As Garotas De Hogwarts
35 A garota da capa preta
Notas iniciais
Gente, estive sem tempo para responder os comentários, mas logo irei responder os do último capítulo e o desse!
Aproveitem o capítulo mais esperado por vocês leitoras! Aí tem algumas respostas!!
Um temporal iria assolar o castelo naquela noite. As nuvens negras arremessavam água para todos os lados, e trovoadas e raios enfeitavam o céu. O clima que parecia seguir para os agradáveis dias de calor e sol resolveu retroceder. E não, aquilo não era esperado.
Neste dia, não houve sinais de que mais um temporal estava por vir. Apenas começou a chover. E, mesmo no início, não foi nada leve. Os pingos grossos molhavam os que se arriscavam do lado de fora da estrutura do castelo e as trovoadas acordavam os que naquela hora já dormiam.
Ela chamou a atenção de todos, que se dirigiram praticamente ao mesmo tempo para olhar os fios de água inclinados pelo vento forte e os clarões no céu. Era como se a noite estivesse zangada com algo, esperneando e gritando por atenção, ou como se ela quisesse dar o cenário perfeito para tudo o que viria acontecer. E, bem, isso não era totalmente mentira.
Os olhares impressionados observavam aquele espetáculo que, com sua tamanha perfeição, só podia ser obra da natureza. Era lindo. E era perigoso. Selvagem. Soltava rugidos que assustavam aquele resto de infância que todos guardavam, e alguns, mesmo já adolescentes, ainda sentiam medo. Porém todos haviam de admitir que aquela era realmente aterrorizante.
De uma das janelas largas dos corredores do 4o andar, a figura alta, de barbas longas e vestes cinza observava, assim como todos os outros, a chuva, porém seu olhar era calmo, beirando a tranquilidade. Ele apreciava o espetáculo, como se olhasse a mais bela das artes. E para ele era exatamente isso. Algo que fora criado para passar beleza e para confrontar os ideais. Para sua mente brilhante, naquele instante a chuva representava a humanidade mais do que muitas pessoas, pois carregava consigo os dois lados da moeda. O bem e o mal. Junta a beleza e o terror. Mais que belo espetáculo ele estava presenciando!
Porém, mesmo apreciando aquela paisagem de tal forma, seus olhos, detentores de tanta sabedoria, não brilhavam mais como era de costume. Estava em uma idade avançada, muito mais avançada do que muitos conseguiam chegar, e os segredos que guardou e que ainda guarda começaram há muito a pesar em suas costas já curvadas.
Esse era o preço de ser Albus Percival Wulfric Brian Dumbledore. O homem que, com sua tamanha inteligência, sabia de quase tudo. E, naquele momento, ele sabia mais do que queria. Muito mais do que qualquer pessoa imaginava. Esse era o preço de ser ele. Ele sabia muito. Ele era as paredes de Hogwarts. E o que ele sabia ele não podia dizer a ninguém.
Com o passar dos segundos ainda parado ali, em pé, observando a chuva, ele foi ficando cansado. E não, não era apenas fisicamente. Seu olhar baixou para o batente, e ali ele se apoiou. Nunca fora fraco, aguentara sempre o peso de cada decisão que tomara para chegar ao que ele era hoje, cada parte da culpa, porém algo era demais para ele. Não uma pessoa. Não duas. Nem uma dúzia. E sim milhares de vidas dependiam dele. Não dependiam de Harry Potter, nem de Hermione Granger. E sim dele. Isso suas costas já não aguentavam.
E, naquela noite, Astoria não foi a única a desmaiar. O velho diretor só seria encontrado horas depois, quando dois alunos do 6o ano passavam por aquele corredor. Hogwarts nunca agradeceu tanto por alguém infringir suas regras. Dumbledore foi levado a enfermaria e passa bem.
Outro acontecimento gritante se fez presente naquela noite, porém este não iria parar na boca de todos, assim como os seus participantes só saberiam do que aconteceu com Dumbledore na manha seguinte. E este era mil vezes pior.
E ali elas estavam. Uma Hermione Granger assustada, uma Luna Lovegood perdida no labirinto que era sua mente, uma Astoria desmaiada e Ginevra Molly Weasley, garota da capa preta.
