Luana demorou uns segundos a entrar mas quando entrou viu Rodrigo na berma da cama ao lado de Catarina suspensa no ar. O quarto estava escuro as velas estavam apagadas e os cortinados fechados. Luana aproximou-se e um vento forte cercou-a.

Rodrigo chorava e a sua irmã continuava com os gritos endurecedores. Luana tentou aproximar-se mas sempre que dava um passo o vento fechava-se num círculo achou estranho pois as janelas estavam trancadas.

Lutou para poder andar e quando o fez dirigiu-se a janela e abriu os cortinados, olhou para a cama e a sua irmã estava cercada pelo mesmo vento. Segundos depois o vento tornou-se uma nuvem preta. Luana aproximou-se da cama e a sua irmã desaparecera juntamente com a nuvem preta.

-Dário! – Instantaneamente Luana lembrou-se dele e saiu a correr do quarto da irmã.

-Estás bem? – Perguntou entrando no quarto.

-Agora sim. Onde estavas? O que aconteceu? – A sua voz estava fraca mas Luana conseguira entender.

-Dário… a minha irmã desapareceu perante os meus olhos! Ela estava suspensa no ar e de repente uma nuvem preta levou-a – Luana tremia por todos os lados, estava apavorada! Dário prenunciou palavras que ela não percebeu.

-Luana? Será que me podes desamarrar?

-Desculpa! – Luana caminhou em direção á sua mesa-de-cabeceira e de lá retirou uma tesoura. Cortou os pedaços de lençol e sentou-se ao lado de Dário – estavas a tremer demasiado. A Catarina começou a gritar. Deitei-te na cama mas podias magoar-te então amarrei-te mas sabes o que aconteceu?

-Olha pelo que percebi… Não tenho boas notícias – Dário suspirava de sofrimento.

-Por favor… sabes quem levou a minha irmã e onde ela esta?

-Eu fui atacado pelas três bruxas ancestrais. Invadiram a minha mente para bloquearem-me…

-Bloquearem? – Luana estava confusa. Para que queriam bloquear Dário? Será que ele sabia de algo?

-Luana deixa-me continuar e não me interrompas. Bem… quando foste ao quarto de banho tive uma visão. É normal já as tive muitas vezes. As guerreiras conseguem saber os planos das bruxas. Mandaram-mos. As bruxas queriam levar a tua irmã e conseguiram, elas apoderaram-se da minha mente e não me deixaram falar, tentai lutar mas elas eram três. Desculpa Luana! – Lágrimas transbordaram dos seus olhos.

-Não tens culpa – Luana prenunciou estas palavras tão graciosamente.

-Tenho sim… devia ter lutado mais para te avisar, sou um fracasso!

-Não és nada! Pára com isso! Como disseste elas eram três e não sabias o que iria acontecer. Pareces fraco, toma – Luana ainda tinha comida no tabuleiro então pousou-o na cama de deu-o a Dário.

Dário comeu em silêncio enquanto Luana tentava assimilar tudo o que acontecera nos últimos dias. Tinham passado uns quinze minutos quando a porta do quarto de Luana abriu-se e apareceu Rodrigo. Estava pálido e o seu cabelo loiro tapava-lhe os olhos.

Luana apercebeu-se que ele estava no quarto da irmã e vira todos os acontecimentos, ele viu Catarina desaparecer como por magia.

Quem o segurava era a maçaneta da porta, parecia estar sem força. Luana apercebeu-se que ele ia cair então deslocou-se o mais rápido que pode e apanhou-o mesmo a tempo. Ele iria cair para a frente mas Luana aparou-lhe a queda colocando as suas mãos como tábua debaixo da sua barriga. Ela podia sentir a sua respiração acelerada. Mas Luana não sentia peso nenhum, só sentia as roupas de Rodrigo, então foi tirando lentamente a mão direita quando sentiu passos atrás de si.

-Luana, podes o largar! – Exclamou Dário rindo-se.

-Está bem!? – Luana retirou as duas mãos mas Rodrigo não se mexeu um milímetro – Estás a usar… os poderes!

-Luana… sabemos muito bem que não irias aguentar com o peso dele.

-Isso dizes tu! — Luana atirou um olhar provocador a Dário mas este não iria continuar com a conversa então pegou em Rodrigo, deitou-o na cama de Luana e sentou-se, no sofá, como fizera na noite anterior.

Rodrigo passou o resto da tarde a dormir no quarto de Luana, enquanto esta e Dário ocuparam-se com os assuntos do reino. Almoçaram juntos e deram uma espreitadela no quarto mas ele continuava a dormir.

Luana chegou a pensar que ele tivera morrido mas Dário assegurava-lhe que não e ele respirava.

Era de noite e Rodrigo ainda não tinha acordado. As esperanças de Luana desapareciam de minuto para minuto e foi quando ele levantou-se de repente da cama, respirando furtivamente.

-Onde estou? Catarina? – Gritou Rodrigo.

-Tem calma… Sossega… — Disse calmamente Luana aproximando-se dele.

-A tua irmã desaparecer… ela flutuava… no ar!

-Eu sei… — Dário pousou a sua mão no ombro de Luana.

-Tens que decidir. Contas-lhe a verdade ou não?

Era uma decisão difícil para Luana. Ela não queria colocar mais ninguém em perigo… mas ele vira tudo… a sua irmã tinha sido raptada por sua culpa.

A decisão estava tomada. Em alguns minutos Rodrigo sabia da verdade toda e não parecia perturbado.

-E para onde foi Catarina? – Questionou Rodrigo.

-Ninguém sabe… as bruxas levaram-na. Provavelmente para o seu esconderijo mas ninguém sabe onde fica – Disse Dário.

-Dário… prepara o que for necessário, para a viagem! – Pediu Luana.

-Que viagem?

-A busca dos quatro elementos… declararam guerra ao levarem a minha irmã então vamos fazer-lhes frente e resgatar a minha irmã.

Luana estava decidida em salvar Catarina.

A busca ia começar.