As Garotas De Hogwarts
45 Destino
Notas iniciais
Se elas já andavam caladas, agora estavam ainda pior. Suas mentes insistiam em voltar para a conversa de minutos antes, na qual Elliot afirmava que iria embora de Hogwarts. E elas sabiam que logo teriam que ir também. Se ficassem junto com os outros, iriam prejudicá-los. Ele iria tentar acha-las, e se estivessem em Hogwarts, ofereceriam perigo para pessoas inocentes.
Elas caminhavam rapidamente pelos corredores que enchiam cada vez mais. Podiam sentir na pele que elas eram o assunto do dia, e ouvir os murmúrios sobre elas, mas elas não davam importância a nada disso, só queriam chegar aonde precisavam.
Elliot havia as informado que Dumbledore queria falar com elas, e elas sabiam que seria importante. Luna e Hermione não sabiam ao certo como seria olhá-lo novamente depois de tudo que descobriram, mesmo ainda gostando dele.
O encontraram sentado atrás da mesa de sua sala, mexendo em alguns papéis amarelados, totalmente concentrado. Elas tentaram não fazer barulho algum, mas ele logo levantou o olhar, as olhando por cima dos óculos.
–Sejam bem-vindas. Estava esperando vocês. –As cumprimentou, ajeitando o corpo na cadeira. –Espero que aprovem a nova decoração. –Comentou. Elas correram os olhos pela sala cheia de objetos, não notando nada realmente diferente.
–Oh sim, está ótima. –Luna respondeu, parecendo realmente ver alguma coisa nova. As amigas trocaram um olhar, achando aquilo engraçado.
–Elliot me contou sobre a reunião, até mesmo sobre os participantes da mesma... –Dumbledore fez menção de continuar o que estava falando, mas Hermione o interrompeu. Aquilo estava preso na garganta dela.
–O senhor já sabia, não é? Sempre soube. Seu irmão participa. –Tentou não usar um tom acusador.
–Não nos damos muito bem, ele não fez questão de me contar. Ele apenas me ajudou com algo que eu precisava. –Ele estava mentindo, e Hermione podia ver isso. Ele parecia querer que ela visse. Era como se ele tentasse recriar algo, induzir pensamentos, faze-las dizer e fazer o que ele queria. Ele também brincava de destino, mas o tempo estava passando, se ele não contasse o que sabia logo, talvez se esgotasse.
–Ah sim... –Hermione falou, e Dumbledore sorriu para ela.
–Bem, continuando, Elliot narrou algumas situações para mim, mas disse que vocês diriam algumas melhor que ele. Algo sobre, Pansy Parkinson, eu acredito. –Hermione estreitou os olhos e Albus riu de sua desconfiança. –Ele me falou dela, senhorita Granger.
–Ela apareceu propondo ajuda. Mesmo que quiséssemos, não poderíamos recusar. –Astoria disse antes que Hermione pudesse falar, tentando fazê-la ficar calada.
–Que ajuda, senhorita Greengrass? –Pediu mais informações, se recostando na cadeira, olhando para a loira.
–Ela diz que sabe onde está uma das horcruxes. –Gina se adiantou, respondendo a pergunta. O diretor então a olhou, assentindo como se entendesse.
–E sabe? –Insistiu.
–Aparentemente sim. –Hermione confirmou, suspirando. -Um medalhão que Bellatrix carrega. Eu acho bem possível que seja. Ninguém seria louco o bastante para tentar pegar algo do pescoço dela. A não ser, é claro, a gente. –Suspirou mais uma vez, e viu um pequeno sorriso nos lábios do diretor. Ele sabia que, quando as escolheu, não havia feito uma escolha errada. Elas fariam o impossível para salvar o mundo, mesmo que não acabassem levando o crédito.
–Já sabem como irão pegá-lo?
–Recebi um convite para um baile de minha família, Bellatrix estará lá. Esse será o lugar, daqui a quase uma semana e meia, que Pansy tentará pegar o medalhão. Ela me disse que é bem possível que Lestrange o exiba, pois tem orgulho da confiança de Você-Sabe-Quem nela. –A loira tornou a explicar. O silencio de Dumbledore deu a entender que ele refletiu por alguns segundos, mas ele não tinha uma cara pensativa. Ou ele fingia muito mal, ou queria que uma delas notasse que alguma coisa estava errada.
