As Crônicas de Nárnia: As Ruínas da Primavera
7 De volta ao Vale
Notas iniciais
POV Gladis
Fui correndo para o lado de fora procurar o meu cavalo. Não podia ficar ali. Não podia ficar os vendo destruir tudo que conquistei, não podia ficar mais nenhum segundo perto dele. Eu sabia que não era culpa dele, mas isso não importava, eu precisava dele aqui, para m abraçar e me proteger, mas ele não estava. As lagrimas já deixavam meus minha visão comprometida enquanto selava meu cavalo.
Lucia: Aonde você vai? – diz se aproximando
Gladis: Sair... Pensar... – abaixa a cabeça
Lucia: Você não pode ir. Precisamos de você aqui...
Gladis: Eu não posso perder mais ninguém Lucia, vai doer demais... – a voz sai embargada e ela volta a chorar.
Lucia: Nós não queríamos ter ido embora, foi ao além da nossa vontade... – diz com a voz igualmente embargada.
Gladis: Eu sei... Mas... – entrega-se ao choro mais uma vez. – Eu tinha 7 anos. Eu e o Senhor Tumnos brincávamos de esconde- esconde no Vale do Lampião. Os telmarinos nos acharam... – ela chora ainda mais – ele não pode correr, ele não pode se esconder... – Lucia chora – tudo o que ele fez foi me empurrar para debaixo de um arbusto enquanto ele era alvejado por flechas. Ele morreu nos meus braços Lucia! Ele era minha família!
Lucia: Eu... Eu... – entrega-se ao choro – Sr. Tummnos...
Gladis: Desculpa-me... eu não posso... – monta em seu cavalo e sai, deixando Lucia aos prantos.
Cavalguei durante horas até encontrar o Vale dos Imortais. Vivi aqui até os quatro anos com minha mãe e depois disso voltamos para cuidar dos narnianos refugiados. Cem anos depois, os telmarinos conseguiram o total domínio de Nárnia. Foi nessa ultima batalha que o Rei Gamaliel e a Rainha Gaia morreram. Minha mãe voltou ao Vale logo em seguida, para ser coroada Rainha dos Imortais. Eu decidi por ficar com os narnianos, afinal, mesmo não sendo uma filha de Eva, teoricamente também sou herdeira de sangue do trono de Nárnia. Sim, eu sei quem sou e menti para ele. Mas é melhor assim...
Após atravessar a cachoeira, avistei Gavin a certa distancia e corri para abraça-lo. Gavin foi meu pai durante esses séculos turbulentos e sempre serei grata por esse amor incondicional. Eu sempre soube que ele tinha uma paixão secreta por minha mãe, acho que ela também sabe. Mas mesmo que pudesse ela jamais deixaria de amar o meu pai. Ela o ama total e incondicionalmente de uma maneira que eu jamais compreendi. Ela sempre disse que ele não quis ir embora e que ela podia senti-lo sofrer por estar longe. Mas eu queria que ele estivesse aqui, eu senti falta dele mesmo sem saber quem ele era...
Logo avisto minha mãe na sacada. Minha mãe é o ser mais belo que já vi. Sempre com um rosto doce e angelical, mas ao mesmo tempo forte e obstinada. Eu quero ser como ela um dia. Ela logo corre para me abraçar também e ficamos lá, os três abraçados durante um longo tempo.
Após o jantar, fico olhando para o horizonte da sacada do meu quarto imaginando se eles realmente conseguiriam tomar o castelo. Perdida em meus pensamentos, quase não noto minha mãe ao meu lado.
Gael: Pensando em que? — olha para Gladis.
Gladis: Nada... – continua com o olhar perdido.
Gael: Você o viu, não é?
Gladis: Como você sabe? – direciona seu olhar espantado para Gael.
Gael: Eu posso senti-lo... Senti quando ele se foi e senti quando ele voltou... – sorriu fraco.
Gladis: Ele é mais jovem do que imaginei, parecemos ter a mesma idade! – sorri – e é bonito... – as duas riem.
