Notas iniciais
Oi, povo! Eu devia ter postado esse capítulo há uns dias, mas comecei uma reforma no meu quarto, então vcs imaginam a loucura que está minha vida, né? kkkkkkkkkk Mas cá estou, com capítulo fresquinho ^^ Espero que gostem! Boa leitura

— Por que ele acharia que eu e o Mu Ziyang temos alguma coisa? Isso não faz nem sentido! — Lunie estava sentada, confortável, em um banco acolchoado do café que tinha se tornado um de seus lugares favoritos na cidade. Ela estava com Raquel, que tomava um café lentamente, enquanto escrevia algo em um caderno.

— Simples. Você e o Ziyang são grudados, ele cuida de você, se preocupa com você. Ah, isso sem contar que o Ling Chao não é exatamente uma pessoa muito perceptiva. — ela nem ao menos se deu ao trabalho de levantar a cabeça para olhar Lunie enquanto falava, tamanha a atenção que dava para o que escrevia.

— Como assim? Ele é um artista incrível, então é óbvio que ele percebe bem as coisas. — a defesa veio tão naturalmente que Lunie quis se bater em seguida. Ainda estava brava com Ling Chao, então por que defendê-lo?

Raquel parou um momento e encarou a amiga, erguendo as sobrancelhas. A expressão era de descrença e Lunie sabia que ela estava a ponto de revirar os olhos e fazer algum comentário sarcástico, mas pareceu se conter.

— Criatura, só uma pessoa com a percepção de uma ameba não consegue ver que o Ziyang é gay. — a frase foi dita em voz baixa para não chamar a atenção das pessoas ao redor. — E sim, eu sei. De besta eu só tenho a cara mesmo. — e ali estava o comentário azedo que ela parecia ter segurado no começo.

Quando Raquel voltou sua atenção para o caderno, Lunie se viu encarando o bolo de chocolate que comia, como se tentasse resolver um problema matemático muito complicado.

A verdade é que, mesmo que entendesse o motivo de Ling Chao achar que ela e Mu Ziyang eram namorados, não conseguia achar a ligação daquilo com o fato dele estar bravo, triste, chateado, ou seja lá o que ele estava sentindo.

Queria ter perguntado no mesmo momento em que ele lhe disse aquelas palavras que a deixaram tão confusa, mas ficara em choque, e ele aproveitou sua estagnação para fugir.

Fugir mesmo.

Não apenas ir embora naquele dia e depois a ignorar como estava fazendo. Ling Chao tinha optado por uma saída mais abrupta, indo para o dormitório da faculdade e nem se dando ao trabalho de responder as mensagens que não fossem de YueYue.

E aquilo já durava três dias.

Lunie estava entrando em parafuso de tantas perguntas que rondavam em sua mente.

— Fala de uma vez! — o susto que Lunie tomou por estar tão absorta, fez Raquel rir com gosto. — Ai, Ling Chao... Se você soubesse o poder que tem sobre essa pobre alma...

— Cala a boca. — Lunie fez uma cara de brava, que não assustou a amiga. — Você tá toda feliz aí porque se acertou com o YueYue e vocês estão se pegando.

— Eu e YueYue somos amigos agora. Amigos. — ela revirou os olhos para a provocação constante que vinha recebendo desde que Lunie tinha visto os dois em momentos tão fofos e sem nenhuma inimizade. – Ele me pediu desculpas, disse que foi um babaca, a gente conversou e vimos que somos melhores como amigos do que como inimigos. Fim. Sem namoro, sem pegação. Agora fala... O que você tava pensando tanto aí? Cuidado que fazer muito esforço com o cérebro pode fritar os neurônios. Você não tá acostumada a usar ele tanto assim. — ela até tentou desviar do tapa, mas Lunie foi mais rápida, já que Raquel ria da própria piada.

— Idiota. Eu tava pensando que... Por que o Ling Chao pareceu tão chateado quando falou sobre o Ziyang e eu? Quer dizer, ele nem se importa comigo.

— Duas mulas, meu Deus, o que eu faço com vocês? Ele tá com ciúmes, é claro.

— O que? Não. Não pode ser. Eu nem pensei uma coisa dessas.

— É claro que não pensou... E é por isso que estamos aqui, nos enchendo de doces e eu estou ouvindo você chorar as pitangas, quando eu poderia estar terminando de escrever isso aqui debaixo das minhas cobertas.

— Alguém disse que você é muito chata?

— Minha consciência, toda a manhã.

Lunie podia até retrucar, mas acabou preferindo se prender às outras coisas ditas pela mais velha, como o fato de Ling Chao estar com ciúmes dela.

Será que aquilo seria verdade?

Mesmo que não quisesse ter esperanças, um sorriso bobo se fez presente em seu rosto.

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Lunie estava há uns bons minutos olhando para o celular, sem saber se deveria ou não mandar uma mensagem para Ling Chao de uma vez. Ela não teria coragem de colocá-lo contra a parede se estivessem cara a cara, mas a tecnologia poderia ajudar um pouco, certo?

