Raquel acordou no outro dia e foi até o quarto de Helô e não a encontrou, o que a deixou ainda mais preocupada, devido a mensagem que recebera na noite anterior, então ela tentou ligar para a miga e o telefone nem sequer chamava, então ela chamou um táxi.

— é aqui mesmo moça? — perguntou o taxista – esse conjunto habitacional não está pronto ainda, ninguém mora aí.

— pois é, estranho mesmo, mas é aqui sim – Raquel pagou a corrida e dispensou-o.

Todas as casas era iguais, nenhuma tinha sinais de vida, algumas ainda estavam em obras, então ela pegou o celular e foi até a localização exata em que a mensagem havia sido enviada. Era uma casa que tinha uma das vidraças da frente quebrada, o que demonstrava sinais de invasão e as demais casas ao redor também indicavam ser abandonadas, porém o que chamou sua atenção é que em meio àquelas casas, havia uma que estava intacta. Ela tinha a fachada já terminada, diferente das outras e as janelas possuíam cortinas. Raquel achou tudo aquilo muito suspeito, e então foi até a casa. Ela bateu na porta, porém não obteve nenhuma resposta, ela então insistiu e novamente não obteve nenhuma resposta, então ela deu uma volta ao redor da propriedade para ver se encontrava alguma coisa, porém nada, então ela tentou mais uma vez ligar para a colega, e então sua espinha congelou. Ela estava sob uma varanda que havia na porta de trás da casa e com o telefone chamando para o número da amiga, ela ouviu o telefone tocando, era o toque do celular da amiga, vindo de dentro da casa. Em pânico, ela colocou as mãos sobre a boca com uma expressão de completo pavor e então, ela ligou para a polícia.

Alguns minutos depois, dois policiais estavam lá.

— como assim vocês não podem invadir a casa? — Raquel estava histérica – vocês viram a mensagem e estão ouvindo o telefone dela tocando dentro da casa!

— olha só moça, vamos com calma – o policial estava ficando irritado com Raquel – sua amiga enviou uma mensagem que estava indo fazer um programa. Não temos como saber o que houve, ela pode ter ido viajar junto com quem a contratou e além disso, só vira caso de desaparecimento depois de 24 horas, então até hoje a noite, ela não está desaparecida. Vá pra casa esperar ela e se ela não aparecer até amanhã de manhã, vá pra delegacia. Posso ajudar em mais alguma coisa?

Raquel sabia que não conseguiria ajuda dessa polícia sendo machista e elitista do Brasil, que não faria esforço algum para encontrar uma garota de programa desaparecida, então ela dispensou dos policiais e chamou um táxi. Ela sabia que precisaria dar um outro jeito de entrar naquela casa.

***

— achei que a senhora gostaria de saber dessa movimentação toda lá na sua casa – disse a voz masculina ao telefone. Era o contato que Beatriz tinha dentro da polícia.

— claro, muito obrigada pela informação. Como sempre, você será muito bem recompensado – disse Beatriz ao desligar o telefone. Então, sua secretária entrou em sua sala, anunciando que estavam todos a postos na sala de reuniões esperando por ela.

Beatriz foi até lá e encontrou todos lá, ela estava aflita pois uma das construções mais importantes do ano de sua empresa estava apresentando alguns problemas, e ela queria uma resposta de seus funcionários. Esse inclusive era o motivo pelo qual ela havia contratado gente nova, ela queria sangue novo na obra, e Marcela ainda não sabia, mas a chance perfeita para dar início a seu plano, cairia em seu colo nessa reunião.

— vocês tem 24 horas pra me dizer o porque de tudo isso — Beatriz estava exausta depois de mais de duas horas de reunião sem nenhuma resposta conclusiva – até amanhã quem não surgir com uma resposta, estão todos dispensados, dispensados não, demitidos é o termo mais correto. Agora podem ir trabalhar, saiam todos, menos você Mariana.

Marcela ficou um pouco nervosa, pois Beatriz estava nervosa demais. Todos saíram e Beatriz fez sinal para que Marcela se sentasse mais próxima a ela.

