As Duas Faces de Uma Vingança.
10 Reviravolta
— no fim das contas ele acabou de entregando, e eu não aguentei, tive que confrontá-lo quando descobri que ele havia matado a garota, então nesse momento ele partiu pra cima de mim, foi horrível – Beatriz chorava com o rosto coberto de hematomas para o delegado durante o depoimento.
— minha cliente está abalada demais, podemos parar por hora o depoimento? — disse a advogada de Beatriz, porém ela não queria ceder.
— não precisa Ângela, eu quero acabar com isso tudo de uma vez – disse Beatriz – eu comecei a questioná-lo e nesse momento ele partiu pra cima de mim, ele me disse que eu deveria ficar quieta se que quisesse viver eu não deveria me meter nesse caso, ele alegava que se livrar disso tudo era só uma questão de tempo, eu fiquei enojada, acabei perdendo a cabeça e o ofendi, eu chamei ele de assassino e então nesse momento ele partiu pra cima de mim, me deu a primeira bofetada e então foi uma série de agressões, ele rasgou minha roupa, me bateu mais no rosto, me puxou os cabelos, foi terrível. Nunca achei que passaria por tamanha selvageria na minha vida!
— está bom por hora dona Beatriz, obrigado pela cooperação, você está dispensada – disse o delegado levantando-se e estendendo a mão para cumprimentar Beatriz e sua advogada.
Beatriz estava por cima mais uma vez. Seus golpes haviam levado ela até onde ela queria, ela havia se vingado de todos os seus inimigos, porém ainda faltava se livrar de uma pessoa.
Após dispensar sua advogada, ela pegou o carro e foi até um famoso traficante da cidade e comprou com ele duas seringas prontas de heroína e ligou para Raquel, dizendo que precisava encontrá-la, porém ela pediu para que fosse em sua casa, pois elas ainda não poderias ser vistas juntas e Raquel aceitou. Ela fechou a conta no hotel, chamou um táxi e foi para casa.
— oi Beatriz, eu fiquei sabendo do que houve – disse Raquel ao abrir a porta, convidando Beatriz para entrar – como você está?
Beatriz abraçou Raquel e entrou.
— estou bem, apesar de tudo, estou bem. Finalmente justiça está começando a ser feita minha amiga – Beatriz sentou-se no sofá da sala.
— posso te oferecer alguma coisa pra beber Beatriz?
— claro, eu adoraria um chá, tem?
Raquel foi até a cozinha preparar o chá e Beatriz ficou na sala esperando. Assim que Raquel voltou com as xícaras, ela colocou as duas sobre a mesa e começou e as duas começaram a conversar e então o telefone de Raquel tocou, então Beatriz ficou um pouco assustada.
— você tem mantido contato com alguém? — ela perguntou
— apenas com minha mãe. Ela mora longe daqui, não nos vemos a anos e ela está pensando em vir me visitar sabe. Se importa se eu for atender?
— claro que não minha querida, pode ir.
Raquel levantou-se e foi até o quarto, e Beatriz viu aí a chance perfeita. Ela tirou da bolsa um frasco transparente com uma substância, substância essa que ela derramou algumas gotas no chá de Raquel, pegou a sua xícara e tomou alguns goles e olhou em volta, para certificar-se de que Raquel não havia visto nada. Quando Raquel voltou, ela sentou-se, pegou sua xícara e tomou alguns goles também e as duas ficaram conversando. Alguns minutos se passaram e Raquel começou a ficar zonza.
— está tudo bem querida? — Beatriz tomou mais um gole do chá
— não sei, estou meio tonta e… — ela parou de falar e viu a expressão de Beatriz, então ficou apavorada – o que você colocou no chá?
— nada minha querida, do que você está falando? — Beatriz estava usando um tom muito cínico.
— foi você quem armou tudo? — Raquel tentou levantar-se, mas não tinha força nas pernas.
— foi você quem matou a Helô, não foi?
— achei que você ia descobrir mais rápido… mas você foi uma das peças mais fáceis de usar no meu jogo querida, mas agora me livrando de você, tudo estará resolvido minha querida, tudo estará perfeito – então Beatriz deu mais um gole no chá.
— foi você quem matou a Helô e armou pro seu marido, não foi? — Raquel estava ficando cada vez mais zonza
— foi. Aquela piranha achou mesmo que ia ter um caso com o meu marido e se safar dessa? Claro que não! Eles dois tiveram o que todos os que se metem comigo recebem. Eu não tenho nada contra você minha querida, mas é que realmente, você precisará ser morta para que o plano não tenha falhas – Beatriz largou a xícara e levantou-se, pegando sua bolsa e pegou uma das seringas – eis o que vamos fazer: eu vou injetar as duas seringas de heroína na sua veia e você vai morrer de overdose. Como eu não tenho nada contra você, eu vou te dar uma morte em que você vai alucinar e nem verá, juro que estou tentando ser boa com você.
Beatriz pegou o braço de Raquel para injetar a droga, então sem que ela percebesse Raquel pega um castiçal que havia na mesinha do lado do sofá e bate na cabeça de Beatriz que caí no chão, quase inconsciente e fica se debatendo.
— desculpa não ser a peça que não vai fechar no teu jogo, sua cadela. Achou mesmo que eu ia tomar aquela porcaria? — Raquel levantou-se e pegou o celular que estava sobre a mesa de onde ela tinha pego o castiçal e pressionou a tecla “finalizar gravação” — agora eu te peguei sua vaca.
Raquel pegou seu celular e sua bolsa e saiu dali correndo para que Beatriz não a alcançasse. Beatriz ficou no chão por alguns minutos até que recobrasse a consciência e então ela pegou seu celular, enviou uma foto de Raquel para Hermes com o enunciado “encontre essa garota agora. É urgente!”.
***
Marcela foi até o hotel onde Sirlei estava hospedada e alugou o mesmo quarto em que ela estava. Ela estava desesperada para encontrar as provas que Sirlei havia escondido dentro do colchão e voilà, havia um envelope em branco com todas as provas que la havia reunido na empresa contra Beatriz. Ela sabia que sozinha não conseguiria fazer nada, ela ia precisar de ajuda de alguém poderoso, então ela teve a ideia. Ela iria até Lídia pedir ajuda.
***
Longe dali, ofegante, Raquel chegou no escritório de Lídia e disse ser uma moradora nova da cidade que queria decorar sua casa e que Lídia havia sido muito bem recomendada. Lídia recebeu Raquel.
— tudo bem querida? — Lídia estendeu o braço, oferecendo uma das poltronas para que Raquel se sentasse – quem foi que me recomendou?
— na verdade não é nada disso – Raquel pegou o celular da bolsa – eu vim aqui pra te ajudar a fazer justiça.
Lídia ficou sem entender nada, então, Raquel apertou o play na gravação que havia feito a alguns minutos atrás.
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