As Duas Faces de Uma Vingança.
12 Justiça
“O advogado Renato Delaôr foi assassinado durante um princípio de rebelião dentro da cadeia onde estava preso por decreto do juiz do caso que o considerava inapto para continuar na sociedade após o episódio de agressão a sua mulher, Beatriz Delaôr. A rebelião acabou sendo contida pelos carcereiros e a diretoria do presídio disse que ainda não sabem quem foi o responsável pelo crime, porém todas as medidas já estão sendo tomadas para que se resolva o mais cedo possível, porém o que mais intriga nesse caso é que na noite anterior ao crime, Beatriz foi agredida e teve todos os pertences roubados durante a festa que participava para promover a inauguração do complexo residencial que sua empreiteira acabou de entregar, o delegado responsável pelo caso trabalha com um possível conexão entre os dois fatos.
— foi ela, aquela maldita, eu sei quem foi ela – Lídia chorava descontrolada ao desligar a TV – ela armou tudo isso. É óbvio que ela ia se vingar pela surra, maldita! Agora meu irmão morreu como se fosse um monstro, nem deve ter recebido minha carta pedindo perdão, eu ia visitar ele na sexta no horário de visita, meu Deus que inferno, desgraçada! Eu vou arrumar uma arma e dar um tiro no meio da cara dessa cadela!
— não Lídia, morte é bom demais para ela – interrompeu Marcela – nós temos que descobrir o que ela está armando, ela é ardilosa, ela não iria matá-lo apenas por vingança, ela está armando alguma coisa. Ela alegou que as coisas dela foram roubadas mas nós não pegamos nada e ela armar essa morte. Acho que o delegado caiu exatamente onde era para ele cair, ela armou, mas o que?
— não interessa Marcela – disse Raquel – vamos agir agora!
— Raquel tem razão – Lídia secou as lágrimas – eu já sei o que vamos fazer, nós vamos fazer uma coletiva de imprensa hoje a noite e vamos contar tudo. Nós temos as provas e vamos deixar isso tudo bem claro, Beatriz é uma vadia maldita e ela vai ser desmoralizada. Estando com o nome sujo e com todo mundo sabendo da verdade, ela vai ficar desesperada, e estando desesperada ela vai começar a errar e aí pegamos ela e é óbvio que vou mover todos os contatos meus e do meu irmão para que algum promotor bom e incansável desse país pegue o caso.
— mas ela está armando alguma coisa, vai ser perigoso demais agirmos sem saber o que ela está fazendo… — falava Marcela, porém foi interrompida por Raquel.
— você vai me desculpa Marcela, mas faz doze anos que você está esperando para ficar um passo a frente de Beatriz e olha tudo o que ela já fez? — Lídia falou pegando o telefone e mandando sua assistente ligar para toda a imprensa influente do país e anunciar a coletiva naquela tarde.
Dentro de algumas horas, todos os representantes dos grandes jornais e das redes de TV sediadas em Porto Alegre já estavam no auditório do prédio onde Lídia tinha seu escritório e ela subiu ao púlpito para se pronunciar.
— boa tarde, quero primeiro agradecer a todos por terem vindo até aqui nessa tarde e o que tenho para falar é simples – ela respirou fundo, olhou por todo o auditório e voltou-se ao microfone – Beatriz Delaôr é uma golpista que armou para o meu irmão ser preso, além de enviar dinheiro de maneira ilícita dinheiro de a um futuro candidato a governador do nosso estado, mas quem vai contar a história e provar tudo o que estamos falando é Marcela Andrade, a maior vítima de Beatriz.
Lídia recuou e Marcela subiu ao púlpito.
— boa tarde a todos, eu me chamo Marcela Andrade e sou a filha desaparecida de Cláudio Andrade, o primeiro marido de Beatriz, marido a quem ela matou… — a fala de Marcela se estendeu por mais de quarenta minutos, ela sabia que estava fazendo acusações gravíssimas, embora fosse tudo verdade, ela sabia que algumas coisas seriam difíceis de provar depois de tanto tempo, porém elas tinham que deter Beatriz e o único modo seria colocá-la em descrédito. Quando sua fala terminou, todos estavam chocados com a história que acabaram de ouvir e, obviamente ela foi questionada sobre que provas teria, então ela disse que fazer com que o corpo de seu pai fosse exumado e o caso reaberto, além de mostrar as provas do pagamento de propina que ela garantiu que seriam colocados para domínio público assim que a justiça permitisse e então Lídia interveio garantindo que seria montado um caso contra Beatriz e que ela moveria céus e mares para que justiça fosse feita para seu irmão. No momento em que ela terminou sua fala, Beatriz entrou no auditório gritando.
— suas farsantes malditas, armaram a morte do Renato para colocar a culpa em mim e pagaram o Severo para me agredir, só que o que vocês não contavam é que ele iria se arrepender e vir atrás de mim pedir perdão – Beatriz abriu passagem para que o homem entrasse.
— foi aquela loira ali que pagou pra eu espancar a moça – o homem começou a chorar apontando para Lídia – só que eu sou um homem temente a Deus, eu só fiz o que fiz por desespero porque meus filhos estavam passando fome e eu estou me entregando para a polícia para pagar pelo meu crime.