–Não acham que ela irá sentir falta do medalhão? –Perguntou, olhando para baixo, aparentemente para um das gavetas que não ficavam visíveis. Um som de metal batendo repetidas vezes na madeira tomou conta do cômodo. Ele estava brincando com o gancho de alguma gaveta.
–Achamos, mas nós temos que destruir essa horcrux, não é? –Hermione indagou, não tendo mais certeza de nada. O que era aquilo que elas estavam vivendo? Um jogo criado por uma mente perturbada?
–Bem, acho que eu posso ajudar. –Ele comentou e elas o olharam curiosas. Estendeu o braço e puxou uma gaveta, tirando de lá uma pequena caixa retangular e fina, parecia ser de veludo. -Só irá despistá-la por pouco tempo, mas... –Ele fechou a gaveta e estendeu a caixinha para as garotas. –Aqui está.
Ele as olhou em expectativa quando Hermione pegou a caixa de sua mão. Antes de abri-la, olhou para Luna e então novamente para o diretor, que sorriu a encorajando. Com as mão tremulas, examinou como a aquele objeto abria. E então, o fez.
–O que... Como? –Perguntou desnorteada, olhando desesperada para aquele homem na frente dela.
–Essa foi a encomenda que vocês foram buscar meses atrás. –Albus explicou, apontando com o dedo tanto torto e enrugado para o que havia dentro da caixa.
Era o medalhão de Sonserina.
–Eu vi você desenhando algo como isso quando eu estava conversando com o senhor, antes de eu saber de tudo. –Hermione murmurou. Foi a única que conseguiu desviar os olhos do que tinha dentro da caixa para olha-lo, e poderia jurar que ele piscou para ela.
–Como já devem saber, Elliot estará partindo amanhã. –Ele ignorou Hermione, mas ela sabia que não havia sido propriamente ignorada. Ele havia confirmado. -Pretendo tirar os senhores Potter e Weasley daqui também, pela segurança deles e dos alunos. Talvez faça isso dois dias antes desse tal baile, para não levantar muitas suspeitas. E vocês irão logo depois.
–E as outras horcruxes? –Gina perguntou rapidamente, não entendendo como conseguiriam acabar com todas elas sem estarem em Hogwarts.
–Creio que o baile só irá acontecer à noite. Gina, Hermione e Luna, vocês tem que sair daqui antes do mesmo começar. Astoria, você irá, mas não voltara para o castelo, deixe que a senhorita Parkinson traga o medalhão até mim. Vocês já terão feito um ótimo trabalho, afinal, três é um bom número. –Concluiu, as observando assentir. –Vocês já podem ir.
Elas não tinham certeza se poderiam se mexer depois do que viram e ouviram, principalmente Hermione e Luna. Mas, ao que parece, o corpo não estava do mesmo estado que a mente, então logo estavam perto da porta. Hermione estendeu a caixa a Astoria, que a pegou.
–Ah, antes de irem... –Dumbledore disse em um tom alto, fazendo-as se virar para ele. –Por favor, prestem atenção. A tudo. Nada é o que parece.
Mentalmente, a morena concordou com a afirmação do diretor. Nada era o que parecia. Elas não eram o que pareciam. Ele não era o que parecia. Ninguém era.
Duas mentes ali trabalhavam freneticamente, mesmo sendo em ritmos e formas um tanto diferentes. Dumbledore realmente sabia mais do que elas pensavam. Desde o início, ele soube muito. Ele sabia tanto que elas mal conseguiam ligar aos fatos, pois as mentes quase travavam.
Elas já haviam chegado à conclusão que nada que Dumbledore fez foi por acaso. Ele as induzia, como se fosse um diretor de uma peça, as direcionava sem elas notarem, e, por alguma razão, decidiu deixa-las notar hoje. Talvez, ele já soubesse que elas já sabem.
Mesmo já sabendo o que Albus pretendia, o que ele deixou escapar hoje tornava as coisas ainda piores. Se ele mandara fazer um medalhão antes mesmo das coisas começarem a ficar ruins, antes de elas descobrirem quem era o tal “invasor”, antes de elas se quer pensarem em horcruxes, deixava claro que ele já sabia, mesmo que ele negasse na época. O irmão, participante de um grupo que não deveria ser de conhecimento de ninguém, o ajudou. Dumbledore fingiu não saber o tempo todo, mas ele estava envolvido. E, ao invés de ter apenas contado, as fez de marionetes. Fez todos de marionetes. Ele manipulou tudo, até mesmo a morte de Harry. Ele traçou caminhos para várias pessoas, e as manteria neles com sua vida.
