As Garotas De Hogwarts

36 A dama lunática


Notas iniciais
Não tive tempo de responder todos os comentários, responderei logo!!
1400!!!! *------* que lindo!!
Obrigada Bea Tribbiani, foi muito fofo o que você fez! te agradeço eternamente!!
Boa leitura!

–Como assim? –Astoria perguntou alterada, parando de andar e segurando o braço da loira que estava um pouco a sua frente, a impedindo de continuar seu caminho pelo corredor. –Repete.


–O que foi? –Luna falou confusa, olhando para a amiga com o cenho franzido.


–Luna... Meu Merlin. É sério aquilo que me falou? –Tentou mais uma vez, mas Luna apenas pareceu mais confusa ainda.


–Sobre Dumbledore? –Disse de repente, fazendo a outra loira sorrir. –É claro que é sério, não brincaria com uma coisa dessas.


–Coitado! Ele está bem? –Astoria necessitava saber mais, não era todo dia que o diretor centenário desmaiava. Luna fez uma careta, algo que era raro.


–Ai Asty, eu não vou ficar espalhando coisas, é feio. –Reclamou, tentando se soltar. Astoria levantou uma das sobrancelhas, analisando a expressão da amiga. Não sabia se ria ou se ficava irritada.


–Mas você só está falando para mim, não é espalhar. E eu também não vou. –A loira olhou no fundo dos olhos da garota, tentando comovê-la. Sempre que quer alguma coisa esse olhar consegue para ela. Ou pelo menos conseguia.


–É claro que você vai. Você é a Astoria. –Falou simplesmente, e o rosto pidão de Astoria se transformou em boquiaberto. Não acreditava no que acabara de ouvir.


–Luna! Você está me ofendendo! –Tentou usar um tom sério, mas não conseguiu segurar as risadas. –De qualquer forma, se eu fosse espalhar, coisa que não iria fazer, todos já devem saber. –Tentou mais uma vez arrancar de Luna informações sobre o estado de saúde do diretor olhando no fundo dos olhos dela. Na verdade, ela nem sabia com a amiga conseguira a informação. Mas ela era... Luna.


–Como minha mãe me dizia, você não é todo mundo.Você não sabe. E vai continuar sem saber. –Sorriu de lado, um sorriso quase maléfico. Astoria sabia como era difícil ver um daqueles no rosto da loira. Ela mesma só vira duas vezes. E, ainda mais atônita, soltou o braço da amiga, que voltou a andar. –Ei! Não se esquece de que nos encontraremos na biblioteca amanhã. Alguém tem que achar a Hermione e eu duvido que a Gina saia do quarto com o rosto dela no estado que está. Você sabe o porquê da reunião. –Gritou quando Luna já estava em uma distância considerável dela. A loira se limitou a confirmar com as mãos, sem se virar, o que fez Astoria revirar os olhos. –Primeiro diz que eu sou fofoqueira e depois vai embora. Que absurdo! –Sussurrou para ela mesma.


Astoria andou mais um pouco, finalmente saindo do meio do corredor onde parara minutos antes. Nem percebera que parara ali, quem a visse ia pensar que ela estava maluca. Ia mesmo, principalmente agora que falava consigo mesma. Às vezes era bom ter uma conversa em que ambas as partes tivessem o mesmo pensamento. Era confortante. E era exatamente o que estava acontecendo. Astoria conversando com Astoria. E, como eram a mesma pessoa, tinham o mesmo pensamento.


–Céus, eu estou parecendo a Luna. –Disse andando até uma das janelas, observado a chuva que caía fortemente desde a noitinha de ontem. Não parara um instante. –Chuvinha, você escolheu uma bela hora para cair, não é? –Suspirou, se apoiando no batente. Naquele segundo ela estava sozinha. No outro, não.


–Astoria? Você está falando com a chuva? –A loira identificou a voz masculina sarcástica que vinha de trás dela, mas não se dignou a olhar. Aliás, ela já sabia quem era.


–Estou. –Ela poderia ter negado, mas porque faria isso? Ele a vira falando, contestar só seria pior.


–Olha, eu já vi a Granger fazendo isso, mas não imaginava que você também fosse maluca. Achei que esse era o papel da Luna. –A garota revirou os olhos, sentindo que o tom de voz aumentava à medida que o garoto se aproximava de suas costas.


