As Duas Faces de Uma Vingança.
7 Descoberta
— o que você está fazendo aqui? — Marcela estava irritada.
— nossa, achei que você me receberia com um pouco mais de alegria minha filha – Sirlei estava desconfortável com o modo como Marcela a estava tratando.
— não é isso, é óbvio que eu estou feliz em te ver, mas é perigoso demais você aparecer assim de surpresa, você deveria ter me avisado que eu te pegava no aeroporto e íamos pra um hotel. Por falar nisso, eu vou chamar um táxi.
Marcela pegou o celular e saiu de perto de Sirlei, que ficou chocada na porta com a frieza de Marela. As duas saíram dali e foram até um hotel discreto, Sirlei foi em silêncio o caminho todo.
— está tudo bem mãe? Você ficou quieta o caminho todo.
— pode, por favor, sair daqui e me deixar sozinha? — Sirlei falou de costas para Marcela, arrumando algumas coisas sobre um balcão que havia no quarto.
— o que foi mãe? — Marcela realmente não estava entendendo nada.
— amanhã mesmo eu pego um avião e volto pra minha casa, pois já percebi que não sou bem-vinda aqui.
— a meu Deus, não é nada disso mãe. Só é perigoso demais. Já pensou se a Beatriz está comigo a hora que você chega?
— você virou exatamente o que eu tinha medo que virasse quando embarcou nessa história horrível de vingança, você já está se perdendo cada vez mais. A frieza com que você me tratou hoje é resultado do convívio com a Beatriz, só não achei que ela ia te contaminar tão rápido!
Marcela ficou sem palavras. Ela reconhecia que estava mesmo agindo de uma maneira fria com a mãe, então ela a abraçou.
— me desculpa mãe, me perdoa. É que eu temo pela sua segurança mais do que a minha própria! Já pensou o que aconteceria com você? — Marcela tirou da bola uma pasta com algumas folhas e um pendrive – olha só, eu descobri um podre enorme dela, ela paga propina pra um político, tudo indica que é para que quando ele for eleito a empresa dela ganhe todas as licitações do governo dele.
— olha só, você está vivendo em função disso, você não consegue terminar uma frase sem falar sobre isso. Marcela, isso está cada vez mais tóxico, você está se perdendo no meio disso tudo!
— eu vou até o fim, e sem o seu apoio será muito mais difícil minha mãe. Eu posso contar com você ou não? — Marcela mudou o tom de “pedido de perdão” em sua voz.
— pode contar comigo. Quanto antes acabar com essa desgraçada melhor para você poder voltar a viver sua vida minha filha.
Marcela deu a Sirlei as provas, as duas se despediram e Marcela saiu, entrando em um táxi rumo a sua casa.
Do outro lado da rua ela nem notou o sedam preto que fotografava toda a movimentação.
***
As fotos estavam todas espalhadas sobre a mesa de Beatriz e ela não conseguia acreditar no que estava vendo. Sirlei entrando na casa de Marcela e as duas indo juntas a um hotel.
— elas ficaram lá por poucos minutos, menos de meia hora. Parecia uma ação rápida, era evidente que estava tentando se esconder – disse Hermes – você conhece essa mulher.
Beatriz ficou muda, ela estava se lembrando do rosto de Sirlei, as imagens viam a sua cabeça.
— conheço. Obrigada Hermes, pode se retirar.
— precisa de mais alguma coisa sobre esse caso?
— não. Já tenho tudo o que precisava.
Hermes saiu e Beatriz foi dominada pelo ódio. Ela queria atear fogo no hotel onde Sirlei estava instalada, porém antes ela confrontaria a inimiga para descobrir qual era a participação de Mariana nesse plano e ainda, o que era tudo isso. Ela chamou um officeboy e enviou um bilhete para Sirlei no hotel.
Sirlei achou tudo aquilo muito estranho quando alguém bateu na porta e o officeboy lhe entregou o bilhete, sem dizer nada ou se despedir, o garoto saiu e Sirlei fechou a porta, ela abriu o bilhete e seu conteúdo lhe assustou, ele dizia:
“Você tem duas opções: vir me encontrar ou enterrar a Mariana. Escolha muito bem.” em seguida dizia que ela tinha meia hora para chegar no endereço. Era uma praça ali próxima, o que, por um segundo, deixou Sirlei mais calma, pois Beatriz não faria nada arriscado em público, porém ela sabia que o que Marcela havia falado, aconteceu. Sua presença ali tornou-se um perigo.