Sim. Mandar mensagem poderia ser bem mais fácil do que falar, porém as duas opções ainda teriam a mesma consequência, que era uma resposta. E ela não sabia se estava pronta para o que quer que Ling Chao respondesse.

Por que ele tinha que ser tão diferente do que ela o tinha idealizado mesmo?

— Lunie, me salva! – Letícia veio correndo pelo apartamento, se jogando no colo da líder para que ela a protegesse de uma Raquel nem um pouco feliz.

— Mas o que tá acontecendo aqui? – estava tão distraída que nem ao menos tinha reparado que não estava mais sozinha em casa, como estivera no começo daquela tarde.

As amigas tinham ficado na empresa para gravar o vídeo do desafio. Letícia tocaria violão e Raquel cantaria uma versão acústica de Let It Rain (um solo do YueYue), por isso tinha ido para casa antes delas, aproveitando a carona de Mu Ziyang e sabendo que as duas voltariam bem com Bowen.

Queria ficar, claro. Apoiar aquelas desmioladas era mais do que sua obrigação como líder, era também algo que adorava fazer, mas foi convencida pelo amigo que uma boa conversa no caminho, aliada a um bom banho e algumas horas de sono, poderiam ser o melhor remédio para aquela tristeza e chateação que tomava conta de si.

Não que tivesse conseguido pregar os olhos, mas a teoria parecia boa.

— Ela tá brava porque eu compartilhei o vídeo da gente cantando com alguns corações, e marquei o YueYue. – Letícia ainda tentou fazer uma expressão inocente, mas Lunie a olhou, descrente. – Tá bom... Talvez eu tenha compartilhado do celular dela... E tenha escondido, pra ela não apagar até ele ver.

— E ainda tem mais. Ela esqueceu onde escondeu! – Raquel foi até a mais nova e pegou o celular dela. – Até achar o meu, eu vou ficar com o seu.

— Isso é injusto! – ela ainda retrucou, mas sem ter realmente coragem de gritar. Não queria criar confusão, mas a ideia parecia tão divertida quando Taoo tinha falado. – Pede pra ela me devolver, vai. – ela tentou apelar para Lunie, mas aquele foi o momento que a líder escolheu para se vingar de ser trocada constantemente pelos outros dois trainees.

— Fala pros seus novos melhores amigos pedirem. Talvez algum deles consiga convencer a Raquel, igual conseguem te arrastar pra todo lado.

Letícia tombou a cabeça para o lado, encarando Lunie, totalmente confusa. Não conseguia entender o que sua amizade com Taoo e Lin tinha a ver com aquela história, tirando que a ideia original tinha vindo de um deles, mas Lunie não sabia daquilo.

Vendo que a mais nova estava totalmente perdida, Lunie acabou se dando por vencida e fazendo uma careta antes de levantar.

— Tá, eu vou. Mas você fica me devendo uma. – ela estava sendo seguida quando mandou que Letícia ficasse. Preferia enfrentar a fera sozinha. Ela bateu à porta de leve, antes de abrir e entrar no quarto de Raquel. – Você sabe que foi só uma brincadeira, né? Não precisa dar uma de mãe e confiscar o celular da menina também.

— Você não entendeu o que eu fiz? – Lunie negou com a cabeça, franzindo o cenho. – Deixa eu adivinhar... Ficou a tarde toda olhando o número do Ling Chao e pensando se devia mandar uma mensagem pra ele? – Raquel riria do vermelho que cobriu o rosto alheio, mas estava mais interessada em encontrar uma coisa no celular de Letícia. – Então não viu que tiraram fotos novas do “casal Qin’s”, certo?

Lunie ficou chocada quando Raquel lhe entregou o aparelho, que mostrava algumas fotos daquela tarde, com ela saindo do carro e se despedindo de Mu Ziyang com um beijo no rosto. O pior nem eram as fotos em si, mas a sessão de comentários, onde podiam achar coisas horrorosas e extremamente ofensivas que não eram apenas para ela, mas para as amigas também.

— Que ódio! Eu vou...

— Você não vai fazer nada. Eu liguei pra Sra. Zhouyi e ela disse que a empresa vai agir legalmente contra as pessoas que estão perseguindo vocês e também contra esses comentários. Mas, até sair pelo menos uma nota da empresa, melhor manter a Letícia longe das redes sociais. – Lunie entendeu a estratégia de amiga e concordou. Sabia que não poderiam proteger Letícia para sempre, mas o faria até quando pudesse. – Ela não percebeu. Ficou falando com o Taoo o ensaio inteiro pelo WeChat, depois a gente gravou e eu dei um jeito dela conseguir colocar o plano deles em prática e depois vim distraindo ela até aqui, fingindo que estava brava. – ela se espreguiçou e estalou o pescoço. – Só volta lá com uma cara de chateada ou irritada e diz que eu só vou devolver o celular dela amanhã. Assim a gente ganha tempo.

Aquilo era um bom plano.

Ela só esperava que a Qin’s pudesse soltar logo aquela nota e ajudar.

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YueYue observava Lin e Letícia gravando alguns vídeos com o celular do trainee, quando foi interrompido por Raquel sentando ao seu lado e dando um tapa de leve em sua nuca.