Elas estavam na mesma posição há minutos, apenas se olhando. Analisando. Tentando entender o que se passava naquele momento, que talvez ficará marcado como o mais confuso da vida das quatro garotas. Menos de Astoria, é claro, ela está desmaiada. Ela havia batido a cabeça quando atingiu o chão. E ali ficou, deitada de uma forma que implorava por ajuda. Só que esta não veio. As três garotas mal lembraram da amiga que estava desacordada logo atrás delas, principalmente Hermione Granger, que mais que nunca colocava o seu cérebro para funcionar.
Poderia mais uma vez afirmar que a morena estava assustada, que ela estava confusa, que nem em seus piores pesadelos pensou que iria ver aquilo. Poderia dizer que ela se culpava, que se chamava internamente de estúpida por não ter percebido o que se passava na frente de seus olhos. Sim, eu poderia, mas havia apenas uma coisa que realmente importava. Para Hermione, que naquele momento trabalhava para juntar as peças daquele complexo quebra-cabeça, não havia nada mais óbvio que Gina ser realmente a invasora. O que ela queria saber era o porquê.
–Gina? –A morena novamente perguntou, completamente incrédula. Desta vez, Gina não se limitou a sorrir.
–Eu. –Falou, soltando um pequeno riso. Ela parecia confiante, fitando Hermione no fundo de seus olhos, sem desviar em nenhum momento. A morena rangeu os dentes com tamanha raiva que a atingiu. E isso não era nada bom. Sua respiração começou a acelerar enquanto seu olhar abaixou, fitando tudo menos a ruiva. Estava à beira de um ataque de nervos, porém sua consciência lhe impediu de chegar a tê-lo. Não era hora para esse tipo de coisas. Com o pensamento nisso ela levantou os olhos, encarando Gina.
–Vadia. –Falou lentamente, completamente decidida. E, é claro, isso assustou Gina, que deu alguns passos para trás. Tantas vezes chamou outras garotas de adjetivos parecidos junto com a amiga, e agora ela que era o alvo. Era doloroso escutar a morena falando dela.
–Hermione, eu... –Tentou, porém foi interrompida.
–Vadia! –Desta vez foi um grito. Antes que Gina pudesse perceber havia sido empurrada, desequilibrando e caindo sobre uma pilha de pratos antigos. Pobre louça. Luna, que observava, levou uma das mãos a boca, impressionada com o que via. –Eu confiei em você, achei que você era minha amiga. –Hermione começou a chorar, andando até ficar de frente para a ruiva caída, a olhando de cima e se aproximando lentamente.
–Mione... Me deixe... –Desta vez ela não foi interrompida por palavras, e sim por um forte tapa na cara, dado com toda a raiva que existia dentro da morena. Gina ficou sem reação, mal conseguia se mover, apenas observava Hermione debruçada sobre ela, segurado-a pelos ombros.
–Cala a boca! Cala a merda da tua boca! –Exclamou chorando, usando de sua força para manter Gina imóvel, mas não era necessário, a ruiva não conseguia se mexer.
–Para! –Implorou. Gina sentiu o gosto salgado das lágrimas invadirem sua boca ao mesmo tempo em que Hermione a chacoalhava. Luna a tentou impedir, porém foi bloqueada pela morena. Mas não importava, ela já sabia o que fazer. Logo depois não havia mais sinal de Luna no local onde corria a briga.
–Tenho pena da sua família por ter você nela. Você é pior do que aqueles que tanto odeia. Nunca pensei que você fosse assim. –Proferiu com raiva, chegando perto de rosnar. Mais um tapa foi deferido no rosto molhado pelas lágrimas de Gina. Ah, aquilo era muito melhor do que usar um simples feitiço.
–Para, por favor. –Murmurou, porém Hermione não deu ouvidos, estava cega demais para pensar em outra coisa a não ser faze-la pagar pelo o que fez com todos. Ginevra era má. –P-para. –Sua voz era quase inaudível por causa do choro, porém isso não a impediu de tentar pedir. Estava ficando machucada. Por dentro e por fora.
