As Duas Faces de Uma Vingança.
8 Morte
Sirlei e Marcela estavam sentadas no banco de trás do carro de Beatriz, Ela havia pego as duas de maneira discreta, sem que ninguém as visse e Beatriz havia deixado bem claro que estava armada. Marcela temia por Sirlei, não queria que nada acontecesse a ela, ela faria o que estivesse a seu alcance para proteger sua mãe.
— então quer dizer que as duas estão se achando mais espertas do que eu? — disse Beatriz ao estacionar o carro em frente a uma casa de madeira abandonada distante da cidade – desçam e entrem na casa. Qualquer passo suspeito, mando as duas pro inferno. Peguem as malas no carro e entrem.
Quando entraram, a casa estava fazia, as vidraças estavam todas quebradas e alguns cômodos nem tinham portas, era um local distante da cidade usado por usuários de drogas, Beatriz apontou a arma para Sirlei.
— com Marcela eu não vou perder tempo agora, então eu vou falar com você Sirlei, que creio ter mais bom senso que ela, quero saber tudo o que está acontecendo aqui e vou falar só uma vez, se mentirem eu vou saber e vai ser a última mentira de vocês.
— não fala nada pra essa desgraçada! — disse Marcela.
— isso, essa é a Marcela que eu conheço, a cadelinha que se acha muito corajosa. Sempre foi assim né, sua piranha!
— parem vocês duas! — Sirlei interveio – Beatriz, estávamos indo embora, assim como você pediu, por que tudo isso?
— você achou mesmo que eu ia cometer o mesmo erro duas vezes? Vocês já tiveram a chance de vocês, mas não aproveitaram. Eu só te falei aquilo porque sabia que as duas desesperadas para fugir, eu conseguiria pegar as duas.
— muito corajosa com a arma em mãos né Beatriz – disse Marcela – larga isso aí e vamos ver quem é quem aqui!
— para Marcela, isso não vai dar em nada – tentava Sirlei, em vão, acalmar a Marcela.
— chega mãe, essa desgraçada já ficou tempo demais livre!
— mãe? — Beatriz deu uma gargalhada – foi você quem tirou ela do hospital naquele dia não foi?
— foi sim, e foi ela quem me criou, sua cadela! — gritou Marcela
— isso grita! Grita mais sua infeliz, eu estava com saudade daquela garotinha teimosa, aquela demônia – Beatriz virou-se para Sirlei – pois é, você matou a mãe dela, nada mais justo que dar uma nova mãe pra ela, não é mesmo?
Marcela ficou chocada com o que ouviu, ela ficou sem entender nada.
— o que foi que você disse? — Marcela virou-se para Sirlei – do que ela está falando?
— cala a boca Beatriz, cala essa maldita boca!
— vai me dizer que você não contou pra ela? — Beatriz interrompeu Sirlei – achei que a relação de vocês era baseada na sinceridade. A por favor Sirlei, vai me dizer que você deixa a pobrezinha te chamar de mãe sem ter contato pra ela que você matou a mãe dela?
— fala logo sua cadela! — Marcela gritou com Beatriz
— vou contar então, já que a sua mamãe não vai contar, conto eu – Sirlei tentou correr contra Beatriz enquanto ela falava, então ela deu um tiro no chão, assustando-a e fazendo ela parar – sem mais interrupções, vou contar. É simples demais Marcelinha, sua mamãezinha querida aqui era enfermeira da tua mãe de sangue, porém ela sempre foi uma vagabunda e estava tendo um caso com o teu pai, teu lindo papai que aliás, enquanto a tua mãe estava morrendo numa cama de hospital tinha a mim, ela e sabe-se lá mais quantas como amantes, que ser humano maravilhoso, não é mesmo? — Beatriz voltou-se para Sirlei – sempre foi uma piranha que, enquanto a patroa morria na cama, estava dando pro patrão, então, olha só que loucura, não é que ficou grávida?
— pelo amor Deus Beatriz, não fala mais nada! — Sirlei chorava
— deixa eu terminar, deixa eu terminar que a história tá ótima! — Beatriz sorrindo, voltou-se a Marcela – e eu como sou uma pessoa maravilhosa, sabendo que seu pai mantinha as duas, ajudei a minha amiga Sirleizinha aqui a se livrar do pequeno incomodo que ela carregava na barriga, eu sou uma santa não sou?