–O que não faz a convivência, não? –Disse o olhando de esguelha, tendo a confirmação que não precisava. Ela conhecia bem a voz de Draco Malfoy. Ele sorriu de lado, mas seu sorriso não chegou aos seus olhos. Nunca chegava. Astoria se perguntou se alguma vez Draco havia gargalhado até perder o ar, e ela sabia que a resposta era não.


–Exatamente. É por isso que digo para parar de conviver com lixo. Está virando um.


–Ai! Essa doeu, hein?-Disse enquanto colocava a mão no peito teatralmente. -Na verdade, não doeu não. –Completou rindo. –Desculpe Draco, mas eu parei de conviver com gente de sua laia ha tempos, então não convivo mais com lixo. –Ao terminar de falar, fez um estalo com a língua no céu da boca, satisfeita com sua resposta. Draco riu secamente.


–Tem uma língua afiada, admiro isso. –O loiro se aproximou, apoiando o lado do copo no batente, encarando-a, enquanto isso, ela desviou o olhar, fitando a paisagem do lado de fora.


–Você não admira nada, Draco, além de si mesmo. –Retrucou, sorrindo para o nada. Não iria olha-lo.


–Tenho que admitir que é verdade. –Seu tom divertido confirmava o que havia dito. E, pelo que parecia, ele não achava aquilo ruim.


–Pelo menos reconhece seus defeitos, será isso a única coisa admirável em Draco Malfoy? –Brincou dando ênfase a cada palavra, como se fosse algo grandioso, finalmente o olhando, porém, o clima de brincadeira foi embora quando ela percebeu o rosto sério de Draco.


–Defeitos? Desculpe, mas eu não tenho. –Uma vontade imensa de rir invadiu Astoria, e ela não pode segurar. Logo estava gargalhando sob o olhar sério do loiro. Para ela, o clima de brincadeira havia voltado. Na verdade, nunca ouvira algo tão ridículo sair da boca de alguém.


–Retiro o que eu disse, não há nada de admirável em você. –Falou quando finalmente conseguiu parar de rir. Bem, parar não. Às vezes ela se lembrava do que ele disse e ria do nada.


–É claro que há. Eu sou lindo, Astoria. E eu sei que você também acha isso. –Draco mantinha um tom quase agressivo e uma sobrancelha arqueada, e Astoria o olhou sorrindo.


–Nossa, eu estou impressionada. –Disse atônita, com uma das mãos em cima dos lábios. -Você é sim lindo, Malfoy. Muito lindo. Mas isso não é admirável, sendo que você só tem isso. –Completou e o loiro a olhou confuso. Aquilo não soara como um elogiou. Bem, aquilo não era um elogio. Não era segredo que Draco era realmente lindo.


–Eu sou rico. –Falou baixo, como se isso mudasse alguma coisa. O sorriso da loira aumentou ainda mais.


–E eu também.


–E você é linda também. –Draco não podia acreditar que aquelas palavras haviam saído da sua boca. Não que ele não tivesse elogiado sua beleza antes, mas daquela vez era diferente. Ela estava o criticando e ele, inconscientemente, estava apenas a admirando.


–Uau! Você me elogiando agora? –Disse surpresa, arregalando os olhos. Ela percebera que Draco não tivera a real intenção de dizer aquelas palavras. Mas ele havia dito, então ela iria aproveitar. -O que aconteceu com o “ridícula”? –Perguntou e ele revirou os olhos.


–Não espere nenhum arrependimento de mim Astoria. Eu não me arrependo. –Falou quase tediosamente, fitando o fundo dos olhos da garota. Uma coisa que o definia era o seu orgulho.


–E eu não te perdôo. Simples assim. –Piscou.


–Mas... –Ele começou, porém não sabia o que falar. Ele não iria se desculpar, até porque, em sua mente, ele não era o culpado. Era ela. Ela que o fez agir daquela maneira.


–Mas o que Draco? Você é lindo e rico, e o que mais? Têm mais alguma qualidade para inserir aí? Não, você não tem.


–Você me ama. –Disse novamente o que não pretendia, estava ficando experiente em fazer isso. Porém, lá dentro de seu peito, ele sabia que aquela afirmação não era mais tão verdadeira quanto costumava a ser.