A quem mais ele poderia ser comparado do que ao próprio destino?
Ele era onipotente, onisciente e onipresente. Talvez, ele fosse realmente o destino.
No final, Dumbledore não era nada bom.
Luna e Hermione sabiam que tinham chegado a mesma conclusão quando finalmente se olharam. Elas trocaram sorrisos tímidos e olhares de compaixão. Tristes por notarem que tudo que acreditavam naqueles meses todos poderia ter sido armado. O que mais teria sido? As humilhações? As mudanças? E era deste ponto para pior.
–Dumbledore falou três, mas nós só vamos ter lidado com duas horcruxes. –Gina comentou, quebrando finalmente a linha de pensamento que as duas garotas seguiam. A morena se forçou a sorrir.
–Ele deve ter se confundido. –Disse e engoliu em seco, torcendo para que a ruiva não percebesse seu nervosismo. A terceira horcrux que ele se referia era Harry Potter.
–É, deve mesmo. –Gina estreitou os olhos, mas não perguntou nada. Hermione finalmente relaxou. Não queria contar para a amiga, não ainda.
Logo elas estavam nos corredores que já estavam repletos de alunos que seguiam para Salão Principal para a primeira refeição do dia. As quatro garotas que eram alvo de olhares de inveja e cobiça e comentários diversos andavam lado a lado, porém não conversavam. Elas mantinham o cenho franzido e o olhar fixado em algum ponto a frente, tentando ignorar as notícias que corriam sobre elas.
Chamavam mais atenção do que nunca. Talvez fosse por causa de suas roupas, talvez pelas suas misteriosas voltas ou talvez por causa das expressões sombrias delas. E, de uma maneira um tanto misteriosa, o primeiro raio estourou do lado de fora, avisando a chegada da chuva, no exato momento que elas pisaram no corredor mais movimentado.
Na direção contrária, de frente para elas, vinha Pansy. A loira sorriu de lado para as garotas, fazendo questão de chegar um pouco para o lado, de modo que pudesse passar perto delas.
–Eu avisei. –Comentou sem parar de andar. Logo ela já havia passado as garotas, que não olharam para trás. É, ela realmente avisou que elas seriam assunto.
Apoiados na parede, com os olhos fixos nas garotas, assim como muitos outros, estavam Rony, Harry e Neville e as respectivas namoradas. Eles estavam aliviados e ao mesmo tempo irritados por vê-las novamente. Elas estavam bem, mas... O que por Merlin foram fazer?
Ronald desta vez se manteve calado, não ajudando nos boatos, mesmo com a pressão da namorada. Não queria cair ainda mais no conceito de Hermione. Ele já se culpava todos os dias pelo o que fez e pelo o que pensou em fazer. Por vários meses, ele a quis por honra. Agora ele apenas a queria.
E não tê-la estava o matando de várias formas. Ter quem ele não queria mais também.
Harry não apoiou o que Cho estava fazendo. Ele não achava certo, não mais. Isso abalou o namoro deles, este que já vinha sendo abalado desde que Gina voltou uma mulher e não mais uma menina. Agora, ele sonhava com ela até mesmo quando estava acordado, imaginando como seria estar com a ruiva. Ele temia estar ficando obcecado.
Cho temia que ele tivesse se apaixonado.
A oriental fez questão de se deslocar, parando na frente das quatro garotas, as impedindo de continuar andando. Não era bom mexer com elas naquele momento, mas ela não tinha a noção do perigo que era fazer isso.
–Olha só quem resolveu aparecer. As quatro menininhas medrosas que vivem fugindo. –Cho começou com o tom de voz venenoso. Lilá e Padma se colocaram ao lado dela, sorrindo de forma maldosa. Os garotos trocaram um olhar, prevendo o que ia acontecer. Briga.
–Pelo visto você sabe mais da nossa vida que nós mesmas. Pode me dizer do que a gente está fugindo? –Hermione perguntou.