–Sorte que o Harry não quis nada com você. Sorte que Rony nem imagina do que a irmãzinha dele é capaz. Sorte da Molly que não sabe que sua única filha mulher é uma vadia do mal. –Mais um tapa e mais lágrimas da ruiva. Era uma cena deplorável. –Porque você é do mal, Gina. Você é pior do que a Cho. Por isso Harry a escolheu ao invés de escolher você. E eu apoio! –Grunhiu, enfiando as unhas no ombro da ruiva, que estava descoberto depois que a capa escorregou pelos seus braços. –Sabe Ginny, você ficaria bem na sonserina. –Hermione falou. Mas essas palavras... Essas palavras foram demais para Gina. Um segundo depois quem se encontrava no chão era a morena, a olhando assustada.
–Já chega. –Falou contraindo a maxilar, se esforçando para ficar em pé por causa das dores. Por precação passou a mão no rosto, e ficou feliz ao saber que deveria estar apenas vermelho, sem nenhum corte. Mas a felicidade se foi ao examinar os ombros. –Já chega! –Gritou, limpando os filetes de sangue que escorriam para dentro de suas vestes. Depois seu olhar raivoso encontrou o da morena. Era difícil saber qual era o que continha mais raiva. –Vamos lá então, querida Mione. Falou tão mal de mim, mas não é nenhuma santa.
–O que? –Perguntou alterada, fazendo Gina sorrir abertamente. Hermione fechou os olhos na mesma hora, arrependida. Gina tinha os dentes manchados de vermelho. Manchados de sangue. A ruiva passou a língua neles, sentindo o gosto, e sorriu ainda mais, com seus olhos brilhando de raiva.
–Pena que estamos sozinhas, pena que Astoria esta desmaiada. Ah, é realmente uma pena... O mundo deveria presenciar esta cena. –Falou teatralmente, como se apresentasse algum programa. –A perfeita Hermione Granger! A famosa sabe-tudo! Mas será que é tão perfeita assim? Sabe Mione, estou feliz de meu irmão estar com a Lilá! Muito feliz, rindo de alegria! –Hermione a observou soltar uma gargalhada forçada e sentiu medo do que viria. –Devo dizer para Luna tomar cuidado? Falando nisso, onde ela se... Esquece. –Interrompeu-se.
–Não estou te entendendo. –Disse confusa e Gina fez um biquinho.
–Não? Então eu explico. Estava me perguntando se a Luna não deveria tomar cuidado com você. Considera-se tão amiga da Asty, não é? Que bela amiga... Acha que eu não enxergo o que você está querendo com o homem dela? –Explicou lentamente, como se falasse com uma criança.
–Draco?
–Exatamente. –Falando isso, sorriu de lado, olhando o rosto confuso da morena, porém o gosto de sangue mais uma vez a incomodou. Parecia que sorrir piorava ainda mais o machucado.
–O que eu iria querer com aquele sonserino? –Perguntou indignada, finalmente tomando forças para levantar. Porém, antes de conseguir se firmar nos dois pés foi empurrada novamente. Sentiu dor no osso ao bater com ele no chão, e automaticamente levou as mãos até ele e soltou um gemido de dor. Isso deu tempo suficiente para Gina se aproximar. Agora estavam cara a cara.
–Não sei... Talvez você seja apenas uma invejosa. Quem é o próximo? Neville? Ou talvez o Harry? –Sussurrou friamente no ouvido da garota, que se debateu. Mas não era segredo que Gina era mais forte que ela, e facilmente conseguiu segura-la.
–Desculpe dizer Ginny, mas eu não sou a vadia aqui. –A voz de Hermione era desafiadora e isso tirou a ruiva do sério. Desta vez quem levou o tapa foi a morena. Sua cabeça foi virada brutalmente para o lado e assim ela ficou, respirando rápido. Morrendo de raiva.
–Tem certeza? –A ruiva falou carinhosamente, passando os dedos pela bochecha da garota, exatamente onde acabara de bater.
–Sim. –Rosnou. Hermione tentou se soltar e revidar, mas não foi possível. Ela estava em desvantagem e deixou Gina ainda mais irada.
–Hermione Granger, sinto-lhe dizer, mas você é tão vadia quanto eu. –Aquelas palavras atingiram a morena de forma dolorosa. Da mesma forma dolorosa que seria atingida pela mão de Gina, que se levantava no ar, se preparando para atingi-la. Hermione apenas fechou os olhos molhados pelas lágrimas, esperando. E, desta forma, ela estava admitindo que Gina tinha razão. E ela tinha.