–Não Draco, eu não te amo. Na época que eu achava que te amava, eu não sabia o quão... Superficial você era. Mas sabe de uma coisa Malfoy? É fácil demais gostar da aparência de alguém como você, mas e o resto, como fica? –Falou, observando o rosto dele. Ele continuava inbalável, completamente sério. Porém calado. Astoria havia conseguido o que queria. –Ah, consegui te deixar sem palavras. Vamos ver se sua pequena mente consegue digerir o que eu falei para você. –A loira planejava continuar a dizer algumas coisas para ele que estavam presas em sua garganta há tempos, mas foi interrompida pela chegada de mais alguém na bolha que se encontravam. Não é como se ninguém tivesse passado no corredor enquanto os dois conversavam, mas aquele alguém específico não deixaria passar o que via impunemente. Não era uma característica dos Greengrass.


–Draco! Eu estava te procurando. O que você está fazendo aqui com ela? –Daphne falou enquanto se aproximava dos dois. Asty sorriu ao ver Draco revirar os olhos. Será que só agora ele estava percebendo como a irmã é insuportável?


–Já deu minha hora, eu vou indo... –Disse querendo sair dali rapidamente, não estava com paciência para brigas.


–Não sua piranha, eu você vai ficar aqui e me dizer o porque de estar atrás do meu namorado. Será que você não se enxerga, maninha? Ele não quer nada com você. –Seu tom de voz era venenoso, mas Asty pouco ligou. Não estava mesmo a fim de briga. Mas não diria o mesmo sobre alguém que observava a conversa de longe e não gostou nada de uma pequena informação que adquiriu, saindo andando abalada pelos corredores de Hogwarts.


–Me poupe Daphne. E poupe sua cara, pois eu estou com muita vontade de arranha-la. Adeus. –Dizendo isso, a loira se virou, pronta para seguir o seu caminho.


–Astoria... –Draco tentou a impedir, tinha mais algumas coisas a serem faladas entre eles.


–Adeus Draco. –Completou, sumindo pelos corredores, exatamente como outra pessoa havia feito minutos antes. E Draco não pode fazer nada a não ser observar a garota se afastando, olhando para sua bunda para não perder o hábito. É claro que Daphne percebeu e reclamou, enchendo os ouvidos de Draco com reclamações. Astoria era mesmo uma ameaça a ela. O que ela não sabia e que agora ela tinha outra, em um sentido completamente diferente.


Logo os segundos foram se passando, depois os minutos e as horas. E um passe de mágica já era de noite, e então era de madrugada. Antes que todos percebessem, era de manhã. Um dia comum para todos os não envolvidos nos assuntos secretos que rolavam pelo castelo. E um dia decisivo para a minoria, aqueles que sabiam o suficiente para se preocupar.


E, naquela manhã, a segunda manhã depois da tão surpreendente descoberta, algo iria acontecer. Na verdade, o dia inteiro seria repleto de primeiros contatos com situações... Diferentes. A primeira delas aconteceu justamente naquele instante, no dormitório feminino da grifinória.


Hermione ainda não tinha conseguido colocar seus pensamentos em ordem. E pensava que nunca conseguiria. Sua mente era um turbilhão de pensamentos, alguns tentando descobrir o que acontecia e outros batendo na mesma tecla de antes, a de porque não contaram a ela antes. Seus sentimentos também eram confusos, a raiva já não a dominava mais, mas a tristeza tomara seu lugar. Havia também a culpa, que a acertava de todas as maneiras possíveis imagináveis. A culpa de ter dito coisas que não devia. E a de ter feito coisas erradas.


Gina estava abalada. Fora forte na noite em que tudo fora descoberto, porém aquilo tudo acabou no momento que entrou em seu dormitório. Ela desmoronou. Chorou por tudo que ouviu, por tudo que falou. E por tudo que aconteceu, mesmo antes daquilo acontecer. Por sorte, ela chegou ao quarto quando todas já estavam dormindo, e quando elas levantaram de manha Gina estava debaixo das cobertas. E ela chorou de novo quando se olhou no espelho na tarde do dia anterior.


Agora, a esta hora da manha, Gina sentava em frente da superfície refletora, com um pouco da maquiagem que Astoria a forçara a comprar no mundo trouxa em mãos. Nunca pensou que aquilo seria útil até aquele momento. Ela esperara até suas colegas saírem para se levantar, para ninguém a ver naquele estado. Mas ela não estava mais sozinha.