–De nós, como sempre. Nós as ameaçamos de que forma desta vez? Somos tão boas nisso que não precisamos nem tentar. Vocês morrem de medo da gente. –Lilá respondeu com a voz irritantemente doce. –Não é Uon-Uon? –Hermione olhou para Ronald e ficou satisfeita ao ver o olhar esgotado do ruivo.
–Lavender, pare de... –O ruivo tentou, mas a namorada não o deixou terminar.
–Ele concorda. Ele sempre concordou e sempre irá. Sabe por que Hermione? Porque ele gosta de mim. O que é você comparada a mim? O que você pode oferecer a ele que eu já não ofereci mil vezes melhor? –Perguntou, dando uma exata entonação para cada palavra, como se houvesse treinado para dizer aquilo. A morena riu debochada.
–Eu sou a mente mais brilhante de uma geração, tenho as melhores amigas do mundo, uma experiência em romances que você ao menos pode imaginar com homens muito melhores do que você jamais vai ter. –Soltou rapidamente, fazendo quase todos arregalarem os olhos pela resposta rápida.
De forma quase felina, se aproximou de Lilá até estar cara a cara com ela. Seu olhar era vidrado e quase assassino, seu maxilar contraído. Ela estava pegando fogo, mas desta vez era de raiva. Se perdesse o controle, iria matá-la sem pestanejar.
Os demais que se juntaram para ver a briga observavam a cena abismados. Não com a situação em si, não era uma coisa rara de se ver, afinal todos sabiam que elas não se davam bem, mas com o que irradiava das quatro garotas. Era ódio puro e uma raiva descomunal. Elas pareciam leoas. E aquilo era incrivelmente sensual.
–O que é você comparada a mim, Lilá, além de uma completa vadia sem coração? Uma namorada irritante e mandona. Grudenta. Que precisa persuadi-lo para conseguir o que quer. Eu tenho pena do Ronald, e garanto a você que toda a família dele também tem. –Rosnou as palavras, quase cuspindo no rosto da garota. -Mas realmente Lilá, eu não posso oferecer nada a ele, sabe por quê? Porque eu não quero. Agora se ele quer, o problema não é meu, é seu. –Terminou com um sorriso vitorioso, observando a garota sem ação com os grandes olhos arregalados. Disfarçadamente, ela olhou para Rony, que também estava imóvel.
–Sua... Sua... –Lilá tentou procurar uma palavra, mas não a achou. Satisfeita, Hermione recuou para perto das amigas que sorriam para ela.
–Você continua a mesma coisinha, Hermione, não se iluda. –Cho falou e a morena a fuzilou com o olhar. –Você e todas as suas amiguinhas. Agora você pode ir chorar num canto enquanto Gina e Astoria brincam de boneca e a Di-Lua enlouquece sozinha num canto. –A ruiva se aproximou perigosamente da oriental, a olhando de cima. Isso intimidou um pouco Chang.
–Você deve ter parado no tempo. A minha idade é sempre sua desculpa para tudo, a desculpa de todos. Quer dizer que se eu fosse mais velha você tava acabada não é? Que argumento você iria usar? –Questionou com raiva.
–Mas você não é, você é uma garotinha. –Insistiu. Harry olhava para as duas preocupado, pois sabia que a namorada poderia sair machucada., mas ele também não podia deixar de compara-las.
–Uma garotinha que seu namorado já beijou e que é melhor que você em tudo. –Harry engoliu em seco enquanto Rony e Cho o procuraram com o olhar. -Uma garotinha que namora um homem mais velho que o seu, “adulta”. Você deve se sentir muito ameaçada.
–Fica longe do Harry, ele não quer você por perto. Ele até te tirou do time por minha causa. –As quatro riram desdenhosas.
–Pede para o Potter ficar longe de mim. –Contrapôs, piscando para ela. -E eu que saí meu amor, não treino inimigas.
Dentre as pessoas que observavam a quase briga, estavam alguns sonserinos. Daphne fazia questão de manter seu olhar com o da irmã enquanto segurava a mão de Draco, que estava ao lado dela. Ela estava gostando de assistir, mas queria entrar na briga também. O loiro parecia desconfortável e Blaise, que estava um pouco longe dos dois, não gostava do que via.