Porém, aquele tapa nunca chegou.
Luna havia reaparecido, e desta vez não estava sozinha. Ela parecia calma, mesmo tendo presenciado parte da briga. Na verdade, até carregava um pequeno sorriso no rosto. A pessoa ao lado dela já não estava nem um pouco feliz.
–Parem! –O indivíduo gritou, correndo até elas e segurando Gina antes que a mesma atingisse Hermione no rosto. As duas estavam destruídas, mas a ruiva estava bem pior. Hermione, ao perceber que o golpe não chegou, abriu os olhos. E, depois, lutou para não se juntar a Astoria no chão. Ela não podia acreditar, mas ela teria.
–Elliot? –Perguntou exatamente como fez mais cedo. Seus olhos assustados o examinaram. Tudo, cada detalhe. O cabelo quase loiro, os olhos claros e profundos e seus músculos. Até mesmo a capa preta. Exatamente como Gina usava.
–Hermione. –Disse alto, a olhando, esperando sua reação. Hermione apenas virou o rosto, não queria olhar, então encaraou a loira. E naquele momento, ela desejou com todas as forças que estivesse no mesmo estado de Asty e implorou que a imagem que via fosse fruto de sua imaginação.
–Luna? O que você está fazendo? –Perguntou incrédula. Mas ela não poderia duvidar do que seus olhos estavam vendo. Luna estava abaixada ao lado de Gina, e inspecionava seus ferimentos sem seu costumeiro ar lunático. Em suas mãos pálidas estava uma outra capa preta, e Gina logo a pegou, substituindo a sua rasgada pela nova. Era uma veste comum, e muitos alunos a usavam, inclusive a própia Gina. Porém Luna não. E o fato de ela carregar aquilo com ela, justamente naquela noite eliminou da cabeça de Hermione a opção que ela gostaria de acreditar. Não era uma simples veste. Eles estavam se escondendo. E não era apenas Gina. Eram os três. –Eu posso desmaiar agora? –Sussurrou para ela mesma.
–Estou ajudando Gina. –Respondeu simplesmente, pegando a capa rasgada da ruiva e tentando, com ela, estancar o sangramento do ombro de Gina. A loira abriu a boca para falar mais alguma coisa, porém Elliot foi mais rápido, percebendo a palidez de Hermione.
–Nós podemos explicar. –Indignada com o que ele falou, Hermione se levantou, ajeitando as vestes de forma rápida. Não era necessário nenhuma explicação. Estava cercada por traidores, e se não saísse dali logo... Bem, se não saísse dali agora, talvez não saísse nunca mais.
–Não quero nenhuma explicação, já vejo tudo que eu preciso com os meus própios olhos. –Disse, se preparando para ir embora e deixar tudo para trás. Porém, antes de conseguir chegar à porta foi segurada por Gina. E ela não conseguia se soltar.
–Hermione... Vamos trabalhar com os fatos. –A ruiva sussurrou em seu ouvido, a fazendo grunhir e se debater. Mas, mesmo machucada, Gina era determinada. –Por Merlin, acordem Astoria. Não quero ter que explicar tudo duas vezes. –Pediu.
Não foi uma tarefa fácil. Ainda mais quando se tinha uma Hermione furiosa para ser segurada.
Tentaram várias formas de acorda-la. Algumas dignas de Luna Lovegood, como, por exemplo, bater pratos. Apenas várias tentativas depois, quando Elliot deixou Astoria em pé, amparando-a, é que deu certo. Ele foi buscar algo para tentar despertá-la, e para isso deixou-a apoiada em Luna. Só que a loira não a segurou. E lá foi Astoria mais uma vez em direção ao chão.
–Asty! –Elliot gritou, se ajoelhando ao lado dela. Sorriu ao vê-la abrir os olhos lentamente.
–Viu Elliot! Era só deixar ela cair de novo. Eu sei das coisas. –Luna falou, sorrindo para a garota que se levantava com ajuda de Elliot. Ele revirou os olhos.