–Gina, posso falar com você? –Hermione falou, parada no meio do quarto, examinando a ruiva.


–Você sumiu. Ninguém te viu ontem. –Comentou sem responder a pergunta. Com um suspiro, largou os pequenos potes na bancada.


–É, eu precisava pensar. Você sabe, é muita informação. Eu fiquei o dia inteiro na torre de Astronomia, não tinha como ir a aula. –Explicou, se aproximando e puxando uma cadeira para sentar ao lado da amiga. -Por que não me contou antes? Seria melhor do que ter escondido, eu iria entender. Eu realmente pensei que duas das minhas melhores amigas fossem pessoas más, você sabe como é sentir isso? Eu não espero nem isso da Astoria, mesmo sendo da família que ela é.


–Mas nós não somos más. –Falou séria, olhando para ela de relance.


–E sei! Eu sei! Mas eu não sabia! Custava ter me contado? –Hermione se exaltou, franzindo a testa.


–Custava sim Hermione. Não era para ninguém saber. Quanto mais pessoas souberem pior será. Não que a Astoria seja do mal, longe disso, mas ela convive diariamente com sonserinos que possivelmente são comensais. E você também Hermione. Draco e Blaise. Mas o Blaise é um cordeirinho em pele de leão, já o Draco não, esse sim é perigoso. Além do mais, Elliot não me deixou contar. –Explicou, se virando para ela, a olhando aflita. Não era uma conversa que as duas ansiavam, mas era necessário.


–Tudo bem, eu até entendo. –Disse suspirando, se rendendo. Não adiantava discutir, já havia passado. –Mas eu não sou próxima de Draco, nós apenas brigamos.


–Você vai ajudar? –Gina perguntou, ignorando o que Hermione falara. A morena teria que ajudar se quisesse ficar normal com as amigas, mas a ruiva não falaria isso. Era uma decisão exclusivamente de Hermione.


–Eu posso ajudar em que?


–No que nós estamos fazendo aqui em Hogwarts. Procurar. –Quando Gina falou isso Hermione ficou calada uns instantes, parecendo discutir consigo mesma. E, após vários segundos, respirou profundamente.


–É claro que eu irei, vocês sem mim não são nada. –Disse abrindo um enorme sorriso. Era realmente o melhor a se fazer. Gina acompanhou o sorriso da amiga, e a toou num abraço apertado.


–Sabe, eu fico feliz que você já sabe. Eu não podia te contar, agora tudo está mais fácil. –Confessou ainda agarrada a ela. Ficaram assim por minutos seguidos, como se fosse um pedido de desculpas que nunca precisaria de palavras. Quando se separaram Gina encarou novamente o espelho, abrindo o recipiente da base e se preparando para usa-lo.


–Ei, deixa eu te ajudar. –Hermione pediu e Gina aceitou com um sorriso e com os olhos marejados. A morena pegou uma pequena esponja que estava na bancada, a molhando generosamente com o liquido bege claro, depois direcionou-a cuidadosamente para o rosto de Gina. Com cuidado para não feri-la, foi cobrindo cada pequena marca e machucado que ela mesma havia feito enquanto as lágrimas banhavam o seu rosto. Quando terminou, ver já não era mais possível por causa da barreira de água.


–Obrigada. –Gina agradeceu, sorrindo para a morena. E, com o mesmo cuidado que Hermione teve com ela, levou as mãos ao seu rosto e enxugou as lágrimas da amiga.


–Desculpa ter te chamado de vadia, Ginny. Você nunca chegou perto de ser uma. –Sussurrou, sendo atrapalhada pelo choro.


–Desculpa ter te chamado de vadia Hermione. Você sabe que não é. –Gina também falou, continuando a tentar secar as lágrimas, porém elas não paravam de cair.


–Eu sou sim.


–Não... –Tentou impedir, mas foi interrompida por algo que ela não imaginava ouvir.


–Eu beijei o Draco, Gina. –Hermione confessou, tampando o rosto com a mão. Talvez esse fosse o momento em que ela mais sentiu vergonha na vida.


–Você o que? –Gina se exaltou, tentando tirar as mãos da amiga do rosto para poder lhe olhar nos olhos.


–Eu não sei o que me deu. Eu estava encarando ele, um segundo depois eu estava o beijando. –Explicou em meio a soluços fortes, Gina engoliu em seco.


