Beatriz havia ido direto ao quarto de Raquel no hotel, ela estava disposta a agir contra Renato. Ele pagaria muito caro por ferir o ego dela mantendo uma garota de programa.

— finalmente nós vamos agir minha amiga – dizia ela, segurando as mãos de Raquel – eu vou te dar todas as provas que tenho contra o meu marido, de que foi ele quem matou sua amiga e nós vamos jogá-lo na cadeia – mas sua expressão mudou drasticamente – porém, você vai ter que fingir que agiu sozinha!

— mas por que? — perguntou Raquel

— porque eu não posso me revelar ainda contra meu marido. Ele tem vários outros crimes que terão que ser comprovados, mas eu só conseguirei unir as provas quando ele for preso.

— mas e você descobriu quem é a cúmplice dele, a tal que levou a Helô pra morte?

— claro que sim, foi a Camila, a secretária dele! — Beatriz tinha certeza que Camila estava agindo junto com Marcela, pelo fato de morarem juntas, por isso queria armar para ela também – ele é amante da secretária também!

— mas ele é podre de rico e cheio de contatos, ele vai ser solto! — Raquel havia pensado em todos os detalhes.

— sim, justamente por isso você não pode colocar meu nome nessa história. Ele sai da cadeia e volta pra casa, onde ele vai encontrar meu apoio, porém vai ser uma fachada. Se ele achar que eu estou do lado dele, ele vai confiar em mim e daí eu conseguirei as provas que ainda faltam. Posso contar com você?

— pode! — Raquel estava feliz, pois acreditava que justiça seria feita para Helô, porém o que ela não imaginava é que estava sendo usada de bode expiatório.

Beatriz entregou nas mãos de Raquel um dossiê completo com as provas forjadas de que havia sido Renato quem havia matado Helô.

— eu vou garantir pra você um local mais seguro ainda para que ele não possa fazer nada contigo. Assim que você entregar as provas, você precisará desaparecer de circulação até que ele seja preso novamente – Beatriz era tão convivente que qualquer um acreditaria nela.

Naquela mesma noite Raquel munida do dossiê que incriminava Renato foi até a polícia federal.

***

Por volta de nove horas da manhã do dia seguinte, uma jovem indígena que estava em um rio lavando algumas peças de roupas na margem do rio, notou alguma coisa estranha. A alguns metros de distância dela, havia uma silhueta no barro da encosta do rio, ela curiosa foi até lá e assustou-se com o que viu. Ela correu até alguns de seus familiares que estavam ali junto dela e disse, em tupi-guarani “tem alguém desmaiado na encosta do rio. Precisamos levá-la até a aldeia”. Os familiares foram até lá com ela e carregaram o corpo de Marcela até a aldeia para ser tratada lá.

***

— dona Beatriz, desculpa invadir, mas aconteceu algo! — disse a secretária ao invadir a sala de Beatriz.

— meu Deus, o que houve?

— é o seu Renato, está dando na TV, ele foi preso! — a secretária estava ofegante.

— obrigado. Ligue para o escritório dele e consiga todas as informações que conseguir sobre o caso – ordenou Beatriz.

A secretária saiu e Beatriz foi até o google e digitou o nome do marido, eis que pipocaram em sua tela manchetes com títulos como “famoso advogado Renato Delaôr é preso nessa manhã sob acusação de assassinato”. Beatriz sorriu, ela estava mesmo esperando que aquele momento chegasse, afinal tinham cinco semanas que ela havia entregado as provas para Raquel, mas Raquel fez exatamente o que haviam combinado, entregou aos policiais que levaram esse tempo para construir o caso e prender Renato e Raquel estava escondida em um hotel com um segurança vigiando-a, um homem da confiança de Beatriz, então a secretária entrou novamente na sala de Beatriz.

— parece que os contatos do seu marido já conseguiram falar com o juiz que foi designado para o caso e ele vai ser solto. O pessoal do escritório até pediu para você ir até a delegacia o quanto antes. Foram presos ele e uma secretária, uma tal Camila.

Beatriz foi até a delegacia. Quando chegou lá, havia um circo montado. Repórteres para todos os lados e quando Beatriz saiu do carro e foi em direção a porta de entrada da delegacia, os jornalistas foram todos para cima dela. Ela usava uma óculos escuros enormes e os ignorou completamente. Quando ela entrou, seu marido e os colegas advogados estavam preparados pra sair, então Beatriz correu abraçar o marido.

— meu amor, o que houve? — Beatriz era uma ótima atriz, como sempre.

— armaram pra mim! — Renato não queria falar nada na frente da polícia – vamos pra casa que eu te conto.

Os dois saíram dali e quando chegaram em casa, Lídia estava aflita.

— o que foi que houve? — ela correu abraçar o irmão quando ele entrou.

— alguém matou uma garota de programa e implantou em imóvel que estava no meu nome. A garota foi encontrada morta dentro de um freezer. Alguém explodiu os miolos da coitada e armou pra mim! — Renato omitiu os detalhes de que suas digitais também estavam na cena do crime.

— meu Deus, mas quem? — Lídia estava chocada.

— eu sou um advogado com uma carreira de anos e um histórico de casos muito polêmicos. Já mandei gente poderosa demais pra cadeia, não há como saber, na profissão que eu tenho, incontável o número de inimigos que eu formei ao longo dos anos.

— mas isso é um filme de horror! — Beatriz continuava atuando – tem alguma possibilidade de você ser preso novamente?

— não, movimentei alguns contatos e o juiz me soltou sob fiança, consigo esperar o julgamento em liberdade a menos que algum promotor ache que sou um perigo para a sociedade.

— o que é ridículo! — Lídia estava com muita raiva – você não é nem nunca foi perigo para ninguém!

