As Crônicas dos Marotos
5 O Erro dos Marotos - Parte II
Notas iniciais
Remus já estava no salão comunal da Grifinória, sentado num canto qualquer com a cabeça escorada na parede fria de pedras do castelo, pensativo, quando a porta se abriu e ele viu Lilian Evans seguir para o dormitório feminino de cabeça baixa. Ele abriu a boca para dizer alguma coisa, mas a voz simplesmente não saiu e ele resolveu deixar para lá. Conversaria com a ruiva depois.
Poucos segundos depois, a porta se abriu e um Peter apático surgiu diante dos olhos do outro. Lupin se levantou e puxou o amigo pelas vestes, fazendo-o se sentar ao seu lado. Peter parecia assustado, parecia ter visto um dementador, mas era a sua expressão quase que natural.
— Quer me contar o que aconteceu? Por que você está tão assustado?
— Vão chamar a McGonagall. — ele disse, como se o amigo tivesse sido sentenciado a viver em Azkaban.
— Pois que chamem. Não me arrependi do que fiz ao James. Ele mereceu apanhar.
— Mas você precisava deixar ele desacordado? Ele tá mal, Remus.
— Ele merecia estar numa caixinha de fósforos. Ele não tinha o direito de contar ao Snape sobre o pergaminho. Agora a escola inteira vai saber que o mapa sumiu e a nossa chance de recuperá-lo é praticamente zero!
— O James vai ficar um bom tempo sem falar com você... e a Lily também.
— Pois que fiquem. Não tenho tempo pra essas baboseiras. O James tem a Evans pra cuidar dele. E eu não entendo a história de amor desses dois... Mais brigam que tudo nesse mundo e depois dizem que se amam.
— Quando a gente ama... A gente se comporta desse jeito. — disse, num suspiro.
— E o que é que você entende de amor, Peter? Você acha que alguém vai te querer? Olha só pra você: gordo, feio, cheio de espinhas na cara e você sequer consegue conjurar um feitiço direito. — Remus estava sendo duro. — Se não fosse pelo Sirius, por mim e pelo Potter, você seria só mais um paspalho nesse castelo. Nós te demos um status que você jamais imaginou que teria, nós somos responsáveis por você não apanhar todos os dias aqui e nós...
— Chega, Lupin! — Pettigrew se levantou. — Eu posso ser tudo isso que você falou, mas eu não sou obrigado a ouvir alguém amargurado falar essas coisas pra mim. Eu não tenho culpa se você sofre com as suas transformações. Sabe o que você é? Um azarado, isso sim. — disse, correndo para a escada que ligava o salão comunal ao dormitório, com lágrimas nos olhos.
Pouco tempo depois, Minerva McGonagall adentrou o local com sua altivez costumeira. Lançou um olhar recheado de piedade e compreensão para Remus e, ele sabia, a conversa não seria agradável.
— Senhor Lupin, poderia me acompanhar? — ela disse, sem nenhum sentimento aparente na voz rachada.
— Eu vou ser expulso? — perguntou o maroto que, por um momento, pensou que pudesse mesmo sofrer duras penas na escola.
— Conversaremos melhor na minha sala. — ela disse e rapidamente saiu, sendo seguida por Lupin até o outro lado do castelo onde ficavam os escritórios — e dormitórios — dos professores. A sala da professora McGonagall era recheada de livros, pergaminhos voando de uma prateleira para a outra e tinha duas individuais poltronas com os símbolos da Grifinória colocadas uma diante da outra. Remus deduziu que aquela parte da decoração fosse recente. — Sente-se, senhor Lupin.
E foi o que ele fez. Quieto, apático e com uma respiração um pouco fora do eixo. Seu coração batia um pouco mais rápido e seu estômago parecia revirar diversas vezes. Ele não estava se sentindo nada bem, definitivamente.
— Senhor Lupin, diante do acontecido de hoje nos jardins desta escola, sinto lhe informar que uma medida um tanto drástica terá que ser imposta para que senhor respeite os limites educacionais deste recinto. Espero que o senhor esteja ciente que agredir um membro de sua própria casa foge de todo o bom senso possível. — ela fez uma pausa e parecia olhar dentro dos olhos do rapaz. Sua voz era firme, mas branda. — O senhor Potter deve sair da enfermaria amanhã e eu acho que o senhor deve a ele um pedido de desculpas. A propósito, por que é que brigaram?
— Porque ele é um esquentadinho idiota. — respondeu com grosseria.
— Interessante... — ela disse, não se interessando tanto assim. — E o senhor pode me dizer por que é que o senhor Potter estava agredindo o senhor Snape?
— Pelo mesmo motivo. — ele disse, menos ríspido.
— Bom... Acho que não tenho outra alternativa. — ela fez uma pausa e levantou-se. — De agora em diante o senhor e James Potter estão proibidos de se aproximar a trezentos metros do senhor Severus Snape. Essa recomendação valerá até as próximas férias.
— Professora! Trezentos metros é muita coisa! — ele disse, assustado.
— Você acha? Eu poderia proibi-los de se aproximar dele em distâncias ainda maiores, senhor Lupin. Agradeça-me por não tê-lo expulso daqui. E sobre a sua situação com o senhor Potter, se eu os vir se engalfinhando mais uma vez por aí os dois estarão expulsos e com uma carta de recomendação escrita pessoalmente por mim.
Lupin parecia não acreditar no que acabara de ouvir.
— Está dispensado. Volte às aulas e diga para a senhorita Evans e o senhor Pettigrew lhe acompanharem. Existe uma aula de herbologia em curso e vocês precisam assisti-la ou eu vou descontar cinquenta pontos de cada um.
— Sim senhora. — ele se apressou, saindo rapidamente da sala da diretora da Grifinória sem esconder o seu descontentamento.
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