–Hermione... –A ruiva não sabia o que falar. Não sabia julgar se Hermione estava errada ou não. Astoria gostava do sonserino. Mas Hermione não teria o direito de gostar dele também?


–Eu não sei porque. Eu não sei! –Aumentou o tom de voz, confusa com tudo. Porque ela fez aquilo?


–Eu sei. Alguma coisa nele mexe com você. –Gina tentou conforta-la, porém a morena não parou de chorar. A única saída foi puxa-la para mais um abraço.


–Eu sou uma vadia.


–Você não é. –Disse acariciando os cabelos já não tão curtos.


–É claro que eu sou.


–Não, não é. Mas acho que você deveria falar com a Asty. Tenho certeza que ela vai entender. –Hermione se separou do abraço, assentindo para a ruiva, que sorriu para ela, arrumando delicadamente os cabelos da morena. De tudo de errado que povoava a vida delas, pelo menos aquilo já estava certo.


Depois disso, nada mais foi dito. As duas silenciosas saíram do dormitório rumo ao Salão Principal. A sensação de paz era boa demais para ser estragada por palavras. E assim elas foram, pelos corredores, cortando caminho por alguns pouco usados. E justamente num deles elas foram interrompidas.


–Gina, está tudo bem? –Ao ouvir a voz de Cormac, Gina se virou, confusa com o que ele disse. Será que ela sabia?


–Sim, Cormac. –Respondeu evasiva, enquanto trocava um olhar com Hermione.


–Eu não te vi ontem. Na verdade, eu não te vejo desde... Você sabe. –Gina soltou u suspiro de alivio quando descobriu do que ele falava. Hermione soltou um pequeno risinho se afastando rapidamente, piscando para Gina. Logo os dois estavam sozinhos.


–Pode falar. Do dia que Harry preferiu ensinar Cho a me ter no time. –Disse amargurada, mas ainda sim soltou um pequeno riso, e foi acompanhada por ele.


–Ele é um idiota. –Falou a abraçando pelos ombros, sorrindo largamente. –Você sabe que eu teria ido com você, não é?


–Eu sei marido. Se fosse com você eu também teria ido. –Seu tom era de brincadeira, mas nunca falara tão sério. Cormac a encarou, olhando-a profundamente. E ficou minutos assim. Nenhum tinha vontade de desviar o olhar.


–Vou quebra a cara do cicatriz ao meio por te fazer triste. –Comentou para acabar com o silêncio. Gina gargalhou.


–Ótimo, eu posso quebrar a cara da Cho, mas não a do Harry. –Disse brincando. Novamente se encararam, e desta vez que interrompeu silêncio foi ela. –Ei, eu gosto muito de você, sabia? Mas do que eu imaginava que gostaria, até porque você é o Cormac.


–Eu sei que eu, Cormac, sou uma pessoa difícil, porém sou lindo. Eu também gosto muito de você ruivinha. –Também se declarou. Era algo que os dois queriam ter feito a tempos. A amizade deles era preciosa, porém, naquele instante, as palavras que Gina proferido há tempos “Amigos, apenas amigos” se tornou sem sentido. Para ela aquelas palavras pouco importavam. Que se dane o local onde estavam e quem poderia ver.


E eles se beijaram.


E sim, foi melhor do que o beijo de Harry Potter.


Primeiras experiências, não? A manhã foi cheia delas. Porém, durante o horário de aula não teve nenhuma. As horas passaram em seu ritmo normal, nada pareceu acelerado nem retardado para ninguém. Porém a tarde seria ainda mais movimentada. Era a hora da primeira reunião.


Cada participante se dirigiu à biblioteca de um dos cantos do castelo. A aura de tensão rodeava os cinco, e afastava as pessoas, mesmo que inconscientemente. Tanto que não foram atrapalhados por ninguém, chegando praticamente ao mesmo tempo na biblioteca.


–Então... –Elliot começou enquanto se sentava em uma mesa afastada. –Acho melhor irmos direto ao ponto, ninguém está com uma cara muito boa e eu não quero tomar muito tempo... –Começou, mas foi interrompido.


–Vamos Elliot, direto ao ponto. –Gina falou brincalhona.


–Tudo bem... Acho que todos sabem o que é uma horcrux não é? –Tentou e Hermione revirou os olhos.


–Direto ao ponto, meu bem. –Disse docemente, rindo junto com Gina.