— então Mariana – Beatriz sorriu – Mari. Posso te chamar de Mari?

— claro Beatriz – Marcela sorriu em retribuição – mas eu não vou te chamar de Bea, muito menos chefinha!

As duas riram.

— então Mari, pedi para que ficasse porque eu estava avaliando os currículos dos meus novos funcionários, porquê francamente eu não aguento mais os meus antigos funcionários. A questão é que eu precisava colocar um engenheiro novo a frente da obra e cheguei a conclusão que a melhor escolha pra essa função é você Mari. A partir de agora você é a engenheira que vai encabeçar a construção do Palladium Residence – Beatriz sorriu, deslizando pela mesa em direção a Marcela uma pasta vermelha que continha os principais documentos a respeito da construção.

— meu Deus Beatriz, eu nem sei o que dizer! — Marcela estava feliz, ela havia conseguido dar um passo muito importante em direção a sua vingança, ela havia conseguido a confiança de Beatriz.

Depois de alguns minutos e todos os detalhes acertados, Marcela foi dispensada e saiu da empresa. Beatriz havia dado a ela toda a liberdade que precisava, inclusive trabalhar fora da empresa. No mesmo instante em que ela pisou fora da empresa, ela enviou Hermes para saber o que ela ia fazer. Beatriz não era burra, ela havia dado poder para Marcela para ver o que ela seria capaz de fazer, ela tinha um pressentimento ruim com Marcela. Hermes foi atrás dela.

Marcela foi a um café discreto no centro da cidade, onde tudo e todos passavam despercebidos. Ela pediu um chocolate quente e ligou, de um celular antigo com número pré-pago que ela chamava de “linha segura” e usava apenas para conversar com Sirlei e ligou para ela.

— mãe, eu consegui – disse Marcela, feliz – ela confia em mim! Mais rápido do que se pode imaginar, mas o meu currículo é tão impecável que ela se obrigou a me ajudar.

— Marcela minha filha, pelo amor de Deus, aquela bruxa é ardilosa, você sabe que ela é inteligente demais pra cair fácil desse modo! — Sirlei estava com o mesmo tom de preocupação de sempre – volta pra casa e vamos acabar com isso antes que aconteça algo pior. Você consegue imaginar o que essa infeliz faria contigo se descobrisse?

— ela não vai fazer nada mãe, quem fará com ela sou porque quem vai pegar essa safada sou eu! — Marcela usava agora um tom rude – eu já sei até o que vou fazer, só preciso aperfeiçoar minha ideia, mas eu vou dar um prejuízo de milhões pra essa infeliz! Preciso desligar, tenho poucas horas pra dar uma resposta pra ela. Assim que eu decidir como vou agir eu te ligo. Beijos mãe, te amo.

Ela desligou e deu mais um gole no seu chocolate quente, abriu a carteira, colocou sobre a mesa o dinheiro para pagar a conta, levantou-se e saiu. O que ela nem notou é que na mesa atrás dela, ouvindo toda a conversa estava Hermes, tomando um uísque.

Marcela voltou a empresa e estalou-se em sua nova sala. Outra área que Marcela dominava em segredo era a tecnologia. Sabendo que seria útil de ela tivesse acesso a computadores de Beatriz, seria fácil rastrear alguma coisa que pudesse usar contra ela. Marcela era muito habilidosa como hacker. Ela começou a vasculhar documentos compartilhados na rede da empresa. Ela pegou um pen-drive e nele colocou várias informações de finanças, principalmente planilhas de gastos. Marcela conhecia Beatriz, ela sabia que alguém como ela nunca teria feito tamanha fortuna de maneira lícita.

***

— ela disse o que? — Beatriz virou-se rapidamente encarando Hermes.

— isso mesmo que você ouviu. Só precisamos saber como ela vai agira agora. Devo agir para derrubá-la agora?

— não, vamos com calma. Essa garota não é só uma espiã de algum inimigo ou concorrente. Essa garota tem algum problema pessoal comigo – Beatriz virou-se novamente encarando a janela de seu escritório – vamos esperar para descobrir o motivo disso tudo. Sinto que não é só dinheiro ou espionagem industrial.