Gael: Você conheceu os outros?
Gladis: Sim. Lucia é legal, é estranho ter uma tia mais velha que aparenta ser mais nova – ri – Suzana é gentil, como seu titulo diz, principalmente quando se trata de um certo príncipe que apareceu no acampamento, se é que me entende... – sorri maliciosa
Gael: As coisas já estão nesse pé? Tenho de sair do Vale com mais frequência... – risos
Gladis: Pedro é chato, mandão e metido! – fica emburrada.
Gael: Ele é um bom homem, só um pouco teimoso... – ameniza.
Gladis: Mas sua teimosia vai matar a todos nós! Nesse momento eles devem estar tentando tomar o castelo telmarino...
Gael: O QUE?! PEDRO PERDEU O JUIZO?!
Gladis: Pois é... Caspian tentou detê-lo mais... – é interrompida por Gael
Gael: Caspian?! – pergunta surpresa.
Gladis: Caspian X. Filho do Rei Caspian. Ele nos procurou pedindo ajuda para tomar sua coroa do tio e em troca nos dará a Nárnia de volta e a paz entre narnianos e telmarinos...
Gael: Se ele tiver o coração do pai, será um bom Rei...
Gladis: Ele tem. Pude ver sinceridade em seus olhos... E ele acredita em Aslan...
Gael: Bem, já é um começo... Mas precisamos ajuda-los. Se Pedro falhar, perderemos Nárnia para sempre...
Gladis: Se sairmos agora, chegaremos as Tubas perto do entardecer de amanhã...
Gael: Se vista, vou chamar Gavin e organizar as tropas. – faz menção de sair mas para. – e Gladis... – Gladis olha para a Gael – Dê uma chance para seu pai, ele te quis tanto quanto eu... – Gladis assenti e a mãe sai.
POV Caspian
Ainda muito contrariado, marchamos para o castelo seguindo o plano de Pedro. Não é segredo para ninguém nossa pequena antipatia mutua, embora tenha criado grande simpatia pela Rainha Suzana. Preocupa-me o fato de Gladis ter ido embora, os narnianos confiam nela como líder e embora o Rei Pedro tenha grande prestigio, essas pessoas não o conhecem.
Mas seguindo o plano de Pedro, nos dirigimos ao castelo na calada da noite. As coisas não saíram como o esperado e foi um massacre. Os poucos que voltaram estavam cabisbaixos, eu sabia que não era uma boa ideia. Na entrada da tumba, a Rainha Lucia e alguns narnianos esperavam nossa chegada. Lucia é uma menina adorável, e muito sabia para pouca idade. Embora tecnicamente ela seja muito mais velha que eu.
Lucia: O que aconteceu? – pergunta apreensiva
Pedro: Pergunte a ele! – fala raivoso
Caspian: A mim?! Você cancelou o ataque, ainda dava tempo!
Pedro: Não graças a você. Se tivesse seguido o plano o soldados estariam vivos agora!
Caspian: E se tivessem ficado aqui como eu sugeri, com certeza estariam. – aumenta o tom da voz
Pedro: VOCÊ NOS CHAMOU, NÃO LEMBRA??
Caspian: MEU PRIMEIRO ERRO!
Pedro: NÃO. SEU ERRO FOI ACHAR QUE PODIA SER LIDER – vira-se e faz menção de sair
Caspian: EIII – Pedro vira-se novemente e olha para Caspian – Acho que não fui eu quem abandonou Nárnia... – diz entredentes.
Pedro: VOCÊ INVADIU NÁRNIA, NÃO TEM MAIS DIREITO DE LIDERAR QUE MIRAZ!!! – Caspian o empurra e faz alusão de se retirar. – VOCÊ, ELE, SEU PAI... NÁRNIA ESTÁ MELHOR SEM GENTE DA SUA LAIA!!! – puxam suas espadas e se posicionam para lutar.
Edmundo: PAREM!!!!!!!!!!!!
