As Garotas De Hogwarts
46 Caramelo
Notas iniciais
“-Quanto dura o tempo?
–Às vezes apenas um segundo.”
Diálogo entre Alice e coelho. Alice no país das maravilhas, Lewis Carroll.
Quando muito tempo se passa em pouco tempo, isso se torna preocupante. Isso se torna assunto. É estranho. Não parece natural, e não é. Era como se, num simples fechar dos olhos, horas passassem. Como se ele ficasse a espreita, esperando a distração tomar conta de vários corpos, e quando os mesmos notavam, já estava escurecendo.
O tempo. Um assunto muito abordado, principalmente nos últimos meses. O tempo em todos os seus sentidos. O tempo temperatura e o tempo propriamente dito, aquele que era dono das horas e dos segundos. Eles se comportavam de maneira estranha.
Tão estranha que, antes que alguém notasse, já faltava apenas dois dias para o tão esperado baile, e cada vez mais as manhãs eram escurecidas pelas nuances que uma chuva cada vez mais forte trazia. Mas, felizmente, tudo estava... calmo.
Seria a calmaria antes da tempestade?
Calmo. Não era exatamente esta palavra que definia como os dias anteriores se passaram. Calmo na medida do possível, assim está melhor. As quatro famosas garotas, as tais garotas de Hogwarts, não conseguiam ficar em paz por muito tempo.
Dumbledore já havia conversado com Harry e Ronald e os convencido que o melhor era tira-los do castelo o mais rápido possível. Não contara a eles que faria o mesmo com certas garotas, achou que seria interessante eles descobrirem isso sozinhos.
Quando descobriu que seu tempo restante em Hogwarts seria curto, Harry marcou para o teste de Hermione para seu último dia no castelo. A ideia de vê-la jogando quadribol ainda o fazia gargalhar.
Assim que souberam que sairiam de Hogwarts, Ron e Harry foram informados que ninguém que não fosse de confiança de Dumbledore deveria saber o exato motivo de suas saídas. Isso incluía Cho e Lilá. Eles, com ajuda do diretor, bolaram o que seria dito para os alunos e professores, uma desculpa convincente para o futuro sumiço. Como Harry não tinha familiares bruxos vivos, todos em Hogwarts logo achariam que Molly Weasley estava com uma doença e que precisa da presença de seu filho.
–Eu entendo que sua mãe esteja doente Rony, e sinto muito por isso, mas não entendo o que Harry tem haver com isso. –Cho insistiu mais uma vez. Harry procurou o ruivo com os olhos, pedindo ajuda.
–Ele é como se fosse da família. –Ron disse simplesmente. A oriental se virou um pouco, olhando o moreno nos olhos.
–Ela é quase minha mãe. –Harry completou.
Eles estavam no Salão Comunal, cada casal em um sofá. Harry tinha se recostado no braço de um sofá avermelhado, e Cho estava deitada em seu peito, já Ronald estava sentado normalmente, abraçando os ombros da namorada.
–A Ginevra vai também? –Cho perguntou tentando esconder a preocupação. Ela não teria chance se Gina ficasse sozinha com Harry.
–Não, meus pais não querem que ela pare de estudar por uns meses só para ver nossa mãe e ela não tem idade o suficiente para decidir ir sozinha. –Ron falou a primeira coisa que veio em mente e as duas riram.
–Pobre criança... –Ela comentou venenosa. Eles estavam aliviados por elas terem aceitado a desculpa sem mais perguntas.
–Uon-Uon... –Lilá chamou-o, se virando para olha-lo. -E como a gente fica? Você não se importa com a nossa relação? –Perguntou preocupada. O ruivo engoliu em seco, sabia que teria que ter essa conversa uma hora ou outra. A questão era; ele se importava com a relação deles?
–É claro que eu me importo Lilá. –Respirou fundo. Ela sorriu satisfeita, mas ele sabia que ela não ficaria feliz por muito tempo. -Mas eu vou embora e não sei por quanto tempo... –O sorriso morreu um pouco, e ela o olhava esperando uma continuação.
–E? –Incentivou ao perceber que ele não falaria mais nada. Cho e Harry observavam tudo, preocupados, e o moreno não podia acreditar que o ruivo realmente faria aquilo.
–E eu não acho justo com você ficar presa a mim. –Completou com um suspiro. A expressão dela se tornou assustada e ela demorou um pouco para entender.
–Você está terminando comigo? –Constatou indignada e perplexa. Não era possível. Simplesmente não.
–É só até eu voltar. Vai que você gosta de outro cara e não fique com ele por minha causa? –Ele planejava usar aquele tempo afastado de tudo para pensar no que faria, e então, quando voltasse, decidiria se o que tinha com Lilá era verdadeiro, ou se o sentimento dele por Hermione dominaria tudo de vez. Mas pelo menos, estaria livre, e não preso a alguém.