–É, acho que sabem... É bom ver vocês bem de novo. –A morena e a ruiva sorriram para ele. –O problema é que uma horcrux pode ser qualquer coisa espalhada nesse imenso castelo. Ou talvez nem esteja aqui. Eu estou procurando há muito tempo, e não consigo achar.


–E... –Luna incentivou entediada. Ela não parecia muito bem. Hermione se levantou ansiosa, apoiando as mãos na mesa.


–Eu conheço bastante sobre sonserinos para saber que eles são sedentos por poder. Sem ofensas Asty. –Falou animada.


–Não ofendeu. –A loira sorriu. Era bom ver a amiga bem de novo.


–Sim, e o que isso tem haver? –Elliot perguntou curioso e Hermione revirou os olhos.


–Você não vê? Ele não se contentaria em colocar a tão preciosa alma dentro de um objeto qualquer. Têm que ter algum valor sentimental. Ou ser extremamente precioso. Um objeto digno de respeito. –Explicou muito animada, estalando os dedos.


–Eu não sei vocês, mas eu colocaria minha alma num objeto de valor monetário alto. Ou poderoso. –Astoria falou, confirmando o que a morena disse.


–Eu colocaria numa xícara. –Luna divagou, olhando para algum ponto na estante que tinha perto deles.


–Muito inteligente, Luna, muito inteligente... –Hermione falou irônica, recebendo um sorriso largo da amiga. –Mas vocês vêm agora? Nós temos um ponto de partida. Um objeto poderoso escondido em Hogwarts. –Numerou com a mão, levantando apenas um dedo. –Ta, nós não temos muita coisa. –Se deixou cair sentada na cadeira, bufando.


Eles continuaram especulando sobre o que seria o objeto, nunca chegando a uma conclusão. Eles não, apenas Hermione, Gina, Astoria e Elliot. Luna continuava com os olhos presos na estante. Os amigos a ignoraram, mal eles sabiam que seria ela a única a enxergar o que não era óbvio para ninguém.


–O diadema. –Falou em meio as vozes que discutiam a sua volta.


–O que disse Luna? –Elliot perguntou.


–O diadema. É o diadema! –Sua voz se tornou um tanto mais aflita, enquanto desviava os grandes olhos para os amigos.


–O diadema? O de Corvinal? Da dama cinzenta? Está doida Luna? Você sabe que Helena Corvinal nunca disse a localização. –Hermione falou tediosamente, desviando o olhar.


–O que é um diadema? –Astoria perguntou.


–É como se fosse uma tiar... –A morena tentou explicar, mas não conseguiu terminar. Luna estava realmente decidida a faze-los escutar.


–Me escutem! –Gritou, mesmo sabendo que se a bibliotecária ouvisse ela seria expulsa, mas para sua sorte o que a mulher tinha de chata ela tinha de surda. –Não idiotice, nem maluquice. E se não temos outro a procurar, procuraremos por esse. O que temos a perder? Sabem muito bem que se procurarmos a partir do nada nunca iremos achar.


–E como você pretende descobrir onde ele está? –Gina perguntou incéredula, trocando mais uma vez um olhar com Hermione. Pelo que viu no rosto da amiga, ela realmente estava cogitando a ideia da loira.


–Eu tenho minhas maneiras. Vocês sabem, como tenho muito tempo livre e nem sempre tenho alguém para conversar, fantasmas são uma boa opção. –E então ela se levantou e foi embora, deixando todos calados. Luna realmente tinha razão. Era possível que fosse o diadema.


–O que faremos agora? –Elliot perguntou ainda sem reação, olhando para onde Luna havia saído.


–Esperaremos a maluca conversar com os fantasmas. Quem sabe um dia ela não nos apresente para a avó falecida dela? Seria uma honra conhecer Olívia Lovegood.


–Eu acho que podemos fazer uma coisa, senão agora, logo. –Hermione falou, sorrindo de lado.


–O que? –Gina perguntou.


–Que tal visitarmos Dumbledore?



Notas finais
Gostaram? Amaram? Odiaram?

Gente, estarei viajando por duas semanas. Vou no dia 17 (esta sexta) e volto no dia dois! Aproveitarei esse tempo para escrever!

Título meio nada haver, mas é que foi a Luna que disse para todos do diadema, que foi roubado pela dama cinzenta, vulgo Helena. Então se transformou em "a dama lunática"

Beijocas