Era noite, já haviam fechado vinte e quatro horas que Helô estava sumida e Raquel sabia que algo de ruim havia acontecido dentro daquela casa com sua amiga, então ela decidiu que iria invadi-la. Assim que ela chegou lá, ela pegou um pé de cabra que tinha dentro da mochila e arrombou a porta de trás. Quando a porta abriu, ela acendeu a lanterna do celular e deu uma olhada em volta. Era uma área de serviço que cotinha uma máquina de lavar roupas e um freezer que estava trancando com um cadeado. Ela então encostou a porta, e acendeu a luz. Ela usou o celular pra ligar para o número da amiga e então dessa vez não tocou. Ela ficou esperando, o número chamou até cair na caixa e então tentou ligar novamente, porém nada. Ela ficou apavorada, era um sinal claro de que alguém havia estado ali e dado fim ao telefone, ela então decidiu olhar a casa em busca de alguma informação.

Não havia nada pessoal. Nada de fotos, nos quartos não havia roupas, nada e isso deixou Raquel muito assustada, passaram inúmeras coisas pela sua cabeça. Tentou ligar mais uma vez para o número, porém nada. Haviam duas possibilidades: Helô havia pego o telefone, o que ela achava pouquíssimo provável, ou alguém havia tirado o telefone dali, o que ela temia ser a verdade.

Quando ela se dirigiu a porta dos fundos para sair, ela olhou o freezer fechado com um cadeado, o que ela anteriormente nem tinha notado, e resolveu abri-lo. Ela pegou o pé de cabra e quebrou o cadeado e o abriu. Quando a tampa do freezer abriu-se, ela ficou apavorada, em completo estado de choque com o que viu e, com as mãos sobre a boca, ela começou a andar para trás até se chocar contra a parede. Dentro do freezer estava o corpo de Helô com o rosto desfigurado por causa do tiro. Lágrimas escorria pelo rosto de Raquel e ela começou a deslizar pela parede até cair sentada no chão, então ela viu uma silhueta se formando na porta.

— encontrou o que procurava? — a voz de Beatriz era suave.

Raquel congelou. Ela ficou apavorada, tentou levantar-se e correr, porém Beatriz a pegou pelo braço e a impediu de sair.

— o que você está fazendo aqui? Você é cúmplice do meu marido e ajudou ele a matar essa garota? — ela segurou com firmeza os braços de Raquel e ela olhou fixamente nos olhos de Beatriz com espanto.

Beatriz fechou a porta do freezer.

Depois de alguns minutos, elas conversavam, Raquel questionava, chocada com a história.

— então, o seu marido era o cliente fixo da Helô e ele matou ela? Mas por que?

— até agora, o que consegui descobrir é que ela sabia que meu marido estava envolvido em casos de políticos sujos e estava ajudando eles a se safarem. Ela começou a chantageá-lo e então ele a matou – Beatriz falava em um tom de voz tão triste que comovia Raquel.

— mas e por que você ainda não entregou ele?

— por que eu não tenho provas ainda, além disso, ele não agiu sozinho, porque na noite em que ela foi morta, meu marido estava comigo em casa.

— sim, ela me mandou uma mensagem que foi uma mulher que a abordou e a trouxe pra cá!

— e como você soube a localização daqui Raquel?

— ela me mandou uma mensagem com a localização.

Beatriz lembrou-se do momento em que Helô mandou a mensagem.

— mas agora que você sabe de tudo isso, você está em perigo Raquel. Eu vou precisar da sua ajuda pra fazer com que meu marido pague, só que agora eu preciso tirar você de circulação. Eis o que vamos fazer, eu vou te mandar pra um hotel longe daqui até arrumar uma moradia segura pra você, tudo por minha conta claro, e vou apagar todas as provas da sua presença aqui nessa casa.

— mas e porque o corpo está aqui, nada disso faz sentido! Por que você ainda não fez nada?

