— aquela desgraçada! — Lídia estava chocada com tudo o que acabara de ouvir – essa mulher é uma psicopata, ela armou tudo isso e nós caímos feito uns patinhos e agora o meu irmão está preso e sabe-se lá quanta gente mais ela matou pra conseguir o que quer?

— eu não sei, mas estou com muito medo – Raquel olhou fixamente nos olhos de Lídia – o que vamos fazer?

— não sei ainda, nós temos que… — a fala de Lídia foi interrompida quando seu telefone tocou – só um segundo – ela atendeu o telefone – alô?

— Lídia, meu nome é Marcela e eu tenho provas de que Beatriz é monstra psicopata e que provavelmente foi ela quem armou pro seu irmão ser preso.

— venha para o meu escritório agora, mas ninguém pode te ver, seja discreta – Lídia desligou o telefone e olhou para Raquel – você escolheu o dia perfeito para vir aqui.

Quando Marcela chegou, a secretaria já havia recebido ordens para levá-la até a sala de Lídia.

— olá Lídia, desculpa vir dessa maneira sem avisar, é que… — ela viu Raquel no canto da sala – quem é ela? Achei que conversaríamos em particular! — ela começou a recuar indo em direção a porta.

— não, calma, eu me chamo Raquel, também sou vítima da Beatriz, ela me usou para mandar o Renato pra cadeia pelos crimes que ela cometeu.

Marcela e Raquel contaram suas histórias para Lídia, que ficava cada segundo mais chocada. Marcela contou todo o passado de Beatriz e Raquel contou o que ela havia feito, mostrou o áudio que havia feito com a confissão de Beatriz e Marcela mostrou as provas de que Beatriz pagava propina ao candidato, o que iria colocá-la em uma situação muito delicada, pois Lídia poderia fazer com que Beatriz afundar, além de que Renato colocaria ela na cadeia por muito tempo movimentando seus contatos.

— vamos na polícia, vamos fazer essa desgraçada pagar por tudo da pior forma possível. Eu vou ligar para o meu advogado hoje mesmo e nós vamos movimentar todos os contatos do meu irmão e ela vai pagar muito, mas muito caro. Eu vou garantir que essa monstra seja internada no pior e mais sujo manicômio desse país e vou fazer com que o médico que cuide dela trate ela pior do que um monte de lixo lá dentro! — Lídia está dominada pela fúria.

— pode ser, mas antes eu tenho que fazer uma coisa. Tenho que fazer uma coisa que faz doze anos que a Beatriz merece! — Marcela tinha que concluir sua vingança antes que Beatriz fosse presa – hoje a noite ela vai na festa da inauguração do Palladium e vai ser lá mesmo. Eu preciso da tua ajuda, e amanhã nós vamos pra delegacia.

Marcela explicou seu plano para Lídia e Raquel e as duas concordaram plenamente.

***

— encontrou ela? — perguntou Beatriz a Hermes.

— não Beatriz, juntei todas as informações sobre ela, se chama Raquel Teixeira, ela é garota de programa, veio do interior. Ela não tem nenhuma passagem e…

— eu pedi pra você encontrá-la, não pra me trazer a ficha dela! — Beatriz estava com ódio – eu preciso que você descubra hoje ainda onde ela está! Ela me roubou uma coisa muito importante e preciso pegar de volta Hermes, entendeu. Hoje!

Beatriz dispensou Hermes e foi para casa, preparar-se para a festa. Ela não daria nenhuma bandeira e tinha esperança que Raquel aparecesse na festa a noite para tentar chantageá-la ou bancar a heroína como fez na casa onde o corpo estava.

Beatriz foi até a loja mais cara da cidade e comprou o vestido deslumbrante. Às 19 horas ela chamou uma limousine e foi até a festa de sua empresa.

Por volta das 20 horas, ela já havia chegado no local da festa que já havia começado e todos a aguardavam. O momento foi de muita badalação, Beatriz tirou várias fotos com pessoas importantes da cidade, vários políticos inclusive o candidato a governador a quem ela pagava propina. Várias pessoas vinham até ela, algumas mostravam solidariedade pela agressão que ela havia sofrido e outros preferiam ignorar o assunto para que ela não sofresse, mas independente do motivo, todos queria chegar perto de Beatriz, inclusive Lídia. Ela havia demonstrado apoio incondicional a Beatriz todo momento, pois ela acreditava mesmo que o irmão havia agredido Beatriz.