–Ai! Que dor na cabeça! –Astoria reclamou, passando a mão na testa. –Mas o que... –Se interrompeu quando levantou o olhar e observou onde estava. E quem estava ali. As memórias a acertaram em cheio junto com a vertigem que a deixou de pernas bambas. Sem força, caiu novamente para o lado, sendo segurada pelo garoto.
–Não! –Elliot gritou, a balançando. –Astoria! –Gritou, fazendo força para deixa-la de pé.
–Não precisa gritar. –Reclamou se apoiando nele, passando novamente a mão na cabeça e fitando os olhos claros de Elliot. Franziu a testa, pensando, e assim ficou por segundos até que seus olhos se arregalaram. –Espera... Você não estava aqui... –Seu olhar desceu para a roupa que ele usava, e sua expressão rapidamente se tornou a de horror. –Me solta! –Gritou, esperneando para se soltar.
–Garotas, por favor! –Elliot exclamou, se entortando para segurar a loira, que se debatia em seus braços. Hermione não estava diferente.
–Por favor é o teu cu Elliot. –Hermione retrucou, praticamente rosnando. Ele segurou um riso. Ela tinha tendência falar palavras chulas quando ficava irritada.
–Hermione você sabe que eu sou filho de um auror, não sabe? –Perguntou e ela revirou os olhos.
–É claro que eu sei. O que torna você mais um traidor. Traiu seu próprio pai. Como eu pude confiar em vocês? –Lamentou, abaixando a cabeça. Ela estava se sentindo estúpida.
–Não! Me deixe explicar, está bem? –Ele pediu.
–Ele tem uma explicação, Mione. –Luna falou, tentando ajudar. Mas isso fez o queixo de Astoria ir ao chão.
–Até você Luna? –A garota perguntou, incrédula. Luna não respondeu, apenas continuou inspecionando alguns objetos sobre um baú. –Então é isso, vocês são os invasores? São todos Comensais da Morte? Meu Merlin, que horror. Um belo disfarce, devo dizer. Quem desconfiaria de dois grifinórios e uma corvinal?
–É Asty, parece que a gente não pode confiar em ninguém. –Falou Hermione, respondendo a pergunta, já que nenhum dos outros três responder.
–Com certeza, não é Mione? –O tom de Gina era irônico, o que fez uma nova onda de raiva atingir a morena, porém ela resolveu ignorar. Luna desviou os olhos do baú, agora as fitando, e assim ficou por algum tempo decidindo o que iria falar.
–Antes que uma de vocês mate a outra, eu quero contar uma história. –Falou, empurrando o conteúdo de cima do baú para o chão. -Ih, quebrou. -Olhando satisfeita, ela se sentou sobre ele, olhando ansiosamente par todos. Não haviam deixado Elliot explicar, então ela que iria.
–Não é hora para isso. –Disse Hermione, revirando os olhos, não perdendo a oportunidade para tentar se soltar. Luna riu, jogando a cabeça para trás, porém logo a olhou séria.
–É sempre hora para uma história, não seja estúpida. –Retrucou, cutucando a meia colorida que usava. Era possível perceber o nervosismo emanando dela, assim como a tensão no ar. Luna respirou fundo, começando a falar. -É possível dividir a alma em pedaços, sabia? Minha mãe me contou quando eu era pequena... Disse para mim que alguém de sua família havia lhe contado. Eu achava mágico na época, principalmente quando ela me contou que quem fazia isso não podia morrer. Disse-me que colocava o pedaço dentro de um objeto, e isso impediria sua morte, pois a alma dentro dele o prenderia a terra. É claro que quando ela me contava existia todo um contexto, com lindas princesas e cavaleiros em cima do cavalo branco, mas não era isso que me chamava atenção, e sim aquele detalhe da alma. Descobri há pouco que o nome de verdade era Horcrux. –Seus olhos claros fitavam um ponto além de todos, e sua voz era quase melancólica.
–Magia negra? –Indagou Hermione.
–Uma das piores. Mas eu não sabia disso na época, e desejava com todas as forças ter um para mim, e quando eu falava isso para minha mãe ela apenas ria. Ela era linda, e sorrindo ficava ainda mais. Alguns anos depois eu desejei que ela tivesse uma. Ela havia morrido. Sim, foi horrível. E eu vi.
–Luna... –Astoria começou, mas foi interrompida pelo olhar frio de Luna. Nunca a tinha visto assim.