— Ela é menor de idade e ele é um neném, nem pensa. – ele sabia que era uma brincadeira, mas não se conteve em empurrá-la de leve com o ombro. Depois que se resolveram as coisas tinham se tornado bem leves entre os dois, e isso o agradava. – Eles passaram a manhã toda nisso... Não cansam não?

— Eles são jovens. Não velhos igual você.

— Falou o senhor de setenta anos que acha que tem vinte.

Leve, sim. Sem provocação, não. Eles eram bons em se alfinetar e aquilo era engraçado e divertido.

— Você viu a nota que saiu agora no weibo da empresa? – YueYue sabia que Letícia tinha “perdido” o celular de Raquel, então desbloqueou o dele e mostrou para a mais velha. – E também teve uma limpa nos comentários maldosos e matérias mentirosas sobre a Lunie com o YangYang. – ela suspirou, aliviada. Como tinha passado a manhã toda em uma aula de canto com Taoo, nem teve tempo de ver se as coisas tinham sido resolvidas, nem que parcialmente.

Ainda assim, agradecia por aquele dia Lunie ter ficado em casa. Adiantar aquela folga dela tinha sido uma boa ação da empresa para evitar qualquer coisa ruim.

— Ainda bem. A Lê pode ter o celular dela de volta, então... – YueYue a olhou, sem entender, e Raquel explicou seu plano. Foi uma surpresa quando ele começou a rir.

— Letícia! Vem aqui! – ele chamou a menina, ignorando o fato de que estragaria o vídeo que ela estava gravando, e a viu se aproximar, com Lin às suas costas. – Explica pra sua amiga por que você tá fazendo tanto conteúdo com o BC221.

Letícia ficou vermelha na hora. Aquilo era um segredo dela, e que tinha apenas comentado com os meninos, mas como não tinha dito que eles não podiam contar para ninguém, não era como se eles a tivessem traído por dizer ao YueYue. Ela suspirou e abaixou o olhar, pensando que, talvez, Lunie tinha ficado sabendo também e, por isso, estava estranha quanto à sua amizade com Lin e Taoo.

— É que... Olha, eu sei que é idiota, e que você e a Lunie vão achar que eu nem devia fazer isso, mas eu pensei que... – ela suspirou e coçou a nuca, sem graça. – Eu pensei que, se eu fizesse bastante coisa com os meninos, as pessoas deixariam de pegar no pé da Lunie com essa história boba de namoro com o Yang-ge. – Raquel estava surpresa, então não disse nada, o que Letícia levou como algo ruim. – Foi com boa intenção, eu juro! É por isso que a Lunie tá brava? Por eu fazer as coisas com os meninos?

Raquel escondeu o rosto com as mãos e começou a rir, sem conseguir se conter.

Enquanto ela e Lunie pensavam em planos mirabolantes para proteger Letícia, ela fazia o mesmo, na intenção de proteger Lunie. Aquilo era a coisa mais idiotamente fofa que poderia acontecer com elas.

Quando conseguiu conter a crise de riso, Raquel explicou tudo para Letícia, que parecia à beira das lágrimas de tanto nervosismo.

— Lunie não gosta de você grudada com o Lin e com o Taoo porque tem ciúmes, sua anta.

— Carinhosa como um coice...

— Cala a boca. – ela deu um tapa, dessa vez mais forte, no braço de YueYue. – Ela achou que você tava trocando ela. Isso, sem contar, que ela desconfia que você tá pegando o Taoo e tá chateada porque você não contou nada pra ela.

— Mas eu...

— Quer saber? Esquece. Vem comigo. – Raquel levantou em um rompante, pegando Letícia pelo pulso e puxando-a para as escadas. – Avisa a professora que a gente foi pra casa. Diz que foi um problema feminino. – ela gritou para YueYue, que riu, balançando a cabeça. – A gente vai tirar esse resto de dia pra gente. Chega de ficar de segredos e de sofrimento.

E elas – Raquel ainda arrastando uma Letícia perdida – foram para o dormitório, com a ideia de se desligarem do mundo e passarem o resto do dia bem ao estilo “festa do pijama”.

Porque elas mereciam um dia para elas.

Um dia sem segredos, sem planos, sem comentários maldosos as assombrando.

Um dia sem garotos, que só traziam problemas.

Elas mereciam um pouco de paz.

E Lunie concordou completamente com a ideia quando as viu irromper pela porta da frente.

Claro que ela ainda deu uma bronca em Letícia por fazer as coisas sem avisar, mas estava tão orgulhosa de ver sua menina amadurecendo, que as duas acabaram abraçadas em frente à TV, enquanto Raquel fazia uma panela de brigadeiro para as três.

Os problemas podiam esperar.

Continua...

Notas finais
Gostaram? Não? Me deixem saber. Esse capítulo foi mais um bálsamo em meio a tantas reviravoltas. Só um momento para respirar, antes de sabermos o que vai realmente acontecer com o nosso casal preferido kkkkkk Um interlúdio, eu diria... Próximo capítulo voltamos à montanha russa sentimental de sempre kkkkkkkkkk Bjs ^^