— é como dizem, o diabo consegue estar em vários lugares ao mesmo tempo. Como que foi me descobriu? — disse Sirlei ao chegar no ponto de encontro, vendo Beatriz sentada em um banco.
— olá minha querida – disse Beatriz, levantando-se e abraçando Sirlei – isso são modos de reencontrar uma amiga depois de tanto tempo, afinal, até cúmplices já fomos.
— vamos direto ao assunto Beatriz, sem cinismos. O que você quer?
— cinismo? — Beatriz sorriu – você tem coragem de me falar em cinismo Sirlei, minha querida.
— como você me descobriu? Estamos a anos sem nos falar, eu estou vivendo a minha vida em paz, porquê você ressurgiu agora pra me atormentar?
— eu não levei nem dez minutos para entender o que está acontecendo aqui – a expressão sorridente de Beatriz mudou completamente – foi você quem tirou a Marcela daquele hospital naquela noite e agora está agindo contra mim, não é?
— o que? Do que você está falando Beatriz? — Sirlei tentou fingir espanto.
— eu foi boa, deixei que vocês vivessem o resto das vidas de vocês em paz e nunca pensei que fossem burras o bastante pra voltarem a cruzar meu caminho, mas pelo jeito, vocês foram. Qual é o motivo disso tudo?
— do que você está falando Beatriz? Mariana é minha filha adotiva, nós estamos morando longe daqui, apenas voltamos agora porque a mãe biológica dela faleceu e deixou algumas coisas pra ela em testamento e…
— guarde as suas mentiras para quem acredita nelas. Você tem uma chance de me contar o real motivo disso tudo, se não eu farei com vocês muito pior do que fiz com o pai da Marcela. E não adianta tentar negar, desde o momento em que coloquei os olhos nela, eu sabia que havia algo de errado.
— o que você quer pra deixar ela em paz? — Sirlei sabia que não adiantaria tentar enganar Beatriz.
— você tem vinte e quatro horas pra fazer ela pedir demissão da minha empresa e as duas sumirem novamente. Se em vinte e quatro horas vocês duas não desaparecerem, vocês vão conversar com o Cláudio no mesmo plano espiritual que ele – Beatriz levantou-se e olhou para Sirlei – vinte e quatro horas.
Beatriz saiu andando.
Sirlei levantou-se e foi até o hotel, aos prantos, ela corria pelo quarto e juntava suas coisas, ela pegou o celular e ligou para Marcela. Quando Marcela chegou no hotel, Sirlei estava desesperada.
— o que houve mãe? — Marcela deparou-se com as malas de Sirlei prontas sobre a cama.
— nós temos que ir embora daqui o quanto antes, Beatriz nos descobriu e ela me ameaçou, me ameaçou e te ameaçou! Ela foi bem clara, ou saímos daqui até amanhã ou ela vai nos matar!
— ela falou com você? Você me entregou? — Marcela gritou – você deveria ter negado até o final!
— eu não tive escolha! Eu te falei desde o começo que aquele demônio era inteligente demais pra ser enganado, se não sairmos daqui, ela vai nos matar!
— calma, nós vamos fazer ela achar que saímos daqui, eu vou pedir demissão e…
ela foi interrompida pelo toque de seu celular, quando ela o pegou, o visor indicava que ela Beatriz ligando.
— alô Beatriz, tudo bem? — Marcela tentava ficar calma na linha.
— está no hotel com a Sirlei? — respondeu Beatriz.
— desculpa, como? Não entendi do que você está falando Beatriz – Marcela insistiu.
— estou do lado de fora do hotel num sedam preto. Peguem tudo o que tiver de vocês e venham, estou esperando. E não adiante fugir, tenho pessoal em todos os cantos da cidade, não tem onde se esconder.
Beatriz desligou e Marcela olhou para Sirlei apavorada, ela sabia que não acabaria nada bem.
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