As Duas Faces de Uma Vingança.
4 Preço
Assim que Hermes saiu, Beatriz ficou olhando as fotos de Renato com Helô no restaurante, ela estava tomada pelo ódio. Saber que Renato a estava traindo deixava ela possuída de ódio, embora ela também traísse o marido, ela ficava indignada quando descobriu que o marido a traia. Os papéis digitados por Hermes diziam que Renato e Helô estavam juntos a mais de um ano, ela era exclusiva de Renato desde que haviam começado a sair juntos. Algumas horas mais tarde, Renato chegou em casa e ela ainda estava com ódio, porém ela sempre foi ótima em dissimular, agiu como se nada tivesse acontecido.
Na manhã seguinte, os dois foram trabalhar normalmente e quando o meio dia chegou, Beatriz pediu que sua secretária desmarcasse todos os compromissos que tinha pois ela passaria a tarde num spa, alegou não estar se sentindo bem. Ela de fato fez uma reserva para a tarde inteira no spa, então pegou seu carro e saiu.
— vamos direto ao ponto, eu vou subir sem ser anunciada e quanto isso me custará? – disse Beatriz a recepcionista do fleet.
— olha, podemos conversar bem direitinho isso mesmo – disse a recepcionista baixando o tom de voz em direção a aquela mulher usando um enorme óculos de sol – eu sei quem é que mora no 304. Eu deixo você entrar se me garantir que ela não será ferida fisicamente aqui dentro.
— você tem a minha palavra, aqui dentro não vai acontecer nada demais.
Então Beatriz subiu até o quarto de Helô e bateu à porta. Quando Helô abriu, ela agiu com estranheza, pois ela não sabia quem era aquela mulher.
— posso ajudar? — disse ela com estranheza.
— olá Helô, eu vim de muito longe para falar com você, posso entrar? — disse Beatriz sorrindo.
— hã, claro, pode entrar – disse ela abrindo a porta por completo e estendendo o braço para que Beatriz entrasse.
— eu tomo uísque se tiver – disse Beatriz sentando-se no sofá.
Helô preparou um drink e ofereceu a ela, sentando-se próxima a ela no sofá.
— desculpe a indelicadeza, mas eu não lembro de você. Nos conhecemos? — Helô estava confusa.
— meu nome é Carla e eu ouvi tantas maravilhas de você eu que vim de muito longe para passar algumas horas com você – e Beatriz sorriu para ela.
Helô logo entendeu, a mulher que se intitulava como Carla estava ali para fazer programa com ela. Ela sabia que sua fama era grande na alta sociedade porto-alegrense, porém essa era a terceira vez que uma mulher a procurava.
— a Carla, é uma pena, eu adoraria mesmo passar algumas horas com você, adoraria mesmo, porém eu sou exclusiva agora, não posso mais…
— a, por favor, eu pago o que você quiser! — interrompeu Beatriz – não posso te manter pois não sou daqui, mas eu pago o que for preciso por algumas horas hoje a noite!
Depois de alguns drinks, da boa conversa e de ótimas propostas de Beatriz, Helô aceitou passar algumas horas com ela naquela noite. Beatriz pediu para que Helô estivesse pronta esperando ela às 21h na frente de um bar que havia ali na esquina.
Quando às 21h chegaram, assim como o combinado Helô estava esperando Beatriz em frente ao bar, porém ela achou muito estranho que Beatriz estava usando um paruca loira e óculos.
— porque do disfarce? — disse Helô ao entrar no carro – alguma fantasia?
— é que sou uma mulher pública e meus clientes não sabem sobre minha orientação sexual, estou disfarçada por isso – disse ela sorrindo. Ela ligou o carro e as duas arrancaram.
Helô achou a situação toda muito estranha e então pegou seu celular. Sem que Beatriz percebesse, ela escreveu uma mensagem de texto e enviou.
— alguma coisa importante? — perguntou Beatriz.