–Vocês são realmente as pessoas mais ridículas que eu já conheci. –A sonserina de cabelos escuros falou alto o suficiente para chamar a atenção para ela. Ela não se sentia muito a vontade de ajudar pessoas de outras casas, mas se isso a fizesse sair por cima ela o faria sem hesitar.
–Tem certeza que não esta falando de si mesma, irmã? –Astoria perguntou irritada. Só faltava essa...
–Me poupe de suas respostas idiotas, querida irmã. –Pediu polidamente parando entre os dois “grupos” -Eu estava me divertindo assistindo, mas acho que será legal participar. –Draco soltou a mão da dela, algo que queria fazer há tempos. Ela o olhou pedindo explicações. Ela estava fazendo aquilo por ele, porque ele não apreciava?
–Daphne, vamos. –Ordenou frio, indicando um dos extremos do corredor com a cabeça. –Agora. –Seu olhar deixou a garota, partindo para Astoria e então Hermione.
–Espere um pouco Draco, você também Blaise. Não vão querer perder o show.
–Um show vai ser quando eu arranhar a sua cara inteira. –Astoria grunhiu, enfiando as unhas na palma da mão e repetindo “Você é melhor que ela” mentalmente. Sem perceber, estava se machucando.
–Deixe as loucuras para Luna, Asty. –Padma se pronunciou pela primeira vez. Ela estava sem a gêmea do lado e assim parecia ainda mais inofensiva.
Para a surpresa de muitos, Luna soltou um som alto, típico de alguém irritado. Ela deu um passo a frente, jogando os enormes cabelos cacheados para trás dos ombros. Fechou os olhos e respirou fundo uma vez e Cho e Lilá riram. Ela os abriu com o som que a irritava, e eles estavam turvos.
–Vocês têm me provocado por meses. Por mais que eu não de a mínima para o que vocês pensam, tem uma hora que eu chego ao meu limite. E, para infelicidade de vocês, eu acabei de chegar. –Sibilou, mantendo uma postura que quase ninguém ali havia visto.
–E você vai fazer o que? Uma dança para cair raios nas nossas cabeças? Você é apenas uma maluca, Luna. –Padma insistiu, já não parecendo tão segura quanto antes. E sua segurança acabou quando Neville entrou no meio da confusão. Até mesmo as garotas, como Lilá e Hermione, que brigavam paralelamente pararam para ver aquela cena.
–Padma, chega! Eu cansei. Se você não parar agora eu não olho mais para sua cara. –O garoto ameaçou um tanto inseguro, e ela, assustada por nunca ter visto algo assim do garoto, hesitou.
–Mas Neville... –Tentou.
–Mas nada! –Ordenou. Estava mais do que na hora de fazer aquilo. Se deixar levar pelo o que ele acredita, e não pelos outros.
–Pare de tentar defende-la. Não é como se você gostasse dela. E não adianta reclamar agora, você mesmo causou isso meses atrás. Você a odeia, como todo mundo nesse castelo. Ela não tem ninguém. –As palavras que saíram da boca da indiana irritaram mais do que Neville, Luna e suas amigas. Havia um presente que não gostou nada de ouvir aquelas palavras. Se o outro não conseguiria defender a loira, ele mesmo o faria.
–Você por acaso notou o quão idiotas foram as suas palavras? –Blaise começou. -Como ela não tem ninguém? Isso aqui... –Ele apontou para as quatro garotas que o olhavam surpresas. –Parece ninguém para você?
–Não vai me dizer que você, Blaise, gosta dela. –Daphne comentou quase gargalhando com o que ela achava que era uma piada. O moreno respirou fundo, olhando para a garota que ele defendeu.
–Eu sou louco por ela. –Luna abriu um enorme sorriso, nem um pouco acanhada, e as amigas a cutucaram, fazendo alguns comentários. Foi difícil admitir para ele mesmo que gostava dela, mas não fora complicado gritar ao mundo esse fato. Talvez aquilo desse certo. Talvez não. Mas, ao menos, Blaise não manteria aquilo escondido pela vida toda.
Neville observou a felicidade com que Luna olhava para o moreno, se sentindo um intruso ali. Ele queria ter sido mais corajoso. Queria não ter sido estúpido e idota. Queria não ser estúpido e idiota. Ele a queria. Demais. Não poderia continuar com Padma nem mais um minuto.