— Raquel, eu estou juntando provas! Meu marido é um homem violento e sendo um advogado rico e influente, cheio de contatos, Renato é o tipo de homem que está acima da lei nesse país. Só posso revelar tudo isso quando tiver todas as provas, descobrir quem é a cúmplice do meu marido e quando os médicos forenses encontrarem provas no corpo! Para minha sorte, meu marido é um psicopata frio, a prova disso é ele manter o corpo aqui, conservado e nós precisamos do corpo! Para se provar que houve um crime, precisamos ter o corpo. Por isso é tão importante que você saia daqui escondida hoje e eu vou apagar qualquer sinal da sua presença aqui, porque se ele desconfiar de alguma coisa ele se livra do corpo e da casa, daí nunca vamos conseguir fazer esse maldito pagar! — Beatriz era tão convincente que Raquel sequer desconfiou da fala dela – mas eu preciso ter certeza que posso confiar em você!

— Beatriz, eu só vim aqui hoje porque quero fazer justiça pela minha amiga. Eu farei o que for preciso pra fazer justiça pela minha amiga! — Raquel foi firme.

Beatriz levou Raquel até um hotel que havia em um bairro discreto da cidade e pegou para ela um quarto e deu para ela um celular novo com um número pré-pago que seria uma linha segura para que as duas conversassem em segurança. Ela adivertiu Raquel para não sair do hotel por nada e disse que seria o melhor que ela ficasse fora de circulação por alguns dias e despediu-se com um abraço. Assim que ela chegou a porta do quarto, Raquel perguntou:

— como você sabia que eu estava na casa? — pela primeira vez ela pensou no assunto e achou tudo muito estranho.

— a casa está sendo vigiada desde que meu marido cometeu o crime, sabe, para reunir provas. Agora tenho câmeras lá. Tudo o que acontece lá eu te garanto que está sendo gravado – ela sorriu, virou-se e saiu.

Beatriz precisava usar Raquel a seu favor, pois ela tinha planos diabólicos por trás do assassinato de Helô.

***

Marcela a princípio queria causar um acidente na obra para colocar a culpa em Beatriz e arruinar sua carreira, porém analisando as planilhas que pegou da empresa, ela constatou que Beatriz estava pagando propinas. Ela começou a desconfiar disso quando percebeu alguns superfaturamentos em bens sendo doados à campanha do candidato a governador do estado, muito provavelmente, para que todas as licitações de seu governo fossem ganhas pela sua empresa, porém o que ela tinha era pouco, ela precisava de mais informações e provas. Um caso desses iria desmoralizá-la mais do que se ela provocasse um acidente na construção da obra, então ela precisava invadir o computador de Beatriz, porquê lá estariam provas muito melhores, então ela pegou seu notebook particular e conectou a rede da empresa. Depois de algumas horas, quebrando códigos de segurança e firmwares do computador de Beatriz e ela conseguiu invadi-lo.

Depois de horas, o expediente quase acabando e suas esperanças quase terminando, ela vasculhou uma pasta que cotinha documentos de doações e uma planilha descrevendo as quantias em propinas que ela estava pagando ao candidato que estava em frente às pesquisas de intenções de votos. Marcela agora estava radiante, ela havia conseguido provas para incriminar Beatriz e usaria isso o quanto antes.

Feliz, como poucas vezes esteve na vida, Marcela foi para casa. Quando chegou, Camila estava de saída, as duas cumprimentaram-se e Marcela ficou sozinha em casa. Ela pegou o telefone para ligar para Sirlei, porém o telefone não chamava, apenas dava uma mensagem que o telefone estava desligado, ela achou muito estranho, então a campainha soou. Marcela foi até a porta e quando abriu, ela levou um susto, ficou paralisada na porta quando viu Sirlei do lado de fora.

Sirlei deu oi para Marcela toda animada mas Marcela puxou-a com força para dentro.

— você ficou louca mãe, o que você está fazendo aqui? Tem noção do perigo que vai ser se alguém te ver aqui? — Marcela estava apavorada. Justo agora que estava indo tudo bem, ela tinha medo que a visita de Sirlei pudesse colocar tudo a perder.

O que ela não imaginava é que do lado de fora estava Hermes, tirando fotos de Sirlei em sua porta e sendo puxada para dentro da casa.