— vocês são todas umas doentes! Marcela Andrade está morta fazem mais de dez anos, o que está acontecendo aqui é que ela está fraudando ser a minha amada enteada, Lídia que sempre me detestou é tão doente a ponto de matar o próprio irmão para colocar a culpa em mim e a terceira ali no canto – disse ela apontando para Raquel – é cúmplice da garota de Renato matou, a amante que ele matou. As duas estavam juntas chantageando ele e isso ocasionou a morte dele, o que está acontecendo aqui, senhoras e senhores, é um grupo de golpistas assassinas que querem me extorquir. Se alguém publicar alguma dessas porcarias que ouviram aqui vai se entender com meus advogados. Eu e Severo estamos indo até a delegacia agora mesmo para acabar com essa fraude!
Beatriz, que ainda usava uma tipoia no braço, virou-se e saiu. Severo foi atrás dela, secando o rosto. Dentro do auditório começou uma movimentação enorme, todos os jornalistas começaram a correr para fora com os telefones em mãos para ligar para seus editores chefes e Lídia, Raquel a Marcela ficaram chocadas com o que havia acabado de acontecer.
— eu avisei, por que vocês não me escutaram? — Marcela deu uma bofetada em uma escultura que havia em cima da mesa de Lídia, fazendo ela cair no chão – ela sempre está um passo a nossa frente! Eu vou acabar com essa cadela, chega dela se livrar de tudo. Dessa vez ela não vai fugir!
— não se precipite Marcela, ela não vai se safar disso tudo com apenas essa testemunha comprada, se precisarmos nós confessamos que a agressão por organizada por nós e já descreditamos tudo o que ela está planejando com isso tudo – respondeu Lídia.
— óbvio que não, ela já tem um plano, ela está usando toda essa armação pra ganhar tempo, mas dessa vez ela não vai fugir, eu estou garantindo – Marcela virou-se para Lídia – ela não vai fugir.
— vamos todas à delegacia agora mesmo – disse Lídia, pegando sua bolsa.
— vão vocês duas, eu preciso fazer outra coisa – Marcela saiu sem dizer mais nada.
Lídia e Marcela forma até a delegacia, a mesma em que Beatriz e Severo estavam. Ambos os quatro depuseram e saíram de lá com dois casos prontos: o delegado averiguaria todas as acusações de Lídia contra Beatriz e a de calúnia de Lídia contra Beatriz. Lídia saiu ligando para todos os contatos e juízes que conhecia para tentar impedir Beatriz de sair do país, pois ela tinha certeza que isso que ela faria. Beatriz levou Severo até em casa e seguiu para sua casa.
Quando severo entrou em sua kit-net, deparou-se com Marcela.
— o que você está fazendo aqui? — Ele se assutou.
— sabe que fiz anos de jiu-jitsu e sou ótima em invadir casas, como você pode ver, e se você tentar fugir vai ser muito pior – ela apontou para uma poltrona próxima a ela – sente-se temos muito o que conversar.
Severo ficou com medo e foi em direção a poltrona, então Marcela pegou uma faca e colocou no pescoço de Severo, prensando-o contra a parede.
— eu cansei de jogar limpo e sempre me ferrar nas mãos da Beatriz – ela apertou a faca contra o pescoço dele – você tem uma chance de sair limpo disso daqui, então eu vou te perguntar só uma vez: o que você ganha com tudo isso?
— foi a Lídia quem me contratou para bater nela, eu tenho família pra sustentar e se eu não pagar a pensão da minha ex-mulher eu vou preso, ela e meu filho estão passando fome, eu aceitei pelo desespero, bati na dona Beatriz e roubei as coisas dela porque ela me pediu e… — sua fala foi interrompida quando Marcela pressionou mais ainda a faca, fazendo um pequeno corte de onde escorreu um filete de sangue.
— quem bateu naquela vadia fui eu seu otário, fala logo o que ela está te oferecendo!
Severo confirmou a história tentando convencer Marcela, então ela deu uma joelhada em seus testículos que o fez cair no chão em posição fetal se contorcendo em dor, então ela colocou a faca em sua bochecha.
— fala logo ou eu vou te amarrar naquela cadeira e arrancar suas unhas com um alicate! — Marcela tinha ódio nos olhos.
— a história da pensão é verdadeira. Ela me ofereceu quitar todas as minhas dívidas e disse que se eu assumisse ela ia garantir que eu não seria preso, eu fiz isso por desespero! — Severo falava com dificuldade por causa da dor.
— ótimo, era só o que eu queria – ela pegou o celular e abriu o whatsapp na conversa com Lídia – agora você vai repetir tudinho isso ou você vai ficar estéril agora mesmo.
Severo repetiu tudo em um áudio e então Marcela guardou a faca e o celular e saiu batendo a porta com força, deixando Severo ali no chão, contorcido em dor. Mas agora ela tinha que fazer o mais importante de tudo, ela está indo fazer a justiça que a doze anos ela espera para fazer, ela faria justiça.
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