderiam saber. Como eu descobri? Por que eles foram idiotas o bastante para não me contar sobre as horcruxes e burros de deixar que eu descobrisse que não me contaram. Mas eu não tinha imaginado que eles eram tão burros, eles nem sabiam do fato de existir uma horcrux aqui. –Os dois garotos fecharam a cara com o xingamento e a ruiva se segurava para não gargalhar.
–Já falei que não tem... –O moreno se calou com o olhar que recebeu
–Harry. –Ameaçou, olhando-o com raiva. –Basicamente, eles não sabem de nada. Absolutamente nada, a não ser da existência dos objetos tão especiais. Nem se preocuparam em procurar o invasor. –Disse para os amigos, que sorriram. Ela não desperdiçava a chance de deixa-los mal.
–Nós procuramos, só não achamos nada. Mas não importa, eles não conseguiriam tirar nada de Hogwarts, aqui é muito seguro. –Rony falou e Harry concordou com a cabeça. Gina e Elliot permitiram que um riso de triunfo saísse de seus lábios.
–Aí que você se engana. Ele ia conseguir sim, porque não seria oferecido resistência. -A ruiva disse com a cabeça levemente levantada.
–Oi? –Harry franziu a testa. O quanto Gina estaria envolvida? Harry não achava isso bom, era perigoso demais...
–Esquece. Tem muita coisa que vocês não sabem, e vão continuar sem saber. Quem sabe um dia a gente não conta? Ou talvez não. Não importa. –Hermione salvou a amiga da explicação. –Então Luna, o que estamos procurando e aonde vamos achar? –Se virou para a loira, que surpreendentemente ouvia a conversa atentamente.
–Estamos procurando o diadema, e vamos achá-lo na Sala Precisa. –Falou constantemente e Elliot sorriu. –Treinei tanto que decorei. –Desta vez falou diretamente com o garoto, que sorriu ainda mais.
–Como ela sabe disso? –O moreno e o ruivo perguntaram juntos.
–Isso esta incluído nas coisas que não iremos contar. Agora vamos. –Hermione deu um final para a conversa, e passou a andar, desta vez verificando se estava sendo seguida.
E estava.
Eles sabiam que era mais seguro que eles fossem quando escurecesse, logo após o jantar, quando os alunos se direcionassem para seus dormitórios. Harry e Rony entraram no Salão principal com a promessa de se encontrarem com eles no corredor da biblioteca uma hora mais tarde. Não faltariam, pois não iriam arriscar se vitimas de mais agressões, que desta vez podiam vir de mais de uma garota.
Deixando eles lá, Hermione seguiu com Gina e Elliot para a casa da qual pertenciam. O garoto subiu a escada de seu dormitório e as garotas o imitaram, indo para o delas. Por mais que fosse quase uma missão, elas não deixariam de estar arrumadas. As duas vestiram roupas pretas. A morena optou por uma blusa simples preta e uma calça jeans apertada também preta, e escolheu uma bolsa, coisa que ela quase não usava em Hogwarts, para levar as capas dela e das amigas e a horcrux. Gina estava parecida com a amiga, exceto pela calça de couro apertada. Ao se olharem no espelho, viram como pareciam perigosas.
Quarenta minutos se passaram e elas saíram do dormitório, encontrando um Elliot também vestido de preto. Ele ficava extremamente lindo assim, e ainda tinha o cabelo loiro caído sobre os olhos. Ele envolveu a cintura de Hermione de lado e a puxou para ela, e passou o braço oposto pelos ombros da ruiva. E assim foram para o local marcado.
Quando chegaram, já havia duas figuras ali, de pé. Sorriram para Luna e Astoria, que estavam vestidas com roupas parecidas. Era estranho ver Luna de preto, mas ela ficava muito bonita. E Astoria... Ficava com um ar perigoso, quase maléfico.
Não precisaram esperar muito, logo os dois garotos que eles esperavam apareceram. Seus olhos cheios de desejo percorreram os corpos das duas garotas que um dia eles humilharam, e logo ficaram enciumados ao perceber como Elliot estava abraçado nelas. Eles nunca as tinham visto tão bonitas, nem mesmo quando estavam molhadas e irritadas mais cedo. Era injusto que Elliot pudesse toca-las e eles não, mas não admitiriam isso em voz alta.
Sem muitas palavras trocadas, os sete seguiram por corredores e mais corredores, até chegarem a um vazio, o corredor da Sala Precisa. Da mesma forma que encontraram as portas das outras vezes, encontraram agora. Ela estava ali, parada, os esperando. Eles continuaram andando, até chegar perto dela.
Uma mão pálida envolveu a maçaneta, e a dona dela, Gina, torceu e empurrou. E ali estava, diante deles. O quarto que era familiar as garotas e para Elliot. Repleto de objetos antigos, brilhantes e preciosos. As mesmas montanhas e mais montanhas de antes.
