As Garotas De Hogwarts
50 Capítulo comemorativo - É doce
Notas iniciais
–Cormac? –A voz da ruiva ecoou até chegar aos ouvidos do belo rapaz.
Gina esperou que ele se virasse, mas isso não aconteceu. Ele continuou ali, parado. As bonitas e largas costas viradas para a até então namorada.
Com o rosto apoiado nas mãos, ele respirou fundo, com o olhar perdido na paisagem e a mente perdida nela. A garota que tirava seu sono que por acaso estava atrás dele.
Gina suspirou, dando um pequeno passo na direção dele, parando u pouco para admira-lo mais uma, e talvez última, vez.
Continuou seu caminho até estar sentada ao lado do garoto, com os olhos fixos em seu belo rosto. Ela podia perceber que ele tinha a mente e coração em conflito, e ela sabia que era a causadora de seu olhar perdido.
Passaram segundos, talvez minutos, calados. Ela não sabia o que dizer, ele não queria dizer nada. Ambos apenas olhavam distintos pontos no plano a frente, tentando fazer um arvore e uma parede algo interessante e merecedor de admiração. Sabiam que, se perdessem o interesse pelas coisas desinteressantes à frente, seus olhos se encontrariam e então tudo estaria perdido, e eles estariam mais uma vez de volta a sua própria bolha.
–Você está apaixonada por ele.
O corpo da ruiva chegou levemente para trás com o pequeno pulo que essas palavras a fizeram dar. Ela estava assustada, sim. Não só pela forma repentina que essas palavras foram ditas, mas também pelas próprias palavras. Aquilo fora uma afirmação e não uma pergunta. Ele tinha certeza do que sai8u da sua boca, uma certeza que doía nele e nela ao mesmo tempo e de diferentes formas.
–Eu te amo. –Sussurrou.
Suas palavras não apresentaram firmeza para ele, talvez por conta do tempo que elas demoraram a sair da boca da ruiva. Mais uma vez respirou fundo, e, então, riu baixinho. Sentia-se minimamente enganado.
–Você não está apaixonada por mim. – Ele não se atreveu a olha-la.
Ela, infelizmente, entendeu o que ele quis dizer. Ela sabia que aquilo era verdade. Ela o amava, mas não era apaixonada por ele. Estar com ele não trazia sensações estranhas, mas sim algo familiar, gostoso de sentir. Talvez Gina preferisse esta outra forma de amor. Ela não queria se sentir insegura como se sentia perto de Harry.
–Eu posso ficar.
Não havia porque negar. Eles dois sabiam que ela não era apaixonada por ele.
–Não, você não pode. –Disse amargo.
Cormac podia ver pela sua visão periférica que Gina estava chorando ou prestes a chorar, e sabia que se olhasse para ela terminaria se rendendo.
–Cormac... –Ela parou quando ele virou a cabeça para o lado oposto ao dela, como se evitasse olha-la.
–Eu vi o jeito que olha para ele, Gina. Você não me olha desse jeito. –Reclamou, magoado. Gina nunca o tinha visto daquele jeito. –Nem nunca vai olhar, a menos... –Parou.
–A menos? –Ela o incentivou a continuar.
–A menos que você veja que seu lugar não é com ele, e sim comigo.
Gina não soube dizer exatamente o porquê de ter ficado irritada com as palavras dele. Talvez fosse porque ele disse que ela teria um lugar. O lugar dela era qualquer lugar que ela quisesse estar. Mas talvez fosse porque ele estava certo. O que faria ao lado de Harry Potter? Se vingar? Provar que tudo que ele pensa dela é errado? Mostrar que a única criança ali é ele? Mostrar que ela pode deixá-lo mais satisfeito que Cho?
Mas, depois de tudo, seu objetivo era deixá-lo satisfeito? Iria se vingar o deixando feliz? Iria mostrar para ele tudo que aprendeu para agradar a ele, então viveria com ele por toda uma vida, mostrando a ele todos os dias o erro que havia cometido ao dizer que ela não era nada? Como ela pode achar que ele se arrependeria? Ele, afinal de tudo, estaria irradiando felicidade, e ela, como toda mulher que se acha esperta, iria achar que está no topo, quando, na verdade, ele só a humilharia outra vez. Mas desta vez, de uma maneira pior. Desfrutando de tudo que ele a fez virar, fingindo-se de arrependido, enquanto, na verdade, agradeceria aos céus por ter feito tudo que fez.