— olá minha querida – disse Lídia, ao abraçar Beatriz – aproveite essa noite minha querida, aproveite bem!

Lídia se despediu de Beatriz e mandou uma mensagem para Marcela e Raquel “fiquem a postos. Borrei a maquiagem dela com um beijo, logo ela deve ir retocar”. As duas então ficaram a postos em um canto que Beatriz não poderia vê-las quando entrassem no banheiro. Alguns minutos depois, assim como Lídia havia imaginado, quando Beatriz deu-se conta de que sua maquiagem estava um pouco borrada na bochecha, ela foi ao banheiro.

Quando ela entrou no banheiro, ela foi até o espelho, abriu a bolsa e pegou um batom e notou que alguém entrou atrás dela.

— depois de tantos anos impune, finalmente vamos acertar nossas contas, sua cadela! — disse Marcela fechando a porta do banheiro onde Beatriz estava.

Beatriz virou-se e viu Marcela usando um uniforme da empresa que estava fazendo a segurança do evento, então Marcela tirou o boné e deixou seus longos cabelos loiros caírem sobre os ombros.

— Mariana? — Beatriz perguntou assutada – ou melhor, Marcela, como é que você está viva? Eu mesma atirei em você, eu vi você caindo daquela ponte, sua maldita!

— mas estou aqui, estou aqui mais uma vez pra te provar o que quanto mais você tenta me destruir, mais forte eu fico e agora eu vou fazer uma coisa que eu deveria ter feito há doze anos, sua desgraçada, eu vou te dar uma surra que você nunca mais vai esquecer quem é Marcela Andrade.

Marcela foi para cima de Beatriz que tentou correr, porém Marcela a pegou pelos cabelos e a jogou contra a pia, fazendo com que ela batesse as costas no canto dela e caísse no chão, dando assim um grito de dor. “sua cadela desgraçada!” gritou Beatriz ao cair então Marcela subiu em Beatriz imobilizando seus braços e começou a dar-lhe várias bofetadas na cara, enquanto Beatriz gritava por socorro e seu rosto sangrava.

— cala a boca sua piranha, sente o peso da minha mão, assassina desgraçada! — Marcela batia cada vez mais forte e seus braços começaram a doer, mas ela continuava batendo – fica quieta, não grita!

Do lado de fora, Raquel havia colocado uma placa na porta dizendo que o banheiro estava em manutenção e que ninguém poderia entrar. Dentro do banheiro, Beatriz não tinha mais forças para reagir e devido a dor nos braços e nas mãos de tanto bater em Beatriz, Marcela levantou-se.

— agora fica aí, sua cadela. Fica aí jogada nesse chão pensando na tua vida e curtindo teus últimos minutos de liberdade porquê as provas que eu tenho e a confissão que a Raquel gravou, nós vamos te meter na cadeia, sua desgraçada.

Marcela pegou o boné, escondeu os cabelos novamente e saiu. Na porta, ela e Raquel se viram e saíram da festa pela porta dos fundos. Dentro do banheiro, Beatriz estava jogada no chão ainda, arratou-se até a pia, pegou sua bolsa e fez uma ligação para um contato seu dentro da cadeia onde Renato estava preso e quando ele atendeu, ela apenas disse “sou eu. Chegou agora, faça.” e desligou. Fazendo muita força ela levantou-se e foi até a porta para pedir socorro.

Na manhã seguinte, durante a hora do banho de sol, Renato estava no pátio sem interagir com ninguém, como de costume, então um dos carcereiros que estava em um canto chegou perto de um presidiário e disse em seu ouvido “começa uma movimentação aí, a madame mandou”. O presidiário assentiu com a cabeça e foi para cima de outro, começando uma briga, então começou uma movimentação muito grande, Renato ficou acuado para não participar de toda aquela correria, então o carcereiro veio em direção a Renato e antes que ele pudesse perceber ou se defender, ele levou uma facada na barriga. Ele caiu com o corpo sobre o carcereiro que o esfaqueava, ele puxou a faca para fora da barriga de Renato e enfiou ela novamente em outro local e dessa vez Renato caiu no chão, já sem vida.