–Você esta falando de uma forma tão... Sei lá, como se não se importasse. Você não se importaria que eu simplesmente passasse a gostar de outro garoto? –Perguntou manhosa.
–Claro que... –Ele tentou. Não queria magoá-la, mas ele realmente não se importaria.
–Você não me ama Uon-Uon? –Pressionou.
–É claro que eu amo. –Confirmou, mas estava estampado em seu rosto que o que dizia era mentira, a garota apenas não queria enxergar. Não iria perder para Hermione Granger.
–Não parecia no dia que você tentou me impedir de brigar com aquelazinha. –reclamou, o fazendo suspirar pelo rumo da conversa ter parado em Hermione. Todas as conversas eram assim ultimamente.
–Porque você ia ofendê-la. –Justificou-se.
–Minha intenção era ofendê-la.
–E você como sempre conseguiu. Só não espere que eu te apóie. –Retrucou, a deixando ainda mais chateada.
–Você me apoiou no ano passado. –Comentou com a voz afetada.
–Porque eu era um idiota. Ela sempre foi minha amiga e eu não deveria ter feito aquilo. –Era a primeira vez que ele dizia estar arrependido do que fez para a namorada.
–Você ainda é um idiota Ronald. Como você pode falar essas coisas para mim? Você não vê que ela me odeia e está sempre tentando me causar mal? Sempre tentando me roubar você? –Lilá parecia que ia explodir de tão vermelha, e sua voz ficava cada vez mais chorosa.
–Você a odiou primeiro Lavander e você sabe disso. Ela só se defende.
–Pare de falar! Você tem que me dar razão, eu sou sua namorada. Namorada! –Quando gritou isso, ela já esta de pé, inclinada para Rony.
Finalmente, depois de muitos meses, o ruivo se cansou das reações da então namorada. Sempre grudenta, possessiva, irritante... As coisas que ela tinha de bom já não importavam mais para ele, eram insignificantes perto de tudo de ruim que ela representava. Não sabia como havia sido tão cego antes, pois ele podia enxergar com clareza o que estava na frente dele. Não era algo bom, admirável.
–Não mais Lilá. –Todos ficaram surpresos com o que saiu da boca dele. Ele suspirou, não evitando o sorriso que quis aparecer nos seus lábios.
–Ronald, eu não e-estou te entendendo. –Ela gaguejava de nervosismo. O garoto revirou os olhos.
–Não mesmo? Ou simplesmente não quer entender? –Perguntou cansado.
–Vou fingir que eu não escutei isso Ronald. Você é meu! –Gritou antes de se virar e sair, aparentemente chorando.
–Você é algum tipo de idiota Weasley? –Cho perguntou irritada, se levantando.
–Não se mete no namoro dos outros Cho. –Harry pediu rude e ela o olhou sentida, pedindo-o para que a apoiasse.
–Ela é minha amiga. –Comentou, tentando persuadi-lo com o olhar.
–E ele é meu amigo. –Contrapôs e ela o olhou irritada, mas o ignorou, voltando o olhar irritado para o ruivo.
–Você deveria seguir o exemplo de Harry, nada vai nos separar. Principalmente a sua irmã. Cheguei à conclusão que os Weasley tem sangue podre. –Disse maldosa, e Rony, que já estava com os nervos prejudicados, sorriu maldoso.
–Olha que fala Chang. –O moreno segurou o riso e a oriental rosnou chateada, olhando novamente para o namorado.
–Você vai deixar ele me tratar assim Harry? -Ela queria que ele tomasse seu partido, mas ele não iria o fazer. Estragara amizades demais por ela, não queria estragar mais uma.
–Não vou me meter nisso. E Cho, nós temos que conversar. –O que ele ia falar já assombrava a mente da garota há tempos, e não, ela não queria ter essa conversa.
–Eu não quero escutar Harry. –Ordenou, evitando olha-lo.
–Cho, eu estou indo embora...
–Não ouse continuar a falar, Potter, não quero nem saber aonde isso ia dar. Você vai continuar sendo meu. –Proferiu com raiva. Antes que Harry pudesse falar mais alguma coisa, ela se virou e seguiu os mesmos caminhos da amiga.
–Você ia realmente terminar com ela? –Ronald perguntou após algum tempo de silêncio, rindo levemente.
–Eu... E-eu não sei. Por um momento eu realmente ia. –Admitiu, tentando entender o olhar divertido do ruivo.
–Bem, faça o que quiser. –Rony deu de ombros, como se não se importasse, mas dava para ver que ele estava achando graça de algo. -Há muito tempo eu não me sinto livre assim. –Comentou, desviando do assunto, mas Harry ainda podia ver o sorriso sacana no rosto do ruivo. Será que ele percebeu algo que o moreno não?