Isso ela não iria engolir.
Nunca. Não mesmo. Nunca mais.
Com uma raiva profunda, ela agarrou Cormac pela gola do suéter, o fazendo virar para ela, assustado com a situação como um todo. Assustado com sua reação, com seu olhar brilhante e frio, com seu aperto que aos poucos ia furando e marcando a pele dele, e, acima de tudo, com sua temperatura cada vez mais alta.
Era a primeira vez que Cormac presenciava aquilo que abrangia todas as quatro garotas de Hogwarts. Aquela maldição adquirida... Ou talvez uma benção? Ele não poderia definir sem antes experimentar.
Sim, ele estava achando aquilo terrivelmente e alarmantemente sensual.
–Meu lugar é aonde eu quero. Para sua momentânea sorte, eu quero você.
Não houve tempo suficiente para ele se arrepiar com a voz penetrante dela, pois as unhas dela entraram ainda mais em seu ombro, o puxando para mais perto. Antes que ele soltasse um gemido de dor, outro tomou sua garganta. Um de satisfação por ter os lábios de Gina mais uma vez contra os seus.
Ele a reconhecia, mas não a reconhecia. Ela era uma contradição para ele naquele momento. Cormac sabia que aquele era o gosto dela, mesmo nunca tendo o sentido tão diferente. Aquele era o toque dela, mesmo mais agressivo do que normalmente é. Ele não iria reclamar se ela quisesse arranhá-lo todo. Ele era dela.
Ele não conhecia, não entendia e não se importava com o calor que o envolveu. Cormac sabia que vinha dela, e sabia que aquela era a melhor sensação do mundo.
Quando se soltaram, ela recuou satisfeita com o efeito que causou, admirando o estado deplorável que ele se encontrava. Ela havia rasgado o tecido que cobria o ombro forte do rapaz, e o entorno do rasgo estava colorido com um tom de vermelho escuro que vinha dos aranhões que levara. Gina não conseguiu se arrepender de ter feito aquilo.
Gina abaixou olhar para se examinar. Ele não perdia tempo mesmo. Com um sorriso de canto, pôs-se a abotoar os botões de sua blusa para que a mesma escondesse o que não deveria ser mostrado.
–Isso foi golpe baixo. –Resmungou, balançando a cabeça como quem quer esclarecer as idéias. Gina riu, indo para cima dele e deixando vários beijos pelo ombro arranhado, pescoço e por fim na orelha, onde parou.
–Meu golpe pode ser mais embaixo se você quiser. –Disse com a voz arrastada, o fazendo se arrepiar, se afastar e se engasgar, tudo ao mesmo tempo. Gina o olhava com divertimento.
–Isso foi uma provocação ou uma ameaça?
–Interprete como quiser. –Piscou.
O rapaz riu e ela o acompanhou.
–Afinal, o que veio me dizer?
Cormac sabia que não tinha sido coisa de sua cabeça quando sentiu o ar em sua volta subitamente esfriar quando a face de Gina se tornou sombria.
–Eu... –Parou para suspirar. –Eu vim me despedir.
Não havia mais sinal do calor de minutos antes, nem de paixão e do desejo desenfreado que se faziam presentes no rosto de Cormac antes. Agora só havia confusão e um fundo de tristeza.
–Se... Despedir? – Repetiu incrédulo.
–Eu vou sair de Hogwarts. –Gina foi direta, e ele... Bem, ele entendeu. Entendeu cada palavra e seu significado óbvio.
–Tem alguma chance de você ficar? –A ruiva pode ver que ele não nutria esperanças.
–Não. – Ela repetia em sua cabeça que não podia chorar, mas as lágrimas já caiam pelo seu rosto.
–Vai terminar comigo? –Não hesitou em perguntar, olhando para ela profundamente.
–Eu... Eu não sei.
–Quando você voltar... –Começou a dizer, mas foi interrompido.
–Se eu voltar... –Concertou, recebendo um olhar bravo.
–Você vai voltar. –Afirmou irritadiço, com o olhar duro. –Eu prometo que, demore o tempo que for, se você me quiser por um dia ou por uma vida, eu ainda estarei aqui.
–Estamos combinados então. -Sorriu para ele.
