As Crônicas de Mhaglacia
4 Testamento
Era quase hora do almoço quando Luana acordou. Tomou um banho, arranjou-se, desceu as escadas e reparou que a sua irmã encontrava-se na sala de estar com o seu noivo e perguntou:
-Que estão aqui a fazer?
-Luana, já temos dezoito anos.
-Sim, eu sei!
-Não Luana o testamento, vão ler-nos o testamento depois do almoço.
Luana e Catarina almoçaram com algum desconforto e logo a seguir permaneceram na sala de estar até o conselheiro real chegar para ler o testamento. Alguns minutos depois ele chegou:
-Boa tarde – disse o conselheiro real entrando pela porta.
-Boa tarde – disseram as duas irmãs em coro.
-Bem, já devem saber porque cá venho, eu tenho em minha posse o testamento do seu pai – o conselheiro real olhou para as irmãs e tentou perceber como estavam e reparou que Catarina estava muito agitada ao contrário de Luana que se mantinha simplesmente atenta – só para saberem, eu trouxe uma cópia do testamento para não haver algum incidente com ele – sentou-se no sofá, abriu a sua pasta e mostrou-o – bem vamos ao que interessa pois vejo que estais muito nervosa Catarina.
-Pode simplesmente ler o testamento?
-Menina tenho que ter a certeza que estão em plena consciência pois poderá acontecer alguma tragédia…
-Por favor leia simplesmente o testamento, estamos as duas em plena consciência – interrompeu Luana.
-Como assim o desejarem – disse o conselheiro real – o testamento dita o seguinte: “Eu, João Santos Oliveira Barbosa, deixo para a minha filha legítima Catarina Santos Monteiro Barbosa, a fazenda de Melian, 100.000.000.000$ e seus pertencentes…- Catarina já não queria ouvir mais uma palavra então interrompendo o conselheiro real. Saiu a correr da sala dirigindo-se para o seu quarto com Rodrigo atrás dela – eu disse que não iam gostar do que ouviriam!
-Continue – exigiu Luana.
-“Deixo o meu reinado por conta da minha filha legítima, Luana Santos Monteiro Barbosa que só poderá assumir os seus deveres quando atingir os dezoito anos e se for casada; até lá será o meu querido irmão, George Santos Oliveira Barbosa, a ele deixo-lhe as quatro terras de Carvahall e 10.000.000$.
João Santos Oliveira Barbosa”
-Obrigado, agora se faz favor vou-me retirar – disse Luana depois de ouvir o testamento. Ela queria ir ter com a sua irmã mas estava com receio que ela tivesse reagido mal ao testamento e voltasse a ser a pessoa que era antigamente então decidiu que iria para o seu quarto e pensar no que estava a acontecer e o que iria fazer.
No dia seguinte Luana acordou de uma maneira muito estranha. A sua irmã entrou no seu quarto, sentou-se na sua cama e perguntou:
-Luana queres dar um passeio?
-Catarina!? És tu? – Perguntou Luana meio atordoada.
-Sim! Porquê?
-Por nada, pensei que tivesses ficado chateada com o que o nosso pai fez.
-Não sejas palerma, queres ou não?
-Sim! – Dizendo a resposta, Luana levantou cabeça e deu um beijo na irmã.
Luana e Catarina estiveram a manhã a passear pelo jardim do palácio a contarem uma a outra as aventuras que tiveram quando se davam mal. Luana sentia-se feliz por conhecer verdadeiramente a irmã. Depois de longas caminhadas decidiram almoçar no pátio real.
Quando anoiteceu Rodrigo foi ao palácio ter com Catarina, Luana decidiu subir mais cedo para o seu quarto deixando os noivos a sós na Biblioteca Real.
Quando Luana chegou ao quarto tomou um banho e deitou-se na sua cama. Foi que reparou que lhe faltava o colar, o colar que o seu pai lhe tinha dado. Entrou em pânico e foi até a varanda para poder refletir melhor onde deixara o colar ou se o perdeu.
-Luana? – Luana assustou-se pois alguém a chamava do outro lado da varanda. Instintivamente aproximou-se da varanda, debruçou-se e viu Dário lá em baixo.
-O que estás a fazer? – Perguntou Luana surpreendida. Pensava que depois do que acontecera no dia dos seus anos Dário não a quisesse ver mas estava enganada.
-Desculpe, queria dar-lhe isto – e retirou do bolço o colar de Luana.
-Estava mesmo agora a pensar onde o tinha deixado. Mas como o tem?
-Quando fugiu de mim no dia do seu aniversário, deixou-o cair! – Luana ficou corada só de pensar no que se tinha passado naquele dia.
-Então agora pode devolver-mo?
-Quer que o atire para a varanda? – Perguntou Dário sarcasticamente.
-Não! Ele é muito valioso e pode se partir! – Exclamou Luana instintivamente.
-Então? – Dário sabia a resposta mas queria que Luana lhe pedisse.
-Pode vir cá a cima?
-Subo pela trepadeira? – Perguntou Dário rindo-se.
-Não é necessário. Venha pela porta.
-Está bem! – Dário apressou-se para a porta, Luana sentou-se na orla da cama á espera que Dário subisse. Passado alguns minutos ouviu baterem á sua porta.
-Entra! – Dário entrou e dirigiu-se para o centro do quarto.
-Tome – Luana levantou-se, caminhou para perto de Dário e recebeu o seu colar.
-Obrigado! – Disse abraçando-o. Sentiu um calor vindo das suas veias. O seu coração batia fortemente e não sabia porquê – Dário a noite está demasiado escura, poderias ficar aqui comigo? – Perguntou mordendo o lábio inferior.
-A noite é sempre escura! – Exclamou Dário rindo-se.
-Estou com um mau pressentimento, por favor fica – pediu Luana.
-Está bem.
-Obrigado – Luana deitou-se na sua cama e Dário ficou num sofá ao fundo do quarto.
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