–Eu imagino.
–Tinha me esquecido como isso era bom. –Riu novamente como se estivesse aliviado. Por mais que nunca fosse admitir, Harry estava com inveja dele.
–Ela te sufocava. –Adicionou, rindo junto a ele. Ronald irradiava felicidade.
O moreno não percebeu, mas nos seguintes momentos que passaram calados, apenas respirando, o ruivo voltou a ter o sorrisinho irritante nos lábios. Ele sabia o porque de Harry ter quase terminado com Cho, ainda que o próprio moreno não soubesse.
–Saiba que eu vou te apoiar em qualquer decisão, menos uma. Fique longe da minha irmã. –Voltou a falar, sério desta vez, e Harry o olhou assustado.
–Posso pedir para que você fique longe da Hermione então? –Revidou irônico.
–Tenho certeza que ela vai se manter longe de mim. De qualquer forma, não vou vê-la por um bom tempo. –Disse pesaroso. –Mas se ela quisesse realmente me roubar, eu teria deixado Lilá na primeira tentativa.
–Não, você não teria. Você teria se divertido com ela. –Disse cético.
–Talvez meses atrás, mas agora não.
–O que mudou? –Harry perguntou curioso.
–Talvez eu tenha mudado. Ou talvez eu pense que ela é muito mais do que qualquer um de nós conhece. –Deu de ombros querendo encerrar a conversa, mas Harry ainda não tinha entendido.
–Como assim? –Insistiu.
–Nós conhecemos a parte amiga, a parte estudiosa e a agressiva, coisa que eu achava que ela não era. Mas e a parte mulher? Nós não conhecemos. –Explicou melhor.
–Você acha que ela tem essa parte?
–Acho. Toda mulher tem, não é? Todas as quatro têm, até a minha irmã, mesmo que eu não goste disso.-Riu levemente, se levantando e ajeitando a blusa. –Vou indo, até mais tarde.
O ruivo saiu do salão comunal de sua casa, seguindo pelos corredores, imerso em pensamentos. Quando percebeu, já estava longe do corredor que deveria estar para sua próxima aula. Suspirou irritado, se preparando para seguir seu caminho, mas parou quando fragmentos de uma conversa chegaram ao seu ouvido. E não, ele não podia acreditar...
–Eu simplesmente não acredito que você pediu. –A voz de Hermione chegou aos seus ouvidos vinde de um corredor príoximo. Ela parecia se divertir com algo.
–Tenho engolido muito meu orgulho ultimamente. –Para a surpresa de Rony, ele conhecia bem essa voz. Draco Malfoy.
–Eu ainda não acredito.
Suaves risadas da parte dela e aparentemente um rosnado da dele.
–Hermione... –Advertiu com a voz agressiva, mas usou seu primeiro nome.
–Só repete Draco. –Pediu. Rony sentiu vontade de olhar para eles, mas não arriscaria ser descoberto.
–Não. Já foi difícil da primeira vez, não vou falar de novo. –O loiro reclamou.
–Ah, mas você ficou tão bonitinho falando. –Isso fez o ruivo franzir o cenho. Eles estava mesmo ouvindo uma conversa entre Hermione e Draco? Porque não parecia.
–Granger... –A voz de Malfoy era carregada de ameaças.
–Por favor Draco. –Pediu mais uma vez.
Draco falou baixo demais para que Rony pudesse escutar, mas o ruivo achou que eles tinham encerrado a conversa. Virou-se mais uma vez para ir embora, mas a leve gargalhada da morena o fez ficar.
–Achava que você não gostava do meu gosto. –Brincou e desta vez o loiro riu. Era a primeira vez que Rony o ouvia rindo.
–Caramelo é bom.
Ronald não entendeu as duas ultimas frases. Talvez por realmente ser, como todos o chamavam, lerdo. Ou talvez ele mesmo não quisesse entender. E por alguma razão ele sabia que não deveria olhar. E ele não olhou.
Se virou lentamente, quase entorpecido, e saiu dali. Preferia viver na ignorância. Preferia achar que tudo continuava como antigamente. Preferia achar que Hermione estava brigando com Draco, ao invés de imaginar outras possibilidades.
Mas, se ele desistisse e voltasse para olhá-los, poderia ver muito bem que eles não estavam brigando.
Eles se beijavam.
Notas finais
É, podem comemorar.
ATENÇÃO:
Essa história foi vitima de plágio novamente. A tal Cristina, que tem a fanfic com o mesmo nome da minha, não tem minha autorização para nada.
Gostaram? Amaram? Odiaram?
Beijos
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