–Aí, então, você não me escapa. –Acrescentou, se levantando e a ajudando a imitá-lo, a puxando pela cintura para colar os dois corpos num beijo rápido e caloroso.
–Não Cormac. Se eu voltar, você não me escapa. –Sorriu de forma sapeca, deslizando as mãos pelo peitoral largo dele.
–Esperarei com ansiedade. –Respondeu de forma similar, a puxando para outro beijo. Desta vez, a ruiva foi erguida no ar, e soltava risadas durante o beijo, se sentindo um pouco mais leve. Não seria difícil se apaixonar por ele.
–E essa espera será recompensada. –Piscou para ele. Cormac fez uma careta, a colocando no chão e se afastando, já indo em direção ao caminho que ia seguir. –Aonde você vai? –Perguntou curiosa.
–Tomar um banho gelado. –Se virou para ela, piscando, e depois voltou a andar. Isso fez a ruiva gargalhar.
–Eu te amo. –Gritou antes que ele desaparecesse.
–Eu também te amo. –Gritou de volta. Então Gina deixou as lágrimas rolarem soltas por suas bochechas. Mais um foi embora. Era a vez de tentar com o terceiro. Afinal, apenas uma pequena amostra não faria mal a ela, não é? Faria mal só a ele. Só a ele. Ele. Harry Potter.
Luna estava escondida. Sim, escondida.
Ela estava atrás de uma árvore de tronco largo de um marrom escuro. Ela não apenas achava que estava escondida, não era mais uma vez sua peculiar mente pregando peças nela mesma. Ela estava muito bem escondida, por sinal. Apenas às vezes, por conta do vento, seu longo cabelo loiro voava para trás, fazendo-se aparecer.
Não estava escondida de Narguilés, nem de Zonzóbulos, muito menos de Chizpurfles. Estava escondida de alguém. Esse alguém era um alguém real, para ressaltar.
Sua mente voava, porém ela se esforçava para trazê-la ao momento. Não queria estar dispersa. Ela podia ver as cenas dela, horas antes, com a capa da invisibilidade de alguém que ela não se lembrava. As cenas, distorcidas e cheias de imagens adicionais como flores e cores que jamais alguém viu ou irá ver, mostravam ela colocando um bilhete em meio aos livros de certo rapaz. Ele não percebeu sua presença. Mas o esquilo percebeu, e saiu fugindo por dentro das estantes até desaparecer com um “Puf!”. Ela sentiu vontade de acenar para o esquilo, mas se segurou.
Segurou-se porque alguém vinha na direção dela. Bem, não na dela, na das árvores em volta dela. O garoto para quem ela deu o bilhete mais cedo. Ela não tinha colocado o nome do bilhete, queria fazer uma surpresa.
–Olá? –Ele falou, examinado o bilhete desconfiado. Não costumava a seguir coisas daquele tipo, mas algo lhe dizia que ele deveria ir. E ele foi. Agora, estava ali, de pé na frente da Floresta Proibida.
–Olá Blaise. –Luna saiu de trás da árvore, sorrindo para o lindo garoto moreno que tomou um susto, pulando para trás.
Mesmo com o susto, ele não poderia estar mais... Satisfeito? Sim, ele estava satisfeito. Estava sozinho com Luna, a garota louca por quem ele enlouquecera meses antes.
Oh, ele estava muito satisfeito.
Sentia-se como um lobo prestes a atacar uma pobre presa.
O problema que, naquele caso, talvez Luna tivesse o papel do lobo. Um papel inesperado para alguém como ela, alguém que a falta de lucidez impede de ser nada a mais que inocente. Bem, quem pensa assim está errado. E Blaise pensava assim, mas mal ele sabia o que ela já havia feito.
–Porque me trouxe aqui, Luna? –Perguntou com a voz cheia de divertimento e desejo. Afinal, ele não mudou tanto assim. Ainda era um sonserino que era movido a sexo.
–Quem te trouxe aqui foi você. –Brincou. Para o espanto de Blaise, foi realmente uma brincadeira e não uma resposta séria. Ele riu, abaixando os olhos para o chão.
–Porque você me chamou? –Esclareceu a pergunta, olhando para ela com a cabeça ainda abaixada. A loira sorriu, ele ficava bonitinho quando tentava ficar charmoso.