–Calada. Eu a odiei com todas as forças. A odiei e me odiei. A odiei por morrer e me odiei por não poder impedir. Mas aquele objeto da história podia. Uma ideia completamente genial, esta de partir a alma, se não fosse tão perversa. –Divagou, voltando a olhar para algo acima de todos.
–Então você fez... –Hermione parou de falar propositalmente, arqueando uma das sobrancelhas.
–É claro que não. Eu bem que queria, mas como partir uma alma que nem está mais aqui? E acho que é impossível fazer para uma outra pessoa, é algo bem pessoal. Sabe, é a sua alma. –Falou simplesmente, voltando ao seu normal. O normal lunático. Elliot sorriu para a loira.
–Então eu não estou entendendo aonde você quer chegar com essa história. –Falou Hermione após acabar de digerir o pequeno relato de Luna. Não via o porque dela ter contado aquilo, a não ser para admitir que tinha feito.
–Tem certeza que não? –Elliot perguntou rindo.
–Sim.
–Aparentemente a porrada que você levou de Gina afetou seu cérebro. –Falou brincalhão e a ruiva sorriu para ele.
–Continuo mais inteligente que você. –Hermione retrucou ofendida. Ela estava apenas... Confusa demais para pensar.
–Tenha certeza disso. –Ele realmente havia de concordar, ela era muito mais inteligente que ele. -Você falou que sabe que é uma magia negra. Me pergunto como sabe, já que os livros que falam sobre isso são proibidos, mas você é Hermione Granger, é claro que iria saber. Mas o quanto sabe? –Indagou.
–O suficiente para dizer que é ruim. E você Elliot, como sabe? Não sabia que praticava magia negra... –Respondeu sorrindo de lado. Poderia estar garantindo sua morte, mas ela iria enfrenta-lo.
–É aí que você se engana. Meu pai me contou após meses de pesquisas. –Disse com uma satisfação implícita ao ver a careta de surpresa que a morena fez. Se o que ela estava pensando naquele momento era a verdade, ela havia se equivocado muito anteriormente.
–O que você quer dizer com isso Elliot? –Ela estava novamente à beira de um ataque, não estava acostumada a não entender o que acontecia. Era simplesmente frustrante.
–Você sabe como se faz para dividir a alma, Hermione? –Ele não respondeu a pergunta dela e isso a deixou ainda mais nervosa. Porque tudo tinha que ser tão complicado?
–Não, mas creio que coisa boa não é. –Achou melhor responder ao invés de ignorar, qualquer informação era preciosa.
–Você precisa matar. Matar para ser praticamente imortal. Basicamente invencível. Só morre se o objeto for destruído. E você tem ideia de qual bruxo é capaz de fazer isso?
–Você-Sabe-Quem. –Astoria disse simplesmente, olhando para ele de baixo.
–É claro que ele tem capacidade de fazer isso. E é claro que ele fez, e tudo indica que mais de uma vez. –Falou. De repente, a mente de Hermione deu um estalo. Ela finalmente havia entendido.
–Quer dizer que... –Começou.
–Se elas não forem destruídas, ele é invencível. –Gina completou, ainda firme segurando a morena.
–Disso eu sei. –Disse revirando os olhos.
–Eu não sou um traidor, nem elas. E nem somos Comensais. –Quando falou isso foi como se tirasse um peso dos ombros das duas garotas. –Meu pai está confiando em mim para achar as Horcruxes. Eu preciso acha-las e destruí-las Hermione, foi para isso que eu vim para cá. Meu pai pediu, ele sabia que seria mais fácil assim. Sou eu quem vem procurando desde antes do início das aulas. Só que eu fui descoberto. Primeiro por Gina e depois por Luna. –Elliot explicou.
–Espero realmente que o que disse seja verdade. Como é que vocês duas descobriram? –Hermione perguntou, fitando Luna, que parecia perdida em pensamentos. –Luna?
–Oi! – Respondeu animada, encarando a morena que fez uma cara cansada. –Ah sim, Eu percebi que Gina estava sumida demais e estranhei. Um dia antes de Viktor Krum chegar eu a segui e descobri tudo. Ela me explicou o que ela sabia e eu terminei ligando a história que minha mãe contava ao que ela me falou. No dia seguinte Elliot me procurou e me pediu para manter segredo. Ah é, antes disso ele me beijou. –Falou rápido, novamente mexendo na meia. Elliot ficou vermelho ao ser encarado por Astoria e Hermione, e riu de nervoso.
