As Crônicas de Mhaglacia
5 Descoberta
Pouco tempo depois Luana adormeceu e Dário dirigiu-se a berma da cama e observou-a dormir. Suspirou por cada traço do seu rosto.
Luana sonhava com a sua coroação mas isso não a agradava até que de repente ficou tudo muito escuro. Apercebeu-se que estava no seu quarto e vindo da varanda via quatro cores, laranja, verde, azul e branco e alguém a chamava “Luana, Luana”. Aproximou-se da varanda e não eram quatro simples cores mas sim quatro mulheres que brilhavam com as suas respetivas cores, a mulher de branco aproximou-se e disse:
-Luana, não te assustes nos não te fazemos mal.
-Quem são vocês? – Pensou Luana, não esperava resposta mas surpreendeu-se.
-Eu sou a Leah – disse a mulher de branco.
-Sou a Stella – pronunciou a mulher de verde.
-Rosaline – proferiu a mulher de azul.
-Sou a Alice! – A mulher de laranja dirigiu-se a Luana.
-Isto é apenas um sonho! – Pensou Luana rindo-se.
-Eu sei que vai ser difícil acreditar mas temos que tentar. Só tu nos poderás libertar. Tu és a guardiã dos quatro elementos!
-Quatro elementos? – Luana não entendia de onde viria aquele sonho.
-Sim… Água, Terra, Ar e Fogo, somos nós. Estamos aqui para te mostrar o caminho. O teu amigo é o teu cavaleiro ele sabe de tudo. Terás que lhe pedir que te conte a história toda, nós estamos sem forças e teremos que voltar para os nossos respetivos lares mas deixáramos-te esta máscara. Para poderes veres com os nossos olhos assim poderás encontrar os quatro elementos e soltar-nos deste inferno. Adeus – as quatro mulheres dirigiram-se a varanda e desapareceram como por magia.
Luana acordou assustada. Sentou-se na cama e olhou instintivamente para as mãos que seguravam uma máscara com as quatro cores das mulheres e desfazendo-se em pó desapareceu. Levantou-se e dirigiu-se á cómoda. Lavou a cara numa bacia e olhou para o espelho.
Um grito de pânico saiu da sua boca instantaneamente e Dário acordou.
-O que se passa? – Dário viu Luana no chão e correu para a ajudar.
-Olha para a minha cara! – Gritou Luana.
-Já aconteceu – disse pensativamente Dário.
-Aconteceu o quê? Espera… o sonho era verdade?
-Se tiveste um sonho com quatro mulheres que brilhavam? Sim era verdade – disse Dário.
Luana não queria acreditar no que se estava a passar. Dirigiu-se ao espelho e lá estava a máscara na sua cara mas algo estava errado, aquele não era o seu quarto.
-Porque é que eu não vejo as minhas coisas?
-Luana… estas com a máscara das mulheres, ela mostra-te como era o mundo há quinhentos anos.
-Como tiro isto da minha cara? – Perguntou Luana. Tentava tirar a máscara mas não sentia nada na sua cara. Era como se estivesse sem ela.
-Terás que acreditar que ela existe para ela poder ser um material!
Luana respirou fundo e procurou nos seus pensamentos a palavra calma. Fechou os olhos e fez acreditar que a máscara existia. Começou a senti-la no seu nariz e prolongando-se até aos olhos, abriu-os, retirou a mascara da cara e ficou a observa-la.
-Espera… — Luana começou a relembrar o sonho que tivera – tu és o cavaleiro?
-Sim.
-Diz-me que estas a brincar e que isto não passa de um sonho!
-Não posso mentir mais, mereces saber a verdade!
-Mas que verdade?
-Luana… és a guardiã dos quatro elementos – explicou Dário.
-A mulher de laranja disse que me contavas tudo, conta-me!
-Bem… vou começar pelo princípio. Como apareceram as mulheres dos quatro elementos e como foste tu a escolhida para os conteres. Há quinhentos anos traz a rainha de Mhaglacia teve quatro filhas mas um homem do povo, de seu nome Merlim, proferia saber de magia e que se uma rainha tivesse quatro filhas a essas seriam concedidas a cada uma um poder dos quatro elementos que são: Água, Terra, Fogo e Ar. Merlim tentou avisar o rei que elas teriam de ser deixadas na natureza para obterem os seus poderes senão elas criariam três bruxas ancestrais. Como contrário o rei achou que o homem era maluco e mandou prende-lo nas masmorras.
Quando as meninas completaram um ano de vida já era tarde, as bruxas ancestrais já tinham nascido. Merlim fez um feitiço mandando-as para a natureza, Leah foi para as montanhas assim obteria o poder Ar, a Stella para a floresta obtendo o poder Terra, a Rosaline para o oceano obtendo o poder Água e a Alice foi para o deserto obtendo o poder Fogo. Esse feitiço acabou com Merlim. Á medida que elas conquistavam os poderes as três bruxas também ganhavam os seus. Quando as princesas obtiveram a maturidade criaram um laço que faria com que elas comunicassem mas este foi descoberto pelas bruxas ancestrais.