— não. É que, com eu te falei, sou exclusiva. Mandei uma mensagem ao meu cliente dizendo que não poderei vê-lo agora. — ela respondeu sorrindo.
Beatriz ficou com mais ódio ainda, pois o cliente em questão era seu marido. Depois de alguns minutos, as duas chegaram a uma casa. Uma pequena casa que ficava em um conjunto habitacional de um bairro próximo ao centro mesmo, porém era uma casa que não havia nenhuma vizinhança, todas as demais casas estavam em construção. Helô estava começando a ficar preocupada. As duas saíram do carro e Beatriz conduziu Helô para o quarto no segundo andar. A casa tinha uma decoração simples e era bem aconchegante.
— pode ficar à vontade querida – disse ela sorrindo, estendendo o braço em direção à cama pra que Helô se deitasse nela.
— obrigada – ela sorriu e sentou na cama, porém estava muito acanhada.
Beatriz trancou a porta do quarto e virou-se em direção a cama novamente colocando suas luvas de couro.
— então, deixa eu olhar bem na cara da piranha que está de caso com o meu marido. Me diz uma coisa, quanto é que ele te paga? — Beatriz mudou o semblante sorridente, deixando claro seu ódio.
— olha só, eu não tenho culpa nenhuma – Helô levantou-se e estendeu os braços, tentando acalmar Beatriz – eu sei que vocês sempre ficam com ódio da garota e tudo mais, só que quem tinha compromisso com você é ele, eu não te devo nada. Sinto muito se te fiz mal, mas eu não vou ficar aqui pra ser agredida. Abra a porta, por favor.
— você é corajosa em garota – disse Beatriz — esse discurso é pronto, todas as piranhas usam ou esse é exclusivo seu?
Helô começou a andar em direção a porta e não respondeu, Beatriz a pegou pelo braço e a jogou contra o criado-mudo que havia ao lado da cama.
— você não entendeu sua cadela, você não sairá daqui viva.
Helô ficou com muita dor nas costas por ter batido na quina do criado-mudo.
— você além de corna é louca? Quero ver se você é mulher pra agredir! — Helô investiu contra Beatriz e deu-lhe uma bofetada na cara, fazendo ela recuar alguns passos para o lado e ela tentou abrir a porta, porém ela ouviu o barulho de uma arma atrás dela e congelou com a mão na maçaneta.
— essa bofetada vai lhe custar muito, mas muito caro! — então Beatriz disparou e pedaços do cérebro de Helô ficaram espalhados na porta o quarto.
***
Hermes estava de campana na frente da casa que Marcela dividia com Camila a espera de alguma movimentação, mas Marcela não saia de casa fora dos horários de trabalho e as duas pareciam levar uma vida bem regrada. Ele havia movimentado alguns contatos seus dentro da polícia e “Mariana” não tinha nada de registros, ficha corrida, autuações, nem se quer havia sido testemunha em crime algum, aparentemente “Mariana” era uma mulher sem passado e justamente por isso que ele sabia que havia algo de errado com essa garota, por isso ele ainda estava investigando-a, pois ele sabia que, na maioria dos casos em sua carreira, as pessoas “acima de qualquer suspeita” eram as que mais tinham a esconder. Eles estava decidido a descobrir o passado de “Mariana”.
***
Quando chegou em casa, Beatriz abriu seu cofre particular que havia dentro do closet e colocou lá dentro as chaves da casa de onde acabara de vir, as luvas de couro que ela havia usado, a arma e as chaves do cadeado do freezer onde o corpo de Helô estava.
***
Longe dali, no apartamento onde Helô morava, Raquel a outra garota de programa que dividia apartamento com ela chegou em casa e então pegou seu celular e viu a mensagem que havia recebido pelo whatsapp de Helô:
“Estou preocupada. Uma mulher chamada Carla me ofereceu uma grana ótima pra fazer um programa com ela, mas o lugar é superestranho” e anexado na mensagem havia a localização da casa onde ela havia sido assassinada.
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