–Porque eu te chamei? –Repetiu a pergunta, se aproximando dele. A cada passo o ar ficava mais quente. Blaise reconhecia aquele calor, sentira quando Astoria amanheceu praticamente descontrolada. Ele só não esperava que Luna também tivesse aquilo dentro dela. O da loira era mais agradável, o chamava, o fazia querer se aproximar. E ele o fez.
Logo, os braços de Luna estavam envolvendo o pescoço de Blaise, e as mãos do moreno rodeavam a cintura da louca mais gostosa de Hogwarts. Sua louca, loira e gostosa.
–Essa foi minha pergunta. –Sussurrou.
–Eu te chamei para te recompensar pela sua coragem naquele dia. Eu te chamei para isso. –Ela, sem pressa alguma, se aproximou do rosto do moreno. Ele a ajudou levantando-a do chão, para a loira ficar da mesma altura que ele. Então os lábios se tocaram num simples e macio toque. Logo os dois quiseram mais.
E mais.
Aquele, certamente, fora um perfeito beijo para inicio de relacionamento. Calmo, macio, quase desenhado. As mãos experimentavam aquelas novas texturas, as bocas sopravam para o outro palavras subliminares de amor. A loira e o moreno. A corvinal e o sonserino. O arrogante e a louca. Agora, dois loucos. Um pelo outro. Os dois ainda tinham que conhecer muitos aspectos que nem ao menos imaginavam que o outro tinha, mas aquilo ficaria para outros dias. Agora eles só estavam preocupados em se tornar o casal mais doce que Hogwarts já viu.
E o mais incomum também...
Ou não, afinal, havia também Draco e Hermione, os opostos.
Nada de especial ocorreu durante aquele final de tarde que sucedeu a tão importante partida de Quadribol que ocorreu entre a mesma casa. Não fora importante porque foi bom, o porque alguém fez algo incrível, mas foi importante para as pessoas que participaram. Ali, no campo, foram decidias muitas coisas importantes.
E uma briga fora marcada.
Quando a noite chegou, a hora do jantar chegou. Desta forma, aquela hora também chegou.
Cho e Lilá chegaram primeiro. Ficaram paradas no jardim, olhando para o castelo, esperando. A cada minuto, elas abriam um sorriso maior. Estavam satisfeitas em ver que elas causavam tanto medo que as outras duas não apareceriam.
Era exatamente que isso que Hermione e Gina queriam. Queriam elas com o ego bem grande, para poderem destruir cada pedaço delas. Fisicamente e mentalmente. Afinal, elas não tinham o que perder. Elas tinham que ser expulsas para poderem sair de Hogwarts.
–Achei que vocês não iriam aparecer. –Cho comentou quando percebeu a presença delas do lado oposto do qual olhava, notando que elas vinham da direção da floresta. Também examinou as roupas da morena e da ruiva, roupas comuns. Trouxas. Lindas. Isso a deixou com raiva.
–Quem tem algo a temer não é a gente. –Hermione comentou, sorrindo presunçosa.
–Respostas ensaiadas? Que bonitinho. — Lilá gargalhou, finalmente se pronunciando. Hermione sorriu largamente para a garota, ignorando o que ela disse. Gina revirou os olhos.
–Vamos começar logo com isso. Podem começar se quiserem. –Cho falou, claramente sem paciência.
–Que tal começarmos por vocês pedindo desculpas. –Hermione ofereceu.
–Isso não vai acontecer, Mione. –Lilá disse debochada.
–Ah, porque não? Vocês já estão no chão, não custa nada se ajoelharem para pedir. –Gina completou o que a amiga disse antes, rindo para as duas rivais. Cho revirou os olhos e lilá franziu a testa. Hermione respirou fundo.
–Isso foi uma metáfora para dizer que vocês já perderam, para o caso de vocês não entenderem. –Explicou tediosa. Lilá abriu a boca, indignada, parecendo irritada.
–Sua... –Começou, mas a oriental pôs a mão em seu ombro direito, acalmando-a.
–Calma, vamos começar sendo civilizadas. Elas merecem a calmaria antes da tempestade que vão enfrentar. –Disse maldosa.
–E vocês seriam essa tempestade? –A ruiva falou achando graça.
–Quem mais?
–Acho que alguém aqui tem memória fraca. Talvez uma recapitulação sirva para mostrar à vocês que a tempestade sempre foi e sempre será a gente. –Lilá completou a frase da amiga, já recuperada do que Hermione falou antes.