–Não me olhem assim, eu tinha que arrumar um jeito de tira-la de perto do Neville. Juntei o útil com o agradável e ainda vi a cara de ciúmes do Longbottom. –Falou divertido e soltou uma gargalhada, que fez as outras sorrirem levemente.
–E você Gina? –Astoria falou.
–E eu percebi logo da primeira vez que entramos aqui este ano. Eu sabia que algo estranho estava acontecendo. Passei dias seguidos vindo aqui, até que o encontrei. Eu o ameacei, disse que iria contar para Dumbledore se ele não me deixasse ajudar.
–Mas porque? –A morena perguntou curiosa. Ela tinha que ter uma boa razão para se arriscar daquela forma. Uma coisa era Hermione e Asty a pegar no flagra, outra seria o professor Snape.
–Dumbledore não é o único que quer impedir Você-Sabe-Quem, Hermione. Eu preciso impedi-lo. Rony se arrisca ao lado do Potter, e, ainda sendo um babaca, ele é meu irmão, eu tinha que arranjar um jeito de ajudar. Não sou a única da minha família que colabora com eles. –Explicou, aliviando um pouco o aperto que exercia sobre a garota, que suspirou aliviada. Ela precisava proteger o irmão. E proteger Harry. Os dois não sobreviveriam sozinhos. Ela estava fazendo exatamente o que Dumbledore a pediu, ajudando Harry Potter.
–Quem são “eles”? –Disse Astoria.
–Não sei quantos ao certo. Aurores, alunos, bruxos e bruxas de diferentes idades. E eu também não sei quem são, só sei que é um grupo de pessoas que está do mesmo lado que Dumbledore está. Só que ele esta apostando tudo em Harry, e nós estamos ajudando, impedindo que ele falhe. É um mundo muito grande para ficar nas mãos de um único garoto.
–E quantas Horcruxes são? –Astoria novamente perguntou, pois Hermione estava imersa em sua maravilhosa mente.
–Uma, três... Dez... Não sei. Ninguém sabe. –Gina respondeu, soltando de vez a morena. Uma vez solta, ela levou as mãos a cabeça, que estava estourando.
Após isso os cinco ficaram calados, apenas pensando. Tantas perguntas respondidas e tantas ainda por responder. O alvoroço das invasões naquele momento pareceu desnecessário. Aquele problema que parecia tão grande na verdade encobria um maior ainda. Os invasores não eram o problema, e talvez fossem a solução. Eram sim alunos, não estavam associados a Voldemort, pelo menos nisso Hermione havia acertado. Só que não havia notado que na verdade eram os seus amigos. E não contaram a ela, esperaram ela descobrir.
–Dumbledore sabe? –Essa era a pergunta que ela tanto queria fazer, mas ela saiu dos lábios de Astoria.
–Não sei. Eu realmente não sei. E se ele sabe, não falou nada. –Elliot respondeu.
–Pois amanhã ele irá saber, foi uma idiotice sem tamanho não contar a ele. Não há o que esconder. Na verdade, foi uma idiotice não contar a mim. –A morena tinha a voz alterada, e estava claramente nervosa.
–Mione... –O garoto tentou.
–Cala a boca! –Gritou apontando para ele. –Quer saber, acho que se eu continuar aqui terminarei fazendo uma besteira. Quando eu quiser procurarei vocês. –Falando isso ela foi se aproximando da porta, sendo observada. Antes de abrir a porta, se virou para eles. –Adeus. –E saiu.
Andou pelos corredores um tanto atordoada. Naquele momento ela não tinha certeza nem do que ela era, nem para onde ela iria, então resolveu apenas andar por aí. Estava escuro, muito escuro, e a tempestade ainda não havia dado trégua. Um cenário sinistro, pensou ela.
–Sinistro. Cabe perfeitamente com o que aconteceu hoje. –Sussurrou para ela mesma. Não estava se referindo ao fato de ter descoberto coisas sobre pessoas que julgava conhecer bem, e sim com o que descobriu. Lord Voldemort era poderoso por si só e tinha seguidores também muito poderosos. Como se isso não bastasse, não podia morrer até todas as Horcruxes serem destruídas. Já seria uma tarefa difícil se soubessem o que elas eram, mas nem isso eles sabiam.