–Aproveitando o estranho clima que está no ar... –Draco se pronunciou, respirando fundo e se aproximando da sonserina loira. Todos ficaram boquiabertos, não só com a cena, mas também com a diferença perceptível entre a forma que ele se comportava agora e da que ele se comportou minutos antes.
–Draco, o que... –Daphne tentou perguntar, depois, tentou segura-lo. Ela não podia acreditar...
–Quer ir ao baile comigo Astoria? –Ela abriu um grande sorriso que refletiu no rosto dele. Todos olhavam a cena embasbacados. Até mesmo Draco não acreditava no que fez, mas deixaria para se martirizar depois.
–Claro, porque não? –Deu de ombros. Draco voltou à postura fria e se afastou.
–Que bom. –Comentou. Ele estava com vontade de gargalhar. -Vamos Blaise? –O moreno assentiu, e logo eles começaram a se afastar, deixando a garota de cabelos escuros para trás.
–Isso não vai ficar assim, Astoria. –Rosnou para a irmã antes de correr atrás do loiro. –Draco! O que deu em você? –Foi a ultima coisa que conseguiram escutar.
A discussão continuou por algum tempo ainda, os garotos tentavam para-la, mas tinha muito a ser dito das duas partes e elas não iriam desistir. Ficavam cada vez mais nervosas, e, se não estivessem no meio de todo mundo já teriam partido para a agressão física.
Isso durou até serem interrompidos, desta vez por um professor. Deveria ter ouvido os alunos comentarem sobre o que acontecia.
–O que está acontecendo aqui? –Ele pronunciava cada palavra lentamente, com sua voz naturalmente arrastada.
Todos se sobressaltaram, reconheceriam aquela voz em qualquer lugar. Snape.
–Nada professor... –Cho tentou.
–Estávamos discutindo. –Luna foi sincera e direta. Severus pareceu cambalear um pouco com a sinceridade e a simplicidade que ela falou, mas logo voltou a sua postura normal.
–Eu ordeno que parem e se dirijam ao Salão Principal imediatamente. –Ordenou, e sua expressão facial denunciava que ele não estava gostando nada de ter que parar uma briga. –Se eu ouvir falar de mais uma confusão envolvendo as senhoritas eu mesmo terei o prazer de levá-las para ter uma conversa com o diretor. Será da sala dele para fora do castelo. –Snape falou mais para Hermione, Luna, Astoria e Gina do que para as outras, e elas não esconderam o olhar indignado. As outras três sorriram maldosas.
Num movimento rápido, Severus se virou, andando pelo corredor sem olhar para ninguém que estava lá. Por conta das suas vestes longas, ele parecia um morcego. Astoria franziu os lábios, desaprovando completamente.
–Infelizmente, eu não posso enfiar a mão na cara de nenhuma das três. –Hermione disse após alguns minutos de silêncio. –Mas agora eu quero acabar com você Cho, e vai ser no quadribol. –As pessoas que escutavam não acreditaram nas palavras que ouviram. -Quando está bom para você, Harry? –Potter mesmo era um que estava imóvel, assustado. Ronald sorria, ele há tempos queria ver como seria a morena em cima de uma vassoura...
–O que? –O moreno perguntou desacreditado. Hermione revirou os olhos.
–O teste. Eu quero fazê-lo. –Explicou.
–Você não joga quadribol, Hermione. –A oriental riu com as palavras do namorado, acompanhada de Lilá.
–Não jogava. Aprendi com a melhor. –Ela sorriu para Gina.
–Tudo bem. –Ele disse, admirado. –Eu vou ver uma data e te falo.
–Você vai concordar com isso Harry? –Cho perguntou indignada.
–Ela tem tanto direito quando qualquer pessoa de tentar entrar pro time. –Harry deu de ombros, sorrindo para Hermione. Ela não ia retribuir, mas Luna discretamente a cutucou a fazendo sorrir de volta. Às vezes a morena se forçava a esquecer do horrível destino que era reservado para o garoto da cicatriz.
–Vou torcer para você ser atingida por um balaço. –Gina piscou, se virando para se afastar deles. –Você também Potter. E eu vou rir muito.
–Adeus a todos. –Luna falou, já sorrindo, como se não tivesse se alterado. –Obrigada por tentar me defender Neville. –Agradeceu e ele ficou um tanto vermelho. -Mesmo você não tendo conseguido. –Disse baixo, gargalhando sozinha.