–Eu concordo com a parte da recapitulação. Assim vocês irão ver como estão enganadas. –Hermione disse seriamente.
–Sentem. –A ruiva ordenou.
–Não, obrigada pela gentileza mesmo assim. –A loira disse irônica.
–Ah, eu não estava oferecendo, eu estava mandando. –Gina sorriu, sorrindo. Cho e Lilá estranharam, pois o sorriso não era direcionado a elas, e sim a algo atrás delas. E, então, as duas estavam no chão.
–Que merda é... –Cho falou tentando reagir, mas sentiu a varinha direcionada para seu pescoço. Com os olhos repletos de ódio, soltou a própria varinha no chão e a viu sendo puxada por uma mão branca.
–Mas o que... –Lilá demorou um pouco mais para reagir, pois o golpe utilizado nela para se sentar foi mais forte. Logo, sua varinha também estava na mão do indivíduo encapuzado.
–Achei que seria duas contra duas. –Lilá murmurou.
–Eu não jogo com as regras. Alias você está em vantagem. Quando foi comigo, todos os alunos de nossa casa estavam contra mim. –A morena falou, sorrindo debochada.
–Que bom que não esqueceu que não deve se meter comigo. –Ameaçou com o maxilar contraído.
–Eu não falaria isso se fosse você. –Gina orientou. –Você não está em posição de se gabar.
–O tempo pode fechar para vocês. –Hermione completou, piscando para as duas. Afinal, a tempestade sempre fora e sempre seria elas.
Como se fosse para enfatizar, um forte raio estourou no céu. As duas garotas sentadas olharam para a infinidade negra, riscada como uma cicatriz por uma linha arroxeada, e tremeram. Elas estavam assustadas. Gina, Hermione e Luna também, mas tentavam não demonstrar.
Talvez elas fossem a tempestade. Não metaforicamente, mas sim de verdade. Talvez elas estivessem mais mudadas do que pareciam.
–Vai se foder Hermione. –Lilá gritou, tentando parecer corajosa.
–Que merda é essa? O que vocês são? –Cho perguntou, não ligando em demonstrar o que estava sentindo.
–Esquisitas! –Lilá gritou, parecendo mais desesperada que corajosa.
–Pergunta errada. –A ruiva falou, trocando um sorriso sádico com Hermione. A morena entendeu a deixa.
–No que vocês nos tornaram? –A morena completou, olhando para Lilá.
–Não jogue a culpa para a gente.
–Culpa? Eu disse culpa Gina? –Perguntou para a amiga ruiva.
–Não. –Respondeu.
–Não é culpa, está mais para um mérito do que para qualquer outra coisa.
–E isso nos leva de volta ao assunto. –Gina ressaltou.
–Estão relaxadas e à vontade? Porque isso vai demorar. –Hermione perguntou irônica para as duas garotas abaixadas.
–Eu estou adorando. –O indivíduo encapuzado respondeu com animação.
–Luna. –A ruiva e a morena falaram juntas, como se a mandassem calar a boca.
–Oi!
–Ela não deveria estar fora de Hogwarts? –Cho indagou.
–Você não deveria estar no inferno? É a vida. –Gina contrapôs, recebendo mais um olhar de ódio.
–Isso não é certo.
–Fiquem calmas. Ela vai embora logo. –Gina disse tediosa.
–Aliás, você já pode ir. Obrigada. Daqui a gente cuida sozinha. –Luna sorriu por baixo do capuz, se virando e correndo pelo jardim, não sem antes entregar as varinhas para as amigas.
Hermione se aproximou de Lilá, olhando-a de forma dura. Em suas mãos estava a varinha da garota abaixada, e ela apontava para a mesma. Tentava ao máximo se segurar para não acabar com a vida da garota.
–Você tem medo de mim. Sempre teve. –Lilá provocou.
–Sua coragem é a imagem da sua burrice. –A morena comentou, fazendo a loira bufar de ódio.
–Você só está fingindo ser algo que não é. –Disse fazendo menção de se levantar. Hermione contraiu o maxilar.
–Ah é? Esse algo que eu não sou ainda pode quebrar sua cara.
Em segundos, os cabelos cacheados da garota estavam espalhados pelo chão, enquanto ela passava a mão na bochecha, tentando espantar a dor do tapa certeiro que a morena depositou em seu rosto.