Foi vergonhoso. Aquela discussão saiu de controle. Mas Pedro não podia se referir a meu Pai daquela maneira, ele não tinha esse direito. Não depois de eu ter descoberto que foi Miraz quem o matou. Neste momento Lucia correu para ajudar o anão que estava ferido e graças a seu elixir, ele está bem.
Os ânimos se acalmaram um pouco e nos separamos. Minha cabeça estava latejando. Tinha certeza que naquele momento, Miraz estava sentando em meu trono e organizando as tropas para exterminar os narnianos de uma vez por todas. Comecei a andar pelos tuneis, me perguntando se tomei uma boa decisão em chama-los para em ajudar.
Nikabrik: Está feliz agora com a trompa magica, rapaz? Seus reis e rainhas falharam, metade do seu exercito morreu e os que sobraram logo morreram!
Caspian: O que você quer? Os parabéns? – diz irônico
Nikabrik: Você quer o sangue do seu tio, nós também. Você quer o trono dele? Podemos dá-lo a você!
O anão caminhou até a câmara da mesa de pedra e eu o acompanhei. Confesso que aquela conversa soava suspeita e desconfortável, mas precisava deter o meu tio e vingar o assassinato de meu pai. Ele veio com uma conversa ainda mais estranha do que a do principio e apareceram criaturas estranhas próximas a mim. Com algum tipo de magia, aquelas criaturas criaram uma parede de gelo na frente da silhueta de Aslan e dentro dela, se encontrava uma figura que jamais imaginaria conhecer...
Caspian: Espere!!! – Começa a andar de costas, ainda olhando para a parede de gelo – Não era o que eu queria!
Jadis: Uma gota do sangue de Adão e você me liberta. – Lobo segura Caspian – Depois eu sou sua, meu Rei...
Caspian: NÃO!!! – outra criatura corta sua mão.
Nesse momento, vejo a mão de Jadis sair de dento da parede de gelo e se estender para tocar a minha. Sinto o lobo me soltar, mas mesmo livre não consigo me mover. Olho fixamente nos olhos dela e ando em sua direção, mesmo sem querer. Neste momento, Pedro e Edmundo chegam e nos impedem, causando uma pequena batalha. Estou quase encostando nas mãos de Jade, quando Pedro me impura para fora do circulo e me liberta. Mas infelizmente, isso faz com que ele próprio adentre o circulo e fique enfeitiçado. Ele estava praticamente rendido, quando Edmundo a atravessa com sua espada e faz toda a parede se quebrar.
Edmundo: Eu sei você estava ganhando... – diz para Pedro de modo irônico e se retira.
Eu e Pedro ficamos parados lá, como dois idiotas olhando para silhueta de Aslan a nos repreender. Mas o que realmente partiu meu coração foi o semblante desapontado de Suzana. Já estava amanhecendo, fui até o topo da tumba e fiquei lá observando a floresta sem saber o que fazer, quando sinto meu tutor sentando-se ao meu lado.
Caspian: Por que não me contou sobre o meu pai?
Tutor: Minha mãe era uma anã negra das montanhas do norte. Eu arrisquei minha vida todos esses anos para que um dia você fosse um Rei melhor do que os anteriores.
Caspian: Então eu o decepcionei... – diz pesaroso.
Tutor: Tudo que eu disse, tudo o que eu não disse... Foi porque eu acreditei em você... você tem a chance de se tornar a mais nobre contradição da história: O telmarino que salvou Nárnia!
POV Pedro
Estava sentado na câmara, olhando diretamente para o rosto de Aslan na pedra. Eu falhei sim eu falhei. Falhei quando parti e falhei quando voltei. Mas Nárnia era minha vida, nunca entendi porque ele a tirou de mim. Uma névoa de pensamentos me encobria, quando senti a presença de minha doce irmãzinha sentada ao meu lado.
Pedro: Tem sorte, sabia.
Lucia: Como assim?
Pedro: De tê-lo visto... Eu só queria que ele tivesse me dado algum tipo de prova...
Lucia: Talvez nós que tenhamos de dar alguma prova... – acaricia o braço do irmão. Edmundo chega.
