Notas iniciais
Hey, leitores amados, como estão vocês? Espero que todos felizes, alegres e contentes! Aproveitem o carnaval com moderação, hein? Segue mais um capítulo pra vocês ficarem animados! Abração.

Severus Snape sentou-se numa das poltronas de couro impecavelmente negras do Salão Comunal e começou a pensar a respeito de tudo que lhe acontecera nas últimas horas. Ele tinha aulas para assistir, mas aquilo era mais importante que qualquer lição a ser anotada.

— O que está havendo, Snape? Por que não está assistindo aula? — uma voz rachada semelhante a de uma gralha rompeu todo e qualquer silêncio. Era Bellatrix Black, prima de Sirius, o menino que estava há dias desacordado na enfermaria.

— Eu... O que você está fazendo aqui? — Snape estava ainda mais pálido do que de costume. Parecia estar envolvido demais com seus próprios pensamentos e tinha o único desejo de permanecer sozinho para pensar mais um pouco.

— Esta é a minha casa, Severus. Ou você não sabe disso? — Bella tinha o hábito de ser indesejável até mesmo para com aqueles que deveriam ser seus amigos. — Agora deixe de lorota! Por que não está assistindo as aulas?

— Eu ainda não entendo o que você está fazendo... Você já não se formou? Deviam proibir sua entrada neste castelo! — ele se levantou, afoito. Encarava os olhos de Bellatrix com uma profundidade e crueldade que gelaria qualquer aluno do primeiro ano.

— O Dumbledore colocou você no comando e eu não fui informada? Você esqueceu de que linhagem eu venho, Snape? Você esqueceu que... — ela batia a ponta da varinha que, ele agora pôde perceber, estava empunhada em um de seus antebraços. — Corre sangue azul nas minhas veias. Hein? Hein?

— Por mim pode correr o sangue de qualquer cor. Você não tem o direito de vir aqui e...

— Calado! — ela bradou. Seu olhar se assemelhava muito ao de uma cobra prestes a dar um bote e o tom arrastado e esganiçado da sua voz deixavam ela com uma aparência ainda mais semelhante ao daquele réptil. Não é a toa que ela foi designada para a Sonserina. Vai ver até se identificava, de fato. — Você viu o que aconteceu ao meu priminho? Viu? Ora, se não viu com toda a certeza deve ter ficado sabendo, afinal, as notícias voam nesse castelo e nem sempre são trazidas por corujas. — ela se aproximava da lareira calmamente. — Você não achou bem feito para ele, hein? Eu fiquei sabendo que o namorado daquela ruiva sangue-ruim... — Snape ficou vermelho de raiva neste momento e Bellatrix sorriu. — Andou dando uns tapinhas em você, isso foi verdade Severus, foi? Coitadinho de você... Não tinha nenhum amigo para te defender? Por que não me chamou? Por que não chamou o mestre? — ela encerrou as palavras com um olhar cúmplice e cruel que fez o aluno da sonserina desabar sobre uma das poltronas. Era como que se seu corpo estivesse pesando uma tonelada.

— Eu não sirvo a ninguém... — Snape balbuciou, amedrontado.

— O quê? Como é? — Bellatrix teve um acesso de riso. — Não seja tolo! O seu coração já se decidiu... — ela dizia, caminhando de um lado para o outro movimentando suavemente a varinha que trazia entre os dedos. — Olhe ao seu redor! Veja o que está prestes a acontecer! Você está na casa de Salazar Sonserina... O segundo bruxo mais poderoso do mundo! Você sabe quem é o primeiro, não sabe? — ela se virou para ele e lançou um olhar cortante, petrificante e intimidador.

— Eu... — seus lábios arroxeados de medo pareciam se movimentar como o de um velho de oitenta anos. — Eu não sei...

— É ele! — ela gritou, soltando uma gargalhada. — Seu coração escolheu ficar do lado dele! O grande, o magnífico, o impiedoso e implacável Lorde das Trevas! Ele é o bruxo mais poderoso do mundo! E seu coração sabe disso. — ela apontou a varinha para o tronco de Snape que caiu do sofá de joelhos no carpete verde-esmeralda da sala comunal.

— Foi você quem lançou a maldição em Sirius Black? — ele perguntou, sentindo o corpo todo tremer de pavor.

— Não foi lindo? Eu entrei dentro da cabeça dele, sabia Severus? Sabe que eu descobri muita coisa do meu priminho? Descobri umas coisas quentes.... Muito quentes... — seu tom era debochado. — Mas eu duvido que ele acorde daquela enfermaria cem por cento. Ele ainda não sabe se defender, pobrezinho.

— E quem disse que você sabe lançar uma maldição imperdoável direito? Você saiu desta escola há pouco tempo... —

— Calado! — Ela mudou o tom para algo mais sombrio. — O Lorde das Trevas me ensinou tudo! E ele vai me ensinar a conjurar as outras duas que faltam... — ela riu. — Quem sabe eu não possa surpreender o meu priminho com um flash de luz verde na fuça dele, hein? Não seria divertido? — ela ria abusadamente.

— Eu não sou como você... Eu sou diferente... — Snape estava relutante.

— Não negue seus instintos, Severus! Faz mal pra você! — ela fez uma pausa. — Mas eu concordo que você seja diferente de mim. Eu nunca me envolveria com uma... — Bellatrix virou o corpo e cuspiu na lareira. — Sangue-ruim como aquela Evans. Você tem que se livrar dela, Severus. Se quiser ser forte!

— Eu sou forte! — Snape levantou-se de uma vez e parecia ter um brilho diferente no olhar, apontou a varinha para Bellatrix e respirou fundo. Sua mão tremia compulsivamente.

— O que você vai fazer? Vai tentar me matar? — rapidamente ela também estava em posição de ataque, quando ouviu passos vindos do corredor. — Me mate agora! Aproveite que vem vindo alguém para recolher o corpo. — Expelliarmus!

O feitiço proferido por Bellatrix ricocheteou no peitoral do aluno que foi arremessado para trás caindo sobre o sofá e levando-o consigo. Um barulho de vidro estilhaçado foi ouvido seguido de um calor súbito. Quando Snape deu-se novamente com os sentidos, Bellatrix havia desaparecido e os passos no corredor, cessados. O jovem ficou ali, atônito e com o peito arfando de medo da conversa pouco amigável que acabara de ter e com as descobertas recentes.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.