–Hermione. –Gina a advertiu com a voz reprovadora. Hermione respirou fundo.
–Eu sei, desculpa. Não quero arrebentar você de primeira. –Como se nada tivesse acontecido, Hermione ajudou Lilá a se levantar até a mesma estar de pé.
–Começa logo com isso, sabe-tudo. –Disse ainda passando a mão no rosto. Antes que pudesse raciocinar, estava caída no chão novamente, desta vez sentada, com o outro lado do rosto ardendo. Ela levantou o olhar, que encontrou o de Hermione, cheio de puro ódio.
–Hermione. –A ruiva advertiu novamente, porém desta vez rindo
–Não foi isso que eu quis dizer. –Lilá reclamou, se levantando sozinha, acompanhada de Cho, que só observava.
–Eu sei. –Disse satisfeita.
–Seu tapa não deixa nem marca, Mione. –Cho provocou, mal percebendo o olhar assuntado que recebeu de Lilá.
–Quer experimentar? –Ofereceu.
–Quero, tenho mesmo que te fazer pagar por ter feito aquilo com o meu Harry. –Disse, andando em direção de Hermione. Antes que pudesse alcançá-la, Gina a agarrou.
–Ah, eu tinha me esquecido disso. –Falou para a oriental, levando a mão em direção ao rosto dela. Foi tão forte que a mesma se curvou com as mãos pressionando a bochecha. –Não sei se o da Hermione dói ou não, mas sei o que eu meu faz. Afinal, você também sabe. Não é a primeira vez que leva um tapa meu.
–Eu te odeio! –Gritou o mais alto que pode, deixando as indesejadas lágrimas refrescarem o ardor do rosto marcado.
–A recíproca é verdadeira. E, só pra constar, é meu Harry. –Sorriu vitoriosa.
–Achei que já tinha o Cormac.
–É meu Harry, meu Cormac, meu Dino, meu David. Se Cedrico estivesse aqui, ele seria meu também. Meu. Meu. Meu. Meu. Meu! –Cantarolou, rosnando algumas vezes.
–Como se você aguentasse todos eles.
–Aguento todos eles ao mesmo tempo e ainda os deixo mais satisfeitos do que você dando sua atenção inteiramente a um deles. Acho que isso significa muita coisa. –Contrapôs.
–Você está se chamando de vadia. –Ressaltou.
–Talvez eu esteja. Talvez eu seja. Mas serei a vadia do teu homem.
Gina sabia que, ao falar isso, Cho iria partir para cima dela. Esperava ansiosamente por isso. E quando a mesma o fez, ela se virou a tempo de jogar a oriental no chão, se ajoelhando por cima dela. Esperou tanto tempo por aquilo. Tanto tempo.
–É agora que você mostra as garras, não é pirralha? –A morena provocou, fazendo Gina enfiar as unhas bem pintadas na pele do braço da oriental. Gina estava fervendo, literalmente, de raiva.
–Mostrei minhas garras antes, só não mostrei meus planos. Você, pelo contrário, fingiu ser uma puritana, uma garota boazinha. Mas Harry não está mais cego por você piranha. Ele sabe quem é você agora. Todo mundo sabe.
–E ele sabe quem você é?
A ruiva sorriu, jogando seu peso sobre a garota, se praticamente sentando sobre ela. Com uma mão empurrou o rosto dela contra a areia e se debruçou, se aproximando do ouvido exposto da garota.
–Ele nem imagina. Ninguém em Hogwarts imagina. –Sussurrou, enfiando as unhas na bochecha da morena. Com muito esforço, a oriental conseguiu acertar Gina bem nos lábios, abrindo mais uma vez o machucado já presente ali, a fazendo sangrar.
Gina rosnou de raiva, mostrando os dentes sujos de sangue. Aquilo a deixou aterrorizante. Antes que a ruiva fizesse uma besteira, Hermione a puxou para cima.
–Separando aí. Teremos tempo para deixar o sangue escorrer depois. –Disse, observando Lilá ajudando uma Cho toda arranhada a levantar.
–Eu sei. – A ruiva passou um dos dedos nos dentes e o observou ser manchado de vermelho. –Eu sempre sangro aqui. Culpa sua. –Sorriu para a amiga, passando a língua dos dentes ensanguentados. Hermione apenas sorriu, se virando para as outras.