Hermione estava tão distraída que não percebeu que estava indo em direção a algo. Na verdade, a alguém. E nem ele percebeu. Logo os dois haviam se esbarrado com força, fazendo a morena desequilibrar e quase cair para trás. Ela teria caído se ele não a tivesse segurado.
–Obrigada... Malfoy, é você. Retiro o agradecimento. –Hermione falou com um sorriso no rosto e o loiro revirou os olhos. Não esperava a encontrar a essa hora. Ela recuperou o equilíbrio.
–Não sabia que você tinha capacidade de quebrar regras. –Disse irônico e foi a vez dela de revirar os olhos.
–Acredite, quebrá-las não me agrada, mas parece que agrada a você o fato de eu estar fazendo isso. –Disse divertida. Mesmo estanhando, não saiu dos braços dele.
–É diferente. –Draco sorriu de lado. -Não pense que eu esqueci o que fez comigo na biblioteca. –Voltou a ficar sério.
–Não penso. –Sorriu.
–Estou pensando no que vou fazer para você pagar por aquilo. –Draco riu baixo, e antes que Hermione pudesse perceber ele segurava seu queixo. A sensação do toque dele era diferente, mas muito bom. Ele a encarava com um meio sorriso maldoso que sempre carregava consigo, mas ele mudou de expressão ao examinar o rosto da morena. Ele estava preocupado. –O que aconteceu? –Hermione deu um jeito de desviar de suas mãos, virando o rosto para o lado, mas logo ele havia a segurado mais uma vez. A morena estranhava o que estava acontecendo, nunca o vira com um olhar desse tipo. Na verdade, ele mesmo não se reconhecia. Antes que fizesse mais uma besteira ele voltou com o sorriso de arrogância. –Andou brigando Granger?
–Acho que é meio óbvio não é? –Disse simplesmente.
E eles ficaram ali, se encarando. Nada mais foi dito. Quase imperceptivelmente, os dois se aproximaram. Pouquinho a pouquinho, até que não havia mais espaço entre eles. O beijo não era delicado, porém não havia nada de violento nele. Era exatamente o beijo que esperava que os dois compartilhassem, algo explosivo e ao mesmo tempo doce. Mordidas também se fizeram presentes, pois o ódio que existia entre os dois não os permitia ser delicados. E aquele único beijo não mudou nada entre eles. Era apenas um beijo. Ou pelo menos eles pensavam que era.
–Isso nunca aconteceu. –Draco grunhiu após se separarem e a morena concordou lentamente, se lembrando do que Gina disse.
–Nunca.
Encararam-se mais um momento, e depois seguiram seus caminhos. Cada um pensando em seus motivos para aquele beijo ter acontecido. Hermione pensava que havia feito aquilo para esquecer o que acabara de passar, algo marcante o bastante para faze-la esquecer. E aquele beijo foi isso. Além de ter sido, para ela, uma confirmação do que Gina havia dito. Não existia nada entre ela e Draco, apenas à vontade de experimentar. Já Draco pensava que a culpada era ela, que o tirava do sério. O irritava ao limite, o deixava quase com ódio de si mesmo.
Mas era apenas o que eles pensavam...
Notas finais
Não, a Gina não é má. E eu também não odeio ela.
Não, o beijo de Luna e Elliot não foi pra valer.
Sim, esse é um mistério, mas talvez não seja o principal.
Sim, a mãe da Luna é louca por contar aquilo a uma criança... Mas é a mãe da Luna né?
Sim, eu tentei distrair vocês o tempo todo para que vocês não chegassem na conclusão, afinal tudo foi mais simples do ue parecia.
Sim, Hermione e Gina quase se mataram.
Sim, a parte da tempestade é importante.
E sim, chorem pelo Dumbledore, ele desmaiou.
Tem muita coisa por vir ainda... Estava apenas encobrindo tudo, vamos ver se vocês adivinham o que vai acontecer daqui para frente.
Ah, chegamos na fase final da Fic.
Gostaram? Amaram? Odiaram?
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