Edmundo: Pedro – chama. – é melhor vir logo.
Lá fora, o exercito de Miraz já se fazia visto perto de onde estávamos. Uma grande força militar, com homens de mascaras de ferro, estandartes e catapultas. E dentre eles em seu cavalo branco, Miraz coroado Rei. Neste momento, eu soube, não podia fazer isso sozinho. Precisávamos de Aslan.
Anão: Meu Deus! Esse é seu próximo grande plano? Enviar uma menina a parte mais escura da floresta, sozinha? – esbraveja
Pedro: É a nossa única chance!
Suzana: E ela não estará sozinha! – diz Suzana de prontidão
Anão: Já não morreram muitos de nós?! – diz para Lucia com certo desespero.
Caça Trufas: Nikabrik era meu amigo também, mas ele perdeu a esperança... Mas a rainha Lucia não e muito menos eu...
Anão: Gladis deveria estar aqui, ela saberia o que fazer... – lamenta.
Caça Trufas: Mas ela não está, e se estivesse concordaria com nossa decisão. Ela acredita em Aslan...
Ripchip: Por Aslan! – retira sua espada e a encosta no peito.
Urso: Por Aslan!
Anão: Então eu vou com você!
Lucia: Não. Precisamos de você aqui. – põem a mão sobre o ombro do amigo.
Pedro: Temos de segura-los ate Lucia e Suzana voltarem!
Caspian: Com licença... – todos voltam sua atenção para Caspian – Miraz pode ser um tirano assassino, mas como Rei está sujeito às tradições e expectativas de seus súditos. Existe uma em particular que pode nos dar algum tempo
POV Edmundo
Andamos até o acampamento de Miraz. Confesso que estava inseguro. Qualquer estrategista inteligente saberia que isso era apenas um blefe. Peço a Aslan para que Miraz não seja um. Foi chocante ver minha filha me acusando daquele jeito, ela sabe quem eu sou e está com raiva. Mas como vou explicar a ela que eu nunca quis deixa-la? Que eu nem sabia que ela existia?
Na tenda de Miraz, encontrava-se ele e seus generais e oficiais.
Edmundo (Lê comunicado de Pedro):
“Eu Pedro, por graça de Aslan, por eleição e por conquista, Grande Rei de Nárnia, Senhor de Cair Paravel e Imperador das ilhas solitárias. Para evitar o abominável derramamento de sangue por meio desta desafio o usurpador Miraz a uma única luta no campo de batalha. A luta será até a morte, a recompensa será a total rendição”
Miraz: Diga-se Príncipe Edmundo...
Edmundo: Rei. – diz seco.
Miraz: O que disse?
Edmundo: É Rei Edmundo, na verdade. Só Rei. Pedro é o grande Rei. – Miraz faz expressão de confusão — Eu sei que é confuso...
Miraz: Por que arriscar tal empreitada se os nossos exércitos vão exterminar vocês até o final da noite?
Edmundo: Você já não subestimou demais nossos números? Digo, uma semana atrás, os narnianos estavam extintos...
Miraz: E vão ser extintos de novo!
Edmundo: Então deve ter pouco a temer...
Miraz: Não é uma questão de bravura! – gargalha.
Edmundo: E por bravura se recusa a lutar com um espadachim que tem metade da sua idade? – zomba.
Miraz: Eu não disse que me recusava! – sobressalta-se.
Soldado: Terá nosso apoio majestade. Seja lá qual for sua decisão.
General: Sozinha nossa vantagem militar oferece a desculpa perfeita para evitar... – Miraz desembainha a espada.
Miraz: Eu não vou evitar nada!!!! – diz irritado.
General: Eu só quis assinalar que o meu Rei está dentro dos direitos de recusar...
Oficial: Sua Majestade nunca se recusaria. Ele aprecia a chance de mostrar as pessoas a coragem do novo rei. – Miraz olha para o Oficial contrariado.
Miraz: Você! – aponta espada para Edmundo – torça para que a espada de seu irmão seja mais afiada que a pena! – Edmundo sorri internamente.
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