–Acho que vocês se lembram daquele dia, não? –Indagou tristemente, parecendo magoada.
–Não poderíamos esquecer. –As duas falaram juntas.
–Porque? Porque no humilhar? Minha imagem já fazia isso para mim. –Hermione parecia genuinamente triste.
–Era divertido. –Lilá comentou.
–Ver seus amigos se voltando contra vocês foi a melhor coisa que já vi na vida. –Cho completou, tentando parar o sangue que escorria pelos braços.
–Porque tanto ódio? Nós nunca fizemos nada contra vocês. –Gina entrou no jogo. Fingia estar minimamente magoada, quando na verdade ria por dentro. Não sabia como as duas estavam caindo.
–Vocês quiseram ser nossas rivais. Apaixonaram-se por nossos homens. Vocês nunca os conseguiriam, mas foi engraçado os ver dizendo e vocês escutando.
–Eu repito. A melhor coisa que eu já vi na vida. E ainda causa lágrimas em vocês. –Riu, apontando para os olhos delas.
Gina e Hermione trocaram um olhar antes de cair na gargalhada.
–Nós atuamos tão bem assim? –Gina perguntou para Hermione, ainda rindo.
–Vocês não notaram que vocês são um pouquinho sádicas? –A morena falou, olhando profundamente para Lilá antes de olhar para Cho.
–E vocês são o que? –Cho disse, estreitando os olhos.
–Nós? –Perguntou, parecendo pensar. -Nós somos o que, afinal? –A pergunta desta vez foi para Gina.
–Acho que malvadas é a palavra. –Sorriu maldosa. Sabia que a amiga morena concordava.
–Acha que o Harry vai querer algo com alguém como você?
–Se ele ficou com você eu não duvido mais de nada. Mas sim, eu acho que ele vai me querer. Eu sou má quando preciso. E, de qualquer forma, não faria maldade gratuita com pessoas que nunca fariam nada comigo. –Suas palavras funcionaram como uma acusação.
–Nós não fizemos maldade gratuita. –Lilá negou.
–Vocês procuraram e encontraram. –Cho completou.
–Acho que essa frase se aplica melhor a vocês. –Hermione comentou.
–Sabe o que eu acho? Que vocês tinham medo da gente. Tinham medo que, com o nosso jeito verdadeiro em oposição ao jeito armado de vocês, eles se apaixonassem por nós. Vocês só abriram um caminho para nós nos tornarmos ainda melhores, e ainda somos nós mesmas. –A ruiva falava lentamente, alternando o olhar entre as duas inimigas.
–E se fosse medo, o que adianta a gente admitir agora? Vocês conseguiram o que queriam. –Lilá falou, recebendo um olhar raivoso de Cho. Por mais que a oriental soubesse a verdade nessas palavras, não queria admitir que tinha perdido Harry.
–Não, vocês conseguiram o que buscaram. Vocês conseguiram a infelicidade que estava destinada para vocês. –Hermione concertou, abrindo mais uma vez seu sorriso vitorioso. O sorriso que quis tanto dar. Todas as brigas que tiveram antes, durante todos aqueles meses, nenhum se comparava a essa. Como era maravilhoso o gosto da vingança.
–E eu desejo que vocês passem muitos anos tristes ainda. –Gina acrescentou, compartilhando o gosto da vingança.
–Porque, ao contrario da gente, vocês não tem como melhorar. Vocês são o que são. –A morena continuou, mantendo o firme olhar sobre as duas derrotadas.
–Espero que vocês continuem encontrando Ronalds e Harrys na vida de vocês. Vocês não merecem outros tipos.
–Pelo menos nós não pegamos namorados uma das outras. –Cho falou, levantando uma das sobrancelhas.
–Isso foi uma indireta? –Hermione perguntou.
–Alvo atingido.
–Vocês andam me espionando? Que bonitinho. –A morena disse com uma voz fofa.
–Todo mundo sabe que você ta correndo atrás do Malfoy como uma cadela no cio. –lilá falou, rindo.
–Alguém te contou errado. Acho que a situação está ao contrário. E, de qualquer forma, eu não estou fazendo escondido da Astoria.
–Pobre Greengrass, é uma corna conformada. –Cho disse para Lilá, fazendo um pequeno bico.
–Então eu também sou. A gente divide o Draco e o Krum. Dois homens que vocês não aguentariam. Muita masculinidade pra nenhuma mulher de verdade. –Piscou para elas.
