As Crônicas de Mhaglacia
1 Começo
1824
O sol nasceu no reino Mhaglacia onde o vento soprava fortemente na direção do castelo, o povo dizia que o mal chegaria, no palácio vivia-se um momento de horror pois a rainha D. Isabel estava grávida de gémeas, duas meninas viriam ao mundo.
Numa madrugada de chuvas e trovoadas todos os criados do palácio andavam atarefados pois a rainha estava em mau estado, as duas princesinhas tinham nascido, Luana e Catarina, mas a rainha não aguentava as dores, pois o parto terá sido muito complicado. Após algumas horas a rainha deu o seu último suspiro. O reino a partir dessa noite nunca mais foi o mesmo, apesar de terem duas meninas para cuidarem, era a rainha quem dava vida aquele lugar, aquele palácio o reino de D. Margarida.
Os anos foram passando e as princesas foram crescendo.
–Dá-me a Boneca Catarina! – Luana estava irritada pois a sua irmã Catarina estava a tentar tirar-lhe a boneca.
–Catarina deixa a tua irmã! – O rei e as suas filhas estavam a caminho do circo.
–Mas pai, a minha boneca está estragada!
–Já te disse que tens que estimar as tuas coisas, olha a tua irmã ainda tem a sua boneca e esta em bom estado.
–Detesto-te, só queria que não tivesses nascido!
Ao ouvir isto o rei enerva-se e ralha com a sua filha, mas algo atrapalha os cavalos e a carruagem descontrola-se, os corcéis começam a galopar sem ninguém os conseguir controlar, dirigindo-se para um penhasco, param rapidamente, a carruagem capta e escorrega pelo penhasco abaixo, mas um tronco de árvore atravessou-se no caminho e não deixou que a carruagem chegasse ao rio.
O rei estava ciente do que se estava a passar e abriu com cuidado a porta do lado do caminho.
–Saiam! Rápido! – Mandava o rei muito preocupado, ele só pensava na segurança das suas filhas.
Com o esforço do rei para salvar as princesas o tronco de árvore cedeu, a carruagem continuou o seu percurso na direção do rio e caiu no abismo. As meninas subiram o penhasco e assistiram a morte do seu pai.
1842
Depois deste dia Luana e Catarina nunca mais foram as mesmas, Catarina não podia estar um minuto seguido com a sua irmã, pois tentava fazer alguma coisa que a prejudicasse.
Os anos foram passando e a situação foi-se agravando, as duas irmãs já não se podiam ver, o ódio entre elas ia crescendo de dia para dia e o povo de Mhaglacia esperava a qualquer momento a pior notícia. Catarina e Luana estavam quase e completar os seus dezoito anos, até agora era o seu tio que governava o reino.
Ambas as irmãs eram magras, elegantes e da mesma altura, cerca de 1,63 metros, mas Luana tinha o cabelo castanho-escuro, comprido e os seus olhos eram azuis já Catariana tinha os olhos castanhos e o cabelo loiro, encaracolado.
O rei tinha deixado um testamento mas só podia ser lido às duas filhas quando elas completassem dezoito anos.
Luana não estava minimamente interessada no testamento pois não queria reinar Mhaglacia, já Catarina andava ansiosa por saber o que o seu pai tinha deixado e em que posição iria ficar. Catarina queria todo para si, odiava a sua irmã.
Três dias antes do aniversário das princesas o conselho de Mhaglacia decide organizar um baile de príncipes solteiros para Luana e Catarina arranjarem um futuro esposo, pois quando uma delas se tornar rainha terem um rei ao seu lado mas Luana não estava muito disposta a compactar com esta decisão.
–Desculpe, mas eu não me vou casar com uma pessoa que ainda só vi uma vez! – Reclamava Luana com o presidente do concelho de Mhaglacia.
–Luana tem que compreender, é assim as regras, e até lhe digo uma coisa, é um pedido do seu pai!
–Irei casar mas quando encontrar o meu verdadeiro amor!
–Menina já tem idade para deixar de ler contos de fadas, pois ai é que existe o verdadeiro amor.
–Eu até posso ir a esse baile mas não vou casar com um estranho!
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