Beatriz e Renato subiram para o quarto. Beatriz estava muito quieta e Renato percebeu sua frieza

— está tudo bem meu amor – Renato estava calmo – eu sei que a situação é complicada, mas sei que não vai acabar tudo bem, afinal eu tenho a verdade ao meu lado e… — sua fala foi interrompida por uma bofetada na cara.

— você achou que ia me trair e sair impune, seu filho de uma égua? — Beatriz estava com uma expressão de raiva.

— o que? — Renato havia ficado chocado – o que é isso?

Beatriz deu mais uma bofetada na cara de Renato.

— eu dei um tiro no meio da cara daquela desgraçada e só não vou dar um tiro na tua também porquê você vai viver pra sofrer, você vai pagar o preço por ter me traído.

— você fez o que? — Renato estava boquiaberto

— isso mesmo que você entendeu, e você vai começar a pagar agora mesmo – Beatriz começou a puxar os próprios cabelos, ela rasgou uma das mangas da camisa que estava usando, deu uma bofetada no próprio rosto e arranhou o rosto – o que você está fazendo? — ela começou a gritar – foi você? Por que você está fazendo isso Renato? Pelo amor de Deus, alguém, socorro, ele vai me matar como matou a outra, então quando ela ouviu que alguém estava abrindo a maçaneta da porta do quarto, ela se jogou contra um móvel que havia no quarto.

— o que está acontecendo aqui? — Lídia deparou-se com aquela cena e ficou chocada. Ela correu para socorrer Beatriz – o que você está fazendo seu desgraçado?!

— eu não fiz nada, foi ela quem fez tudo isso! — Renato estava chocado

— Patrícia, chama a polícia — gritou Lídia para a empregada – chama a polícia agora que o Renato está tentando matar a Beatriz!

— eu não fiz nada disso Lídia, você me conhece!

— cala essa maldita boca! — não tinha coisa que Lídia odiava mais do que homens que batem em mulheres – eu achei que você era inocente, mas pelo visto você é um monstro que precisa ser tirado do convívio da sociedade!

Renato viu que não adiantaria argumentar com Lídia, ela estava manipulada com a cena, afinal Beatriz havia montado tudo aquilo muito bem, porém Beatriz havia armado um flagrante perfeito, então sem falar nada Renato saiu, ele pegou seu paletó com as chaves do carro no bolso e saiu e ouviu que Lídia ficou gritando alguma coisa dentro de casa sobre ele ir para a cadeia que era seu lugar, porém a hora que ele entrou no carro e deu a partida, e polícia chegou e trancou sua saída, anunciando que ele estava preso.

***

— você acha que está bem para ir? — questionava Uyara, a indígena que estava cuidando de Marcela na aldeia.

— acho que sim. Faz mais de um mês que estou aqui, você cuidou muito bem dos meus ferimentos e estou ótima. Quero voltar pra minha casa e pra minha vida, quero viver em paz – Marcela tinha um tom de dor em sua voz, porém não era uma dor física, e sim a dor emocional que sentia.

— você desistiu de sua vingança? — Uyara estava preocupada com saúde de Marcela.

— sim, eu fui derrotada em todas as maneiras possíveis. Quem eu achei que estava do meu lado na verdade me traiu, enfim, eu preciso viver em paz, longe de tudo isso, preciso viver.

— então vá, mas saiba que sempre que precisar de uma família, você tem a nós!

As duas se abraçaram, Marcela devia a vida aos indígenas daquela aldeia, em especial Uyara, a velha e sábia habitante de lá, a quem havia se apegado bastante desde que fora salva naquele rio, mas ela sabia que era a hora de ir. Ela queria ir pegar suas coisas, voltar a sua casa fora do Brasil e recomeçar sua vida. Ela sabia que não tinha mais forças para medir com Beatriz, então ela chamou um táxi na aldeia e foi até a cidade. Ela foi até sua casa e percebeu uma movimentação estranha. Ela andava se esquivando para que não fosse natada por ninguém. Ela queria que Beatriz pensasse que ela havia de fato morrido para nunca mais se incomodar com ela.

Quando ela chegou no apartamento, usando a chave reserva que tinha escondida, ela entrou e começou a arrumar suas coisas. Ela ligou a televisão num canal de notícias e deparou-se com a foto de Renato ocupando a metade da tela, enquanto a repórter falava da frente da delegacia, ocupando a outra metade: “… por ter ensino superior completo ele teve direito a uma cela especial, o que não aconteceu a sua secretária Camila Souza, apontada como sua cúmplice no assassinato de Heloísa de Oliveira, a garota de programa com quem ele mantinha um relacionamento extraconjugal. Como ele foi preso em flagrante pela agressão a esposa, a dona da empreiteira Andrade/Delaôr Construtora e Incorporadora Beatriz Delaôr, o juiz o caso não concedeu uma nova fiança a Renato. Assim que tivermos novas informações voltamos, é com vocês aí no estúdio.”. Marcela ficou chocada, Beatriz estava agindo novamente, ela tinha certeza que Beatriz havia armado para o marido e para Camila, ela então caiu sentada em sua cama, um filme começou a passar em sua cabeça, ela viu Beatriz planejando a morte de sua mãe, planejando a morte de seu pai, dando os tiros em Sirlei e ateando fogo na casa com seu corpo dentro e agora, ela armando para o marido, sendo que provavelmente ela também matou a amante do marido e forjou a agressão.

O sangue encheu os olhos de Marcela, ela lembrou-se do motivo pelo qual ela havia voltado ao Brasil e não sairia dali sem finalizar, dessa vez Marcela não permitiria que Beatriz saísse impune mais uma vez.