–E vocês também são cornas, não esqueçam. –Gina ressaltou, chamando a atenção das duas.
–Até onde eu sei vocês nem sequer chegaram perto dos nossos homens quando nós estávamos por perto.
–O buraco é mais embaixo. Vocês também são cornas conformadas. –A ruiva gargalhou.
–Nós vamos arrebentar vocês. –Cho rosnou enquanto Lilá já andava em direção de Hermione.
–Estamos esperando isso há meses. -Hermione disse com a satisfação escorrendo pelos cantos da boca. Jogou a própria varinha no chão junto com a de sua inimiga. Estava na hora.
Foi com uma estranha satisfação que Hermione recebeu o primeiro golpe, que a acertou direto no estomago. Gina achou deliciosa a sensação de finalmente fazer aquilo que esperou por tanto tempo.
Ela ia ditando enquanto atingia Cho. O soco na barriga fora por ela ter lido a carta destinada a Harry. Ter batido a cabeça dela contra uma arvore fora por conta do olhar maldoso que recebera quando Harry pediu Cho em namoro. Vários tapas na cara a recompensaram de ter sido expulsa de sua equipe de quadribol. E o resto dos golpes... Bem, eles com certeza serviram para alguma coisa que Gina não estava lembrada, mas que sabia que Cho fez. No final, talvez Cho tenha apanhado demais.
O mesmo aconteceu com Lilá. Os puxões de cabelo foram por ter arruinado a vida de Hermione. Os arranhões por ter dito a Hermione que ela precisaria pagar para não morrer virgem. A cotoveladas foram por ter ela ter arruinado suas amizades.
Infelizmente, não era uma briga de um lado só. Cho e Lilá reagiam, muitas fezes de forma eficaz, também atingindo suas rivais. Se vingando também, de certa forma.
Não se sabe exatamente como todos ouviram falar da briga que ocorria do lado de fora durante o jantar. Talvez tenham dado falta da presença das garotas. Justamente aquelas quatro resolveram sumir ao mesmo tempo. Talvez a própria Luna tenha influenciado o movimento. Talvez tenham sido os gritos das garotas.
Logo, o jardim estava cheio de gente e todos presenciavam aquela não tão incomum briga, mas que nunca atingiu tais proporções. Por sorte, as pessoas chegaram no momento em que Hermione e Gina finalmente estavam acabando com as outras duas, numa posição dominadora, quase heróica, e, certamente, sensual. Draco não conseguiu desviar os olhos de uma selvagem Hermione. Na verdade, conseguiu, mas apenas quando as belas pernas de Gina ficaram numa posição sugestiva. Ele apenas confirmou o que já sabia. Elas eram lindas. Elas estavam mudadas. Ele e toda a ala masculina de Hogwarts também.
Snape foi o último a deixar o Salão Principal, deixando para trás um satisfeito Dumbledore. Quando ele chegou ao jardim, teve que se esforçar para não parar com a magnitude da visão que teve. Era, realmente, muito para qualquer homem de qualquer idade aguentar, incluindo Severus Snape. Principalmente, mais uma vez, a visão das pernas de Gina. Ele precisou fazer esforço para tirar sua mente do estranho dia que Ginevra Weasley...
Ele avançou sobre as meninas, as forçando a se separarar. Com um olhar reprovador, mandou Cho e Lilá seguirem a enfermeira. Antes que ele pudesse impedir, uma salva de palmas tomou conta de todos. Draco bateu palmas. Neville bateu palmas. Minerva bateu palmas.
–Nossa hora chegou. –Hermione murmurou para Gina. Sem conseguir evitar, uma lágrima escorreu pela sua bochecha. A ruiva assentiu, apertando a mão da amiga. Havia acabado. Finalmente, havia acabado.
–Espero que tenham aproveitado o show. –Disseram juntas antes de seguirem o professor Snape para dentro do colégio. As palmas continuaram por mais alguns minutos.
Aquele fora o ano delas. Elas fizeram o que combinaram. Elas mudaram todo um esquema. Elas mudaram um sistema. Mudaram o castelo todo. Mudaram, pois decidiram não mudar, mas sim, talvez, se adequar. Três das quatro garotas de Hogwarts, nome agora utilizado por todos para designá-las, haviam se vingado. Estão preparados para a última?
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