Um a um, eles foram entrando, deixando Harry para o final. Quando e pos os pés no local, deu alguns passos, mas logo foi em direção ao chão, se apoiando por pouco com as mãos no chão.
Antes que Rony pudesse raciocinar o que havia acontecido e ajudar o amigo, Gina já estava ajoelhada ao lado dele, passando a mão na testa, delineando a cicatriz. Hermione se abaixou do outro lado dele.
–Dói? –Gina perguntou docemente, acariciando a testa dele, que lentamente confirmou. –Que bom. –Disse rindo pelo nariz.
–Você consegue sentir Harry? –Hermione pronunciou se levantando e o ajudando a se por de pé.
–Sim. Esta aqui. –Ele confirmou, abaixando o olhar e franzindo a testa, como se estivesse com dor de cabeça. –Descul...
–Não é hora para isso. –Hermione dispensou as desculpas e se afastou, passando a procurar algo parecido com uma tiara perdida no meio de tantos objetos.
E assim passaram os minutos seguintes, até que os mesmos se transformaram em horas. Reviravam as pilhas de objetos, às vezes encontrando uma tiara, ou algo parecido com o diadema, mas não indo a lugar nenhum. Elliot parou, encostou-se num baú que havia ali.
–Não dá para achar. È como nas outras vezes. Não é possível. –Resmungou alto, fazendo o ruivo o olhar.
–Tiveram outras vezes? –Perguntou curioso, chamando a atenção de Harry.
–Cala a boca Elliot. –Gina advertiu enquanto olhava objetos dentro de caixas.
–Não entendo como não acho. Gente como eu adora tiaras, coroas e afins. Eu tinha que achar. –Astoria reclamou dramática.
–Calma, a gente vai achar. –Elliot a consolou, deixando seu poso e indo ficar perto de Hermione, que deu um pequeno e amigável soco em seu braço e depois o abraçou. E Ronald só observava.
–Gente, acho que encontrei. –Quando a voz de Luna chegou ao ouvido deles foram apressados para o local onde ela estava, que era um tanto longe de onde se encontraram. Estavam tão imersos na busca que nem a viram sumir por ai. –É linda, não? –Disse girando o que claramente era um diadema nas mãos, deixando todos olharem ele de todos os ângulos.
–Eu acho que é isso. –Hermione murmurou, pegando da mão de Luna e o examinando mais de perto.
–É só isso? –Gina perguntou incrédula, estava esperando que esqueletos maléficos surgissem do nada para matá-los.
–Acho que sim. –Hermione falou calma. –É ele Harry? –Se virou para o moreno, que estendeu as mãos e o pegou dela.
–É sim. Bem, vou leva-lo amanha para Dumbledore decidir o que fazer. –Harry murmurou já se preparando para guardar o diadema, mas Gina chegou perto dele, desconcertando-o o suficiente para roubar o objeto de suas mãos. Harry imediatamente ficou vermelho.
–Desculpe Harry, mas já temos ordens sobre o que fazer com isso. –Falou satisfeita com o que fez, entregando-o para Hermione guardar.
–Mas Dumbledore...
–Ordens do próprio Albus, Harry. –Hermione explicou, ainda com a horcrux na mão. –Parece tão inofensiva. Tome Astoria, coloque um pouco. –Estendeu o diadema e Astoria o olhou com nojo.
–Esta maluca? Eu não vou colocar a alma de ninguém na cabeça, pode guardar aí na sua bolsa. –Deu um pequeno ataque e os amigos riram. Hermione guardou enrolado num pano dentro da bolsa, então suspirou. –É isso, obrigada pela a ajuda Harry e Rony. Podemos ir agora.
Novamente, um a um saíram da Sala Precisa. Instruíram o ruivo e o moreno para irem à frente, e eles foram sem questionar, imersos em pensamentos. Alguns minutos depois eles também se despediram. Astoria e Luna foram para um lado e os outros três para o outro. Foram se aproximando cada vez mais de seu salão comunal, e quando chegaram lá não viram o menos sinal de Harry e Rony. Com um beijo na maça do rosto, se despediram de Elliot.
–Hermione? –Gina a chamou enquanto subiam as escadas. A morena a olhou.
–Sim?
–Quando irá falar com Astoria sobre aquilo? –Perguntou baixinho e Hermione deixou os ombros caírem, desanimado.
–Amanhã. –Com isso, cada uma foi para seu quarto.
Notas finais
Hermione batendo neles...
Pequena aparição do canino, porque eu o amo.
Harry burro e Rony idiota...
Achamos o diadema pessoal, e agora?
Gostaram? Amaram? odiaram?
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