Logo elas os deixaram para trás, encarando todos que se aventuravam a olhá-las e sussurrarem algo sobre elas. Aos poucos os boatos se tornaram mais fracos e menos frequentes, até se extinguirem completamente.
O dia passou lento, todos foram às aulas normalmente e compareceram a cada refeição. Já não se comentava mais sobre o sumiço ou sobre a quase briga, mas sim sobre as garotas propriamente, como sempre faziam. Falavam sobre as roupas que elas usavam ou sobre como estavam mais sérias que usualmente.
A noite logo chegou, seguida da madrugada. Todos deveriam estar dormindo, mas seis pessoas estavam fora de suas camas. Três da casa da coragem, duas da casa da ambição e uma da casa da inteligência.
Eles andaram calados pelos corredores, todos usando capas pretas para cobrir o rosto e as vestes. Hermione andava com a varinha em mãos, e dela saia uma luz continua que iluminava pouco do corredor, fruto do feitiço Lumus, mas ao menos assim saberiam que caminho seguir.
Quase foram surpreendidos por Snape, que parecia fazer uma ronda noturna, mas Gina tinha o Mapa do Maroto e avisou-os a tempo de se esconderem. Não poderiam ser pegas agora, ainda tinham o que fazer no castelo. Mas quem sabe, se elas arrumassem confusão no futuro, isso não as ajudaria a sair do castelo sem levantar suspeitas? Era uma opção tentadora. Muito tentadora.
Eles terminaram na mesma sala vazia de dias antes. O quadro estava lá, e a mesma garota também. Ariana.
Ela sorriu quando os viu, e, como se tivesse controle do quadro, destrancou a passagem secreta, dando a visão do corredor escuro que Elliot iria percorrer. O garoto suspirou, abaixando o capuz e olhando para elas.
–Acho que isso é um adeus. –Murmurou, sorrindo mesmo sem vontade.
–Esta mais para um “até mais”, Elliot. –Astoria comentou, o abraçando apertado e logo se afastando.
–Não se iluda menino, vai aturar a gente por muito tempo ainda. –Gina acrescentou, rindo e o abraçando também. Pansy, que estava do lado da ruiva, sorriu de lado.
–Você é até bem legal. –Ela comentou simplesmente. –Tome cuidado. –Pediu, fazendo-o sorrir. Ele fez menção de se aproximar. –Não encosta. –Mandou, mas ele apenas gargalhou e a abraçou da mesma forma que fez com as outras. Ela fez grunhidos de nojo, mas gargalhou junto dos outros. –Não faça isso de novo se quiser ficar vivo.
Elliot ignorou a ameaça, parando agora em frente a Luna. Ela não tinha a expressão muito feliz e seus olhos estavam marejados.
–Eu te amo. –Ela sussurrou quando o abraçou.
–Eu também te amo.
Era verdade. Eram muito amigos e sempre seriam. Ela confiaria sua vida nele, e ele faria o mesmo. Ela sabia que podia ser ela mesma com ele. Eles iriam dar certo se tentassem, mas talvez isso nunca acontecece.
Quando chegou sua vez, Hermione pulou em cima de Elliot, o abraçando o mais forte que pode. Ele também a apertou como se quisesse grudá-la a ele.
–Vou sentir sua falta. –Falou Hermione já com lágrimas nos olhos. Se dissessem a ela meses atrás que ela estaria assim por aquele garoto que a humilhou ainda mais, ela iria rir das palavras e matar o dono delas.
–Tome cuidado, por mim. Fique viva. –Pediu. Ela assentiu e se afastou um pouquinho, colando os lábios nos dele. Esse poderia ser o último beijo deles, e ela sabia que ele queria aquilo até mais que ela. Foi lento, mas não demorado, apenas o suficiente para lembrarem do gosto um do outro. A morena abriu um pouco a boca, dando passagem para ele fazer o que queria. Quando suas línguas se encostaram ele quase gargalhou de felicidade.
–Fique vivo. –Ela pediu quando se afastaram, rindo do sorriso bobo que ele tinha no rosto.
–Elliot! –Luna o chamou com uma pergunta em mente, e precisava fazê-la antes que ele sumisse. –Você contou a Dumbledore sobre Pansy?
–Não.
–Era o que eu temia.
E então, ele se foi.
Notas finais
Tchau!
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