— você fez um aborto Sirlei? — Marcela estava cada segundo mais chocada, ela não reconhecia aquela mulher de quem Beatriz estava falando.
— ela me obrigou Marcela, eu era jovem, pobre e desesperada e não sabia o que estava fazendo, ela me obrigou a… — Sirlei então foi interrompida por Beatriz.
— obriguei não, eu te dei uma ideia e você viu como a sua salvação, mas isso não interessa Marcelinha, o que te interessa mesmo nessa história vem agora, e se me interromper minha amiga, eu te meto uma bala. Sirlei concordou em me ajudar a substituir os remédios da sua mãe pra acelerar a morte dela.
— para, chega não fala mais sua desgraçada — Sirlei correu em direção a Beatriz, fazendo ela disparar. O tiro pegou no ombro e ela caiu no chão.
Marcela gritou e foi em direção de Sirlei, pegando-a no colo.
— me diz que isso não é verdade, me diz que tudo isso é mentira dessa desgraçada pra fazer intriga entre a gente!
— me perdoa minha filha – Sirlei chorava no colo de Marcela – ela me chantageou. Eu não vou me colocar como inocente, mas eu me persuadiu a tirar o bebê e depois me chantageou com isso para que eu a ajudasse. A única coisa que preciso é perdão, o teu perdão minha filha – ela fazendo muito força aproximou-se do rosto de Marcela, abraçando-a e em seu ouvido disse “as provas estão todas no hotel, fiz um buraco no colhão e coloquei tudo lá”, então ela deitou-se novamente sobre o colo de Marcela.
Marcela não conseguia dizer nada. Ela apertou firme a mão de Sirlei enquanto as lágrimas corriam por seu rosto, então Beatriz disparou novamente, acertando dessa vez o peito de Sirlei, que morreu na hora. Marcela gritou apavorada.
— chega, larga ela aí e vamos – disse Beatriz.
— maldita, você vai tirar de mim tudo o que eu tenho! — Marcela gritava.
Beatriz pegou Marcela pelos cabelos e arrastou-a, fazendo ela largar o corpo de Sirlei ali no chão. Ela pegou um esqueiro que havia em seu bolso e acendeu ele jogando em uma cortina velha e rasgada que havia em uma das janelas e as chamas logo começaram a se espalhar. Com o calor que fazia e as madeiras velhas daquele jeito, logo o local seria consumido pela chamar. Beatriz arrastou Marcela até o carro pelos cabelos e a jogou no banco de trás, assim que Marcela tentou levantar-se, ela levou uma coronhada na cabeça que a fez desmaiar.
Quando Marcela acordou, a porta do carro estava aberta e Beatriz estava com o revólver apontado para ela.
— sai do carro – disse ela.
— o que você vai fazer sua doente? — pela primeira vez na vida, Marcela estava com medo.
Marcela saiu do carro e Beatriz colocou a arma em suas costas.
— anda até o parapeito – ela disse.
Marcela então percebeu que as duas estavam em uma ponte. Beatriz empurrou Marcela e ela andou. Quando ela chegou no parapeito, ela virou-se para Beatriz.
— eu matei suas duas mães e seu pai, mas eu sou uma pessoa tão boa sabe, eu faço questão de te mandar pra junto deles, mas antes eu preciso te dar os parabéns, porquê mesmo sabendo do que eu sou capaz você teve coragem de me enfrentar garota, parabéns, mas é uma pena que você seja uma idiota, sempre foi, assim como toda a sua família, por isso que caíram todos, caíram e caíram pelas minhas mãos, porque eu sempre fui e sempre serei melhor que todos vocês, mas como eu te disse, vou deixar todos vocês juntinhos – ela fez uma pausa e respirou fundo – ai, o que seria de vocês sem a minha bondade Marcelinha?
Beatriz então deu um tiro que acertou Marcela no ombro, com o impacto do tiro, ela foi arremessada sobre o parapeito, despencando da ponte enquanto gritava. Beatriz ouviu o barulho do corpo caindo na água e foi até lá, ela olhou para baixo e viu a agitação da água sendo levada pela correnteza que havia ali.
— um problema está resolvido, agora vamos ao marido infiel – ela virou-se, guardou o revolver e foi em direção ao carro.
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