Um dia no encontro das irmãs as bruxas ancestrais apareceram. Foi a maior luta que as quatro irmãs tiveram mas as bruxas destruíram-nas, só os seus corpos, porque as suas almas juntas criaram uma travessia, “Uma princesa com a coroa na mão ira encontrar os quatro elementos e ficara com as nossas almas”. E essa princesa, és tu – Dário ficou sem fôlego de tanto falar.
-Não percebi a parte de, “…ficara com as nossas almas.”
-Isso significa que iras ficar com os seus poderes.
-Mas porquê eu? – Perguntou Luana.
-Porque tu e que tens a coroa nas mãos! Luana, tu ficaste com o reino de Mhaglacia mas não o queres, é isso que significa “Coroa nas mãos”.
-Dário desculpa mas não sei o que fazer… mas espera és cavaleiro como?
-Eu foi designado para te ajudar nesta busca dos quatro elementos. Se não houver busca deixo de existir. As quatro princesas incluíram o … como cavaleiro e deram-me um poder.
-Mostras? – Pediu Luana.
-Sim – Dário dirigiu-se a cama e retirou uma almofada. Remexeu no seu bolso e encontrou o que procurava, um canivete, rasgou a almofada mas antes que as penas caíssem no chão fez um movimento com a mão e elas flutuavam. Fez mais um movimento e as penas estavam a volta de Luana.
-E lindo! – Exclamou Luana estupefacta.
-Posso fazer isto com todos os objetos! – Riu-se Dário.
-Já sabias que era eu a guardiã dos quatro elementos? – Perguntou Luana.
-Sim… toda a gente sabia que ficarias com o reino e eu sei que não queres. Foi fácil perceber.
-Preciso de dormir, mas nem sei se conseguirei.
-Queres que me vá embora?
-Não… até pelo contrário, fica comigo.
Luana caminhou para a cama e deitou-se. Dário foi ao armário buscar uma manda para se aconchegar no sofá.
-Fica aqui perto de mim… Elas podem aparecer outra vez.
-Isso é improvável! Ficam rapidamente sem forças.
-Mesmo assim fica, posso ter pesadelos.
-Está bem – Dário riu-se.
Dário deitou-se perto de Luana. Colocou a manta sobre si, fechou os olhos para poder descansar mas ele sabia que isso não aconteceria até Luana acomodar. Alguns minutos depois Luana adormeceu e Dário acariciou o seu rosto até adormecer.
Amanheceu mas não se podia ver o sol pois grandes nuvens cinzentas cobriam-no. Luana acordou e olhou de relance para o lado oposto da cama mas estava vazio. Recostou-se e pensou no que acontecera na noite anterior. Quatro irmãs apareceram no seu sonho, dizendo terem poderes sobrenaturais e que Luana teria de os procurar para as libertar. Dário um cavaleiro que a ajudava na busca. Nesse pensamento Luana olhou para o lado oposto da cama e disse:
-Isto foi tudo um sonho! Dário nem aqui está! – Proferiu rindo-se. Mas a gargalhada não durou muito nesse preciso momento Dário entra no seu quarto com uma bandeja dizendo:
-Bom dia, princesa!
-O que estas aqui a fazer? – Luana estava prestes a esquecer o que acontecera na noite anterior mas com Dário ali era inevitável.
-Luana… tens que te conformar! O que aconteceu ontem não foi um sonho. Eu estive aqui contigo e sou um cavaleiro – Luana não queria acreditar mas aos poucos foi interiorizando os acontecimentos na sua mente.
-Estou com fome. Isso é para mim? – Perguntou Luana mudando de assunto.
-Sim! – Luana recebeu o tabuleiro e comeu em silêncio. Quando terminou dirigiu-se a casa de banho para se arranjar.
Quando Luana entrou novamente no seu quarto Dário estava no chão. Com os olhos esverdeados em lágrimas. Luana preocupou-se e questionava-se o que se passava. Aproximou-se mais e ele parecia não lá estar… Deu-lhe uns abanões mas ele não reagiu, olhou para os seus olhos e agora não estavam em lágrimas mas sim em sangue! Os seus olhos revolteavam e Luana em desespero chegou o alguidar, encheu-o com água gelada e atirou-lhe á cara mas nem isso parou-o. Os seus olhos fixaram-se em Luana e ela reparou que agora estavam completamente pretos, eram duas manchas na sua cara.
Os segundos iam passando e Luana estava a entrar em pânico. Dário parecia querer fugir de algo. Tentou falar duas vezes mas quando prenunciava a primeira letra a sua língua dobrava. Começou a tremer bruscamente. Luana com um grande esforço colocou-o na cama para ele não se aleijar no chão.
Passaram uns minutos e Luana ouviu gritos do quarto ao lado. Era a sua irmã quem os prenunciava, reconhecera a voz. Pensou no que irai fazer. Tinha Dário nas suas mãos e a sua irmã estava a pedir auxilio. Rapidamente raspou dois pedaços de lençol. Atou as mãos de Dário á cama e saiu disparada do seu quarto.
O quarto de Catarina estava escuro. Não havia uma única luz. Os gritos aumentavam de segundo para segundo.
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